Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus 24:14.
E estas boas-novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.
Ó Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque enviaste Teu Filho a este mundo; e ali, na cruz, quando Seu corpo foi partido, o véu se rasgou.
Ó, nós Te louvamos e Te agradecemos porque podemos entrar em Tua própria presença, além do véu, sem nada que nos impeça; podemos contemplar a glória do Senhor com o rosto descoberto e ser transformados de glória em glória, segundo Sua imagem, pelo Senhor, o Espírito.
Nós Te louvamos e Te agradecemos por esse privilégio, e o reivindicamos para nós nesta noite. Pedimos que possamos contemplar-Te e ser transformados. Oramos para que Tua glória seja manifestada. A Ti sejam todo o louvor e toda a glória, em Teu precioso, precioso nome. Amém.
Como o evangelho do reino pesa sobre nosso coração neste tempo! Esse evangelho do reino foi pregado pelo próprio Senhor Jesus.
Quando Ele iniciou Seu ministério público, disse:
O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo: arrependei-vos e crede no evangelho.
Esse evangelho do reino não foi pregado apenas pelo Senhor Jesus; o mesmo evangelho — e o único evangelho — foi pregado pelos apóstolos. Mesmo quando chegamos ao último capítulo do livro de Atos, o capítulo 28, encontramos Paulo, prisioneiro em Roma, em sua casa alugada, pregando o evangelho do reino.
Esse evangelho do reino precisa ser pregado em toda a terra habitada, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.
Assim, queridos irmãos e irmãs, sentimos a urgência do evangelho do reino. Sentimos que é tempo de o povo de Deus chegar a uma compreensão — não apenas a uma compreensão, mas de realmente entrar no próprio evangelho. Que possamos conhecer de fato o que é o evangelho do reino. Que não apenas o preguemos, mas realmente o vivamos. E, ao fazermos isso, sabemos que apressaremos a volta do nosso Senhor.
Agora, naturalmente, para resumir em uma palavra: o que é o evangelho do reino? O evangelho do reino é o Rei.
Em outras palavras, vemos que em nosso Senhor Jesus, que nasceu para ser Rei, estão incorporados toda a natureza e todo o caráter do reino. Se O vemos, se O conhecemos, se O experimentamos, então nos encontramos em Seu reino.
O Meu reino não é deste mundo: se o Meu reino fosse deste mundo, os Meus servos lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o Meu reino não é daqui.
O reino de Deus não é deste mundo. Não é terreno; é celestial. O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Em outras palavras, esse reino não é de modo algum materialista; é espiritual.
Como encontramos no capítulo 4 de 1 Coríntios, o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder. Em outras palavras, não se trata apenas de falar, mas de viver de maneira régia.
O reino de Deus é eterno. Não é temporal; não é algo que passa. Cremos que um dia esse reino se manifestará publicamente nesta terra, mas isso não significa que o reino de Deus não esteja aqui hoje. Quando você entra na realidade espiritual, ela transcende o tempo e o espaço.
Quando o Senhor Jesus estava na terra, no início Ele disse:
Arrependei-vos; porque o reino dos céus está próximo.
Irmãos e irmãs, muitas vezes pensamos que o arrependimento é necessário por causa dos pecados, dos fracassos e das falhas. Precisamos nos arrepender de todas as coisas que fizemos de errado. Mas aqui vemos que, quando nosso Senhor Jesus ensinou sobre o arrependimento, Ele o pregou de uma maneira muito diferente. Ele disse: “Arrependei-vos”. Por que se arrepender? Porque o reino se aproximou.
Em outras palavras, há uma razão positiva para o arrependimento. Se vemos o que é o reino de Deus, se vemos a realidade do reino dos céus, se realmente vemos que é o céu governando a terra, se vemos que Cristo não é apenas nosso Salvador, mas também nosso Rei — se realmente vemos esse reino de Deus, vocês acham que precisamos nos arrepender?
Precisamos nos arrepender porque não nos colocamos sob a realeza do nosso Senhor Jesus. De quantas maneiras vivemos nossa vida e seguimos nossos próprios caminhos! Talvez isso não seja considerado pecado, mas precisamos nos arrepender porque não estamos sob o governo e o domínio do nosso Rei.
O Senhor disse:
Arrependei-vos; porque o reino está próximo.
Por quê? Porque Ele, o Rei, havia chegado, mas ainda não havia conquistado um povo para Si.
Mais tarde, vemos que Ele disse ao povo que, desde o tempo de João Batista até aquele momento, o reino dos céus sofria violência, e homens violentos se apoderavam dele. Em outras palavras, naquele momento o Senhor já havia reunido ao Seu redor alguns de Seus discípulos. Com Seus discípulos, vemos que não apenas o Rei estava ali, mas também Seu reino.
Mas esse reino não se conhece pela observação. O reino se conhece no Espírito.
O que é esse reino? Se queremos conhecer a natureza desse reino, precisamos conhecer o Rei — que tipo de Rei Ele é.
Como Ele decepcionou os judeus de Seu tempo! No início, eles O receberam bem porque pensavam que Ele era o Messias. Talvez fosse o Rei; talvez restaurasse a nação de Israel. Mas, depois, ficaram decepcionados com Ele, porque Seu reino não era deste mundo. Ele era uma pessoa diferente, um tipo de Rei diferente daquele que esperavam. Ele lhes apresentava um reino que não correspondia à concepção que tinham; e, por isso, eles O rejeitaram.
Queridos irmãos e irmãs, quando O crucificaram, a própria cruz se tornou o símbolo de Seu reino. Em outras palavras, se vocês querem saber o que é o reino de Deus, olhem para a cruz. Esse é Seu reino.
Ele disse a Seus discípulos que os reis deste mundo governam e exercem domínio sobre seu povo. Mas Ele disse:
Não será assim entre vós. O grande entre vós será vosso servo, e o primeiro entre vós será vosso escravo; porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por todos.
O que é o reino? Qual é o caráter do reino? A própria natureza do reino está incorporada em Cristo, e isso foi plenamente demonstrado quando Ele foi crucificado. Ele Se entregou por nós.
Ao Se entregar por nós, Ele venceu todas as coisas. Venceu o mundo. Venceu toda a criação. Venceu Satanás, nosso inimigo, e todos os poderes das trevas. Ali Ele demonstrou Seu poder régio. Esse é Seu reino.
Nesta noite, gostaríamos de continuar com o assunto dos filhos do reino. Já vimos o Rei e Seu reino. Agora gostaríamos de ver os filhos do reino.
Se vocês abrirem no capítulo 13 de Mateus, encontrarão ali algumas parábolas; e essas parábolas tratam dos mistérios do reino.
Talvez seja oportuno apenas um alerta. Muitas vezes, tomamos essas parábolas como parábolas da igreja. Mas, se vocês prestarem atenção, verão que está claramente declarado que essas parábolas são os mistérios do reino.
Agora, desta vez não vamos entrar em todas as explicações técnicas sobre a diferença entre a igreja e o reino — quando são a mesma coisa e quando não são. Não creio que vamos entrar nessas questões. Mas quero apenas destacar isto: entre as parábolas do reino, a primeira é a parábola do semeador.
O semeador saiu a semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho; algumas caíram em solo pedregoso; algumas caíram entre espinhos; mas algumas, graças a Deus, caíram em boa terra.
As que foram semeadas à beira do caminho foram devoradas pelas aves. As semeadas em solo pedregoso brotaram muito depressa, mas não tinham raiz; e, quando o sol brilhou sobre elas, ficaram queimadas e secaram. As sementes semeadas entre espinhos criaram raiz e cresceram, mas os espinhos as sufocaram e lhes tiraram o sustento, de modo que não puderam produzir fruto.
Por fim, as sementes semeadas em boa terra começaram a crescer com perseverança e produziram fruto — trinta, sessenta e cem por um.
Ora, quando nosso Senhor Jesus contou essa parábola, Ele esperava plenamente que Seus discípulos a compreendessem. A razão pela qual usou essa parábola foi que não queria que certas pessoas entendessem. Se vocês lerem o capítulo anterior, verão como os fariseus blasfemaram contra o Espírito Santo.
Por causa da blasfêmia deles contra o Espírito Santo, o Senhor disse que qualquer pessoa que falasse contra o Filho poderia ser perdoada, mas aquele que blasfemasse contra o Espírito Santo jamais seria perdoado. Cometeu o pecado imperdoável.
Daquele momento em diante, o Senhor começou a falar ao povo por parábolas, para que ouvissem sem ouvir. Quando nosso Senhor Jesus contou essas parábolas à multidão, elas se tornaram coisas ocultas àqueles que haviam blasfemado contra o Espírito Santo, porque é o Espírito Santo Quem nos convence de nossos pecados. Se o Espírito Santo não operar em nós, jamais nos arrependeremos; jamais seremos convencidos a respeito do Salvador, da preciosidade e do poder do sangue. Portanto, não há como receber perdão.
Mas nosso Senhor Jesus esperava plenamente que Seus discípulos compreendessem, e eles deveriam ter compreendido. Contudo, não compreenderam. Então, depois, vieram ao Senhor e disseram: “Agora, explica-nos essa parábola”.
O Senhor Jesus disse: “Se vocês não compreendem esta parábola, não conseguirão compreender todas as outras, porque esta parábola é o fundamento”. Então o Senhor começou a explicá-la a eles.
Naturalmente, o semeador não é outro senão o próprio Senhor, porque era Ele Quem semeava a semente. E o que é a semente? Ele disse: “A semente é a palavra do reino”. Em outras palavras, a semente é o evangelho do reino. Nosso Senhor Jesus pregava a palavra do reino; pregava o evangelho do reino.
Quando a palavra do reino foi anunciada, havia quatro condições diferentes de coração. Os quatro tipos de solo representam, na verdade, quatro tipos diferentes de coração.
Alguns corações eram como a beira do caminho. Devido ao intenso trânsito do mundo, haviam se tornado tão endurecidos que, quando ouviam a palavra do reino, simplesmente não conseguiam acolhê-la. Ela permanecia na superfície, e as aves, que representam forças malignas, vinham e arrebatavam a semente. Em outras palavras, eles ouviam, mas não ouviam; nada permanecia em sua vida, como se nunca tivessem ouvido.
Aqueles em solo pedregoso ouviram e ficaram emocionalmente comovidos, mas havia pedras debaixo da camada rasa de terra. Em outras palavras, seus pecados não haviam sido confessados. Era apenas uma comoção emocional. Pareciam aceitar a palavra, mas não havia arrependimento nem um tratamento interior.
Parecia que algo havia brotado neles, mas, quando vinham a tribulação ou a perseguição, imediatamente o abandonavam.
As sementes que caíram entre espinhos representam aqueles em cujo coração a palavra do reino entrou. Eles a aceitaram, e ela começou a criar raiz. Mas, infelizmente, as ansiedades e as preocupações deste mundo sufocaram a semente. A palavra estava ali; houve algum crescimento, mas ela nunca conseguia produzir fruto. Quantos entre o povo de Deus que ouviram a palavra do reino estão nessa categoria!
Mas, graças a Deus, havia aqueles cujo solo foi curado, amolecido, trabalhado e preparado. Quando a palavra do reino — o evangelho do reino — lhes foi pregada, eles a aceitaram prontamente. A Bíblia diz que produziram fruto com perseverança. Isso leva tempo, mas, graças a Deus, haverá trinta, sessenta e cem por um.
Esse foi o começo. O começo é a pregação da palavra, ou evangelho, do reino. Porque o evangelho do reino é pregado, alguns recebem a palavra, e a palavra começa a crescer neles.
Então o Senhor começou a contar a segunda parábola. Todas essas parábolas estão em sequência; uma vem depois da outra. Na segunda parábola, o Senhor Jesus falou do trigo e do joio.
Um homem, um semeador, foi e semeou boa semente — trigo — no campo. Mas, quando chegou a noite, o inimigo veio e semeou joio entre o trigo, no mesmo campo.
Depois de algum tempo, quando o trigo começou a crescer, o joio também começou a crescer. Os servos, que haviam dormido durante a noite e não tinham vigiado, haviam permitido que o inimigo semeasse a semente do joio. Não sabiam que havia joio ali; por isso, foram ao senhor e disseram: “Como isso aconteceu? Nós não semeamos esse tipo de semente, e, no entanto, esse joio está aí”.
O senhor sabia. Ele disse:
Um inimigo fez isso.
O trigo e o joio cresceram juntos até o dia da colheita.
Agora, não vou entrar em uma explicação dessas parábolas, porque esse não é nosso propósito nesta noite. Mas, na segunda parábola do reino, quem é o semeador? Naturalmente, Ele explicou novamente. Disse: “O semeador é o Filho do Homem”. Nosso Senhor Jesus é o Semeador.
Mas observem: o que é o campo? O campo, na segunda parábola, não é o coração humano. O campo é o mundo. O mundo é o campo.
E a semente? Vemos que o Filho do Homem semeou a semente no mundo. Mas aqui Ele explicou que a semente não é a palavra do reino; são os filhos do reino.
Em outras palavras, aqueles que receberam a palavra do reino e permitiram que ela operasse em sua vida, de modo que a palavra, em certo sentido, se tornasse carne — esses se tornam filhos do reino. O Senhor os semeou no mundo com um propósito.
Queridos irmãos e irmãs, penso muitas vezes: onde quer que vocês estejam, não estão ali por acaso. Onde quer que estejam, foi o Senhor Quem os semeou ali. Ele os semeou ali como filhos do reino.
Ele semeou alguns dos filhos do reino em Richmond — naturalmente, também em Richmond, na Inglaterra. Semeou alguns dos filhos do reino em Nova York, na Califórnia e em outros lugares. Vemos que Ele semeou os filhos do reino no mundo. Espalhou-os por todo o mundo; colocou-os ali estrategicamente.
Esses filhos do reino devem pregar o evangelho do reino como testemunho ao mundo. Agora, eu diria que essa pregação é mais do que simplesmente falar, porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder.
Esses filhos do reino são semeados no mundo estrategicamente. Ocupam lugares ocultos do mundo. Hoje, este mundo é território inimigo; mas, nesse território inimigo, é como se o Senhor tivesse estabelecido Seus postos avançados. Ele os coloca aqui e ali, aqui e ali, e eles estão ali para tomar aquele lugar para o Senhor.
Eles testemunham diante do mundo que há um Rei, e esse Rei é o Rei de Deus. Testemunham ao mundo que se submetem a esse Rei. Testemunham ao mundo, por sua vida e por sua palavra, que não são deste mundo.
Queridos irmãos e irmãs, quando o poder espiritual desse reino atingir sua plenitude, então veremos que o reino deste mundo se tornará o reino de Deus e de Seu Cristo. Essa é a estratégia de Deus.
Somos os filhos do reino, plantados neste mundo como testemunhas e como testemunho às nações. E então virá o fim.
Como nos tornamos filhos do reino? Ou, dizendo de outra maneira, como entramos no reino de Deus?
Esse reino é diferente dos reinos deste mundo. A maneira de entrar em qualquer reino deste mundo é nascer nesse reino. Agora, naturalmente, nos tempos modernos, uma pessoa pode se naturalizar. Mas, no reino de Deus, não há naturalização. É preciso nascer no reino de Deus.
Essa é a razão pela qual, quando Nicodemos veio ao Senhor naquela noite, o Senhor lhe falou daquela maneira. Se vocês lerem o Evangelho segundo João, verão que é uma pena a Bíblia estar dividida em capítulos e versículos. Isso é conveniente, mas às vezes é uma pena. No manuscrito original não havia essa divisão.
Se vocês lerem o final do capítulo 2 de João, verão que muitas pessoas creram no Senhor porque haviam visto Seus sinais e maravilhas. Vieram ao Senhor, afluíram a Ele e creram Nele porque haviam visto sinais e maravilhas. Mas a Bíblia diz que nosso Senhor Jesus não Se confiava a elas, porque sabia o que havia no homem. Não precisava que ninguém Lhe dissesse qual era a condição do coração delas; Ele a conhecia.
Por isso, Ele não Se confiava a elas, porque essas pessoas vinham a Ele apenas por terem visto sinais e maravilhas. Criam mentalmente, mas não criam de fato Nele.
No início do capítulo 3 de João, lemos: “Mas havia um homem”. Em certo sentido, Nicodemos era diferente da multidão. A multidão vinha ao Senhor de maneira superficial. Era quase como a semente que caiu em solo pedregoso.
Mas havia um homem, Nicodemos. Ele era diferente. Pensava de fato no reino de Deus. Levava isso a sério. Era um homem bom, um homem de boa conduta moral, uma autoridade e um mestre.
Se vocês lerem com atenção, verão que a Bíblia diz que ele era o mestre de Israel. Era um rabino entre rabinos. Todos o respeitavam. Supunha-se que fosse alguém que conhecia Deus, alguém que sabia tudo a respeito de Deus. As pessoas o procuravam em busca de orientação, conselho e instrução.
Contudo, ele era humilde o suficiente, honesto o suficiente, para reconhecer que não sabia de fato. Tinha conhecimento acadêmico, mas sabia que não havia alcançado a realidade.
Talvez, por causa da multidão, ele não viesse ao Senhor Jesus durante o dia. Não era conveniente. Mas, graças a Deus, veio à noite.
Quando veio ao Senhor, vemos a maneira como falou com Ele — como O respeitava. Não O compreendia, mas O respeitava. Disse, em outras palavras: “Tu és um Rabi vindo do céu. Eu sou um rabino na terra, mas Tu és um Rabi vindo do céu, porque dizes coisas que eu não compreendo e não poderia dizer. Percebo que há algo em Ti que eu não possuo”.
Nosso Senhor Jesus conhecia seu coração. Nosso Senhor Jesus sabia que ele queria entrar no reino de Deus. Era isso que ele queria. Não se satisfazia apenas com conhecer a lei e os profetas. Não se satisfazia apenas com conhecer a teologia a respeito disso. Queria entrar no reino de Deus.
Por isso, o Senhor Jesus imediatamente lhe disse:
Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Não é de admirar que você não tenha visto o reino de Deus. Ouviu falar dele, mas não o viu. Se quiser ver o reino de Deus, precisa nascer de novo.
O Senhor também disse:
Se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, como entramos no reino de Deus? Entramos no reino de Deus nascendo nele. Você não pode instruir uma pessoa de modo a fazê-la entrar no reino de Deus. Não pode educar uma pessoa de modo a fazê-la entrar no reino de Deus. Não pode colocar uma pessoa em determinado tipo de ambiente e dizer: “Agora ela está no reino de Deus”. Para entrar de fato no reino de Deus, é preciso nascer de novo. É preciso nascer do Espírito.
Em 1 Pedro 1:23:
Tendo sido gerados de novo, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, que vive e permanece.
Como nascemos no reino de Deus? Nascemos pelo Espírito, mas também pela palavra viva e permanente de Deus — não por prata, ouro ou qualquer coisa corruptível, mas pela semente incorruptível, isto é, pela palavra viva e permanente de Deus.
Um dia, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, durante Seu ministério público, Ele estava muito ocupado. Por quê? Porque as pessoas afluíam a Ele. Muitas queriam ouvi-Lo, e um número ainda maior queria ser curado de suas doenças ou ter seus demônios expulsos.
Mas algumas mães trouxeram seus filhos ao Senhor. Queriam que o Senhor os abençoasse. Quando os discípulos viram essas mães trazendo seus filhos ao Senhor, disseram a elas: “Nosso Senhor não tem tempo para essas crianças. Está ocupado demais. Vão embora. Não O incomodem”.
Contudo, nosso Senhor Jesus disse:
Deixai vir a Mim as criancinhas; não as impeçais: porque a tais pertence o reino de Deus.
E disse:
Qualquer que não receber o reino de Deus como uma criancinha de modo algum entrará nele.
Em outra ocasião, os discípulos discutiam entre si sobre quem era o maior no reino de Deus. Todos queriam ser o maior no reino. Então nosso Senhor Jesus lhes deu uma demonstração: tomou uma criança, colocou-a no meio deles e disse:
Se não vos converterdes e não vos tornardes como as criancinhas, de modo algum entrareis no reino dos céus.
Assim, irmãos e irmãs, isso está muito claro. O reino de Deus é diferente dos reinos deste mundo. A única maneira de entrar no reino de Deus é tornar-se como uma criança; isto é, nascer de novo.
Há muitas passagens das Escrituras que nos dizem quem não pode entrar no reino de Deus. Por exemplo, 1 Coríntios 6:9-11:
Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os que se deitam com homens, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os extorsionários herdarão o reino de Deus. E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.
Em 1 Coríntios 15:50, encontramos outro versículo. Embora fale da ressurreição, o princípio está ali:
Isto digo, irmãos: que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus; nem a corrupção herda a incorrupção.
Quem pode entrar? Quem pode herdar o reino de Deus? Os injustos não podem herdar. Queridos irmãos e irmãs, existe alguém que seja justo? Não há ninguém que seja justo. Carne e sangue não podem herdar o reino. Em outras palavras, para o homem isso é impossível.
Mas para Deus todas as coisas são possíveis.
Vocês se lembram do jovem rico. Como ele queria entrar no reino de Deus e herdar a vida eterna! Veio ao Senhor, correu até Ele e se ajoelhou em meio à multidão, dizendo:
Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Mas ele foi embora triste. Quando ele se afastou, o Senhor Jesus disse:
Como é difícil, como é duro, para uma pessoa rica entrar no reino de Deus!
É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, para entrar no reino de Deus, precisamos deixar tudo de lado e nos converter, tornando-nos como crianças. Se alguém depender de si mesmo — quer seja rico materialmente, quer seja rico de alguma outra maneira —, não poderá entrar.
A maneira de entrar no reino de Deus é apresentar-nos nus diante do Espírito Santo, reconhecer que não somos nada além de pecadores, pedir misericórdia e confiar no Senhor Jesus. O Espírito Santo usará a Palavra viva para nos gerar. É assim que entramos no reino de Deus. Tornamo-nos filhos do reino.
Mas, queridos irmãos e irmãs, a questão aqui não é como entrar no reino de Deus. Creio que aqueles que estão aqui nesta noite já foram despojados pelo Espírito Santo. Vocês já se arrependeram. Já creram no Senhor Jesus como seu Salvador. Já nasceram de novo pela água e pelo Espírito, pela semente incorruptível, a Palavra de Deus.
Mas nossa questão é esta: entramos no reino e depois vivemos nele segundo princípios diferentes?
Em outras palavras, entramos no reino ao nos convertermos e nos tornarmos como crianças. Entramos no reino pelo novo nascimento. É puramente pela graça — não por mérito, não por obras, mas pela graça de Deus em Jesus Cristo. É assim que entramos no reino de Deus.
Mas, depois de entrarmos no reino de Deus, a questão é: vivemos nesse reino? Não estou falando de algo posicional. Estou falando de nossa condição.
Somos filhos do reino por nascimento, mas vivemos como filhos do reino? Vivemos na realidade do reino de Deus? Podemos ter nascido de novo; posicionalmente, estamos no reino de Deus. Mas, quanto à nossa experiência diária, estamos sob o governo do Rei? Manifestamo-nos como verdadeiros filhos do reino?
Creio que o mesmo princípio governa nossa entrada no reino e nossa permanência nele. Não devemos apenas entrar no reino; devemos permanecer no reino.
Para usar um exemplo, no capítulo 15 de João o Senhor disse:
Eu sou a videira; vós sois os ramos.
Isso não é apenas uma figura de linguagem; é uma realidade.
Eu sou a videira, vós sois os ramos: aquele que permanece em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque separados de Mim nada podeis fazer.
Ele é a videira; nós somos os ramos. Ele está em nós, e nós estamos Nele. Isso é verdade; isso é realidade. Mas então o Senhor prossegue:
Permanecei em Mim, e Eu em vós.
Se vocês não permanecerem Nele, nada poderão fazer. Se não permanecerem Nele, não poderão produzir fruto. Se não produzirem fruto, serão cortados, lançados fora e queimados.
Agora, queridos irmãos e irmãs, naturalmente o Senhor não está falando de salvação eterna nem de perdição eterna. Não está falando de vida eterna nem de morte eterna. O Senhor está falando de nossa vida diária com Ele.
Ele é a videira, e nós somos os ramos. Ele está em nós, e nós estamos Nele. Essa é nossa posição, e essa posição nunca mudará. Não importa o que aconteça, essa posição permanece verdadeira para sempre.
Mas, no que diz respeito à nossa vida diária, experiência, comunhão e convivência com Ele, talvez vocês encontrem alguns ramos que não produzem fruto. Por quê? Porque esses ramos estão organicamente ligados à planta, mas há algo errado. Há uma obstrução. A seiva da videira não consegue chegar àquele ramo. O ramo recusa e resiste ao suprimento da vida da videira.
O resultado é a ausência de fruto: seco, cortado, lançado fora, sem utilidade — sem utilidade para o Mestre. Isso não fala de vida eterna nem de morte eterna; refere-se ao reino.
Irmãos e irmãs, posicionalmente nascemos no reino de Deus. Em nossa experiência, estamos vivendo na realidade do reino? Manifestamo-nos como verdadeiros filhos do reino?
Outra parábola se encontra no capítulo 22 de Mateus, e o Senhor disse que ela é uma parábola do reino. É a parábola de um casamento.
O reino dos céus é semelhante a um rei que preparou uma festa de casamento para seu filho.
Aqui vemos que o Senhor disse que o reino é como um rei que oferece uma festa de casamento para seu filho, o príncipe herdeiro. Ele enviou mensageiros para convidar as pessoas a comparecer à festa.
Não entraremos nos detalhes, porque isso levaria tempo demais. Mas vemos que as pessoas convidadas se recusaram a vir e deram todo tipo de desculpa. Na verdade, essas desculpas não eram legítimas. Alguns chegaram a resistir aos mensageiros, maltratá-los e matá-los.
Então muitos foram trazidos das estradas e dos caminhos, e o salão ficou cheio. Mas o estranho foi que o rei entrou no salão onde a festa de casamento havia sido preparada, olhou ao redor e encontrou uma pessoa que não vestia uma veste nupcial.
Então disse: “Por que você não está com a veste nupcial?”. Mandou amarrá-lo e lançá-lo fora.
Ora, isso não é estranho? Dizem-nos que, antigamente, quando um rei preparava uma festa, normalmente o anfitrião providenciava as vestes. Todas essas vestes ficavam prontas; quando os convidados chegavam, eles as vestiam antes de se sentarem para desfrutar da festa.
Mas, evidentemente, esse homem entrou e achou que sua própria roupa era boa o suficiente — talvez até melhor. Por isso, recusou-se a vestir a veste nupcial que o rei havia preparado para seus convidados. Quando o rei percebeu que ele não estava com a veste nupcial, viu que não estava em condições de participar da festa de casamento. Por isso, ele foi amarrado e lançado fora.
Essa é a parábola do reino. Em outras palavras, você pode estar no reino; pode ter nascido no reino de Deus; mas talvez não possa participar da festa de casamento porque não tem aquela veste nupcial.
Relacionem isso ao capítulo 19 de Apocalipse, e verão que chegaram as bodas do Cordeiro, e a noiva se preparou. Foi-lhe concedido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro; pois o linho fino são os atos de justiça dos santos.
Essa é a veste nupcial. Irmãos e irmãs, o significado é simplesmente este: muitos são chamados, mas poucos são escolhidos. Muitos são chamados, mas, depois de sermos chamados, se não dependermos da graça de Deus, cometeremos um erro.
Entramos pela graça; mas, depois de entrarmos pela graça, começamos a pensar que agora estamos salvos e podemos fazer alguma coisa. Começamos a depender de nossas obras. Pensamos que agora somos bons o suficiente, fortes o suficiente. Tentamos acumular nossa própria justiça, pensando que, por meio dela, poderemos entrar na festa de casamento.
Queridos irmãos e irmãs, como estamos enganados! Aquela veste é a justiça dos santos. O que é a justiça dos santos? É o Espírito Santo trabalhando pacientemente naqueles que têm Cristo dentro de si.
Cristo é nossa justiça. Temos Cristo em nós, e a vida de Cristo é justa. Por isso, o Espírito Santo trabalha pacientemente em nossa vida, procurando, ponto por ponto, incorporar Cristo, desenvolver Cristo e, se me permitem usar essa palavra, organizar Cristo — permitir que Cristo seja formado em nós.
À medida que permitimos que o Espírito Santo forme Cristo em nós, isso se torna o linho resplandecente e brilhante — os atos de justiça dos santos. Essa é a veste nupcial que o Rei preparou para a festa de casamento. Portanto, queridos irmãos e irmãs, é graça, mas é graça sobre graça.
Entrar no reino posicionalmente se dá pelo novo nascimento. Isso é uma coisa. Mas, para viver no reino de Deus, permanecer no reino de Deus, estar na realidade do reino — ou, dizendo de outra maneira, ser espiritualmente, para Cristo, o verdadeiro reino de Deus —, é necessário algo mais.
Essa é a razão pela qual, depois que nosso Senhor Jesus começou a pregar o evangelho do reino, alguns responderam a Ele. Se vocês lerem o Evangelho segundo Mateus, verão que os acontecimentos se sucedem rapidamente, como se não houvesse intervalo entre eles.
Em Mateus 4:17, lemos:
Desde então começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos; porque o reino dos céus está próximo.
O Senhor começou a pregar o evangelho do reino. Mas, imediatamente depois, em Mateus 4:18, lemos que, andando junto ao mar da Galileia, Ele viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, lançando uma rede ao mar, porque eram pescadores. Ele lhes disse:
Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.
Eles imediatamente deixaram suas redes e O seguiram.
O mesmo aconteceu com os dois filhos de Zebedeu, Tiago e João. O que é isso? O evangelho do reino é pregado e, imediatamente depois de a palavra do reino ser recebida, vem o chamado ao discipulado.
Imediatamente vemos que o Senhor começou a chamar aqueles que criam Nele para serem Seus discípulos:
Vinde após Mim.
Queridos irmãos e irmãs, em certo sentido fazemos uma divisão infeliz entre crente e discípulo. Pensamos que primeiro cremos e depois, talvez cinco anos mais tarde, ouvimos o chamado para sermos discípulos. Mas, na verdade, ser crente é ser discípulo. Os crentes eram discípulos, e os discípulos eram crentes.
Aqui vemos essas pessoas que ouviram a palavra do evangelho do reino. Elas creram, mas isso é mais do que crer: elas obedeceram. O evangelho não é apenas para ser crido; o evangelho é para ser obedecido.
Assim, vemos o Senhor chamando discípulos: “Venham, sigam-Me”.
Quem são os verdadeiros filhos do reino? Os verdadeiros filhos do reino são aqueles que são discipulados para Cristo.
Sabem, queridos irmãos e irmãs, não sei se estou enganado. Se estiver, por favor, corrijam-me. Mas, ao ler o Novo Testamento, em nenhum lugar encontrei que somos chamados a ser discípulos de alguém que não seja o próprio Senhor.
Outras pessoas podem nos ajudar no caminho do discipulado, mas somos chamados a ser discípulos de Cristo.
O único lugar em que talvez haja alguma indicação, ou alguma dúvida, é quando Saulo se converteu. Ele estava com os discípulos em Damasco e, porque proclamava ousadamente Jesus como o Cristo, o Filho de Deus, tentaram prendê-lo. A Bíblia diz que “seus discípulos” o desceram em um cesto pelo muro.
Alguns manuscritos não dizem “seus discípulos”; dizem simplesmente “os discípulos”. Por isso, pergunto-me se eram ou não discípulos de Saulo. Se eram discípulos de Saulo, isso seria muito estranho, porque ele próprio era um novo convertido. Se tentou fazer discípulos para si mesmo, receio que tenha sido por ignorância.
Somos discipulados para Cristo.
O que significa ser discípulo? A palavra “discípulo” é muito diferente daquilo que entendemos hoje. Hoje entendemos um discípulo como um aluno.
Como aluno, você vai à aula, ouve a exposição do professor e procura absorver todo o conhecimento que ele tem. Depois de esgotar tudo o que ele pode lhe ensinar, você se forma.
Mas o discípulo de antigamente era muito diferente. Foi assim que o Senhor discipulou Seus discípulos: Ele disse: “Venham após Mim”. Ser discípulo é ir após Ele. Por quê? Porque se trata de todo o sistema de aprendizagem de um ofício.
Naqueles dias, quando alguém queria aprender um ofício, não havia escola profissionalizante nem escola técnica. Se quisesse aprender a ser encanador, a única maneira era encontrar um mestre encanador.
Se os pais encontrassem um mestre encanador, precisavam pedir que ele aceitasse seu filho como aprendiz. Talvez ele não o aceitasse. Mesmo quando o mestre estava disposto a aceitar o jovem como aprendiz, na China os pais precisavam pagar uma quantia ao mestre.
O aprendiz precisava deixar sua família. Não lhe era permitido permanecer na casa dos pais. Precisava sair da casa dos pais e ir morar com seu mestre para aprender o ofício.
Normalmente, durante o primeiro ano, o mestre nem sequer permitia que ele tocasse em uma ferramenta. Ele era como um escravo na casa de seu mestre. Varria o chão, carregava o bebê e fazia todo tipo de coisa que não tinha nada a ver com o ofício.
Isso podia continuar por um ano. Nem sequer lhe era permitido tocar nas ferramentas ou receber qualquer instrução sobre o ofício. Simplesmente fazia todas essas coisas, e não podia voltar para casa sem permissão.
Somente depois de talvez um ano de escravidão o mestre começava a lhe ensinar uma coisa ou outra, permitia que tocasse em uma ferramenta ou o levava consigo quando realizava aquele tipo de trabalho. Isso podia continuar por três anos, ou por alguns anos, até chegar o dia em que o mestre dizia: “Agora você pode trabalhar por conta própria”.
Qual é o resultado? Esse jovem não apenas aprende a habilidade de seu mestre e se torna tão habilidoso quanto ele; também aprende a maneira de viver — o modo de vida — de seu mestre. Às vezes, até pensa como seu mestre e anda como seu mestre. Ele foi transformado, e o mestre foi reproduzido nele.
Queridos irmãos e irmãs, esse é o significado do discipulado. O Senhor havia vindo, e a única maneira de ser discípulo era deixar tudo e segui-Lo.
É por isso que vemos nos Evangelhos que, toda vez que vinha o chamado ao discipulado, eles deixavam tudo e O seguiam.
Agora, naturalmente, isso talvez não signifique que você tenha de sair fisicamente de sua casa, deixar seu pai e sua mãe. Alguns maridos ficariam mais do que felizes em deixar suas esposas, ou algumas esposas ficariam mais do que felizes em deixar seus maridos. Alguns pais ficariam muito felizes em deixar seus filhos, e os filhos ficariam muito felizes em deixar seus pais. Não, esse não é o significado.
Se você fica feliz com isso, o Senhor diz: “Fique com eles”. Isso faz parte do discipulado.
Mas, de qualquer maneira, para ser discípulo, você precisa deixar tudo para trás. Em outras palavras, precisa estar desapegado de tudo em seu coração. Tudo precisa estar resolvido.
No capítulo 14 de Lucas, o Senhor disse que, se você quer construir uma torre, deve se sentar e calcular o custo. Se não estiver disposto a pagar com tudo o que tem, não comece. Se quiser ir à guerra contra um inimigo e estiver disposto a dedicar apenas parte de suas forças à batalha, então nem lute.
Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser Meu discípulo.
Irmãos e irmãs, não se trata da questão física, mas de seu significado espiritual. Em outras palavras, para ser discípulo do Senhor Jesus, você precisa renunciar a tudo, até mesmo à própria vida. Precisa calcular o custo. Nada de agir apenas pela emoção — você precisa calcular o custo.
Mas o amor de Cristo constrange você, e você se dispõe a abrir mão de tudo. “Senhor, Tu tens as palavras de vida. Para onde posso ir? Fui conquistado por Ti. Sou Teu.”
Em seu espírito e em seu coração, você deixa tudo. Desapega-se de tudo e se apega somente ao Senhor. Coloca-se sob Seu governo e Sua autoridade.
Aqui, irmãos e irmãs, vocês Lhe dão a oportunidade de moldá-los e formá-los da maneira como Ele deseja tratar com vocês. Talvez não seja da maneira que vocês esperam.
Muitas vezes esperamos que, se realmente nos entregarmos ao Senhor e dissermos: “Senhor, quero aprender de Ti”, Ele nos dará um curso rápido — seis meses, e estaremos formados.
Mas vocês descobrirão que, muitas vezes, quando realmente se entregam ao Senhor, Ele começa a fazer algo em sua vida que, para vocês, não significa nada e parece completamente sem relação com isso. Contudo, por meio dessas pequenas coisas aparentemente sem relação, Ele está ensinando vocês, trabalhando em vocês e transformando vocês.
Queridos irmãos e irmãs, no capítulo 5 de Mateus, Ele levou ao monte aqueles que deixaram tudo e O seguiram.
Provavelmente todos conhecemos o Sermão do Monte — os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus. Aqui vemos o processo: primeiro, o evangelho do reino é pregado; depois vem o chamado ao discipulado. Quando essas pessoas realmente seguem o Senhor, para onde Ele as leva? O Senhor as leva ao monte.
Depois de levá-las ao monte, Ele Se sentou, abriu a boca e ensinou os discípulos. Queridos irmãos e irmãs, o Sermão do Monte não foi dirigido às multidões. O Sermão do Monte foi dirigido aos discípulos.
Se você não é discípulo de Cristo, o Sermão do Monte não se destina a você. Mas, se realmente responde ao chamado ao discipulado, realmente se entrega a Ele e se coloca sob Seu governo, Sua instrução e Sua disciplina, então ouça o que Ele diz.
Muitas vezes entendemos mal o Sermão do Monte. Às vezes pensamos que ele nos foi dado simplesmente para que o praticássemos. Ora, é verdade que tudo o que está dito nesses capítulos deve ser praticado. Nosso Senhor é extremamente prático. Ele não quer que espiritualizemos coisa alguma nesses capítulos a ponto de esvaziar seu sentido.
Quando chegamos aos capítulos 5, 6 e 7 de Mateus, na verdade não é necessária muita explicação. Por quê? Porque, quanto mais se explica, mais se acaba anulando o que foi dito. O Sermão do Monte quer dizer exatamente aquilo que está dito ali, e deve ser praticado. Mas quem deve praticá-lo?
Pensamos que ele é uma lei superior — uma lei mais rigorosa do que a lei de Moisés. Em certo sentido, isso é verdade, porque, no capítulo 5 de Mateus, o Senhor disse:
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; Eu, porém, vos digo.
Ali estava a lei de Moisés, e aqui está a palavra de nosso Senhor como Rei de Seu reino. O Rei está dizendo a Seus filhos como é Seu reino. O Sermão do Monte é o caráter do reino.
Para facilitar, já que não temos tempo de entrar nos detalhes, eu diria, de modo geral, que, no capítulo 5 de Mateus, o Senhor não está proclamando a lei de Seu reino. Antes, está nos apresentando uma nova natureza, a natureza do reino.
Há uma grande diferença nisso. A meu ver, o capítulo 6 de Mateus nos fala do relacionamento no reino; e o capítulo 7, de modo geral, nos mostra a experiência do reino.
Em outras palavras, o capítulo 5 de Mateus está relacionado ao Filho; o capítulo 6, ao Pai; e o capítulo 7, ao Espírito Santo.
O Sermão do Monte começa com as bem-aventuranças:
Bem-aventurados os pobres em espírito; porque deles é o reino dos céus.
Sabem, as bem-aventuranças não são leis, porque as bem-aventuranças expressam a pessoa. Não é: “Agora você precisa ser pobre em espírito”. Ele disse: “Bem-aventurados os pobres em espírito”. Ele não está tentando ensinar você ou ordenar que seja pobre em espírito. Ele simplesmente declara: “Bem-aventurados os pobres em espírito”. Em outras palavras, vocês são os pobres em espírito.
Por quê? Porque as bem-aventuranças não são outra coisa senão a imagem do Filho de Deus.
Qual é a imagem do Rei? A imagem do Rei é a de alguém pobre em espírito. Leiam o capítulo 2 de Filipenses. Conhecemos bem essa passagem:
O Qual, existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo a que Se apegar; mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-Se semelhante aos homens; e, sendo encontrado em figura humana, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz.
Bem-aventurados os pobres em espírito. Aqui encontramos nosso Senhor Jesus, o Rei, o Filho. Que tipo de pessoa Ele é? Que imagem nos apresenta? Sua imagem é a natureza do reino; é o caráter do reino. Ele caracteriza o reino.
Qual é essa imagem? Pobre em espírito.
Pobre em espírito não significa que Ele fosse realmente pobre, que não tivesse nada. Ele tem tudo. Era igual a Deus, e isso não era algo que estivesse tentando alcançar. Isso Lhe pertencia desde a eternidade. Ele era o Filho de Deus, o eterno Filho de Deus. Toda a glória, toda a honra, todo o poder e todo o domínio Lhe pertenciam por direito.
Contudo, Ele Se esvaziou. Não apenas Se tornou homem, mas, como homem, colocou-Se sob o governo de Seu Pai. Obedeceu a Seu Pai até à morte, e morte de cruz. Isso é ser pobre em espírito.
Queridos irmãos e irmãs, somos os filhos do reino. Para sermos os filhos do reino, precisamos ser transformados e conformados à imagem do nosso Rei. Essa é a obra do Espírito Santo.
Não há como tornar a nós mesmos pobres em espírito. Muitas vezes, quando tentamos nos fazer pobres em espírito, tornamo-nos hipócritas. Por quê? Porque pensamos que somos bastante ricos.
Em certo sentido, talvez você tenha avançado bastante no Senhor; e, porque avançou muito no Senhor, sente que é bastante rico. Contudo, diz que é pobre em espírito e assume uma posição de humildade. Você percebe que isso é falso.
Não podemos fazer isso. Se tentamos tornar a nós mesmos humildes, nossa própria humildade é nosso orgulho: “Vejam como sou humilde”.
Irmãos e irmãs, lembrem-se: para o homem isso é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis.
O reino é o evangelho. Agora, o que é o evangelho? O evangelho é que você tem a vida do Rei em você. Porque essa vida está aí, o Espírito Santo também está em você.
Qual é a obra do Espírito Santo? A obra do Espírito Santo é organizar essa vida em você, fazer essa vida se manifestar. A obra do Espírito Santo é aplicar a cruz em sua vida e cortar tudo o que é de sua carne — sua arrogância e seu orgulho.
Ele cortará essas coisas e permitirá que Cristo cresça em você. À medida que Cristo cresce em você, o que é isso, senão ser pobre em espírito?
É um processo sobrenaturalmente natural. Não é algo que você tenta fabricar — e você não consegue. É real: a imagem do Filho de Deus. Você está destinado a ser conformado à Sua imagem.
O que é imagem? Imagem é diferente de semelhança. A semelhança é exterior; a imagem é interior. A semelhança é a conduta exterior, mas a imagem é a realidade interior.
Se vocês percorrerem as bem-aventuranças, verão que elas descrevem o que é o Filho de Deus, nosso Rei.
Bem-aventurados os que choram; porque eles serão consolados.
Por quê? Porque nosso Senhor Jesus, como Rei, é um homem de dores e familiarizado com o sofrimento. Ele não precisa chorar por Seu próprio pecado, porque não tem pecado. Nós precisamos chorar por nossos pecados, mas Ele não.
Contudo, quando Ele nos vê, ah, como chorou:
Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes quis Eu reunir os teus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não quisestes!
Bem-aventurados os que choram. Queridos irmãos e irmãs, lembrem-se: isso é caráter; isso é imagem. É algo que o Espírito Santo fará se manifestar em vocês, mas não são vocês mesmos. É a vida do Rei.
Vocês podem continuar por todas as bem-aventuranças. Queridos irmãos e irmãs, como Ele as faz se manifestar? Graças a Deus, o potencial já está dentro de nós. Tudo o que diz respeito à vida e à piedade já foi dado.
Agora é o Espírito Santo Quem procura fazer essas coisas se manifestarem — desenvolver, transformar e conformar vocês à imagem do Filho de Deus. Naturalmente, o processo de transformação é muito doloroso.
É por isso que você precisa ser discípulo. É por isso que é necessário colocar-se sob Seu controle absoluto.
Sim, haverá momentos em que você discutirá. Haverá momentos em que resistirá. Haverá momentos em que sentirá que não deveria ser assim; deveria ser de outra maneira. Mas, queridos irmãos e irmãs, graças a Deus, como nosso irmão tem mencionado repetidas vezes, há a soberania de Deus.
Você não consegue escapar. Você não escapará. Isso é para que cooperemos devidamente.
O Sermão do Monte não é uma lei imposta sobre nós — nem sequer uma lei imposta sobre os discípulos. O Sermão do Monte é uma imagem apresentada a nós.
Ao contemplarmos a glória do Senhor com o rosto descoberto, somos transformados de glória em glória, segundo a mesma imagem, pelo Senhor, o Espírito.
À medida que somos transformados, vemos então que Ele diz:
Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo.
Sabem, irmãos e irmãs, quantas vezes dizemos: “Agora somos o sal da terra”. Mas será que somos? Você só é o sal da terra depois de ser discipulado e transformado — só depois que o evangelho do reino se torna seu evangelho.
Somente depois de permitir que o Rei, Sua imagem, seja reproduzido em você pelo Espírito Santo — quando isso acontece, você é o sal da terra. Se isso não acontece, você é como o sal que perdeu seu sabor e se tornou inútil.
Você é a luz do mundo. Como pode ser uma testemunha e um testemunho às nações? Somente depois de receber a palavra do reino e permitir que o Espírito Santo faça de você um verdadeiro filho do reino.
Então, queridos irmãos e irmãs, vocês são como uma luz, como uma cidade construída sobre um monte que não pode ficar escondida.
Todo o Sermão do Monte nos diz o que a graça pode fazer se vocês cooperarem.
O Sermão do Monte nos fala de um relacionamento. Você tem um relacionamento com o Pai celestial e, por meio desse relacionamento, pode ser transformado e ser perfeito como seu Pai celestial é perfeito.
O Sermão do Monte nos diz que você pode ter uma experiência — a experiência da atuação do Espírito Santo em sua vida. Ele trabalhará de uma maneira que talvez nos pareça pouco natural.
É natural para nós julgar. É natural para nós enxergar aquele pequeno cisco nos olhos de nossos irmãos e irmãs e não enxergar a trave em nosso próprio olho. Mas a atuação do Espírito Santo é tão bela que Ele nos fará enxergar o que há em nossos próprios olhos.
Depois que isso for tratado, poderemos ajudar nossos irmãos e irmãs. É pela atuação do Espírito Santo que podemos construir nossa casa sobre a rocha — não apenas como ouvintes, mas como praticantes —, porque primeiro Ele operou em nós tanto o querer como o realizar. Então desenvolvemos nossa salvação com temor e tremor.
Portanto, irmãos e irmãs, o Sermão do Monte não é lei. É graça. É a vida do Rei. É do agrado do Pai dar-nos o reino. É obra do Espírito Santo transformar-nos, para que sejamos verdadeiros filhos do reino.
Se isso for verdade, teremos um testemunho conjunto. Seremos testemunhas desse reino, e então virá o fim.
Nosso Pai celestial, nós Te adoramos porque o reino pertence ao Teu Filho. É Seu grande reino.
Ó, muitas vezes sentimos que o reino exige tanto. Como podemos corresponder a essas exigências? Mas nós Te louvamos e Te agradecemos porque primeiro nos mostras Tua semelhança.
Tu nos demonstraste que vida é essa, que vida régia é essa. E agora enviaste Teu Espírito Santo para trabalhar em nós e conosco, para nos transformar e nos conformar à imagem de Teu Filho.
Que sejamos manifestados neste mundo como verdadeiros filhos do reino, como sal e luz no mundo, para que o Pai celestial seja glorificado.
Ó, oramos para que o poder espiritual e a realidade de Teu reino aumentem, e para que o reino deste mundo diminua. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.