Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus.
Mateus 16:18:
Também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Atos 1:6-9:
Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-Lhe, dizendo: Senhor, restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel?
E Ele lhes disse: Não vos compete conhecer os tempos ou as épocas que o Pai estabeleceu pela Sua própria autoridade.
Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo: e sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.
E, tendo Ele dito essas coisas, enquanto eles olhavam, foi elevado; e uma nuvem O recebeu, ocultando-O aos seus olhos.
Atos 1:12-14:
Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, à distância de uma jornada de sábado.
E, entrando, subiram ao cenáculo, onde permaneciam; estavam ali Pedro, João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago.
Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos Dele.
Atos 2:1-4:
E, ao chegar o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
E de repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados.
E apareceram-lhes línguas que se repartiam, como de fogo; e sobre cada um deles pousou uma.
E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
Vamos fazer uma oração.
Querido Pai celestial, nosso coração está cheio de gratidão por sabermos que Tu nos amas tanto, a ponto de nos dares o Teu Filho amado, nosso Senhor Jesus.
Senhor, queremos mesmo agradecer-Te por nos amares tanto, a ponto de vires a esta terra, ires à cruz, derramares o Teu sangue e teres o Teu corpo partido. Tudo isso foi por nós. Oh, nós Te louvamos e Te agradecemos porque podemos nos reunir nesta manhã. Tudo isso é por causa do que Tu fizeste por nós.
E agora, Senhor, pedimos que, pelo Teu Espírito, abras a Tua Palavra para nós e nos atraias. Conduze-nos à Tua verdade, para que o Teu nome seja glorificado. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Há algum tempo, temos considerado a vida de Cristo. Há alguns meses, começamos a tratar da vida da igreja.
Entendemos que a vida da igreja nada mais é do que a continuação da vida de Cristo, porque em Atos 1 nos é dito que, quando Lucas escreveu seu primeiro relato, escreveu sobre tudo o que nosso Senhor Jesus começou a fazer e a ensinar.
Nesse segundo relato, quando escreveu o livro de Atos, ele apresentou a continuação do fazer e do ensinar de nosso Senhor Jesus. No Evangelho de Lucas, nosso Senhor Jesus ensinou e fez coisas em Seu corpo físico; mas, no livro de Atos, Ele continuou a fazer e a ensinar em um corpo místico, coletivo.
Portanto, a vida da igreja, na verdade, nada mais é do que a continuação da vida de Cristo.
O conceito da igreja não é algo recente. Embora a igreja tenha nascido no dia de Pentecostes, há dois mil anos, ela foi concebida no pensamento de Deus antes mesmo da fundação do mundo.
Em Efésios 3, somos informados de que, antes mesmo da fundação do mundo, Deus estabeleceu um propósito em Cristo Jesus, e esse propósito diz respeito à igreja de Deus. Estava oculto; era um mistério. Mas agora foi revelado pelo Espírito Santo aos profetas e aos apóstolos. Portanto, para nós hoje, é um segredo revelado.
Nesta manhã, gostaríamos de continuar a tratar da vida da igreja, considerando seu nascimento. Primeiro, o conceito — que é eterno — e agora passaremos ao seu nascimento.
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, certa vez disse:
Tu és Pedro.
Uma rocha, uma pedra.
Edificarei a Minha igreja sobre esta rocha.
Essa rocha é a confissão de Pedro.
Pedro confessou que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo. Sobre essa confissão, sobre essa rocha, nosso Senhor Jesus disse: “Edificarei a Minha igreja com você, uma pedra, e com muitas outras pedras vivas”.
Quem é o Edificador da igreja? Oh, Deus. O Senhor disse:
Edificarei a Minha igreja.
E então nos lembramos de Hebreus 11:10. Abraão aguardava uma cidade que tem fundamentos, cujo Arquiteto e Edificador é Deus. Assim, somos informados de que a igreja, essa cidade com fundamentos, é planejada e edificada por ninguém menos que o próprio Deus.
É claro que sabemos que o Espírito Santo é o Espírito de sabedoria e de entendimento, de conselho e de poder. Ele também é Aquele que edifica a igreja.
Vocês se lembram de quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo e assumiu um corpo físico. Isso aconteceu porque o Espírito Santo cobriu Maria com Sua sombra. Portanto, foi o Espírito Santo Quem deu o corpo ao nosso Senhor Jesus.
Da mesma forma, é o Espírito Santo Quem dá à luz a igreja, o corpo de Cristo. Portanto, irmãos e irmãs, a igreja é edificada por ninguém menos que o próprio Deus. O Pai a propôs, o Filho a preparou, e o Espírito Santo a realiza.
Portanto, o resultado é algo santo. Espero sinceramente, irmãos e irmãs, que nos lembremos de que a igreja é obra de Deus. Não é obra do homem.
Assim como o conceito da igreja é um conceito divino, também a obra, a edificação da igreja, é uma edificação santa. É obra de Deus.
Depois que nosso Senhor Jesus ressuscitou dentre os mortos, Ele apareceu aos Seus discípulos durante quarenta dias. Então os levou ao monte das Oliveiras.
Mesmo naquele momento, Seus discípulos, por serem judeus, ainda pensavam na restauração da nação de Israel. Eles viram nosso Senhor Jesus ressuscitado dentre os mortos. Ele venceu a morte. Todo poder, toda autoridade, no céu e na terra, havia sido dado a Ele.
Então, naturalmente, pensaram: “Este deve ser o momento em que Ele restaurará o reino de Israel”. Contudo, nosso Senhor Jesus tinha algo muito, muito melhor — maior do que simplesmente restaurar a nação de Israel.
É verdade que, um dia, no tempo de Deus, a nação de Israel será restaurada. Mas, antes que isso aconteça, um reino maior — o reino dos céus, o reino do Filho do amor de Deus — deve ser edificado primeiro.
Assim, nosso Senhor Jesus disse aos Seus discípulos: “Esperem em Jerusalém até receberem a promessa do Pai. Vocês receberão poder e serão Minhas testemunhas desde Jerusalém, por toda a Judeia, Samaria e até os confins da terra”.
Em outras palavras, durante o período que vai da ascensão de nosso Senhor Jesus ao céu até Sua volta a esta terra, Ele quer que nos ocupemos com esse reino celestial: que sejamos Suas testemunhas desde Jerusalém, por toda a Judeia, passando por Samaria e até os confins da terra.
Cento e vinte de Seus discípulos voltaram para Jerusalém. Foram àquele cenáculo e ali perseveraram unanimemente em oração, aguardando a promessa do Pai.
E sabemos que, no dia de Pentecostes, a igreja nasceu.
Mas, irmãos e irmãs, antes de entrarmos nessa história do nascimento da igreja, creio que precisamos considerar juntos uma lei muito básica e universal: a lei do nascimento.
Qual é a lei do nascimento? A lei do nascimento é a lei do trabalho de parto. Se não há trabalho de parto, não há nascimento.
Lembramo-nos de Gênesis 3:16. Deus disse à mulher:
Multiplicarei grandemente a tua dor e o teu trabalho de parto;
com dor darás à luz filhos.
Depois da queda do homem, o trabalho de parto seria acompanhado de dor. Mas, antes da queda do homem, parece-me que essa lei já existia: sem trabalho de parto, não poderia haver nascimento. Contudo, depois que o pecado entrou neste mundo, o trabalho de parto tornou-se doloroso.
Agora, quanto ao nascimento da igreja, está claro que ele se deve ao trabalho de parto de nosso Senhor Jesus.
Ele passou por esse trabalho de parto quando Se esvaziou e assumiu a forma de servo, sendo encontrado em figura humana ao vir a este mundo. Ele passou por esse trabalho de parto quando desceu às águas do rio Jordão para ocupar, por nós, o lugar de um pecador.
Ele passou por esse trabalho de parto durante toda a Sua vida. Passou por ele no jardim do Getsêmani. Somos informados de que Seu suor era como grandes gotas de sangue que caíam no chão.
Ele passou por esse trabalho de parto na cruz do Calvário, quando clamou:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
Tudo isso se deve ao trabalho de parto de nosso Senhor Jesus.
Para ter certeza de que Ele estava morto, um soldado cravou a lança em Seu lado. De Seu lado saíram sangue e água. O apóstolo João testemunhou isso e disse: “O que vi, aquilo de que dei testemunho, era verdade. Vi sangue e água saindo de Seu coração partido”.
E, irmãos e irmãs, sabemos que são o Seu sangue e a Sua água que edificam a igreja. Sabemos que é o sangue de nosso Senhor Jesus que nos purifica de todos os nossos pecados, e é a Sua vida, derramada como água, que nos dá nova vida.
Com aquilo que saiu Dele, Deus edifica a igreja. Assim, Ele verá o fruto do trabalho de Sua alma e ficará satisfeito.
Mas não podemos esquecer que não foi apenas Deus Filho Quem passou por um doloroso trabalho de parto para o nascimento da igreja. Sabemos que Deus Pai passou por esse trabalho de parto tanto quanto o Filho.
Pensem nisso: Deus abandonou Seu Filho unigênito. A comunhão entre o Pai e o Filho existia desde a eternidade, e não houve um segundo, um momento sequer, de interrupção. Mesmo quando o Filho veio a esta terra, nosso Senhor Jesus disse: “Meu Pai está sempre Comigo, e Eu sempre agrado ao Pai”.
Contudo, por nossa causa, por Seu amor por nós, Deus Se dispôs a abandonar Seu Filho e até mesmo a esmagá-Lo na cruz. Não é de admirar que, do meio-dia às três da tarde daquele dia, o sol tenha escurecido, como se o Pai tivesse escondido Seu rosto. Ele não queria ver Seu Filho esmagado até a morte.
Não podemos imaginar como o Pai passou por esse doloroso trabalho de parto para o nascimento da igreja.
E agora, é claro, no dia de Pentecostes, a Bíblia diz que houve um vento soprando. No original, vejam, trata-se de uma respiração ofegante. É como se Deus Espírito Santo estivesse em trabalho de parto, e Sua respiração fosse ofegante. Por meio dessa respiração ofegante, a igreja nasceu.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, devemos nos lembrar de que a igreja não é apenas um conceito divino desde a eternidade. Ela é obra de Deus — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — e, por isso, é algo santo.
Mas precisamos nos lembrar de que, para o nascimento da igreja, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo passaram por um doloroso trabalho de parto, e isso trouxe a igreja à existência.
Mas, além disso, vemos que naquele cenáculo havia cento e vinte crentes.
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, havia mais de cento e vinte discípulos. Em certa ocasião, Ele apareceu a mais de quinhentos irmãos. Mas apenas cento e vinte, em obediência à ordem do Senhor, reuniram-se naquele cenáculo.
Eles não esperavam passivamente, mas ativamente. Unanimemente, oraram durante dez dias.
Que quadro vocês veem aqui? Vocês veem que não há apenas o trabalho de parto de Deus, mas que, em resposta a Deus e em sintonia com Ele, cento e vinte crentes assumiram a responsabilidade de entrar em trabalho de parto por aquilo que Deus desejava.
Foi por meio da oração em trabalho de parto desses cento e vinte crentes que chegou o dia de Pentecostes. Naquele dia, esses cento e vinte crentes foram batizados no Espírito Santo em um só corpo.
Irmãos e irmãs, a lei do nascimento é a lei do trabalho de parto. Isso não é verdade apenas quanto ao nascimento da primeira igreja na terra. É um princípio que deve ser aplicado a todo nascimento da igreja de Deus, ao longo das eras e em toda a terra.
Foi assim no primeiro século, no início da primeira igreja, e deve ser assim sempre que uma igreja surgir nesta terra. Se ela vem pelo nascimento, precisa vir com trabalho de parto.
A igreja não é algo que se organiza. A igreja precisa nascer. Para que uma igreja nasça, é preciso haver trabalho de parto. Alguns santos, em algum lugar da terra, precisam ter recebido esse encargo de Deus e começado a entrar em trabalho de parto pelo nascimento da igreja.
Por meio da oração deles em trabalho de parto, Deus responderia com o nascimento de uma igreja. Portanto, espero sinceramente, irmãos e irmãs, que vejamos, desde o princípio, que a igreja é algo glorioso. Ela vem em glória, mas a glória é precedida pelo trabalho de parto.
No dia de Pentecostes, depois que esses cento e vinte haviam orado juntos, preparando-se e aguardando a promessa do Pai, de repente houve uma respiração ofegante, um sopro sobre aquela casa, que encheu o aposento.
Então línguas como de fogo pousaram sobre cada um dos cento e vinte que estavam ali. Eles ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, falando das grandezas de Deus.
Geralmente pensamos em Pentecostes em termos do que se ouve e do que se vê. Somos mais atraídos pelos fenômenos. Interessamo-nos pelo que é individual.
Quando pensamos em Pentecostes, geralmente é assim que pensamos. Pensamos no som, em um vento soprando. Pensamos no que se vê, em línguas como de fogo descendo. Pensamos no fenômeno de falar em línguas. Pensamos no que é individual: cada um é cheio do Espírito Santo e fala das grandezas de Deus.
Agora, irmãos e irmãs, essas coisas são verdadeiras. Mas Pentecostes é muito mais do que isso.
Precisamos compreender o que de fato aconteceu, e não apenas os fenômenos. Precisamos entrar na realidade, não apenas no que é externo, porque é isso que Deus fez.
A maravilha de Pentecostes não está no que se ouve e no que se vê. Não está apenas nesses fenômenos. A maravilha de Pentecostes é que Deus fez algo tremendo, grandioso, maravilhoso e glorioso.
Agora, qual é o significado de Pentecostes? O que Deus fez naquele dia?
Se vocês ouvirem Pedro, verão que ele se levantou porque a notícia se espalhou. Creio que os cento e vinte devem ter saído daquele cenáculo, talvez para o Pórtico de Salomão, porque era ali que os discípulos costumavam se reunir nos primeiros dias.
Era um lugar amplo, pois vemos que a notícia se espalhou e parecia que toda a cidade havia se reunido. Aquele cenáculo era pequeno demais para isso. Portanto, evidentemente, eles devem ter ido para o Pórtico de Salomão.
Ali, Pedro se levantou com os onze e apresentou a primeira mensagem. Ele explicou os fenômenos. Explicou o que havia acontecido, porque as pessoas se perguntavam o que era aquilo.
Alguns diziam que eles estavam embriagados com vinho novo. Pedro disse: “Não, ainda é de manhã, são nove horas. Não pode ser isso”. Então explicou o significado de Pentecostes.
Atos 2:33:
Exaltado, pois, à direita de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, Ele derramou isto que vós vedes e ouvis.
O que havia acontecido era resultado da exaltação de nosso Senhor Jesus. Quando nosso Senhor Jesus foi exaltado à direita do Pai, recebeu de Deus Pai a promessa do Espírito Santo e O derramou. Portanto, era isso que estava acontecendo.
Então, em Atos 2:36, Pedro diz:
Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Cristo a este Jesus, a Quem vós crucificastes.
Quando vocês relacionam Atos 2:33 com Atos 2:36, passam a enxergar o significado do derramamento do Espírito Santo. Passam a enxergar o significado do batismo do Espírito Santo.
O que isso significa? Significa que Deus fez Jesus Senhor e Cristo. Esse é o significado de Pentecostes.
O Espírito Santo desceu para dar testemunho de uma coisa: Jesus é Senhor. Ele é Senhor de toda a terra. Ele é o Cristo, o Ungido, Aquele que realizou o que Deus O enviou para fazer.
Ele não é apenas o Salvador; Ele também é o Sumo Sacerdote, o Cristo. Portanto, irmãos e irmãs, o que o Espírito Santo fez foi exatamente isto: a exaltação de Cristo.
Deus O fez Senhor e Cristo. Ele é a Cabeça.
Pelo Espírito Santo, devemos reconhecer que Jesus é Senhor. Ele é a única Cabeça do universo. Ele é a nossa Cabeça. Ele é a Cabeça da igreja.
Agora, esse é um lado de Pentecostes. O outro lado é explicado em 1 Coríntios 12:13. Sabemos que as epístolas explicam a história encontrada nos Atos dos Apóstolos.
1 Coríntios 12:13:
Pois em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres;
e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
O batismo com o Espírito Santo realiza duas coisas. Uma delas é revelar-nos que Jesus é Senhor. Ele é Senhor de todos, o único Senhor, o único Rei, a única Cabeça.
Ele também nos revela outra coisa: em um só Espírito, fomos todos batizados em um só corpo, e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
Primeiro, vocês têm a Cabeça. Depois, têm o corpo.
Os cento e vinte naquele cenáculo — eram eles a elite, a nata dos discípulos de nosso Senhor Jesus? Ali estavam os onze apóstolos. Eles haviam estado com o Senhor por mais de três anos.
Ali estavam outros irmãos que seguiram o Senhor desde os dias de João Batista até a ascensão de nosso Senhor Jesus. Havia algumas mulheres, a mãe de Jesus e até mesmo os irmãos segundo a carne de nosso Senhor Jesus.
Vocês se lembram de que, quando nosso Senhor estava na terra, Seus irmãos não criam Nele. Contudo, depois de Sua morte e ressurreição, todos se converteram e confiaram Nele. Portanto, esses eram os irmãos.
Aqui vocês encontram cento e vinte. Quando olham para cada um deles, veem que cada um tinha uma história. Hoje diríamos que cada um era um bom cristão.
Embora esses cento e vinte fossem a elite dos discípulos de nosso Senhor Jesus, dedicados a Cristo, eles conseguiram se reunir unanimemente. Agora, é muito difícil que cento e vinte pessoas estejam em unanimidade.
Se estivessem em unanimidade por um minuto, talvez fosse possível. Mas por dez dias, dedicando-se à oração contínua — não apenas orando por cinco minutos, mas em oração contínua —, vocês encontram essa congregação de cento e vinte membros reunida durante dez dias.
Creio que, se há algum pastor que não admiraria uma congregação assim e não desejaria tê-la, eu não sei quem seria.
Contudo, irmãos e irmãs, era apenas uma congregação, uma reunião de cento e vinte membros. Ainda não havia aquele crescimento conjunto e orgânico.
Por ser uma congregação, eles podiam se reunir e podiam se dispersar. Não havia uma união orgânica.
Mas a maravilha de Pentecostes é esta: naquele dia, em um só Espírito, esses cento e vinte foram batizados em um só corpo.
Eles já não eram uma congregação de cento e vinte membros. Tornaram-se um corpo com cento e vinte membros. Irmãos e irmãs, vocês veem a diferença?
Uma coisa é uma reunião exterior; a outra é uma união interior que os torna um.
A todos eles foi dado beber de um só Espírito. O Espírito Santo não apenas veio sobre eles e lhes deu poder para serem testemunhas; o Espírito Santo entrou neles, e a todos foi dado beber de um só Espírito.
Agora, isso é Pentecostes.
Muitas vezes pensamos na obra do Espírito Santo como Aquele que nos convence, mostrando-nos o pecado e a justiça. Pensamos no Espírito Santo como Aquele que nos gera, porque o que é nascido do Espírito é espírito.
Mas, irmãos e irmãs, vocês sabem que, quando creem no Senhor Jesus, não apenas nascem do Espírito, mas, ao mesmo tempo, são batizados no Espírito em um só corpo?
Qual é o significado de Pentecostes? Cristo como Cabeça e o corpo de Cristo.
Vocês não podem separar a Cabeça do corpo, nem o corpo da Cabeça. Precisam ver primeiro a Cabeça, e então compreenderão que são o Seu corpo.
Portanto, irmãos e irmãs, a maravilha de Pentecostes é que, naquele dia, Cristo, o Cristo ressurreto, assumiu um corpo coletivo. Nesse corpo coletivo, Ele continua a fazer e a ensinar.
Essa é a história da vida da igreja.
Mencionei antes que sempre pensamos em termos de indivíduos. Mas, se entrarmos na plenitude do propósito de Deus, precisamos enxergar que, embora sejamos salvos individualmente, Deus fez algo muito maior do que simplesmente salvar indivíduos.
É verdade que nenhuma outra pessoa pode ser salva em seu lugar. Cada um precisa se arrepender, crer no Senhor Jesus e ser salvo. É verdade que, como crentes individuais, precisamos buscar crescer pessoalmente, tendo um relacionamento pessoal com nosso Senhor Jesus. Isso é importante.
Mas, irmãos e irmãs, lembremo-nos: Deus fez algo muito maior do que simplesmente tratar com indivíduos. Ele nos reuniu e nos fez um só corpo.
Hoje somos membros uns dos outros. Em outras palavras, surge um relacionamento — não apenas um relacionamento com a Cabeça, mas um relacionamento uns com os outros.
Creio que é evidente que não podemos viver sem nosso Senhor Jesus, sem a nossa Cabeça.
Lembro-me de quando nosso irmão Watchman voltou da Inglaterra. Ele havia visitado um irmão idoso, George Cutting. Naquela época, creio que ele já tinha mais de noventa anos. Foi ele quem escreveu Segurança, certeza e gozo, aquele folheto que Deus usou para salvar muitas pessoas.
Quando nosso irmão foi visitá-lo, ele estava tão idoso que permanecia na cama, inconsciente durante a maior parte do tempo. Mas, de vez em quando, despertava e recobrava a consciência. Então nosso irmão ficou sentado ao lado da cama, esperando que ele recobrasse a consciência.
Quando recobrou a consciência, disse ao nosso irmão: “Não posso viver sem Ele, e Ele não pode viver sem mim”. Depois voltou a dormir.
Agora, irmãos e irmãs, creio que está claro que não podemos viver sem Ele. Como podemos viver sem Cristo? Mas será que já compreendemos que Ele não pode viver sem vocês?
Nosso Senhor Jesus não pode viver sem vocês. Ele precisa de vocês, assim como vocês precisam Dele. Há um relacionamento entre vocês e o Senhor que é tão precioso.
Então nosso irmão ampliou isso e nos disse: “Não devemos apenas dizer ao Senhor: ‘Não posso viver sem Ti. Graças a Deus, Tu não podes viver sem mim’”.
Mas devemos dizer uns aos outros: “Não posso viver sem você, e você não pode viver sem mim”.
Por que não posso viver sem Ele, e Ele não pode viver sem mim? Porque Ele é a Cabeça, e eu sou parte de Seu corpo.
Como membro do corpo, como posso viver sem uma Cabeça? Mas a Cabeça dirá: “Como posso viver sem você? Porque você é Meu membro. Não posso expressar-Me. Não posso alcançar Minha plenitude se não tiver você”.
Irmãos e irmãs, o mesmo é verdade quanto a sermos membros uns dos outros. Será que conseguimos enxergar, ou já chegamos a enxergar, que não podemos viver uns sem os outros?
Recentemente, estive em Toronto, e alguns irmãos estavam reunidos. Um irmão fez uma confissão. Ele se voltou para um dos irmãos e disse: “Irmão, não posso viver sem você”.
Mas se voltou para outro irmão e disse: “Não tenho o mesmo sentimento em relação a você”. Foi uma confissão, e isso me tocou profundamente.
Quantas vezes dizemos a um irmão ou a uma irmã: “Sim, somos tão próximos. Não posso viver sem você”. Mas logo nos voltamos para outro e, na prática, dizemos: “Não preciso de você. Posso seguir em frente sem você”.
Como isso é triste.
Que o Senhor realmente nos mostre o que Ele fez no dia de Pentecostes. Ele nos introduziu em um só corpo, irmãos e irmãs, e precisamos compreender que não podemos viver uns sem os outros.
Precisamos pedir ao Senhor que nos leve ao ponto em que possamos dizer sinceramente: “Não posso viver sem nenhum irmão ou irmã; preciso de todos os meus irmãos e irmãs”.
O mesmo será dito a meu respeito. Por menor que eu seja como membro, os outros irmãos e irmãs dirão: “Não, você é necessário. Preciso de você”.
Essa é a maravilha de Pentecostes. Portanto, que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Querido Pai celestial, somos tão gratos porque, para o nascimento da igreja, Tu passaste por um doloroso trabalho de parto.
Somos tão gratos porque Tu nos trouxeste à existência. Que coisa gloriosa é a igreja, o corpo de Cristo.
Nós Te louvamos e Te agradecemos porque estamos nesse corpo. Reconhecemos nosso Senhor Jesus como nossa Cabeça. Não há outra Cabeça além de Cristo Jesus.
Reconhecemos que somos apenas membros e, ainda assim, membros uns dos outros, pertencentes ao mesmo corpo.
Senhor, pedimos que, pelo Teu Espírito Santo, nos conduzas a essa gloriosa verdade: que não podemos viver sem Cristo, assim como Cristo não pode viver sem nós; e, da mesma forma, não podemos viver uns sem os outros.
Senhor, conduze-nos à Tua verdade, para que possas continuar a fazer e a ensinar por meio desse Teu corpo, até que um dia haja aquela união eterna.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.