Vou pedir que abram suas Bíblias, irmãos, em Josué, por favor, no capítulo 5.
Ao voltarmos ao estudo da Palavra de Deus, quero lembrá-los daquele princípio de estudo bíblico que é absolutamente indispensável — um princípio que muitas vezes damos por garantido, mas que não devemos dar por garantido. Se o tratarmos assim e o considerarmos útil, em vez de indispensável, vamos perder tudo: a dependência total do Espírito Santo de Deus.
Não é por acaso que o Senhor Jesus foi chamado de a Palavra, e que a Bíblia é chamada de a Palavra. Jesus é como a Bíblia: há dois lados, um humano e outro divino. Precisamos estudar o lado humano, mas, se isso for tudo o que vocês receberem — o lado humano —, não encontrarão o Senhor.
Na grande mensagem que Jesus deu sobre o pão da vida em João 6, Ele apresentou a prova pela qual vocês poderiam saber, com certeza, se foram ensinados por Deus. Como posso realmente saber que sou ensinado por Deus?
Está escrito nos profetas:
E todos serão ensinados por Deus.
Todo aquele que ouviu e aprendeu do Pai vem a Mim.
É assim que você sabe. Se isso o leva a Jesus, então você foi ensinado por Deus. Todos os que são ensinados pelo Pai, todos os que aprendem do Pai, vêm a Jesus.
Sabem, é possível vir a este Livro e não encontrar o Senhor. Não é possível vir ao Senhor e deixar de encontrar este Livro. Por isso, vou pedir que se unam a mim, por favor, enquanto oramos juntos e pedimos ao Senhor que Se revele a nós. Vamos inclinar a cabeça.
Nosso Pai, agradecemos mais uma vez pelas Tuas preciosas promessas na Palavra: que esconderias estas coisas dos sábios e entendidos e as revelarias aos pequeninos. Sabemos que não podemos produzir em nós uma atitude de criança. Tu precisas nos atrair, tornar-nos como criancinhas, para que possamos receber de Ti.
Agradecemos porque escondeste todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento no Senhor Jesus Cristo e, depois, nos convidaste a vir a Ele. Agradecemos porque Ele é um baú de tesouros, repleto, inteiramente repleto para nós. Pedimos que nos dês olhos para ver. Retira o véu nesta noite, para que possamos contemplar, de fato, o Senhor Jesus Cristo; e, ao vê-Lo, sejamos transformados.
Agradecemos antecipadamente por Te encontrares conosco e confiamos agora em Ti, Senhor, para responderes a esta oração muito além do que pedimos — não porque, de alguma maneira, mereçamos a resposta, mas porque o nosso Senhor Jesus merece a resposta. E oramos em Seu nome incomparável. Amém.
Bem-vindos novamente, irmãos, ao nosso breve estudo desta maravilhosa porção da Palavra de Deus. Estamos examinando a história redentora de Israel, desde a travessia do Jordão, em Josué 3, até a vitória em Ai, em Josué 8.
Para fazer uma rápida revisão, estamos examinando quatro acontecimentos maravilhosos:
Temos procurado nos concentrar, de modo especial, nos instrumentos que Deus usou para levar Seu povo redimido ao lugar em que pudesse entrar naquela terra, permanecer nela, viver nela e viver do que ela produzia. Aquela terra representava o nosso Senhor Jesus Cristo — a terra de leite e mel, retratando a vida de leite e mel nEle.
Para levar Seu povo através do Jordão, Ele usou os sacerdotes: aqueles que haviam ido primeiro pela fé, que haviam se firmado no terreno que Ele secara e que simplesmente permaneceram ali, sustentando a arca — aquela representação simbólica de Seu trono e de Sua realeza.
E, nesta manhã, examinamos a segunda ilustração, em Gilgal. Deus usou os anciãos para conduzi-los às Suas maravilhosas verdades, às Suas maravilhosas realidades, que Ele ensinou em Gilgal:
Em Gilgal, aprendemos — e precisamos ensinar aos outros — que estamos em Cristo, que fomos separados para Cristo, que devemos nos alimentar de Cristo e que devemos depender de Cristo para vencer a batalha. Foi até aí que chegamos.
Agora, gostaria de continuar nosso estudo nesta noite. Como podemos ajudar outros a ir de Gilgal a Jericó, para tomar posse da maravilhosa terra? Depois de atravessarmos o Jordão e aprendermos as lições de Gilgal, Deus nos leva a Jericó.
Como vocês podem imaginar, esta é a primeira batalha pela terra de Canaã naquela guerra de sete anos para possuir a terra. Vocês sabem como Deus escreveu a Bíblia: quando chegarem a qualquer primeira ocorrência, prestem muita atenção a ela. Nessa primeira ocorrência, encontrarão muitos princípios sobre como aquilo será desenvolvido.
Esta é a primeira vitória, e seria de esperar que fosse uma vitória estratégica, apresentando as chaves de toda vitória. De fato, é exatamente isso que encontramos aqui. Assim como olhamos para os sacerdotes em busca da sabedoria do céu sobre como atravessar o Jordão, e olhamos para os anciãos em busca da sabedoria do céu sobre como chegar a Gilgal, estou sugerindo agora que olhemos para Josué — o sucessor de Moisés, o líder designado por Deus — para aprendermos como tomar Jericó.
Josué 6 descreve a conquista de Jericó, mas quero começar de onde paramos. No final de Josué 5, Josué encontra o Príncipe do exército do Senhor. Vou pedir que acompanhem enquanto lemos novamente este maravilhoso texto, começando em Josué 5:13.
Sucedeu que, estando Josué perto de Jericó, levantou os olhos e olhou; e eis que um Homem estava em pé diante dele, com a Sua espada desembainhada na mão.
Josué foi até Ele e Lhe disse: “És Tu por nós ou pelos nossos adversários?”
Ele respondeu: “Não; antes, venho agora como Príncipe do exército do Senhor”.
Então Josué caiu com o rosto em terra, prostrou-se e Lhe disse: “Que diz meu Senhor ao Seu servo?”
O Príncipe do exército do Senhor disse a Josué: “Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo”.
E Josué assim fez.— Josué 5:13-15
A aparição do Príncipe do exército do Senhor — ou do Comandante do exército do Senhor — é, a meu ver, a passagem mais importante de todo o livro de Josué. Ela não contém apenas a chave da vitória em Jericó, mas todas as chaves de todas as vitórias em cada batalha que eles haveriam de enfrentar. É a chave da primeira batalha e de todas as batalhas.
Não creio que precise dedicar muito tempo ao fato de que esta é uma aparição da segunda Pessoa da Divindade, o Senhor Jesus Cristo. O Homem com a espada na mão é o Senhor Jesus em Sua forma pré-encarnada.
Uma evidência disso está em Josué 5:15, quando Ele disse:
Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo.
Certamente, isso identifica essa Pessoa com a mesma Pessoa que apareceu a Moisés na sarça ardente:
Tira os sapatos. Este é um lugar santo.
Somos gratos ao cardeal que nos deu as divisões em capítulos e versículos, mas às vezes discordamos delas, porque fazem cortes em lugares inadequados. Acho que esta é uma dessas divisões infelizes. Não creio que Josué 5 devesse ter terminado onde terminou; deveria continuar em Josué 6.
Aquele que fala no final de Josué 5 é o mesmo que fala no início de Josué 6. Quem é Ele?
Ora, Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos filhos de Israel; ninguém saía, nem entrava.
O Senhor disse a Josué: “Vê, entreguei Jericó na tua mão, com o seu rei e os seus valentes guerreiros”.— Josué 6:1-2
“O Senhor”, ali, é o nome divino. O Senhor disse a Josué:
Vê, estou entregando Jericó na tua mão.
Sabemos, então, que o Príncipe do exército do Senhor é o próprio Senhor. É o nosso Senhor Jesus.
O Príncipe do exército do Senhor aparece a Josué — e lembrem-se: ele ainda está em Gilgal. Esse Homem aparece em Gilgal com uma espada desembainhada na mão. A próxima vez que Deus retoma essa imagem é depois da guerra de sete anos, em Juízes 2.
O Anjo do Senhor subiu de Gilgal a Boquim e disse: “Eu vos fiz subir do Egito e vos conduzi à terra que jurei dar a vossos pais; e disse: ‘Nunca quebrarei a Minha aliança convosco’”.
— Juízes 2:1
Ele é chamado de Anjo do Senhor. Ele é o Senhor. Ele é o Filho de Deus. No início de Josué, o Anjo do Senhor estava em pé com a espada desembainhada na mão. Tudo isso simboliza: “Eu lutarei por vocês. Eu lutarei por Deus”.
Quando Ele aparece em Juízes, não aparece com a espada desembainhada. Ele põe a espada de volta na bainha, e é por isso que eles choraram. Ele diz, em outras palavras: “Vocês estão por conta própria. Lutem suas próprias batalhas”. Deram àquele lugar o nome de pranto porque Ele colocou Sua espada de volta na bainha.
Mas Quem é esse? É o Senhor Jesus, o Anjo do Senhor. Esta é a passagem mais importante do livro de Josué, não apenas por sua relação com Jericó, mas por sua relação com a posse de toda a terra de Canaã.
Quem é o Príncipe do exército do Senhor? É Jesus. O que a terra representa? Jesus. É por isso que esta é uma passagem-chave. Ela nos ensina que Jesus precisa me levar a Jesus. Ninguém mais pode me fazer entrar. Somente Cristo pode me conduzir a Cristo.
Somente Jesus pode me levar à terra, à abundância e à plenitude da terra. Aprendemos sobre a obra consumada quando estávamos no Jordão. Aprendemos sobre o poder de Deus para nos separar e ministrar a nós em Gilgal. Mas agora chegamos a Ele mesmo — não à Sua obra, não aos Seus princípios, não à Sua verdade, mas ao próprio Jesus.
Ele diz: “Vocês aprenderam muito. Percorreram um longo caminho. Viram a obra consumada. Entenderam a identificação. Entenderam o que significa ser separado para Mim. Entenderam o que significa alimentar-se do Cordeiro. Entenderam que Eu preciso lutar por vocês. Agora, deixem que Eu, Jesus, leve vocês a Jesus, e deixem-Me levá-los à abundância”.
Este capítulo começa, em seu ponto culminante, com o Senhor nos levando ao Senhor. Precisamos entender que é assim que acontece. Essa é a preparação final.
Agora, vamos olhar para Josué ao encontrar esse maravilhoso Visitante. Quero que observem que esta é uma visitação que ele não havia buscado. Josué não estava orando para ver o Senhor. Não estava buscando, no sentido em que dizemos que alguém busca o Senhor. Ele não apenas não estava buscando isso; também não o esperava. Foi uma grande surpresa para ele.
Se vocês estudarem a Bíblia por bastante tempo, saberão que o Senhor gosta disso — de surpreender vocês. Ele surpreendeu Jacó quando este estava sozinho, como se tivesse simplesmente saltado de trás de um arbusto. Deve ter sido algo assustador para Josué.
Para compreendermos claramente o coração de Deus — e sabendo que Deus nos deu mentes analíticas e que pensamos de maneira lógica —, detesto dividir uma história como esta e dizer: “Há três coisas”, ou: “Há quatro princípios”, porque podemos perder a vida que há nela. Isso realmente aconteceu com esse homem. Não é um esboço na vida dele; foi o que aconteceu.
Mas, para que possamos compreender, deixem-me mostrar pelo menos duas coisas que ele aprendeu com essa maravilhosa visitação do Senhor.
Tentem visualizar a cena:
Sucedeu que, estando Josué perto de Jericó, levantou os olhos e olhou; e eis que um Homem estava em pé diante dele, com a Sua espada desembainhada na mão.
— Josué 5:13
Josué estava perto de Jericó. Leiam isso à luz do contexto: ele estava em uma missão de reconhecimento. Era isso que estava fazendo. Ele era o líder militar. Estava planejando uma estratégia.
Em Josué 1:9, Deus lhe havia dito que fosse forte e muito corajoso, que não tremesse nem se espantasse, porque o Senhor estaria com ele por onde quer que fosse. Josué estava tentando fazer isso. Estava tentando ser corajoso. Ele tinha aquele povo ali e precisava levá-lo para dentro da terra, mas, até aquele momento, Deus não lhe havia dado nenhuma informação. Ele não fazia ideia de como agir; apenas via aquelas muralhas enormes.
Se podemos acreditar nos arqueólogos que escavaram as muralhas e escreveram os registros, Jericó tinha muralhas duplas, não apenas uma muralha. Não temos certeza absoluta de sua altura, mas os estudos geralmente aceitos nos dizem que tinham cerca de nove metros. As muralhas eram duplas, com cerca de três metros e meio de espessura e aproximadamente quatro metros e meio entre elas.
O que Josué estava fazendo? Estava ali, pensando: “Nossa!”. Ele caminhava em missão de reconhecimento, tentando encontrar alguma estratégia enquanto examinava as defesas do inimigo.
A casa de Raabe havia sido construída sobre a muralha. Agora, a cidade estava rigorosamente fechada, e Josué estava ali pensando: “Como vamos conseguir penetrar nessas fortificações? Vamos ter que escalá-las? Vamos ter que derrubá-las? Vamos cavar túneis por baixo delas? Provavelmente teremos que vencê-los pela fome. Como é que vamos fazer isso?”.
Quando os espias voltaram, quarenta anos antes, com o relatório, disseram: “O povo é forte, as cidades são fortificadas e muito grandes. Eles são fortes demais para nós”. Mesmo a leste do Jordão, quando Deus deu a vitória sobre Ogue, Deuteronômio descreve as cidades deles como fortificadas, com muralhas altas, portas e ferrolhos nas portas.
Portanto, sim, Josué estava ali, como um comandante-chefe precisaria estar. Estava olhando ao redor, examinando as muralhas, vendo como eram grandes e altas. E, de repente, Ele apareceu. Vocês precisam captar isso. Simplesmente, de repente, lá estava Ele — e tinha uma espada desembainhada.
Meu coração teria gelado. Estou tentando passar despercebido; estou olhando a muralha por entre os arbustos, pensando no que vou fazer. Então, de repente, lá está Ele, com uma espada.
Josué aprendeu algumas das maiores lições de sua vida. Para ser sincero com vocês, quando leio esta história, no início não parece que esse Homem fosse, aos olhos de Josué, algo além de um soldado. Ele parecia apenas outro homem.
Não sei, mas não parece que Seu rosto estivesse brilhando, que Sua espada estivesse em chamas ou que Ele aparecesse de modo evidentemente divino. Não acho que Josué tenha visto isso. Ele apenas viu um Homem com uma espada na mão e perguntou:
És Tu por nós ou pelos nossos inimigos?
— Josué 5:13
Isso depende do tom de voz com que você lê a pergunta. João Calvino acha que Josué O estava desafiando para um duelo: “De que lado estás? Dize-nos. Estás do nosso lado? Estás do lado deles? Fala. Identifica-Te. Quem vem lá?”.
Há outra maneira de dizer isso. Meu filho Daniel e eu estávamos estudando essa passagem, e eu lhe perguntei: “Como você acha que Josué disse isso?”. Meu filho respondeu: “Com os dedos se mexendo de nervoso”. Ele achava que aquela era uma visão impressionante, e que Josué estava dizendo: “Nossa! De que lado estás? Espero que estejas do nosso lado”.
De qualquer maneira, a pergunta de Josué se tornou a ocasião para essa tremenda revelação do Senhor.
És Tu por nós ou pelos nossos adversários?
— Josué 5:13
Esse mesmo filho, Daniel, não estava convencido de que esse fosse realmente Jesus. Ele disse: “Você precisa me mostrar isso”. Então, voltei às vinte e duas aparições do Anjo do Senhor, tentando lhe mostrar que o Anjo do Senhor no Antigo Testamento é Jesus. Ele não se convenceu até ler esta passagem. Então disse: “Estou convencido”.
Perguntei: “O que convenceu você?”. Ele disse: “Ele não deu uma resposta direta. Só pode ser Jesus. ‘Estás do nosso lado?’ ‘Não.’ ‘Estás do lado deles?’ ‘Não.’ ‘Estás do lado de alguém?’”.
Não; antes, venho agora como Príncipe do exército do Senhor.
— Josué 5:14
“Não estou do lado de vocês, nem do lado deles. Estou do lado de Deus.” Foi isso que Ele disse. “Eu luto por Deus.”
Se vocês estiverem do lado de Deus, verão algo maravilhoso: “Eu estarei do lado de vocês”. Mas, se vocês não estiverem do lado de Deus, descobrirão que sou um adversário formidável, porque lutarei contra vocês com todas as forças. “Estou do lado do Senhor. Luto pelo Senhor e por todos os que se alinham com Ele.”
O Senhor não está do lado de Israel nem contra Israel. Ele não está do lado de Canaã nem contra Canaã. Deus tem um propósito. Deus tem uma vontade. Deus tem um desígnio. Deus tem um plano. Deus tem um nome. Deus tem uma reputação. Deus tem uma causa, e Deus luta por Deus. Ele luta por Seu nome e por Sua causa.
Qual foi a segunda coisa que Josué aprendeu? Não apenas que Deus luta por Deus:
Não; antes, venho agora como Príncipe do exército do Senhor.
— Josué 5:14
O major Ian Thomas, em seu maravilhoso livro A Vida Salvadora de Cristo, dedica um capítulo a esta história. Ele a parafraseia assim: “Não vim tomar partido; vim assumir o comando”. Ah, exatamente. Exatamente.
Josué precisava aprender isso. Lembrem-se: o Anjo do Senhor está falando com Josué, o líder militar — Josué, com “c” minúsculo, o comandante-chefe. Esse é o general Josué. É o alto comando. É o sucessor de Moisés. É o líder designado por Deus para todas as tribos de Israel.
Quando Jesus disse: “Venho agora como Príncipe”, o que estava dizendo era: “Você não está mais no comando. Eles não estão mais sob suas ordens. Quero que entregue seu comando a Mim. Entregue suas tropas. Deposite suas armas. Renuncie ao comando”.
Às vezes, lemos isso de maneira superficial. O Anjo do Senhor estava ali, com a espada desembainhada na mão, e disse: “Quero que você saiba duas coisas: estou lutando por Deus e vim assumir o comando”. Isso é impressionante. É realmente impressionante.
Irmãos, precisamos observar Josué se quisermos ajudar nossos irmãos e irmãs a tomar Jericó. Observem sua resposta quando o Anjo do Senhor diz: “Estou aqui lutando por Deus e estou aqui para assumir o comando”.
Não; antes, venho agora como Príncipe do exército do Senhor.
Então Josué caiu com o rosto em terra, prostrou-se e disse: “Que diz meu Senhor ao Seu servo?”— Josué 5:14
Ah, irmãos, isso é maravilhoso. Ele caiu com o rosto em terra e adorou o Senhor. Foi naquele momento, creio eu, que ele soube, com grande alívio, Quem estava diante dele.
Não sei o que passava pela sua cabeça quando olhava aquelas muralhas de nove metros e depois olhava para o que era seu exército. Então, Alguém apareceu e disse: “Quero ser o Comandante”. “Está bem. Obrigado, Senhor. Estou tão feliz porque vieste, e tão feliz porque queres essa função. Ela é Tua.”
Acho que foi assim. Acho que houve um grande alívio quando Ele disse: “Sou o Príncipe do exército do Senhor”. Josué se prostrou em gratidão e disse: “Obrigado, Senhor. Eu não sabia o que fazer”.
Irmãos, não é assim que nos sentimos como líderes? Deus colocou tantas pessoas diante de nós, e sentimos um peso tão grande. Temos carregado essas pessoas nos ombros. Elas vão tomar posse de Cristo? É melhor vocês deixarem esse fardo. É melhor entregarem todas as tropas a Ele. É melhor fazerem o que Josué fez.
É uma imagem gloriosa. Josué cai com o rosto em terra, adora o Senhor e louva a Deus, porque estava apreensivo. Estava apreensivo com a tentativa de penetrar as muralhas. Estava apreensivo com a tentativa de conseguir voluntários naquele grupo.
Josué poderia ter dito: “Senhor, não imaginas como é bom que queiras ser o Comandante. Tenho considerado a geografia da terra. Os espias voltaram e me disseram que há montes e vales. Eu conheço montes e vales. Sou militar. São fáceis de defender e difíceis de conquistar”.
“Ouvi falar desse povo. São cruéis. São pessoas perversas. São violentos. Sabem lutar. São treinados para a guerra. Há gigantes lá. Nós temos sido um povo agrícola, principalmente andando de um lugar para outro — e Tu queres ser o Comandante? Entrego minhas insígnias com alegria. O comando é Teu. Aqui está a chave do meu gabinete. É Tua.”
Que liberdade gloriosa Josué teve naquele dia! Foi algo difícil, mas glorioso. Foi um alívio para ele.
Consigo imaginar Josué olhando para o exército de seu povo — a nação. Ele tinha quarenta mil soldados vindos do lado oriental, o que representava apenas cerca de sessenta por cento de suas forças armadas. Evidentemente, alguns ficaram lá para defender as mulheres e as crianças. Então, ele olhou para os outros cerca de cem mil soldados e disse: “Senhor, queres ser o Comandante do exército? Aí está o exército. Fica com eles. Podes ser o Comandante do exército”.
Josué tinha uma visão muito limitada naquele momento. Mas até essa visão limitada lhe trouxe grande alívio. Uma maravilhosa surpresa o aguardava, porque ele achava que aquele era o exército do Senhor. Aquele não era o exército do Senhor.
Não se trata apenas dos exércitos dos homens; trata-se dos exércitos do céu e da terra. Ele é o Senhor dos Exércitos, dos exércitos do céu e da terra.
As hostes incontáveis mencionadas em Hebreus sempre adoram o Senhor Jesus: Seus ventos, Seus ministros, Suas chamas de fogo, Seus espíritos ministradores. O Salmo 68 fala do monte Sinai e diz que havia miríades de anjos quando Deus deu a lei — dez mil vezes dez mil, e milhares de milhares. Este é o Senhor dos Exércitos.
Lembrem-se da oração de Eliseu por seu servo, em 2 Reis 6: “Ó Senhor, abre os olhos dele. Deixa-o ver”. O Senhor abriu seus olhos, e o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo. Este é o exército do Senhor.
Em uma única noite, um único anjo matou cento e oitenta e cinco mil homens do exército assírio — provavelmente esse Anjo, o Anjo do Senhor. Apocalipse 5 descreve, diante do trono de Deus, miríades de miríades e milhares de milhares. “Eu sou o Príncipe do exército do Senhor.”
Vou lhes dizer: quando Josué se rendeu a esse Comandante, entrou para o time vencedor. Quando se prostrou diante desse Comandante e disse: “Quero que sejas o Comandante”, ele pensou: “Bem, aí está o meu exército”. O Comandante disse: “Não, esse não é o Meu exército. Ali está o Meu exército, e ali está o Meu exército. Sou o Comandante dos exércitos do céu e da terra, e vim assumir o comando”.
Senhor, abre nossos olhos.
Irmãos, se vamos ajudar outros a entrar na terra, será somente porque, como Josué, Deus nos concede a graça de nos encontrarmos face a face com Aquele que tem a espada desembainhada na mão. Por Sua graça, caímos aos Seus pés e dizemos: “Que diz meu Senhor ao Seu servo?”.
“Desisti de tentar adivinhar como tomar a muralha. Desisti de tentar adivinhar como derrotar o inimigo. O que esperas de mim?”
Vocês pensariam que isso seria suficiente. Ali está o Anjo do Senhor: “Estou lutando por Deus. Vim assumir o comando”. Josué se prostra, adora, fica com o rosto em terra e diz: “O que quer que digas, eu farei”.
Deus o humilha ainda mais. Isso não basta. Irmãos, não podemos deixar de perceber isso.
O Príncipe do exército do Senhor disse a Josué: “Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo”.
— Josué 5:15
Ele teve que tirar os sapatos. No plano meramente terreno, isso é algo um tanto indigno para um general fazer. Ele está em uma missão de reconhecimento. Está tentando definir a estratégia e, de repente, o Senhor diz: “Tire os sapatos”.
Não apenas abra mão de seu controle e de sua autoridade sobre todas as forças e sobre todo o povo, mas tire os sapatos. Enquanto não estivermos com o rosto em terra e descalços diante do Senhor, eles não entrarão. É assim que Deus nos permite ajudá-los a entrar.
A sabedoria humana pensaria o contrário. “Vamos entrar em Jericó. Este é o dia da batalha. Você precisa elaborar alguma estratégia militar. Precisa resolver tudo. É hora de calçar suas sandálias militares. É hora de amarrar suas botas com as solas reforçadas por cravos. É hora de se preparar. Afiem as espadas, cinjam-se, preparem os escudos, amarrem essas sandálias.”
Não. Jesus está ali e diz: “Vocês realmente querem vencer uma batalha? Estão enfrentando Satanás. Estão enfrentando o inferno. Estão enfrentando as forças da maldade. Estão enfrentando os cananeus. Prostrem-se com o rosto em terra. Tirem os sapatos”.
Puxa, isso é tão contrário à prática militar! É tão divino. É tão sábio, tão prudente. Esta é uma guerra espiritual, e ela é vencida quando estamos descalços e com o rosto em terra diante do Príncipe do exército do Senhor.
O que significa estar descalço diante do Senhor? A maioria dos comentaristas fala das palavras: “Este é um lugar santo”. A ideia é que Deus é santo, e a ideia é reverência. Quando você está na presença de Deus, não deve andar da mesma maneira que anda quando está no mundo. Não é um lugar comum. Deus está ali.
Mas, se vocês aplicarem isso literalmente, nunca usaríamos sapatos. Se é preciso tirar os sapatos quando estamos na presença de Deus, quando usaríamos sapatos? Sua presença está em toda parte.
Percorri a Bíblia procurando todas as vezes em que ela menciona tirar os sapatos, todas as vezes em que menciona estar descalço, todas as vezes em que alguém tirou as sandálias. Examinei cada referência que consegui encontrar e cheguei a algo que considero interessante.
Isso inclui reverência, mas acho que é um pouco mais do que isso. É verdade que Deus é santo e que não podemos contaminar Sua presença. Mas acho que inclui algo mais. Deixem-me dar algumas ilustrações.
Quando Deus enviou Isaías para pregar contra o Egito e Cuxe, o registro está em Isaías 20. Ele queria adverti-los de que os assírios viriam e os levariam cativos. Uma das coisas que fariam seria levá-los nus ao cativeiro. Não teriam sequer uma peça de roupa.
Deus queria transmitir essa mensagem. Ele disse: “Vá e diga a eles que acabarão como cativos, como escravos, nus. Agora quero que você ilustre isso. Tire sua roupa exterior e tire os sapatos”.
Durante três anos, o profeta Isaías andou descalço, pregando àquelas pessoas que a Assíria viria e as levaria nuas. “Por que você está pregando para nós descalço, profeta de Deus?” “Meus pés estão nus como ilustração de que, um dia, vocês estarão nus. Meu Deus é um Deus de pudor. Não vou andar nu, mas vou ilustrar o princípio de estar nu por meio dos meus pés.”
Quando Absalão perseguiu Davi depois daquela insurreição, em 2 Samuel 15, Davi estava envergonhado. Havia sido exposto e se sentia tão mal porque seu filho tinha feito aquilo. A Bíblia diz que ele tirou os sapatos e fugiu descalço. Pés nus — um princípio, uma imagem.
Jó falou, com ironia, de seus miseráveis conselheiros e de quanto o haviam ajudado. Ao falar de Deus frustrando a sabedoria deles, disse:
Ele faz os conselheiros andar descalços
E faz dos juízes insensatos.
Ele faz os sacerdotes andar descalços
E derruba os que estão seguros.
Ele derrama desprezo sobre os nobres.— Jó 12:17-18
Quando Deus expôs esses conselheiros, sacerdotes e nobres, disse: “Eles estão descalços”. Quando alguém perdia uma pessoa querida no Antigo Testamento, parte do processo de luto era tirar os sapatos.
Não posso provar isso, mas, para ser sincero com vocês, estou inclinado a pensar que, em Lucas 10, quando Deus enviou os setenta, Ele os enviou descalços. Ele disse:
Não leveis bolsa de dinheiro, nem alforje, nem sandálias.
Agora, sei que alguns dizem que isso significa não levar um par extra de sandálias. Não sei se é isso.
Mas sei que Deus é um Deus de pudor. Ele poderia ter dito a Moisés, na sarça: “Moisés, tire a roupa. Este é um lugar santo”. Poderia ter dito a Josué, enquanto estava ali com a espada desembainhada: “Josué, tire a roupa. Este é um lugar santo”. A Bíblia inteira começa com o homem nu diante de Deus.
Acho que esse princípio de tirar os sapatos, porque Deus é um Deus de pudor, ilustra não apenas reverência, mas nudez diante de Deus, abertura diante de Deus, transparência diante de Deus — apresentar-se diante de Deus aberto e nu.
Ouçam Hebreus 4:12-13:
Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes; penetra até a divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas, e é capaz de julgar os pensamentos e as intenções do coração.
E não há criatura oculta à Sua vista; antes, todas as coisas estão abertas e descobertas diante dos olhos dAquele com Quem temos de tratar.
Acho que tudo isso fazia parte dessa humilhação. O Anjo do Senhor está diante de Josué e diz: “Estou lutando por Deus. Vim assumir o comando”. Josué cai com o rosto em terra, adora-O e diz: “Tudo o que disseres — fala, e Teu servo fará”.
Então Ele diz: “Tire os sapatos. Este é um lugar santo. Apresente-se diante de Mim. Sem fingimento. Sem brincadeiras. Sem encenação. Sem gracejos. Isto é real. Apresente-se diante de Mim nu, aberto e exposto”.
Vocês querem ajudar os santos? Não respondam, irmãos; apenas pensem em seu coração. Quando foi a última vez que sentiram sobre vocês o peso, a responsabilidade por outra pessoa? Quando foi a última vez que vieram diante do Senhor nus e descalços, caíram com o rosto em terra e disseram: “Por favor, assumirias o comando? Eles são Tua responsabilidade”?
Isso não significa que vocês não vão se levantar e conduzir o caminho. Vocês continuarão ali. Observem Josué. Mas significa que o fardo se foi. Deus tomou o fardo. Josué entregou tudo ao Senhor.
Essa foi a preparação final para levar as pessoas para dentro da terra: compreender Quem era Aquele e prostrar-se diante dEle.
Agora, há muito que poderia ser dito se vocês abrirem em Josué 6. A batalha de Jericó é muito apreciada. É uma bela passagem, e há tanto que se pode dizer. Do ponto de vista natural, creio que pelo menos isto está claro: Josué não está no comando.
O Príncipe do exército do Senhor está no comando. Ele está dando as ordens. Isso até parece insensato aos olhos da carne, mas Josué segue adiante descalço e adorando, confiando no Anjo do Senhor, obedecendo a cada ordem.
Não vamos ler toda a história de Jericó; acho que quase todos nós a conhecemos. Deixem-me apenas contá-la com minhas próprias palavras.
O Anjo do Senhor ordena a Josué: haverá uma marcha ao redor das muralhas, com pelo menos quatro — talvez cinco — grupos.
Na vanguarda estarão os homens armados, provavelmente das duas tribos e meia — quarenta mil homens para abrir o caminho. Atrás da vanguarda estarão sete sacerdotes tocando sete chifres de carneiro. Vocês perceberam a palavra usada? São trombetas do jubileu. É a trombeta que se tocava no jubileu. Este é um jubileu.
Atrás dos sacerdotes tocando essas trombetas vem a santa arca de Deus. Deve ter sido impressionante, do alto da muralha, ver a vanguarda, todas aquelas forças armadas; depois, os sete sacerdotes tocando as trombetas do jubileu; logo atrás deles, a arca de Deus sendo carregada e levada ao redor da cidade; e, atrás deles, mais soldados.
Provavelmente, esses soldados vinham das outras nove tribos e meia. Alguns comentaristas não têm certeza se todo o povo se juntou ao final da marcha. Estou inclinado a pensar que sim. Muitos comentaristas estão inclinados a pensar que não. Se vocês não concordam comigo nisso, estão em boa companhia. Como Vernon McGee disse certa vez: “Agora vocês têm uma escolha a fazer: querem boa companhia ou querem a verdade?”.
Dizem que a antiga cidade de Jericó ocupava cerca de três hectares. Estima-se que uma volta ao redor dela levasse de uma hora a uma hora e meia. Todos os dias, durante seis dias, em absoluto silêncio, eles deveriam dar sua volta.
Primeiro o exército, depois os sacerdotes com as trombetas, depois a arca de Deus, depois mais soldados e o povo de Deus ao redor da cidade, em absoluto silêncio. O único som que se podia ouvir era o toque breve das trombetas do jubileu.
Se as trombetas pudessem falar, diriam: “Todos os olhos na arca. Todos os olhos na arca. Todos os olhos na arca”. A atenção de todos era voltada para a arca de Deus.
O Anjo do Senhor deu a Josué essas informações logo no início. Também lemos que Josué deu ao povo essas informações no início. Eles não conheciam o desfecho. Precisavam avançar pela fé.
Embora Josué soubesse o que Deus faria, não contou ao povo. Leiam o relato — ele não contou ao povo. Eles marchavam ao redor pela fé. Não sei o que passava pela cabeça deles. “Isso é uma tolice. Andar em círculos. Passar repetidamente pelo mesmo terreno, sem que nada aconteça.”
Vocês já fizeram isso? “Por que precisamos passar pelo mesmo terreno, andando em círculos?” Mas a Bíblia diz:
Pela fé, caíram as muralhas de Jericó.
Estudiosos do hebraico acham que as muralhas caíram no sábado, porque eles marcharam durante sete dias. Sabemos que houve um sábado em algum ponto, porque o período abrangeu sete dias. Não me surpreenderia se Deus tivesse dado a vitória no dia de descanso.
Mas eles teriam que sair cedo para terminar antes de o sino tocar, se vocês entendem o que quero dizer. Provavelmente saíram cedo no último dia, porque precisavam dar sete voltas — provavelmente dez ou doze horas no último dia.
Uma coisa foi alcançada com isso. Por que Deus os fez dar treze voltas ao redor da muralha? Bem, uma coisa sei com certeza: eles tiveram treze boas oportunidades de olhar para a muralha. Se, ao começar, tinham alguma dúvida sobre sua própria incapacidade, não tinham mais dúvida ao terminar.
Eu lhes disse outro dia que Deus havia mandado circuncidar todos — a imagem de bebês de oito dias —, e todos estavam marchando ao redor da muralha. Então, no último dia, Deus os fez dar sete voltas: dez horas, onze horas, doze horas.
Alguém aqui já fez uma caminhada de dez, onze ou doze horas? O que achariam de fazer uma caminhada de doze horas em absoluto silêncio? Então Deus diz: “Agora, avancem. Ataquem”. Depois de doze horas, Ele havia enfraquecido as tropas. Ia mostrar a eles que aquela era a Sua batalha e a Sua vitória.
Eles estavam tão cansados no final, e agora precisavam entrar e lutar. Que sabedoria extraordinária a do Senhor! Bem, vocês conhecem a história. Foi assim que entraram na terra.
Embora haja muitas outras coisas sobre as quais poderíamos meditar nessa tomada de Jericó, uma delas se destaca e nos conduz à nossa próxima mensagem. Vamos encerrar com esse princípio.
Estou me referindo ao estranho anátema estabelecido nessa primeira batalha — o cherem, aquilo que era proibido. Cem por cento, tudo, com exceção de Raabe e do que lhe pertencia, deveria ser entregue ao Senhor.
Observem Josué 6:17:
A cidade será anátema; ela e tudo o que nela houver pertencem ao Senhor; somente Raabe, a prostituta, e todos os que estiverem com ela em casa viverão, porque ela escondeu os mensageiros que enviamos.
Quanto a vós, guardai-vos das coisas condenadas ao anátema, para que não as cobiceis nem tomeis alguma delas, tornando o acampamento de Israel maldito e trazendo perturbação sobre ele.
Mas toda a prata e o ouro, e os objetos de bronze e de ferro, são santos ao Senhor; irão para o tesouro do Senhor.— Josué 6:17-19
Tudo na primeira batalha foi dedicado ao Senhor: cada pessoa, cada animal, cada pequeno objeto, cada moeda, cada peça de roupa. Nada deveria ser tomado para uso pessoal. Tudo foi entregue ao Senhor.
Por quê? Em Sua primeira batalha, Ele está estabelecendo as chaves. Está estabelecendo o princípio. O princípio é este: os despojos pertencem ao vencedor.
É simples assim. Os despojos pertencem ao vencedor. Quem é o Vencedor? É o Senhor. Nessa primeira batalha, Ele deve receber tudo para ilustrar que tudo pertence a Ele. Ele é Aquele que tem a espada. Ele é Aquele que recebe tudo.
Sabem, irmãos, isso me impressiona. Se vocês ensinam: “A batalha é do Senhor”, recebem um amém quase universal do povo de Deus. Mas, se ensinam: “A vitória é do Senhor”, recebem muita hesitação e muitas ressalvas.
É impressionante que não consigam perceber que é quase a mesma coisa. O fato de Ele ter a espada mostrou que a batalha era dEle. O fato de Ele receber os despojos mostra que a vitória é dEle.
O Senhor disse a Josué: “Vê, entreguei Jericó na tua mão”.
— Josué 6:2
“Eu a entreguei.” É uma dádiva. A vitória é uma dádiva do Senhor.
Vejam Josué 8:2. Esta é a segunda batalha. Ouçam:
Farás a Ai e ao seu rei como fizeste a Jericó e ao seu rei; somente tomareis para vós os seus despojos e o seu gado.
— Josué 8:2
Na primeira batalha, Deus diz: “Não toquem nisso. É Meu”. Bem, qual é o coração de Deus? Ele quer que vocês tenham os despojos. Não quer privá-los deles. Quer que vocês os tenham, mas quer que saibam que são dEle. Não são de vocês.
“Não corram atrás dos despojos. São Meus. Agora que os tenho, terei prazer em compartilhá-los com vocês.” Isso não é a mesma coisa. Os despojos pertencem a Ele, e Ele quer compartilhá-los conosco.
Às vezes nos esquecemos: os despojos vão para o vencedor. Ele é o Vencedor.
O problema de Acã, ao tocar nos despojos, era que ele estava correndo atrás daquilo que Deus queria lhe dar. Deus não queria que ele jamais tivesse os despojos. Se tivesse esperado mais uma batalha, poderia ter recebido tudo. Tudo o que escondeu na tenda, poderia ter obtido legitimamente. Isso teria sido correto.
Deus queria compartilhar, mas Acã foi atrás dos despojos e roubou a glória de Deus. Ele não compartilhará Sua glória com outro. A vitória é do Senhor, e Acã foi atrás da vitória.
Ouço muitas pessoas orando: “Senhor, dá-me vitória sobre a tentação. Dá-me vitória sobre o orgulho. Dá-me vitória. Preciso de paciência, Senhor. Dá-me vitória sobre a irritação. Dá-me vitória sobre este hábito. Dá-me vitória sobre este pecado específico. Dá-me vitória sobre alguma cobiça, algum orgulho ou alguma incredulidade”.
Aprendam isso. Aprendam depressa. Aprendam bem, irmãos: não há vitória para vocês. Há somente um Vencedor, e Seu nome é Jesus. Ele recebe todos os despojos.
Agora, Ele compartilhará isso com vocês, mas não é a mesma coisa que obter sua própria vitória. Você não recebe algo chamado vitória. Você tem Cristo, e, em Cristo, tem tudo o mais. Ele compartilhará isso com você.
É por isso que Ele conduzirá você, mas em Seu triunfo. É por isso que Ele diz:
Tende bom ânimo; Eu venci o mundo.
Não: “Vocês vencerão o mundo”. É por isso que você se considera morto em Cristo Jesus: porque está em Cristo Jesus.
Ele não quer dar a você um descanso próprio. Ele diz: “Entre no Meu descanso”. É o descanso que Ele tem. Ele quer compartilhar os despojos.
Precisamos seguir Josué. Precisamos dobrar os joelhos diante dAquele a Quem pertencem a batalha e a vitória. Ele luta por Deus. Ele veio assumir o comando.
Há uma maneira correta de cantar “Avante, Soldados Cristãos”, e há uma maneira errada de cantar “Avante, Soldados Cristãos”. Precisaremos avançar como Josué avançou, entregando tudo a esse Senhor.
Devemos sempre relacionar o combate da fé com o descanso da fé. Saibam a diferença entre lutar para alcançar o descanso e lutar a partir do descanso. Saibam a diferença entre a vitória que Ele compartilha conosco e a vitória que pensamos poder obter.
A batalha é dEle. A vitória é dEle.
Sabem o que é impressionante? Nessa primeira batalha, o inimigo estava tremendo nas bases.
Sabem o que está acontecendo hoje? Os cristãos estão tremendo nas bases, dizendo: “Satanás está atrás de mim. O diabo fez isso. Tenho enfrentado oposição aqui e ali”. O que aconteceu com aquela primeira vitória? O que aconteceu com o Comandante dos exércitos do céu e da terra lutando por nós? O que aconteceu com nossa atitude de nos prostrarmos diante do Senhor?
Eles é que deveriam estar tremendo. As portas do inferno não prevalecerão contra a igreja. Nós somos os que avançam para o ataque. Nós somos os que saem. O povo de Deus teve seu coração derretido como água.
Precisamos entender que a batalha é dEle, que a vitória é dEle. Depois que vocês aprenderem isso, Ele derramará os despojos sobre vocês. Há tantos despojos que Ele quer compartilhar. Mas vocês precisam entender corretamente. Precisam aprender: os despojos vão para o Vencedor. São dEle.
Tudo aquilo era uma antecipação do que estava por vir. Bem, vamos encerrar aqui e confiar que Deus fará isso operar em nosso coração. Vamos orar.
Nosso Pai, agradecemos tanto porque aquele maravilhoso Anjo do Senhor, o Senhor Jesus, nosso Salvador, apareceu a Josué. Sem que Te buscassem, sem que Te pedissem, Tu simplesmente apareceste. E libertaste aquele líder.
Senhor, aparecerias novamente? Liberta Teu povo. Com alegria, deixamos que sejas o Comandante. Entregamos todas as tropas.
Por Tua graça, pedimos que arranques nossos sapatos, mesmo que arranques também nossos joanetes. Tira nossos sapatos, Senhor, para que estejamos nus e expostos diante de Ti, e para que agora possamos viver.
Ensina-nos a ajudar outros a entrar. Pedimos em nome de Jesus. Amém.