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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Eternal Prospect of the Christian © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Eternal Prospect of the Christian
    The Eternal Prospect of the Christian
    Austin-Sparks, T.

    As Perspectivas Eternas da Vida Cristã

    Procurem realmente compreender o que a vida cristã de fato é.

    Em primeiro lugar, ser cristão não é algo insignificante ou trivial. Por isso, nossa primeira noite foi dedicada ao imenso significado da vida cristã.

    Também não é algo superficial, feito de sentimentos, sensações, emoções e impressões passageiros e mutáveis. Ela se fundamenta em mudanças profundas e radicais em nossa própria constituição.

    Nossa segunda noite foi dedicada ao que acontece quando nos tornamos cristãos — isto é, ao que acontece conosco e em nós.

    Além disso, não é algo que se esgota em sua experiência inicial, por mais maravilhosa e grandiosa que ela seja. Não está tudo limitado ao seu começo; pelo contrário, ela é inesgotável, não tem limites.

    Nossa terceira noite foi dedicada ao propósito divino e aos princípios que governam a vida cristã.

    Por fim, ela de modo algum diz respeito apenas a esta vida, seja ela curta ou longa. Sua relação é ainda maior com a eternidade vindoura. Portanto, nesta noite, vamos nos ocupar das perspectivas eternas da vida cristã — de sua relação com o futuro eterno.

    A Vida Cristã em Sua Relação com a Eternidade

    Vimos, no início, que a vida cristã remonta à eternidade passada. Não é algo que simplesmente surgiu nesta era específica, chamada era cristã, mas foi concebida por Deus em Seus conselhos eternos. O Novo Testamento tem muito a dizer sobre isso.

    Esse propósito e desígnio eternos estão penetrando nesta dispensação especial de maneira muito definida e particular. A eternidade passada está se fazendo presente e se manifestando nesta era de uma maneira particular.

    Agora precisamos ver que a eternidade futura também está penetrando nesta dispensação. A eternidade futura governa o presente, molda o presente e explica o presente.

    Deus não está apenas trabalhando para nos levar adiante. Na verdade, o aspecto progressivo das atividades divinas é o nosso lado da questão. Deus está trabalhando de volta para o que estabeleceu. Sua maneira de agir é sempre nesse sentido. Assim, desde a eternidade passada, Ele nos conduz adiante; mas, na realidade, está nos conduzindo de volta.

    O Elemento Prospectivo no Novo Testamento

    Quando chegamos a esta questão das perspectivas eternas do cristão, precisamos reconhecer — e há tanto a esse respeito que não é difícil reconhecer — que existe um elemento prospectivo muito amplo no Novo Testamento. Isto é, o Novo Testamento está sempre olhando para o que está adiante.

    No Novo Testamento, tudo é dominado pelas eras vindouras. A concepção é eterna, não apenas temporal. Essa concepção é grande demais, muito grande, para se realizar plenamente em qualquer período de tempo. É maior do que todo o tempo. Portanto, certamente não pode se realizar durante a vida de qualquer pessoa.

    Isso vai de eternidade a eternidade e requer uma existência além do tempo para sua plena realização. Naturalmente, isso explica muita coisa. Explica a própria natureza da vida cristã e do nosso serviço cristão.

    A Experiência e Sua Plena Realização na Eternidade

    Um fator muito importante na maneira como Deus trata Seu povo, os cristãos, é a experiência. Deus atribui grande valor à experiência.

    É justamente quando estamos começando a tirar proveito da experiência, e outros estão começando a tirar proveito da nossa experiência, que somos chamados a partir. Toda aquela experiência longa, rica e profunda não chegou, de fato, a encontrar uma expressão adequada.

    Há algo nisso que seria um problema se Deus atribuísse tanto valor à experiência e, depois, quando a tivéssemos adquirido, não pudéssemos utilizá-la. Parece uma contradição. É necessária uma continuidade, em algum lugar, de alguma maneira, para que toda aquela experiência profunda, que Deus se empenhou tanto em produzir, encontre sua plena expressão.

    Isso explica a maneira como Deus nos trata no caminho de uma experiência profunda e cada vez mais profunda.

    A Incompletude do Serviço Presente

    Quanto à obra de Deus, bem, a obra é difícil; é árdua; o progresso é lento demais. E você pode continuar assim até que sua vida tenha chegado ao fim de todos os dias que lhe foram concedidos, depois de ter se consumido até a última gota — o que você fez? Afinal, o que você fez? A que isso se resume? No máximo, precisamos dizer: pouco — relativamente pouco.

    Há muito mais a fazer, e cada geração sucessiva de obreiros cristãos tem a mesma história para contar. Seguimos adiante, seguimos adiante, e nunca conseguimos dar conta de tudo. Nunca alcançamos algo semelhante à plenitude nesta vida. É necessário algo mais para aperfeiçoar tanto nossa vida imperfeita quanto nosso trabalho imperfeito.

    O Interesse de Deus pelas Pessoas

    Há ainda outro fator, e não é pequeno: Deus parece — vou colocar assim — parece estar muito mais interessado no obreiro do que até mesmo na obra.

    Esse é um ponto que gera perplexidades na vida e no serviço cristãos. Se Deus estivesse interessado apenas em nosso trabalho cristão, nunca permitiria que fôssemos afastados dele, sobretudo repetidas vezes ou por longos períodos. Certamente não deveria permitir que morrêssemos prematuramente, como diríamos.

    Se a obra é tudo, então Ele deveria nos manter em pleno vigor durante todos os nossos dias e prolongar nossa vida até sua duração máxima. Mas Ele não faz isso. Muitas pessoas preciosas para Ele não conseguem servir da maneira como se costuma entender o serviço cristão — como atividade.

    Até mesmo aqueles que estão em plena atividade têm consciência de que a verdadeira necessidade, a verdadeira necessidade na obra de Deus, é que eles próprios conheçam mais profundamente o próprio Deus. Deus está muito interessado neles, mais até do que em seu trabalho.

    O que isso nos diz? Toda essa disciplina, correção, provação, teste — tudo aquilo por que passamos sob a mão de Deus — é apenas para agora? Certamente Ele está preparando pessoas para algo mais.

    Ele está interessado em homens, em mulheres, em pessoas, tanto quanto, se não mais, naquilo que fazem para Ele. Naturalmente, isso nunca deve ser usado como desculpa para não trabalharmos com toda a nossa capacidade. Mas tudo isso aponta para algo mais.

    A Necessidade de uma Vida sem Fim

    Nada é perfeito ou completo enquanto a morte permanece.

    Vocês se lembram do argumento sobre o sacerdócio do Antigo Testamento que o apóstolo desenvolve na carta aos Hebreus. Os sacerdotes da antiga dispensação não podiam levar nada à sua conclusão definitiva, porque morriam e precisavam passar a responsabilidade a outro. O sacerdote nunca levava nada à conclusão definitiva; morria e precisava passar tudo a outro. E assim continuava.

    O argumento é que nada foi aperfeiçoado por causa da morte. Mas Ele — Jesus, nosso Sumo Sacerdote — aperfeiçoa e tem aperfeiçoado as coisas porque vive para sempre.

    O princípio, naturalmente, é este: enquanto a morte permanece, nada se completa nem chega à sua conclusão definitiva. É necessária uma vida sem fim — o poder de uma vida sem fim — para alcançar a plenitude.

    A Imagem Bíblica da Imortalidade

    Isso é mostrado claramente nas Escrituras. A imagem da imortalidade que a Bíblia nos apresenta é muito maravilhosa, embora não possamos compreendê-la na presente ordem das coisas.

    A imagem da imortalidade que a Bíblia nos apresenta é a de novas produções sem que o antigo morra. Em nossa ordem atual, tudo o que é novo surge da morte. Tudo precisa morrer para produzir algo novo. Essa é a ordem desta dispensação.

    No centro desta dispensação está a grande verdade de Jesus Cristo: o grão que cai na terra e morre para que haja uma produção em maior escala. Essa é a ordem desta dispensação, mas não é a ordem da eternidade vindoura.

    A imagem da imortalidade apresentada na Palavra é esta: novos ramos, novas folhas, novos frutos — e o antigo nunca morre. O antigo nunca morre. É levado à perfeição sem que haja morte alguma. Isso é realmente maravilhoso, não é?

    O Imperativo do Progresso Espiritual

    Quando vocês voltarem à Palavra para considerar esse fator, esse elemento prospectivo, observem quanto há nela de apelo e de imperativo à entrega total.

    O tempo todo, os apóstolos estão nos ajudando, fazendo recair sobre nós o peso deste grande imperativo: “Prossigam, prossigam, prossigam”. Por meio de exortações e advertências, estão constantemente nos dizendo: “Prossigam, e continuem sempre a prosseguir”.

    Esse imperativo diz respeito a sermos inteiramente de Deus, sem deixar qualquer parcela da vida que não seja consumida para Deus. O ponto central desse argumento, desse apelo, desse imperativo, é a eternidade vindoura — tudo o que está na vida que virá depois.

    Por que nos entregar inteiramente a Deus? A resposta será encontrada depois. Precisamos, dizem eles, nos entregar inteiramente a Deus por causa do que está por vir, porque este não é o fim, porque aquilo que virá depois mostrará a razão de termos sido inteiramente de Deus.

    O Elemento Comparativo na Eternidade

    Isso nos leva ao próximo ponto relacionado a esse assunto: o elemento comparativo na eternidade. Creio que concordamos que existe um elemento prospectivo na vida cristã que ocupa grande parte do Novo Testamento.

    Retirem esse elemento prospectivo do Novo Testamento e vejam quanto sobra. Seja um monte de pó, seja o que for, não restará muita coisa. Retirem esse elemento — ele está ali, e está ali com muita força.

    Mas, além dele, existe o que estou chamando de elemento comparativo em relação à eternidade vindoura. Mais uma vez, existe tal elemento no Novo Testamento.

    O que quero dizer com elemento comparativo é isto: as coisas não estarão todas no mesmo nível na vida futura. Haverá diferenças no que diz respeito aos filhos de Deus, e diferenças muito grandes.

    A Prova da Obra Cristã

    Era para isso, naturalmente, que o apóstolo apontava ao escrever aos coríntios, falando sobre o fundamento e a construção erguida sobre ele. Ele disse que o fundamento está lançado. Agora, cada um tenha cuidado com a maneira como edifica sobre ele.

    E, se alguém sobre este fundamento edifica ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha;
    A obra de cada um se manifestará:
    Porque o dia a declarará, pois será revelada pelo fogo;
    E o próprio fogo provará de que espécie é a obra de cada um.
    — 1 Coríntios 3:12-13

    Se for madeira, feno e palha, como ele dá a entender, tudo se transformará em fumaça. Então ele apresenta esta palavra de uma força tremenda:

    Se a obra de alguém se queimar, sofrerá perda:
    Mas ele mesmo será salvo; todavia, como que através do fogo.
    — 1 Coríntios 3:15

    Isto é, a pessoa pode passar dessa maneira, como numa situação de emergência, conseguindo entrar, como dizemos, por um fio. Tudo se foi; tudo se foi. Certamente, o argumento é que não era isso que Deus pretendia.

    Em contraste com isso, temos uma passagem como esta:

    Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
    — 2 Pedro 1:11

    De um lado, existe a possibilidade de entrar apenas com a própria vida, e nada mais. Do outro, existe uma entrada abundante no reino eterno. Vocês veem: há diferenças; há comparações.

    As Promessas aos Vencedores

    E aquelas mensagens às sete igrejas da Ásia que encontramos no início do livro de Apocalipse?

    Não concordo com a ideia de que as pessoas daquelas igrejas apenas professavam a fé e não eram verdadeiros cristãos. Se vocês admitem que eram cristãos, então precisam encarar isto: entre cristão e cristão há diferenças, e ali são dadas certas promessas muito específicas a determinados cristãos.

    Ao que vencer.
    — Apocalipse 2:7

    “Ao que vencer”, “ao que vencer”, “ao que vencer”. Bem, a lógica claramente implica que, se você não vencer, não receberá aquilo que o Senhor oferece. Há diferenças.

    Mas não creio que isso seja uma questão de perder a salvação. Trata-se de algo além de simplesmente ser salvo — de conseguir entrar. Qual é a natureza dessa diferença? Quais são as diferenças?

    A Recompensa como Vocação Eterna

    Algumas pessoas diriam: “Bem, é claro que se trata de recompensa”. Muito bem, vamos deixar assim. É recompensa, se vocês preferirem. Mas que recompensa vocês querem? Qual é a recompensa que estão buscando?

    Vocês querem honrarias? Querem títulos? Querem uma poltrona para toda a eternidade? O que desejam como recompensa?

    Vamos fazer a pergunta de outra maneira. O que o Novo Testamento mostra ser a natureza da recompensa, se vamos manter essa palavra, “recompensa”? A resposta, muito claramente, se vocês quiserem examinar novamente, é esta: a recompensa diz respeito à vocação. Sempre diz respeito à vocação.

    E os Seus servos O servirão;
    E verão o Seu rosto.
    — Apocalipse 22:3-4

    Serviço — sem tudo aquilo que hoje está associado ao serviço. Serviço a Ele sem limites, sem restrições, sem oposição, sem sofrimento. Serviço: poder servi-Lo.

    Bem, o que vocês acham disso? Não consigo imaginar nada que trouxesse maior alegria do que simplesmente poder, sem todas as restrições, limitações e dificuldades da obra atual, exercer plenamente nossa influência.

    Isso está claro. O Novo Testamento põe o dedo sobre a vocação.

    Relacionamento e Serviço no Reino

    Ele prossegue mostrando que isso é uma questão de posições relacionais. Trata-se da posição em relação ao Senhor — diferentes posições de serviço.

    Tomem uma ilustração, um exemplo. Em uma daquelas mensagens às igrejas:

    Ao que vencer, conceder-lhe-ei que se assente Comigo no Meu trono.
    — Apocalipse 3:21

    Aí vocês têm duas ideias. Uma é um relacionamento muito próximo com o Senhor, uma proximidade muito íntima com Ele. A outra é o serviço real. Chamem como quiserem: é o serviço do trono.

    Mais uma vez, qual é a sua concepção de se assentar com Ele no trono? Vamos corrigir nossa maneira de pensar sobre todas essas coisas — tronos e assim por diante. Não imaginem pessoas sentadas em tronos de ouro ou de marfim, nem coisas desse tipo.

    Isso significa simplesmente união com o Senhor na administração de Seu reino eterno. Isso é serviço. Mas é apresentado como uma dádiva especial a determinadas pessoas. Se quiserem, isso é recompensa. O ponto, porém, é que ela diz respeito à vocação e é uma questão de relacionamento com o Senhor.

    A Nova Jerusalém como Símbolo da Igreja

    A imagem final que temos no Novo Testamento, embora repleta de simbolismo, expressa esses princípios espirituais. É a imagem da cidade.

    Mais uma vez, esclareçam isso em sua mente e não pensem numa cidade literal. É apenas uma ilustração, uma figura, um símbolo. Essa cidade, sem dúvida, é a igreja.

    Preciso argumentar a esse respeito?

    A Jerusalém que é de cima é nossa mãe.
    — Gálatas 4:26

    Chegastes à Jerusalém celestial.
    — Hebreus 12:22

    Nós chegamos — não estamos esperando chegar depois — à Jerusalém celestial, à igreja dos primogênitos. As duas são a mesma coisa.

    Portanto, aquela cidade chamada Nova Jerusalém, que desce do céu, da parte de Deus, é a igreja. Ela é apresentada numa posição particular, peculiar. É como uma cidade, e a ideia de uma cidade é a de um centro administrativo.

    Então somos informados de que as nações andam à sua luz. Há algo no centro para governar, e há muito mais que não está no centro. Aqui temos proximidade com o Senhor, relacionamento com o Senhor, para uma vocação eterna de natureza administrativa em Seu reino.

    Certamente isso basta para confirmar o que estou tentando dizer: existe um elemento comparativo na eternidade vindoura. Esse é o sentido do apelo e do imperativo. Essa é a força do constrangimento: prossigam até a plena maturidade, sem olhar para trás, avançando sempre.

    A advertência não é: “Como vocês poderiam perder a salvação?”. Não. Há posições, e há uma vocação para a qual vocês são chamados na eternidade. Vocês podem deixar de alcançá-la. Podem deixar de alcançá-la.

    Creio que Paulo viu isso naquilo que chamou de chamado celestial. Ele viu algo dessa vida de reinar nas eras vindouras.

    A Medida Espiritual como Base da Designação

    Com Deus, nada é meramente oficial. Deus nunca designa pessoas para funções em Seu reino de maneira apenas oficial. Não são políticos colocados oficialmente em Seu reino; tampouco são eclesiásticos nomeados oficialmente.

    Com Deus, repito, nada é meramente oficial. Vocês sabem, Deus não designa pessoas para funções em Sua igreja apenas por um título.

    O princípio de Deus para a designação é sempre a medida espiritual.

    Deus indica aqueles que devem exercer a supervisão, mesmo agora na igreja, quando isso é algo espiritual e está de acordo com Seu pensamento, como homens de natureza espiritual — não eleitos, escolhidos e empossados por um voto popular ou impopular, mas segundo a natureza espiritual.

    Esse é o princípio do Novo Testamento, e no reino será assim. Ninguém ocupará uma posição simplesmente por ter sido oficialmente nomeado para ela. Cada posição corresponderá à natureza espiritual.

    Por isso, repetidas vezes, encontramos este apelo:

    Prossigamos até a plena maturidade.
    — Hebreus 6:1

    Vocês sabem que essa expressão, “plena maturidade” — traduzida, infelizmente, como “perfeição” na Versão Autorizada — está sempre ligada à natureza e à medida da plenitude de Cristo. Trata-se da natureza de Cristo.

    Trata-se de quanto de Cristo há em nós, de nossa estatura segundo o padrão de Cristo. Essa é a base de Deus para a designação. Sempre será assim com Deus. É assim agora, e nas eras vindouras sempre será assim: a vocação é estabelecida segundo quanto de Cristo há nas pessoas em questão.

    A Disciplina e o Aumento de Cristo em Nós

    Toda a expectativa de Deus, como vimos no início destas meditações, é que Cristo encha todas as coisas. Isso explica nossa disciplina, pois a disciplina de agora é nosso treinamento para aquele tempo.

    A natureza da nossa disciplina atual é justamente aumentar a medida de Cristo. Temos visto a diminuição da medida de nós mesmos em todos os sentidos: deixar de lado o velho homem, que ocupa o lugar de Cristo, e colocar Cristo em seu lugar.

    O único objetivo abrangente do Espírito Santo nesta dispensação é fazer de Cristo tudo e conseguir o maior espaço possível para Cristo em nós — tanto espaço quanto permitirmos que Ele tenha.

    Isso, naturalmente, nos leva de volta a esta questão: vamos realmente nos entregar por inteiro? A medida da nossa fidelidade será a medida da nossa utilidade nas eras vindouras. Isso será governado pela medida espiritual, e por nenhum outro princípio.

    Graça, Sofrimento e Recompensa

    Algumas pessoas têm dificuldade, uma dificuldade puramente mental, em conciliar recompensa e graça. Será que alguns legalistas estão me contestando mentalmente enquanto falo, dizendo: “Ah, tudo é pela graça, e você está transformando isso em obra. Afinal, tudo é pela graça”?

    Bem, é claro que vocês precisam explicar de alguma maneira o fato de haver recompensas, não é? Como conciliar recompensas e graça? Não é tão difícil assim.

    É inteiramente pela graça que temos qualquer oportunidade de nos entregar por inteiro. É inteiramente pela graça que posso ser cristão, que posso prosseguir com o Senhor, que posso servir ao Senhor um pouquinho. Tudo é pela graça.

    Se o sofrimento vai conduzir à glória, e a medida da glória será proporcional ao sofrimento, então será necessária toda a graça de Deus para isso. Nunca se sai do âmbito da graça.

    Se algum dia houver uma recompensa — se vocês quiserem imaginar isso literalmente agora, uma recompensa sendo oferecida —, eu lhes digo: quando chegarmos a esse ponto, com uma boa compreensão e conhecimento de toda a tolerância, longanimidade e paciência do Senhor, cairemos com o rosto em terra e diremos: “Senhor, não posso receber recompensa alguma. Tudo é pela Tua graça”.

    Tudo será pela graça. Mas lembrem-se de que a graça é apresentada de mais de uma maneira no Novo Testamento. Há a graça que nos dá acesso e aceitação:

    Esta graça, na qual estamos firmes.
    — Romanos 5:2

    Todo o favor de Deus sem mérito algum — o próprio fato de sermos salvos, de pertencermos ao Senhor. Sim, isso é graça.

    Mas a graça também é apresentada como força — força para além da salvação. É o que o Senhor quis dizer quando falou a Paulo em meio à sua aflição e ao seu sofrimento:

    A Minha graça te basta:
    Porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.
    — 2 Coríntios 12:9

    Graça é aceitação sem mérito; graça é força para trabalhar, servir e sofrer. Tudo é pela graça, seja qual for o ângulo pelo qual vocês olhem.

    A Seriedade da Responsabilidade Cristã

    Agora precisamos nos concentrar nisto: há um grande espaço no Novo Testamento para levarmos Deus a sério. Não é tudo de qualquer jeito. Você crê, aceita Cristo — isso é o começo; isso é o fim de tudo; você recebe tudo agora. Não. Há esse grande espaço para aquilo que chamo de levar Deus a sério.

    Aqui está: todas essas súplicas, exortações e histórias que insistem nesse ponto. Não deixem nada ao acaso. Não deixem nada ao acaso.

    Não digam: “Ah, bem, isso não tem tanta importância. Isso não vai fazer mal. Não há muita coisa errada nisso. Já tenho a salvação, e a graça de Deus cobrirá todas essas imperfeições; posso fazer isto e aquilo, e não fará muita diferença”.

    Deus é um Deus de graça, mas o Novo Testamento diz: “Não corram riscos”. Se isso não tem uma implicação para sua salvação final, tem uma implicação — alguma implicação.

    Toda a direção da Palavra é esta: vejam, entreguem-se inteiramente a Deus, e Deus não faz provisão para nenhuma outra coisa. Vocês vão até o fim com o Senhor, ou esse será o fim do chamado de vocês. O Senhor nunca disse que basta ir até certo ponto, nem que os dispensa de ir além. Não. É a totalidade que Deus mantém em vista, e Ele nos desafia o tempo todo: “Vamos levar Deus a sério?”.

    No fim, não haverá lugar para nos orgulharmos de nossa perseverança, de nosso sucesso ou de nossa entrega total. Mesmo que nos derramemos até a última gota, seremos os adoradores. Seremos os adoradores. Seremos aqueles que mais se prostram diante Dele.

    As pessoas mais inteiramente entregues são as que têm maior consciência de sua dívida para com o Senhor. É assim.

    A Vinda do Senhor

    Agora precisamos concluir. O grande momento decisivo que determina tudo está sempre presente nas Escrituras, sempre mantido em vista: o grande momento decisivo — a vinda do Senhor.

    A vinda do Senhor: é ali que tudo será determinado. Talvez tenhamos partido antes que Ele venha; a Palavra deixa perfeitamente claro que isso não faz diferença. Estaremos lá quando Ele vier.

    Quando Ele vier, aqueles que estiverem vivos não passarão à nossa frente. Estaremos lá juntos, e assim todos estaremos em igualdade de condições. Então será determinado como será o futuro — exatamente qual será nosso lugar, qual será nossa função.

    Esse é o grande fator no aspecto prospectivo das coisas: manter isso sempre em vista. A perspectiva sempre mantém em vista a vinda do Senhor.

    Quando somos salvos, recebemos uma nova esperança. Como crentes, descobrimos que essa esperança se torna algo muito definido e concreto, e passa a ser chamada, no Novo Testamento, de “a esperança”. A esperança está relacionada à vinda do Senhor.

    Assim, todos os apelos, todas as advertências e todas as súplicas se concentram nisto: o Senhor está vindo, e em Sua vinda tudo será decidido. Tudo será estabelecido. Então será definida a eternidade futura no que nos diz respeito.

    Vocês conhecem todos aqueles apelos à luz de Sua vinda: vigilância, estar plenamente ocupado, ser encontrado em pleno vigor; e as sérias advertências se não estivermos assim. Algo vai acontecer; algo não vai dar certo.

    Não estou colocando isso em um sistema doutrinário, cristalizando-o em alguma forma de ensino. Mas esses são os fatos claros e simples. Na vinda do Senhor, grandes decisões serão tomadas.

    Se não estivermos vigiando, se não estivermos ocupados, se não estivermos empenhados ao máximo, algo não vai dar certo. A Palavra deixa isso perfeitamente claro. Coloco a questão assim. Quero dizer que algo será perdido.

    O Futuro como Motivação Presente

    Assim, trazemos a eternidade que está à nossa frente diretamente para o presente e vemos que ela é uma motivação tremenda. É uma motivação tremenda para a vida cristã.

    A vida futura — ir para o céu, seja qual for nossa maneira de falar sobre isso — não é algo que esteja simplesmente lá adiante, de maneira objetiva e desligada de nós. Estamos olhando para aquele dia, esperando que aquele dia chegue.

    Meus queridos amigos, aquele dia já entrou no presente, hoje, aqui, agora, com todas as suas implicações.

    Muitas vezes tenho colocado a questão assim: há pouca esperança de irmos para o céu se o céu ainda não veio até nós.

    Em todo caso, nosso lugar e nossa vocação naquele tempo, ainda que não nossa salvação, dependerão em grande medida do espaço que Cristo tem em nós nesta vida.

    Ah, isso também explica muita coisa, não é? Como o Senhor tantas vezes concentra, em um curto período, tantas coisas que produzem uma medida de Cristo de maneira maravilhosa. Muito sofrimento, muita disciplina, muita pressão, muita provação.

    Vocês podem ver o crescimento na graça. Percebem a paciência, a tolerância, a bondade e o amor de Cristo se manifestando nesse filho de Deus que sofre. Há preparação para a glória. Há preparação para o serviço. Isso explica muita coisa.

    O Chamado Eterno

    Poderíamos examinar isso por tantos lados e de tantos pontos de vista diferentes. Mas, afinal, tudo se resume a isto: o Novo Testamento mantém o futuro em vista como o grande fator que governa o presente.

    O Novo Testamento diz que fará diferença, na eternidade vindoura, até onde prosseguimos com o Senhor e quanto espaço o Senhor conquistou em nossa vida agora. Haverá diferença. Haverá diferença.

    O Novo Testamento diz: “O Senhor está vindo”. Este não é tempo de permanecer neutro, de modo algum. Você pode morrer; isso não faz diferença. Pode viver; isso não faz diferença. O Senhor virá em Seu próprio tempo, e então tudo será decidido.

    Muitas pessoas se interessam pela segunda vinda de Cristo apenas do ponto de vista profético — acontecimentos e eventos no mundo, e assim por diante. Poucos cristãos estão plenamente conscientes deste fato: no Novo Testamento, a vinda do Senhor é sempre aplicada a esta questão — sua condição espiritual.

    E todo aquele que Nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro.
    — 1 João 3:3

    Não é aquele que tem essa interpretação profética da segunda vinda, mas aquele que tem essa esperança que se purifica. Preparem-se. Preparem-se. Cuidem para que sua condição esteja correta, assim como sua posição. Isso importa. Importará muitíssimo.

    Portanto, precisamos abrir a porta, em nossa vida cristã, para essa realidade maior, muito maior, que está diante de nós. Na melhor das hipóteses, esta vida é breve e pequena, mas é apenas o começo. Todos os seus significados se revelarão então em plenitude.

    Vocês ouvirão o apelo? A vida cristã, como dissemos, é algo tremendo. Significa que somos chamados com um chamado eterno, para uma vocação eterna.

    Aqui, somos introduzidos no relacionamento com o Senhor; então, somos tratados pelo Senhor e temos permissão para servir ao Senhor. Mas, mesmo em nosso serviço, estamos na escola. Mais do que qualquer outra coisa, estamos aprendendo.

    Vocês não acham que é assim que realmente deveria ser? Não apenas fazer mil coisas excelentes, mas aprender muito — a escola da experiência. Tudo está relacionado ao chamado celestial e à grande vocação que virá depois.

    Que o Senhor mova nosso coração para nos entregarmos inteiramente a Ele. Não deixem absolutamente nada ao acaso. Não corram riscos. Mas, como Seu servo Paulo, busquem o prêmio mais elevado, a maior plenitude que o Senhor tem em vista.

    Vamos orar.