Agora, se vocês puderem abrir em Efésios 4:11, vamos ler a partir desse versículo.
E Ele deu uns para apóstolos; outros, para profetas; outros, para evangelistas; e outros, para pastores e mestres; para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo: até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura da plenitude de Cristo: para que não sejamos mais crianças, levadas de um lado para outro e carregadas por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro; mas, falando a verdade em amor, cresçamos em tudo Naquele que é a Cabeça, Cristo; de Quem todo o corpo, bem ajustado e unido, por meio daquilo que cada junta supre, segundo a atuação na devida medida de cada parte, efetua o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.
Vamos nos inclinar juntos para mais uma palavra de oração? Já procuramos cobrir este tempo em oração. Vamos nos apropriar plenamente daquilo que é nosso em nosso Senhor Jesus.
Querido Senhor, queremos nos inclinar aqui em Tua presença nesta manhã e agradecer-Te porque fizeste provisão para nós. Agradecemos-Te por essa provisão para a purificação. Agradecemos-Te, Pai, por essa provisão para o entendimento. Agradecemos-Te por essa provisão de uma unção, tanto para falar quanto para ouvir.
Senhor, juntos agora nos firmamos nessa provisão. Queremos reconhecer novamente, Senhor, que sem Ti nada podemos fazer. Não podemos falar as Tuas palavras nem ouvir as Tuas palavras sem Ti. Mas, Senhor, Tu nos deste o Espírito Santo, para que conheçamos as coisas que nos tens dado.
Ó Senhor, oramos juntos: toma este tempo agora, nesta manhã, e torna-o vivo, Senhor, com o Teu falar e o Teu agir. Toma a Tua palavra e faz dela, Senhor, uma realidade viva em nosso coração. Talvez, Senhor, entendamos algumas dessas coisas; dá-nos um entendimento mais claro. Onde, Senhor, houver apenas um entendimento acadêmico, faz com que isso entre em nosso coração, Senhor, pelo Teu Espírito.
Mas, ó Senhor, pedimos que Te oponhas, por assim dizer, a qualquer apreciação meramente intelectual dessas coisas. Pelo Teu Espírito, Senhor, faz com que tudo isso penetre em nós. Pois pedimos em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Nesta manhã, gostaria de falar sobre outro princípio de comunhão: o princípio do suprimento.
Encontramos isso em Efésios 4:16:
De Quem todo o corpo, bem ajustado e unido, por meio daquilo que cada junta supre.
“De Quem” — isto é, da Cabeça, Cristo.
Cada junta supre.
Não aquilo que algumas juntas suprem; não aquilo que as juntas mais espirituais suprem; nem mesmo aquilo que a maioria das juntas supre; mas aquilo que cada junta supre. Cada junta supre. O princípio do suprimento.
Em Colossenses 2:19, lemos:
E não retendo a Cabeça, de Quem todo o corpo, suprido e unido por meio das juntas e ligamentos, cresce com o crescimento de Deus.
Sendo suprido por meio das juntas e, então, crescendo com o crescimento de Deus.
Voltem a Efésios 4:16 e observem outra expressão. Na versão antiga, ela é um pouco difícil de dizer:
Segundo a atuação na devida medida de cada parte.
A New American Standard, que considero uma das melhores traduções modernas que temos, traduz assim:
Segundo o funcionamento adequado de cada parte individual.
Por meio daquilo que cada junta supre, segundo o funcionamento adequado de cada parte individual.
Cada junta; cada parte individual. Cada junta; cada parte individual.
Aqui, filho de Deus, pelo novo nascimento, o Senhor constitui você como uma parte individual do todo. Você é original. Você deve ser você mesmo. Contudo, tudo o que é individualista precisa ser tratado. Você é parte do todo.
Você não tem em si mesmo tudo o que poderia ter. Você é parte de um todo. Cada junta; cada parte individual. O princípio do suprimento: cada junta suprindo alguma coisa; cada parte individual funcionando adequadamente.
Agora, o problema com o corpo de nosso Senhor Jesus Cristo aqui na terra é que há um número enorme de juntas enrijecidas. Qualquer um pensaria que o corpo de nosso Senhor sofre de artrite crônica.
De uma maneira ou de outra, as juntas ficaram enrijecidas. De uma maneira ou de outra, grandes partes do corpo não estão funcionando adequadamente.
Podemos falar sobre todos esses princípios de comunhão. Podemos falar sobre o princípio da unidade, de sermos um. Podemos falar sobre o princípio da continuidade. Podemos falar sobre o princípio da autoridade. Podemos pensar sobre o princípio da natureza orgânica. Mas, a menos que, no fim, tudo se traduza neste fato — cada parte individual funcionando adequadamente —, o todo ficará paralisado.
Em certo sentido, tudo acaba sendo um empreendimento acadêmico, um empreendimento idealista, porque, em última análise, não se trata apenas de mantermos nossa unidade; não se trata apenas de enxergarmos que somos parte de algo que Deus vem fazendo ao longo de toda esta era.
Não se trata apenas de retermos a Cabeça e realmente conhecermos o senhorio de Jesus Cristo e Sua autoridade como Cabeça em nosso meio. Mas, se realmente vamos conhecer essa realidade orgânica, cada junta precisa suprir alguma coisa, e cada parte individual precisa funcionar adequadamente. Agora, isso significa você e eu.
A primeira coisa que gostaria de dizer nesta manhã, ao considerarmos esse assunto, é voltar um pouco aos seus fundamentos. Quero falar sobre a necessidade de sermos edificados juntos. Estamos falando de comunhão.
Por que devemos ser edificados com outros? Não basta sermos salvos? Não basta sermos redimidos? Por que devemos ser edificados com outros?
Quero dizer, se alguns de nós nos sentimos um pouco fracos, um pouco necessitados, talvez haja algum motivo para sermos edificados juntos. Mas, certamente, se somos fortes no Senhor, encontramos tudo em nosso Senhor e encontramos Nele tudo de que precisamos, há realmente alguma necessidade de sermos edificados com outros?
Por que devemos passar por todos esses trancos, por toda essa disciplina e limitação de termos de estar ligados a outros crentes, alguns dos quais são tão complicados e tão difíceis? É claro que são sempre os outros que são complicados e difíceis. Vocês provavelmente já perceberam isso.
Quero dizer, se todos fossem como eu, seria uma coisa tão maravilhosa! É assim que a maioria de nós pensa. Por que devo ser edificado com outros? Por que devo contribuir para a edificação?
Por que é necessário que eu contribua para a edificação do corpo, para a obra de edificação de Deus? Por que é importante que eu funcione? Por que é importante que eu assuma responsabilidade?
Não posso prosseguir com o Senhor, conhecê-Lo pessoalmente, conhecer profundamente a Sua Palavra de maneira pessoal, crescer na graça e no conhecimento Dele e realmente ver a imagem de meu Senhor Jesus sendo formada em mim — sendo conformado, por assim dizer, à Sua imagem?
Se abrirmos em Efésios 2:20-22, lemos estas palavras:
Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular; em Quem cada edifício, bem ajustado, cresce para ser um templo santo no Senhor; em Quem também vós sois edificados juntos para habitação de Deus no Espírito.
Em Quem também vós sois edificados juntos para habitação de Deus no Espírito.
Abram em 1 Pedro 2:4-5, que fala de nosso Senhor Jesus:
Chegando-vos a Ele, a pedra viva, rejeitada, de fato, pelos homens, mas eleita e preciosa para Deus, também vós, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual, para serdes um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
Agora, prestem atenção nisto:
Também vós, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual.
Ele é a Pedra viva; vocês também são pedras vivas. Juntos, somos edificados como casa espiritual.
O que significam todas essas expressões?
Bem ajustados. Edificados juntos. Supridos e unidos.
O que tudo isso significa?
Uma pedra não faz uma casa. Um grupo de pedras não faz uma casa. Muitas pedras não fazem uma casa. Todas as pedras necessárias para a construção da casa não fazem uma casa.
É o relacionamento de pedra com pedra que, finalmente, produz uma casa. Se você tem um grande conjunto de pedras, e cada uma delas é vital para aquela casa, mas elas nunca foram relacionadas umas às outras, nunca foram edificadas juntas, nunca foram bem ajustadas umas às outras, você não tem uma casa. Você tem todo o material, mas não tem uma casa.
É o relacionamento de pedra com pedra que, finalmente, produz a casa.
Agora, por que você e eu precisamos ser edificados juntos com outros crentes? Por que devemos contribuir para a obra de edificação de Deus?
Porque tudo isso está relacionado àquilo que Deus desejou desde antes dos tempos eternos. Em outras palavras, o que Deus sempre desejou é uma habitação na qual Ele possa expressar-Se e revelar-Se; um lugar no qual Ele possa encontrar Seu lar.
Seja qual for a expressão que usemos — templo, casa, noiva, corpo —, no fim, tudo se resume à mesma coisa: um povo que foi introduzido em um relacionamento com Deus por meio do Senhor Jesus Cristo e que, então, é edificado junto no Senhor Jesus Cristo.
A Bíblia termina com um casamento. Descobrimos que a cidade, que é a esposa do Cordeiro — a noiva de Cristo —, não é algo meramente pessoal. Longe disso. Descobrimos que se trata do relacionamento de cada elemento com os demais em Cristo.
Descobrimos que se trata da maneira como foram reunidos, edificados juntos, bem ajustados, vivendo juntos e crescendo juntos, por assim dizer, em Cristo, a Cabeça.
O irmão Kong já disse algo sobre esse assunto em uma ocasião anterior, e nesta manhã quero me ater ao princípio do suprimento.
Mas o que quero dizer aqui é isto: podemos falar até perder o fôlego sobre a noiva de Cristo, sobre a cidade de nosso Deus, sobre a Sião espiritual, sobre a esposa do Cordeiro; mas, a menos que você e eu encontremos nosso relacionamento uns com os outros em Cristo, no tempo e no lugar, nunca conheceremos a obra de edificação de Deus.
Às vezes, as pessoas vêm a mim e dizem: “Ah, mas espere um pouco. E aqueles pobres santos que enxergaram alguma coisa e não têm comunhão?” Eles são as exceções.
Sempre pergunto às pessoas que vêm a mim: “Você tem alguma comunhão?” Elas sempre dizem que sim. Somos tão enganosos. É como aquelas pessoas que ainda não vieram ao Senhor e que, depois de sua mensagem evangelística, se aproximam de você e dizem: “E aqueles que nunca ouviram?”
Deixe isso com Deus. Deixe isso com Deus. Deus é infinitamente mais justo e reto do que você — infinitamente mais. Se você tem algum senso de justiça em seu coração, em sua mente e em sua consciência, é porque Deus o colocou ali. É o reflexo mais pálido da retidão e da justiça de Deus.
Agora, voltando a este outro assunto: muito bem, deixe com Deus aqueles pobres santos que estão isolados em algum lugar remoto do Alasca, ou em qualquer outro lugar. Não há crentes onde você mora?
Não há alguns crentes que começam, mesmo que vagamente, a enxergar algumas dessas coisas de que estamos falando? Então, querido filho de Deus, você não tem escapatória.
Se você quer ser parte da noiva, precisa permitir que Deus o introduza em um relacionamento correto com outros crentes no tempo e no lugar.
Posso falar sobre ser um com todos os santos de Deus atrás da Cortina de Bambu ou atrás da Cortina de Ferro — de maneira muito conveniente, porque eles estão atrás da Cortina de Bambu e atrás da Cortina de Ferro.
Posso até falar sobre santos do outro lado do mundo — como isso é maravilhoso, como somos um e como o Senhor está nos edificando juntos —, porque recebo notícias do outro lado do mundo. Mas Deus diz que tudo isso é um monte de conversa fiada.
A realidade se resume a isto: e os santos do lugar onde você mora? Você está encontrando seu relacionamento com eles, e eles estão encontrando seu relacionamento com você? Não é aí que temos todos os nossos problemas?
Ah, quando nos encontramos pela primeira vez, todos parecemos santos tão amáveis, radiantes e impecavelmente limpos. Mas não demora muito para começarmos a descobrir que há muitos cantos bem feios — muitos, muitos problemas e dificuldades que encontramos uns nos outros.
Mas precisamos encontrar nosso relacionamento uns com os outros no Senhor. Caso contrário, fazemos da Palavra de Deus uma zombaria.
Não consigo entender essa ideia — uma ideia tão confortável, que prevalece há tanto tempo nos círculos evangélicos — de que sermos bem ajustados uns aos outros acontece, de alguma maneira, lá em cima, numa espécie de terra do nunca.
Todos estão, de algum modo, sendo unidos a outros, tudo no invisível. Isso aparentemente não tem relação alguma com o que acontece aqui embaixo. Se Deus diz que nós, como pedras vivas, fomos trazidos à Pedra viva e somos edificados como uma casa, Ele deve querer dizer exatamente isso.
Se Ele diz que um edifício inteiro, bem ajustado, cresce para ser um templo santo no Senhor, Ele deve querer dizer alguma coisa. O que isso significa? Deve significar que nós, santos, precisamos encontrar nosso relacionamento uns com os outros no Senhor: primeiro com a Cabeça e, depois, uns com os outros no Senhor.
É ali, entre o povo de Deus, no tempo, nesta terra, em uma localidade, que preciso ser treinado pelo Espírito de Deus. É ali que preciso ser transformado à imagem de Cristo.
É ali que preciso conhecer a disciplina e me submeter a ela. É ali que preciso aprender a obediência pelas coisas que sofro. É ali que preciso exercer responsabilidade por meio da graça que Deus me dá.
É ali que preciso cumprir qualquer ministério que me seja dado, por menor e aparentemente insignificante, ou por maior e aparentemente importante que seja. É ali que preciso manter a unidade a qualquer custo. E é ali, e somente ali, que, pela graça de Deus, eu venço.
O vencedor não é uma espécie de lenda, uma espécie de bela ideia segundo a qual você pode se afastar de todos os outros santos porque você, e somente você, enxergou alguma coisa. Você se isola e se torna como um monge ou uma freira, como algum eremita de antigamente, e assim vence. Deus nos livre.
Você vencerá no relacionamento com outros santos. Talvez precise passar noites em oração, mas ninguém saberá disso. Talvez precise sofrer profundamente em seu próprio coração, conhecendo angústia e dores de parto no íntimo; mas seu rosto permanece radiante, de modo que ninguém percebe que você está, por assim dizer, jejuando espiritualmente para o Senhor.
Ali, no seu relacionamento com outros santos, em meio a todos os problemas, em meio a todas as limitações, em meio a circunstâncias muito terrenas e humanas — ali, e somente ali, você vence pela graça de Deus.
À medida que você vence em meio a tantos fracassos, derrotas e colapsos, e a tantas coisas que não estão certas, Deus o relaciona com aqueles outros santos, até com os mais complicados deles.
Você descobre que não é relacionado apenas aos extraordinários e à elite, mas a todos os que estão na família de Deus. Mesmo que eles não aceitem isso, você, pelo menos, mantém um relacionamento correto para com eles.
O caráter do verdadeiro serviço precisa ser produzido ali, no tempo e no lugar. Sabe, a coisa mais maravilhosa em ser filho de Deus e em toda essa obra de edificação de Deus é que temos uma vocação eterna em vista.
Tudo isso que Deus está fazendo no tempo e no lugar é, na verdade, apenas um jardim de infância. É um curso de treinamento. Não se trata de desenvolvermos por conta própria o que Deus está fazendo aqui; isto é apenas um curso de treinamento.
Existe essa ideia de que, de uma maneira ou de outra, todo filho de Deus que nasceu do Espírito vai, de qualquer jeito, sentar-se em um trono de ouro, enfeitando as mansões do céu. Ah, que o Senhor nos preserve.
Nosso Senhor nunca disse nada parecido. Ele disse:
Se com Ele sofremos, também com Ele seremos glorificados.
Ele disse:
Ao que vencer, concederei que se assente Comigo no Meu trono, assim como Eu também venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.
A verdade é esta: o governo e a administração de Deus por toda a eternidade ficariam uma confusão se fossem deixados nas mãos da maioria de nós, cristãos, no estado em que estamos.
Onde Deus faz algo em nossa vida? Em nosso relacionamento uns com os outros. É ali que aprendemos algumas das lições mais profundas sobre o caráter de Deus em nossa vida.
Podemos falar sobre o amor de Deus, e talvez isso não signifique realmente nada, a não ser que nos acomodamos de maneira egocêntrica, sentindo que fomos salvos e amados. Mas então nos deparamos com alguém tão difícil, tão rebelde, tão complicado, que é sempre, como dizemos, a pedra no sapato.
Dizemos: “Fora com ele! Fora com ele! Não podemos mais suportar esse irmão. Fora com ele!” Aqui está o problema.
Deus diz: “Ah, não, não, não, não, não. Você entendeu tudo errado. Ele não é o problema. Eu poderia soprar sobre ele, e ele estaria acabado. Você é o problema. Você é o problema por causa da sua reação e do seu relacionamento.”
Então, de repente: “Ah, mas não, Senhor, Senhor, Tu entendeste tudo errado. Eu sou um dos santos que estão prosseguindo. Sou um daqueles que enxergaram alguma coisa. Ele nem sequer enxerga. Mundano, carnal.”
Então o Senhor diz: “E Eu morri por ele. E Eu o salvei. E Eu o amei.” Então entendemos algo sobre o amor de Deus que nunca havíamos enxergado antes.
Veja, podemos falar uns aos outros sobre o amor de Deus, mas, até nos confrontarmos uns com os outros dessa maneira, não descobrimos a natureza do amor, a capacidade do amor, a infinitude do amor. Não entendemos realmente o amor.
Então começamos a entender por quê. É claro que eu não estaria aqui se Deus não me tivesse amado. Suponho que, de outras maneiras, eu seja igualmente difícil para outras pessoas.
Também fico imaginando como deve ser no céu quando chegam todas as diversas orações e suspiros — milhares e milhares a cada segundo —, e alguém está dizendo sobre fulano: “Ó Deus, livra-nos de fulano. Ele é um problema para todo este lugar.”
Então chega outra oração, com um suspiro, daquele fulano: “Acho sicrano tão difícil, Senhor.”
Precisamos encontrar nosso relacionamento correto uns com os outros para que alguma coisa seja feita.
As pedras precisam ser moldadas. As pedras precisam ser cortadas. As pedras precisam ser polidas. As pedras precisam ser ajustadas umas às outras. Todo esse trabalho é feito onde vivemos agora, e em nosso relacionamento uns com os outros em Cristo.
Por que devo ser edificado junto com outros? Preciso ser edificado junto com outros se quero estar na cidade de Deus; se quero vencer e me assentar com Cristo no Seu trono; se quero possuir a herança pela qual meu Senhor entregou toda a Sua vida.
Então preciso ser edificado com outros. Por que devo contribuir para a edificação? Porque não há outra maneira de eu ser integrado à edificação sem contribuir com o pouco que tenho.
Você já descobriu que, no momento em que começa a dar, é nesse momento que começa a descobrir como é pobre?
Podemos viver numa espécie de paraíso de alimento espiritual, sentados ali, ouvindo várias pessoas contribuírem, dirigirem, ajudarem, compartilharem a Palavra, acenando com a cabeça ou dizendo: “Não achei grande coisa.”
Não conhecemos nossas próprias necessidades até que, de repente, precisamos assumir responsabilidade por outra pessoa. De repente, alguém vem ao Senhor, e, pela primeira vez, fomos, por assim dizer, usados pelo Senhor para conduzir alguém a Ele. Ficamos preocupados; tentamos ajudar essa pessoa.
Então descobrimos que não temos isso em nós. Ajudamos um pouco, mais um pouco, e então quase a sufocamos; quase a asfixiamos.
Então aquele que conduzimos ao Senhor fica zangado conosco, o que muitas vezes acontece depois de algum tempo. Ele nos diz: “Acho que você está me sufocando.”
Quando começamos a assumir responsabilidade, enxergamos algo precioso: há uma necessidade real em nossa vida, e isso, por sua vez, se levamos as coisas a sério, nos impulsionará a buscar o Senhor.
O que estou tentando dizer nesta manhã é que cada parte individual precisa funcionar adequadamente. Cada parte, sem exceção. Todo crescimento, todo desenvolvimento, acontece segundo o funcionamento adequado de cada parte individual.
Vocês sabem como é quando algum pequeno músculo, que até então quase passava despercebido, é atingido pelo frio e trava. Ah, como dói! Ou quando uma junta fica inflamada. Ah, a dor que uma única junta pode causar!
Às vezes, a área infectada é tão pequena, mas o corpo inteiro sente. Queridos irmãos e irmãs, às vezes me pergunto se, nas comunidades aqui representadas, você não é um desses pontos doloridos.
Porque você travou. Você pegou um resfriado. Pegou um resfriado espiritual. Talvez alguém tenha tratado você com dureza. Talvez você tenha sentido que alguém disse algo indelicado a seu respeito. Talvez tenham apresentado você de maneira injusta, e você pegou um resfriado.
Seu amor simplesmente esfriou, e você diz: “Ah, de que adianta? Eles são assim. De que adianta?” Você pegou um resfriado.
Agora, você não está realmente prejudicando o corpo; está prejudicando a si mesmo.
Ou talvez você tenha sido uma junta de suprimento, tenha dado alguma coisa e depois tenha ficado inflamado. Alguma infecção entrou. Há todo tipo de infecção que pode entrar, sabe: artimanhas do inimigo, desequilíbrio, alguma outra coisa.
Uma junta fica inflamada, e então algo acontece ao corpo inteiro. Não apenas o corpo é prejudicado, mas você também.
Agora, o que é esse princípio do suprimento? Acho que cada um de nós aqui provavelmente enxerga a necessidade de todos trabalharmos juntos, de cada parte individual funcionar adequadamente, de cada junta suprir alguma coisa.
O que é esse princípio do suprimento? Creio que ele se encontra em Mateus 10:8. Aqui está, na última parte do versículo:
De graça recebestes, de graça dai.
De graça recebestes, de graça dai.
Dê o que você recebeu. Esse é o princípio do suprimento. Você recebeu; dê. Não dê o que você não recebeu.
Ah, aí há muitos problemas. É justamente aí que surgem tantos problemas. As pessoas estão sempre contribuindo com aquilo que não receberam.
Aqui está alguém com o dom de cantar. Só porque tem o dom de cantar, todos dizem: “Cante, cante. Por favor, cante.” Não é que seu dom, seu talento para cantar, tenha passado pela cruz, tenha sido quebrantado pelo Senhor e cheio do Espírito.
Agora, não sejamos tolos quanto a isso. Às vezes, o canto de alguém pode trazer o Senhor a nós. Não tenha medo disso, dizendo: “Ah, isso é tudo mundanismo; isso é entretenimento.” Às vezes, alguém pode ter um dom assim que passou inteiramente pela cruz, e há nele uma qualidade que nunca esteve ali antes.
Uma pessoa toca piano, e tudo o que você recebe é a própria pessoa. Outra toca piano, e tudo o que você recebe é o Senhor. Qual é a diferença? Ambas podem ter formação superior em música.
Uma pessoa pode ser um gênio, um prodígio ao piano, e, ainda assim, tudo o que fica com você é ela mesma — a maneira como seus dedos correm pelas teclas, como tudo é tão bonito. Mas tudo o que você recebe é a própria pessoa. Com outra, você recebe o Senhor; você recebe o Senhor. Por quê?
Porque aquele dom natural entrou em um cadinho. Foi quebrantado pelo Senhor e, depois, foi devolvido em ressurreição e cheio do Espírito. Então se torna um canal de graça. Torna-se uma junta de suprimento.
Usei apenas dois exemplos bem marcantes — o canto e a música —, mas isso se aplica a tudo. Muitas vezes pensamos: “Aqui está uma pessoa que sabe organizar. Ah, ele é um grande organizador. É um presente para a igreja.”
Ah, como os Estados Unidos sofreram! Nunca vi um lugar mais organizado em toda a minha vida. Você entra em algumas igrejas, e elas são tão organizadas que quase sente que até a sua saudação já foi organizada para você.
Cada coisa é programada. As crianças são programadas, os jovens são programados, os mais velhos são programados, o dinheiro é programado, as reuniões — tudo é programado, programado, programado.
Precisamos de capacidade de organização. Quando ela passa pelo quebrantamento do Senhor Jesus, emerge em ressurreição e é cheia do Espírito, que dom maravilhoso ela é!
Aqui está alguém com o dom, como dizemos, da lábia. Isto é, a pessoa simplesmente tem um dom natural para falar. Fala pelos cotovelos. Para ela, falar é a coisa mais natural do mundo inteiro.
Ela fala, fala e fala. É claro que, depois de ser salva, continua falando — só que, desta vez, fala em linguagem bíblica, e tudo é conversa bíblica. Então dizemos: “Ah, fulano é pregador.”
Imediatamente o colocamos em um seminário teológico e, do seminário teológico, em uma igreja; vestimos a pessoa adequadamente, ordenamos, e agora temos o ministro. Daí em diante, ele prossegue com o dom com que começou.
Falar não é problema para ele, porque lhe é fácil. É natural para ele. Mas, ah, não é maravilhoso quando Deus pode tomar um dom de comunicação como esse e colocá-lo, por assim dizer, no quebrantamento da cruz, depois trazê-lo para a ressurreição, enchê-lo do Espírito e ungi-lo com o Espírito?
Então pode haver algo maravilhoso sob o governo e o controle do Senhor.
O princípio do suprimento: não dê aquilo que você tem naturalmente; dê aquilo que recebeu do Senhor.
Jesus disse estas palavras:
Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios: de graça recebestes, de graça dai.
Esses queridos saíram, e aqui está algo surpreendente: eles nem sequer conheciam o Senhor profundamente. Não tinham experiência da cruz nem do Espírito; contudo, saíram e viram acontecer as coisas mais incríveis.
Viram os leprosos serem purificados. Viram demônios serem expulsos. Viram os enfermos serem curados. Viram Satanás, como Jesus disse, caindo do céu como um relâmpago.
Por quê? Porque simplesmente obedeceram a esta única lei do suprimento: dê o que você recebe. Não dê o que você tem naturalmente, mas dê o que recebeu.
Se nosso Senhor lhe deu alguma coisa, dê. Querido filho de Deus, se você nasceu de Deus, tem alguma coisa do Senhor, não tem? Dê. Dê aquilo que você tem do Senhor. Esse é o princípio do suprimento.
Não tente ir além da sua medida. Agora, deixem-me falar àqueles que são mais novos no Senhor. Quando vocês vêm a um encontro como este e ouvem todas essas pessoas maravilhosas falando sobre vencer, sobre guerra espiritual, sobre a natureza da igreja e sobre sermos edificados juntos, podem pensar: “Nunca ouvi falar dessas coisas em toda a minha vida.”
Então vocês tentam ir além da sua medida. Quando chega um momento de louvor, dizem: “Tudo isso é tão bom que não consigo abrir a boca e louvar o Senhor. Com todos aqueles irmãos maravilhosos ali e aquelas irmãs extraordinárias, quem sou eu, tão pequeno, para louvar o Senhor nesta manhã?”
Mas, sabe, há momentos em que o choro de um bebê significa mais para o pai do que qualquer outra pessoa, do que qualquer outra coisa.
Se o bebê tentasse ser um universitário formado, isso seria uma tolice. O pai diria: “Há alguma coisa errada com esta criança.” Mas tantos filhos de Deus estão tentando ser universitários formados espiritualmente antes da hora.
Tentam adotar a linguagem e ir além da própria medida. Começam a falar sobre coisas das quais não sabem absolutamente nada. Então tudo se torna artificial, e Deus diz: “Ah, meu Deus, meu Deus, isso não Me traz alegria alguma.”
Quando você vai além da sua medida, o que fez foi isto: começou dando o que havia recebido e depois passou a dar o que não havia recebido.
O princípio do suprimento é dar o que você recebeu. Querido filho de Deus, ainda novo na fé, você encontrou o Senhor? Por que não abre a boca na próxima vez que tivermos um tempo de louvor aberto e diz: “Obrigado, Senhor, por me salvar”?
Isso significa mais para o Senhor do que se você dissesse: “Ó Senhor, agradeço-Te tanto pelo livro de Apocalipse, e por como os vencedores triunfaram naquelas sete igrejas, e depois por aqueles que estão sobre o monte Sião com o Cordeiro, seguindo-O por onde quer que Ele vá.”
O Senhor diz: “Olhe aqui, você não enxergou isso. Você não enxergou isso. O que pretende, falando Comigo dessa maneira? Por que não Me louva simplesmente pelo que Eu sou?”
Às vezes, algumas pessoas participam da oração e nos dão uma versão resumida de todo o Sermão do Monte. Às vezes, sinto que o Senhor deve pensar: “Ah, meu Deus, meu Deus, fui Eu que dei isso. Por que ele precisa devolver tudo a Mim?”
Por que ele não pode simplesmente dizer: “Senhor, eu Te adoro”? De uma maneira ou de outra, alguns de nós não conseguem fazer isso. Não conseguimos realmente dizer: “Eu Te amo, Senhor”, diante de todos. Achamos que podemos apresentar uma paráfrase de um hinário. Não é algo mau; apenas não é real.
É melhor dizer ao Senhor que você O ama de todo o coração e ser verdadeiro. Então sai de você um calor dado por Deus, e de Deus volta um calor para você, e o corpo inteiro fica aquecido.
Ah, se pudéssemos ser juntas de suprimento! Se apenas déssemos aquilo que temos para dar! Alguns de vocês sofrem de uma espécie de introversão. Ouvem coisas maravilhosas e pensam: “Bem, não consigo chegar a esse nível.” Não se preocupem com isso. Vocês chegarão.
A única maneira de chegar aonde aqueles outros chegaram é sendo você mesmo em Cristo. À medida que dá o que tem, aquilo que recebeu do Senhor, você receberá mais.
Vejam, por exemplo, Lucas 6:38:
Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordante vos darão no regaço. Porque com a medida com que medirdes vos medirão também.
Que palavra maravilhosa! Ouçam novamente:
Dai, e ser-vos-á dado.
Como? Boa medida, recalcada, sacudida e transbordante.
Você quer saber qual é o princípio do suprimento? Dê o pouco que tem do Senhor. Compartilhe. Compartilhe o pouco que tem do Senhor. Não vá além. Por menor que seja, compartilhe.
Se você acabou de ser salvo, compartilhe isso. Se seu testemunho é apenas sobre a salvação, compartilhe isso. Se vai além, compartilhe mais. Mas dê o que recebeu, e lhe será dado.
À medida que dá, você recebe mais de volta. Dê aos outros o que recebeu de volta, e receberá ainda mais. Ah, aqui está uma maneira de ser espiritualmente ambicioso!
Dê o que recebe do Senhor, e receberá mais. Dê esse mais que recebeu, e receberá ainda mais. Dê esse ainda mais, e receberá mais ainda.
Algumas pessoas se acomodam e dizem: “Até que o Senhor venha a mim com uma experiência espiritual bombástica e me lance, por assim dizer, milhares de quilômetros adiante no caminho para o reino, não vou contribuir com coisa alguma.” Meu querido amigo, você nunca contribuirá.
Você irá para o Senhor quase sem ter crescido, a não ser na sua cabeça. Não chegará a lugar algum. A única maneira de avançar espiritualmente é ser uma junta de suprimento. O que você recebe da Cabeça, passe adiante. Passe adiante.
Nunca deixei de me maravilhar com o mar Morto, cujas águas têm origem nas neves da cadeia do Hermom. Três ou quatro pequenas nascentes começam a fluir, e sempre, mesmo no auge da estação seca e quente, aquelas águas são cristalinas e frescas.
Elas vêm de toda a neve derretida, que desce profundamente para grandes reservatórios, por assim dizer, dentro do monte Hermom. Onde quer que essa água chegue, pelo rio Jordão, ela traz vida.
Mesmo onde a canalizaram por toda a planície de Sarom até o Neguebe, onde quer que ela chegue, traz vida. Você pode ver um deserto árido dos dois lados do rio Jordão, mas por onde o rio passa tudo é fértil.
No entanto, todo aquele rio, com seus milhões de galões de água por dia, deságua no mar Morto. Nada vive no mar Morto — nem um camarão, nem um caranguejo, nem um peixe, nada. Nem mesmo um pouco de alga. Nada vive no mar Morto.
Como ele pode receber toda aquela água que dá vida e transformá-la em esterilidade? Simples: o mar Morto recebe tudo e não dá nada.
O mar Morto não tem saída. Recebe tudo e não dá absolutamente nada. Por isso, é o mar Morto.
Há crentes, há comunidades, que recebem tudo o que o Senhor tem para eles e transformam tudo em esterilidade. Tudo se torna estéril.
Podem se deleitar nas doutrinas da ressurreição de Cristo, da ascensão de Cristo, da plenitude e da unção do Espírito Santo e em muitos outros assuntos. Mas, de algum modo, tudo o que chega a eles é simplesmente voltado para dentro. Ninguém jamais é alimentado.
Nunca têm um verdadeiro mover do Senhor, porque não há saída. O princípio do suprimento é que você precisa dar o que recebe. Isso é verdade individualmente; é verdade coletivamente.
Agora, comunhão é simplesmente o compartilhar de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.
Estamos compartilhando aquilo que temos do Senhor.
Posso dizer algumas coisas práticas sobre esse assunto? Procurei explicar um pouco desse princípio do suprimento, seja no âmbito coletivo e mais amplo, seja naquilo que diz respeito à sua parte individual no todo.
O fato é que precisamos dar o que recebemos e, quando damos o que recebemos, recebemos mais.
Qual é o significado prático disso? Bem, creio que, obviamente, em primeiro lugar, precisamos, na vida da igreja de Deus em qualquer lugar, não apenas de momentos de ensino e de ministério da Palavra. Precisamos de momentos em que todo o nosso tempo esteja aberto ao Espírito de Deus.
Precisamos desses momentos para o exercício do sacerdócio de todos os crentes. Irmãos, precisamos enxergar isto: na vida do povo de Deus, precisamos ter momentos inteiramente abertos à direção do Espírito de Deus.
Então podemos aprender a seguir o Espírito de Deus, aprender a discernir a unção em uma reunião, aprender a permanecer debaixo da unção. Ah, como eu gostaria que falássemos sobre isso!
Como distinguir a unção; como permanecer debaixo da unção; como nos manter debaixo da unção e, portanto, seguir em harmonia com ela durante toda a reunião. Aprendemos lições extraordinárias dessa maneira.
Posso dizer mais alguma coisa sobre ser uma junta de suprimento? Todos nós que não temos responsabilidade de liderança precisamos estar abertos ao Senhor. Não damos simplesmente qualquer coisa que temos, de qualquer maneira, só porque a temos.
É preciso haver um momento certo. Algumas pessoas vêm a uma reunião e dizem: “Bem, tenho um hino. Vou compartilhá-lo de qualquer jeito. Ele tem ardido dentro de mim.” Então, na primeira oportunidade disponível, o compartilham.
Isso não é o funcionamento adequado de cada parte individual. Meu corpo não funciona com cada parte agindo independentemente. Se fosse assim, eu teria o que chamamos de dança de São Vito.
Em nossos momentos abertos, o Espírito Santo é soberano. Se você tem alguma coisa, haverá um momento certo. Você o saberá pelo Espírito. À medida que avançamos, chega o momento: você deve contribuir com o que tem, seja pouco ou muito, sob o governo do Espírito de Deus.
Não damos simplesmente o que temos, de qualquer maneira, só porque o temos. Até o momento de dar precisa estar sob o Espírito de Deus e em relação com os demais membros do corpo.
Posso dizer algo àqueles de vocês que são irmãos com maior responsabilidade nas comunidades? Creio que ser uma junta de suprimento nesse assunto significa que vocês, irmãos, quando houver momentos abertos, precisam se reunir antes e cobrir esses momentos em oração.
Uma das grandes tragédias atuais é a maneira como as pessoas chegam às reuniões sem nenhum preparo. Dizem: “Só porque o Senhor está conosco e será um momento aberto, ninguém assume responsabilidade.” Todos simplesmente vão chegando e se juntando.
Então passamos a primeira meia hora sem saber o que está acontecendo, e só pouco antes de a reunião terminar começamos a chegar a algum lugar. Vocês que são irmãos responsáveis, se Deus lhes deu responsabilidade, precisam entregar a própria vida.
Nesse sentido, isso significa que precisam dedicar ainda mais tempo do que qualquer outra pessoa. Caso contrário, não deveriam assumir responsabilidade.
Precisamos nos reunir antes, às vezes para exercer governo sobre aquele tempo, para proclamar que Jesus é Senhor sobre ele, para usar as chaves a fim de fechar o que não procede Dele e abrir o que procede Dele. Precisamos declarar que Jesus Cristo é Senhor, reconhecer sempre o senhorio de Jesus Cristo.
Uma das coisas que o Senhor nos mostrou em Richmond é que os irmãos que lideram não têm direito algum. Sempre nos reunimos pelo menos vinte minutos ou meia hora antes de cada reunião.
Não passamos esse tempo apenas conversando; ficamos de joelhos e realmente cobrimos aquele tempo diante do Senhor. No domingo de manhã, estaremos juntos com quaisquer outros irmãos que queiram se unir a nós antes da reunião. Nas noites durante a semana, nos reunimos antes do início.
Lembro-me de que, algum tempo atrás, chegamos à conclusão de que nós, irmãos, precisávamos nos reunir às segundas-feiras à noite. Pensamos: “Ah, não podemos fazer isso. Simplesmente não podemos. Estamos todos tão ocupados, e os outros são casados. Como podemos fazer isso? Podemos dedicar mais um período?”
Mas sentimos que, se não fizéssemos isso, todo tipo de coisa poderia acontecer. Ser uma junta de suprimento significa que precisamos dar. Então começamos a nos reunir às segundas-feiras à noite, apenas nós, os irmãos responsáveis.
Depois abrimos esse tempo para que viesse qualquer pessoa que tivesse uma reclamação, uma sugestão ou que precisasse de conselho, oração ou ajuda. Acho que agora estamos ali todas as segundas-feiras, das cinco e meia às nove da noite. É mais uma noite dedicada.
Mas, se Deus fez alguma coisa entre nós, creio que isso se deve, em parte, ao fato de haver alguns irmãos que caíram na terra e morreram.
Isso, querido filho de Deus, é verdadeiro exercício da autoridade da Cabeça. Não é simplesmente impor autoridade e dizer: “Nós mandamos. Vocês fazem o que dizemos. Façam isto, isto e isto.”
É ser pioneiro no sacrifício, pioneiro em entregar a própria vida pelos irmãos. É isso que precisamos fazer. Isso é ser uma junta de suprimento.
Que coisa maravilhosa é quando, em nossas reuniões, esse princípio do suprimento fica evidente. Cometemos um grande erro se pensamos na igreja apenas quando estamos reunidos. Somos a igreja o tempo todo.
Devemos ser juntas de suprimento, e cada parte individual deve funcionar adequadamente o tempo todo. No entanto, quando nos reunimos, podemos medir a temperatura de toda a igreja.
Em um momento aberto, você pode medir a temperatura da igreja. Pode ver rapidamente se esse princípio do suprimento está em operação ou se está sendo contrariado.
Cuidado, queridos filhos de Deus, para não se esconderem atrás do canto. É maravilhoso cantar louvores ao Senhor e, como diz Efésios 5:19, cantar uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais.
Mas tomemos cuidado para não nos escondermos atrás de um canto interminável, como se apenas isso fosse louvor. Às vezes, precisamos simplesmente abrir os lábios e louvar o Senhor, um após o outro.
Às vezes, não acho uma ideia tão ruim que todos louvem o Senhor ao mesmo tempo. De qualquer forma, isso parece eliminar muita ambição. Afinal, o Senhor ouve todos aqueles milhares de orações ao mesmo tempo, durante as vinte e quatro horas de cada dia, e sabe distinguir todas elas.
É algo belo conduzir uns aos outros em louvor. Às vezes, é bom louvarmos o Senhor todos juntos, louvá-Lo e adorá-Lo em um grande coro de louvor.
Mas precisamos ser juntas de suprimento. Há momentos em que precisamos de algo da Palavra, de uma palavra de exortação, quando alguém recebeu uma revelação do Senhor que o leva mais adiante sob o governo de Deus.
Não há nada mais maravilhoso do que um momento aberto em que o Espírito Santo está no comando — como Ele conduz!
Mas posso dizer mais uma coisa, e então encerro, sobre o que acontece fora de nossas reuniões? Acho que precisamos ser juntas de suprimento fora de nossas reuniões também.
Há todo tipo de maneira de ajudarmos uns aos outros. Algumas pessoas acabaram de ser salvas, mas não sabem o que fazer. Talvez haja algum irmão tão ocupado na obra de Deus e tão sobrecarregado que você possa ir fazer alguma tarefa prática que o libere.
Alguns de vocês, irmãos mais velhos, podem ajudar aqueles que carregam toda a responsabilidade simplesmente fazendo tarefas práticas que estão ao seu alcance e que aliviem um pouco o peso deles.
Alguns de nós só conseguem pensar em ser uma junta de suprimento no que diz respeito à plataforma. Se estamos na plataforma, somos uma junta de suprimento; se estamos em qualquer outro lugar, não somos nada.
Mas, no fim, Deus recompensa pessoas que fazem coisas práticas para ajudar outros que têm grandes responsabilidades. Há pessoas que oram por nós, e só Deus sabe disso. Elas trabalham em oração nos bastidores.
Elas compartilharão qualquer recompensa que venha a esse ministério, porque assumiram uma tarefa trabalhosa, sem glamour, sem encanto romântico e sem reconhecimento público. Mas isso é ser uma junta de suprimento.
Ah, irmãos e irmãs, se pudéssemos enxergar isso! Talvez haja alguém doente. Agora, deixem-me esclarecer bem isto: às vezes, o princípio é que cada um deve carregar o próprio fardo. Nunca faça nada que torne outro membro do corpo preguiçoso.
Mas, por outro lado, há momentos em que ser uma junta de suprimento é algo muito prático. Aqui está uma irmã que não está bem. Que coisa maravilhosa quando outras irmãs vão até ela e dizem: “Olhe, podemos ajudá-la nisto e naquilo? Diga o que podemos fazer, e então poderemos ajudá-la.”
Isso não é uma maneira prática? Você sabe o que acontece? Aquela querida irmã que está sobrecarregada, que não tem conseguido louvar o Senhor, de repente, por causa dessa junta de suprimento, louva o Senhor.
Há algum tempo, eu estava falando sobre isso em uma comunidade e mencionei que talvez a melhor maneira de alguém ser uma junta de suprimento fosse ir à casa de outra pessoa e cortar a grama.
Depois, uma irmã idosa veio falar comigo. Ela havia sido uma guerreira de oração naquela comunidade. Disse: “Irmão, talvez eu não devesse lhe contar isso. Sabe, retiraram toda a minha articulação do quadril e colocaram esta nova.”
Ela contou que, quando foi internada, um dos irmãos responsáveis naquela comunidade veio até ela e perguntou se havia alguma coisa que pudesse fazer. Ela disse: “Bem, o que me preocupa é o jardim. Agora não poderei cuidar dele durante nove meses.”
Esse irmão lhe disse: “Nós cuidaremos dele.” Ele cobrou dela pelo serviço. Mas, quando ela voltou, encontrou uma selva.
Então, contou ela, veio um querido irmão jovem, que não quis receber nem um centavo. Ela disse: “Quando o senhor falou sobre louvar o Senhor, naquele momento pensei comigo mesma: eu estava tão abatida.”
Ela disse: “Tentei superar tudo aquilo, mas, sempre que olhava pela janela, tudo o que via era uma floresta. Eu me preocupava, me preocupava e me preocupava. O que meus vizinhos vão fazer? E o meu testemunho aqui como crente?”
Ela disse: “Quando aquele jovem irmão chegou com seu rosto radiante e simplesmente cortou tudo — e foi realmente um trabalho pesado, porque outra pessoa havia recebido o dinheiro e não tinha feito o serviço —, tudo mudou.”
Ela disse: “Fiquei de joelhos e adorei o Senhor.” Agora, isso é uma junta de suprimento.
Então, queridas irmãs, façam um bolo de vez em quando para alguém. Mandem um buquê de flores de vez em quando para alguém. Façam uma visita a alguém. Façam isso; vocês podem ser uma junta de suprimento.
Tendemos a pensar que só seremos uma junta de suprimento se tivermos alguma mensagem espiritual extraordinária. Mas, às vezes, podemos fazer as coisas mais práticas e nos tornamos uma junta de suprimento no corpo de Cristo, porque liberamos algo precioso do Senhor em outra pessoa.
Que coisa maravilhosa, então, é ser assim! Queridas irmãs, vocês que são casadas, deixem-me dizer apenas uma coisa a partir de 1 Timóteo 5:14: lembrem-se de que o trabalho de vocês é o seu lar.
Creio que o lar da irmã casada é o seu ministério na casa de Deus. Lembrem-se de que o texto diz:
Governem a casa.
O Senhor não Se esqueceu de nada nesse assunto. Governem a casa. Já estive em lugares onde alguns maridos não permitem que suas esposas tomem uma única decisão a respeito do próprio lar.
Conheço um irmão que nem sequer permite que sua esposa se vista com a cor que deseja. Lembro-me de outra ocasião em que um irmão nem sequer permitia que sua esposa orasse em sua presença. Ele tinha a ideia de que ela não podia orar em momento algum quando houvesse um homem presente.
Se você ler Provérbios 31, querida irmã, terá uma grande surpresa quanto à mulher de valor. Essa irmã vai, compra um campo, produz coisas nele, tece, fia e vende o que faz.
Como são pouco práticas algumas dessas ideias em certos círculos cristãos! Aqui está uma irmã que mantém um relacionamento correto com seu marido, em sujeição a ele, mas governa a sua casa. Ela não deixa que ele carregue todas as preocupações.
Ela governa a sua casa. Esse é o seu ministério. Quando precisam ser tomadas decisões sobre os rumos do lar, ela está ao lado do marido. Mas ela governa a casa.
Ah, querida irmã, querida junta de suprimento, seu lar pode ser um lugar de hospitalidade. Seu lar pode ser um lugar de ministério. E, mesmo que não haja mais nada, seus filhos são uma herança dada por Deus.
Que o Senhor nos ajude a ser juntas de suprimento, não apenas em nossas reuniões, mas fora delas e também em nossos lares. Vamos orar?
Querido Senhor, isto expõe a condição de todos nós: o funcionamento adequado de cada parte individual. Ó Senhor, Tu sabes como tantos de nós não estão funcionando adequadamente. Senhor, pelo Teu Espírito, impulsiona-nos.
Querido Senhor, alguns de nós precisam conhecer o que significa reavivar o dom que há em nós. Outros, Senhor, precisam conhecer o que significa simplesmente dar esse passo em fé e compartilhar o pouco que temos de Ti, Senhor, com nossos irmãos e irmãs.
Alguns de nós, Senhor, precisam que seus olhos sejam abertos para essa ampla variedade de coisas práticas que podemos fazer e que tornam a vida dos demais santos muito mais fácil.
Ó Senhor, ajuda-nos a ser juntas de suprimento no corpo de nosso Senhor Jesus Cristo. Pedimos em Seu nome. Amém.