Vamos abrir novamente o Evangelho segundo Mateus, no capítulo 24. Leremos apenas um versículo, Mateus 24:14:
E estas boas-novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.
O evangelho do reino deve ser pregado em toda a terra habitada como testemunho às nações, e então virá o fim.
Nosso Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos por nos conduzires para além do véu, à Tua própria presença. Percebemos que, na Tua presença, há vida; há luz. Nós nos abrimos a Ti nesta manhã. Que a luz do Teu rosto brilhe sobre nós.
Que Tu nos enchas com a Tua própria vida, e que a Tua vida se manifeste por meio do Teu corpo, para que Tu sejas glorificado. Oh, pedimos que, ainda nesta manhã, Tu vivifiques a Tua palavra em nosso coração. Torna a Tua palavra viva e operante em nós. Atrai-nos, para que corramos após Ti. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
O evangelho do reino é o evangelho que o próprio Senhor Jesus pregou enquanto esteve na terra. É o evangelho que os apóstolos continuaram a pregar, como encontramos no livro de Atos. Cremos que é esse mesmo evangelho que devemos pregar até que venha o fim.
Em um sentido muito real, o evangelho do reino traz o fim, porque proclama ao mundo que o Rei veio e que Ele está edificando o Seu reino nesta terra, ainda hoje. Quando a realidade espiritual alcançar a sua plenitude, então o reino deste mundo se tornará o reino de Deus e do Seu Cristo. Por isso, cremos que o evangelho do reino tem tamanha importância: ele apressa a volta do Senhor e leva este mundo, esta era, ao seu fim.
O que é o reino? Temos mencionado repetidas vezes que esse reino que o nosso Senhor Jesus apresenta ao mundo é um reino muito diferente, inteiramente diferente de todos os reinos deste mundo. O próprio Senhor Jesus testemunhou:
O Meu reino não é deste mundo.
Por ter uma natureza tão diferente, o mundo não o compreende.
Até mesmo os discípulos do nosso Senhor Jesus não compreenderam que reino Ele estava trazendo. Vocês se lembram de que, perto do fim do Seu ministério público, Ele estava indo a Jerusalém pela última vez. Mesmo àquela altura, os doze discípulos ainda disputavam e lutavam por uma posição maior no reino.
Eles pensavam que o Senhor estava indo a Jerusalém como o Rei dos judeus, para estabelecer o Seu reino nesta terra. A concepção que tinham do reino ainda era terrena. Por isso, aquele era um momento tão decisivo para os discípulos.
Vocês se lembram dos filhos de Zebedeu, Tiago e João. Eles tentaram passar à frente dos outros dez discípulos. Chegaram até a envolver a mãe. Ela veio com os dois filhos ao Senhor e disse: “Senhor, promete que nos darás o que pedirmos”.
Eles foram muito espertos ao não dizerem imediatamente ao Senhor o que queriam. Mas o nosso Senhor jamais poderia ser enganado, então Ele perguntou: “O que vocês realmente querem?”
Eles disseram: “No Teu reino, permite que meus dois filhos se assentem ao Teu lado, um à Tua direita e outro à Tua esquerda”. Em outras palavras, pensavam que o Senhor estava indo a Jerusalém para assumir o Seu reino, e esses dois filhos de Zebedeu queriam ocupar os lugares de maior destaque nele.
O Senhor Jesus não os repreendeu por desejarem o reino. Ele apenas disse:
Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?
Podeis ser batizados com o batismo com que Eu sou batizado?
Na verdade, Tiago e João não compreendiam o que era o cálice, nem entendiam o significado do batismo. Mas, por desejarem os lugares à direita e à esquerda — as duas posições elevadas no reino —, responderam sem saber exatamente o que aquilo significava: “Sim, podemos. Estamos dispostos a beber o cálice e estamos prontos e dispostos a ser batizados”.
Nosso Senhor Jesus disse:
De fato, bebereis do Meu cálice e sereis batizados com o batismo com que Eu sou batizado; mas assentar-vos à Minha direita e à Minha esquerda não Me compete concedê-lo, mas compete ao Meu Pai, Que está nos céus.
Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes temos o mesmo problema. Pensamos que o reino significa estar à direita e à esquerda do nosso Senhor Jesus. Pensamos que alcançar o reino é uma questão de disputar, lutar e pedir.
Mas o nosso Senhor Jesus veio estabelecer o Seu reino, e o Seu reino tem uma natureza muito diferente. Se alguém deseja estar no reino e ser, por assim dizer, maior no reino, então precisa beber o cálice que o nosso Senhor bebe e ser batizado com o batismo com que o nosso Senhor Jesus é batizado.
O que é esse cálice? Vocês se lembram de que, no jardim do Getsêmani, o nosso Senhor Jesus estava em agonia na oração, em profunda luta na oração. Ele disse:
Pai, se possível, passe de Mim este cálice; todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.
Ele orou assim três vezes. Depois de ter orado três vezes, disse:
Não beberei Eu o cálice que o Pai Me deu?
Esse é o cálice que o nosso Senhor Jesus bebeu. O que é ele? É a vontade do Pai.
A vontade do Pai era aquele cálice que o nosso Senhor Jesus bebeu. Quer significasse amargura, vergonha, maldição, morte ou a cruz, se era a vontade do Pai, então essa era a Sua porção, e Ele estava disposto a recebê-la.
O que é o batismo com que Ele seria batizado? Significa a cruz. Embora, no início do Seu ministério, Ele tenha recebido o batismo de João, aquele batismo era um tipo, uma prefiguração de que Ele seria crucificado.
Queridos irmãos e irmãs, o reino que o nosso Senhor Jesus nos apresenta tem uma natureza muito diferente. Como Rei desse reino, Ele nos dá um bom exemplo: como aceitou a vontade do Pai e como morreu na cruz do Calvário. Por isso, dizemos que a cruz é o símbolo do Seu reino.
Se desejamos estar nesse reino e ser maiores nesse reino, então precisamos beber o cálice e ser batizados com o Seu batismo. Não é algo pelo qual disputamos uns com os outros. Não é uma posição que tentamos obter. É uma realidade espiritual, e àquele que possui essa realidade será dado um lugar no reino.
Ontem à noite, tivemos comunhão a respeito dos filhos do reino. É verdade que nascemos de novo para entrar no reino de Deus. Mas, depois de nascermos de novo para entrar no reino de Deus, a verdadeira questão é esta: será que realmente vivemos como filhos do reino?
Para vivermos como filhos no reino, precisamos ser discipulados por Cristo. Em outras palavras, tendo recebido a Sua vida, precisamos nos entregar a Ele e permitir que Ele tenha completo controle sobre nós. Então o Espírito Santo, a Quem Deus deu para habitar em nós, poderá ter liberdade e oportunidade para formar em nós a imagem de Cristo.
Nosso Senhor Jesus é o Primogênito entre muitos irmãos, e Ele conduzirá muitos filhos à glória. Portanto, para estarmos realmente no reino, em um sentido espiritual verdadeiro, precisamos compreender que a realidade espiritual não está sujeita ao tempo e ao espaço. Ela transcende o tempo e o espaço. Ainda hoje, o reino de Deus está aqui na terra.
Vivermos como verdadeiros filhos desse reino depende de sermos verdadeiros discípulos do nosso Senhor Jesus. Nós nos entregamos a Ele completamente, sem reservas? Permitimos que Ele seja o Rei da nossa vida? Permitimos que Ele governe sobre nós, nos discipline e nos treine?
Deixemos o Espírito Santo organizar, por assim dizer, a vida de Cristo dentro de nós e nos transformar à imagem do Filho de Deus. Quando essa imagem está sendo formada, tornamo-nos a luz e o sal deste mundo. Um testemunho se manifesta, e ele testificará ao mundo que o Rei realmente veio e que está estabelecendo o Seu reino na terra.
Em Colossenses 1:13, lemos:
Ele nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Graças a Deus, por meio do nosso Senhor Jesus, Ele nos libertou da autoridade das trevas. Antes de sermos salvos, estávamos, de fato, sob a autoridade das trevas. Vivíamos no reino das trevas e estávamos sob o domínio do príncipe das trevas.
Mas, graças a Deus, Ele nos libertou da autoridade das trevas. Isto é, Ele nos tirou de um reino — o reino das trevas — e nos transferiu, ou transportou, para o reino do Filho do Seu amor.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, em certo sentido, nós que cremos no Senhor Jesus já fomos transportados para o reino do Filho do amor de Deus. Em certo sentido, já estamos no reino. Em certo sentido, somos o Seu reino.
É por isso que o nosso Senhor Jesus diz:
Não temas, ó pequeno rebanho; porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino.
É do agrado do Pai dar-nos o reino.
Haverá conflitos. Haverá batalhas. Haverá sofrimento. Haverá oposição. O mundo odiará aqueles que seguem o Senhor. Ainda assim, somos informados de que é do agrado do Pai dar-nos o reino.
O que é esse reino? É o reino do Filho do amor de Deus. Em outras palavras, o reino é o Filho. Ele é o reino.
Vocês se lembram de que, certo dia, o nosso Senhor Jesus levou três discípulos ao monte, e ali foi transfigurado diante deles. O Seu rosto brilhou como o sol, e até as Suas vestes ficaram brancas e resplandecentes. Moisés e Elias apareceram, e conversavam sobre a Sua partida — o Seu êxodo deste mundo.
De repente, Pedro despertou, viu aquela bela cena e exclamou:
Senhor, bom é estarmos aqui. Façamos três tabernáculos: um para Ti, um para Moisés e um para Elias.
Enquanto Pedro falava, uma nuvem luminosa — a glória Shekinah de Deus — os envolveu. Moisés e Elias desapareceram. Quando abriram os olhos, não viram ninguém, senão somente Jesus. Então ouviram uma voz:
Este é o Meu Filho amado; a Ele ouvi.
Pedro nos diz, em sua epístola, que realmente testemunhou o reino. Essa visão no monte da transfiguração foi uma antecipação do reino ou, para dizer de outra maneira, foi a realidade do reino.
Pedro pensava que o reino de Deus era Cristo mais Moisés mais Elias. Pensava que o reino era Cristo junto com Moisés e Elias. Mas Deus o corrigiu e disse: “Não. O reino é o Filho. Somente o Filho é o reino. Este é o Meu Filho amado; a Ele ouvi”.
Moisés e Elias, por maiores que fossem — Moisés representando a lei e Elias representando os profetas —, apontavam para o Filho: a lei e os profetas falam do Filho. Deus não quer que nos distraiamos com Moisés ou Elias. Deus não quer que permaneçamos com a lei ou com os profetas. Ele quer que não vejamos ninguém, senão somente Jesus.
Ele é o Filho. Ele é o reino. Estar no Seu reino é ouvi-Lo.
O que é o reino de Deus? Se ele tem alguma lei, mencionamos ontem à noite que os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus não são leis no sentido comum em que entendemos as leis. Não são regras e regulamentos do reino de Deus.
No reino de Deus, vemos somente o Filho. Se há uma lei no reino de Deus, há apenas uma lei régia: a lei do amor. Este é o reino do Filho do amor de Deus. O amor é a lei do reino de Deus.
É por isso que o Senhor nos diz repetidas vezes que precisamos amar uns aos outros como Ele nos amou. Por quê? Porque esse é o próprio caráter do reino de Deus.
Nesta manhã, gostaríamos de continuar nossa meditação usando uma expressão da Bíblia. Preciso dizer que a estou usando, por assim dizer, fora do contexto. Sempre me lembro desta frase: “Um texto fora de contexto é um pretexto”. Não vou usá-la como pretexto, embora a retire do seu contexto imediato.
A razão é que, dentro do seu contexto, ela tem sua aplicação própria. Mas, por ser um princípio de vida tão importante, pode ser aplicada em muitas outras áreas. É por isso que queremos usá-la nesse sentido mais amplo.
Essa expressão se encontra em Mateus 19:12. Os fariseus vieram ao Senhor Jesus para tentá-Lo. Perguntaram:
É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?
O Senhor Jesus lhes respondeu com as Escrituras. Remeteu-os a Gênesis:
Não tendes lido que Aquele Que os criou desde o princípio os fez homem e mulher, e disse:
Por esta causa deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e os dois se tornarão uma só carne?
Assim, já não são dois, mas uma só carne.
Portanto, o que Deus ajuntou, não o separe o homem.
Os fariseus imediatamente argumentaram: “Então não é lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo. Mas Moisés nos ordenou que, se um homem repudia sua mulher, deve dar-lhe uma carta de divórcio”.
O Senhor Jesus disse: “Moisés realmente disse que, se vocês querem repudiar sua mulher, devem dar-lhe uma carta de divórcio. Mas precisam lembrar por que Moisés disse isso. Moisés disse isso por causa da dureza do coração de vocês. Mas, desde o princípio, não foi assim”.
O homem havia caído a tal ponto, e o seu coração havia se tornado tão duro, que Moisés precisou fazer uma concessão. Mas, quando o nosso Senhor Jesus veio, Ele restaurou tudo ao princípio, ao propósito original de Deus.
O Senhor disse:
Qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.
Mesmo que haja problemas, conflitos ou incompatibilidade, a menos que seja por causa de fornicação, o que Deus uniu não deve ser separado pelo homem. Quando os discípulos ouviram isso, ficaram assustados. Disseram: “Se é assim, é melhor não casar”.
O Senhor Jesus disse:
Nem todos podem receber esta palavra, mas somente aqueles a quem é concedido.
Então falou dos eunucos que nasceram assim, dos eunucos feitos assim pelos homens e daqueles que se fizeram eunucos por amor ao reino dos céus.
Quem pode receber isto, receba-o.
Em 1 Coríntios 7, vemos que as pessoas casadas precisam cuidar das coisas do mundo e do seu cônjuge. Mas aqueles que não são casados podem se dedicar mais plenamente ao Senhor e talvez não tenham os mesmos encargos. No entanto, isso não é para todos. É concedido apenas a alguns.
Há pessoas que estão dispostas a permanecer solteiras por amor ao reino. Em outras palavras, estão dispostas a sacrificar algo muito precioso por amor ao reino.
Agora, é claro, não queremos aplicar isso apenas à área do casamento. Certamente não estou tentando incentivar todos a permanecerem solteiros. Se o Senhor lhe dá esse dom e você tem esse desejo por amor ao reino, para não se distrair de maneira alguma, graças a Deus por isso. Mas não é para todos.
Gostaríamos de usar essa expressão em um sentido mais amplo. Ela se aplica a todos. Queridos irmãos e irmãs, há algo aqui que diz respeito ao que fazemos por amor ao reino. Todos precisam perceber que, por ser o reino tão tremendamente importante, há algo que devemos fazer por amor ao reino.
Ao vermos o reino e ao vermos o Rei, precisamos responder. Quando respondemos a Ele, fazemos isso por amor ao reino.
Há muitas expressões semelhantes na Bíblia. Em Mateus 5:10, lemos:
Bem-aventurados os que têm sido perseguidos por causa da justiça.
A justiça é tão importante que precisamos ser justos aos olhos de Deus e diante dos homens, mesmo que isso signifique perseguição.
O mundo inteiro está sob o maligno. Se você seguir o caminho da injustiça, encontrará muitos companheiros e será bem recebido. Mas, se seguir o caminho da justiça, talvez fique sozinho, seja considerado estranho e sofra perseguição. Ainda assim, o Senhor diz que aqueles que são perseguidos por causa da justiça são bem-aventurados.
Em outras palavras, a justiça tem tamanha importância que você está disposto a se sacrificar e a pagar um preço por ela. Você está disposto a sofrer perseguição por causa da justiça.
Depois, em Mateus 5:11, o Senhor fala de sermos odiados por causa Dele. As pessoas podem odiar você, falar mal de você e dizer coisas falsas a seu respeito. A única razão talvez seja porque você pertence ao Senhor.
Oh, o Senhor é tão precioso. Se você percebe quão precioso Ele é, está disposto a pagar o preço de ser odiado pelo mundo. Está disposto a pagar o preço de ser incompreendido, porque as pessoas simplesmente não conseguem entender você. Você está disposto, por amor ao Senhor?
A Escritura também fala de sofrer por causa do evangelho, por amor a Cristo, por amor ao Senhor Jesus e por amor ao reino. São expressões semelhantes.
Se vemos o Rei e se percebemos o que o reino de Deus representa para o propósito e o plano de Deus, então precisamos estar dispostos, por amor ao reino, a fazer alguma coisa e a pagar algum preço.
Mas, antes de dizer mais, permitam-me enfatizar isto: tudo é pela graça. É a graça de Deus. A questão é: tendo recebido a graça, como respondemos a ela?
É do agrado do Pai dar-nos o reino. Apesar de toda oposição, a graça de Deus está sempre disponível. A graça de Deus está aqui. Mas a questão é: como você usa essa graça? Você abusa da graça ou responde positivamente a ela?
Se você responder positivamente, descobrirá que a graça o capacita a pagar o preço. Ao olhar para trás, talvez diga: “Não foi um preço alto. Na verdade, não custou nada”. Por quê? Porque foi a graça.
Há algumas coisas que precisamos fazer pela graça de Deus. Elas são sinais e indicações de que realmente respondemos à graça.
Em primeiro lugar, encontramos em Mateus 6:33:
Mas buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça; e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Precisamos buscar primeiro o reino de Deus e a Sua justiça. É verdade que é do agrado do Pai dar-nos o reino. Mas há outro lado: precisamos buscar o reino de Deus e a Sua justiça.
Se você não o buscar, não o encontrará. Embora ele lhe seja dado gratuitamente, se você não o buscar, poderá perdê-lo.
A palavra buscar nos mostra que isso não é algo que acontece automática ou mecanicamente. Buscar significa fixar o coração e a mente em determinadas coisas e procurá-las pacientemente até encontrá-las. Isso é feito com propósito, determinação e perseverança.
O Senhor disse que a porta do reino é estreita e o caminho é apertado, de modo que poucos o encontram. Se você não procurar, se não buscar, não poderá encontrar. Não o encontrará.
Todos os seres humanos estão buscando, mas o que estamos buscando? Quanto ao mundo, as pessoas buscam o que comer, o que beber e com que se vestir. São essas as coisas que o mundo busca.
O Senhor Jesus diz:
Não andeis ansiosos, dizendo: Que comeremos? Ou: Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?
Olhem para as aves do céu. Elas não semeiam nem colhem, e, ainda assim, o Pai celestial de vocês lhes provê com tanta abundância.
Observem os lírios do campo. Eles não trabalham nem fiam; contudo, o Pai celestial de vocês os veste com tamanha beleza que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, pode ser comparado a um desses lírios. Quanto mais o Pai celestial de vocês cuidará de vocês!
Mas buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça; e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Queridos irmãos e irmãs, se realmente vemos o reino, se realmente vemos o Rei, o que estamos buscando? Quantas vezes, como crentes, ainda estamos buscando as coisas deste mundo? Ainda estamos ocupados com os cuidados e as ansiedades desta vida.
É verdade que precisamos viver. É verdade que precisamos comer, beber e nos vestir. Nosso Pai celestial sabe que precisamos dessas coisas. São coisas legítimas, mas lembrem-se: não são elas que buscamos.
Não fixamos a mente nessas coisas. Não decidimos que precisamos obtê-las simplesmente porque nossos vizinhos as têm. No capítulo 21 de Lucas, somos advertidos a ter cuidado para não sermos enredados pelos cuidados, pelas ansiedades e pelas riquezas desta vida.
Quando o Senhor vier, talvez nos encontremos tão presos e enraizados nesta terra que não consigamos subir. Tendo visto o reino de Deus, busquemos o reino de Deus. Busquemos a justiça, a paz e a alegria no Espírito Santo. Busquemos fazer a Sua vontade.
Se fizermos do Seu reino e da Sua justiça aquilo que buscamos intencionalmente, então não apenas encontraremos o reino, mas todas essas coisas nos serão acrescentadas.
Estamos vivendo em uma época em que o fim se aproxima. Estamos vivendo em um mundo mundano, terreno e materialista. Tudo é medido pela riqueza, pelo conforto e pelo luxo. Que tentação isso representa para o povo de Deus!
Quantos do povo de Deus se encontram inteiramente ocupados — não apenas em seu tempo, mas no coração e na mente — com todas essas coisas. Lembrem-se: essas são as coisas do mundo, a cobiça dos olhos, a cobiça da carne e a soberba da vida. O mundo e as coisas do mundo estão passando.
Quando elas passarem, se é isso que você busca, você também passará. Busque primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas essas coisas lhe serão acrescentadas.
Por amor ao reino, não busque as coisas deste mundo. Sinto que, quanto mais simples for a vida cristã, melhor. A vida moderna não favorece o nosso crescimento espiritual. Precisamos ter cuidado. Busquemos o reino de Deus e a Sua justiça, e demos graças a Deus porque Ele nos acrescentará aquilo de que precisamos. Como Ele é fiel!
Em segundo lugar, encontramos em Mateus 11:12:
E, desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus sofre violência, e os violentos o tomam à força.
Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado à força, e pessoas determinadas se apoderam dele. Não gostamos da palavra violência, porque hoje ela tem uma conotação muito ruim. Mas a palavra, em si, é neutra; depende de como é usada.
Algumas traduções dizem que o reino é tomado “à força”. É como se você tivesse de forçar a entrada no reino de Deus, como se estivesse atacando uma cidade, rompendo os seus portões e tomando-a.
Essa expressão revela algo: o reino de Deus não vem facilmente. O reino vem de tal maneira que você precisa lutar por ele.
Mas contra quem você está lutando? Contra quem está sendo violento? Isso não significa que você precisa ser violento com outras pessoas. Algumas pessoas acham que o mundo lhes deve alguma coisa. Guardam rancor de todos e se tornam inimigas de todos. Não é isso que a Escritura ensina.
É verdade que o reino de Deus é tomado à força, mas essa violência não é dirigida às outras pessoas. É dirigida a você mesmo.
No capítulo 18 de Mateus, o Senhor fala das crianças. Ele diz que, se não nos convertermos e não nos tornarmos como crianças, não poderemos entrar no reino dos céus. Quem se humilha como uma criança é o maior no reino dos céus.
Então o Senhor fala dos tropeços:
E, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o de ti; melhor te é entrar na vida mutilado ou coxo do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.
E, se o teu olho te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho do que, tendo dois olhos, ser lançado no inferno de fogo.
Em outras palavras, não faça uma criança tropeçar, nem faça a si mesmo tropeçar. Como você pode se livrar desses tropeços? Se o seu olho o faz tropeçar, corte-o. Se a sua mão ou o seu pé o faz tropeçar, corte-o. É melhor entrar na vida mutilado do que entrar no fogo com duas mãos e dois pés.
O que isso significa? Quantas vezes percebemos que os membros do nosso próprio corpo — os olhos, as mãos e os pés — tentam nos fazer tropeçar, no sentido de nos desviar.
Podemos dizer assim: é a vida do eu dentro de nós. Quantas vezes essa vida do eu tenta nos afastar de Cristo! Há a vida de Cristo dentro de nós, mas também há a vida do eu dentro de nós, sempre lutando contra a vida de Cristo. Muitas vezes, a vida do eu prevalece e nos desvia.
Ela não apenas desvia outras pessoas; ela nos desvia. Quando essas coisas acontecem, o que devemos fazer? Devemos ceder à cobiça dos nossos olhos, à cobiça da nossa carne e à satisfação da vida do eu?
O Senhor Jesus disse que aquele que ganha a vida da sua alma nesta era a perderá; mas aquele que perde a vida da sua alma por amor a Cristo e por causa do evangelho a ganhará para a eternidade. Ele disse:
Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Naturalmente, todos nós amamos a nós mesmos. Amamos tanto a nós mesmos que cedemos às nossas paixões e aos nossos desejos. Temos medo de ser feridos. Queremos que a vida do eu seja satisfeita.
Mas, queridos irmãos e irmãs, quando cedemos à vida do eu, parece que ganhamos a vida da nossa alma. Por algum tempo, parece que conseguimos o que queremos e que estamos felizes e satisfeitos. Porém, na verdade, fizemos a nós mesmos tropeçar. Causamos um grave dano a nós mesmos.
Se ganharmos a vida da nossa alma hoje, nós a perderemos na era vindoura. Mas, se, por amor ao reino, estivermos dispostos a ser radicais conosco mesmos — dispostos a agir de maneira resoluta e violenta contra nós mesmos —, então poderemos entrar na vida.
É claro que isso não deve ser entendido literalmente. Infelizmente, na história da igreja, houve pessoas que o entenderam literalmente. Receio que elas não tivessem mãos suficientes para cortar.
Isso deve ser entendido espiritualmente. Se você percebe que a sua mão o faz tropeçar, deixe que a cruz a corte. Não ceda à cobiça e à paixão da sua alma. Pelo contrário, esteja disposto a sofrer. Pedro diz que precisamos ter a disposição de sofrer, e então somos libertos do pecado. Muitas vezes, não somos libertos porque temos medo de ser feridos.
Quem pode tomar o reino? O reino não é para os fracos. O reino é para aqueles que são violentos — violentos consigo mesmos. Não sejam violentos com seus irmãos e irmãs, mas sejam violentos consigo mesmos.
Novamente, precisamos dizer que isso é graça. Quem não ama a si mesmo? É natural. Mas a vida de Cristo está dentro de nós, e o Espírito Santo está dentro de nós. Enquanto a vida da nossa alma resiste, o Espírito Santo aplica a cruz à vida da nossa alma.
Se cooperarmos, descobriremos que a Sua graça é suficiente e que o Seu poder se manifesta na nossa fraqueza. Se tentarmos lutar por nós mesmos, fracassaremos. Não podemos cortar a nossa própria mão ou o nosso próprio pé, nem arrancar o nosso próprio olho. Se tentarmos fazer isso sozinhos, simplesmente não conseguiremos.
Entregue-se ao Senhor. Deixe que Ele faça isso. Deixe que o Espírito Santo faça isso. Ele é o poder, e Ele o fará.
Por amor ao reino, irmãos e irmãs, precisamos ser violentos conosco mesmos. Precisamos negar a nós mesmos, tomar a nossa cruz e segui-Lo.
Em terceiro lugar, encontramos em 2 Pedro 1:5-11:
E, por esta mesma razão, empregando de vossa parte toda diligência, acrescentai à vossa fé a virtude; e à virtude, o conhecimento;
e ao conhecimento, o domínio próprio; e ao domínio próprio, a perseverança; e à perseverança, a piedade;
e à piedade, a fraternidade; e à fraternidade, o amor.
Porque, se estas coisas são vossas e abundam, não vos deixam ociosos nem infrutíferos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.
Pois aquele em quem estas coisas não estão é cego, vendo somente o que está perto, tendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados.
Portanto, irmãos, procurai com ainda maior diligência tornar firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo estas coisas, jamais tropeçareis;
pois assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Por amor ao reino, queridos irmãos e irmãs, precisamos agir com diligência. Nosso Deus é um Deus diligente. Costumamos dizer que Deus nunca usará uma pessoa preguiçosa. Mas li em algum lugar que D. L. Moody disse que Deus nunca salvaria uma pessoa preguiçosa. Vocês podem pensar no que isso significa.
Por amor ao reino, precisamos de diligência. A própria vida que está dentro de nós é uma vida diligente. A preguiça é a natureza da nossa velha vida, mas a diligência é a natureza da nossa nova vida. Precisamos permitir que essa natureza se desenvolva e se torne caráter.
O que é o reino de Deus? O reino de Deus é o próprio Filho. Ele é o Primogênito entre muitos irmãos, e conduzirá muitos filhos à glória. Em outras palavras, o caráter semelhante ao de Cristo precisa ser desenvolvido. À medida que esse caráter se desenvolve em nós, entramos no reino de maneira rica e abundante.
Por quê? Porque é graça. A graça requer fé. Fé não significa que você vem e faz alguma coisa; fé é receber o que Ele fez. A graça já foi dada. Portanto, tenha fé na Sua graça.
Se você tem fé, acrescente a virtude. A fé sem obras é morta. Se for uma fé viva, produzirá fruto. No entanto, é a obra da fé, não obras mortas.
À virtude, acrescente o conhecimento. Não se trata apenas de boas obras. Como Paulo orou pelos crentes de Colossos, precisamos conhecer a vontade de Deus em toda sabedoria e entendimento espiritual. Não basta que algo pareça bom; precisa ser a vontade de Deus.
Acrescente ao conhecimento o domínio próprio. Algumas pessoas têm conhecimento e pensam que, por terem conhecimento, têm liberdade para fazer o que quiserem. Esquecem-se dos irmãos e irmãs mais fracos, como fizeram os crentes de Corinto. Junto com o conhecimento, precisamos de temperança e domínio próprio.
Com o domínio próprio, deve haver perseverança. Com a perseverança, piedade. Com a piedade, fraternidade. Com a fraternidade, amor. Empreguem diligência para que o caráter do nosso Senhor Jesus seja formado na vida de vocês.
À medida que essas características são formadas na vida de vocês, vocês tornam firmes a sua vocação e eleição. Não sou calvinista, mas creio na eleição. Também creio que vocês precisam tornar firme a sua eleição. Como fazer isso? Empreguem diligência para desenvolver o caráter de Cristo em sua vida. Então entrarão no reino de maneira rica e abundante.
Por fim, Hebreus 12:28 diz:
Portanto, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, tenhamos graça, pela qual ofereçamos a Deus um serviço agradável, com reverência e temor.
Queridos irmãos e irmãs, recebemos um reino que não pode ser abalado. Nos versículos anteriores, encontramos:
Chegastes ao monte Sião.
Nós chegamos ao monte Sião. Não se trata apenas de estarmos chegando; nós já chegamos.
O monte Sião é onde estão o palácio e o trono de Davi. Em outras palavras, ele representa o reino. Foi-nos dado um reino que não pode ser abalado.
Tudo o que pode ser abalado será abalado, e estamos vivendo em um período em que tudo está sendo abalado. Graças a Deus, que tudo o que pode ser abalado seja abalado, para que permaneça aquilo que não pode ser abalado.
Recebemos um reino que não pode ser abalado. Mas observem isto:
Tenhamos graça.
A graça de Deus foi dada; agora, apropriemo-nos dela, para que, por meio dela, sirvamos a Deus de maneira agradável, com reverência e temor.
Temos a graça de Deus. Agora, usemos essa graça para servir a Deus. O reino de Deus não nos permite ficar ociosos.
Vocês se lembram da parábola do reino. Um homem saiu pela manhã e contratou pessoas para trabalhar em sua vinha. Em diferentes horas, encontrou pessoas ainda ociosas e as levou para a vinha. Até na última hora, pouco antes de terminar o dia de trabalho, ele contratou pessoas.
Em outras palavras, o reino de Deus não nos permite ficar ociosos. Muitas parábolas falam do reino e de servos. O Senhor entregou os Seus bens aos Seus servos: cinco talentos, dois talentos e um talento. Os servos deveriam negociar com esses talentos. Quando o Rei voltar, Ele perguntará o que ganharam.
Queridos irmãos e irmãs, sirvamos a Deus de maneira agradável, segundo a Sua vontade, com reverência, dedicação e temor. Sejamos servos sábios e fiéis de Deus.
Em uma versão, a palavra servir é traduzida como adorar:
Adoremos a Deus de maneira agradável, com reverência e temor.
Nosso serviço deve ser a nossa adoração a Deus.
Por amor ao reino, queridos irmãos e irmãs, não sejamos negativos nem passivos. Prossigamos para entrar no reino.
Oh, Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque é do Teu agrado dar-nos o reino. Mas, Senhor, Tu exiges que, por amor ao reino, prossigamos.
Sim, Tu nos deste o reino, mas precisamos colocar o pé nele e pisá-lo, por assim dizer, para que entremos no Teu reino com abundância, para o louvor e a glória do Teu nome. Amém.