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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    That They May Be One © 2026 Christian Testimony Ministry
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    That They May Be One
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    Kaung, Stephen

    A unidade do povo de Deus

    Por favor, abram no Evangelho segundo João, capítulo 17. João 17:11. Esta é a oração de nosso Senhor ao Seu Pai.

    E já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo, guarda-os em Teu nome, que Me deste, para que sejam um, assim como Nós.

    João 17:21-23:

    Para que todos sejam um; assim como Tu, ó Pai, estás em Mim, e Eu em Ti, que também eles estejam em Nós: para que o mundo creia que Tu Me enviaste.
    E Eu lhes dei a glória que Tu Me deste; para que sejam um, assim como Nós somos um;
    Eu neles, e Tu em Mim, para que sejam aperfeiçoados em um; para que o mundo conheça que Tu Me enviaste e os amaste, assim como Me amaste.

    A oração do Senhor Jesus

    Nosso Senhor Jesus estava prestes a deixar Seus discípulos. Como vemos em João 13, Ele realizou Seu último ato em favor dos Seus. Ele Se levantou, tirou Sua veste, cingiu-Se com uma toalha, deitou água na bacia e ali estava Ele, lavando os pés dos discípulos. Esse foi Seu último ato em favor dos Seus — um ato de amor.

    Depois disso, encontramos, em João 14–16, Suas últimas palavras aos Seus: como Ele os consolou, prometendo-lhes o Espírito Santo. Esse Espírito Santo viria e habitaria não apenas com eles, mas neles, e jamais os deixaria nem os abandonaria.

    Depois de Suas últimas palavras ao Seu povo, Ele voltou Seu coração para o Pai. Em João 17, encontramos o registro de como Ele orou ao Seu Pai. Em João 17:1-5, Ele estava orando por Si mesmo.

    Ele orou e disse:

    Pai, é chegada a hora; glorifica Teu Filho, para que Teu Filho Te glorifique.

    Sua oração por Si mesmo está centrada nessa questão da glória e da glorificação. Ele pediu ao Pai que glorificasse o Filho. Por que pediu ao Pai que O glorificasse? Não porque quisesse obter glória, mas porque, depois que Ele fosse glorificado, o Pai seria glorificado.

    Quando o Senhor Jesus orou e disse:

    Glorifica Teu Filho.

    O que Ele quis dizer? Vocês sabem, quando pensamos em glória ou glorificação, sempre pensamos em obter alguma coisa, ganhar alguma coisa para nós mesmos. Mas não era assim com nosso Senhor Jesus.

    Quando Ele disse:

    Glorifica Teu Filho.

    Tudo o que Ele quis dizer foi simplesmente isto: “Que Tu aceites Meu sacrifício, que Tu aceites Minha morte e que demonstres Tua aceitação ressuscitando-Me dentre os mortos, para mostrar que estás plenamente satisfeito”. Isso é o que significa “glorifica Teu Filho”.

    O Senhor não estava pensando em Si mesmo. Para Ele, ser glorificado não significava obter qualquer ganho pessoal. Para Ele, ser glorificado era satisfazer Seu Pai, fazer a vontade de Seu Pai e concluir a obra que Seu Pai O havia enviado para realizar. Quando o Pai está satisfeito, o Filho é glorificado.

    É por isso que o Senhor disse:

    Glorifica Teu Filho, para que Teu Filho Te glorifique.

    Glória significa satisfação. Quando o Pai está plenamente satisfeito, então o Pai é glorificado. E quando o Filho está satisfeito, o Filho é glorificado.

    Agora, com o que nosso Senhor Jesus ficará satisfeito? Ele fica satisfeito somente com isto: que a obra que o Pai O enviou para realizar esteja plenamente concluída, e que Ele saiba que o Pai Se agrada dela. Essa é a glória que Ele buscava.

    A glória do Filho

    Assim como Lhe deste autoridade sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos Lhe deste.

    O Filho, que era igual a Deus, esvaziou-Se a Si mesmo. Assumiu a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens. Em outras palavras, o Filho deixou de lado toda a autoridade, o poder, a honra e a glória que Lhe pertenciam por direito. Ele deixou tudo isso de lado para Se tornar homem.

    E agora o Pai Lhe devolveu toda a autoridade sobre toda a carne — não apenas sobre toda a carne, mas sobre todas as coisas. E o que Ele faz com a autoridade que o Pai Lhe deu? Ele dá vida eterna a todos aqueles que o Pai Lhe deu.

    A autoridade que o Pai deu ao Filho, o Filho a usa para dar vida — vida eterna — àqueles que o Pai Lhe deu. A autoridade não é para tirar, mas para dar. A autoridade não é para destruir, mas para dar. Com a autoridade que o Pai deu ao Filho, Ele deu vida eterna a todos os que creem Nele.

    Eu Te glorifiquei na terra, tendo concluído a obra que Me deste para fazer.

    Vocês se lembram de que, em João 12, alguns gregos queriam ver o Senhor. O Senhor havia feito uma maravilhosa entrada triunfal em Jerusalém, e agora alguns gregos queriam vê-Lo. O Senhor disse:

    Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.

    Então Ele disse: “Pai, glorifica Teu Filho”. Para nosso Senhor Jesus, ser glorificado significava entregar Sua vida por nós. Ser glorificado significava concluir a obra que o Pai O havia enviado para realizar.

    Por ter concluído a obra, Ele disse:

    E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo, com a glória que Eu tinha contigo antes que o mundo existisse.

    Em outras palavras, nosso Senhor Jesus deixou Sua glória, a glória de Deus, para vir a este mundo. E agora, depois de concluir a obra que fora enviado para realizar, pediu ao Pai que O glorificasse com a glória que Ele e o Pai tinham antes do início do tempo, na eternidade. Ele estava voltando para Seu Pai.

    A oração de Cristo pelo Seu povo

    Depois de orar por Si mesmo, Ele passou a orar por aqueles que estavam com Ele naquela noite. Em João 17:6-19, Ele orou por aqueles discípulos, os onze que estavam com Ele naquela noite. Em João 17:20-26, Ele orou por aqueles que creriam Nele por meio da palavra dos que estavam com Ele naquela ocasião.

    Vocês perceberão que Sua oração pelos onze que estavam com Ele é a mesma que Sua oração por aqueles que creriam Nele por meio da palavra deles. Em outras palavras, a oração de nosso Senhor Jesus pelo Seu próprio povo inclui tanto aqueles que estavam com Ele naquele momento quanto aqueles que creriam Nele posteriormente.

    Embora alguns estivessem com Ele naquela noite, e muitos, muitos outros não estivessem; embora tenhamos vindo ao Senhor em épocas diferentes e em lugares diferentes, quando nosso Senhor Jesus ora pelo Seu próprio povo, Ele reúne todos nós como um só.

    Sejam aqueles onze que estavam com Ele naquela noite, sejam os que creem Nele por meio das palavras deles ao longo dos séculos, Sua oração por nós é uma só. Ele veio a este mundo para buscar um só corpo, uma só noiva, uma só família, uma só casa. Foi isso que Ele veio buscar. Sua oração pelos Seus inclui a nós.

    O único encargo que Ele tinha em Seu coração naquele momento, e que derramou diante do Pai, era simplesmente este: que eles fossem um. Quanto Ele ansiava e desejava que todos os que são Seus fossem um.

    Quem são aqueles por quem Ele orou? São aqueles a quem Ele manifestou o nome do Pai. São aqueles que o Pai Lhe deu, tirando-os do mundo. São aqueles que pertencem a Deus, que guardaram a palavra de Deus e a quem o Senhor Jesus falou.

    São aqueles que O receberam, que O conheceram, que são guardados por Ele, que são santificados por Sua palavra e que não são do mundo. Em outras palavras, aqueles por quem Ele orou são todos os que, ao longo dos séculos, creram Nele.

    O Pai nos deu a Ele, e Ele nos guardou e nos santificou pela palavra. Ele ora por todos nós, e o encargo de Sua oração é simplesmente este: que sejamos um.

    Queridos irmãos e irmãs, se esse é o encargo de nosso Senhor — não apenas no momento em que estava deixando Seus discípulos, mas ao longo dos séculos —, ainda hoje nosso Senhor Jesus é nosso grande Sumo Sacerdote. Ele está ao lado do Pai, intercedendo por nós.

    Irmãos e irmãs, vocês sabem qual é Seu encargo ao lado do Pai? Sabem qual é a oração, qual é a intercessão que Ele faz por nós aqui na terra ao longo dos séculos?

    Não é diferente daquela que Ele fez naquela noite. Ele continua fazendo essa oração pelo Seu povo. Ele está orando para que nós, que somos Seus, sejamos um. Esse é Seu único encargo.

    A natureza da unidade cristã

    Somos um? Creio que, à medida que nos aproximamos do fim desta era, cada vez mais o povo de Deus começa a sentir a necessidade de ser um. É por isso que existe, nesta terra, o movimento ecumênico.

    Mas, é claro, sabemos que não é por isso que o Senhor está orando. Ele ora por algo muito maior do que uma simples união exterior. Contudo, Ele colocou no coração de cada crente uma consciência — a consciência de que somos um.

    Por mais diferentes que sejamos, seja qual for nossa origem, por mais distinções que tenhamos neste mundo, nós, que pertencemos ao Senhor, temos dentro de nós uma consciência inerente de que somos um. Sabemos que somos um. Sabemos que devemos ser um.

    Não temos apenas essa consciência interior, mas também o ensino da palavra. A palavra nos ensina que somos um só corpo. Embora sejamos muitos, somos um só corpo e somos membros uns dos outros. Isso nós sabemos.

    Não podemos ensinar às pessoas que elas podem estar divididas. Se as pessoas estão divididas, sabem que isso não está certo. Precisam se defender apresentando razões para justificar suas divisões. Mas, no íntimo de seus corações, sabem que, seja qual for a razão que apresentem, ela não é suficiente.

    Todos nós sabemos, no fundo do coração, que somos um e que devemos ser um.

    Mas qual é a unidade que o Senhor Jesus procura entre Seu povo? Não é algo exterior — não é tentar unir as pessoas exteriormente por meio de concessões, negociações e acordos de dar e receber.

    O mundo não será enganado por esse tipo de união. Talvez essa união possa enganar alguns do povo de Deus, mas não pode enganar o mundo. O mundo sabe como o povo de Deus está dividido. Eles não são um.

    Qual é a unidade que o Senhor procura em Seu povo? Em João 17:11, nosso Senhor Jesus diz:

    Para que sejam um, assim como Nós.

    Em João 17:22:

    Para que sejam um, assim como Nós somos um.

    A unidade do povo de Deus tem como modelo a unidade da Divindade:

    Para que sejam um, assim como Nós somos um.

    Assim como o Pai e o Filho são um, nós também devemos ser um.

    Sabemos que na Divindade há o Pai, o Filho e o Espírito Santo. São três Pessoas e, ainda assim, um só Deus — três em um e um em três. É um mistério que não compreendemos. Foi-nos revelado, e nós cremos. Não podemos explicá-lo, mas sabemos que Deus é três em um e um em três.

    A unidade na Divindade é uma unidade perfeita. O Pai e o Filho são um no Espírito. Não há necessidade de uma comissão, não há necessidade de discussão, não há necessidade de negociação, não há necessidade de concessões e não há necessidade de argumentação.

    Na Divindade há perfeita harmonia, perfeita concordância e perfeita unidade. Não há sombra, não há obscuridade, não há trevas, não há dúvida. Eles são perfeitamente um.

    A unidade por meio da habitação mútua

    O Senhor disse:

    Para que sejam um, assim como Nós somos um.

    Nossa unidade deve ser como a unidade da Divindade.

    Agora, o que é a unidade da Divindade? O Senhor diz:

    Tu, ó Pai, estás em Mim, e Eu em Ti.

    Em outras palavras, a unidade da Divindade está fundamentada nessa habitação mútua.

    Não é que o Pai esteja ao lado do Filho, ou que o Filho esteja ao lado do Pai. O Pai está no Filho, e o Filho está no Pai. Por haver essa habitação mútua, encontramos essa unidade.

    Vocês se lembram de que, mesmo perto do fim, Filipe pediu ao Senhor Jesus:

    Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.

    Como nosso Senhor Jesus ficou entristecido. O Senhor disse:

    Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não Me conheces?
    Quem Me vê a Mim vê o Pai.

    O Pai está no Filho, e o Filho está no Pai. Como existe essa habitação mútua, a unidade é perfeita. Não é apenas uma questão de estar ao lado uns dos outros. Por mais unidas que as pessoas pareçam, a unidade não é perfeita. Mas a habitação mútua torna a unidade perfeita.

    Queridos irmãos e irmãs, como podemos ser um? O que nos torna verdadeiramente um? Sem essa habitação mútua, eu não posso estar em vocês, e vocês não podem estar em mim. Como essa habitação mútua pode se tornar realidade?

    Aqui o Senhor Jesus diz:

    E Eu lhes dei a glória que Tu Me deste; para que sejam um, assim como Nós somos um;
    Eu neles, e Tu em Mim, para que sejam aperfeiçoados em um;
    para que o mundo conheça que Tu Me enviaste.

    Essa habitação mútua está fundamentada no fato de que estamos Nele e Ele está em nós.

    Em 1 Coríntios 1:30, está escrito:

    Mas vós sois Dele, em Cristo Jesus, o Qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.

    Quando cremos no Senhor Jesus, algo acontece: Deus nos coloca em Cristo. Acho que isso é a coisa mais gloriosa. É um mistério do evangelho. Quando cremos no Senhor Jesus, Deus faz algo maravilhoso: Ele nos coloca em Cristo.

    Se vocês lerem Efésios 1, verão como tudo isso de estar “em Cristo” é um grande mistério.

    Bendito seja Deus, que nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo Jesus.

    Em Cristo, Ele nos aceitou. Em Cristo, Ele nos perdoou. Em Cristo, Ele nos adotou. Tudo é em Cristo.

    Deus nos colocou em Cristo. Portanto, irmãos e irmãs, nós, que cremos no Senhor Jesus, estamos Nele. Estamos em Cristo. Estamos em Deus. Cada um de nós está Nele, e Ele está em nós. Ele está em cada um de nós.

    Porque estamos Nele e Ele está em nós, há unidade entre nós. Estamos Nele; Ele está em nós. Por causa dessa habitação mútua, é possível sermos verdadeiramente um. Nossa unidade está fundamentada nessa habitação mútua.

    Sempre que agimos fora de Cristo… Agora, é claro, estar em Cristo é nossa posição; ela nunca muda. Deus nos colocou em Cristo. Graças a Deus por isso. É algo eterno. Nunca muda. Por mais que vocês mudem, vocês estão em Cristo.

    Uma vez que Deus colocou você em Cristo, ninguém pode tirá-lo de lá — nem você mesmo, nem qualquer outra pessoa. Essa é nossa posição, assegurada pela obra consumada de Cristo. Estamos em Cristo.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, quanto à nossa condição, ela pode mudar. Às vezes podemos permanecer em Cristo; às vezes podemos estar longe, em algum outro lugar.

    Se permanecemos em Cristo, a unidade está presente. Mas, quando estamos fora de Cristo em nossa vida diária, vemos que essa unidade é rompida.

    Se permanecemos Nele e Ele em nós — isto é, se Ele vive em nós —, como nosso irmão mencionou ontem à noite:

    Estou crucificado com Cristo; e já não vivo eu, mas Cristo vive em mim.

    Se Cristo vive em nós, então somos um.

    Se Cristo vive em você e Cristo vive em mim, é Cristo Quem está vivendo; então somos um. Mas, se é você quem vive e sou eu quem vivo, acabaremos entrando em conflito. A unidade parecerá rompida.

    Nossa unidade está em Cristo e no fato de Ele estar em nós. É com base nessa habitação mútua que a unidade é mantida.

    A separação do mundo

    Como podemos ser um? Na oração de nosso Senhor Jesus, encontramos algo muito curioso. Sabemos que Seu encargo pelo Seu povo é que sejamos um, e, no entanto, em Sua oração Ele fala muito sobre o mundo — sobre o relacionamento dos crentes com o mundo. Por quê?

    O que é o mundo? O mundo é um cosmos. O mundo é um sistema. O mundo é uma organização. Quem o organizou? O arqui-inimigo de Deus. Ele organizou o mundo em um sistema para se opor a Deus. Ele é o príncipe deste mundo.

    Exteriormente, vemos que o mundo é uma só organização, um só sistema. Existe ali uma unidade, seja social, econômica, política, educacional, cultural ou religiosa. Vemos que o mundo é um só sistema, uma só organização — uma frente unida contra Deus.

    É claro, sabemos que até essa unidade é uma unidade heterogênea. Não é uma unidade homogênea. Ela é mantida pela força, não pelo amor. Mas, pelo menos, vemos que o mundo aparenta ser uma unidade, um sistema.

    Como o Senhor Jesus deseja que Seu povo seja um, precisamos corrigir nosso relacionamento com o mundo. Qual é nosso relacionamento com o mundo? Esse é o aspecto negativo da unidade positiva entre o povo de Deus.

    A menos que nosso relacionamento com o mundo seja adequado, nossa unidade uns com os outros não estará correta. Deus nos chamou para fora deste mundo. Ele nos deu a Cristo. Ele nos chamou para fora deste mundo.

    Irmãos e irmãs, não pertencemos a este mundo. Não pertencemos a este sistema. Não pertencemos a essa unidade. Fomos tirados deste mundo.

    Mas, fisicamente, ainda estamos no mundo. É verdade que, neste corpo físico, ainda estamos no mundo. Ainda precisamos comer, beber, trabalhar e fazer as coisas. Estamos no mundo.

    O Pai nos chamou para fora do mundo. Ainda estamos no mundo e, no entanto, não somos do mundo. Fisicamente, estamos aqui; espiritualmente, estamos em outro lugar. Estamos em outro mundo.

    Não somos do mundo, assim como Ele não é do mundo. Irmãos e irmãs, não somos do mundo, assim como Ele não é do mundo.

    Assim como Ele não é do mundo — de que maneira Ele não era do mundo? Ele estava no mundo. Veio a este mundo. Viveu nesta terra por trinta e três anos. Era uma pessoa normal. Comia, bebia, descansava, trabalhava, caminhava, encontrava pessoas e mantinha relacionamentos.

    Ele não era alguém que fugia para as montanhas para ser monge. Estava no mundo, e, no entanto, sabemos que não era do mundo. Onde quer que estivesse, fosse o que fosse que fizesse ou dissesse, Ele trazia consigo uma atmosfera celestial. Pertencia a outro mundo.

    Ele não era do mundo. É por isso que as pessoas não conseguiam compreendê-Lo. Ele era tão diferente, inteiramente incomum, não era como o restante do mundo.

    Queridos irmãos e irmãs, é isso que o Senhor diz: não somos do mundo, assim como Ele não é do mundo. Ele não nos tira do mundo imediatamente. Deixa-nos no mundo, mas não somos do mundo, assim como Ele não é do mundo.

    Por isso, Ele nos enviou ao mundo para sermos testemunhas e darmos testemunho Dele, assim como Ele foi enviado pelo Pai ao mundo para dar testemunho de Seu Pai.

    Uma das razões pelas quais a unidade entre o povo de Deus não se manifesta é que nosso relacionamento com o mundo não está correto. Se ainda amamos o mundo, se agimos como as pessoas do mundo, como podemos manifestar essa unidade do corpo de Cristo?

    Talvez tudo o que possamos fazer seja tentar manter exteriormente algum tipo de organização, institucionalizar alguma coisa, sistematizar alguma coisa e apresentar uma fachada, como se fôssemos um. Mas todos sabem que isso não é verdade.

    Há um versículo, em 2 Coríntios 6:14, que diz:

    Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos.

    Agora, é claro, isso significa não se prender a um jugo desigual com os incrédulos. Mas acho que o princípio pode ser aplicado aos crentes.

    Se os crentes agem como incrédulos, se os crentes vivem no mundo como pessoas mundanas, se os crentes agem como os homens do mundo, como podemos estar unidos sob o mesmo jugo?

    Só podemos estar unidos sob o jugo de Cristo e trabalhar juntos uns com os outros se nosso relacionamento com o mundo for como o Senhor ordena que seja.

    Há muito do mundo em nós, e é por isso que a unidade dos crentes não pode se manifestar. Ah, como precisamos pedir ao Senhor que abra nossos olhos, para vermos quanto do mundo ainda está em nós, quanto ainda pertencemos a este mundo.

    Isso é algo que impede a unidade dos crentes. Se o Senhor puder tirar o mundo de vocês e tirar vocês do mundo, então, queridos irmãos e irmãs em Cristo, somos um, e essa unidade pode se manifestar gloriosamente.

    Então o mundo poderá ver o que realmente é a verdadeira unidade. Para entrarmos na unidade dos crentes, precisamos tratar dessa questão do mundo. É preciso lidar com o mundo.

    Como Paulo diz:

    Quanto ao mundo, estou crucificado; e, quanto a mim, o mundo está crucificado.

    Somente com esse tipo de atitude vemos que é possível o povo de Deus ser verdadeiramente um.

    O nome do Pai e a vida de Cristo

    Esse é o lado negativo. Agora passamos ao lado positivo. Como podemos ser um? Em João 17:11, o Senhor Jesus disse:

    E já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para Ti. Pai santo, guarda-os em Teu nome, que Me deste, para que sejam um, assim como Nós.

    Guarda-os em Teu nome, que Me deste, para que sejam um, assim como Nós.

    Como podemos ser um? Podemos ser um se formos guardados pelo nome que Deus deu a Cristo.

    Notem que o Senhor Jesus não diz: “Guarda-os em Meu nome”. Ele disse:

    Guarda-os em Teu nome, que Me deste.

    Qual é o nome que Deus deu a Cristo? Acho que é muito simples: é o nome de Pai.

    Embora, nos tempos do Antigo Testamento, encontremos expressões como Deus dizendo aos filhos de Israel, em Jeremias 31, “Serei um Pai para vocês”, ou, em Malaquias 1:6:

    Se Eu sou Pai, onde está a Minha honra?

    Ainda assim, nos tempos do Antigo Testamento, a paternidade de Deus era conhecida mais no sentido de que Ele era o Criador da humanidade, ou o Protetor e Guardião daqueles que Lhe pertenciam.

    Ele nunca era considerado de maneira pessoal. As pessoas, nos tempos do Antigo Testamento, nunca conheceram Deus como Pai em um sentido pessoal. Por quê? Porque somente nosso Senhor Jesus é o Filho unigênito do Pai.

    Em outras palavras, “Pai”, no sentido íntimo e pessoal, só era uma realidade para nosso Senhor Jesus, e para ninguém mais. Ele é o unigênito do Pai. Esse é um nome que Deus deu ao Seu Filho. Somente Seu Filho tem o direito de chamá-Lo de Pai.

    E isso Ele nos deu. Por esse nome somos guardados. Vocês se lembram de que, quando nosso Senhor Jesus ressuscitou dentre os mortos, disse à mulher que levasse uma mensagem aos Seus discípulos:

    Vai a Meus irmãos e dize-lhes: subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus.

    Ah, irmãos e irmãs, o Filho unigênito compartilha Seu Pai com muitos filhos. Ele agora é o primogênito entre muitos irmãos. Quando cremos Nele, o Espírito Santo testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus, e clamamos: “Aba, Pai”.

    Você clama: “Aba, Pai”. Eu clamo: “Aba, Pai”. É esse nome que nos mantém um. Você tem o mesmo Pai que eu tenho. Pertencemos à mesma família.

    Certo dia, algumas crianças estavam brincando e, de repente, um homem passou por ali. Quando ele passou, uma das crianças gritou: “Pai! Pai!” Vocês sabem que as crianças gostam de imitar, então todas começaram a gritar: “Pai!” Então aquela criança se virou para as outras e disse: “Não, ele é meu pai, não é o de vocês”.

    Queridos irmãos e irmãs, o mundo não tem o direito de chamar Deus de seu Aba, Pai. A paternidade de Deus só é uma realidade para aqueles que creem no Senhor Jesus. É o nome do Pai que nos une como um só.

    Em segundo lugar, encontramos em João 17:22:

    E Eu lhes dei a glória que Tu Me deste; para que sejam um, assim como Nós somos um.

    O que é essa glória que Deus Lhe deu? Nosso Senhor Jesus tinha uma glória que compartilhava com Seu Pai na eternidade passada — a glória da Divindade. Ele a tinha com Seu Pai; não era algo que Lhe fora dado. Ele já a tinha antes mesmo do início do tempo.

    Mas nosso Senhor Jesus tinha outra glória, e essa era uma glória que o Pai Lhe deu. Ele tinha uma glória que era Sua por direito na eternidade, porque Ele é Deus; e tinha outra glória que Lhe fora dada pelo Pai.

    Qual é a glória que Deus Lhe deu? Já falamos sobre isso. É a glória de ter cumprido a vontade do Pai, concluído a obra e satisfeito o Pai. Essa é a glória.

    Com base nisso, Ele tem autoridade para dar vida àqueles que creem Nele. Portanto, podemos dizer que a glória aqui é a vida que Ele nos dá com base em Sua obra consumada na cruz.

    Irmãos e irmãs, nossa unidade está fundamentada na vida. É a vida Dele em você e a vida Dele em mim. Você tem a mesma vida que eu tenho. Compartilhamos a mesma vida e, por compartilharmos a mesma vida, somos um.

    Não apenas podemos chamar Deus de nosso Pai e pertencer à mesma família, mas também compartilhamos a mesma vida. Portanto, somos um.

    Nossa unidade não está fundamentada em qualquer ensino, doutrina, credo, pensamento ou organização. Nossa unidade está fundamentada na vida.

    Se você tem a vida de Cristo em você e eu tenho a vida de Cristo em mim, somos um em vida, por mais diferentes que sejamos em outros aspectos. Ah, se tão somente pudermos permanecer sobre esse fundamento da vida — a vida de Cristo que nos torna um — e permitir que essa vida se expresse por meio de nós, então seremos aperfeiçoados em um.

    O testemunho da unidade

    Qual será o resultado dessa unidade? Primeiro:

    Para que o mundo conheça que Tu Me enviaste.

    Ah, irmãos e irmãs, que testemunho isso será.

    Embora o mundo pareça ser uma frente unida contra Deus, sabemos que é uma união heterogênea. Encontramos no mundo todo tipo de discriminação, todo tipo de diferença, todo tipo de tumulto e todo tipo de conflito.

    A unidade é divina. É celestial. A unidade é algo que o mundo nunca conhece e que o mundo não pode ter. Coloquem duas pessoas juntas, e verão que elas não conseguem ser um, porque duas pessoas na carne nunca conseguem concordar verdadeiramente.

    Mas, quando o povo de Deus é verdadeiramente um, o mundo saberá que Deus enviou Cristo a este mundo. Em outras palavras, isso é algo que ninguém consegue realizar.

    As pessoas podem tentar unir outras pessoas pela força, mas isso não é unidade. Aqui encontramos todo o povo de Deus unido como um só no Espírito. O mundo nunca viu algo assim antes.

    Como no primeiro século, quando as pessoas diziam: “Vejam essas pessoas, como elas amam umas às outras”. Irmãos e irmãs, como isso é possível? Deus enviou Seu Filho a este mundo. Portanto, isso é um testemunho.

    Como é importante que haja esse testemunho hoje. Ah, que sejamos um, e que o mundo saiba que Deus enviou Cristo a este mundo.

    Em segundo lugar:

    E os amaste, assim como Me amaste.

    Não apenas podemos, por sermos um, dar um bom testemunho ao mundo a respeito de Cristo, mas, se somos um, o próprio Deus dará testemunho de que nos amou como amou a Cristo.

    O Senhor Jesus disse, em João 15:10:

    Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor; assim como Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço no Seu amor.

    Ah, se pudermos ser um, isso mostrará que o Pai nos amou. E, porque o Pai nos amou, seremos um. É um ciclo: somos um e o Pai nos ama; porque o Pai nos ama, somos cada vez mais um.

    O amor do Pai estará sobre nós, assim como o amor do Pai está sobre nosso Senhor Jesus. Portanto, queridos irmãos e irmãs, essa é a oração de nosso Senhor Jesus. Ah, Ele ora para que sejamos um. Ele tornou possível que sejamos um.

    Se não somos um, não há razão, não há desculpa. Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?

    Oração

    Ó nosso Pai, como Te louvamos e Te agradecemos porque nosso Senhor Jesus realizou a obra que Tu O enviaste para fazer. Com base na obra consumada de Cristo, Tu nos concedeste essa unidade.

    Nós Te louvamos e Te agradecemos porque nos deste o nome pelo qual podemos Te chamar de Aba, Pai. Nós Te louvamos e Te agradecemos porque nos deste glória, a Tua própria vida em nós.

    E, Senhor, se não somos um, ah, quanto Te ferimos. Quanto desonramos Teu nome. Pedimos-Te, ó Senhor: perdoa-nos. Tira tudo o que há em nós que nos leva a nos dividir e nos separar.

    Oramos para que nos mantenhas um em Ti, para que o Pai seja glorificado. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.