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    Lambert, Lance

    O princípio da autoridade na comunhão cristã

    Leitura bíblica: Efésios 1:15-23

    Por isso, também eu, tendo ouvido da fé no Senhor Jesus que há entre vós e do amor que mostrais para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações; para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento Dele; sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual é a esperança da Sua vocação, quais as riquezas da glória da Sua herança nos santos, e qual a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do Seu poder, que Ele operou em Cristo, quando O ressuscitou dentre os mortos, e O fez assentar à Sua direita nos lugares celestiais, muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste mundo, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés, e O deu à igreja como Cabeça sobre todas as coisas, a qual é o Seu corpo, a plenitude Daquele que enche tudo em todos.

    O princípio da autoridade

    Nesta manhã, gostaria de abordar outro princípio da comunhão. O princípio que quero tratar, pela graça capacitadora de Deus, é o princípio da autoridade.

    Todos ainda conseguem me ouvir? Ótimo.

    O princípio da autoridade.

    Não tenho nenhuma dúvida, em meu coração, de que é nesse princípio que o inimigo está atuando com tanta força. De um lado, encontramos uma situação em que não há autoridade alguma, e cada um faz o que parece certo aos seus próprios olhos. É uma espécie de vale-tudo.

    Nossas reuniões, especialmente o que chamamos de comunhão nos lares, tornam-se uma espécie de lugar onde estamos livres de todas as responsabilidades, de todas as limitações, de toda a disciplina. São apenas lugares onde, de certa forma, desfrutamos do Senhor e onde, de muitas maneiras, descobrimos que estamos vivendo em um paraíso ilusório.

    Por exemplo, você pode entrar em uma dessas reuniões nos lares. Ninguém precisa arrumar nada. Ninguém do grupo se ocupa de distribuir livros ou folhas. Ninguém ajuda você de maneira alguma. Você simplesmente chega, senta e aproveita. Não há nenhuma responsabilidade que precise assumir. Não precisa necessariamente ser pontual. Pode chegar a qualquer hora, entrando e saindo sem compromisso.

    É uma espécie de vale-tudo. Em alguns círculos, parece que isso foi quase reduzido a uma doutrina de liberdade. É isso que significa não estar debaixo da lei, mas debaixo da graça.

    Então, é claro, temos o outro extremo, em que há tamanho reconhecimento da autoridade e tamanha imposição dessa autoridade que tudo se torna uma hierarquia. Somos obrigados a obedecer, e, seja quem for o irmão, temos de fazer tudo o que ele diz. Se não fizermos o que ele diz, somos marginalizados e, por fim, excluídos daquele grupo de crentes.

    Entre esses extremos, há várias outras formas. Por isso, creio que esse princípio da autoridade, no que diz respeito à comunhão, é vital.

    A posição de Jesus Cristo como Cabeça absoluto

    A primeira coisa que gostaria de destacar é a posição de nosso Senhor Jesus Cristo como Cabeça absoluto. Deus fez do Senhor Jesus o Cabeça absoluto da igreja.

    Efésios 1:22-23 diz:

    E sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés, e O deu à igreja como Cabeça sobre todas as coisas, a qual é o Seu corpo, a plenitude Daquele que enche tudo em todos.

    Ou, ainda, Colossenses 1:18:

    E Ele é o Cabeça do corpo, da igreja; é o princípio, o primogênito dentre os mortos; para que em todas as coisas tenha a preeminência.

    Não importa qual seja a situação, quais sejam os problemas ou quais sejam as circunstâncias em que nos encontramos como povo de Deus: Cristo foi constituído Cabeça sobre todas as coisas para a igreja.

    Deus não reconhece nenhum outro cabeça. Tudo o que substitui Cristo em Sua posição de Cabeça é um mal terrível.

    Agora, quero ser bem claro aqui. Não estamos falando apenas do papado, de um episcopado ou de alguma comissão, conselho ou diretoria. A maioria de nós provavelmente acharia que são essas coisas que atrapalham o exercício da autoridade do Senhor Jesus Cristo como Cabeça.

    Mas você pode ter um padrão do Novo Testamento. Pode ter um grupo de presbíteros que pareça tão fiel ao Novo Testamento quanto possível. Contudo, se esses homens substituírem a autoridade do Senhor Jesus Cristo como Cabeça por suas próprias cabeças, sua vontade, seu raciocínio ou sua inteligência, isso é um mal pernicioso.

    É por isso que, às vezes, encontramos grupos que, ao que tudo indica, estão voltando aos princípios do Novo Testamento, mas estão mortos — tão formais e tão mortos quanto qualquer instituição.

    Os mais jovens se perguntam: “Como podemos ter um padrão do Novo Testamento e estar tão mortos? Vou a outro lugar, que não tem um padrão do Novo Testamento, e encontro vida”. Então, concluem que Deus não está nem um pouco interessado em qualquer tipo de padrão.

    Isso está errado. Há um padrão, em certo sentido. Ele está dentro da vida de nosso Senhor. Mas há um padrão.

    O presbitério, em si, é um princípio, porque é, por assim dizer, a expressão da autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, se esses homens colocarem suas próprias cabeças no lugar do Senhor Jesus Cristo, isso se torna um mal pernicioso. Isso paralisará efetivamente a obra de Deus. Deixará o grupo de crentes sem vida. Tornará sua vida formal.

    É curioso que você possa ter uma comissão de homens que foram tão profundamente tratados pelo Espírito Santo que dependem do Senhor. São tão dependentes do Senhor que a autoridade de Jesus Cristo como Cabeça pode se manifestar plenamente por meio deles.

    Você também pode ter um padrão do Novo Testamento em que os homens colocaram suas próprias cabeças no lugar de nosso Senhor, coletiva ou individualmente, e destroem o fluir da vida divina.

    Cristo não é um monarca constitucional

    Cristo não é um monarca democrático. Vou precisar explicar isso, já que estamos aqui em uma república. Mas Cristo não é um monarca democrático. Ele não é uma espécie de figura simbólica nacional.

    Vejam, venho de um reino. Sou súdito do Reino Unido e, em certo sentido, acho que tenho bastante orgulho disso. Acho que vocês se saíram muito bem desde que conquistaram a independência, mas penso que poderiam ter se saído muito melhor se tivessem permanecido conosco.

    No entanto, depois de dizer isso no ano do bicentenário de vocês, preciso lhes dizer que vivo em uma monarquia constitucional. Ou seja, em um reino que tem uma monarquia constitucional.

    O que queremos dizer com isso? Queremos dizer que a rainha, na verdade, não governa o país. O país é governado pelo Parlamento. Mas a rainha assina tudo e, nesse sentido, dá validade legal a tudo.

    Na abertura do Parlamento, a rainha faz um discurso à Câmara dos Lordes e à Câmara dos Comuns. Ela pode dizer: “Vou nacionalizar a indústria siderúrgica”, e assim por diante. Ela pode ser totalmente contrária à nacionalização da indústria siderúrgica, mas precisa dizer isso porque seu discurso foi escrito pelo partido que tem a maioria.

    Ela está lendo um discurso escrito, por exemplo, pelo primeiro-ministro, Harold Wilson, ou por outra pessoa, e precisa lê-lo como se fosse seu próprio discurso. Então, as leis são aprovadas e levadas ao palácio para receber a assinatura da rainha. Quando ela põe seu selo nelas, tornam-se lei.

    Ela é uma figura simbólica nacional. Une o país inteiro acima da política. Acho isso muito bom, mas, ainda assim, essa não é a posição de Cristo na igreja.

    O que fizemos com o Senhor Jesus foi torná-Lo um monarca democrático. Fizemos Dele um monarca constitucional. Fizemos Dele uma espécie de figura simbólica nacional.

    Escrevemos Seus discursos e os pronunciamos em Seu nome. Imagino que cerca de noventa por cento dos sermões pregados não tenham absolutamente nada a ver com nosso Senhor Jesus Cristo, no sentido de terem se originado Nele, mas são proferidos em Seu nome. Escrevemos Seus discursos por Ele. Colocamos ideias em Sua cabeça. Usamos Seu nome para todo tipo de ensino, e assim por diante. Aprovamos leis em Seu nome.

    Nós nos reunimos como comissão para discutir o que faremos no próximo outono e inverno. Dizemos: “Muito bem, vamos fazer uma oração. Fulano, você poderia nos dirigir em oração? Vamos buscar o Senhor agora a respeito da próxima programação”.

    Então, todos nós abaixamos a cabeça. “Ó Senhor”, dizemos — nós doze —, “mostra-nos e revela-nos qual é a Tua programação para este próximo outono e inverno. Concede-nos conhecer a Tua vontade e o Teu pensamento”.

    Às vezes, não é tão claro assim, mas não importa. Nós Lhe pedimos e depois dizemos: “Amém”. Então, quem está presidindo a reunião diz: “Fulano, creio que você está com a programação para este próximo outono e inverno. Poderia nos dizer quais compromissos já estão agendados?”

    Então, há uma pequena discussão sobre se devemos modificar isto ou aquilo. No final, dizemos: “Muito bem, vamos abaixar a cabeça”, e dizemos: “Obrigado, Senhor, por nos revelares a Tua vontade”.

    Depois, durante o restante do outono e do inverno, ficamos nos perguntando por que não há bênção, por que não há vida abundante e por que o Senhor parece não Se comprometer conosco. O fato é que estamos aprovando as leis que precisam da Sua assinatura.

    Não esperamos que Ele seja um Monarca absoluto. Não esperamos que Ele nos dirija. Não esperamos que Ele nos governe. Simplesmente presumimos que nós fazemos tudo isso em Seu nome.

    Fizemos Dele um monarca constitucional, mas nosso Senhor Jesus Cristo é o Cabeça efetivo e absoluto da igreja.

    Acho que cometemos, em Richmond, todos os erros que seria possível cometer. Mas, se chegamos a algum lugar pela graça de Deus, foi simplesmente por isto: fomos tolos e ingênuos o bastante para acreditar que o que Deus diz em Seu Livro é a verdade absoluta.

    Se Ele diz que Jesus foi constituído Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, então Jesus é Cabeça sobre todas as coisas para a igreja. Na cabeça está a mente, na cabeça está a vontade e na cabeça está a inteligência.

    Portanto, reconhecemos este único e simples fato: se nos ajoelhássemos e realmente perguntássemos, em cada esfera da nossa vida juntos: “Senhor, o que queres que façamos? Como queres que façamos? Devemos seguir por este caminho ou por aquele?”, Ele nos daria a conhecer o Seu pensamento.

    Descobrimos, em nossa pequena experiência, que o Senhor, se me permitem dizer isso de maneira quase irreverente, tem feito de tudo para nos mostrar quais são a Sua vontade e o Seu pensamento. É como se fosse tão raro as pessoas se ajoelharem e realmente dizerem: “Senhor, Tu és o nosso Líder. Tu és o nosso Diretor. Tu és o nosso Senhor. Tu és o nosso Cabeça”.

    Só porque as pessoas não conseguem vê-Lo, parecem pensar: “Bem, não podemos vê-Lo, então é melhor fazer deste irmão o cabeça, ou daquele irmão o cabeça, ou destes irmãos os cabeças. Deixemos que eles pensem juntos”.

    Temos essa ideia democrática de que, se juntarmos algumas cabeças, certamente estaremos seguros. Mas você pode juntar cinco cabeças. Pode juntar vinte cabeças. Pode juntar mais de cem cabeças. Pode juntar, Deus nos livre, mil cabeças, e todas elas podem sair dos trilhos.

    A maioria raramente esteve certa. Vez após vez, encontramos a minoria tendo o pensamento do Senhor.

    Lembro-me de algumas daquelas assembleias de igreja de que eu participava. Vez após vez, a vontade do Senhor para aquele grupo era derrotada na votação por uma enorme maioria. A ideia era que, havendo todas aquelas pessoas salvas, a maioria tinha de estar certa — mas não estava.

    Uma coisa após outra era introduzida pela maioria. Estou falando de crentes verdadeiros, não de cristãos apenas nominais.

    O fato é este: de uma maneira muito real, precisamos reconhecer que Jesus Cristo foi constituído Cabeça sobre todas as coisas para a igreja.

    A firme ligação com o Cabeça

    Nosso problema é que, por não podermos ver nosso Senhor, por não podermos ver, por assim dizer, o Espírito Santo, não conseguimos colocar isso em prática. Achamos que isso é ser místico.

    Mas, em cada esfera da vida da igreja — seja no trabalho com crianças, com jovens, com a igreja toda, na parte prática, na parte material ou na orientação espiritual, por falta de uma expressão melhor —, se apenas nos ajoelharmos e pedirmos ao Senhor que nos revele o Seu pensamento, Ele o fará.

    Há momentos em que precisamos esperar para conhecer o pensamento do Senhor, e é isso que achamos tão difícil. Se pudéssemos dizer: “Agora, Senhor, o que devemos fazer a respeito disto?”, e Ele imediatamente dissesse: “Sim, façam isto e aquilo”, acharíamos fácil.

    Mas há outros momentos em que o Senhor não diz nada, e precisamos esperar. Toda vez que tivemos de esperar, descobrimos que, no final, a espera foi amplamente justificada. Também houve ocasiões em que não esperamos, mas seguimos adiante, e acabamos em tragédia.

    Quando a Palavra de Deus diz que nosso Senhor Jesus Cristo é o Cabeça da igreja, ela quer dizer exatamente o que diz. Ele é o Cabeça da igreja.

    Ontem à noite, procuramos dizer algo sobre aquele princípio da continuidade: o fato de que fazemos parte de algo que Deus vem fazendo desde o início desta era; de que todos pertencemos uns aos outros; e de que tudo o que Deus restaurou é a nossa herança.

    Não devemos desprezar, desvalorizar ou rejeitar isso — nem uma única parte. Se Deus vai fazer alguma coisa em nossa geração morta, todas as características que foram restauradas na história da igreja serão encontradas entre nós.

    Todo avivamento e toda renovação fluíram do reconhecimento do simples fato de que o Senhor Jesus é o Cabeça do Seu povo. É tão simples quanto isso.

    Cada movimento do Espírito de Deus na história da igreja nasceu do reconhecimento, por parte de um homem, de alguns homens ou de um grupo de pessoas, de que Jesus Cristo é o Cabeça absoluto. Todo desvio nasceu da rejeição do Senhor Jesus como Cabeça efetivo e absoluto da igreja e da substituição de Sua autoridade como Cabeça por outros órgãos ou outras formas.

    Parece uma coisa tão simples. Outro dia, eu estava conversando com alguém que me disse que, antes de ser salvo, a coisa mais difícil do mundo para ele era ajoelhar-se. Ele simplesmente não conseguia se ajoelhar diante do Senhor.

    Acho que isso encontra eco no coração de muitos de nós. É tão difícil nos curvarmos diante do Senhor. No entanto, mesmo depois de salvos, ainda parece haver em nós essa resistência quando se trata de governo — o governo do Senhor.

    É muito mais fácil passar uma hora discutindo: opiniões daqui, opiniões dali; esta concepção, aquela concepção; esta ideia, aquela ideia. É muito mais fácil do que nos ajoelharmos e dizermos: “Agora, Senhor, estamos deixando de lado todas as nossas opiniões e concepções e queremos que Tu nos dirijas”.

    Não me entendam mal: pode haver lugar para conversar e compartilhar em comunhão. Mas como seria bom se começássemos reconhecendo Jesus Cristo como Cabeça, em vez de só reconhecer Sua autoridade depois de termos conversado sobre tudo.

    Gostaria que todas as nossas reuniões pudessem começar assim. Acho que há uma clareza que vem às nossas reuniões como povo de Deus quando, logo no início, há um simples reconhecimento de Jesus Cristo como Cabeça.

    Vou a alguns lugares onde os irmãos nem sequer oram antes de uma reunião. Todos simplesmente vão chegando, sem preparação. Ninguém entra antes no lugar secreto do Senhor e reconhece Jesus Cristo como Cabeça e Senhor daquela reunião.

    Vocês não entendem que não lutamos contra carne e sangue, mas contra principados e potestades?

    Se entrarmos nessas coisas sem preparação, descobriremos que o inimigo encontra uma brecha desde o início. Muitas vezes, a reunião começa de maneira difícil, pesada, e só quando estamos quase nos despedindo conseguimos romper essa barreira. Vocês conhecem essas reuniões: cerca de quinze minutos antes de irmos para casa, o sol sai de trás das nuvens, e sentimos como se o Senhor estivesse brilhando sobre nós.

    Isso deveria acontecer no início. Os irmãos deveriam se reunir antes da reunião e estabelecer o fato de que não estamos sujeitos a Satanás, nem a principados e potestades, aos dominadores das trevas ou às hostes da maldade. Estamos sob a autoridade de Jesus Cristo como Cabeça.

    Queremos hastear a bandeira. Antigamente, costumavam mandar uma canhoneira rio acima e mostrar a bandeira. Era tudo o que se precisava fazer.

    No início do nosso tempo juntos, queremos hastear a bandeira. Queremos dizer: “Jesus Cristo é o Senhor deste grupo. Somos o Seu povo, sob a Sua autoridade como Cabeça. Nós o declaramos. Nós o confessamos”.

    É um simples reconhecimento pelo qual, no início do nosso tempo juntos, dobramos os joelhos e reconhecemos Jesus como Senhor e Cabeça. Então, o Espírito Santo diz: “Agora posso Me comprometer. Vocês fizeram um simples reconhecimento”.

    É algo tão próprio de uma criança, mas, porque fizeram esse reconhecimento, toda a unção é de vocês, todos os recursos são de vocês, toda a plenitude é de vocês, toda a cobertura é de vocês e toda a proteção é de vocês.

    Se não fizerem esse reconhecimento, é como se o Senhor tivesse de deixar isso por conta de vocês, porque acham que conseguem seguir adiante sem Ele.

    A comunhão por meio da ligação com o Cabeça

    A realidade da comunhão e a prática da comunhão fluem da nossa ligação com o Cabeça.

    Não consigo fazer uma afirmação mais importante do que essa a respeito da comunhão. A realidade da nossa comunhão e a prática da verdadeira comunhão fluem da nossa ligação direta com o Cabeça.

    Todos conhecemos situações em que nos reunimos, mas não há nada entre nós. Todos somos crentes, redimidos e salvos. Alguns de nós realmente conhecem o Senhor, mas, ainda assim, não há ligação.

    Continuamos perguntando: “O que está errado? Aqui estamos nós, todos sentados aqui, mas, de alguma forma, não fluímos juntos. Não estamos sendo edificados juntos. Não estamos sendo bem ajustados uns aos outros. De alguma forma, não estamos unidos. O que está errado?”

    Algumas pessoas cometem o grande erro de pensar que precisamos nos aproximar mais uns dos outros. Então, dizem: “Precisamos fazer refeições juntos”, ou: “Precisamos morar juntos”, ou: “Precisamos colocar nossos recursos em comum”.

    Não estou dizendo que essas coisas sejam necessariamente erradas. A igreja primitiva em Jerusalém fez exatamente isso. Eles viviam juntos em comunidade, colocavam seu dinheiro em comum e comiam juntos. Toda a vida era inteiramente compartilhada.

    No entanto, evidentemente, Antioquia não fazia isso. Pelo que podemos perceber, eles tinham suas próprias casas, mas havia verdadeira comunhão. Os presbíteros se reuniam e jejuavam diante do Senhor, e foi durante esse tempo que o Senhor disse:

    Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.

    Meu ponto é este: precisamos, de alguma maneira, estar ligados de forma muito viva ao Cabeça — não, em primeiro lugar, uns aos outros. Antes de tudo, não é uns aos outros que precisamos estar ligados; antes de tudo, é ao Cabeça que precisamos estar ligados.

    Colossenses 2:19 diz:

    E não retendo o Cabeça, do Qual todo o corpo, suprido e unido pelas juntas e ligamentos, cresce com o crescimento de Deus.

    Crescer com o crescimento de Deus está diretamente ligado a manter-se firme no Cabeça. Ser suprido e unido está diretamente ligado a manter-se firme no Cabeça.

    Não precisamos de suprimento? Às vezes, nossa comunhão entra em águas turbulentas. As nuvens chegam, e tornamos tudo muito difícil mesmo. O que precisamos é manter-nos firmes no Cabeça e ser supridos — com graça, com poder, com recursos divinos e com sabedoria divina.

    Certifique-se de que seu relacionamento com o Senhor Jesus Cristo como Cabeça e Senhor esteja absolutamente claro, e você encontrará o corpo.

    Não tente, primeiro, estabelecer o relacionamento horizontal. Primeiro, estabeleça o relacionamento vertical. Então, encontrará o relacionamento horizontal.

    Efésios 4:15-16 diz:

    Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em todas as coisas Naquele que é o Cabeça, Cristo; do Qual todo o corpo, bem ajustado e unido pelo que cada junta supre, segundo a operação na medida de cada parte, efetua o crescimento do corpo para a edificação de si mesmo em amor.

    Cresçam em todas as coisas Naquele que é o Cabeça, Cristo, de Quem todo o corpo recebe vida.

    Gostaria que esse princípio fosse visto em cada esfera da vida da igreja. Gostaria que toda a liderança pudesse perceber como é essencial manter-se firme no Cabeça.

    Qual é o problema que você tem? Não tente enfrentá-lo com suas próprias concepções, nem mesmo com seu conhecimento bíblico. Enfrente-o mantendo-se firme no Cabeça.

    Há problemas entre os líderes? Enfrentem esses problemas mantendo-se firmes no Cabeça. Se eu me mantiver firme no Cabeça e você se mantiver firme no Cabeça, certamente chegaremos à unidade de alguma maneira.

    Sejam quais forem os problemas, seja qual for a diferença de opinião, certamente chegaremos à unidade se você se mantiver firme no Cabeça e eu me mantiver firme Nele.

    Você pode ser a pessoa mais jovem da igreja, a pessoa mais jovem daquele grupo de crentes. Pode ter acabado de ser salvo. Ainda assim, se aprender desde o início a manter-se firme no Cabeça e a crescer em todas as coisas Nele como Cabeça, encontrará seu lugar no corpo.

    As pessoas muitas vezes vêm me dizer que se sentem excluídas. O diabo é mestre em nos dizer que não fazemos realmente parte: “Você não é nada. Você não faz realmente parte”.

    A única resposta é resistir ao inimigo, mantendo-se firme no Cabeça e crescendo Nele como Cabeça em todas as coisas.

    O que significa crescer Nele como Cabeça em todas as coisas? Significa manter-se firme, apegar-se ao Cabeça. É uma palavra muito forte: realmente agarrar-se ao Cabeça.

    Você não entra nisso simplesmente deixando-se levar. Precisa manter-se firme no Cabeça, apegar-se ao Cabeça e agarrar-se firmemente ao Cabeça. Então, precisa crescer em todas as coisas Nele como Cabeça.

    Há muitos problemas, circunstâncias e situações em que precisamos aprender a crescer em Cristo como Cabeça. Precisamos descobrir Seu senhorio, descobrir Sua autoridade como Cabeça, descobrir Seu pensamento, descobrir Sua vontade e cumpri-la.

    O corpo — sua unidade, sua função, seu crescimento e seu desenvolvimento — depende inteiramente da relação dos membros com o Cabeça.

    Se um membro está fora de sintonia com o Cabeça, essa é uma área de paralisia na comunhão. Compartilhamos Cristo à medida que cada um de nós se mantém em relação direta com nosso Senhor como Cabeça.

    Quando esse princípio é obedecido, encontramos vida e plenitude de vida. Encontramos desenvolvimento. Encontramos ressurreição o tempo todo, porque, toda vez que entramos na morte, descobrimos que saímos para a vida de ressurreição.

    Mas, quando ele é negado, mesmo sem percebermos, imediatamente há fraqueza, derrota, fragmentação, peso e impedimento.

    O lugar da liderança humana

    Gostaria de dizer algo sobre o lugar do homem nisso, porque é aí que surgem muitos dos nossos problemas.

    Tenho me detido bastante naquilo que algumas pessoas chamariam de aspecto místico dessas coisas. Eu não o considero místico de maneira alguma. Para mim, é intensamente prático. Se nosso Senhor Jesus Cristo foi constituído Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, ajoelhar-nos e reconhecê-Lo é a coisa mais simples, mais prática, mais óbvia, mais racional e mais lógica a fazer.

    Então, veremos a vida fluir pela igreja como não temos visto há muitos anos. Veremos o Senhor começar a qualificar a liderança, começar a levantar ministérios, começar a conceder dons às pessoas, porque Ele está aqui como Cabeça efetivo, e não apenas como uma figura simbólica.

    Mas a outra área em que estão os nossos problemas é o lugar do homem no exercício da autoridade do Senhor Jesus Cristo como Cabeça.

    Há um lugar para o homem no exercício da autoridade de Jesus Cristo como Cabeça. Há aqueles chamados presbíteros. Há aqueles chamados diáconos. Em uma esfera mais ampla, há o ministério apostólico.

    Algumas pessoas nos dizem que não existe ministério apostólico. No entanto, quando olhamos para a história da igreja, descobrimos que, em cada movimento do Espírito de Deus — sejam eles chamados apóstolos ou não —, há homens que têm uma unção singular.

    Um dos nossos problemas é que, sempre que começamos a enfrentar dificuldades, reagimos contra elas e seguimos na direção oposta. Nunca, jamais, construam coisa alguma com base em reações. As reações raramente estão certas.

    Martinho Lutero foi tão longe em seus primeiros anos que é quase inacreditável o quanto avançou. Por muitos anos, algumas de suas cartas foram mantidas fora de circulação porque tratavam do batismo. Nos últimos trinta ou quarenta anos, essas cartas foram publicadas.

    Escrevendo a Filipe Melanchthon, Martinho Lutero disse: “Precisamos questionar seriamente toda a questão do batismo infantil. Precisamos permanecer abertos ao Senhor quanto a saber se o Novo Testamento ensina o batismo de crentes”.

    Ele também foi profundamente influenciado pelos chamados Irmãos da Boêmia. Eles tinham uma forma de se reunir que era tão próxima do padrão do Novo Testamento quanto possível. A visão de Martinho Lutero era que essa deveria ser a maneira pela qual os crentes se reuniriam por toda a Europa.

    Então, um grupo de homens que se intitulavam profetas começou a fazer previsões. Uma cidade inteira e a região ao redor passaram a segui-los. Eles praticavam o amor livre, falavam em línguas, profetizavam e se envolveram em uma confusão terrível.

    Lutero e os outros reformadores ficaram tão horrorizados e reagiram com tanta força que recuaram completamente e nunca mais conseguiram encarar certas coisas nas Escrituras.

    A Reforma terminou não por causa do que o diabo fez por meio dos falsos profetas, mas por causa das reações de Martinho Lutero e dos outros reformadores ao que estava errado.

    O diabo introduziu isso para que eles recuassem para dentro do sistema católico e nem sequer voltassem a pensar no batismo.

    Corremos o risco de fazer a mesma coisa. Vemos coisas que contêm verdade, mas uma verdade distorcida a tal ponto que se torna falsidade. Corremos um grande risco de jogar fora o bebê junto com a água do banho.

    Vemos, em muitas áreas, essa ideia de autoridade que, na minha avaliação, não é genuína. É abuso de autoridade. Por causa disso, ficamos tão amedrontados que reagimos e reagimos, até não conseguirmos mais pensar no assunto.

    Precisamos ter muito cuidado aqui. A verdade é verdadeira.

    Só porque o maior número de pessoas que morrem acidentalmente morre por intoxicação alimentar, não deixamos de comer. Podemos ser mais cuidadosos com o que comemos, mas não desistimos de comer. Porque o divórcio está aumentando cada vez mais, não deixamos de celebrar casamentos.

    A Escritura diz que a igreja é edificada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas. Existe autoridade apostólica, e existe ministério apostólico.

    Mas em nenhum lugar de toda a Bíblia é correto que apóstolos tomem as igrejas em suas mãos, governem-nas com vara de ferro, sistematizem-nas e as estruturem de modo que se tornem dependentes daquele apóstolo. Isso está errado. Está absolutamente errado.

    Os presbíteros também têm um lugar. Hebreus 13:17 diz:

    Obedecei aos que vos governam e sujeitai-vos a eles: porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria, e não com tristeza: porque isso não vos seria proveitoso.

    Quando Deus levanta homens que realmente são qualificados pelo Seu Espírito como presbíteros, como irmãos mais velhos, devemos obedecer-lhes. Devemos orar por eles. Devemos, por assim dizer, cobri-los em nome do Senhor.

    A autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, às vezes, se expressa por meio de homens. É aí que temos nosso problema, não é? Quando se trata de homens.

    A autoridade exercida no serviço

    Há um ensino segundo o qual toda essa questão da autoridade é como uma pirâmide. No topo, estão os presbíteros. Abaixo deles, estão os responsáveis e, na base, está a igreja.

    De muitas maneiras, isso não está errado. Há muito na Palavra de Deus sobre a autoridade dos presbíteros e do ministério apostólico. Mas gosto de apresentar isso de outra maneira.

    Os presbíteros nunca foram destinados a ser simplesmente uma exibição de autoridade: “Você faz o que eu digo. Sou presbítero. Apenas faça o que eu digo”.

    O ponto central do presbitério é que os presbíteros carregam o fardo e a angústia da igreja. Eles ficam por baixo do peso da igreja.

    1 Pedro 5:2-3 diz:

    Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, exercendo a supervisão, não por constrangimento, mas voluntariamente, segundo Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, mas tornando-vos exemplos para o rebanho.

    Nosso Senhor Jesus disse em Marcos 10:42-45:

    Sabeis que os que são considerados governantes dos gentios dominam sobre eles; e os seus grandes exercem autoridade sobre eles. Mas não é assim entre vós: antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande será vosso servo; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro será servo de todos. Porque também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos.

    O que essas palavras de nosso Senhor Jesus dizem? Simplesmente isto: se você e eu quisermos ser presbíteros, ou ter qualquer autoridade desse tipo, precisamos ser escravos de toda a igreja.

    O Senhor usou duas palavras aqui. Primeiro, usou a palavra para um servo contratado e, em segundo lugar, a palavra para um escravo. Um escravo, é claro, não tinha direito algum.

    Quem quiser tornar-se grande entre vocês precisa ser servo. Quem quiser ser o primeiro precisa ser escravo de todos.

    Como seria bom se essa ideia de autoridade não tivesse sido distorcida em nossa mente. Nossa ideia de autoridade é a de pessoas que podem andar por aí dizendo: “Faça isto”, e você faz; “Faça aquilo”, e você faz; “Você precisa me obedecer”.

    A verdadeira autoridade estava em nosso Senhor Jesus Cristo quando Ele entregou Sua vida por nós e permitiu que as próprias criaturas que havia criado O pregassem em uma cruz que Ele havia criado.

    Nossa ideia de realeza, de condição de rei, de linhagem, de posição e da aura da realeza é, com muita frequência, inteiramente exterior. Mas nosso Senhor Jesus não era assim.

    Quando o Senhor Jesus saiu do jardim do Getsêmani, tiraram-Lhe as roupas. Deixaram-No nu. Tiraram Dele toda a aura da realeza. Cuspiram Nele. Arrancaram os pelos de Sua barba. Dilaceraram Suas costas com açoites. Vestiram-No com um manto escarlate, colocaram uma cana em Sua mão, apertaram uma coroa de espinhos sobre Sua cabeça, curvaram-se diante Dele e disseram: “Salve, Rei dos judeus”.

    No entanto, foi naquele momento, quando o Senhor Jesus foi despojado de todos os acessórios da realeza, que Ele foi mais régio do que jamais havia sido. Revelou que Sua realeza não se apoia em posição, título, roupas ou coisas exteriores. Ela se apoia no caráter interior.

    Nenhuma coroa que jamais adornou a fronte de um monarca foi mais poderosa do que a coroa de espinhos, e nenhum cetro na mão de algum grande déspota jamais foi mais poderoso do que a cana nas mãos do Senhor Jesus Cristo.

    Ele provou, de uma vez por todas, que era digno de ser Rei dos reis e Senhor dos senhores. Qualquer um que possa ser despojado de toda a aura da realeza e ainda assim sair como rei é digno do trono de Deus.

    Esse é um tipo de realeza do qual você e eu nada sabemos. Algumas pessoas parecem pensar que, um dia, no reino vindouro, todos nós nos sentaremos em tronos de ouro, espalhados pelos salões do céu, com diamantes reluzindo nas mãos, simplesmente nos exibindo como reis.

    Deus nos guarde se alguns cristãos algum dia chegarem a esses tronos com esse temperamento mesquinho e rabugento que têm.

    A realeza não está nas coisas exteriores. Está no caráter. Está na vida. Está na natureza. Todo aquele que quiser chegar ao trono de Deus precisa seguir o caminho do Senhor Jesus Cristo.

    Há momentos em que seremos despojados de tudo, ridicularizados, escarnecidos e desvalorizados. É nesses momentos que a verdadeira realeza será encontrada em nós.

    Nenhum homem deveria ser presbítero se não estiver disposto a dar sua vida pela igreja. Nenhum homem pode ser apóstolo, ou exercer uma obra ou um ministério apostólico, se não estiver disposto a dar sua vida pelo Senhor e pelo povo de Deus.

    Caso contrário, homens chegarão a posições em que se gloriarão, construirão seus próprios pequenos impérios e estarão interessados em criar uma plataforma para si mesmos. Muitos dos nossos grupos e reuniões de comunhão nos lares podem se tornar plataformas para pequenos ditadores.

    Esse princípio da autoridade não é uma questão de força exterior ou de aparatos exteriores, dependente de posição e título. Um homem é qualificado como presbítero porque consegue abrir mão de seu nome, de sua reputação e de cada coisa que possui, e está disposto a se tornar escravo de toda a igreja, para que a igreja seja edificada.

    É por isso que coloco os presbíteros na base. Eles assumem todo o peso. Carregam toda a igreja no coração. Tudo pesa sobre eles.

    1 Coríntios 4:1 e 1 Coríntios 4:9-13 dizem:

    Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Porque penso que Deus nos expôs, a nós, apóstolos, em último lugar, como condenados à morte: pois nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos como a homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vós sois sábios em Cristo; nós somos fracos, mas vós sois fortes; vós tendes honra, mas nós, desonra. Até esta presente hora, temos fome e sede, estamos nus, somos esbofeteados e não temos morada certa; e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos: quando injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando difamados, rogamos: temos sido feitos como o lixo do mundo, a escória de todas as coisas, até agora.

    Meu querido amigo, isso é apostolado. Se tivéssemos esse tipo de autoridade apostólica, que mudança haveria na vida do povo de Deus!

    Não há construção de impérios aqui. Não há uma estruturação de tudo segundo nós mesmos. Não há exibição do nosso próprio poder, título e posição. Aqui estão homens dispostos a morrer — condenados à morte — para que a igreja conheça a vida de ressurreição.

    A autoridade de Cristo manifestada na terra

    Se quiserem ver esse princípio da autoridade, olhem para nosso Senhor Jesus Cristo. Se virem Nele qualquer coisa gananciosa, qualquer agressividade egoísta ou qualquer egocentrismo, eu gostaria de saber.

    O princípio da autoridade é que um homem pode ser pregado na cruz pelas próprias pessoas a quem veio servir e, naquele momento, ter autoridade suprema.

    O princípio da autoridade é que as próprias pessoas a quem você veio salvar podem tirar de você cada coisa que possui, feri-lo e matá-lo — e, naquele momento, você reina de maneira suprema.

    Isso é autoridade espiritual. Essa é a autoridade de que precisamos. Não queremos autoridade mundana. Não queremos aquilo que pertence ao mundo da pompa, da exibição, da posição e do título.

    Jesus disse:

    Vós não sereis chamados Rabi: porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai: porque um só é o vosso Pai, Aquele que está nos céus. Nem sejais chamados mestres: porque um só é o vosso Mestre, o Cristo.

    Precisamos dessa autoridade. Ela não é um luxo. É um princípio. Sem ela, a comunhão se desfará. Sem ela, haverá uma dissipação de todos os valores da obra consumada de nosso Senhor Jesus Cristo.

    Uma última coisa: que consequências maravilhosas há quando a autoridade de Cristo está presente, quando Sua posição como Cabeça é uma realidade viva e prática, e quando há verdadeira comunhão entre um grupo do povo de Deus.

    O grande resultado é que a autoridade do Cabeça ressurreto e glorificado da igreja se manifesta na terra.

    2 Coríntios 10:3-5 diz:

    Porque, embora andemos na carne, não militamos segundo a carne; pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas diante de Deus para a destruição de fortalezas; derrubando imaginações e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.

    Ah, que possamos conhecer tal autoridade, para que nós, como povo de Deus, onde quer que estejamos, conheçamos a manifestação da autoridade de nosso Cabeça ressurreto em nosso meio.

    Há fortalezas, redutos, pontos fortificados de Satanás em nossa região, e nunca conheceremos libertação até que essas coisas sejam derrubadas. Há imaginações que mantêm as pessoas presas em seu domínio e escravidão, coisas altivas que se levantam contra o conhecimento de Deus.

    Cada coisa começa com um pensamento. O comunismo e o marxismo começaram com um pensamento na cabeça de Karl Marx. O maoismo começou com um pensamento na cabeça do presidente Mao.

    Se ao menos a igreja pudesse levar esses pensamentos, logo no início, cativos à obediência de Cristo.

    Deus deu chaves à igreja — não um enfeite, mas chaves. Chaves são poder. Chaves são autoridade.

    Deus deu à igreja as chaves do reino dos céus.

    Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

    Esse é o princípio da autoridade. Ah, que Deus opere tal comunhão no coração de todos nós, para que possamos conhecer algo desse princípio da autoridade.

    Oração final

    Senhor, nós nos curvamos aqui diante de Ti. Oramos juntos para que, de alguma maneira, Senhor, Tu nos reveles essa questão da autoridade.

    Tu vês, Senhor, todas as muitas coisas que estão acontecendo pelo mundo inteiro em relação à autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo. De uma coisa temos clareza, Pai: Tu constituíste nosso Senhor Jesus como Cabeça sobre todas as coisas para nós, a igreja.

    Reconhecemos esse fato glorioso e confessamos que Ele é o nosso Cabeça. Ó amado Senhor, oramos para que graves essa verdade em nosso coração pelo Teu Espírito. Dá-nos clareza a respeito disso, Senhor. Dá-nos uma compreensão direta disso como nunca tivemos antes.

    Ajuda-nos a manter-nos firmes no Cabeça e, assim, descobrir o corpo. Ajuda-nos a crescer em todas as coisas Nele como Cabeça, Pai, para que conheçamos o corpo edificando a si mesmo em amor.

    Ó Pai, oramos para que esclareças todas essas ideias sobre o lugar do homem no exercício da autoridade do Senhor Jesus Cristo como Cabeça. Dá-nos homens, Senhor, que sejam abnegados; homens que sejam crucificados; homens, Pai, que conheçam o poder, a plenitude e a unção do Espírito Santo.

    Dá-nos homens assim como líderes, Senhor, nós Te pedimos. Ó nosso amado Cabeça, que a palavra seja dada para que se levantem homens assim, que sejam exemplos para todo o rebanho de Deus.

    Senhor, levanta homens com ministério e autoridade apostólicos — homens que deem a própria vida, Pai, para que a Tua obra avance neste mundo.

    Pai, aqui entregamos tudo isso a Ti. Tu sabes, Senhor, que falei dessa questão da autoridade do meu jeito infantil. Ó Deus, usa as palavras que Tu me capacitaste a dizer pelo Teu Espírito para gravar essa questão em cada coração, a fim de que sejamos daqueles que realmente seguem o Cordeiro por onde quer que Ele vá.

    Pedimos isso em Seu nome. Amém.