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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Cross and Eternal Glory #4/7 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Cross and Eternal Glory #4/7
    The Cross and Eternal Glory #4/7
    Austin-Sparks, T.

    A Integração ao Povo de Deus e o Refúgio no Senhor

    É bom poder cantar de coração coisas como essas e realmente desfrutar delas.

    Nesta noite, vou pedir que vocês voltem comigo ao pequeno livro chamado Rute, no capítulo 2, versículos 11 e 12.

    E respondeu Boaz e lhe disse: Bem se me contou quanto fizeste à tua sogra, depois da morte de teu marido; e como deixaste a teu pai, e a tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste a um povo que antes não conhecias.
    O Senhor recompense o teu feito; e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor, Deus de Israel, sob Cujas asas vieste buscar refúgio.

    — Rute 2:11-12

    Agora, dois fragmentos — apenas duas palavras — nesses dois versículos: “Tu vieste.”

    E quero falar um pouco nesta noite sobre aquilo que encontramos.

    A Decisão de Rute e Suas Implicações

    Eu gostaria que vocês conhecessem toda essa história que temos neste pequenino livro. Isso me ajudaria muito, se eu pudesse ter certeza de que vocês conhecem o contexto. Mas não vou recontar a história. Se vocês ainda não a conhecem, provavelmente vão compreendê-la pelo que eu disser.

    Mas penso que talvez seja útil, para aqueles que não a conhecem, ler novamente aquela maravilhosa passagem que contém a grande decisão tomada por essa jovem, Rute, a moabita. Nós a encontramos a partir de Rute 1:16.

    Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti;
    porque, aonde quer que tu fores, irei eu;
    e onde quer que pousares, ali pousarei eu;
    o teu povo será o meu povo,
    e o teu Deus será o meu Deus;
    onde quer que morreres, morrerei eu,
    e ali serei sepultada;
    faça-me assim o Senhor, e outro tanto,
    se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.

    — Rute 1:16-17

    Isso realmente me fornece o contexto para o que quero dizer nesta noite a respeito daquilo a que chegamos.

    Começo destacando como Rute não suspeitava de tudo aquilo a que estava chegando por meio de sua grande decisão — como não suspeitava da grandeza e dos valores envolvidos naquela decisão.

    Penso ser bem possível que Rute não soubesse da proibição que, por decreto de Deus, pesava sobre sua nação, seu povo e sobre ela mesma, por fazer parte dele. Por razões muito justas, Deus havia pronunciado uma proibição contra os moabitas e declarado que um moabita não deveria entrar na casa do Senhor para sempre.

    É provável que Rute não soubesse daquela proibição, daquele decreto, assim como aqueles que estão fora de Cristo não percebem, não têm consciência da posição em que se encontram, sob juízo.

    É provável que, se houver aqui nesta noite pessoas que estejam fora de Cristo, elas fiquem espantadas ou ofendidas se lhes disserem que estão sob o juízo de Deus. E, no entanto, as Escrituras declaram que é assim. Fora de Cristo, todos estão sob condenação.

    Se houver alguém assim aqui nesta noite, quer saiba disso, quer não, o fato permanece. Ela talvez não soubesse daquela proibição, daquele decreto divino.

    Talvez o motivo dessa decisão — ela veio com sua sogra Noemi, saindo de seu país para a terra de Israel — fosse simplesmente sentir que aquilo era algo que precisava fazer.

    Provavelmente, se vocês tivessem ponderado a situação, pensado nela, considerado tudo, e então Noemi tivesse dito tudo o que podia para fazê-la voltar e não acompanhá-la — se vocês lhe tivessem perguntado por que ela havia tomado aquela decisão e estava tão decidida —, é provável que sua resposta fosse: “Mas eu não consigo explicar. Não consigo dar uma razão para isso; apenas sinto que é algo que preciso fazer”.

    Ora, muitas vezes essa é a única razão, no início, pela qual as pessoas vêm a Cristo. De algum modo, sentem que precisam fazer isso. Não conseguem explicar nem apresentar uma razão, mas dizem: “Bem, é só isso. Eu simplesmente senti que precisava. Havia algo agindo dentro de mim, e tudo o que posso dizer é que senti que precisava fazer isso”.

    Era uma coisa muito importante. Eu havia pensado nisso; havia ponderado. Talvez tivesse pedido a Deus — eu não sabia —, mas o fato é este: não conseguia me desvencilhar. E penso que provavelmente foi exatamente assim com Rute.

    Porque, vejam, havia um preço a pagar por isso — um preço suficiente para desanimar e até mesmo abalar. Não era pouca coisa. Como Boaz disse, ela deixou seu pai, sua mãe e seu país para ir a uma terra estranha:

    A um povo que antes não conhecias.

    — Rute 2:11

    Havia um preço a pagar que, se lhe tivesse sido apresentado isoladamente, poderia ter parecido algo que ela não conseguiria enfrentar. Ela só podia dizer: “É isso. Eu simplesmente não conseguia agir de outro modo. Eu precisava ir”.

    O impulso, o constrangimento, a atração, aquele algo que agia dentro de mim era mais forte do que todos os meus raciocínios, todos os meus argumentos e qualquer outra consideração.

    E vocês sabem, queridos amigos, é exatamente isso. Como ficou demonstrado, embora ela não soubesse e não conseguisse explicar aquilo de modo algum, nem defini-lo, depois se tornou evidente que uma vontade poderosa estava agindo sobre ela.

    Sim, tudo indefinido, tudo inexplicado, sem qualquer incentivo, oferta, prêmio ou coisa alguma que procurasse conduzir sua mente naquela direção, havia esse agir de Deus — esse agir de Deus.

    O Constrangimento do Espírito de Deus

    Não estou disposto a esperar até o fim desta reunião para aplicar a mensagem. Estou longe de ter certeza de que não haja aqui, agora, algumas pessoas exatamente nessa situação.

    Não consigo deixar de sentir que, ao pensar naqueles hinos, alguém experimentou certo anseio. Alguém sentiu: “Ah, como eu gostaria de poder cantar isso realmente de coração! Gostaria que isso fosse verdade a meu respeito. Gostaria de desfrutar dessa realidade”.

    E esse desejo talvez seja justamente a obra silenciosa, mas forte e profunda, do Espírito de Deus, produzindo algo que vocês não conseguem definir além de dizer: “Bem, é por esse caminho que sinto que devo seguir. Esse é o caminho. Na verdade, sei com certeza que terei de segui-lo. Tenho adiado, mas sei que cheguei a esse ponto”.

    Talvez Rute não tivesse nada além disso. E havia muita coisa para desanimá-la. Sua própria sogra parecia procurar mandá-la de volta, dizendo: “Não venha. Sua cunhada voltou. Faça o mesmo”. Mas não, não. Penso que ela teria dito: “Não adianta. É por esse caminho que sinto que preciso seguir. E, portanto, seja o que for que isso signifique, eu vou”.

    Não me instes para que te deixe e me afaste de ti;
    porque, aonde quer que tu fores, irei eu.

    — Rute 1:16

    Bem, penso que isso era tudo o que havia nessa grande decisão quando ela foi tomada. Mas, depois, quanta coisa extraordinária se revelou ligada a ela!

    Um Lugar entre o Povo de Deus

    Esses dois fragmentos da declaração de Boaz a ela — observem-nos, pois são realmente uma explicação. São uma explicação dessa decisão tomada sob o constrangimento divino:

    Tu vieste a um povo que antes não conhecias.
    Tu vieste ao Deus de Israel, sob Cujas asas vieste buscar refúgio.

    — Rute 2:11-12

    Essa é a explicação: um lugar entre o povo de Deus e um lugar sob as asas do Senhor. Dito assim, não parece muita coisa, não é? Mas, ah, quanto há nisso — quanto há aí!

    Voltemos por um momento à história. Vocês sabem que a propriedade do marido de Noemi e, portanto, do próprio marido de Rute, havia sido alienada porque eles tinham deixado a terra. Eles a haviam perdido; haviam aberto mão dela.

    Mas, quando elas voltaram, esse homem — Boaz, esse grande homem —, por providências estranhas e maravilhosas, cruzou o caminho delas, por assim dizer, ou elas cruzaram o dele. E descobriu-se que ele era um parente próximo que tinha o direito de resgatar aquela herança perdida.

    Para resumir a história, ele decidiu fazê-lo e começou a lidar com as dificuldades, às quais não vou me referir agora. A principal dificuldade era outro homem, um parente ainda mais próximo, que, portanto, tinha prioridade no direito de resgate.

    Os dois, Boaz e o outro homem, encontraram-se à porta da cidade, onde eram realizadas essas transações de resgate de propriedades perdidas. Boaz interpelou o outro homem e disse: “Veja, você tem o primeiro direito de resgatar esta herança perdida. Está disposto a fazê-lo?”.

    O homem disse: “Sim, está bem”. Mas então Boaz disse: “No dia em que você resgatar a herança, terá também de resgatar Rute, a moabita, juntamente com a herança”. E o homem respondeu: “Não, sinto muito; não posso fazer isso. Cedo a você o direito de resgate”.

    Assim, Boaz resgatou a herança, mas também resgatou e adquiriu Rute, e se casou com ela.

    E tudo isso estava contido naquele impulso estranho e misterioso que se movia em seu coração. Ele a impelia, primeiro, na direção da redenção — de ser comprada — e depois do casamento, de ser unida a Cristo por meio da redenção.

    Nós cantamos isso nesta noite: redimidos e comprados com Seu sangue; redimidos e santificados. Ela, que estava excluída, considerada impura em Israel, foi redimida e, pela união com esse grande israelita, santificada.

    Vocês percebem a figura? O impulso do Espírito de Deus sobre vocês contém isto: sua redenção da proibição, da condenação, do juízo que pesa sobre todos os que estão fora de Cristo. Redenção — ah, que história maravilhosa! Compra:

    Fostes comprados por bom preço.

    — 1 Coríntios 6:20

    E união com o Senhor, o Senhor Jesus Cristo.

    Tudo isso está no impulso, no constrangimento, naquele algo que está fazendo vocês desejarem, ansiarem e dizerem com profundo anseio: “Ah, se eu conhecesse tudo isso em minha própria vida e experiência!”.

    Sim, isso é uma obra do Espírito de Deus, impelindo vocês na direção da redenção e da união com Seu Filho.

    O Cumprimento no Novo Testamento

    Mas, em seguida, há mais — há mais por vir.

    Tu vieste a um povo que antes não conhecias.

    — Rute 2:11

    Sim, vocês dizem, isso é o Antigo Testamento — a bela história do Antigo Testamento, um belo idílio de tempos passados. Mas existe alguma coisa hoje que corresponda a isso?

    A resposta, naturalmente, depende de vocês concordarem que o Novo Testamento diz respeito ao presente. O Novo Testamento diz respeito ao presente ou apenas ao passado, quando foi escrito? Não, é claro que não diz respeito apenas ao passado. Ele nos pertence agora. É contemporâneo. É inteiramente atual, e todos os que vêm a Cristo descobrem que ele é o documento mais atual que existe.

    Bem, então, temos no Novo Testamento algo que corresponda àquilo que Rute ilustra — Rute, a estrangeira, Rute, a forasteira, Rute sob condenação —, sendo introduzida na redenção e na união com Cristo? Sim, temos. Aqui está. Deixem-me ler para vocês.

    Portanto, lembrai-vos de que outrora vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se chamam circuncisão, feita na carne por mãos humanas;
    naquele tempo estáveis separados de Cristo, alienados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo.
    Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que outrora estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.
    Porque Ele é a nossa paz.

    — Efésios 2:11-14

    Poderia haver um comentário melhor, uma exposição mais exata da história de Rute, do que essa verdade?

    Tu vieste a um povo que antes não conhecias.

    — Rute 2:11

    Ao povo do Senhor. Agora vocês são o povo de Deus.

    O Povo Eleito e a Aliança de Deus

    Quando vocês examinam essa carta da qual acabei de ler — a carta inteira —, encontram coisas maravilhosas ditas a respeito desse povo do Senhor. Esse povo do Senhor, não do Antigo Testamento, mas de agora: a maioria de nós aqui nesta noite, que temos nossa cidadania nos céus, que nascemos do alto, que constituímos para Deus Sua nova nação, Seu novo povo da aliança.

    Coisas maravilhosas são ditas. A primeira é que esse povo é um povo eleito desde toda a eternidade.

    Ora, Israel, em sua origem, era uma nação eleita. Deus escolheu Israel dentre todas as nações. Ele elegeu Israel. Mas a eleição de Israel é apenas uma sombra dessa eleição maior da igreja.

    A eleição de Israel era, afinal, uma questão situada no tempo. Mas aqui, nesse documento maravilhoso do qual acabei de ler, somos informados de que esse povo, ao qual vocês e eu — a maioria de nós aqui nesta noite — pertencemos, e ao qual o Espírito de Deus está impelindo todos os demais a pertencer, foi escolhido em Cristo antes da fundação do mundo.

    É maravilhoso pensar que aquele simples ato, em resposta a um impulso indefinido e inexplicado do Espírito de Deus, envolve isto: mais tarde, vocês passam a ver que sua decisão, como é chamada — ou melhor, sua resposta a esse constrangimento do Espírito de Deus —, estava ligada a algo que Deus já havia planejado e determinado antes mesmo de este mundo existir.

    Que coisa maravilhosa — não apenas algo daquele momento, de sua vida, algo isolado. Você se decide por Cristo. Decide entregar-se a Cristo. Decide ser cristão, seja como for que expresse isso. O que você realmente decide fazer é entrar em plena consonância com o plano eterno de Deus.

    E você não sabe disso quando toma a decisão, assim como Rute não sabia. Ela tomou sua decisão simplesmente porque sentia que era aquilo que devia fazer; e, sem suspeitar de nada, acabou descobrindo que havia sido acolhida e fazia parte de um povo da aliança, um povo eleito.

    Além disso, com esse povo estava a aliança de Deus — a aliança de Deus.

    Ao ler minha tradução, não li exatamente a forma nela empregada: a palavra “Senhor” é o nome de Deus relacionado à aliança.

    O Senhor te recompense.
    Sob Cujas asas — as do Deus de Israel — tu vieste.

    — Rute 2:12

    Esse nome é o nome que implica e significa o Deus da aliança. É o nome relacionado ao trato com o homem. Aliás, um pequeno detalhe técnico: quando Deus criou as coisas — os céus, a terra e essas coisas —, Ele era chamado por outro nome. Mas, quando se trata de lidar com o homem, Seu nome muda, e Ele é chamado o Deus da aliança.

    E ela havia entrado, sem saber, no próprio âmbito da aliança divina. Deus fez uma aliança, e vocês sabem que essa aliança é algo extraordinário, mesmo no caso de Israel.

    Nas profecias de Jeremias, emprega-se uma linguagem muito, muito forte para indicar quão permanente era Sua aliança com Israel. Ele disse, em essência: “Olhem para as estrelas. Se vocês conseguirem fazer cessar as ordenanças dos céus — do sol, da lua e das estrelas —, então Minha aliança com Israel cessará”.

    Ela durará enquanto durarem o sol, a lua e as estrelas. Bem, o que vocês vão fazer a respeito disso? Mas, ainda assim, ainda assim, ela não é como a aliança feita no sangue de Jesus Cristo com vocês e comigo. Esta é uma aliança eterna de outra ordem.

    Não posso discorrer sobre tudo isso, mesmo que pudesse explicá-lo. Tudo o que estou procurando dizer é que ela havia entrado em algo extraordinário: em um povo eleito e no âmbito da aliança de Deus.

    A Vocação Celestial da Igreja

    E é nessa direção que aponta esse constrangimento do Espírito de Deus, se ele estiver agindo sobre você. E, queridos amigos, quanto aos demais que vieram em resposta a ele, é nisso que entramos. É algo muito grandioso.

    Avançando nessa carta da qual li, esse povo não é apenas um povo eleito e o povo da aliança de Deus; é um povo chamado para uma grande vocação.

    As pessoas aqui que conhecem essa carta aos Efésios sabem do que estou falando. Nela se revela que esse povo está em relação com Deus para um propósito muito grandioso — uma grande vocação, uma vocação celestial.

    E muitas vezes tenho dito aqui que, quando realmente vimos ao Senhor Jesus, uma das primeiras percepções que temos é que entramos no próprio propósito para o qual existimos. Agora há propósito na vida. Bem, antes não era assim; mas agora sabemos que há um propósito na vida.

    Mas, ah, essa extraordinária vocação para a qual a igreja é chamada! O apóstolo diz:

    Andeis de modo digno da vocação com que fostes chamados.

    — Efésios 4:1

    Uma grande vocação.

    Ora, no caso de Israel, entre cujo povo Rute veio habitar, ou do qual passou a fazer parte, Israel foi constituído como nação para que, por seu intermédio, Deus fosse conhecido por todas as nações — para que soubessem que Deus Ele é: um Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-Se e abundante em benignidade.

    Ele os constituiu como nação para essa vocação. Mas aqui está esse povo, esse povo para o qual você está sendo impelido e do qual somos uma pequena parte — um todo com uma grande vocação celestial, não terrena; eterna, não temporal; para servir aos propósitos de Deus neste universo, como diz essa carta, pelos séculos dos séculos.

    Será que nossa pequena Rute poderia ter suspeitado de tudo isso naquele dia em que disse: “Eu irei”? E você, querido amigo, quando responder ao constrangimento desse Espírito, descobrirá, até o fim de sua vida, por mais que viva, que ela será uma descoberta contínua de quanto há em Cristo, a Quem você veio.

    É assim que deve ser, e é assim que pode ser: um povo que antes você não conhecia.

    A Conduta e a Comunhão do Povo de Deus

    E a próxima coisa nessa carta é a conduta desse povo. Acabei de citar o fragmento:

    Andeis de modo digno da vocação com que fostes chamados;
    com toda a humildade e mansidão.

    — Efésios 4:1-2

    Então a carta faz algumas aplicações práticas — maridos e esposas, esposas e maridos, filhos e pais, pais e filhos, senhores e servos.

    Cristãos no mundo. Com efeito, Ele está dizendo isto: “Vejam, quando vocês vêm para o meio desse povo, esse povo tem um testemunho, e vocês precisam assumir a responsabilidade por esse testemunho e ser leais à própria vocação desse povo”.

    Venham e permaneçam verdadeiramente ao lado deles, para que, em todas as relações da vida, em todas as suas conexões, se possa ver que este não é um povo comum. Esse povo é diferente. É um povo celestial.

    Você está assumindo a conduta desse povo. Sim, é verdade: os cristãos são diferentes, e sua conduta e seu comportamento devem ser diferentes dos de todos os outros — devem estar em um nível muito mais elevado do que o dos demais.

    E então, venha para o meio desse povo. Bem, você pode dizer: “É tudo diferente. É tudo estranho”. Mas me arrisco a dizer que não demorou muito, se é que demorou alguma coisa, até que Rute dissesse: “Não sei explicar, mas me sinto mais em casa entre essas pessoas do que me sentia em meu próprio país”.

    “De algum modo, sinto que essas pessoas são mais o meu povo do que o próprio povo entre o qual fui criada. De algum modo, sinto que esta é mais a minha família do que minha própria família natural.”

    Ora, isso é verdade, cristão? Não foi exatamente isso que aconteceu? Não é que deixemos de amar ou de nos preocupar com nossos parentes que estão fora de Cristo, mas, de algum modo, aqueles que estão em Cristo se tornaram nossos parentes mais próximos. Nós nos sentimos mais em casa.

    E, quando voltamos para casa, para junto dos parentes não convertidos, não nos sentimos em casa de modo algum. Você se sente estranho, não é verdade? Pessoas que antes não conhecíamos, agora parece que conhecemos melhor do que jamais conhecemos qualquer outra pessoa. Estamos em casa.

    Tenho certeza de que isso foi verdade para Rute. Mas essa é uma realidade muito viva e maravilhosa — uma realidade maravilhosa. Contudo, vejam, ela envolve responsabilidade.

    O teu povo será o meu povo.

    — Rute 1:16

    Os interesses deles devem ser meus interesses. O testemunho deles deve ser meu testemunho. Preciso ser leal. Preciso permanecer ao lado deles naquilo que defendem.

    O Conflito Espiritual da Igreja

    E, por fim, nessa carta, curiosamente, esse povo não é estimado por todos. Vocês pensam que deveria ser. Pessoas maravilhosas assim, a respeito das quais todas essas coisas são verdadeiras — bem, deveriam ser as pessoas mais estimadas do mundo.

    De algum modo, ninguém gosta delas. Todas são malvistas pelas outras pessoas e, de alguma maneira, sempre que estão presentes ou são mencionadas, a própria atmosfera parece ficar pesada.

    É exatamente nesse ponto que termina a carta aos Efésios. Esse povo está bem no centro da carta, e então ela fala de principados e potestades, dominadores deste mundo de trevas, hostes de espíritos malignos — todos contra esse povo.

    Eles estão envolvidos em um grande conflito espiritual. Você se envolve nisso quando vem para o meio deles.

    Sim, não queremos dizer que será diferente. Você se envolve nisso. Provavelmente será muito malvisto se se tornar cristão. Descobrirá que sua própria presença provoca uma reação de antagonismo. E, se ela não vier dos homens, virá do mundo invisível. Você perceberá.

    Estou sendo bastante franco a respeito disso. É isso que significa vir para um povo que antes você não conhecia.

    O Refúgio sob as Asas do Senhor

    Mas há o outro lado — o outro lado:

    Tu vieste ao Deus de Israel, sob Cujas asas vieste buscar refúgio.

    — Rute 2:12

    Sob as asas de Quem? Refúgio. Isso mesmo. As asas do Senhor estão sobre o povo do Senhor.

    E quero destacar aqui que as asas do Senhor estão sobre Seu povo. Você quer Suas asas sobre você? Não as encontrará lá fora, no mundo. Você as encontrará no meio de Seu povo.

    De algum modo, o Senhor determinou que todas as bênçãos que Ele concederá sejam encontradas entre Seu povo, e não possam ser obtidas à parte dele. Você precisa unir-se ao povo do Senhor para encontrar as asas do Senhor.

    Seja o que for que o Senhor tenha para nós, vamos encontrá-lo em relação uns com os outros, e não de maneira independente; como corpo, e não de maneira isolada.

    Ora, isso é muito verdadeiro na carta da qual li e está de acordo com as Escrituras. Mas, vejam, aqui está a proteção das asas:

    Sob Cujas asas vieste buscar refúgio.

    — Rute 2:12

    Vocês querem uma demonstração disso nesse pequenino livro? Noemi, com seu marido, deixou o lugar do povo da aliança e foi para Moabe. E o que aconteceu? Eles perderam o que tinham e perderam a proteção de Deus. Calamidade após calamidade sobreveio.

    Noemi expressou isso assim:

    Eu parti cheia, porém vazia o Senhor me fez tornar.

    — Rute 1:21

    Ela abandonou o lugar onde estavam as asas.

    Deixem-me dizer aos cristãos: é sempre desastroso deixar o lugar onde o Senhor está e onde o Senhor quer que vocês estejam. Talvez eles tenham pensado que isso aliviaria a situação, mas a tornou mil vezes mais difícil.

    Somente quando voltaram ao lugar onde o Senhor estava é que encontraram as asas do Senhor e seu refúgio.

    E essa é uma palavra aos cristãos. Lembrem-se, lembrem-se: abandonem o lugar onde o Senhor está — seja onde for, onde o Senhor quer que vocês estejam —, e estarão abandonando a proteção do Senhor. Abandonem a comunhão de Seu povo; deixem de se reunir, como é costume de alguns, e provavelmente encontrarão dificuldades.

    A proteção é encontrada ali, na casa do Senhor, entre o povo de Deus. E, assim, quando elas voltaram, isso foi expresso simplesmente desta maneira:

    Sob Cujas asas vieste buscar refúgio.

    — Rute 2:12

    Venha para onde estão as asas.

    E não deveria ser assim? Bem, preciso dizer dessa maneira: deveria ser assim. E, onde as coisas são como o Senhor deseja, é assim: as pessoas encontram refúgio entre o povo do Senhor.

    É maravilhoso pertencer ao povo do Senhor, não é? E, quando o povo do Senhor é como o Senhor deseja, ah, quanto devemos a esse povo! Quando estamos em dificuldades, que refúgio eles são! Que coisa preciosa é tê-los orando por nós, levando-nos em seu coração, cuidando de nós.

    Ah, sim, um refúgio entre o povo do Senhor. É algo triste ser uma alma solitária, sem comunhão espiritual. Sim, é ali que estão as asas.

    A Função Formativa das Asas do Senhor

    E talvez eu encerre com isto. Mais de uma vez, a Bíblia fala do Senhor como tendo asas, dessa maneira figurada ou simbólica. Há uma ocasião em que Suas asas são mencionadas na história de Israel. Vocês a encontram no livro de Deuteronômio.

    Como a águia que desperta o seu ninho,
    que adeja sobre os seus filhotes,
    Ele estendeu as Suas asas,
    tomou-os,
    levou-os sobre as Suas penas;
    assim, só o Senhor o guiou.

    — Deuteronômio 32:11-12

    Naturalmente, vocês conhecem essa realidade da natureza. O ninho da águia, lá no alto, muito alto, sobre o imenso abismo — chega o momento em que a águia-mãe, aparentemente tão cruel e severa, pega os filhotes e os lança para fora. Ora, eles nunca voaram antes. Que crueldade!

    Mas então ela paira sobre eles, depois mergulha por baixo, apanha-os sobre suas asas e os leva de volta à segurança. E sua crueldade é apenas sua maneira de ensiná-los a voar e a assumir responsabilidade por si mesmos.

    E diz-se que as asas do Senhor cumpriram essa função com Seu povo. Ah, sim, é uma experiência terrível, uma experiência assustadora, pela qual o Senhor nos faz passar. Mas Suas asas — ah, Suas asas — estão nos ensinando a assumir responsabilidade.

    E elas nunca nos deixarão cair. Nunca nos deixarão cair. A queda que tememos jamais acontecerá. Por quê? Por causa das asas do Senhor.

    Não são apenas asas sob as quais viemos descansar. É algo grandioso ter o Senhor, as asas do Senhor e o abrigo do povo de Deus.

    O Convite ao Retorno e à Permanência em Cristo

    E assim eu termino. Digo: se você ainda não veio, o Espírito de Deus está exercendo sobre você Seu suave constrangimento, mas com firmeza suficiente para fazê-lo saber onde deve estar, o que deve fazer, o passo que deve dar. Se você ainda não respondeu, venha.

    E, embora tudo possa parecer estranho, embora pareça uma grande aventura e a escolha pareça envolver grandes riscos e ter grande importância, você descobrirá que há compensações muito grandes, que superam de longe tudo o mais.

    Mas o Senhor não vai lhe contar tudo a respeito disso, deixar tudo claro. Embora eu esteja lhe falando sobre isso, trata-se apenas de informação. Isso não pode se tornar real para você até que você responda.

    Não se trata apenas daquilo que outra pessoa sabe, ou que outras pessoas sabem. Você não conhece isso até responder. O que podemos lhe dizer é que a mais suave influência do Espírito de Deus sobre seu coração, constrangendo você na direção de Cristo, envolve as maiores coisas que se possa conceber, todas contidas em sua resposta.

    Coisas imensas, cuja perda seria irreparável. Se você ainda não veio, venha.

    Eu disse há pouco que parecia que Rute estava deixando seu lar, seus parentes e seu país. Mas, na verdade, ela estava apenas chegando em casa. Tenho certeza de que mais tarde ela pôde dizer: “Este é realmente o meu lar”.

    E assim nós dizemos: venha para casa. Venha para casa. Se você foi embora, volte. Volte. Você sabe que não está feliz. Sabe que deixou seu lar.

    E, se você está em casa, permaneça em casa. Não fuja. Não se deixe expulsar. Não permita que coisa alguma o force a ir embora. Por mais difícil que pareça, seu refúgio está em casa, permanecendo em Cristo.

    Vamos orar?