Louis, dirija-se ao Senhor em oração.
Ó Pai celestial, ao nos reunirmos em Tua presença, pedimos que removas qualquer véu que possa estar sobre o nosso coração, para que possamos contemplar a glória do Senhor com o rosto descoberto.
Senhor, nós realmente desejamos ver-Te. Nós realmente desejamos conhecer-Te. Pedimos-Te, ó Senhor, que, pelo Teu Espírito Santo, Tu sejas revelado a nós, a cada um de nós, e nos conduzas àquele conhecimento de Ti mesmo que é verdadeiramente vida.
Ó Senhor, pedimos-Te que, desde o início, nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação para o pleno conhecimento de Ti mesmo.
Reconhecemos, ó Senhor, que, em nós mesmos e por nós mesmos, por mais que tentemos, nunca seremos capazes de conhecer-Te como devemos. Por isso, simplesmente nos humilhamos diante de Ti desde o início deste nosso tempo juntos e pedimos-Te, ó Senhor, que sejas bondoso para conosco.
Tu sabes quanto dependemos de Ti. Pedimos que Te reveles a nós de tal maneira que possamos ver-Te como nunca antes Te vimos e adorar-Te como Tu deves ser adorado.
Ó Senhor, entregamos este tempo em Tuas mãos e pedimos-Te, ó Senhor, que unjas a todos nós com o Teu Espírito Santo. A Ti sejam todo o louvor e toda a glória, no precioso nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Por favor, abram no Evangelho segundo João. O Evangelho segundo João, capítulo 1. Vamos ler os três primeiros versículos.
No princípio era o Verbo,
e o Verbo estava com Deus,
e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por meio dEle;
e, sem Ele, nada do que foi feito se fez.— João 1:1-3
Creio, irmãos e irmãs, que todos nós sabemos que o cristianismo é Cristo. O cristianismo não é um sistema de teologia. Não é uma religião bem organizada. O cristianismo é o próprio Cristo. É a Pessoa do nosso Senhor Jesus e a Sua obra.
É por isso que, nos primeiros tempos, as pessoas eram chamadas de cristãs: porque eram homens de Cristo e mulheres de Cristo.
No início, as pessoas pensavam que eles eram apenas mais uma seita do judaísmo e tratavam assim aqueles que seguiam o Senhor Jesus. Mas logo descobriram que não era isso. Começaram a perceber que não somente os judeus criam no Senhor Jesus, mas muitos, muitos gentios também criam no Senhor Jesus. Não era uma seita do judaísmo; era algo inteiramente diferente.
No início, não sabiam como chamar aquilo. Aos poucos, perceberam que aquelas pessoas eram realmente diferentes de todas as outras.
Essas pessoas criam no nome do Senhor Jesus. Essas pessoas se reuniam em torno do nome do Senhor Jesus. Essas pessoas oravam ao Senhor Jesus. Essas pessoas falavam do Senhor Jesus. Essas pessoas viviam para o Senhor Jesus, e essas pessoas morriam pelo Senhor Jesus. O Senhor Jesus era tudo para elas.
E, quando isso começou a ficar evidente, passaram a chamar os discípulos de cristãos, como vocês encontram em Atos 11:26.
Em Antioquia, os discípulos foram, pela primeira vez, chamados cristãos.
— Atos 11:26
Eles eram chamados de cristãos porque eram homens de Cristo e mulheres de Cristo. Cristo era tudo para eles.
Paulo expressou isso de uma maneira muito característica. Encontramos isso no capítulo 3 de Filipenses. Em Filipenses 3:8, Paulo disse:
Sim, deveras, considero todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor:
por Quem sofri a perda de todas as coisas,
e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo,
e ser achado nEle, não tendo justiça própria, a que vem da lei,
mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus pela fé:
para conhecê-Lo,
e o poder da Sua ressurreição,
e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte;
para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.— Filipenses 3:8-11
Conhecer a Cristo, conhecer o poder da Sua ressurreição, ter comunhão com os Seus sofrimentos, ser conformado à Sua morte — tudo é Cristo.
O conde Zinzendorf disse: “Tenho uma única paixão, e a minha paixão é Jesus Cristo”.
Irmãos e irmãs, ao nos reunirmos aqui nesta noite, creio que isso é verdade. Tenhamos, nesta noite, um único desejo. Tenhamos uma única paixão. Queremos Jesus. Desejamos ver Jesus. Queremos conhecê-Lo, porque conhecê-Lo é a vida eterna. Nada realmente importa para nós senão Jesus Cristo.
E este é o propósito de nos reunirmos neste momento: desejamos ver Jesus; queremos conhecê-Lo.
Queridos irmãos e irmãs, para conhecer o Senhor Jesus, precisamos conhecê-Lo tanto na história quanto na revelação. Precisamos conhecê-Lo tanto na verdade quanto na graça.
Se O conhecemos apenas na história, como Alguém que existiu na terra há dois mil anos, esse conhecimento pode ser verdadeiro, mas não é vivo. É história passada.
Se O conhecemos apenas por algum tipo de sentimento, por algum tipo de experiência, isso pode ser vivo, mas como sabemos que é verdadeiro?
Portanto, para conhecermos o Senhor Jesus de maneira real, precisamos conhecê-Lo tanto objetiva quanto subjetivamente. Precisamos conhecer os fatos históricos a Seu respeito e receber revelação para compreender esses fatos — o significado desses fatos.
Assim, penso que o que gostaríamos de compartilhar neste período é a realidade de Cristo. Como podemos conhecer a realidade de Cristo? Como Cristo pode ser real para nós, para cada um de nós?
Para conhecer a Cristo de maneira real, precisamos conhecê-Lo tanto na história quanto na revelação. Precisamos conhecer os fatos a Seu respeito e precisamos conhecer o significado dessas coisas. Pela graça de Deus, faremos isso durante este tempo.
Agora, nesta noite, gostaríamos de começar pelo próprio princípio. Se você quer conhecer uma pessoa, por onde começa? Naturalmente, começa pelo nascimento dela.
O nascimento de uma pessoa normalmente é o início de sua vida. Talvez haja algumas cuja história comece antes mesmo de nascerem. Vocês conseguem pensar em alguém?
Vocês se lembram de Jacó? Quando Jacó estava no ventre de sua mãe, ali estava ele, lutando com seu irmão. Portanto, sua história começou, na verdade, no ventre de sua mãe, antes de ele nascer.
E vocês conhecem outro no Novo Testamento: João Batista. Quando Maria foi saudar Isabel, João, que estava no ventre de sua mãe, começou a saltar de alegria.
Mas a história de pouquíssimas pessoas começa antes de elas nascerem. Vocês sabem, quando lemos uma biografia, muitas vezes encontramos o biógrafo escrevendo bastante sobre o período anterior ao nascimento da pessoa. Ele escreve sobre os antepassados dela. Procura voltar na história para descobrir seu pai, sua mãe, a família paterna, a família materna, e tenta identificar a influência dos antepassados sobre aquela criança que vai nascer.
Bem, isso é verdade. Nossos antepassados podem ter algo a ver com a nossa vida. Podem exercer certa influência sobre ela. Mas, estritamente falando, nossa vida começa quando nascemos, porque, antes de sermos concebidos, não existimos.
Mas, queridos irmãos e irmãs, quando vocês tratam da história do nosso Senhor Jesus, se começarem pelo Seu nascimento, estarão inteiramente equivocados. Nunca conseguirão conhecer o Senhor Jesus se O conhecerem apenas a partir do momento em que Ele nasceu.
Por quê? Porque Ele já existia muito antes de nascer.
Portanto, ao tratar da história do nosso Senhor Jesus, precisamos voltar ao próprio princípio. Vocês verão que é assim que o apóstolo João nos apresenta a vida do nosso Senhor Jesus:
No princípio era o Verbo.
Esse princípio é ainda mais remoto — muito mais remoto — do que o princípio que vocês encontram em Gênesis 1:1.
No princípio, Deus criou os céus e a terra.
— Gênesis 1:1
Aquele foi o princípio da criação. Mas o princípio em João 1:1 —
No princípio era o Verbo.
— está muito além do princípio da criação. É o princípio de todos os princípios. É o princípio.
É aquilo que o nosso Senhor Jesus disse:
Eu sou o Primeiro. Eu sou o Alfa. Eu sou o Princípio.
Esse é o princípio. No princípio, Deus já existia, porque Deus existe por Si mesmo. Ele é o “EU SOU O QUE SOU”, Aquele que sempre existe.
No princípio era o Verbo — o Logos —, a eternidade do Verbo.
Qual é o significado do Verbo, do Logos? Não vou tentar — e nem posso — conduzi-los por todos esses caminhos tortuosos para explicar o Logos. Mas penso que a maneira mais simples de compreender o Verbo se encontra no mesmo capítulo, em João 1:18.
Ninguém jamais viu a Deus;
o Filho unigênito, Que está no seio do Pai,
Ele O revelou.— João 1:18
Ninguém jamais viu a Deus. Deus é Espírito; ninguém jamais O viu. Mas o Filho unigênito, Que está no seio do Pai, Ele O revelou.
Em outras palavras, o Verbo revela Deus. Deus, Que é invisível, é revelado por Seu Filho, o Verbo vivo. Por meio dessa revelação, chegamos a conhecer Deus.
Vocês também encontrarão em Hebreus 1:1-3:
Deus, havendo outrora falado aos pais pelos profetas, em muitas porções e de muitas maneiras,
ao fim destes dias nos falou em Seu Filho,
a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas,
por meio de Quem também fez os mundos;
sendo Ele o resplendor da Sua glória,
e a imagem exata da Sua substância.— Hebreus 1:1-3
Deus falou na Pessoa de Seu Filho. Seu Filho é o resplendor da Sua glória, a expressão da Sua própria substância. Isso é o Verbo.
No princípio era o Verbo. No princípio era o Filho, e o Filho é o Verbo — a manifestação do Pai, Aquele que revela o Pai, porque Ele é a imagem exata do Pai.
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus.
Aqueles que conhecem o grego nos dizem que a palavra com indica uma Pessoa que possui personalidade, e também uma Pessoa que está em comunhão com Aquele a Quem está ligada.
Portanto, aqui vocês veem: no princípio era o Verbo, e esse Verbo estava com Deus. Esse Verbo possui personalidade, e esse Verbo está em constante comunhão com o Pai.
Aqui vocês encontram a personalidade do Verbo e a dualidade na Divindade.
E o Verbo era Deus.
O Verbo não apenas estava com Deus, mas o Verbo era Deus. Em outras palavras, o Verbo é muito diferente de todos os seres criados. O Verbo é muito diferente dos anjos. O Verbo é muito diferente dos profetas de outrora.
O Verbo era Deus: a divindade do Verbo. O Verbo era Deus — não somente a divindade do Verbo, mas também a unidade da Divindade.
Assim, queridos irmãos e irmãs, nessas poucas frases vemos a eternidade de Cristo. Vemos a personalidade de Cristo. Vemos que Cristo e o Pai são um. Vemos a divindade de Cristo.
Quem é esse Filho eterno de Deus? Ele é Aquele em Quem fomos feitos.
Em Gênesis 1:26, lemos:
E disse Deus: Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança.
E Deus fez o homem à Sua imagem, conforme a Sua semelhança. Ora, de Quem é essa imagem? Da segunda Pessoa da Divindade — o nosso Senhor Jesus.
Certa vez, nosso Senhor Jesus disse:
Antes que Abraão existisse, Eu sou.
Embora naquele momento Ele tivesse apenas pouco mais de trinta anos — as pessoas pensavam que Ele tinha cinquenta —, Ele disse:
Antes que Abraão existisse, Eu sou.
Ele é o grande EU SOU. Ele é Aquele que apareceu a Moisés naquela sarça ardente. E Moisés perguntou: “Qual é o Teu nome?”. Ele disse: “EU SOU O QUE SOU. Eu sou Aquele que existe por Si mesmo. Eu existo sempre”. Esse é o nosso Senhor Jesus. Esse é Cristo.
Ele é Aquele de Quem Isaías falou em Isaías 9:6:
Um menino nos nasceu, mas um Filho nos foi dado.
Ele é Aquele de Quem Salomão falou em Provérbios 8:22-26:
O Senhor Me possuía no princípio do Seu caminho,
antes das Suas obras de outrora.
Desde a eternidade fui estabelecido, desde o princípio,
antes que a terra existisse.
Quando ainda não havia abismos, fui gerado,
quando ainda não havia fontes abundantes de águas.
Antes que os montes fossem firmados,
antes dos outeiros, fui gerado;
quando Ele ainda não havia feito a terra, nem os campos,
nem o princípio do pó do mundo.— Provérbios 8:22-26
Essa é a história do nosso Senhor Jesus. Esse é o início da Sua história. Aquele em Quem cremos é o Eterno, o Filho eterno de Deus, a segunda Pessoa da Divindade, um com o Pai.
Mas, queridos irmãos e irmãs, há mais do que isso. Porque em João 1:3 lemos:
Todas as coisas foram feitas por meio dEle;
e, sem Ele, nada do que foi feito se fez.— João 1:3
Em outras palavras, vocês veem que Ele não é apenas o Filho eterno de Deus — Ele é Deus —, mas também é o Criador de todas as coisas.
Sabemos que todas as coisas foram criadas pela vontade de Deus. Em Apocalipse 4:11, lemos:
Por Tua vontade, todas as coisas foram criadas.
Ou, em algumas versões:
Para o Teu prazer, todas as coisas foram criadas.
Quando Deus decidiu criar todas as coisas, foi a segunda Pessoa da Divindade, o Filho eterno, Quem realizou a obra da criação.
Vejam, no mesmo capítulo de Provérbios, se continuarem a leitura, encontrarão:
Quando Ele preparava os céus, Eu estava ali:
quando traçava um círculo sobre a face do abismo,
quando firmava os céus acima,
quando as fontes do abismo se tornavam fortes,
quando estabelecia ao mar o seu limite,
para que as águas não transgredissem o Seu mandamento,
quando traçava os fundamentos da terra;
então Eu estava ao Seu lado, como mestre de obras:
e era diariamente o Seu prazer,
regozijando-Me sempre diante dEle,
regozijando-Me na Sua terra habitável;
e o Meu prazer estava com os filhos dos homens.— Provérbios 8:27-31
Quando Deus criou todas as coisas, o Filho eterno era o Mestre de obras. Ele era o projetista. Ele era o planejador. Ele era o Arquiteto. Ele era o Engenheiro. Ele era o Construtor. Ele era tudo no que diz respeito à criação.
É por isso que, ao chegar ao capítulo 1 de Colossenses, vocês encontram que nEle foram criadas todas as coisas: as coisas nos céus, as coisas sobre a terra, as coisas visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo o que foi criado foi criado nEle.
E as palavras nEle significam que tudo foi concebido a partir dEle. Ele é Aquele que deu origem e forma a tudo.
Alguém projetou a cadeira em que você está sentado. Essa pessoa concebeu a cadeira em sua mente, e a projetou segundo sua sabedoria, seu entendimento, seu gosto, seu prazer. Ela a tem em sua mente, e então ela mesma, ou outra pessoa, a constrói de acordo com o projeto.
Irmãos e irmãs, todas as coisas que foram criadas foram projetadas pelo Filho eterno de Deus. Tudo foi criado nEle. Ele deu o projeto, a forma, o caráter a todas as coisas, segundo o Seu gosto, segundo o Seu caráter.
É por isso que:
Os céus declaram a glória de Deus,
e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos.
Porque tudo foi criado nEle.
E não apenas nEle, mas por Ele. Ele não apenas projetou todas as coisas, mas também as fez. E não apenas por Ele, mas para Ele.
A razão pela qual existimos, a razão pela qual esta terra existe, a razão pela qual o universo existe, a razão pela qual as hostes celestiais existem é que o Pai ama o Filho e deu todas as coisas ao Filho.
É por isso que vocês encontram nas Escrituras que Ele é o Herdeiro de todas as coisas. Deus Lhe deu todas as coisas, para que Ele tenha o primeiro lugar em tudo.
Ele não é apenas o Filho eterno. Ele não é apenas o Criador de todas as coisas. Mas, quando vocês entram no propósito de Deus, descobrem que Ele é o centro desse propósito.
Efésios 1:9:
Tendo-nos feito conhecer o mistério da Sua vontade,
segundo o Seu beneplácito, que propusera em Si mesmo,
para uma dispensação da plenitude dos tempos,
de reunir todas as coisas em Cristo,
as coisas nos céus e as coisas sobre a terra.— Efésios 1:9-10
Qual é o mistério da vontade de Deus? Deus tem uma vontade, mas ela é chamada de mistério. Por quê? Porque não é conhecida até que seja revelada.
E vocês sabem, em Efésios encontramos que isso é chamado de propósito de Deus através dos séculos — em outras palavras, o propósito eterno de Deus. Nosso Deus é a Vontade suprema. Nosso Deus tem um propósito, e estabeleceu esse propósito antes mesmo da fundação do mundo.
Deus tem um propósito eterno. Qual é esse propósito? Esse propósito permaneceu um mistério através dos séculos, até ser revelado pelo Espírito Santo aos apóstolos e aos profetas.
O mistério da vontade de Deus é que, na plenitude dos tempos, Deus reunirá todas as coisas em Cristo — colocará todas as coisas sob Cristo como Cabeça. Esse é o propósito de Deus.
Em Colossenses, lemos que Ele deve ter a preeminência em todas as coisas, pois toda a plenitude de Deus habita nEle.
Queridos irmãos e irmãs, se queremos conhecer a Cristo, precisamos conhecê-Lo no propósito eterno de Deus. Ali, antes que houvesse tempo, na eternidade, segundo o Seu beneplácito, Deus decidiu que todas as coisas deveriam ser reunidas em Cristo. Cristo será Cabeça sobre todas as coisas. Nada há que não esteja debaixo dEle.
Mas, é claro, em relação a isso, segundo a presciência de Deus, Ele sabia que, depois da criação, haveria a rebelião do arcanjo e a queda do homem.
Por causa disso, vocês descobrem que o nosso Senhor Jesus não é apenas o Criador de todas as coisas. Ele não é apenas o Herdeiro de todas as coisas. Vocês descobrem que Ele também é o Cordeiro de Deus, Que foi morto antes da fundação do mundo.
Para redimir a humanidade caída, para reconciliar todas as coisas com a plenitude de Deus, o Filho eterno teve de vir a este mundo, no tempo, para ser esse Cordeiro, sacrificado por nós.
Queridos irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus não se tornou o Cordeiro de Deus depois de nascer. Ele já era o Cordeiro antes mesmo da fundação do mundo.
Em 1 Pedro 1:18-20, lemos:
Fostes resgatados, não com coisas corruptíveis, como prata ou ouro,
mas com sangue precioso, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo,
Que, na verdade, foi conhecido de antemão, antes da fundação do mundo.
Nosso Senhor Jesus é o Cordeiro desde a fundação do mundo. É por meio desse Cordeiro que somos redimidos, restaurados, unidos e ligados a Cristo, e somos herdeiros e coerdeiros com Ele.
É pelo sangue do Cordeiro que Ele reconcilia todas as coisas com a Sua plenitude. Ainda não vimos isso. Isso precisa ser realizado primeiro em Sua igreja e, depois, por meio da igreja, alcançará toda a criação.
Irmãos e irmãs, não somos apenas redimidos; somos redimidos para que Cristo seja Cabeça sobre nós. Somos redimidos para que Cristo seja tudo e em todos para nós. Somos redimidos para que o propósito de Deus seja cumprido primeiro na igreja e, depois, por meio da igreja, todas as coisas sejam colocadas debaixo dos pés do Filho.
Vocês sabem, em Efésios 1:22-23, lemos que Deus:
O constituiu Cabeça sobre todas as coisas para a igreja,
a qual é o Seu corpo,
a plenitude dAquele que preenche tudo em todos.
Essas são coisas eternas. Esses fatos nos são revelados na Palavra. Sabemos que o Senhor Jesus é o Filho eterno. Ele é Deus. Ele é o Criador de todas as coisas. Ele é o Herdeiro de todas as coisas. Ele é o Cordeiro de Deus. Ele é o nosso Redentor. Ele é Aquele que reconcilia todas as coisas com a plenitude de Deus.
Agora, irmãos e irmãs, quando vemos esses fatos, que efeito eles deveriam produzir em nós?
Deus é Espírito,
e os que O adoram devem adorá-Lo em espírito e em verdade.
Como podemos adorar a Deus? Onde começa a adoração? Como a nossa adoração pode ser aceitável a Deus?
Antes de tudo, precisamos saber quão digno Ele é. Sabemos que a própria palavra inglesa worship, “adoração”, no inglês antigo, é worth-ship: o reconhecimento do valor, da dignidade de alguém. Porque Ele é digno, nós O adoramos.
Se não soubermos, queridos irmãos e irmãs, quão digno Ele é, nossa adoração será fraca e incompleta.
Muitas vezes, quando nos reunimos para adorar o Senhor — é claro, quando nos reunimos para adorá-Lo à Sua mesa —, ao vermos os símbolos, os sinais, o pão e o vinho, ao pensarmos no Senhor Jesus, Que veio a este mundo e morreu por nós, ao vê-Lo como o Cordeiro de Deus, nosso coração é tocado, e começamos a adorá-Lo porque Ele é digno.
Mas, queridos irmãos e irmãs, se queremos que nossa adoração seja completa, se queremos que nossa adoração seja elevada, por assim dizer, não devemos vê-Lo apenas como Aquele que veio, que morreu por nós e que fez todas essas coisas por nós.
Graças a Deus porque Ele veio. Graças a Deus porque Ele morreu por nós na cruz do Calvário. Graças a Deus pelo Seu sangue. Graças a Deus pela Sua vida.
Mas, irmãos e irmãs, ao adorá-Lo, precisamos adorar Aquele que é desde o princípio. Precisamos adorar Aquele que é o Princípio.
Se O vemos como o Princípio, se O vemos como o Verbo, como Deus, se O vemos como Aquele que nos criou, se O vemos como Aquele a Quem pertencemos — somos para Ele —, queridos irmãos e irmãs, nossa adoração crescerá. Nossa adoração será profunda e rica.
Uma das razões pelas quais, quando o povo de Deus se reúne para adorar o Senhor, nossa adoração é tão fraca — não sei como vocês se sentem, mas às vezes, muitas vezes, penso: “Ó Senhor, se nós não estamos satisfeitos em adorar-Te dessa maneira, como Tu ficarás satisfeito? Como podes ficar satisfeito?”.
Não é este o anseio do nosso coração: que possamos adorá-Lo em espírito e em verdade, que O adoremos como Ele é — não apenas pelo que fez, mas por Quem Ele é?
Precisamos de uma revelação dEle como o Filho eterno de Deus. Irmãos e irmãs, eu realmente creio que, se O conhecermos como o Filho eterno de Deus, como o centro do propósito de Deus, como o Herdeiro de todas as coisas, só poderemos nos prostrar e adorá-Lo.
Ele é Deus — meu Deus, meu Senhor. Creio que esse será o primeiro efeito de conhecermos a Cristo como o Ser eterno.
Em segundo lugar, precisamos conhecê-Lo como o centro do propósito de Deus.
Muitas vezes, sinto que não sabemos onde está o nosso centro. A humanidade caída é assim: o ser humano sempre pensa que ele próprio é o centro de tudo.
Como precisamos ser libertos do egocentrismo! Muitas vezes, até a nossa busca espiritual continua centrada em nós mesmos: “Quero ser espiritual. Quero que as pessoas me admirem por ser espiritual”.
Até mesmo em nosso serviço ao Senhor: “Quero que ergam um monumento para mim. Esta é a minha obra. Eu trabalho para Deus”. E, mesmo quando nos sacrificamos, queremos receber reconhecimento.
Irmãos e irmãs, como podemos ser libertos do nosso pequeno eu? Se tivermos uma visão do propósito eterno de Deus, centrado em Cristo.
Irmãos e irmãs, vocês têm uma parte no propósito eterno de Deus não por causa de vocês mesmos, mas por causa dEle. Se não fosse por causa dEle, vocês não teriam lugar algum no propósito de Deus.
Permitam-me dizer que a vida de vocês na terra não é nada em si mesma. Se há algo de valor, de valor eterno, é porque vocês estão ligados a Cristo. Cristo é o que importa.
Irmãos e irmãs, precisamos colocar o nosso centro no lugar certo. Precisamos deixar de olhar para nós mesmos e olhar para o Senhor. Ele é tudo para Deus. E Ele é tudo para nós?
Isso nos dará direção. Muitos do povo de Deus não têm direção, não têm propósito, não têm sentido na vida. Mas, se vemos Cristo — o propósito de Deus é colocar todas as coisas sob Cristo como Cabeça —, então temos uma direção. Sabemos para onde vamos. Sabemos o que buscamos.
Não é que aqui haja algo bom, e lá vamos nós; ali haja algo empolgante, e lá vamos nós. Não. Estamos buscando a Cristo, não alguma coisa — nem mesmo uma experiência, nem alguma verdade isolada, por mais verdadeira que seja.
Mas nos firmamos nEle, em Cristo. Queremos conhecê-Lo. Queremos deixá-Lo ter o primeiro lugar em nossa vida. Queremos que Ele seja tudo e em todos para nós, em cada área da nossa vida. Que Ele seja tudo. Que Ele tenha o primeiro lugar.
Irmãos e irmãs, essa é a nossa direção. E, se Cristo tiver o primeiro lugar em nós, então haverá algo que realmente vale a pena. Caso contrário, não é nada. Isso nos dá direção, nos dá sentido, nos dá propósito.
E, em terceiro lugar, se tivermos uma visão de Cristo como o Cordeiro morto antes da fundação do mundo, irmãos e irmãs, saberemos que Sua morte não foi um acidente. Saberemos que nossa redenção não foi um acidente.
Sabemos que, antes mesmo da fundação do mundo, já havia o amor de Deus. Deus nos ama tanto que nos deu Seu Filho unigênito, e isso foi determinado antes da fundação do mundo. Que amor é esse?
Isso nos dará uma apreciação mais profunda do amor de Deus, sabendo que suas raízes estão lá, no próprio Deus, na eternidade. Embora Ele nos conheça tão bem, embora conheça tão bem a humanidade, embora a história da humanidade seja como é — Ele sabe de tudo —, ainda assim Ele nos ama com amor eterno.
Ele nunca muda de ideia. Não é porque somos tão maus, tão indignos, que Ele muda de ideia e diz: “Não vou”. Não. O Cordeiro — o Cordeiro morto antes da fundação do mundo — veio no tempo e morreu por nós.
Queridos irmãos e irmãs, não duvidem de um amor assim. Se vocês enxergarem esse amor, ele despertará em nosso coração amor por Aquele que tanto nos amou, desde antes da fundação do mundo.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, eu realmente creio que, se O conhecermos na eternidade, nós O amaremos de todo o coração e O adoraremos como Ele é digno.
Então, penso que, por esta noite, vamos parar por aqui.
Podemos passar alguns momentos em silêncio diante do Filho eterno de Deus? Depois, se alguém sentir que pode orar em voz alta — mas alto o suficiente para ser ouvido —, faça orações breves, adorando-O, venerando-O, agradecendo-Lhe e expressando a Ele a nossa gratidão.