Voltemo-nos ao Senhor em oração.
Ó Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque abriste o novo e vivo caminho através do véu, para que possamos entrar em Tua própria presença e contemplar a glória do Senhor com o rosto descoberto.
Ó Pai, nós Te louvamos e Te agradecemos porque o sangue removeu toda distância e todos os impedimentos. Nós Te louvamos e Te agradecemos pelo livre acesso que temos ao trono da graça.
Senhor, desejamos que nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação, para que possamos conhecê-Lo de maneira real. Reconhecemos que, em nós mesmos, não temos capacidade para isso. A menos que Tu Te reveles, não poderemos entrar na realidade de Cristo.
Por isso, Senhor, olhamos para Ti. Nós Te louvamos e Te agradecemos porque sabemos que é do Teu agrado revelar Teu Filho em nós. Assim, pedimos-Te, ó Senhor, que o faças nesta hora por meio do Teu Espírito Santo. Entregamo-nos a Ti e pedimos que nos unjas a todos com Teu Espírito Santo e nos vivifiques para Ti, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Agradecemos a Deus por nos reunir neste momento em Sua presença. O encargo que nosso Senhor deu ao nosso irmão Montret Hala encontra-se em Mateus 16:18:
Edificarei a Minha igreja.
E o encargo que nosso Senhor deu ao nosso irmão Lance Lambert encontra-se em Romanos 9:23:
Vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória.
E o encargo que o Senhor me deu para este momento também está em Mateus — Mateus 24:14.
E estas boas-novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, para testemunho a todas as nações;
E então virá o fim.
Repito:
E estas boas-novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, para testemunho, ou testificação, a todas as nações;
E então virá o fim.
Mencionamos na primeira noite, nas palavras de abertura, que há apenas um evangelho. É o evangelho de Deus, o evangelho do Filho de Deus, o evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus, o evangelho de Cristo, o evangelho da glória do Deus bendito, o evangelho da glória de Cristo. É o evangelho da graça. É também o evangelho do reino, o evangelho da vossa salvação e, como Paulo disse, “meu evangelho”.
Agora, com todas essas diferentes descrições, sabemos que há apenas um evangelho, não muitos evangelhos. Se alguém vier e pregar outro evangelho — outro de natureza diferente —, então se desviou da verdade.
Mas o evangelho de Deus é tão pleno que possui muitos aspectos. Neste momento, gostaríamos de enfatizar um desses muitos aspectos. A razão pela qual gostaríamos de fazer isso, como dissemos antes, é que esse aspecto tem sido muito negligenciado. É o aspecto do evangelho do reino.
Agora, lembrem-se de que isso não contradiz, de maneira alguma, o evangelho da graça, porque o evangelho do reino é o evangelho da graça, e o evangelho da graça é o evangelho do reino. São apenas dois aspectos do mesmo evangelho.
O evangelho do reino deve ser pregado em toda a terra habitada, como testemunho e testificação a todas as nações, e então virá o fim.
Creio, irmãos e irmãs, que estamos vivendo no fim do fim. Sabemos que o fim está chegando em breve, mas, antes que o fim venha, este evangelho do reino deve ser pregado, para que as nações saibam que há um Rei e que Seu reino está chegando em breve.
O que é um reino?
A palavra reino, em sentido abstrato, significa soberania, poder real, domínio ou governo. Mas, em sentido concreto, um reino significa um território ou um povo sobre o qual um rei reina e governa.
Ora, visto que o reino de Deus é onde Deus governa, ele é a esfera de Seu reinado.
Se vocês lerem Salmos 145:1, 13:
Eu Te exaltarei, ó meu Deus e Rei;
E bendirei o Teu nome para todo o sempre.
O Teu reino é um reino eterno;
E o Teu domínio perdura por todas as gerações.
Ou abram em Salmos 45:6:
O Teu trono, ó Deus, é para todo o sempre:
Cetro de equidade é o cetro do Teu reino.
Ou Salmos 22:28:
Porque o reino é do Senhor;
E Ele governa sobre as nações.
Portanto, o reino de Deus é de eternidade a eternidade. O reino de Deus se estende por todas as eras, e o reino de Deus governa sobre a terra — sobre todas as nações. Esse é o reino de Deus. Onde quer que Deus reine e governe, ali está o Seu reino.
Mas sabemos que algo aconteceu neste universo. Em certo momento, houve uma rebelião dos anjos. Por causa da rebelião do arcanjo, esta terra caiu em ruína e ficou vazia.
Embora Deus a tenha restaurado para que fosse um lugar habitável para o homem, também sabemos como o homem pecou contra Deus. Por causa dessa rebelião e da queda do homem, o reino de Deus, em sentido estrito, é onde Seu governo e Sua autoridade são reconhecidos e aceitos.
Em sentido amplo, o reino de Deus abrange todo o universo. O reino de Deus se estende por todas as eras. Não há nada que não esteja sob Seu governo. Mas, em sentido estrito, o reino de Deus é onde Ele é reconhecido e onde Seu governo e Seu reinado são aceitos.
Ora, isso não significa que Deus tenha alguma vez renunciado ao Seu direito de propriedade ou à Sua soberania. Pelo contrário, vemos que, mesmo depois da rebelião que aconteceu nesta terra, Deus está trabalhando para restaurar e recuperar aquilo que Ele determinou desde o princípio.
Depois da rebelião do homem, Deus começou a trabalhar. Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse:
Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também.
Depois da queda do homem, Deus não teve descanso. Ele começou a obra de recuperar e restaurar Seu reino.
Em primeiro lugar, vemos como Ele redimiu um povo do Egito. Ele os trouxe a Si e lhes disse que, se guardassem Seus mandamentos e obedecessem à Sua ordem, seriam Seu povo, e Ele seria o seu Deus.
Deus trouxe esse povo a Si para fazer dele uma nação de sacerdotes. Sobre essa nação de Israel, um povo que Ele redimiu do Egito, Ele seria o Rei. Ele queria ter Seu reino na terra entre eles.
Agora, se vocês lerem Êxodo 15, depois que Deus os fez atravessar o mar Vermelho, verão que o cântico de Moisés é entoado. Nesse belo cântico, vocês verão que ele começa com Deus como a salvação deles e termina em Êxodo 15:18:
O Senhor reinará para todo o sempre.
Em outras palavras, Deus redimiu esse povo; Deus salvou esse povo para reinar sobre ele para sempre. Deus era o Rei deles; eles eram Seu reino na terra.
Moisés conduziu o povo pelo deserto e, perto do fim do quadragésimo ano, eles estavam nas planícies de Moabe, prontos para entrar na terra prometida.
Vocês se lembram da história em Números 23: como Balaque, rei de Moabe, ficou amedrontado ao ver aquela multidão de pessoas se aproximando de sua fronteira; como contratou um profeta chamado Balaão, que tentou vender seu dom por dinheiro e recompensa; e como Balaão tentou amaldiçoar os filhos de Israel.
Então encontramos em Números 23:19-21:
Deus não é homem, para que minta;
Nem filho do homem, para que Se arrependa:
Porventura, tendo Ele dito, não o fará?
Ou, havendo falado, não o cumprirá?
Eis que recebi ordem para abençoar:
Ele abençoou, e não o posso revogar.
Não contemplou iniquidade em Jacó;
Nem viu perversidade em Israel:
O Senhor, seu Deus, é com ele;
E o brado de um Rei está no meio deles.
Em outras palavras, vemos que Deus trouxe esse povo a Si para ser Rei sobre ele.
Sob a liderança de Josué, esse povo entrou na terra prometida. Por ser um povo terreno, precisava de alguém na terra que pudesse ser visto e que representasse Deus como Rei.
Ora, embora tenham procurado obter seu próprio rei, como os reis das nações, vemos que Saul, a quem escolheram, falhou em representar Deus como Rei. Em outras palavras, ele O representou de maneira incorreta.
Então, no tempo de Deus, Deus levantou Davi, um homem segundo o Seu coração. Quando Davi se assentou no trono, foi uma verdadeira representação de Deus como Rei sobre Seu povo.
Mas, infelizmente, seus descendentes não prosseguiram com o mesmo espírito de Davi. Pelo contrário, vemos como conduziram o povo para longe de Deus. Por causa disso, Deus permitiu que a nação de Israel e a nação de Judá fossem levadas para o cativeiro.
Exteriormente, parecia que, durante aquele período, não havia reino de Deus na terra. Deus era chamado de Deus do céu, mas, durante aquele período, nunca era chamado de Deus do céu e da terra, porque não tinha um reino representado na terra.
Mesmo depois que um remanescente dos filhos de Israel voltou a Jerusalém e reconstruiu o templo, não havia ninguém na terra que representasse Deus como Rei sobre Seu povo.
Quando chegamos ao Novo Testamento, encontramos José, da linhagem real de Davi. Ele não estava assentado no trono de Davi em Jerusalém; era um humilde carpinteiro na região montanhosa de Nazaré. E quem estava assentado no trono de Judá e da Idumeia? Herodes.
Mas Deus estava trabalhando. De repente, ouvimos uma voz no deserto, e a voz dizia:
Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.
O reino de Deus estava se aproximando. Essa era a mensagem de João Batista. Ele preparou o caminho do Senhor. Ele até identificou o Rei.
Como encontramos profetizado em Isaías 9:6-7:
Porque um menino nos nasceu;
Um Filho se nos deu;
E o governo estará sobre o Seu ombro:
E o Seu nome será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte,
Pai Eterno, Príncipe da Paz.
Do aumento do Seu governo e da paz não haverá fim,
Sobre o trono de Davi e sobre o Seu reino,
Para o estabelecer e o sustentar com juízo e com justiça,
Desde agora e para sempre.
O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso.
Um menino nos nasceu. Ora, essa Criança nasceu numa manjedoura e, contudo, um Filho se nos deu. A Criança que nasceu na manjedoura é um Filho dado a nós. Ele é o Filho de Deus que veio a este mundo, e o governo estará sobre o Seu ombro.
Ele é o Filho de Davi e, contudo, é maior do que Davi, pois é o Senhor de Davi. Ele será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Seu governo não terá fim, e o zelo do Senhor fará isso.
Quando nosso Senhor Jesus nasceu, Ele nasceu Rei. Embora tenha nascido numa manjedoura, nasceu Rei. É por isso que vemos os magos do Oriente, guiados pela estrela, vindo adorá-Lo.
Mas esse Rei era muito diferente de todos os reis deste mundo. Por quê? Porque Seu reino não é deste mundo. Por isso, a maneira como o Rei veio a este mundo foi diferente. A maneira como o Rei cresceu foi diferente. A maneira como o Rei foi preparado foi muito diferente.
Ali, na região montanhosa de Nazaré, Ele cresceu. Era desconhecido dos homens, mas conhecido de Deus. Por trinta anos, permaneceu oculto. Permaneceu oculto aos olhos deste mundo.
Durante aqueles trinta anos, Ele estava sendo preparado para ser o Rei do reino de Deus. Sabem, um rei precisa ser preparado, e a preparação de um rei é a mais rigorosa e a mais difícil, porque ele pretende se assentar no trono e governar sobre um povo.
Nosso Senhor Jesus foi preparado de uma maneira muito difícil e muito diferente de toda a preparação que o mundo oferece. Ele nunca frequentou uma escola rabínica para aprender e, contudo, estava na escola de Deus. Ele aprendeu todas as lições do reino.
Assim, quando saiu para pregar, Ele era a própria personificação das leis, dos princípios, da natureza e do caráter do reino.
Quando tinha doze anos, Ele foi a Jerusalém. Era o Filho do Pai. Tinha consciência de que precisava estar ocupado com os assuntos de Seu Pai. Ficou no templo e, quando Seus pais, Sua mãe, O encontraram, Ele disse:
Não sabíeis que Me cumpria estar na casa de Meu Pai?
E, mesmo assim, Ele voltou com Seus pais. Submeteu-Se aos Seus pais terrenos. Aprendeu a lição da submissão e da obediência.
Quando tinha trinta anos, Ele Se apresentou. A maneira como Se manifestou ao Seu povo foi recebendo o batismo de João.
Agora, queridos irmãos e irmãs, sabemos que o batismo de João é o batismo de arrependimento:
Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.
Ora, não havia nada de que Ele precisasse Se arrepender. Nosso Senhor Jesus era perfeito. Não havia nada de que precisasse Se arrepender.
E, contudo, vemos como Ele entrou na água. Recebeu o batismo de João. Ele disse:
Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça.
Ali vemos que Ele Se humilhou. Identificou-Se conosco e até recebeu aquele batismo.
Depois do batismo, Ele foi impelido pelo Espírito Santo ao deserto para enfrentar o arqui-inimigo. Durante quarenta dias e quarenta noites, jejuou, em conflito constante. E, graças a Deus, vemos que venceu Seu inimigo e voltou no poder do Espírito Santo.
Quando o Senhor Jesus voltou do deserto, começou a pregar. O que Ele pregava?
Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.
Ele pregava o evangelho do reino. Por que pregava o evangelho do reino? Ele não era apenas um ensinamento; era uma realidade. Por quê? Porque o evangelho do reino que Ele pregava estava personificado Nele. Ele é o reino. Ele é o evangelho do reino.
Por que Ele disse que o reino de Deus estava próximo? Ele não é o Rei? Sim, Ele é. O reino não está personificado Nele? Sim. Mas, em outro sentido, Ele disse que o reino de Deus estava próximo porque, embora o Rei já estivesse no meio deles, ainda não havia conquistado um povo.
Sem um povo, em certo sentido, um rei não tem reino. É por isso que vemos nosso Senhor Jesus, no início de Seu ministério, dizendo:
O reino de Deus está próximo.
O Rei está no meio de vocês, mas Ele precisa conquistar um povo para Si, para que tenha Seu reino.
As pessoas começaram a se reunir, e se reuniam em torno Dele. Vocês se lembram de Lucas 17? Quando Lhe perguntaram: “Quando virá o reino de Deus?”, o Senhor Jesus respondeu:
O reino de Deus não vem com aparência exterior;
Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali!
Porque eis que o reino de Deus está no meio de vós.
Por quê? Porque Ele estava no meio deles. O Rei estava no meio deles, e onde o Rei está, ali está Seu reino.
Ele disse aos Seus discípulos:
Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus sofre violência;
E os violentos o tomam à força.
Ele começou a chamar pessoas para segui-Lo, e os que responderam ao chamado deixaram tudo e O seguiram.
Quando tinha Seus discípulos ao Seu redor, Ele tinha Seu reino. Mas Seu reino é tão diferente do reino deste mundo.
Ele disse aos Seus discípulos que os reis e governantes deste mundo governam sobre as pessoas, dominam sobre elas e lhes dão ordens e comandos. Mas Ele disse:
Não será assim entre vós.
Se você quiser ser grande, precisa ser um servo. Se quiser ser o primeiro, precisa ser um escravo.
O Senhor disse:
O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir;
E para dar a Sua vida em resgate por muitos.
Aqui, irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus, enquanto estava na terra, apresentou um reino aos filhos de Israel. Mas era um reino diferente.
Os filhos de Israel esperavam a vinda do reino porque, naquele tempo, estavam sob o domínio romano. No fundo, os judeus nunca aceitaram o domínio romano. Aguardavam a vinda do Messias. Acreditavam que, quando o Messias viesse, Ele os libertaria do domínio romano. Eles se tornariam a primeira entre as nações, a cabeça das nações, em vez de serem a cauda das nações.
Aguardavam a restauração de Israel como nação terrena. O Senhor lhes apresentou o reino. O Senhor Se apresentou a eles como seu Rei, mas o reino que lhes apresentou era de outra natureza.
Eles não conseguiam compreendê-lo. No início, eles O ouviam. No início, vinham em multidões até Ele, na esperança de que fosse o Messias. Mas, à medida que O ouviam e observavam, ficavam cada vez mais decepcionados com Ele.
Viram que Ele não era o Rei que esperavam. Perceberam que Ele não veio lhes trazer o reino que desejavam. Por isso, por fim, vemos que gritaram: “Fora com Ele! Fora com Ele! Crucifica-O!” Não queriam ter nada a ver com Ele. Por quê? Porque não compreendiam o reino que Ele lhes oferecia.
Não eram apenas aqueles judeus que não compreendiam. Ao lerem os quatro Evangelhos, vocês verão que nem mesmo Seus discípulos compreendiam. Em certo sentido, eles realmente deixaram tudo e O seguiram. Realmente se colocaram sob Seu governo. Contudo, em outro sentido, nunca O compreenderam.
Repetidas vezes, nosso Senhor Jesus procurou lhes falar sobre a natureza de Seu reino, o caráter de Seu reino e o reino que estabeleceria entre eles. Contudo, ao longo dos três anos em que estiveram com Ele, nosso Senhor Jesus Se sentia limitado, porque Seus discípulos simplesmente não compreendiam.
Mesmo depois de Sua ressurreição, Ele lhes falou sobre o reino de Deus durante quarenta dias. Mas, quando os levou ao monte das Oliveiras, antes de subir ao céu, ainda Lhe perguntaram:
Senhor, restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel?
Em outras palavras, vemos que ninguém parecia compreender o reino. Ninguém parecia capaz de apreender o evangelho do reino. Portanto, ninguém parecia capaz de conhecer o Rei de maneira real.
Agora, queridos irmãos e irmãs, isso não era verdade apenas há dois mil anos, entre os judeus daquele tempo, ou mesmo entre os discípulos de nosso Senhor Jesus naquele tempo. Como isso também é verdade entre nós hoje!
Havia um ensinamento chamado teoria do adiamento. Algumas pessoas pensam que nosso Senhor Jesus, quando veio e Se apresentou aos judeus, estava, na verdade, lhes apresentando um reino terreno. Mas, como não O receberam, o reino foi adiado.
Bem, queridos irmãos e irmãs, não é assim. Quando nosso Senhor Jesus veio para o meio dos filhos de Israel, realmente lhes apresentou um reino, mas não era o reino deste mundo. Não era um reino terreno. Era um reino espiritual e celestial. Mas eles O rejeitaram porque não compreenderam.
E, contudo, queridos irmãos e irmãs, quando O crucificaram na cruz do Calvário, pensaram que aquilo seria o fim de Sua reivindicação de ser o Rei dos judeus. Pensaram que seria o fim de Seu reino. Mas aquilo era o começo.
Qual é o símbolo do reino de Deus? O símbolo do reino de Deus é a cruz.
Para o mundo, a cruz é vergonha. É maldição. É morte. É o fim da vida. É o fim de tudo. Mas, queridos irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus foi crucificado na cruz, aquilo foi o próprio sinal de Seu reino.
Se quisermos compreender o que é Seu reino, se quisermos conhecer a natureza de Seu reino, irmãos e irmãs, precisamos conhecer a cruz.
Ali na cruz, Ele venceu o pecado. Ali na cruz, Ele venceu a velha criação. Ali na cruz, Ele venceu o mundo. Ali na cruz, Ele venceu Satanás e todos os poderes das trevas. E, naturalmente, sabemos que, na ressurreição, Ele venceu a morte.
Em outras palavras, a cruz é o próprio símbolo do reino de Deus. Se você quiser saber o que é o reino de Deus, precisa aceitar a cruz. Precisa entrar em tudo o que a cruz significa.
A cruz é a própria demonstração do caráter do reino que o Rei trouxe.
Irmãos e irmãs, creio que precisamos, antes de tudo, conhecer a natureza do reino de Deus. Se você quiser conhecer a natureza do reino de Deus, precisa conhecer o caráter do Rei.
Ao contemplá-Lo, você vê tudo o que Ele é: como Ele é pobre de espírito; como é manso e humilde; como tem sede de justiça; como é misericordioso; como é puro de coração; como é pacificador; e como sofre por causa da justiça.
Em outras palavras, as bem-aventuranças são simplesmente uma expressão do que o Rei é. É isso que Ele é. Mesmo quando entrou em Jerusalém como Rei, vemos que estava montado num jumento, num jumentinho — manso e humilde.
A natureza do reino de Deus nos é revelada na vida de Cristo. A natureza do reino de Deus é plenamente demonstrada pela cruz.
É conhecendo Cristo e conhecendo a cruz, queridos irmãos e irmãs, que vivemos na realidade do reino. Ou, dizendo de outra maneira, nós nos tornamos o reino de Deus.
Agora, abram em Romanos 14:17.
Porque o reino de Deus não é comida nem bebida;
Mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
O reino de Deus não é comida nem bebida. Não é físico nem materialista.
Quando vocês pensam no reino deste mundo, qual é a sua natureza? A natureza do reino deste mundo é comida e bebida. Em outras palavras, a própria natureza do reino deste mundo é prazer, desfrute, satisfação, felicidade, prosperidade — o que comer, o que beber, com que nos vestir e como nos divertir.
Essa é a natureza do reino deste mundo. Se um reino puder oferecer muita comida e bebida, será considerado um reino próspero, um reino de primeira classe. Se um reino não puder oferecer muita comida, diversão ou luxo, será considerado um país pobre, um país não desenvolvido.
O reino deste mundo consiste em comida e bebida. Se buscamos o reino deste mundo, são essas as coisas que buscamos.
Por isso, o Senhor Jesus disse:
Buscai primeiro o Seu reino e a Sua justiça;
E todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Em outras palavras, o Senhor disse que não nos preocupássemos com o que comer, o que beber e com que nos vestir. São essas as coisas que as nações buscam, porque pertencem ao reino deste mundo. Mas, com vocês, é diferente. Busquem primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.
Qual é a natureza do reino de Deus? É justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Onde vocês veem justiça? Vocês veem justiça na cruz de nosso Senhor Jesus.
Àquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós;
Para que Nele nos tornássemos justiça de Deus.
A justiça de Deus nos é revelada e demonstrada por meio da cruz de nosso Senhor Jesus. Antes da cruz, não tínhamos justiça. Nossas próprias justiças eram como trapos de imundícia. Mas, graças a Deus, por meio da cruz de nosso Senhor Jesus, a justiça de Deus veio sobre nós.
Hoje estamos revestidos de Cristo, nossa justiça. Porque estamos revestidos de Cristo, nossa justiça, podemos nos apresentar diante de Deus com ousadia.
E não apenas nós somos justificados, mas o próprio Deus também é justificado. Antes da cruz, como nosso Deus era mal compreendido! Quando Ele não punia o pecado imediatamente, era mal compreendido. Como o pecado não era punido de imediato, as pessoas diziam: “Onde está Deus? Se Deus é justo, por que não puniu? Por que Ele tolera?”
Durante o tempo de Sua tolerância para com os pecados deste mundo, Deus era mal compreendido. Mas, pela cruz, Ele demonstrou ao mundo que é justo ao justificar pecadores. Deus é justificado.
E, queridos irmãos e irmãs, essa justiça não é apenas uma posição que recebemos em Cristo Jesus. Essa justiça é uma vida. Por quê? Porque Cristo é nossa vida. A vida dentro de nós é uma vida justa.
Portanto, aquele que pratica a justiça é filho de Deus. Temos essa própria vida em nós, uma vida justa, tão justa quanto Cristo. Se vivermos por essa vida, então viveremos de maneira justa diante de Deus e diante dos homens. Isso é o reino de Deus.
Se você não sabe o que é justiça, não conhece o reino. Não está sob o governo do Rei. Se está sob o governo do Rei, queridos irmãos e irmãs, é inevitável que não apenas receba a posição de estar em justiça diante de Deus — isto é, de ser justificado —, mas também viva numa condição de santidade — isto é, de ser santificado.
Por quê? Porque a própria vida em você é uma vida justa. Isso é o reino de Deus. A menos que vivamos em justiça, não sabemos o que é o reino de Deus.
E a paz. Conhecíamos a paz antes de encontrarmos a cruz de nosso Senhor Jesus? Não. Não havia paz.
Não há paz, diz o meu Deus, para os ímpios.
Paz, paz, e não há paz.
Não há paz em nosso coração. Não há paz entre nós. Não há paz entre nós e Deus. Não há paz neste mundo.
Mas, queridos irmãos e irmãs, se vocês lerem Efésios e Colossenses, verão como Cristo é nossa paz. Como Ele reuniu os gentios e os judeus. Como, pela cruz, removeu a parede de separação entre os judeus e os gentios. Ele os reuniu em um só corpo.
Ele Se tornou nossa paz e fez a paz por nós, para que tenhamos paz com Deus, paz em nossa consciência e paz uns com os outros. Se O recebermos como o Príncipe da Paz, um dia haverá paz nesta terra.
Queridos irmãos e irmãs, onde vemos a paz? Na cruz. A cruz é o próprio sinal do reino.
Novamente, não é apenas uma questão de posição; é também uma questão de condição. O Senhor Jesus disse:
Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados;
E Eu vos darei descanso.
Isso é paz. Mas Ele também disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim;
Porque sou manso e humilde de coração:
E encontrareis descanso para a vossa alma.
Queridos irmãos e irmãs, conhecemos a paz ao vir ao Senhor e aceitá-Lo como nossa paz. Conhecemos a paz quando realmente tomamos Seu jugo sobre nós, carregamos a cruz e aprendemos Dele. Então a paz de Deus governará em nosso coração. Haverá descanso em nossa alma. Isso é o reino de Deus.
E também alegria no Espírito Santo. O que é alegria no Espírito Santo?
Vocês se lembram de Hebreus 12:2. Ali se diz a respeito de nosso Senhor Jesus:
O Qual, pela alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha;
E assentou-Se à direita do trono de Deus.
Em outras palavras, nosso Senhor Jesus suportou a cruz e desprezou a vergonha. Por quê? Porque havia alegria diante Dele. Qual era a alegria que estava diante de nosso Senhor Jesus? Era a alegria de saber que estava fazendo a vontade do Pai. Era a alegria de saber que o coração do Pai estava satisfeito.
Queridos irmãos e irmãs, isso é alegria no Espírito Santo. Em todo este mundo, buscamos prazer. Buscamos felicidade. Dizemos que esse é um de nossos direitos inalienáveis — que temos o direito à felicidade. Mas o que é felicidade?
Muitas pessoas afirmam que são felizes e, contudo, não são. A alegria no Espírito Santo — essa é a verdadeira felicidade.
O que é alegria no Espírito Santo? É quando somos capazes de dizer:
Não se faça a minha vontade, mas a Tua.
Quando realmente deixamos que Cristo seja o Rei de nossa vida, quando sabemos que Ele está satisfeito, isso é tudo o que precisamos.
Lembro-me de uma história. É claro que ela não aconteceu neste país, porque vocês não fazem isso hoje. Talvez fizessem antigamente. Nos primeiros tempos das ferrovias, você comprava sua passagem e entrava no trem. Quando descia, antes de passar pelo portão de saída, precisava entregar aquela passagem ao funcionário que ficava no portão da estação ferroviária. Era isso que fazíamos na China.
Isso aconteceu num país do norte. Estava muito frio, um frio intenso, e todos estavam bem agasalhados, com luvas, luvas grossas e tudo o mais. Quando o trem chegou à estação e as pessoas desceram, tentando sair pelo portão, havia ali um funcionário pedindo as passagens.
As pessoas tinham de tirar as luvas e procurar nos bolsos, e todas olhavam feio para ele. Diziam: “É claro que temos a passagem, mas está frio demais”. “Não, entregue-me a passagem.” Todos olhavam para ele e ficavam zangados, mas aquele funcionário permanecia ali, sorrindo, e continuava pedindo as passagens.
Alguém foi falar com ele e perguntou: “Como você consegue suportar toda essa vergonha, essas censuras e esse ridículo? Como consegue suportar tudo isso e sorrir?”
Ele apontou para uma janela. Ali estava o chefe da estação. E disse: “Enquanto ele estiver satisfeito, eu estou feliz”.
Queridos irmãos e irmãs, isso é alegria no Espírito Santo.
Sabem, enquanto caminhamos nesta terra, enquanto seguimos o Senhor, haverá oposição, incompreensão, perseguições e aflições de muitos tipos. Podemos pensar que essas coisas nos privam da alegria, mas não, irmãos e irmãs.
Se vocês O contemplarem, se erguerem os olhos para Jesus e souberem que Ele está satisfeito, terão alegria no Espírito Santo. Isso é o reino de Deus.
O Rei já veio. Ele nos demonstrou o que é Seu reino. Entregou-Se na cruz por nós, porque esse é o próprio caráter de Seu reino.
E agora Ele nos chama para segui-Lo. Se O seguirmos, então seremos Seu reino e demonstraremos a este mundo que o Rei veio e que o reino já está nesta terra.
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar?
Ó Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque enviaste Teu Filho a este mundo para nos demonstrar o que é Teu reino — o tipo de reino que Ele há de estabelecer nesta terra e entre os homens.
Ó Senhor, pedimos-Te que, pelo Teu Espírito Santo, nossos olhos sejam abertos para ver o Rei e, ao vê-Lo, ver Teu reino; que estejamos dispostos a abandonar tudo, tomar nossa cruz e seguir-Te; que Ele seja conhecido e que Seu reino seja conhecido pelas nações como testemunho.
Nossa oração é:
Venha o Teu reino.
Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.