Podemos abrir em 1 Crônicas 29? Hoje vamos ler duas passagens; a primeira está em 1 Crônicas 29.
Disse mais o rei Davi a toda a congregação: Salomão, meu filho, a quem só Deus escolheu, é ainda moço e tenro, e a obra é grande; porque este palácio não é para homem, mas para o Senhor Deus.
Eu, pois, com todas as minhas forças, tenho preparado para a casa do meu Deus: ouro para as coisas de ouro, prata para as coisas de prata, bronze para as coisas de bronze, ferro para as coisas de ferro e madeira para as coisas de madeira; pedras de ônix, pedras de engaste, pedras de mosaico e de diversas cores, toda sorte de pedras preciosas e pedras de mármore em abundância.
Além disso, porque tenho posto a minha afeição na casa do meu Deus, tendo eu um tesouro particular de ouro e prata, dou-o para a casa do meu Deus, além de tudo quanto tenho preparado para a santa casa.
Três mil talentos de ouro, do ouro de Ofir, e sete mil talentos de prata refinada, para cobrir as paredes das casas;
Ouro para as coisas de ouro, prata para as coisas de prata e para toda obra feita pelas mãos dos artífices. Quem, pois, se oferece voluntariamente para consagrar-se hoje ao Senhor?
Então os chefes das casas paternas, os príncipes das tribos de Israel, os capitães de milhares e de centenas e os responsáveis pela obra do rei ofereceram voluntariamente.
E deram para o serviço da casa de Deus cinco mil talentos e dez mil dáricos de ouro, dez mil talentos de prata, dezoito mil talentos de bronze e cem mil talentos de ferro.
E aqueles com quem se acharam pedras preciosas deram-nas para o tesouro da casa do Senhor, sob a responsabilidade de Jeiel, o gersonita.
E o povo se alegrou por terem eles oferecido voluntariamente, porque, com coração íntegro, fizeram ofertas voluntárias ao Senhor; também o rei Davi se alegrou com grande alegria.
Agora, em 2 Crônicas 1.
E Salomão, filho de Davi, se fortaleceu no seu reino, e o Senhor, seu Deus, era com ele e o engrandeceu sobremaneira.
E falou Salomão a todo o Israel, aos capitães de milhares e de centenas, aos juízes e a todos os príncipes em todo o Israel, chefes das casas paternas.
E foi Salomão, e toda a congregação com ele, ao alto que estava em Gibeão; porque ali estava a tenda da congregação de Deus, que Moisés, servo do Senhor, fizera no deserto.
Mas Davi fizera subir a arca de Deus de Quiriate-Jearim ao lugar que lhe preparara; porque lhe havia armado uma tenda em Jerusalém.
Também o altar de bronze que Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, fizera estava ali diante do tabernáculo do Senhor; e Salomão e a congregação o buscaram.
E Salomão subiu ali ao altar de bronze, perante o Senhor, que estava junto à tenda da congregação, e ofereceu sobre ele mil holocaustos.
Naquela noite, Deus apareceu a Salomão e lhe disse: Pede o que queres que Eu te dê.
E Salomão disse a Deus: Tu mostraste grande benignidade para com Davi, meu pai, e me fizeste rei em seu lugar.
Agora, ó Senhor Deus, confirme-se a Tua promessa a Davi, meu pai; porque Tu me fizeste rei sobre um povo numeroso como o pó da terra.
Dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento, para que eu possa sair e entrar perante este povo; porque quem poderia julgar este Teu povo, que é tão grande?
E Deus disse a Salomão: Porquanto houve isto em teu coração, e não pediste riquezas, bens ou honra, nem a vida dos que te odeiam, nem tampouco pediste muitos dias de vida, mas pediste para ti sabedoria e conhecimento, para julgares o Meu povo, sobre o qual te fiz rei:
Sabedoria e conhecimento te são concedidos; e te darei riquezas, bens e honra, quais nenhum dos reis teve antes de ti, e nenhum depois de ti terá coisa semelhante.
Assim, Salomão veio do alto que estava em Gibeão, de diante da tenda da congregação, a Jerusalém; e reinou sobre Israel.
Vamos fazer uma breve oração.
Ó Senhor, como nos alegramos ao nos voltarmos à Tua Palavra, pois Tu mesmo prometeste que o Espírito Santo tornaria este Livro vivo para nós. Já Te dissemos, Senhor, que queremos nos encontrar Contigo. Queremos, Senhor, receber de Ti.
Não queremos, Senhor, que este seja apenas um tempo de aquisição de conhecimento acadêmico ou de aprendizado. Queremos que seja um tempo em que nos encontremos Contigo, em que Tu Te reveles ao nosso coração, em que recebamos de Ti.
E, Senhor, muito nos alegramos porque sempre aperfeiçoaste a Tua força na fraqueza, e Tu vês a nossa fraqueza, tanto ao falar quanto ao ouvir. Ó Senhor, pedimos que conheçamos a perfeição da Tua força e do Teu poder em nosso meio, tornando conhecidas as coisas de Deus e fazendo-as tão reais para nós que entrem em nós e se tornem carne e sangue.
Ó Pai, ouve-nos. Nós Te agradecemos por esse Teu rio que flui do altar. Não temos outro argumento, Senhor, senão que o Senhor Jesus morreu por nós e que, Nele, também morremos e, por meio Dele, fomos levados a andar em novidade de vida.
Ó Pai, que esse rio de vida flua do altar neste dia e toque cada um de nós, pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Agora, não vou repetir nesta manhã o que dissemos ontem à noite. Se há alguém que não esteve conosco ontem à noite, só posso sugerir que ouça a gravação, porque quero prosseguir e dizer um pouco mais sobre este livro de Crônicas e sobre o que ele tem a nos ensinar.
Basta dizer que este livro de Crônicas é, de fato, uma interpretação de todo o Antigo Testamento. Há vários livros assim. Deuteronômio é uma interpretação dos primeiros quatro livros da Bíblia. João é uma interpretação dos primeiros três Evangelhos do Novo Testamento.
Crônicas vai além de toda a história, desde Adão até o retorno da Babilônia. Na verdade, poderíamos dizer: desde Adão até a vinda do Senhor Jesus. Ele nos mostra o segredo do propósito de Deus. O que está por trás de tudo?
Se vocês examinarem Crônicas com atenção, lendo-o em uma versão bem moderna e coloquial ou em uma versão mais antiga, descobrirão que cada reinado de cada rei de Judá é julgado pela atitude desse rei em relação à casa de Deus.
Sabemos pela arqueologia que alguns desses reis foram grandes reis, e vocês não saberiam disso pela Bíblia. A alguns são dedicados apenas poucos versículos, e logo são deixados de lado; mas, na verdade, foram reis muito importantes, com períodos de grande prosperidade exterior, grandes programas de construção e assim por diante. Mas a Escritura passa por eles e deixa tudo isso de lado por causa da atitude que tiveram em relação à casa do Senhor.
Em outras palavras, se vocês e eu estivéssemos lá, teríamos escrito a história de outra maneira. Teríamos dito: “Este homem é importante. Este homem é realmente um grande nome. Ele tem uma grande organização. Tem tudo ao alcance das mãos”.
Mas Deus diz: “Ah, não. Ele não é nada. Tudo isso é apenas passageiro. Pertence apenas ao tempo. Era tudo aparência. Era tudo carne. Eram apenas recursos humanos. Isso não entra na cidade de Deus”.
Mas aquele outro rei, que passou por dificuldades, fez alguma coisa em relação à casa de Deus. Por isso, temos bastante coisa a respeito dele. Temos bastante coisa sobre Ezequias, Josias, Josafá e outros reis assim.
Portanto, vimos que a chave para esses dois livros de Crônicas é a casa de Deus: a Sua habitação, um lar para Deus. É isso que Deus tem buscado ao longo de todas as eras. Isso está por trás da história; está por trás da criação do homem; está por trás do propósito redentor de Deus, do Seu propósito de salvação.
Ele salvou você tendo em vista um objetivo muito elevado: não apenas para que você fosse perdoado, não apenas para que fosse cheio do Espírito, mas para que fosse edificado juntamente com outros, para habitação de Deus no Espírito. Vocês podem se tornar o lar de Deus por toda a eternidade: o lugar onde Deus está em casa, o lugar onde Deus Se revela, o lugar onde Deus Se manifesta, o lugar de onde Deus governa e reina, o lugar onde toda a beleza do caráter do Senhor Deus será expressa para sempre.
Esse é o plano de Deus para você. Esse é um chamado elevado. Não é algo pequeno, insignificante. É algo tremendo. E, quando pensamos que somos criaturas tão sem valor, tão insignificantes e pecadoras, quanto mais admirável se torna a graça de Deus!
Como é admirável a graça de Deus, não apenas por nos perdoar e justificar, declarando que somos justos, mas por nos introduzir nesse relacionamento com Ele por toda a eternidade.
Há algumas coisas que eu gostaria de destacar nesta manhã, a partir desses dois livros de Crônicas em geral. A primeira coisa que gostaria de destacar hoje é o propósito soberano e o poder de Deus por trás da edificação.
Em outras palavras, a soberania de Deus, o Seu poder absoluto, a Sua onipotência, o Seu poder infinito foram colocados a serviço desse plano de fazer com que a casa de Deus fosse edificada. É por isso que, quando olhamos para este livro de Crônicas, descobrimos que, por trás de toda a história, há um fluxo, um fluxo poderoso, do poder e da força de Deus.
As linhagens — aquelas genealogias nos primeiros dez capítulos de Crônicas, que tantas pessoas acham terrivelmente enfadonhas — são uma ilustração disso. Vejam, se vocês as lerem com atenção, encontrarão todo tipo de pessoa, e muitas delas simplesmente ficam de fora do propósito de Deus. Elas tinham um relacionamento com Deus, mas, no que diz respeito ao propósito de Deus, ficam de fora.
Os marxistas falam sobre a marcha inexorável da história humana. Falam sobre o avanço de uma coisa impessoal chamada história. Mas nós, os que cremos, temos algo muito mais maravilhoso. Há um poder soberano que flui de Deus.
Deus tinha um propósito que não permitirá que seja frustrado. Venha o que vier; ainda que todo o inferno se levante contra Deus, Ele não será frustrado nesse propósito. Isso está em Seu coração desde o princípio. O que era? Prover uma noiva, se quiserem dizer assim, para o Seu Filho; produzir um lar para Si mesmo no Espírito.
Parecia que Satanás havia entrado para destruir isso, para frustrar esse propósito. Mas não o fez. Apenas tornou a graça de Deus ainda mais maravilhosa, porque Deus enviou o Seu próprio Filho — Aquele mesmo para Quem fomos destinados no princípio. Enviou-O para entregar a Sua vida e nos trazer de volta a Si.
Portanto, Deus não foi frustrado. Por meio do Seu Filho, Deus nos deu uma salvação pela qual o Seu propósito original para nós pode ser cumprido. Vocês entendem isso? É maravilhoso, não é? É absolutamente maravilhoso.
Isso nos dá um panorama tremendo da nossa salvação. Faz-nos perceber que a salvação não era simplesmente algo isolado. Por trás dela está esse avanço inexorável do propósito soberano de Deus. Ele não será frustrado.
Não consigo entender essas pessoas que me dizem que, de alguma maneira, a igreja está em ruínas, que não há esperança, que está toda fragmentada, dividida, em pedaços, e que agora tudo o que precisamos fazer é prosseguir individualmente com o Senhor.
O que o Senhor Jesus disse em Mateus 16:18?
Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
E as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
E, para ter certeza absoluta de que ninguém pudesse interpretar mal o nosso Senhor, Ele disse:
E as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Quem são esses cristãos que nos dizem que as portas do inferno prevaleceram contra Ele? O que querem dizer? Vocês vão ficar do lado do diabo nessa questão?
Há muitos cristãos que não passam de máquinas de propaganda do diabo: “Não é possível. Não é possível. Tudo isso é conversa mística, mística, idealista — essa história de sermos edificados juntos, de realmente nos reunirmos, de conhecermos de fato a unidade do Senhor Jesus Cristo, de conhecermos alguma coisa do que significa prosseguir com Ele e crescer Nele como Cabeça”.
“Ah”, dizem eles, “isso tudo é místico. Tenham cuidado — são coisas místicas, idealistas”.
O Senhor Jesus disse:
Tu és Pedro.
Não havia ninguém mais instável do que Pedro. Não havia ninguém mais impetuoso e impulsivo do que Pedro. Ele estava sempre metendo os pés pelas mãos, como dizemos na Irlanda. Estava sempre abrindo a boca e dizendo o que não devia.
O fato é que Pedro estava sempre, de algum modo, à frente. Naquela época, ele ainda não tinha a estabilidade, o poder e as raízes para ir até o fim. Era algo mais superficial. Era a carne. Eram os seus próprios recursos. Pedro é exatamente como todos nós.
Se o Senhor tivesse dito: “Tu és João; sobre esta pedra edificarei”, teríamos entendido muito melhor. Teríamos dito: “Ah, isso nos deixa de fora de muita coisa. Não temos essa devoção ao Senhor. Não temos essa intimidade de nos reclinarmos sobre o Seu peito, como ele tinha”.
Mas o Senhor escolheu Pedro. Afinal, Pedro é como todos nós. Amava o seu Senhor, mas dizia as coisas depressa e só depois pensava nelas. Estava sempre na linha de frente, sempre tomando a iniciativa. Não era apenas ambição; ele realmente amava o seu Senhor e queria estar inteiramente com Ele.
Como é belo que o Senhor tenha dito:
Tu és Pedro.
Uma pequena pedra, um fragmento da rocha.
E sobre esta pedra edificarei a Minha igreja.
Petra, a grande massa rochosa.
E as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
O que Crônicas nos ensina? Ensina simplesmente isto, se incluirmos também Esdras e Neemias: apesar de tudo, o propósito de Deus será cumprido. Mesmo que o povo de Deus seja levado à Babilônia e disperso por todas as partes da terra, ainda assim o propósito de Deus será cumprido.
Ainda que seja apenas por meio de um pequeno grupo — se Deus tiver de levantar filhos das pedras —, Ele o fará. Não pensem que Deus está perplexo. Ele não está nem um pouco perplexo.
Meu querido filho de Deus, se o Senhor não conseguir realizar a Sua vontade conosco, Ele a realizará com outros. Se for necessário, levantará uma geração inteiramente nova, que não tenha nada a ver conosco. Ora, Ele pode até fazer alguma coisa entre os judeus, inteiramente à parte da cristandade, que finalmente Lhe permita alcançar o Seu propósito e plano. Ele vai fazê-lo.
Jesus, o nosso Senhor Jesus, assumiu esse compromisso. Ele disse:
Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja;
E as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Ah, querido filho de Deus, muitas vezes ouço as pessoas dizerem: “Gostaria de conhecer a vontade de Deus para mim. Gostaria de conhecer a vontade de Deus para mim”. Escutem: vocês sempre ficarão confusos quando abordarem isso de maneira egocêntrica. “Qual é a vontade de Deus para mim? O que devo fazer? Qual deve ser a minha carreira? Onde devo morar? Que caminho devo seguir?”
Escutem: antes de tudo, olhem para a questão pelo outro lado. Invertam a ordem. Primeiro, compreendam qual é a vontade de Deus. Qual é a vontade de Deus? Então, muitas coisas começarão a se encaixar.
Quando vocês começarem a enxergar qual é a vontade de Deus, quando começarem a enxergar qual é a Sua vontade para o Seu povo, qual é a Sua vontade por trás de toda a história, isso lhes dará uma clareza que nunca tiveram antes na vida. Vocês entendem?
Somos tão egocêntricos, vejam. Achamos que o Senhor gira ao nosso redor. “Ele está ali para mim. Ele está ali para mim. O Filho de Deus existe para mim, apenas para abrir um caminho para que eu viva nesta vida. A salvação, naturalmente, é para mim. Tudo é para mim. Eu sou o centro do mundo. O Senhor está ali, o Pai está ali, e todos os outros estão ali. Até o Espírito Santo está ali para mim. Eu sou o centro de tudo.”
Abandonem essa ideia. O Senhor é o centro, e vocês giram ao redor Dele. Passem para o outro lado. Comecem a enxergar as coisas dessa maneira.
Há muitas passagens das Escrituras sobre isso. Por exemplo, Efésios 1:9-10 diz:
Fazendo-nos conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propôs em Cristo;
Para uma dispensação da plenitude dos tempos, de reunir todas as coisas em Cristo.
Aqui temos o que é a vontade de Deus. Aqui está o mistério da Sua vontade, e Ele o tornou conhecido a nós. Qual é esse mistério da Sua vontade? Reunir todas as coisas em Cristo.
Cristo — tudo. Tudo e em todos. Cristo, tudo em todos. Esse é o propósito de Deus.
Portanto, sabemos que a vontade de Deus para nós sempre segue esta direção: eu devo diminuir, Ele deve crescer. Deve haver cada vez mais Dele. Essa é uma maneira de sempre descobrirmos se algo é ou não a vontade de Deus para nós. Isso me glorifica? Satisfaz apenas a mim? Ou é realmente o Senhor Quem está recebendo alguma coisa disso?
Também penso em Colossenses 1:9-10:
Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar e de pedir por vós, para que sejais cheios do conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual;
Para andardes dignamente diante do Senhor, agradando-Lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus.
Ah, querido filho de Deus, não há nada mais maravilhoso do que estar no centro da vontade de Deus. Não me refiro apenas aos detalhes da Sua vontade para você individualmente; refiro-me a estar no centro da vontade de Deus quanto a esse lar para Si mesmo no Espírito.
Escutem: quando vocês chegarem a esse ponto, certamente tudo o mais começará a se encaixar. Porque ali vocês estarão bem no centro da corrente principal do propósito de Deus ao longo de toda a história.
Para mim, essa é a coisa mais emocionante do mundo. Não consigo entender os cristãos que ficam tão presos e abatidos. Pensem nisso; olhem para mim. Sou apenas um ser humano pequenino, um pouco de barro, carne e sangue — um ponto entre os bilhões e bilhões de seres humanos, não apenas os que estão vivos, mas todos os que já viveram.
E, no entanto, eu, tão pequeno, pela graça de Deus, posso entrar bem no centro do fluxo do propósito de Deus, de eternidade a eternidade. Posso sentir uma grande corrente que me leva adiante.
Sabem, certa vez, quando voamos de São Francisco de volta para casa, em Londres, viajamos num 707. O piloto nos disse que aquela era uma das primeiras vezes em que faziam aquele voo, e que a distância estava perto do limite que o 707 podia percorrer sem pousar para reabastecer.
Disseram: “Vocês sabem por que podemos fazer isso? Podemos fazê-lo porque entramos numa corrente de ar. Entramos num fluxo de ar quente que corre em direção ao Ártico. Então subimos até ele, e esse fluxo de ar nos leva por todo o caminho para o norte; depois colocamos os motores em potência máxima e descemos para Londres”.
Não sou uma pessoa de conhecimentos técnicos; portanto, vocês que são, perdoem-me se estou explicando de maneira rudimentar. Mas o fato é este: aquele pequeno avião entrou numa poderosa corrente de ar, e essa corrente simplesmente o levou adiante.
Você, filho de Deus, pode entrar não numa corrente de ar, mas na corrente do Espírito de Deus. Pode entrar no fluxo da vida divina de Deus. Pode entrar no poder soberano e na força do próprio Deus, que o conduzirão até o fim, porque Deus tem um grande propósito. Você estará dentro dele.
Vocês se lembram do que Zacarias diz em Zacarias 4:6-7, quando vê toda aquela visão das oliveiras e do candelabro inteiramente de ouro e pergunta: “O que significa tudo isso?” O anjo lhe disse:
Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.
Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel te tornarás uma planície; e ele trará a pedra de remate, com aclamações: Graça, graça a ela!
Agora, alguns de vocês que tiveram uma experiência carismática real talvez digam: “Bem, certamente não temos graça; temos glória”. Graça — glória. Mas não: haverá tantas dificuldades, tantos problemas, que tornarão tudo impossível segundo os padrões humanos. Só será possível pelo Espírito, mediante a fé.
E, quando a obra estiver concluída, a única coisa que poderemos clamar será: “Graça!” A graça de Deus completou a obra. Ele lançou o fundamento, Ele desenvolveu a edificação, Ele colocou no lugar a pedra de remate, que é o Messias. Tudo é obra Dele.
Ah, como é maravilhoso estar nessa edificação. Não me importa onde estou. Não me importa se sou uma pequena pedra em algum canto, escondida, fora de vista, ou se sou uma pedra maior em outro lugar, ou se estou num arco, ou onde quer que eu esteja, desde que esteja na edificação.
Tudo o que quero é estar em algum lugar entre o fundamento e a pedra de remate. Só isso. Quando estou entre o fundamento e a pedra de remate, glória a Deus, estou no propósito de Deus. Estou no centro do anseio do coração de Deus, de eternidade a eternidade.
Estou exatamente onde Ele quer que eu esteja. A salvação do Seu Filho não é apenas para me salvar ou me tornar um pequeno objeto bonito. É para me introduzir em algo que será, para todo o sempre, o instrumento dos propósitos de Deus.
Como isso é maravilhoso, querido filho de Deus: você tem um chamado tão elevado. Por que desistir? Por que desistir?
Isso me leva a este ponto. Essas linhagens, essas genealogias nos primeiros dez capítulos, tratam de pessoas que ficaram pelo caminho. Quantas pessoas estavam realmente ligadas ao propósito de Deus e depois se afastaram!
Pensem em Adão: ele se afastou completamente. Pensem em seu filho Caim: ele se afastou completamente. Ou em Saul e em tantos outros que estão ali relacionados.
Há pequenos comentários extraordinários inseridos nessas genealogias. Vocês olham e leem, a respeito de certa pessoa, que ela confiou no Senhor e agiu com valentia. Por que isso foi colocado numa genealogia? Porque significou alguma coisa para o Senhor. Aquele homem enfrentou grandes problemas, e nem sequer sabemos quem ele é, mas ali está: ele confiou no Senhor e agiu com valentia.
Muitas pessoas simplesmente se afastaram. A respeito de Saul, diz que ele se afastou porque consultou uma médium. Ele fez concessões. Entrou em contato com outro mundo, com o inimigo de Deus, e ficou de fora.
Ah, não desistam. Há muitos desistentes neste mundo, mas também há muitos desistentes espirituais. Tornam-se cristãos cínicos. Ficam tão desiludidos e decepcionados com tudo e com todos que simplesmente se tornam cínicos. Tornam-se críticos. Tornam-se agnósticos cristãos.
Exteriormente, creem em tudo; interiormente, não creem em nada. Ah, há muitos assim, muitos. Na realidade, não creem em coisa alguma, mas têm medo de admitir isso abertamente.
Que Deus nos preserve de desistir. Que permaneçamos no propósito de Deus até o fim.
Essa é uma coisa. A segunda coisa que quero dizer que aprendemos sobre esse assunto é a necessidade de uma preparação profunda e custosa. Se esta casa de Deus vai ser edificada, é necessária uma preparação profunda e custosa.
Temos tudo isso aqui no livro de Crônicas. Uma das coisas que vemos em 1 Crônicas 11:4-9 é que Davi teve de conquistar Jerusalém. Não poderia haver edificação dessa casa de Deus enquanto a própria Jerusalém não fosse conquistada, e Jerusalém era uma cidade dos jebuseus.
O Senhor havia dito:
Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, Eu vo-lo tenho dado.
Ele havia dito isso a Moisés. Havia dito isso a Josué.
Onde quer que colocassem a planta dos pés e dissessem: “Isto pertence ao Senhor”, assim acontecia. Portanto, pela fé, havia uma preparação real.
Querido filho de Deus, se você quer estar nessa edificação, se quer ser edificado juntamente com outros para um lar de Deus no Espírito, se quer contribuir de alguma forma para essa edificação, deixe-me dizer que isso será sempre e somente pela graça, mediante a fé. Pela graça, mediante a fé — nunca de outra maneira.
Era tudo graça. Deus disse: “Enviarei o anjo da Minha presença adiante de vocês, e ele será como um marimbondo. Expulsará todos esses inimigos, e vocês possuirão a terra”. Era graça. Mas então vem a responsabilidade de vocês: a fé.
Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, Eu vo-lo darei.
Vocês precisam colocar a planta dos pés em algum lugar, e foi isso que eles fizeram.
Vocês se lembram do rio Jordão? Ele estava transbordando em plena época da colheita. Sempre penso que o Senhor tem senso de humor. Se ao menos Ele tivesse permitido que fosse na estação seca, quando o rio estava um pouco menor, eles poderiam ter descido e dito: “Bem, não conseguimos atravessar isto, mas não parece tão ruim. Talvez seque um pouco mais e consigamos atravessar a pé de algum jeito”.
Mas não; era o auge da época da colheita. Vocês não acham que, enquanto aqueles sacerdotes levavam a arca da aliança até a água, o diabo sussurrava aos seus ouvidos: “Vocês vão parecer uns tolos diante desse povo. Tudo o que vão fazer é molhar os pés. Vão ficar de pé na água, e nada vai acontecer”?
E vocês não acham que um deles poderia ter pensado: “Agora, Senhor, dá-nos um sinal. Dá-nos um sinal. Enquanto descemos, faz a água recuar só um pouco. Então saberemos que Tu estás conosco, Senhor”?
Conheço muitas pessoas assim. Dizem: “Senhor, não posso dar este passo de fé enquanto Tu não me deres um sinal, enquanto a água não recuar um pouco”. Mas, pelo que conheço do Senhor, Ele deixa a água avançar ao encontro de vocês.
Aposto que, enquanto aqueles sacerdotes se aproximavam, uma grande onda avançou, como se dissesse: “Ha, ha, ha! Vocês não vão atravessar”. E os sacerdotes do Senhor simplesmente colocaram os pés dentro da água, atravessando a água até o leito do rio. No instante em que a planta dos pés tocou o leito do rio, a água parou.
É claro que há pessoas que sempre acham que precisam fazer tudo depressa. Dizem: “Vamos lá, coloquem a planta dos pés no chão. Digam: ‘Senhor, eu tomo posse disto’. Vamos — façam, façam”.
E, se não acontece instantaneamente, dizem: “Ah, o Senhor não está conosco. O que há de errado? Deve haver pecado no arraial ou alguma outra coisa”. Mas, quando chegaram a Jericó, tiveram de dar uma volta por dia durante seis dias e, no sétimo dia, sete voltas.
A coisa magistral que o Senhor fez foi não permitir nenhuma conversa. Vocês já perceberam que, quando dão um passo de fé, conversar nem sempre é uma boa coisa? As pessoas chegam, conversam e dizem: “Bem, você acha mesmo? Ah, não sei. Não tenho certeza”.
Conversar não é uma boa coisa. O que vocês acham que aquelas pessoas em Jericó pensavam, olhando por cima dos muros e vendo aquela grande multidão dando voltas? Será que diziam: “O que são eles — turistas vindos do Egito?”
Um antigo teólogo disse certa vez que só havia duas maneiras de olhar para aqueles muros. Uma era: “Esses muros nunca vão cair”. A outra era: “Quanta poeira haverá quando esses muros caírem”. Só há duas maneiras de olhar para o muro.
Mas, no sétimo dia, na sétima volta, quando a trombeta do Senhor soou e eles deram um grande grito, os muros caíram por terra. Pela graça, mediante a fé.
Aqueles filhos de Deus foram julgados, ao longo de todo o caminho, pelo que conquistaram e pelo que deixaram de conquistar. Em alguns lugares, encontraram carros de ferro e disseram: “É difícil demais”. Que tragédia! Só precisavam usar a planta dos pés. Não precisavam lutar contra carros de ferro. Bastava colocar os pés naquele vale e dizer: “Com carros ou sem carros, este vale pertence ao Senhor”.
E teria sido o vale do Senhor, mas eles disseram: “Há carros por aí”. Há muitos cristãos que, quando chegam diante de algo que pode significar uma grande libertação e uma grande vitória, dão uma olhada naqueles carros retumbantes, como os tanques de hoje, e dizem: “Não, não, não. Isso não vai dar certo. É um pouco demais”.
Mas vocês só precisam usar a planta dos pés. Quando chegaram a Jerusalém, disseram: “Jerusalém? Impossível”. E, durante quatrocentos anos, Jerusalém permaneceu uma cidade dos jebuseus, até que Davi chegou. Davi usou a planta dos pés e, quando o fez, Jerusalém foi conquistada, e Jerusalém tornou-se Jerusalém.
Agora, se vocês e eu vamos conhecer alguma coisa sobre edificação, a primeira coisa que precisa ser conquistada não é apenas a terra. Precisamos conquistar Jerusalém. Vocês entendem isso? Não basta entrar na plenitude da graça. Vocês precisam conquistar um lugar específico na terra, um lugar que o inimigo fará absolutamente tudo para impedir que conquistem.
O que é isso? É o propósito de Deus de ter um lar para Si mesmo no Espírito. Em outras palavras, é sermos edificados juntos num lugar específico, num momento específico. Vocês precisam tomar posse disso.
Se vocês não conquistarem Jerusalém, poderão conhecer alguma coisa da plenitude de Deus, mas não estarão na corrente central do propósito de Deus.
Posso dizer mais alguma coisa sobre essa necessidade de uma preparação profunda e custosa? Todo esse ouro, essa prata, esse bronze, esse ferro, essas pedras preciosas, essa madeira — quase tudo era despojo de vitórias. Despojo de vitórias.
Querido filho de Deus, por menor que seja a sua vitória, ela produz despojos. Você sabia disso? Você está enfrentando um grande problema. Não sei qual é. Talvez seja um problema de mundanismo, e você tenha travado uma grande batalha a respeito disso.
Você amava aquilo. Era a própria essência da sua vida antes de ser salvo. Você foi salvo e agora, de repente, sente-se desconfortável. Não é porque outras pessoas lhe disseram alguma coisa a respeito, mas porque o Espírito Santo tem tratado com você sobre aquela questão específica.
Para você, é enorme. Para os outros, não é nada. Mas, para você, é enorme. Você diz: “Bem, que diferença faz? Que diferença faz se eu conseguir vencer? Quem vai ganhar alguma coisa com isso?”
Eu lhe digo: vença, e os despojos serão para a casa do Senhor. Há ouro que entra na sua vida e que não pode vir de nenhuma outra maneira — o ouro da natureza Dele. Há prata que entra na sua vida — algo mais da Sua obra redentora. Há bronze que entra na sua vida — algo do Seu poder. O ferro entra. Todas essas coisas entram na sua vida por meio de vitórias.
Vocês entendem? Se abrirem em 1 Crônicas 20:2, apenas como exemplo, a última parte do versículo diz:
E levou da cidade muitíssimo despojo.
Depois, 1 Crônicas 26:26-27:
Este Selomite e seus irmãos estavam sobre todos os tesouros das coisas consagradas, que o rei Davi, os chefes das casas paternas, os capitães de milhares e de centenas e os capitães do exército haviam consagrado.
Dos despojos das guerras os consagraram para a conservação da casa do Senhor.
Dos despojos da batalha. Ah, há uma grande batalha pela vida quando se é filho de Deus. Se vocês conhecem alguma coisa de uma comunhão crescente uns com os outros, sabem que batalha existe. É como se todo o inferno estivesse empenhado em nos fragmentar, nos dividir, nos fazer tropeçar de alguma forma e nos prender em armadilhas.
Mas, sempre que experimentamos uma vitória do Senhor pela fé, mediante a graça, há despojos para a casa do Senhor. Há ouro, há prata, há bronze, há ferro, há pedras preciosas — todas essas qualidades de Cristo.
Como elas entram em nossa vida? Entram a um grande custo. Não entram simplesmente enquanto vocês ficam sentados, sem fazer nada. Algumas pessoas acham que, enquanto não forem espirituais, não podem fazer nada. Querido filho de Deus, você ficará sentado até o fim dos tempos e não será nem um pouco mais espiritual.
Se você diz: “Não posso participar. Nunca conseguiria louvar o Senhor num grupo assim. Nunca conseguiria abrir a boca e orar — não antes de me tornar mais espiritual”, meu querido, você nunca será mais espiritual enquanto não abrir a boca e louvar o Senhor no meio do povo de Deus.
Você nunca, nunca conhecerá mais do Senhor enquanto não der um passo de fé. Por trás de tudo isso está o orgulho. Alguns de nós não querem falar outra língua enquanto não a dominarem perfeitamente; por isso, nunca a aprendem.
Se você diz: “Não vou passar vergonha”, nunca chegará a lugar algum. Nunca andará se não aprender. Ao aprender, você tropeça, se levanta e prossegue. Cai e se levanta; depois de algum tempo, começa a se levantar sozinho. Vai adiante, cai, e assim está aprendendo a andar.
É assim também nessa questão. Precisamos aprender essas lições profundas. Precisamos obter vitórias nessas coisas. Podem parecer muito pequenas, mas a vitória em pequenas questões contém coisas muito grandes. Nunca se esqueçam disso.
O diabo lhe dirá: “É uma coisa muito pequena. Não significa nada para você”. Não, querido filho de Deus; essa coisa pode ser muito pequena em si mesma, mas, quando você a resolver, descobrirá que uma porta se abre para um imenso universo de riquezas espirituais, e tudo isso será seu de maneira crescente.
Sim, são os despojos da vitória sobre os inimigos de Deus que entram na edificação desta casa.
Também quero dizer que há um sacrifício muito custoso. Essas coisas não vêm simplesmente. Se vocês lerem 1 Crônicas 22:14, Davi diz:
Eis que, na minha aflição, tenho preparado para a casa do Senhor.
“Na minha aflição.” Davi conhecia muito bem a aflição. Havia muita coisa em sua vida que só pode ser descrita como aflição: anos e anos e anos sendo perseguido por Saul no deserto.
Ele poderia ter matado Saul várias vezes — duas ou três vezes —, mas se recusou a fazê-lo porque não permitiria que o braço da carne ajudasse a obra de Deus. Isso significou mais aflição para ele.
Há momentos em que o Senhor nos prova. Ele diz: “Você pode acabar com isso de uma vez. Basta fazê-lo agora. Se tomar esta atitude, resolverá tudo e poderá seguir adiante”. Mas fazer isso seria introduzir outro nível, outro domínio, na obra de Deus: o domínio da carne.
Quando você diz não, sujeita-se a muito mais aflição. Mas há sacrifício em toda essa questão. Vocês realmente acham que o ouro vem facilmente?
Jesus disse à igreja de Laodiceia, que se considerava tão rica, tão grande, tão poderosa e sem necessidade de coisa alguma:
Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças.
Por que Ele disse: “Aconselho-te que de Mim compres”? Como você pode comprar algo que lhe é dado pela graça? Bem, creio que o custo é a experiência. Não se obtém ouro à parte da experiência. O ouro vem a você pela graça, mas a experiência é o preço.
Às vezes, você precisa entrar na morte para que, pela graça de Deus, o ouro lhe seja dado. Há muitas maneiras pelas quais crescemos.
Vejamos 2 Coríntios 4:7. Vamos ler primeiro esse versículo:
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós mesmos.
Então ele fala da perplexidade, em 2 Coríntios 4:8-10:
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados;
Perplexos, mas não desesperados;
Perseguidos, mas não desamparados;
Abatidos, mas não destruídos;
Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
Aqui está uma experiência. Nós dizemos: “Um cristão? Perplexo? Nenhum cristão deveria ficar perplexo. Aliás, um apóstolo perplexo? Não queremos apóstolos perplexos. Queremos apóstolos com clareza. Queremos líderes com clareza”.
No entanto, Paulo diz:
Perplexos, mas não desesperados.
Há alguma aflição nisso. Não significa que ele não tenha clareza a respeito do Senhor. Ele pode ter muita, muita clareza a respeito do Senhor, dos caminhos do Senhor e do propósito do Senhor e, ainda assim, ficar profundamente perplexo em certos momentos; e o Senhor permite isso.
Por quê? Porque há um tesouro naquele vaso, e a única maneira de fazer o tesouro sair é quebrar o vaso. A única maneira de quebrar o vaso é sendo atribulado de todos os lados, perplexo, perseguido, abatido, levando no corpo o morrer de Jesus.
Querido filho de Deus, em Cristo há um tesouro em você — as insondáveis riquezas de Cristo. Mas como fazê-las sair? Como oferecê-las como contribuição?
Porque a nossa leve aflição, que é momentânea, opera para nós um peso eterno de glória, cada vez mais excelente.
Uma leve aflição, empregada por Deus para realizar e produzir um peso eterno de glória.
É necessária uma preparação profunda e custosa se vocês e eu quisermos fazer parte dessa edificação. Há mais uma coisa nessa questão: um propósito inabalável de coração.
Nenhum homem ou mulher estará disposto a pagar o preço de participar dessa obra de edificação de Deus se não tiver um propósito inabalável. Colocando de outra maneira: um olhar voltado unicamente para o Senhor.
Se você tem um coração dividido, se segue duas direções, ficará de fora. Será alguém que desistiu. Trate dessa duplicidade, se ela existe em você. Trate dessa tentativa de servir a Deus e a um ídolo. É hora de fazer isso. Isso o destruirá. Destruirá você completamente. No que diz respeito ao propósito de Deus, você ficará pelo caminho.
Vocês se lembram de que, segundo a tradição rabínica, Davi recebeu o Salmo 23 quando ainda era um jovem pastor. Acho admirável que um menino pudesse escrever esse salmo naquela idade:
O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.
Ele me faz deitar em verdes pastos.
Mas o mais notável é o que diz Salmos 23:6:
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida;
E habitarei na casa do Senhor para sempre.
Do que esse menino está falando? De onde tirou isso? “A casa do Senhor”? Onde estava a casa do Senhor? Não havia casa do Senhor. Do que esse menino está falando?
Habitarei na casa do Senhor.
Ele é um menino pastor. Sabe tudo sobre matar ursos e leões e proteger o rebanho dos inimigos. O que sabe sobre a casa de Deus?
Os rabinos costumavam dizer que Jessé, o pai de Davi, tinha como ofício tecer o véu do tabernáculo. Se isso é verdade — e muitas vezes pensei nisso —, pode ser que aquele querido pai de Davi costumasse dizer: “Já está na hora de termos um lugar de verdade para o Senhor. Aquela velha tenda já cumpriu a sua função”.
Não sei, mas, em algum momento da juventude de Davi, pelo Espírito de Deus, ele passou a enxergar a casa. Mais tarde, diria em Salmos 27:4:
Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei:
Que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
Para contemplar a beleza do Senhor
E inquirir no Seu templo.
Que propósito esse homem tinha — inabalável. Ele não se deixava desviar para um lado ou para o outro. Teve muitos fracassos e muitas falhas, mas Davi tinha um propósito inabalável e, pela graça de Deus, não desistiu. Permaneceu dentro do propósito de Deus até o fim.
É por isso que aquele belo Salmo 132 foi escrito a respeito de Davi:
Senhor, lembra-Te de Davi e de toda a sua aflição;
Como jurou ao Senhor
E fez um voto ao Poderoso de Jacó:
Certamente não entrarei na tenda da minha casa,
Nem subirei à minha cama;
Não darei sono aos meus olhos,
Nem repouso às minhas pálpebras;
Até que ache um lugar para o Senhor,
Uma habitação para o Poderoso de Jacó.
Isso é propósito.
Há outras três coisas nas quais quero apenas tocar, mas todas são importantes. Se vocês abrirem em 2 Crônicas 1, verão que o tabernáculo e a arca haviam se separado.
2 Crônicas 1:3 nos diz que a tenda da congregação de Deus estava em Gibeão, e a arca do Senhor estava em Jerusalém. Haviam se separado.
A arca do Senhor representa a presença do Senhor — a presença comprometida do Senhor. A presença de Deus está em toda parte, mas a arca simboliza a presença do Senhor vinculada ao Seu compromisso.
É claro que vemos isso de maneira belíssima em nosso Senhor Jesus, em Quem se encontram tanto a vara de Arão quanto o vaso de ouro com o maná — Ele é o Pão da Vida — e a lei intacta, a lei cumprida. Naturalmente, Ele também é o propiciatório, mas isso é uma observação à parte.
O fato é que isso é um símbolo da presença de Deus vinculada ao Seu compromisso.
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
De alguma maneira, a presença do Senhor e a tenda da congregação — que é um símbolo de nós, se quiserem dizer assim, em Cristo, um símbolo de estarmos Nele e juntos com Ele — haviam se separado.
Ao longo de toda a história da igreja, a arca do Senhor e a tenda da congregação têm se separado. Vocês já perceberam isso? Desde o princípio, parece que o diabo tem trabalhado incessantemente para separar a arca do Senhor da tenda da congregação. Então surge uma divisão entre o povo por toda parte: “Para onde devemos ir? O que devemos fazer? Devemos nos voltar ao Senhor na tenda da congregação? Devemos nos voltar ao Senhor na arca?”
Ah, a regra consagrada pelo tempo é esta: quando a arca e a tenda da congregação se separam, sigam sempre a arca.
Em outras palavras, é melhor e mais seguro seguir o Senhor, e não apenas a organização ou o sistema exterior.
Posso dizer alguma coisa sobre isso? Acho muito importante. Quando Deus realizou essa edificação, a tenda da congregação teve de vir até a arca, e não a arca até a tenda da congregação.
Isso é muito, muito importante. Talvez ajude alguns de vocês, e só posso tocar nesse assunto. Deixo ao Espírito de Deus a tarefa de fazer o restante por vocês.
Mas o fato é este: ouvimos o tempo todo este clamor: “Precisamos de avivamento. Precisamos de avivamento. Precisamos de avivamento”. Não é verdade que, muitas vezes, queremos que a arca do Senhor venha até a nossa tenda da congregação? Queremos que a vida venha para a nossa denominação, a nossa comunhão, o nosso círculo.
Não é que Deus não queira avivar essas pessoas, mas a única maneira de isso acontecer é trazendo esse círculo ao Senhor vivo. Isso pode exigir várias mudanças.
Algumas pessoas querem avivamento sem mudança alguma. Só querem que ele entre nos velhos trilhos e faça tudo seguir adiante. “Vem, Senhor, entra nessa velha estrutura, dá-nos um pouco de vida, traz mais alguns membros, aumenta a oferta e ajuda de modo geral.”
Estou sendo muito duro. Acreditem, estou na obra do Senhor há tempo suficiente para saber quantas vezes é disso que se trata. Já ouvi ministros me dizerem: “Sabe, mal conseguimos nos sustentar agora. Nossa congregação está diminuindo, as ofertas são pequenas, e assim por diante. Precisamos de avivamento”.
Isso pode parecer muito, muito duro, mas é a verdade. Que Deus nos ajude a alcançar outro nível. Também precisamos enxergar a nossa posição, se quisermos prosseguir. Vamos colocar isso da melhor maneira: essas pessoas realmente prezam o testemunho do Senhor, entendem? E dizem: “É por causa desse testemunho do Senhor. Precisamos de avivamento”.
Mas Deus diz: “Não, não preciso que a arca venha até a tenda. A tenda tem de vir até a arca”. Muitas mudanças podem ser necessárias. Se a arca não se desviou — isso precisa ser considerado —, tragam a tenda até a arca.
No fim, não foi propriamente a tenda da congregação que foi até a arca; foram todos os utensílios sagrados que foram prontamente levados até ela. Vocês entendem?
Menciono isso porque muitos de nós querem o avivamento de Deus, a renovação, ou seja lá como chamamos, nos nossos próprios termos. Mas o Senhor… Deixem-me contar uma história verdadeira.
No oeste da Inglaterra, numa região montanhosa chamada North Devon, onde há uma grande área de campo aberto e selvagem chamada Exmoor, há uma estância muito bonita — na verdade, duas: Lynton e Lynmouth. Lynmouth fica na foz do rio Lyn, e Lynton fica no alto dos penhascos.
Há muitos anos, por volta de 1952, houve três dias de chuva terrível lá nos campos elevados. A água foi se acumulando e, por fim, uma enorme muralha de água, com cerca de dezoito metros de altura, desabou sobre Lynmouth enquanto a cidade dormia.
Ela arrastou dois terços da cidade para o mar. Carros foram levados a mais de cento e sessenta quilômetros de distância, para dentro do mar da Irlanda. Muitas, muitas pessoas perderam a vida. Muitas nunca mais foram encontradas, inclusive pessoas que eram crentes.
Quando foi realizada uma investigação, descobriu-se que o curso do rio Lyn havia sido alterado pelo homem sessenta ou setenta anos antes. Haviam mudado o curso do rio Lyn e lhe dado um novo leito.
Quando veio a enchente, o rio voltou ao seu antigo leito.
Toda vez que Deus visitou o Seu povo na história da igreja, a corrente de vida voltou ao antigo leito: o testemunho primitivo, se quiserem dizer assim, o curso do Novo Testamento.
Mudamos as coisas, mas depois dizemos: “Não gostamos que Deus siga por este caminho. Gostaríamos que viesse por aqui — não por ali. É mais conveniente”. Ah, a conveniência.
Construímos um novo caminho para o rio. Mas, quando a corrente da bênção de Deus vem — quando vem de verdade —, ela segue o antigo leito. Ele diz: “Não, vocês voltam para Mim. Eu não vou até vocês; vocês vêm até Mim”.
Que o Senhor nos ajude.
Há outras duas coisas nas quais quero tocar nesta lição desse livro. Qual é a necessidade? Visão. A necessidade de visão.
Há alguma coisa mais bela no livro de Crônicas do que essa imagem do jovem Salomão oferecendo mil sacrifícios no altar de bronze e depois indo dormir? Durante a noite, o Senhor apareceu junto dele numa visão e disse:
Pede o que queres que Eu te dê.
Deus já lhe fez uma pergunta? Às vezes, Deus faz uma pergunta por meio dos lábios de outro ser humano. Você nem percebe que é o Senhor Quem está lhe fazendo a pergunta.
Posso lhes dizer uma coisa? Muitas vezes nos entregamos pela resposta que damos. Vocês revelam muito, muito a respeito de si mesmos pela maneira como respondem à pergunta.
Se vamos enxergar alguma coisa a respeito da edificação, a primeira coisa que precisamos ter é visão. A igreja tem sofrido por causa de pessoas que estudaram a doutrina da igreja e depois tentaram colocá-la em prática.
Ah, o mundo está cheio de modelos do Novo Testamento. Por toda parte, vocês encontram um modelo do Novo Testamento aqui, algum modelo ali, outro modelo do Novo Testamento acolá. Todos têm modelos do Novo Testamento baseados nas Escrituras.
Às vezes, descobrimos que esses modelos do Novo Testamento são mais mortíferos do que algo que decididamente não segue um modelo do Novo Testamento. Às vezes, encontramos, em algum círculo que de maneira alguma poderíamos chamar de igreja do Novo Testamento na prática, mais da presença do Senhor, mais bênção e mais vida.
Visitem algumas dessas coisas do Novo Testamento, e tudo é tão frio quanto um cemitério. Não que algum cemitério possa ser muito frio por estas bandas, mas vocês sabem o que quero dizer. É tão frio quanto a morte.
Qual é o problema? “Certamente temos um modelo do Novo Testamento. Certamente, quando temos as regras, quando temos o modelo, quando temos tudo de acordo com as Escrituras, o Senhor deve estar encantado.” De modo algum.
O Senhor tem horror a modelos do Novo Testamento, a menos que sejam o modelo que nasce de dentro da vida.
Meu corpo tem um modelo. Tem dois olhos, dois ouvidos, duas mãos, duas pernas. Certamente tem um modelo. Mas eu não fui montado com base num livro. Minha mãe não leu um livro dizendo: “Agora, você precisa ser assim. Não se esqueça: duas pernas, duas mãos, dois olhos, dois ouvidos, um nariz”. Nada disso.
Eu tinha o modelo dentro de mim. O modelo está na vida. Vocês entendem?
Vocês sabem o que é um narciso? Preciso ter cuidado com os termos que usamos, porque talvez sejam diferentes dos de vocês. Mas, se eu arasse um grande campo aqui — um, dois ou três hectares — e plantasse milhares e milhares de cebolas e, no centro, um único bulbo de narciso, todas aquelas cebolas nasceriam como cebolas, e aquele único bulbo seria um narciso.
Vocês nunca transformariam o narciso numa cebola, embora ele pudesse parecer bastante com uma. Recentemente, houve um homem na Inglaterra cuja esposa estava um pouco indisposta. Ela tinha alguns narcisos florescendo dentro de casa, e ele os tirou de lá e os colocou perto dos legumes. Pegou-os, cortou-os em pedacinhos e fez uma boa refeição.
Eram tão gostosos. Os bulbos de narciso e os de cebola são muito parecidos. Agora, vocês acham que milhares e milhares de cebolas ao redor de um pequeno narciso o transformariam numa cebola? Ah, não.
Milhares e milhares de cebolas, com toda a sua comunhão, influência e interação, talvez fizessem aquele pequeno narciso se sentir um pouco solitário, e talvez ele parecesse um pouco com uma cebola. Mas não pode se tornar uma, porque tem vida de narciso, e as outras têm vida de cebola. Portanto, as cebolas nascem como cebolas, e o narciso surge em sua beleza como narciso. Há um modelo na vida.
Vocês precisam enxergar isso. Tudo começou com Deus aparecendo junto de Salomão, e ele viu o Senhor.
Isaías e o seu grande ministério começaram quando ele estava no templo e viu o Senhor, alto e sublime, e a orla das Suas vestes enchia o templo. O maravilhoso é que, evidentemente, ele estava inclinado em oração, suponho, levantando as mãos a Deus. Então, de repente, olhou, e havia algo como uma névoa por toda parte.
“Não consigo mais ver o templo.” Então olhou com mais atenção e viu. O olhar de Isaías começou a subir, cada vez mais alto, e ele viu o Senhor, alto e sublime. O Senhor enchia todo o templo. O templo desapareceu no Senhor.
Vocês viram o templo? Algumas pessoas só veem a igreja. Dizem: “A igreja está aqui em cima”, e esse é todo o problema. Mas, quando vemos a igreja como o Senhor — ah, isso é diferente. Quando vemos a igreja como Cristo, quando enxergamos essa realidade nela, quando pensamos na igreja como a Noiva, creio que isso faz toda a diferença do mundo.
Portanto, meu querido, quero lhe dizer uma coisa. Se você quer ver Deus fazer alguma coisa em termos de edificação, onde quer que viva, entre vocês, seja aqui nesta região ou em outro lugar, comece por isto: comece a pedir visão ao Senhor.
Que Ele lhes dê o espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento do Senhor, sendo iluminados os olhos do coração de vocês, para que conheçam — não apenas saibam a respeito, mas conheçam. Que Deus conceda isso.
Posso dizer mais uma coisa? Observem a ordem. Primeiro, ele ofereceu mil holocaustos sobre o altar; depois, recebeu visão.
Muitas pessoas se esforçam e se afligem. Lutam para conseguir isso. Dizem: “Quero enxergar essa realidade”. Meu querido, Deus não mostra as coisas às pessoas de maneira leviana. Primeiro, é importante que você conheça alguma coisa da cruz na sua vida.
Mil holocaustos — não era uma pequena oferta. Era algo total, algo absoluto. Você já chegou a uma experiência da cruz? Sabe o que é entregar a sua vida? Sabe o que é estar identificado com o Senhor Jesus Cristo em Sua morte, sepultamento e ressurreição?
Você conhece alguma coisa disso? De levar em seu corpo o morrer de Jesus, para que também a Sua vida seja manifestada? Eu lhes digo: a visão nasce disso. É necessário haver uma separação entre alma e espírito.
Por fim, deixem-me dizer apenas isto: a necessidade de sabedoria.
Disse há pouco que a sua resposta a uma pergunta revela muito a seu respeito. Deus veio a Salomão e lhe disse:
Pede o que queres que Eu te dê.
Seria muito interessante se o Senhor Se colocasse diante de cada um de nós aqui. Não seria algo coletivo. Ele não diria: “Peçam o que querem que Eu dê a todos vocês”. Viria a cada um de nós.
Ele Se colocaria diante de nós e diria simplesmente — sem uma longa revelação, sem uma longa mensagem — apenas uma pergunta direta:
Pede o que queres que Eu te dê.
Como isso seria interessante. Eu adoraria saber o que você pediria. Isso daria alguma indicação do tipo de pessoa que você é.
Suponha que o Senhor Se colocasse diante de você agora, deixando de lado todas as outras pessoas nesta sala, e dissesse: “Diga-Me o que você quer que Eu lhe dê. O que gostaria de receber?” Naturalmente, você teria uma razão muito importante para o seu pedido.
Salomão poderia ter pedido poder. Poderia ter pedido autoridade. Poderia ter pedido popularidade. Poderia ter pedido riquezas. Poderia ter pedido a morte dos seus inimigos. Poderia ter pedido uma vida longa.
Não pediu nenhuma dessas coisas. De muitas maneiras, elas teriam feito bastante diferença: poder, riquezas, segurança, saúde, vida longa, a morte dos seus inimigos. Ele tinha vinte e um anos e estava cercado dos inimigos mais duros, cruéis e astutos. Joabe era um deles, mas havia outros também, todos ao redor desse jovem, prontos para assassinar, prontos para fazer qualquer coisa para se livrar dele.
Ele poderia ter pedido saúde. “Mas eu não sou uma pessoa saudável.” Não pediu. Pediu uma única coisa: sabedoria.
Devo dizer que considero essa a qualidade esquecida. Quase nunca ouço as pessoas pedirem sabedoria. Simplesmente não as ouço pedir isso — nem mesmo pessoas com responsabilidades na obra de Deus. Não as ouço pedir sabedoria. Pedem poder; pedem capacidade de realizar; e não há nada de errado nisso.
Mas vocês veem o que o Senhor disse? Quase Se adiantou de tão disposto a responder. “Salomão, porque você pediu isso, não para si mesmo, mas para governar este povo para Mim, Eu lhe darei todo o restante.”
“Você terá tudo porque pediu isso. Eu lhe darei uma sabedoria como ninguém jamais teve antes de você e lhe darei todo o restante: poder, autoridade, riquezas, a morte dos seus inimigos, saúde e vida longa. Farei tudo isso porque você pediu essa coisa.”
Esse é o valor que Deus atribui à sabedoria — acima de tudo o mais.
A Escritura é muito interessante nesse sentido. Em Provérbios 4:7, diz:
A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria;
Sim, com tudo o que adquirires, adquire o entendimento.
A sabedoria é a coisa principal. Portanto, adquiram sabedoria.
Ou, ainda, Provérbios 9:10:
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria;
E o conhecimento do Santo é o entendimento.
Ah, onde está esse temor do Senhor? Onde está esse temor do Senhor? Essa era a única coisa que Salomão tinha. Ele temia o Senhor, e foi por isso que pediu sabedoria. Porque o temor do Senhor é o princípio da sabedoria.
Esse temor do Senhor não é uma atitude servil que degrade você ou lhe tire a dignidade. Esse temor é uma reverência amorosa e sensível, uma preferência pelo Senhor, de tal modo que você não ousaria fazer nada que O entristecesse ou Lhe causasse pesar.
Sabedoria. Ah, como precisamos de sabedoria.
Há muitos anos, quando eu era um rapaz recém-convertido e não sabia absolutamente nada sobre a Bíblia ou sobre as coisas cristãs, morava, numa enorme mansão ali perto de casa, uma senhora sueca que eu conhecia como tia Dagmar. Era uma querida irmã em Cristo.
Ela acolheu a mim e à minha irmã, a nós dois, sob os seus cuidados. Algumas das primeiras lições que aprendemos com ela foram, creio, algumas das mais profundas, e permaneceram conosco ao longo de todos esses anos.
Lembro-me de que certa vez ela me disse: “Agora, meu rapaz, peça sabedoria ao Senhor. Peça a Ele todas as manhãs e todas as noites”. Ela disse: “Vou lhe dar uma passagem da Escritura”, e me deu Tiago 1:5-6:
E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, Que a todos dá liberalmente e não censura; e ser-lhe-á dada.
Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando.
Eu costumava orar todas as manhãs e todas as noites: “Senhor, dá-me sabedoria”, citando essa passagem. Sou tão grato por ter feito isso. Ainda o faço.
Tenho descoberto, repetidas vezes, que, quando pedimos sabedoria ao Senhor, de maneira muito maravilhosa — não necessariamente dramática —, os tesouros do conhecimento e da sabedoria que estão escondidos no Senhor Jesus Cristo se tornam disponíveis para nós.
Não é interessante? Em 1 Coríntios 1:30, diz:
Mas vós sois Dele, em Cristo Jesus, o Qual para nós foi feito sabedoria da parte de Deus.
Depois o texto continua, mas a primeira coisa que Ele Se torna para nós é sabedoria. Ainda assim, não damos importância suficiente à sabedoria. Não creio que a casa de Deus jamais seja edificada enquanto não enxergarmos isso.
Vou encerrar contando uma história. Qual é a diferença entre sabedoria e conhecimento? Vocês sabem a diferença entre sabedoria e conhecimento? Não consigo lhes explicar a diferença; posso ilustrá-la.
Atrás de Halford House, temos o que vocês chamam de horta comercial; nós chamamos de área de horticultura. O senhor que cultivava aquela área de terra — que não era muito grande — era um tio de Dan Archer. Ele era uma figura e tanto. Esse homem serviu de inspiração para toda a série da BBC que está no ar há anos: The Archers.
Quando ele chegou, havia uma bela fúcsia, uma pequena árvore mais ou menos desta altura. Ela estava ali havia muitos e muitos anos. Aliás, Halford House data de 1710, mas tínhamos aquela fúcsia havia muitos anos. Era algo de grande beleza.
Naquele ano, ela brotava, ficava cheia de folhas, e depois quase todas caíam. Surgiam mais botões e, quando estavam prestes a abrir, todos caíam. Não conseguíamos entender aquilo de jeito nenhum.
Então, tínhamos em Halford House dois dos principais botânicos da Comunidade Britânica. Fomos até eles e perguntamos: “Os senhores poderiam explicar o que há de errado com a fúcsia?”
Os dois vieram, separadamente. Foi muito interessante. Arrancaram algumas folhas e as observaram contra a luz do céu. Examinaram a casca com muito cuidado, inspecionaram as flores e disseram: “Bem, pode ser isto”, mencionando um nome latino deste tamanho. “Ah, pode ser aquilo.” “Provavelmente é isto”, e mencionaram outro nome.
Então um deles me contou toda a história da fúcsia: de onde veio, como havia sido desenvolvida, as suas diferentes linhagens e, finalmente, como chegamos àquela bela variedade específica. Mas ainda não estávamos nem um pouco mais perto de saber o que fazer com a fúcsia.
Então alguém disse: “Por que você não vai chamar Dan Archer?” Fui chamá-lo. “Dan, ela está perdendo tudo.” Ele deu uma olhada na velha fúcsia, olhou para ela, olhou para as folhas, olhou para a casca e disse: “Sabe de uma coisa? Ela precisa de uma dose de sal de Epsom”.
Imagino que a maioria de vocês saiba que o sal de Epsom é usado para o estômago. Naturalmente, rimos. “Ora, deixe disso. O que é de verdade?” Ele disse: “Não estou brincando. É uma variedade interessante. Dê a ela uma colher de sopa de sal de Epsom por dia, durante quatro ou cinco dias. Incorpore à terra. E pronto!”
Eu não queria contar isso a todo o grupo. “Não pensem que estou louco”, eu disse. Mas ele falou: “Arranje um pouco desse sal”. Então conseguimos o sal de Epsom. Fizemos isso durante três ou quatro dias seguidos. Em duas semanas, aquele arbusto estava de volta ao normal, com uma flor depois da outra.
Vejam, os dois primeiros tinham conhecimento, mas o outro tinha sabedoria. Os primeiros sabiam tudo sobre a planta. Conheciam todas as possibilidades de doença, as doenças das raízes, o que acontece, de onde ela veio, a sua linhagem — tudo conhecimento: fatos, fatos, fatos, fatos, fatos.
Mas Dan Archer tinha sabedoria. Sabia o que fazer com os fatos. Disse: “Esse arbusto está doente, e vou lhe dizer o que fazer. Dê a ele um pouco de sal”. Isso era sabedoria.
Em poucos momentos, a questão estava resolvida. Muitos cristãos têm conhecimento. Conhecem os fatos; não têm sabedoria. Não sabem como aplicá-los.
Algumas pessoas sabem tudo sobre a igreja. Podem lhes falar sobre o fundamento, a base, a natureza da igreja, o sermos edificados juntos, os ministérios da igreja, os dons e tudo o mais. Mas não têm sabedoria. Não sabem como aplicar os fatos.
Como, de fato, o fato pode se tornar experiência? Como podemos trabalhar com os fatos? Isso é sabedoria. Portanto, adquiram sabedoria. E que o Senhor nos ajude.