Nas profecias de Zacarias 4:10:
Pois quem despreza o dia das coisas pequenas?
Nas profecias de Ageu 2:3:
Quem há entre vós que tenha visto esta casa na sua primeira glória?
E como a vedes agora?
Não é ela como nada em vossos olhos?
E nas profecias de Malaquias 3:16-17:
Então, aqueles que temiam ao Senhor falavam uns aos outros;
E o Senhor atentava e ouvia;
E um livro de memória foi escrito diante Dele,
Para os que temiam ao Senhor e para os que se lembravam do Seu nome.
E eles serão Meus, diz o Senhor dos Exércitos,
Minha possessão particular, naquele dia que farei;
E poupá-los-ei, como um homem poupa a seu próprio filho que o serve.
Quem despreza o dia das coisas pequenas?
Esta é uma entre muitas questões que precisam ficar muito claras em nosso coração e em nossa mente. Precisamos de uma mentalidade ajustada.
Depois de uma longa jornada, uma bússola precisa passar por um período de ajuste por causa das interferências e variações. Assim também acontece conosco ao longo do caminho. De tempos em tempos, torna-se necessário parar e pensar de novo, corrigir nossa maneira de pensar e nos libertar daquelas influências que perturbam o equilíbrio, a estabilidade e a avaliação correta das coisas.
Essa questão da grandeza e da pequenez é importante. Há muita confusão a respeito dela, e essa confusão pode fazer com que percamos inteiramente o caminho e nos encontremos numa posição completamente equivocada.
Precisamos saber o que queremos dizer com grandeza e o que queremos dizer com pequenez. As passagens das Escrituras que lemos deixam evidente que determinado tipo de avaliação, determinado tipo de observação, resultou num julgamento equivocado que levou o povo perigosamente perto da calamidade.
O Senhor, ao ler o coração deles, empregou esta palavra a respeito de sua atitude e de suas reações: “desprezar”.
Quem despreza o dia das coisas pequenas?
Se vocês examinarem cuidadosamente essas profecias, verão que, do ponto de vista de Deus, aquilo não era tão pequeno quanto eles pensavam. Ele tinha um ponto de vista inteiramente diferente sobre a questão.
Vejam, temos o hábito de confundir tamanho com grandeza, e são duas coisas inteiramente diferentes.
O tamanho pode estar nas dimensões exteriores, no volume e na impressão que algo causa aos sentidos. A grandeza pode não ter nenhuma dessas características. Talvez vocês nem consigam medi-la, nem perceber qualquer dimensão nela do ponto de vista humano; mas, aos olhos de Deus, ela pode ser muito grande.
Há muita diferença entre tamanho e grandeza do ponto de vista de Deus, assim como há muita diferença entre mesquinhez e pequenez. Sei que isso vai causar bastante dificuldade aos nossos amigos que não estão familiarizados com a língua inglesa.
Sabem, uma pessoa pode ser pequena no sentido de mesquinha. As coisas podem ser tão insignificantes, tão mesquinhas, tão baixas, tão desprezíveis. Mas também podem ser bem pequenas e, ao mesmo tempo, tremendamente grandes.
Vocês prefeririam ter uma onça de ouro a uma tonelada de alguma outra coisa. É essa a diferença.
Alguns de vocês talvez tenham lido a história da vida de Madame Curie, a descobridora do rádio. Vocês se lembram das toneladas e toneladas e toneladas de subprodutos das usinas de gás, descarregadas em seu quintal, e de como ela trabalhava naquela montanha de material. Dali saiu a mais diminuta partícula de rádio.
Aí está a comparação: tamanho e grandeza. Uma partícula quase imperceptível de rádio — com sua imensa qualidade, seu valor e seu potencial — em contraste com aquela enorme massa de material.
Essa é a diferença entre tamanho e grandeza, não é? Bem, vocês entendem o que quero dizer. Insisto: é tão necessário ajustarmos nossa mentalidade a respeito das coisas, para não nos desviarmos.
A pequenez pode ser julgada de maneira meramente objetiva, exterior. Dizemos: “É tão pequeno”, e desprezamos aquilo. Contudo, esse dia das pequenas coisas pode ser um dia de tremendo potencial.
Não temais, ó pequeno rebanho;
Porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.
Há algo pequeno que é imensamente poderoso. Vocês encontram “o pequeno” percorrendo a Bíblia repetidamente; mas Deus deu grande importância a coisas aparentemente pequenas que, em outro momento, teriam sido deixadas de lado, ignoradas e desprezadas por aqueles que sempre têm essa mentalidade voltada para o tamanho.
Agora, olhem para essas passagens, e verão que há aqui algo muito precioso para Deus, embora, segundo seu julgamento natural, o povo o considere tão pequeno.
A última passagem que lemos está no final do Antigo Testamento. Em outra tradução e versão, Deus está dizendo:
Eles serão Meus, diz o Senhor, naquele dia que farei, como um tesouro particular.
Ali aparece apenas aquele pequeno grupo que temia ao Senhor, lembrava-se do Seu nome e se ocupava com Ele. Algo tão precioso.
Nossa tradução não transmite o quanto aquilo era valioso para o Senhor. Há duas palavras: “O Senhor atentava e ouvia”. Deus repete a mesma palavra de duas formas diferentes. A primeira palavra significa que o Senhor inclinou o ouvido. Aqui está algo a que se deve dar atenção; aqui está algo que merece ser ouvido.
Aqui está algo que prende a atenção de Deus. O Senhor inclinou o ouvido, escutou e ouviu. A imagem é a do Senhor dizendo: “Peguem o livro — o grande livro, o livro da vida — e registrem isto. Escrevam os nomes destas pessoas”.
Mantinha-se um livro, um livro de memória, para aqueles que temiam ao Senhor e se lembravam do Seu nome.
Eles serão Meus, diz o Senhor, naquele dia que farei, como um tesouro particular.
E isso se encontrava exatamente nesse mesmo contexto, como vocês sabem: nessa parte da Bíblia que inclui Ageu, Zacarias e Malaquias. Essa é a grandeza em contraste com um povo que chama aquilo de pequeno e, por isso, o despreza.
O que o Senhor procura?
Esse grupo, comparativamente pequeno, era um grupo disciplinado e corrigido. Eles haviam saído dos fogos da Babilônia. Haviam passado por toda a disciplina daqueles anos de exílio.
Estavam entre aqueles que haviam pendurado suas harpas nos salgueiros e dito:
Como cantaremos o cântico do Senhor
Em terra estranha?
Vejam onde estava o coração deles. Então chegou o dia em que se fez a proclamação: “Vocês podem voltar. Todos vocês podem voltar a Sião”.
A grande maioria decidiu que sua situação era muito mais confortável do que seria lá em Sião e resolveu ficar.
Esse pequeno grupo, apesar de todas as privações, dificuldades, sofrimentos, trabalhos e muito mais que o retorno envolvia, voltou porque seu coração estava lá. Havia um vínculo de coração com o Senhor e com aquilo que era mais precioso ao Seu coração.
Por isso, estavam sempre pensando no Seu nome e conversando uns com os outros sobre Ele. Eram um grupo comparativamente pequeno, um povo desprezado. Imagino que todos os que ficaram para trás os considerassem tolos.
Bem, isso era precioso para o Senhor. Essa era a questão; esse era o ponto. É isto que o Senhor procura: um povo corrigido e disciplinado, cujo coração esteja voltado para o Senhor.
Pequeno? Se vocês quiserem chamá-lo assim.
Leiam as profecias de Jeremias. Que livro! Quanto tempo e quanta paciência são necessários para percorrer todas as profecias de Jeremias. Que livro grande! E como estes livros são pequenos — Ageu, Zacarias, Malaquias. Nós os chamamos de profetas menores.
O que vocês encontram para o Senhor em Jeremias? Um profeta maior, se quiserem, mas ali não há nada para o Senhor. Pequenos profetas menores, mas algo muito precioso para Ele. A disciplina aconteceu, a correção foi realizada, o coração foi sondado, e o Senhor obteve algo.
Vocês dizem: “Pequeno”. Ah, não, não aos olhos do Senhor — algo muito grande. É isso que é precioso para o Senhor. É isso que Ele procura, e é isso que Ele chama de grande, embora, visto com olhos naturais, com os olhos dos homens, que sempre julgam pelo tamanho e pela aparência exterior, pareça pequeno.
Do ponto de vista do Senhor, há muito valor intrínseco; e, para Ele, tudo é uma questão de valor intrínseco, não de volume.
Bem, Jesus colocou o dedo nesse princípio em outro contexto. Se o sal perdeu o sabor, para que serve? Toneladas dele — inúteis. É melhor jogá-lo na rua.
Uma colher de chá de sal que conserva o sabor tem mais valor do que toneladas de sal sem sabor. É o valor intrínseco. É o elemento divino — aquilo que é de Deus, a qualidade vital.
E, por trás disso, precisa haver algo. Precisa haver correção; precisa haver disciplina. O coração precisa ser sondado. A obra precisa ir muito fundo.
Um povo alinhado com o propósito permanente de Deus: Deus estava ali, em figura e em tipo, no templo. Ele representava o pensamento celestial de Deus, presente ao longo das eras — o lugar de Sua habitação entre o Seu povo.
É um pensamento eterno. Antes que o mundo existisse, já estava na mente de Deus habitar com os homens. Ao longo de toda a Bíblia, é exatamente isso: Deus conosco. Até o fim da Bíblia:
O tabernáculo de Deus está com os homens.
E Ele habitará com eles e será o seu Deus.
O pensamento eterno de Deus diz respeito à Sua casa, à Sua habitação no meio do Seu povo. Aí está a figura; aí está o tipo. Nós conhecemos a realidade espiritual.
Aqui estão pessoas alinhadas com o pensamento de Deus. Na Babilônia, o pensamento de Deus não havia se concretizado; aquele não era o Seu lugar. Aqui está ele.
E o Senhor sempre chama isso de espiritualmente grande: quando vocês estão inteiramente voltados para aquilo que Ele sempre teve em vista — um povo plenamente alinhado com o propósito eterno de Deus, um povo em plena comunhão com Ele quanto àquilo que Ele sempre deseja.
Vocês têm isso. Que esse povo seja pequeno segundo os padrões exteriores e desprezado por homens de julgamento distorcido; Deus diz: “Isso é grande, e não desprezem isso”.
Quem despreza o dia das coisas pequenas?
É uma repreensão. Essa pergunta é uma correção. Ajustem seu julgamento, seus padrões.
Essas eram pessoas que ainda tinham no coração a visão daquilo que Deus pretendia e desejava ter. Talvez estivessem desanimadas, profundamente abatidas, perplexas diante da possibilidade de tudo aquilo acontecer e muito provadas quanto à sua concretização. Apesar disso, a visão estava em seu coração.
Olhem para o contexto: eles choravam por causa dessa situação. Estavam angustiados porque o projeto era muito inferior àquilo que sabiam que o Senhor queria. Eram um povo aflito por causa disso.
Sua perplexidade e angústia às vezes os levavam até a deixar cair as mãos em desespero e, por vezes, a suspender os trabalhos. Havia muitos motivos para o desânimo, muitas razões para dizer: “Não há esperança”.
Mas, sabem, as pessoas não ficam sem esperança se nunca tiveram esperança. Aqueles que nunca conheceram a esperança não experimentam a desesperança; estão simplesmente mortos.
Essas pessoas estavam aflitas, com o coração partido, angustiadas. Mesmo que, por algum tempo, dissessem: “Não adianta, não adianta”, era simplesmente porque, no coração, estavam aflitas com aquilo — decepcionadas, se quiserem. E ninguém pode sofrer uma decepção se antes não tiver tido alguma expectativa.
No fundo do coração delas estava essa visão, e elas sofriam por causa da visão. É isso que Deus procura: pessoas que, no coração, em meio às provações e aos testes, ainda conservam a visão daquilo que Deus busca e sofrem, em seu íntimo, por causa disso.
Isso é algo precioso. Ele poderia dizer: “Tomem nota disso. Registrem isso no livro. Não deixem que seja esquecido. Guardem isso na memória. Isso será lembrado no dia que farei. Eu o terei”.
Portanto, precisamos rever nossa maneira de pensar, não é? Precisamos abandonar essas formas temporais de enxergar as coisas e adotar os padrões e os pontos de vista eternos.
Sim, pois tudo isso nos leva ao Senhor Jesus.
Essa passagem de Zacarias 4 reaparece no livro de Apocalipse: as duas oliveiras que estão diante do Senhor de toda a terra. Sabem, quando isso aparece no livro de Apocalipse, há aqui algo de significado eterno.
O Senhor Jesus é apresentado nessas profecias. É em Ageu que a profecia é pronunciada pela primeira vez:
Ainda uma vez, dentro em pouco, farei tremer os céus e a terra;
E virá o Desejado de todas as nações.
Isso é citado na Carta aos Hebreus. As coisas que podem ser abaladas — as coisas temporais, as coisas grandes segundo o pensamento humano — serão abaladas até seus fundamentos; mas as coisas que não podem ser abaladas permanecerão.
E vocês sabem que toda a Carta aos Hebreus está centrada no Senhor Jesus e no Seu reino celestial: receber um reino que não pode ser abalado.
Quanto a Malaquias, ele se detém bastante no Senhor Jesus: o próprio Mensageiro da aliança e Seu precursor. Malaquias, o último livro do Antigo Testamento, apresenta o Senhor Jesus de maneira muito real. Tudo está voltado para Ele.
E vocês sabem que, quando Deus vê as coisas voltadas para o Seu Filho, Ele fica todo ouvidos e atenção, escutando, observando e registrando.
Tudo se resume a isto: do ponto de vista de Deus, o valor é sempre uma questão de quanto do Seu Filho há em algo.
Não havia muito de Cristo nos profetas maiores quando olhavam para o cativeiro que viria. Há muito de Cristo nos profetas que olham para além do cativeiro. Esses profetas menores estão além do cativeiro, e Cristo está plenamente em vista. Deus volta a mostrar vivo interesse por essa questão.
Assim, resumimos tudo dizendo: a prova de tudo é quanto aquilo representa Cristo. Quanto de Cristo há ali? Não o quanto aquilo é grande e impressionante do ponto de vista humano.
Vamos recuperar nosso equilíbrio. É claro que Deus é um grande Deus, e esperamos que um grande Deus faça grandes coisas.
Um lema foi apresentado na grande Conferência Missionária de Edimburgo, em 1910: “Empreendam grandes coisas para Deus; esperem grandes coisas de Deus”. Sim, muito bem, muito bem.
Mas tenham certeza de que sabem o que é grandeza do ponto de vista de Deus e de que não estão confundindo grandeza com tamanho, valor intrínseco com volume exterior.
Vejam o que o Senhor busca: os valores do Seu Filho. Esses são os valores eternos.
Pois quem despreza o dia das coisas pequenas?
Porque estes sete se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel.
A partir daí, vocês estão avançando na direção positiva.