Por favor, abram no livro de Atos, os Atos dos Apóstolos, capítulo 1. Vamos ler os primeiros onze versículos.
Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar,
até o dia em que foi recebido no alto, depois de haver dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera;
aos quais também Se apresentou vivo, depois de Sua paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus;
e, estando reunido com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse Ele, de Mim ouvistes;
porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo, não muitos dias depois destes.Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-Lhe, dizendo: Senhor, restaurarás Tu neste tempo o reino a Israel?
E Ele lhes disse: Não vos pertence saber os tempos ou as épocas que o Pai estabeleceu por Sua própria autoridade.
Mas recebereis poder, ao vir sobre vós o Espírito Santo; e sereis Minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.E, tendo dito estas coisas, enquanto eles olhavam, foi elevado; e uma nuvem O recebeu, ocultando-O aos seus olhos.
E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Ele subia, eis que dois homens se puseram ao lado deles, vestidos de branco;
os quais também disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Este Jesus, Que dentre vós foi recebido no céu, há de vir assim como O vistes ir para o céu.
Pela graça de Deus, temos considerado juntos a questão da realidade de Cristo. A realidade de Cristo precisa ser conhecida de duas maneiras: precisamos conhecer Cristo na história e precisamos conhecer Cristo na revelação. A história nos dá o contexto, e a revelação nos dá a compreensão interior.
Portanto, irmãos e irmãs, ao considerarmos isso juntos, precisamos enxergar esses dois lados. Há um contexto histórico, um fato; e então, com base nesse fato, o Espírito Santo nos traz o significado e torna o fato de Cristo uma experiência viva para nós que cremos.
Mencionamos anteriormente que, para conhecer Cristo, temos de voltar à eternidade passada, porque Ele é o Verbo. O Verbo estava com Deus no princípio, e o Verbo era Deus. Temos de conhecê-Lo na profecia, porque, antes de Sua vinda a esta terra, Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras, por meio dos profetas, aos nossos pais, acerca de um único Homem, o Senhor Jesus Cristo.
Precisamos conhecê-Lo em Seu nascimento, porque Seu nascimento é singular. O Verbo Se fez carne e habitou entre os homens, cheio de graça e de verdade. Precisamos conhecê-Lo em Sua vida nesta terra: como viveu de maneira oculta durante trinta anos e, depois, como Se manifestou diante dos homens durante mais de três anos.
Nós realmente louvamos e agradecemos a Deus porque essa vida não é apenas uma declaração, mostrando-nos Quem Deus é e o que Deus é; ela também é uma demonstração, mostrando ao mundo o Homem que Deus realmente procura. E, graças a Deus, ela é mais do que uma demonstração: é uma comunhão, porque a vida que Ele viveu na terra é a própria vida que deu a todos os que creem Nele. Assim como Ele viveu por causa do Pai, nós viveremos por causa Dele.
Ontem à noite, consideramos juntos a morte de nosso Senhor Jesus. Sua morte é singular, porque ninguém pôde tirar-Lhe a vida. Ele entregou Sua vida por Si mesmo e a retomou por Si mesmo. Sua morte é voluntária. Sua morte é uma oferta de amor pelos pecados deste mundo.
A morte de nosso Senhor Jesus é todo-inclusiva. A morte de nosso Senhor Jesus tem um caráter universal. Isto é, quando Ele morreu na cruz, morreu para o pecado; morreu para o sistema do mundo; morreu para a velha criação; e morreu para todos os poderes das trevas e os venceu.
Porque Ele morreu, nós também morremos Nele. Sua morte é universal. Em Sua morte, nós morremos. Morremos para o pecado — não apenas no sentido de que nossos pecados são perdoados pelo derramamento de Seu sangue, mas morremos para o pecado quanto ao seu poder, porque nosso velho homem foi crucificado com Ele.
Estamos crucificados com Cristo. Já não somos nós que vivemos; é Cristo Quem vive em nós. Assim como Ele morreu para o mundo como sistema, nós morremos para o mundo. No que diz respeito ao mundo, estamos crucificados; e, no que diz respeito a nós, o mundo está crucificado.
Na cruz, nosso Senhor Jesus pôs de lado toda a velha criação, toda a raça adâmica. Portanto, nós fomos postos de lado e agora podemos viver em novidade de vida. Na cruz, Ele destruiu o poder das trevas e destruiu completamente o inimigo. Portanto, Sua vitória por meio da morte é a nossa vitória. Podemos pisar serpentes e escorpiões. Deus esmagará o inimigo debaixo dos nossos pés. É uma morte gloriosa.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de continuar a conhecer Cristo em Sua ressurreição, ascensão e retorno.
Na história humana, geralmente tudo começa com o nascimento e termina com a morte. Mas, na história de nosso Senhor Jesus, é preciso começar desde o princípio e continuar depois de Sua morte, porque Ele ressuscitou dentre os mortos.
Os relatos da Bíblia nos mostram que, depois de Sua morte, José de Arimateia pediu Seu corpo, e Ele foi sepultado em um túmulo novo.
Mas, no terceiro dia, quando algumas das amadas mulheres levaram especiarias para embalsamar o corpo de nosso Senhor Jesus, conversavam entre si pelo caminho: “Quem nos ajudará a remover a pedra que cobre a entrada do túmulo?” Era uma pedra enorme, e essas mulheres não tinham força para removê-la.
Mas, para sua surpresa, quando chegaram ao túmulo, descobriram que a pedra havia sido removida. Um anjo do Senhor havia aparecido e removido aquela pedra. Elas entraram no túmulo de pedra e descobriram que estava vazio.
Um homem vestido de branco apareceu a elas e disse:
Vós vindes buscar Jesus de Nazaré. Ele já não está aqui. Ressuscitou, como disse. Ide e dizei a Seus irmãos que se encontrem com Ele na Galileia.
O Senhor havia ressuscitado.
Era algo tão extraordinário que aquelas mulheres mal conseguiam acreditar. Elas acreditavam, mas mal conseguiam acreditar. A caminho de encontrar os discípulos, encontraram o Senhor. O Senhor apareceu a elas.
Elas foram contar aos discípulos, mas os discípulos não quiseram acreditar. João e Pedro correram ao túmulo para ver o que havia acontecido. João, por ser mais jovem, correu mais depressa e chegou primeiro; mas, por ser tímido, não entrou.
Quando Pedro chegou, entrou diretamente no túmulo. Ali encontraram o lenço que estivera ao redor de Sua cabeça, enrolado da mesma maneira que quando Jesus foi sepultado; e os panos do sepultamento estavam ali, na mesma forma. Mas não havia corpo. O Senhor ressuscitou.
A ressurreição de nosso Senhor Jesus é a essência do evangelho de Jesus Cristo.
No dia de Pentecostes, Pedro e os onze pregaram o evangelho de Jesus Cristo aos que estavam reunidos ali. Vocês percebem que a ressurreição é um tema central. Quando Pedro foi à casa de Cornélio, no capítulo 10 de Atos, novamente vemos que a ressurreição do Senhor Jesus é o tema central do evangelho que ele pregou.
Quando Paulo começou a pregar o evangelho, no capítulo 13 de Atos, em Antioquia da Pisídia, mais uma vez vemos que o tema é a ressurreição do Senhor Jesus. Aqui, irmãos e irmãs, a ressurreição de nosso Senhor Jesus é o tema central do evangelho de Jesus Cristo.
Vocês se lembram de que, em 1 Coríntios 15:3-4, Paulo disse:
Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;
e que foi sepultado;
e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.
O evangelho não nos fala apenas da morte de nosso Senhor Jesus: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e foi sepultado. Sua morte foi real. Mas, segundo as Escrituras, Ele ressuscitou dentre os mortos. Isso é central ao evangelho.
Em Romanos 10:9, lemos:
Se com a tua boca confessares Jesus como Senhor,
e em teu coração creres que Deus O ressuscitou dentre os mortos,
serás salvo.
Para sermos salvos, precisamos fazer duas coisas. Precisamos confessar com a nossa boca que Jesus é Senhor e precisamos crer em nosso coração que Deus O ressuscitou dentre os mortos. Isso é essencial. É vital. É o próprio centro do evangelho de Jesus Cristo.
Por que a ressurreição de nosso Senhor Jesus é o próprio centro do evangelho? Em primeiro lugar, vejamos Romanos 1:4:
Que foi declarado Filho de Deus com poder,
segundo o espírito de santidade,
pela ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor.
Cristo tinha de ressuscitar dentre os mortos porque, na ressurreição, Ele é identificado como o Filho de Deus em poder, segundo o espírito de santidade.
Nosso Senhor Jesus é o Filho eterno de Deus. Ele é o Filho unigênito no seio do Pai, e isso é sempre verdade. Contudo, é na ressurreição que se comprova ao mundo que Ele é, de fato, o Filho de Deus. Isso se comprova em poder, segundo o espírito de santidade.
Em Salmos 2:7, lemos:
Proclamarei o decreto:
o Senhor Me disse: Tu és Meu Filho;
Eu hoje Te gerei.
É claro que sabemos que nosso Senhor Jesus é o Filho eterno de Deus. Ele é eternamente gerado. Mas aqui encontramos:
Tu és Meu Filho; Eu hoje Te gerei.
Esse “hoje” se refere ao dia de Sua ressurreição.
É no dia da ressurreição que se comprova, acima de qualquer dúvida, que o Senhor Jesus é o Filho de Deus. Deus não pode morrer. Deus é santo. A morte não tem parte em Deus. Ele morreu porque morreu por nós; mas, no que diz respeito a Ele mesmo, há Nele um espírito de santidade. Ele é Deus, Que não pode morrer. Portanto, tinha de ressuscitar dentre os mortos. Ao ressuscitar dentre os mortos, comprova-se que Ele é o Filho de Deus.
Atos 2:24 diz:
Ao Qual Deus ressuscitou, soltando as dores da morte;
porque não era possível que Ele fosse retido por ela.
Cristo tinha de ressuscitar dentre os mortos. Por quê? Porque não era possível que Ele fosse retido pelo poder da morte. Ele é a ressurreição e a vida. Entrou na morte para destituí-la de seu poder. Entrou na morte para destruir aquele que tem o poder da morte. A morte não tem poder para retê-Lo ali.
Queridos irmãos e irmãs, quando qualquer pessoa entra na morte, a morte tem poder para mantê-la presa. Mas há um Homem sobre o Qual a morte não tem absolutamente nenhum poder. Ele destituiu a morte de seu poder. Não era possível que a morte O retivesse. Portanto, Cristo tinha de ressuscitar dentre os mortos.
Em João 10:17-18, o Senhor disse:
Por isso o Pai Me ama, porque Eu dou a Minha vida para a retomar.
Ninguém a tira de Mim, mas Eu de Mim mesmo a dou.
Tenho poder para a dar e tenho poder para a retomar.
Este mandamento recebi de Meu Pai.
A morte de nosso Senhor Jesus é uma morte voluntária. Ninguém tinha poder para tirar-Lhe a vida. Ele a entregou por Si mesmo. Da mesma maneira, a morte não podia retê-Lo, porque Ele tinha autoridade para retomá-la. Recebeu o mandamento do Pai. Não podia ser retido pela morte.
Em 1 Coríntios 15:14, Paulo diz:
E, se Cristo não ressuscitou, então é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.
Se Cristo não ressuscitou dentre os mortos, então nossa pregação é vã, e nossa fé também é vã. Como sabemos que Deus O aceitou como nossa oferta pelo pecado? Como sabemos que a obra da redenção foi plenamente consumada?
Se Cristo tivesse morrido e não tivesse ressuscitado, não haveria como saber se Sua oferta de Si mesmo por nós havia sido aceita pelo Pai, ou se a obra da redenção havia sido realizada. Mas, graças a Deus, por Ele ter ressuscitado dentre os mortos, comprova-se que Sua oferta ao Pai foi aceita e que a obra da redenção está, de fato, concluída. Nossa pregação não é vã, e nossa fé não é vã.
A ressurreição de nosso Senhor Jesus é um fato. É um fato histórico. O túmulo vazio está ali. Ele está vivo. Mas qual é a relação entre Sua ressurreição e nós? O que a ressurreição de nosso Senhor Jesus significa para nós?
Ele ressuscitou dentre os mortos, mas o que isso tem a ver conosco? Graças a Deus, ao lermos a Palavra, descobrimos que Sua ressurreição tem tudo a ver conosco.
Antes de nosso Senhor Jesus ser crucificado, nos capítulos 14, 15 e 16 de João, Ele conversou com Seus discípulos. Os discípulos sabiam que Ele os estava deixando, e seus corações estavam entristecidos. Então o Senhor procurou consolá-los — não com palavras vazias, mas com uma promessa.
O Senhor disse:
Sim, Eu vou, mas voltarei. Ao ir, Eu vos enviarei outro Consolador, Que é exatamente como Eu. Ele não apenas estará convosco, mas estará em vós.
O Senhor Jesus disse que o Pai está Nele e que Ele está no Pai. Assim, Ele estaria neles. Naquele dia, eles pediriam em Seu nome, e tudo o que pedissem o Pai ouviria, para que o Filho fosse glorificado.
Nesses três capítulos do Evangelho segundo João, o Senhor Jesus disse:
Sim, Eu vou, mas venho.
Lembrem-se de que João não trata principalmente de acontecimentos históricos. João sempre trata da realidade espiritual.
É verdade que o Senhor um dia voltará. Mas a expressão “naquele dia”, nos capítulos 14 a 16 de João, não se refere à segunda vinda de Cristo. Refere-se ao dia de Sua ressurreição.
Ele disse:
Eu vos deixo. Vou morrer. Mas será apenas por um tempo muito curto, porque Eu venho. Minha partida é como Minha vinda. Quando vou, vou como Aquele Que está ao vosso lado, vosso Consolador. Mas, quando voltar, estarei em vós — não apenas convosco. Voltarei no Espírito, e estarei em vós, e vós estareis em Mim.
A primeira consequência da ressurreição de nosso Senhor Jesus é o estabelecimento de um novo relacionamento.
Vocês se lembram de que, no dia de Sua ressurreição, quando apareceu aos discípulos, Ele soprou neles e disse:
Recebei o Espírito Santo.
Há diferentes interpretações a respeito dessa passagem. Não estou interessado em interpretações, mas, pelo menos para mim, sinto que isso não é simbólico. Para mim, sinto que é real.
Quando o Senhor Jesus voltou a eles, soprou neles e disse:
Recebei o Espírito Santo.
Isso nos remete aos capítulos 14, 15 e 16 de João. Em outras palavras, depois de ressuscitar dentre os mortos, Ele veio habitar nos Seus por meio do Espírito Santo que neles habita. Agora Ele está neles, e eles estão Nele, assim como Ele está no Pai e o Pai está Nele.
Antes de Sua ressurreição, todo o relacionamento era exterior. Por mais próximo que alguém estivesse Dele, era exterior. O Senhor, em Seu corpo físico, podia estar ao seu lado, mas não podia estar em você. Você podia estar com Ele, mas não podia estar Nele.
Havia ocasiões em que Ele enviava Seus discípulos, e o Senhor não estava fisicamente com eles. Se tivessem algum problema, precisavam voltar depressa. Mas, queridos irmãos e irmãs, quanto melhor é a situação por causa de Sua ressurreição! Ele volta a nós no Espírito. Sua vida está em nós, e Seu Espírito está em nós. O Espírito da vida está em nós.
Há uma dimensão interior em nosso relacionamento. Muitas vezes ouvimos as pessoas dizerem: “Ah, como seria bom se eu tivesse vivido há dois mil anos! Como seria bom se eu tivesse nascido na Judeia ou na Galileia! Como seria bom se, quando Cristo estava na terra, eu estivesse ali e fosse um de Seus discípulos!”
Nada poderia ser melhor do que isso? Queridos irmãos e irmãs, há algo muito melhor. Embora não O vejamos com nossos olhos naturais, sabemos que Ele está em nós e que nós estamos Nele. Isso se baseia em Sua ressurreição. Ele está em nós pelo Seu Espírito. Ele é nosso Consolador. Nunca nos deixa nem nos abandona.
Estamos Nele. Nele habita toda a plenitude da Divindade, e estamos completos Nele. Irmãos e irmãs, é isso que recebemos da ressurreição de nosso Senhor Jesus: há um novo relacionamento, uma dimensão interior entre nós e o Senhor. Portanto, nada pode nos separar do amor de Deus, porque nós estamos Nele e Ele está em nós.
Na morte, nós morremos. Em Sua ressurreição, somos ressuscitados dentre os mortos.
No capítulo 1 de Efésios, vemos como Deus O ressuscitou dentre os mortos. Depois, no capítulo 2 de Efésios, vemos como Deus, em Sua graça e misericórdia, não apenas nos vivificou, mas nos ressuscitou juntamente com Ele. Em outras palavras, Sua ressurreição é a nossa ressurreição. Assim como Sua morte é a nossa morte, Sua ressurreição é a nossa ressurreição.
Na encarnação, Ele veio identificar-Se conosco; mas, em Sua morte e ressurreição, somos levados a nos identificar com Ele. Não estamos unidos ao Senhor apenas em Sua morte, mas também estamos unidos ao Senhor em Sua ressurreição.
Por essa razão, agora podemos viver e andar em novidade de vida, em novidade do Espírito. Como podemos viver como cristãos? Essa é uma pergunta muito séria.
Antes de crermos no Senhor Jesus, não nos importávamos com a vontade de Deus. Só nos importávamos em agradar a nós mesmos. Sabíamos como viver. Mas, depois de sermos salvos, sabemos que pertencemos ao Senhor. Sabemos que precisamos conhecer a vontade de Deus e fazê-la. Sabemos que nossa vida na terra deve agradar a Deus. Queremos viver como Ele viveu.
Aqui, irmãos e irmãs, achamos isso tão difícil. Tentamos viver. Tentamos andar em novidade — não na velhice da letra —, mas não conseguimos, porque não sabemos que Ele ressuscitou dentre os mortos.
Cristo realmente ressuscitou dentre os mortos. A Escritura diz que, em Adão, todos morrem, mas, em Cristo, todos serão vivificados. Estamos identificados com Sua ressurreição. Ele vive; portanto, nós vivemos. Vivemos porque Ele vive em nós.
Aquele belo hino diz: “Como sabemos que Ele vive? Sabemos porque Ele vive em mim.” Isso é verdade. Queridos irmãos e irmãs, a ressurreição é a vida liberada e dada a nós. A vida que está em nós é a vida de ressurreição. Pelo poder dessa vida de ressurreição, podemos andar em novidade de vida.
É verdade que, por nós mesmos, não podemos viver em novidade de vida. Mas, por Cristo em nós, pelo poder de Sua ressurreição, podemos viver em novidade de vida.
Quanto ao fato, Sua ressurreição é a nossa ressurreição. Isso é um fato. Quando Deus O ressuscitou dentre os mortos, Deus nos ressuscitou dentre os mortos juntamente com Ele. Isso é um fato.
Ele é a ressurreição e a vida, e está em nós como vida e ressurreição. Isso é um fato. Deus o fez. Mas, no que diz respeito a nós, quando chegamos à experiência, como O experimentamos como nossa ressurreição? Como chegamos a conhecer o poder de Sua ressurreição?
Essa era a paixão e o desejo de Paulo: conhecê-Lo e conhecer o poder de Sua ressurreição. Como o conhecemos?
Essa é uma vida que emerge da morte. É uma vida que entra na morte e sai vitoriosa do outro lado. Isso é ressurreição.
Como conhecemos Sua ressurreição? Como experimentamos o poder de Sua ressurreição? Irmãos e irmãs, muitas vezes Deus, por Seu Espírito, por meio da ordenação do Espírito Santo, nos conduz a uma situação de morte.
Ao entrarmos nessa situação, entramos com temor e tremor, porque pensamos que aquilo será o nosso fim. Graças a Deus, é o nosso fim. É exatamente esse o propósito.
Mas a coisa maravilhosa é esta: quando você entra na situação de morte e realmente morre, no que diz respeito a você mesmo, de repente descobre que há algo em você que vence a morte e sai do outro lado. Você atravessa — não por sua própria vida, mas pela ressurreição Dele. É assim que você chega a conhecer Sua ressurreição.
Quantas vezes ainda vivemos na energia e na força de nossa própria carne! Vamos usar uma ilustração que todos entenderão: a paciência.
Provavelmente todos sentem que precisam de paciência. Ah, como precisamos ser pacientes! Precisamos ser pacientes com nossos queridos, com nossos irmãos e irmãs e com as circunstâncias à nossa volta. Especialmente depois de sermos salvos: agora somos cristãos. Uma característica do Cordeiro é a paciência; então tentamos imitar Cristo.
Tentamos ser pacientes. O curioso é que, antes de tentar ser paciente, você parece ser paciente. Mas, depois que começa a tentar ser paciente, descobre que é muito impaciente. Quanto mais tenta, mais impaciente fica.
Você cerra os dentes e tenta reprimir aquilo que está surgindo dentro de você. Talvez consiga uma ou duas vezes; mas, quando aquilo começa a explodir, é realmente uma bomba. Então você se sente derrotado, completamente derrotado.
Você vai ao Senhor e diz: “Senhor, o que aconteceu? O que aconteceu? Não entendo. Parece que está pior do que antes de eu ser salvo.”
Depois de ser derrotado repetidas vezes, você começa a perceber, como Paulo disse no capítulo 1 de 2 Coríntios, que a sentença de morte está sobre você. Queridos irmãos e irmãs, vocês veem que há uma sentença de morte sobre vocês?
Em outras palavras, quando Cristo morreu na cruz, Deus disse: “Você morre. Você não serve. Não espero nada de você. Não espero que seja paciente. Você não consegue.”
Depois de entrarmos na morte e enxergarmos a sentença de morte sobre nós, desistimos. Nós nos rendemos. Nós nos entregamos a Deus. Então dizemos: “Nosso Senhor, Tu tens de ser essa paciência em mim.”
Sabe de uma coisa? Quando você solta o controle, Ele entra. É nesse ponto que você começa a conhecê-Lo como ressurreição. Queridos irmãos e irmãs, a ressurreição não é apenas uma doutrina. A ressurreição é uma experiência viva e diária.
Deus nos levará à morte para que essa vida, que é a vida de ressurreição, possa emergir da morte e demonstrar sua realidade.
O mesmo se aplica ao ministério. Como podemos ministrar ao Corpo? Como podemos ministrar no Corpo de Cristo?
Em 2 Coríntios 4:7, Paulo diz:
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro,
para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós mesmos.
A tradução de Phillips diz, em 2 Coríntios 4:8-9:
Somos limitados por todos os lados, mas não frustrados;
perplexos, mas nunca em desespero;
perseguidos, mas nunca abandonados;
derrubados, mas nunca nocauteados.
Isso não é estranho? Temos o tesouro em vasos de barro. O tesouro é a vida de ressurreição de nosso Senhor Jesus, mas nós somos o vaso de barro — opaco, frágil por um lado e, no entanto, obstinado por outro.
Aqui vemos que o poder de Sua ressurreição está sendo aprisionado em nossa carne. Dizemos que podemos fazê-lo. Dizemos que podemos andar dessa maneira. Dizemos que podemos viver dessa maneira. Quando agimos assim, não há oportunidade para que o poder de Sua ressurreição seja manifestado.
Então o Espírito Santo ordena nossas circunstâncias. Ele coloca limitações de todos os lados. Você vai para o norte, e há um muro. Vai para o sul, e há um muro. Vai para o oeste, e há um muro. Vai para o leste, e há um muro. Você encontra limitação após limitação.
Irmãos e irmãs, quando vocês estão limitados, sentem-se frustrados. Ah, como se sentem frustrados! “Por que não consigo passar por isso? Por que não consigo superar essa situação?” Contudo, Paulo diz:
Limitados por todos os lados, mas não frustrados.
Quem não está frustrado? É claro que você está frustrado. Mas, quando você está frustrado, então aquele tesouro dentro de você começa a brilhar.
Perplexos — ah, quantas vezes ficamos perplexos! —, mas não em desespero. A perplexidade geralmente leva ao desespero. Mas, quando entramos na perplexidade, vocês conseguem perceber que uma esperança começa a surgir dentro de vocês?
Perseguidos, mas não estamos sozinhos. Ele está conosco. Derrubados — ah, quantas vezes somos derrubados! —, mas nunca nocauteados, porque a vida de ressurreição em nós sempre emerge em vitória.
No capítulo 4 de 2 Coríntios, isso não se refere apenas à vida espiritual; refere-se ao ministério espiritual. É claro que o ministério procede da vida. Trazemos sempre no corpo o morrer de Jesus; somos entregues à morte repetidas vezes para que a vida de Jesus seja manifestada em nós — e não apenas em nós, mas por meio de nós.
O que é ministério espiritual? Ministério espiritual não é transmissão de informações. Ministério espiritual é a comunicação da vida de Cristo. Como podemos comunicar a vida de Cristo? Ela precisa ser comunicada no poder de Sua ressurreição.
A vara de Arão floresceu. Somente com uma vara que floresceu podemos ministrar ao Senhor e ao Seu povo.
Estamos apenas mencionando algumas coisas a respeito da ressurreição — a ressurreição de nosso Senhor Jesus e como ela é real. Não é apenas um fato histórico, que é real e aconteceu há dois mil anos. É uma realidade viva, que é real diariamente. Podemos experimentar Sua ressurreição todos os dias, em cada situação.
Na verdade, vivemos por Sua ressurreição.
Depois de nosso Senhor Jesus ressuscitar dentre os mortos, Ele apareceu aos Seus discípulos durante quarenta dias. Então os levou ao monte das Oliveiras, e ali foi elevado ao céu.
Um grande número de irmãos estava reunido ali para vê-Lo. Pergunto-me se o que Paulo diz em 1 Coríntios 15:6 — que, em uma ocasião, quinhentos irmãos O viram — talvez tenha acontecido naquele momento. Mas, de qualquer modo, o Senhor Jesus foi elevado.
Eles olhavam para Ele e O viram sendo elevado. Então uma nuvem O recebeu, e já não podiam vê-Lo. Ainda estavam olhando quando, de repente, dois homens vestidos de branco apareceram e disseram:
Homens galileus, por que olhais para o alto? Este Que dentre vós foi recebido no alto voltará da mesma maneira.
Como sabemos que nosso Senhor Jesus chegou ao céu? Os discípulos O viram sendo elevado, mas somente até a nuvem. Então Ele foi encoberto pela nuvem. Como sabemos que chegou ao céu? O que aconteceu quando chegou lá?
No capítulo 5 de Apocalipse, João, quando estava exilado em Patmos, teve uma visão. No capítulo 4 de Apocalipse, ele viu a visão do Criador, a glória do Criador. Como diz Apocalipse 4:11:
Por Tua vontade todas as coisas foram criadas.
Então ele prosseguiu para o capítulo 5 de Apocalipse. O que viu? Em Apocalipse 5:6-10, lemos:
E vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes,
e no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como tendo sido morto,
com sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra.
E Ele veio e tomou o livro da mão direita Daquele Que estava assentado no trono.
E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro,
tendo cada um uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.
E cantam um novo cântico, dizendo: Digno és Tu de tomar o livro e de abrir os seus selos;
porque foste morto e, com Teu sangue, compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação,
e os fizeste para o nosso Deus reino e sacerdotes; e eles reinam sobre a terra.
Aqui, irmãos e irmãs, liguem essas duas cenas. No capítulo 1 de Atos, nosso Senhor Jesus ascendeu do monte das Oliveiras, e então a nuvem O recebeu. No capítulo 5 de Apocalipse, João viu, em visão, o Cordeiro Que havia sido recentemente morto, em pé diante do trono. Ele chegou lá.
Ele tomou aquele livro Daquele Que estava no trono, e toda a criação irrompeu em adoração e louvor:
Tu és digno.
Ele chegou.
Como sabemos que Ele chegou? Porque, no dia de Pentecostes, cento e vinte pessoas estavam reunidas naquele cenáculo. De repente, veio um som como de um vento impetuoso, e encheu o lugar onde estavam assentadas. Todas foram cheias do Espírito Santo. Em um só Espírito, foram batizadas em um só Corpo.
Quando a notícia começou a se espalhar, as pessoas se reuniram. Aquilo não poderia ter permanecido no cenáculo, porque aquela sala não comportava milhares de pessoas. Suponho que a reunião tenha se transferido para o pórtico de Salomão. Ali, milhares de pessoas se reuniram, e Pedro e os onze se levantaram e falaram.
Em Atos 2:33-36, Pedro disse:
Exaltado, pois, à direita de Deus,
e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo,
Ele derramou isto que vós vedes e ouvis.Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo diz:
Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-Te à Minha direita,
até que Eu ponha os Teus inimigos por estrado dos Teus pés.Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel
que Deus fez Senhor e Cristo
a este Jesus, a Quem vós crucificastes.
Quando Cristo ascendeu ao céu, Deus O ungiu com óleo. Deus O coroou de glória e honra. O óleo veio sobre Sua cabeça e então começou a escorrer até a terra. No dia de Pentecostes, aquela mesma unção que O ungiu como Cabeça desceu sobre o Corpo. Isso comprova que Ele havia chegado.
A ascensão de nosso Senhor Jesus é um fato. Agora Ele está assentado à direita do Pai, esperando que Seus inimigos sejam postos por estrado de Seus pés.
O que aconteceu quando Ele chegou ao céu? Primeiro, quando chegou ao céu, recebeu do Pai todo poder, domínio e autoridade.
Efésios 1:20-23 diz:
O qual Ele operou em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos
e fazendo-O assentar-Se à Sua direita nos lugares celestiais,
muito acima de todo principado, autoridade, poder e domínio,
e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;
e sujeitou todas as coisas debaixo de Seus pés,
e O deu como Cabeça sobre todas as coisas à igreja,
que é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Deus O ressuscitou dentre os mortos, O elevou ao céu e O fez assentar-Se à Sua direita nos lugares celestiais — acima de todo principado, autoridade, poder, domínio e de todo nome que se nomeia, não apenas neste século, mas também no vindouro. Ele colocou todas as coisas debaixo de Seus pés.
Quando Ele chegou ao céu, recebeu aquele lugar, aquele nome que está acima de tudo. Foi constituído Cabeça sobre todas as coisas.
Salmos 2:8-9 diz:
Pede-Me, e Eu Te darei as nações por Tua herança,
e os confins da terra por Tua possessão.
Tu as quebrarás com uma vara de ferro;
Tu as despedaçarás como um vaso de oleiro.
Quando nosso Senhor Jesus ascendeu ao céu, pediu ao Pai, e o Pai Lhe deu as nações por Sua herança e os confins da terra por Sua possessão. Ele foi constituído herdeiro de todas as coisas.
Filipenses 2:9-11 diz:
Pelo que também Deus O exaltou soberanamente
e Lhe deu o nome que está acima de todo nome;
para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho,
dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra;
e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor,
para a glória de Deus Pai.
Há muitas outras passagens que nos mostram que, em Sua ascensão, Ele recebeu as nações por Sua herança e os confins da terra por Sua possessão. Quando chegou ao céu, recebeu um nome acima de todo nome. Diante desse nome, todo joelho se dobrará, e toda língua confessará que Jesus é Senhor.
Em Sua ascensão, Ele recebeu todo poder, autoridade, domínio e governo. Está assentado à direita do Pai, esperando que Seus inimigos sejam postos por estrado de Seus pés.
Mas o que isso tem a ver conosco? Nosso irmão já mencionou isso; direi apenas brevemente que Sua ascensão é a nossa ascensão. Sua ascensão tem um caráter universal. Não apenas Ele ascendeu, mas nós também ascendemos com Ele.
Como encontramos no capítulo 2 de Efésios, estamos assentados com Ele nos lugares celestiais. Onde Ele está, ali estamos nós.
Vocês sabem, queridos irmãos e irmãs, que Cristo tinha de voltar ao céu? No capítulo 3 de Atos, encontramos que o céu tem de recebê-Lo até a restauração de todas as coisas. O céu tem de recebê-Lo.
Ele saiu da glória e agora, depois de ter realizado tudo, voltou à glória. Mas há uma diferença. Quando saiu da glória, saiu na glória de Deus. Porém, quando voltou à glória, voltou não apenas como o Filho de Deus, à glória que tinha com o Pai antes da fundação do mundo; voltou com uma glória acrescentada. Voltou com a glória do Filho do Homem.
Há um Homem na glória.
Ninguém pode permanecer diante de Deus. Quem pode permanecer diante da luz eterna? Ninguém pode. Em Salmos 24:3-5, encontramos esta declaração:
Quem subirá ao monte do Senhor?
E quem estará no Seu lugar santo?
Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro;
que não eleva a sua alma à vaidade,
nem jura enganosamente.
Ele receberá a bênção do Senhor
e a justiça do Deus de sua salvação.
Irmãos e irmãs, quem tem as mãos limpas? Quem tem o coração puro? Quem não elevou sua alma à vaidade? Quem não jurou enganosamente? Ninguém está apto a permanecer diante de Deus, muito menos a habitar em Sua presença.
Mas, queridos irmãos e irmãs, há um Homem na glória. Ele entrou na glória sem precisar de qualquer ajuda. Ele é digno. Viveu uma vida perfeita, a vida que Deus desejava. Realizou uma obra perfeita, a obra que Deus Lhe havia dado para fazer. Venceu completamente o inimigo. Por direito, entrou no céu como o Filho do Homem.
Há um Homem na glória. Mas Ele não está ali apenas por Si mesmo. Nós estamos Nele.
Por um lado, já estamos assentados nos lugares celestiais. Ele está assentado à direita de Deus nos lugares celestiais, e nós estamos assentados nos lugares celestiais com Ele. Colossenses 3:3 diz que nossa vida está escondida com Cristo em Deus.
No que diz respeito a nós, nossos corpos ainda estão nesta terra, mas já estamos no céu. Essa é a razão pela qual somos estrangeiros e peregrinos nesta terra. Nossa cidadania está no céu. Por isso, busquem as coisas do alto, não as coisas de baixo, porque nossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Em certo sentido, já estamos nos lugares celestiais. Estamos assentados com Ele. Essa é a nossa posição.
Mas, por outro lado, no que diz respeito à nossa experiência diária, Cristo entrou no céu como nosso Precursor. Porque chegou lá, Ele é um Homem na glória. Portanto, um dia conduzirá muitos filhos à glória. Está ali, à direita do Pai, intercedendo por nós, para que possa nos salvar completamente.
Precisamos enxergar isto: Ele recebeu todo poder e glória. Deus colocou todas as coisas debaixo de Seus pés. Nós estamos Nele. Estamos unidos a Ele.
O que estamos fazendo nesta terra? Deus O constituiu Cabeça sobre todas as coisas à igreja, que é Seu Corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
No que diz respeito a Ele, todas as coisas estão debaixo de Seus pés. Mas, no que diz respeito a nós, pela autoridade e pelo poder da Cabeça, o Corpo deve exercer poder e autoridade sobre todas as coisas e levar todas as coisas à sujeição a Cristo. Essa é a nossa obra.
Porque Ele ascendeu, venceu o inimigo. Portanto, irmãos e irmãs, nossa batalha na terra não é uma luta para alcançar a vitória; é uma luta a partir da vitória, rumo à vitória.
Na guerra, a posição é muito importante. Se você tenta conquistar um lugar elevado, é muito difícil. Se consegue ocupar um lugar elevado, está em uma posição vantajosa.
Em nosso conflito espiritual, estamos na terra. Não lutamos contra carne e sangue, mas contra principados, autoridades e poderes das trevas. Contudo, não precisamos temer, porque não estamos lutando a partir de uma posição inferior. Na verdade, estamos lutando a partir de uma posição superior.
Estamos assentados com Ele nos lugares celestiais. Sua vitória é a nossa vitória. Sua autoridade é a nossa autoridade. Seu poder é o nosso poder. Seu nome é o nosso nome. Em Seu nome, lutamos a partir da vitória, rumo à vitória.
Como é importante enxergar Sua ascensão! Sua ascensão não é apenas um fato histórico — graças a Deus, ela é —, mas Sua ascensão também é uma realidade viva. É algo que podemos experimentar diariamente em nossa vida. Acima de tudo, é para que a igreja, como Corpo coletivo, experimente Sua ascensão.
Apenas algumas palavras: Ele tem de voltar. Não apenas tinha de ressuscitar dentre os mortos, e não apenas tinha de ser recebido pelo céu, mas, graças a Deus, Ele tem de voltar.
Ele foi receber um reino e voltará para torná-lo uma realidade na terra.
Essa é a oração da igreja ao longo dos séculos, expressa em Mateus 6:10:
Venha o Teu reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
No primeiro século, o retorno do Senhor era o anseio dos primeiros cristãos. O Senhor havia partido, e como eles aguardavam Seu retorno! Especialmente durante os períodos de perseguição, o desejo dos santos era que Ele voltasse, porque, quando voltar, tudo será resolvido.
Nos primeiros tempos, os cristãos costumavam saudar uns aos outros: “Maranata. O Senhor vem. O Senhor está vindo.” Durante vinte séculos, os santos de cada século têm esperado Seu retorno. Estavam errados? Não, estavam certos.
Há algum noivo que não esteja ansioso para voltar e receber sua noiva? Ainda estou para ver uma noiva que tenha de esperar a chegada do noivo em seu casamento. Conheço apenas um caso.
Foi o avô de Hudson Taylor. O avô de Hudson Taylor era um jovem. Era cristão, mas era muito descuidado. No dia em que ia se casar, acordou pela manhã e, de repente, percebeu: “Vou ter uma família. Que responsabilidade!” Descobriu que não estava preparado para isso.
Então saiu para o campo e orou. Ah, ele realmente orou. “Agora vou ter uma grande responsabilidade.” Orou, orou e orou, e se esqueceu de que era o dia de seu casamento.
Depois de orar por muito tempo, de repente se lembrou de que era o dia de seu casamento. Então voltou correndo do campo, e a noiva e todos os convidados estavam ali esperando, perguntando-se onde estava o noivo. Essa foi a única ocasião de que tive conhecimento.
Depois que se casaram, na primeira noite, ele disse à sua recém-esposa: “Vamos nos ajoelhar e orar, e começar nosso lar da maneira certa.” Para aquela noiva, isso foi realmente uma surpresa. Mas dali surgiu a família Taylor.
Nosso Senhor Jesus veio a esta terra para buscar uma noiva. Porque não havia noiva, Ele teve de criar essa noiva. Criou uma noiva a partir da morte, da ressurreição e da ascensão. Ah, como Ele está ansioso para voltar e tomar Sua noiva para Si!
Quem é Sua noiva? O Corpo de Cristo hoje.
Ele amou a igreja e Se entregou por ela. Ele a santifica pela lavagem da água com a Palavra. Ele cuida dela com carinho e a alimenta como Seu próprio Corpo. Por quê? Porque deseja que esse Corpo seja plenamente maduro, que cresça até a plenitude de Sua estatura. Então poderá tomar esse Corpo para Si como Sua noiva.
Não é porque o Noivo não queira voltar para receber Sua noiva. É porque a noiva ainda não está pronta. Um dia, quando a noiva estiver pronta, o capítulo 19 de Apocalipse diz que haverá grande glória. Aleluia! Por quê? Porque chegaram as bodas do Cordeiro. A noiva se preparou.
Foi-lhe concedido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro; porque o linho fino são os atos de justiça dos santos. O Senhor não demora a voltar porque não queira voltar. O retorno do Senhor é retardado porque não estamos prontos para Ele.
Não crescemos. Não alcançamos aquela estatura, a plenitude de Cristo. Um dia, quando a noiva tiver se preparado, então Ele voltará e a tomará para Si como Sua noiva. Haverá aquela união eterna.
Por fim, isso será consumado naquela cidade santa, a Nova Jerusalém. Ah, que glória! Ali vocês encontram o trono de Deus e do Cordeiro no meio da cidade. A cidade tem a glória de Deus, e um rio corre por ela.
Irmãos e irmãs, essa é a imagem da união eterna de Deus e do homem. Graças a Deus, em Cristo.
Nosso Pai celestial, como Te louvamos e Te agradecemos por teres enviado Teu Filho a este mundo para ser nosso Salvador e nosso Senhor!
Ah, como Te louvamos e Te agradecemos porque Tu não és apenas nosso Salvador e Senhor; Tu és nosso Noivo. Desejamos sinceramente, Senhor, que, como Teus remidos, possamos conhecer que Tu és Senhor em todas as coisas.
Que cresçamos juntos na graça e na verdade, para que possas voltar em breve e nos tomar para Ti eternamente.
Ah, como Te louvamos e Te agradecemos! Verdadeiramente, Tu és tudo para nós. Tu és tudo em todos, para Deus e para o homem. A Ti sejam o louvor e a glória para todo o sempre. Amém.