Agora, voltemo-nos ao Senhor em oração.
Ó amado Senhor, reconhecemos que não há amor em nós senão aquele que Tu primeiro colocaste em nós. E nós Te amamos com esse amor.
Nós Te agradecemos porque nos reúnes aqui para estudar a Tua Palavra. Mais uma vez, pedimos que nos concedas o espírito de sabedoria e de revelação, para que possamos conhecer a Ti e conhecer a Tua Palavra.
Abrimos mão da nossa própria sabedoria, do nosso próprio entendimento, porque a nossa sabedoria é loucura e o nosso entendimento é trevas. Mas como oramos e Te agradecemos porque o Teu Espírito Santo é o Espírito da verdade, que nos conduzirá a toda a verdade!
Assim, voltamo-nos a Ti, ao Teu Espírito, para que nos guies à Tua verdade nesta manhã. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Espero que vocês tenham aproveitado o tempo livre para ler a primeira carta de João. Não sei quanto conseguiremos abordar nesta manhã, mas gostaria de começar lendo apenas uma parte: 1 João 1:5 em diante.
E esta é a mensagem que Dele ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz, e Nele não há trevas nenhumas.
Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade;
mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
Se dissermos que não pecamos, fazemo-Lo mentiroso, e a Sua palavra não está em nós.
Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. E, se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo;
e Ele é a propiciação pelos nossos pecados; e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.
Mencionamos ontem de manhã que o Evangelho de João trata da vida, e a primeira carta de João trata da comunhão. Alguém diz que o Evangelho de João é um comentário sobre esta primeira carta de João, e que esta primeira carta de João é uma aplicação moral, espiritual e prática do Evangelho de João. Acho que há muita verdade nessa afirmação.
A vida que estava com o Pai nos foi manifestada. Por isso, com base nessa vida manifestada, entramos em comunhão.
É a comunhão dos apóstolos, porque, por meio dos apóstolos, chegamos a conhecer que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Mas a comunhão dos apóstolos não é uma comunhão deles mesmos. A comunhão dos apóstolos é a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo.
Portanto, somos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Somos chamados à comunhão que o Filho tem com Seu Pai.
Somos chamados a essa comunhão tão exclusiva — a comunhão que antes existia somente na Divindade, mas que agora foi estendida e ampliada, e inclui todos os remidos do Senhor. Em certo sentido, nossa comunhão é a mais exclusiva de todo o universo.
Contudo, por outro lado, é a comunhão mais inclusiva. É tão exclusiva que, além do Pai, do Filho e do Espírito, além dos apóstolos e de todos os que são remidos do Senhor, ninguém mais pode participar dessa comunhão.
Mas é tão inclusiva que todos os remidos do Senhor, sejam jovens ou idosos, recém-nascidos ou plenamente maduros, estão incluídos nessa comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo.
Lembremo-nos de que essa comunhão é uma comunhão de vida. A substância dessa comunhão é a vida. É Cristo.
Não temos comunhão em torno de nós mesmos. Nem sequer temos comunhão em torno dos apóstolos, por maiores que sejam. Temos comunhão em torno de Cristo, com Cristo e em Cristo. Essa é a própria essência da comunhão da qual participamos.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembremo-nos sempre de que essa comunhão é uma comunhão de vida — de Cristo. Quando compartilhamos Cristo uns com os outros, estamos em comunhão.
Também precisamos lembrar que, por ser esta a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo, e por ser tão inclusiva, não devemos ser exclusivistas, excluindo nosso irmão ou nossa irmã por qualquer outro motivo.
Essa comunhão não se baseia em doutrina, ensino, interpretação, sistema, forma, opiniões ou experiência. Como o povo de Deus está dividido hoje! Não conseguem ter comunhão uns com os outros porque defendem doutrinas diferentes.
Talvez as doutrinas que defendem sejam todas verdadeiras, mas representem apenas parte da verdade. Contudo, por causa disso, não conseguem ter comunhão. Quantos, entre o povo de Deus, não conseguem ter comunhão porque têm experiências diferentes!
Admitamos que todas essas experiências venham de Deus. Ainda assim, porque alguns colocam uma experiência em oposição a outra, fazem da experiência uma base para a comunhão.
Não, queridos irmãos e irmãs, a base da comunhão é Cristo, e nada mais. Não é a doutrina sobre Cristo, nem mesmo o ensino sobre Cristo. É Cristo — o Cristo vivo, a vida.
É claro que vocês não podem ter a luz se estiverem errados quanto à doutrina fundamental de Jesus Cristo, Sua Pessoa e Sua obra. Mas, de qualquer modo, vocês verão que a comunhão não se baseia nessas coisas. A base da comunhão é a vida, a vida eterna, a vida de Cristo. Cristo — essa é a base da comunhão.
Nesta manhã, gostaríamos de prosseguir com o segundo pensamento da primeira carta de João. Ele começa em 1 João 1:5 e termina em 1 João 5:5.
Nesta parte, entramos na prática da comunhão, ou na graça da comunhão. A comunhão é mais do que algo que nos é dado; a comunhão é algo que experimentamos dia após dia.
Pela graça de Deus, estamos na comunhão. Mas, se quisermos desfrutar dessa comunhão, experimentá-la e aprofundá-la, certas condições são necessárias. Essas condições nada mais são do que aquilo que Deus é em Si mesmo.
Assim, entraremos agora no aspecto prático da comunhão. Mas precisamos muito de ajuda, para que nossa comunhão seja real e viva, e não apenas uma palavra, mas algo verdadeiramente vivo e real em nossa vida diária.
Aqui, neste segundo pensamento, encontramos três pontos essenciais:
Em primeiro lugar, a comunhão precisa ser na vida.
Em 1 João 1:5:
E esta é a mensagem que Dele ouvimos e vos anunciamos: que Deus é luz, e Nele não há trevas nenhumas.
Ao sermos atraídos para essa comunhão, a primeira coisa que ouvimos Daquele que nos chama a tal comunhão é que Deus é luz, e Nele não há trevas nenhumas.
Deus é luz. Quando vocês pensam em luz, que impressão têm? Provavelmente pensarão na luz como algo puro, limpo, transparente, aberto, sem contaminação e glorioso.
Então, provavelmente, a partir daí, começarão a pensar na luz como aquilo que revela, expõe, convence, cura e dá vida. Vocês podem pensar em muitas coisas quando pensam na luz. Mas aqui encontramos isto: Deus é luz.
Quanto à natureza de Deus, Deus é luz. Ele é puro. Ele é limpo. Ele é transparente. Ele é aberto. Ele é glorioso.
Ele revela, Ele expõe, Ele convence, Ele cura e Ele dá vida. Todas essas coisas nas quais vocês podem pensar — é isso que o nosso Deus é. Não há absolutamente nenhuma treva Nele.
Nenhuma obscuridade, nenhuma sombra, nenhuma concessão, nenhuma impureza. Absolutamente glorioso, puro e sem pecado. Essa é a natureza de Deus.
A luz aqui não é a luz natural que conhecemos. Vocês sabem, vivemos neste mundo, e neste mundo, por assim dizer, há certa luz que governa nosso caminhar: os costumes, a tradição e a opinião das pessoas.
Essas coisas são a luz natural pela qual o homem natural é guiado em seu caminhar. Essa luz nem sequer é a luz intelectual — a luz que vem do raciocínio. Analisamos, tiramos conclusões, usamos a lógica, e isso nos dá, por assim dizer, uma orientação para o nosso caminhar.
Os melhores homens do mundo não são movidos pela luz natural ou pela tradição, mas são guiados pelo seu raciocínio. No entanto, essa não é a luz da qual as Escrituras falam. Essa luz não é outra senão o próprio Deus. Ele é a luz.
Para usar uma ilustração, temos ali o tabernáculo. No átrio exterior não há cobertura; por isso, todos os movimentos no átrio exterior são guiados pela luz do sol.
Mas, quando vocês entram no Lugar Santo, ele é coberto. Nenhuma luz solar pode penetrar no Lugar Santo. Quando os sacerdotes se movimentam no Lugar Santo para servir, são guiados pela lâmpada, pelo candelabro de ouro.
Quando vocês entram no Santo dos Santos, nem mesmo a luz do candelabro de ouro pode atravessar o véu. O Santo dos Santos está completamente fechado à luz do sol e à luz da lâmpada. Era escuridão total, mas não era propriamente escuridão, porque a glória do Senhor enchia o Santo dos Santos.
E, queridos irmãos e irmãs, Deus é luz, e essa luz está agora no Santo dos Santos dentro de nós.
Nosso corpo é como o átrio exterior. Nossa alma é como o Lugar Santo. Mas nosso espírito é o Santo dos Santos. Graças a Deus, Ele habita ali como luz.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, lembrem-se de uma coisa: porque temos a vida eterna, e essa vida é luz —
Nele estava a vida; e a vida era a luz dos homens.
— João 1:4
Em Cristo está a vida, e nós recebemos Cristo. Temos a vida eterna, e essa vida eterna é a luz dos homens.
O que governa nosso caminhar nesta terra? Não a luz natural deste mundo, nem o raciocínio do homem. Hoje, o povo de Deus deve ser guiado em seu caminhar diário pela luz da vida em seu espírito.
A luz em nosso espírito, quando atua, ilumina nosso caminho. Deus é essa luz.
Essa luz nem sequer é a Palavra de Deus. Em Salmos 119:105, encontramos que a Palavra de Deus é uma lâmpada para nos guiar em nosso caminhar. É verdade. Mas aqui vemos que João não está tratando nem mesmo da Palavra como luz.
Quantas vezes algumas pessoas dizem: “Recebi uma luz hoje”, e com isso querem dizer que receberam uma nova explicação da Palavra. Bem, isso é uma luz, uma luz emprestada. Mas João não está tratando disso. João está tratando de Deus como luz.
Ó queridos irmãos e irmãs, vocês conhecem o Deus que habita dentro de vocês? Ele é a sua luz. Essa é a luz da vida, e ela ilumina o caminho de vocês. É por essa luz que vocês têm comunhão com Ele.
Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
— 1 João 1:6
Deus é luz. Se dizemos que temos comunhão com Deus e, ainda assim, andamos em trevas, não andamos na luz da vida. Mentimos, e a verdade não está em nós.
Em outras palavras, embora Deus nos tenha atraído para essa comunhão, na verdade, no que diz respeito à experiência real, viva e diária, vocês não estão desfrutando dessa comunhão.
Como podemos desfrutar da comunhão com o Pai e com o Filho? Como podemos desfrutar da comunhão com os apóstolos? Como podemos desfrutar da comunhão com nossos irmãos na fé? Temos a base da comunhão, mas como podemos entrar na realidade, na experiência diária, dessa comunhão?
Precisamos andar na luz. Assim como Ele está na luz, então temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
Se andarmos na luz — sempre que vocês encontram na Bíblia a pequena palavra se, entram no campo da experiência.
Quanto à verdade objetiva, não há “se”, porque está consumada. Tudo está terminado, feito e realizado em Cristo. Essa é a verdade objetiva. Nela não há “se”. Ela nunca muda. Não pode ser mudada. É eterna.
Mas, quando chegamos à nossa experiência diária, vemos que ela está cheia de “ses”. Ora, o nosso “se” não muda a verdade, mas o nosso “se” muda a nossa experiência.
Então Ele diz aqui:
Se andarmos na luz.
Isso não significa andar segundo a tradição ou segundo o raciocínio. O que Ele quer dizer aqui é: se andarmos na luz da vida.
Quando temos comunhão com Deus, a vida dentro de nós começa a lançar sua luz sobre nossos pés. Se andarmos na luz como Deus está na luz — vocês sabem, há uma grande diferença aqui.
Deus é luz, e Ele habita na luz. O próprio Deus é luz, e Ele faz Sua morada na luz. Essa é a atmosfera de Deus. Tudo é luz. Mas nós apenas estamos andando na luz.
Andar — por que andar? Andar significa progresso contínuo. É algo diário. Se andarmos na luz como Deus está na luz.
Bem, Deus é luz: inacessível, pura, gloriosíssima, perfeita. Mas a luz da vida que conhecemos hoje é muito pequena.
Aqui usamos uma ilustração. Deus é luz — digamos, uma luz de cem candelas. Nós andamos na luz, mas a luz aqui é de apenas uma candela.
É verdade que a vida que está dentro de nós é perfeita. É luz. Não se pode aperfeiçoá-Lo. Mas, se a vida de Cristo dentro de nós iluminasse nosso caminho com cem candelas, não conseguiríamos suportar.
Por isso, vemos que a vida que está dentro de nós começa lançando uma candela de luz, para guiar nosso primeiro passo. Se andarmos na luz — isto é, nessa luz de uma candela —, ainda não vemos tudo. Vemos apenas aquele pouquinho.
Mas, seja o que for que a vida de Cristo já nos tenha mostrado, se andarmos fielmente nessa luz, assim como Deus está na luz de cem candelas, embora haja tamanha diferença de grau, ainda assim há semelhança. É o mesmo tipo de luz, de vida. E podemos ter comunhão.
Queridos irmãos e irmãs, o maravilhoso é que não somos perfeitos. Se tivéssemos de esperar até sermos perfeitos como Deus é perfeito antes de começar a ter comunhão, não haveria possibilidade alguma.
Contudo, por mais imperfeitos que sejamos, se formos fiéis à pequena luz que já nos foi dada, não haverá impedimento à comunhão, embora ainda haja muitas trevas que não foram descobertas.
Queridos irmãos e irmãs, como é importante, na questão da comunhão, que vocês andem fielmente em tudo aquilo que a luz da vida já iluminou em vocês!
Se fizerem isso, embora ainda haja muita ignorância e muitas trevas, graças a Deus, vocês poderão ter comunhão com Deus, e Deus com vocês, sem nenhuma interrupção.
Mas, é claro, mesmo que vocês andem na luz que Deus lhes deu agora, nessa luz descobrirão que precisam do sangue do Senhor Jesus.
Quando a luz da vida começa a brilhar sobre nós, começa a revelar o que há dentro de nós. Há tantas trevas em nós. Há tanta coisa que não é de Deus. Precisamos confessar.
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
— 1 João 1:9
Ó queridos irmãos e irmãs, quando andamos na luz, o que há dentro de nós será revelado — na nossa medida, até o limite do que podemos suportar. Deus não nos esmagará.
Vocês sabem, quando o inimigo vem nos acusar, ele sempre tenta nos esmagar. Mas, quando o Espírito de Deus começa a nos convencer e a iluminar nossa consciência, Ele vem apenas na medida em que conseguimos suportar. Como essa luz é suave!
Mas, quando essa luz nos é mostrada, começamos a perceber as trevas em nós. Queridos irmãos e irmãs, confessem isso diante de Deus. Se confessarmos, o sangue do Senhor Jesus nos purificará disso.
Então nossa comunhão com o Pai e com o Filho, e também nossa comunhão com nossos irmãos e irmãs, estará desimpedida — sem nenhuma nuvem, sem nenhuma sombra. Graças a Deus por isso.
Quanto mais perto de Deus vocês andam, mais precisam do sangue do Cordeiro. Não pensem que um dia não precisarão mais do sangue do Cordeiro.
Se vocês lerem as biografias daqueles homens e mulheres de Deus que viveram tão perto Dele, todos, invariavelmente, dão o testemunho de que precisam do sangue a cada momento da vida.
Ah, quanto mais perto de Deus vocês chegam, mais percebem que até suas lágrimas precisam ser purificadas pelo sangue. Até suas orações precisam ser purificadas pelo sangue. Ah, como precisamos do sangue do Cordeiro!
Mas, graças a Deus, ele remove todas as trevas que se colocam no caminho da nossa comunhão com Deus e da nossa comunhão uns com os outros.
Por que, às vezes, vocês percebem que sua comunhão com Deus está encoberta? Por que, às vezes, percebem que sua comunhão com seus irmãos e irmãs está impedida?
Porque não andam na luz que Deus já lhes deu. Deus não exige que vocês andem na luz em que Ele está, mas Deus exige que andem na luz que Ele já lhes deu.
Agora, se vocês andarem na luz que já lhes foi dada, sua comunhão com o Pai e com o Filho estará sem nenhuma nuvem. Vocês descobrirão que podem ter comunhão com todos os seus irmãos e irmãs, no que depender de vocês.
Mas, se não andarem na luz que já lhes foi dada, não apenas sua comunhão com o Pai e com o Filho será interrompida, mas também sua comunhão com seus irmãos e irmãs será impedida.
Ah, como precisamos ser abertos! Como precisamos ser transparentes! Como precisamos ser puros, ser limpos, porque isso é luz.
Precisamos ser abertos, transparentes e puros segundo a luz que recebemos. Queridos irmãos e irmãs, vocês verão que nossa comunhão com Deus e uns com os outros não será impedida.
É claro que, quando realmente andarmos na luz, descobriremos muitas trevas em nós.
Será que, por causa disso, recuamos e dizemos: “Não somos perfeitos. Não podemos ser perfeitos. Portanto, precisamos continuar pecando”? De modo nenhum.
Pelo contrário, vemos que a luz começa a brilhar sobre nós para nos purificar dos nossos pecados. Ela nos mostra as coisas para que não pequemos.
Porque temos a luz da vida dentro de nós, e essa luz dá vida. Ela não apenas expõe, mas cura. Não apenas purifica, mas dá mais vida. Pela luz que nos é dada, podemos não pecar.
Aquilo que foi exposto é purificado, e agora prosseguimos com uma vida de justiça e vencemos aquelas trevas. Assim, vemos que o apóstolo João diz:
Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis.
— 1 João 2:1
Ele não diz que vocês não podem pecar. A possibilidade de pecar está sempre presente enquanto estivermos na carne e vivendo neste mundo. Mas, graças a Deus, há também a possibilidade de não pecar, porque temos a vida de Cristo dentro de nós.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, precisamos ver: por um lado, se andarmos na luz, teremos consciência das nossas trevas e do nosso pecado. Confessaremos nosso pecado e seremos purificados.
Mas, por outro lado, nessa luz receberemos mais vida, para que possamos vencer o pecado e não pecar, e assim prosseguir com o Senhor.
Como sabemos que estamos na luz? Como sabemos que andamos na luz?
Sabemos que andamos na luz, por um lado, porque aborrecemos o pecado. Nós, que fomos iluminados, não queremos voltar ao pecado.
E descobrimos que Nele há o poder, a vida, para que não pequemos. Mas esse é o aspecto negativo. Se andarmos na luz, há também um sinal positivo.
E nisto sabemos que O conhecemos: se guardarmos os Seus mandamentos.
— 1 João 2:3
Se andarmos na luz, guardamos Seus mandamentos — não no sentido de tratar os mandamentos como coisas, nem no sentido de tentar guardar os mandamentos pela nossa força carnal.
Mas no sentido de que, por estarmos em comunhão com Ele, encontramos Nele aquela luz e encontramos Nele aquele amor. Guardar Seus mandamentos não é pesado.
É o poder da Sua vida dentro de nós. Guardamos Seus mandamentos não por dever, mas por amor. Por essas duas coisas, sabemos que estamos andando na luz.
Por quê? Porque, se andarmos na luz, andamos como Ele andou.
É claro que, se andarmos na luz como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros. Nessa comunhão com o Pai, com o Filho e com nossos irmãos na fé, nossa vida começa a crescer.
A comunhão é a melhor maneira de crescer. Às vezes, pensamos que o ministério ajuda no crescimento espiritual. E ajuda mesmo. Mas a comunhão é mais poderosa para nos ajudar a crescer no Senhor do que até mesmo o ministério da Palavra.
É por isso que, logo em seguida, encontramos o apóstolo João mencionando novamente os filhinhos, os jovens e os pais.
Como crescemos na vida? O crescimento real — não o crescimento na mente, mas o crescimento real na vida — vem da comunhão: de estarmos juntos, da comunhão com o Pai e com o Filho, e da comunhão uns com os outros.
É assim que crescemos de filhinhos para jovens e para pais. Na família de Deus, em nossa própria experiência pessoal de vida, começamos como filhinhos.
Como crianças, o que sabemos? O que temos? Como crianças, temos uma consciência. Temos consciência do nosso Pai.
Como crianças, não sabemos mais nada, mas conhecemos nosso Pai. Vocês se lembram de como, em Romanos, nos é dito que o Espírito Santo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus, e clamamos: “Aba, Pai”.
Isso mostra que somos filhos: temos uma consciência dentro de nós. Temos consciência de um relacionamento com Deus. Ele é nosso Pai, e clamamos: “Aba, Pai”.
Como filhinhos, buscamos em nosso Pai o sustento. Buscamos em nosso Pai a proteção. Vamos ao nosso Pai e descansamos sobre o peito do nosso Pai.
Vocês veem que é isso que se encontra nos filhinhos. Então João diz:
Filhinhos, conheceis o Pai.
Vocês não sabem mais nada, mas pelo menos conhecem o Pai. Isso é ser filhinho.
Agora, é claro, como filhinhos, podemos ser facilmente enganados. Suponham que alguém venha e diga: “Eu sou seu pai. Siga-me”. Como vocês distinguem?
Como os filhinhos são protegidos de serem enganados? Ora, no mundo há muitos anticristos, e as pessoas virão e dirão: “Venha e siga-me”.
Há alguma proteção? Graças a Deus, há. Existe uma proteção interior. Não há apenas a consciência do Pai, mas, como filhinhos, temos a unção dentro de nós, a unção interior.
Não há apenas um relacionamento com o Pai, mas há a unção dentro de nós — o Espírito Santo. Deus dá Seu Espírito Santo a cada filho de Deus.
Temos a unção que permanece em nós. Ele faz Sua morada em nós. Ele nunca nos deixa nem nos abandona, e nos ensinará em todas as coisas.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, pelo ensino da unção, sabemos o que é verdadeiro e o que é falso. Talvez não consigamos analisar isso. Talvez não tenhamos o conhecimento. Contudo, intuitivamente, sabemos.
A unção do Senhor atua sobre a intuição do nosso espírito, e intuitivamente sabemos: isto é a verdade; isto é uma mentira.
Não é verdade? Às vezes, vocês ouvem pessoas que podem nos apresentar uma mensagem muito bonita, sem nenhuma brecha. Vocês não conseguem encontrar falha alguma. Parece verdadeira. Contudo, de alguma forma, em seu espírito, intuitivamente, vocês dizem: “Há alguma coisa que não está bem”.
Vocês não conseguem explicar, mas dizem que alguma coisa não está bem. Mais tarde, fica provado que não estava certa. Como vocês sabem?
Como filhinhos, vocês ainda não têm o conhecimento. Mas, graças a Deus, descobrem que a unção dentro de vocês os ensinará em todas as coisas. Como permanecemos em Cristo? Permanecemos em Cristo pelo ensino da unção.
Então permanecemos em Cristo, e nossa comunhão com nosso Pai não é interrompida. Mas a vida de uma criança é uma vida abrigada.
Então vocês começam a crescer. À medida que começam a crescer, chegam ao estágio dos jovens. Os jovens se caracterizam pela vitalidade e pelo conflito. Vocês começam a entrar em conflito, e a vida cresce no conflito.
Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno.
— 1 João 2:14
Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
— 1 João 2:15
Quando vocês começam a crescer, deixando de ser filhinhos, se andarem na luz como Deus está na luz, verão que a intensidade da luz dentro de vocês começa a aumentar — de uma candela para duas, para três, para quatro, para dez.
Vocês começam a crescer na luz e, à medida que crescem na luz, começam a entrar em conflito. Mas, graças a Deus, vocês são fortes. Por quê? A Palavra de Deus permanece em vocês.
Como é importante que os jovens realmente conheçam de cor a Palavra de Deus! O que fortalece um jovem? A Palavra de Deus. Ah, precisamos que a Palavra de Deus habite ricamente em nós.
Nesse conflito, Satanás não sai às claras e aparece a vocês. Ele se esconde atrás de alguma coisa. Ele se esconde atrás do mundo. Usa o mundo para capturá-los.
O que é o mundo? Os jovens descobrem que o mundo é um problema real. O que é o mundo? As coisas do mundo: a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida.
Há coisas legítimas. Deus criou nossos olhos para ver e desfrutar de Sua beleza. Deus nos deu a carne; precisamos comer, beber e nos vestir. Deus nos deu a vida; precisamos viver. Essas coisas são legítimas.
Mas, quando passamos para o excesso, isso se torna concupiscência. O mundo usa essas coisas para drenar nossa vida.
O que é o mundo? Para dizer de maneira muito simples, o mundo está em contraste com o Pai. Qualquer coisa que nos afaste do amor do Pai é o mundo.
Seja uma coisa, uma pessoa, um pensamento ou um desejo — qualquer coisa que tire de nós o amor do Pai é o mundo.
Mas, se a Palavra de Deus permanece em vocês, vocês sabem o que é isso e são capazes de vencê-lo.
Então, à medida que crescem no conflito, vocês entram no estágio dos pais. Aqui vemos que aos pais é dada apenas uma descrição:
Pais, eu vos escrevo, porque conheceis Aquele que é desde o princípio.
— 1 João 2:13
É claro que a carta de João começa com essas palavras:
O que era desde o princípio.
Em outras palavras, os pais são aqueles que não apenas conhecem o Pai, não apenas conhecem o Senhor Jesus como seu Salvador, mas cresceram no conhecimento espiritual.
Eles conhecem Cristo como o propósito de Deus. Entram em Efésios. Conhecem todo o conselho de Deus, e todo o conselho de Deus está centrado em Cristo.
Deus há de reunir todas as coisas em Cristo. Ele há de ter a preeminência, o primeiro lugar, em todas as coisas. Os pais entraram nesse conhecimento.
Por terem entrado nesse conhecimento, sua vida está centrada em Deus, e eles são capazes de cuidar dos outros. Vocês sabem, as crianças precisam de cuidados. Os jovens conseguem cuidar de si mesmos. Mas os pais cuidam de todos os outros.
É assim que precisamos crescer no Senhor. Ó queridos irmãos e irmãs, tudo começa com isto: se andarmos na luz como Deus está na luz.
Um passo de cada vez. Vocês não saltam. Apenas um passo de cada vez.
Vocês sabem, muitas vezes as pessoas querem ser espirituais instantaneamente. Neste país, temos tudo instantâneo. Não temos apenas café instantâneo; temos chá instantâneo, macarrão instantâneo e arroz instantâneo também. Parece que tudo vai se tornar instantâneo.
Entre o povo de Deus, vocês veem que as pessoas querem ser espirituais instantaneamente. Se vocês puderem lhes dizer que há uma maneira de se tornarem espirituais de imediato, todos vão gostar. Não existe tal coisa.
Vocês precisam andar passo a passo, continuamente.
Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.
— 1 João 1:7
Por meio disso, começamos a crescer na vida de maneira constante, constante, até chegarmos ao estágio dos pais. Então podemos transmitir aos outros a vida de Cristo que recebemos.
Queridos irmãos e irmãs, esta é a primeira condição da graça da comunhão: estar na luz.
Aqui estamos em trevas. Trevas são tudo o que é contrário à luz: sombra, obscuridade, ocultação, pecado.
Se andarmos em trevas, não há dúvida: vocês podem ter sido chamados à comunhão, mas não estão vivendo na comunhão.
Portanto, que o Senhor nos ajude a andar diariamente na luz que Deus nos dá. Se vocês andarem na luz que Deus lhes dá hoje, serão purificados hoje, terão comunhão, e sua vida crescerá um pouquinho.
Amanhã, a luz da vida aumentará para duas candelas, e talvez, um mês depois, para mais duas ou três. Assim prosseguimos com o Senhor. Ah, é um caminhar com Deus.
Como nosso Senhor Jesus andou! Embora andasse com o Pai, Ele andou de Belém a Nazaré, de Nazaré à Galileia, da Galileia a Jerusalém, de Jerusalém ao Gólgota, do Gólgota ao túmulo, do túmulo ao Monte das Oliveiras.
Ele andou e andou até Se assentar à direita do Pai. Simplesmente um caminhar.
Queridos irmãos e irmãs, se começarmos a andar na vida, um dia vocês descobrirão que andaram e andaram, e chegaram lá — arrebatados. Portanto, amigos, vamos andar.
Ó nosso Pai celestial, nós Te louvamos e Te agradecemos porque nos chamaste à Tua comunhão. Mas não podemos desfrutar da Tua comunhão a menos que sejamos da mesma natureza que Tu.
Ó, nós oramos para que a luz da vida brilhe continuamente sobre nosso caminho, para que andemos diariamente Contigo, para que sejamos purificados dos nossos pecados, para que Te amemos e guardemos os Teus mandamentos, e para que cresçamos de estágio em estágio.
Ó, que possamos andar até nos encontrarmos Contigo ali. Em Teu precioso nome. Amém.