Senhor, abre nossos corações e nossos olhos, para que possamos vê-Lo. Concentra nossa mente, nosso coração, nosso espírito e nossa alma diante de Ti. Pedimos agora a Tua bênção sobre o Teu servo, para que a Tua Palavra seja conhecida em nossos corações. Prepara nossos corações diante de Ti, para que aquilo que Tu desejas seja realizado nesta reunião.
Senhor, revela-nos Cristo, para que nada façamos senão conhecer-Te e adorar-Te, e ser aquilo que Tu queres que sejamos. Obrigado pela Tua presença. Satura todo o nosso ser com a Tua presença e o Teu poder, para que nossos corações estejam vivos para Ti e possamos ouvir-Te falar.
Bendito Espírito Santo, vem. Em nome do Senhor Jesus, nós O buscamos nesta noite. Remove todo impedimento e todo entorpecimento causado pelas horas do dia. Dá-nos o Teu frescor e a Tua vitalidade. Recebemos isso para cada irmão e irmã presentes na reunião desta noite. No precioso nome de Jesus. Amém.
Senhor, que a Tua luz brilhe sobre nós. Somente na Tua luz podemos ver a luz. Que em Ti vejamos a verdade, o caminho, a vida e o Pai. Senhor, realiza a Tua obra nesta noite entre o Teu povo. Glorifica a Ti mesmo. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Por favor, abram no livro de Apocalipse. Leremos Apocalipse 1:1-3, 12 e 20.
Revelação de Jesus Cristo, que Deus Lhe deu para mostrar aos Seus servos as coisas que brevemente devem acontecer: e Ele a enviou e a comunicou por intermédio do Seu anjo ao Seu servo João;
o qual deu testemunho da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo, de todas as coisas que viu.
Bem-aventurado aquele que lê, e aqueles que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas: porque o tempo está próximo.
E voltei-me para ver a voz que falava comigo. E, tendo-me voltado, vi sete candeeiros de ouro;
e, no meio dos candeeiros, Um semelhante a um Filho do Homem.
O mistério das sete estrelas que viste na Minha mão direita e dos sete candeeiros de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas: e os sete candeeiros são sete igrejas.
Agora abram em Êxodo 37:17-24.
E fez o candeeiro de ouro puro: de obra batida fez o candeeiro; a sua base e a sua haste; os seus cálices, os seus botões e as suas flores eram de uma só peça com ele.
E seis braços saíam dos seus lados; três braços do candeeiro de um lado e três braços do candeeiro do outro lado.
Três cálices em forma de flores de amendoeira em um braço, um botão e uma flor; e três cálices em forma de flores de amendoeira no outro braço, um botão e uma flor: assim eram os seis braços que saíam do candeeiro.
E no candeeiro havia quatro cálices em forma de flores de amendoeira, com os seus botões e as suas flores;
e um botão sob dois braços, de uma só peça com ele, e um botão sob dois braços, de uma só peça com ele, e um botão sob dois braços, de uma só peça com ele, para os seis braços que saíam do candeeiro.
Os seus botões e os seus braços eram de uma só peça com ele; todo ele era uma só obra batida de ouro puro.
E fez as suas sete lâmpadas, as suas espevitadeiras e os seus apagadores de ouro puro.
De um talento de ouro puro o fez, com todos os seus utensílios.
Irmãos e irmãs, lembramos o que a Palavra diz:
O testemunho de Jesus é o espírito da profecia.
Hoje, Deus está interessado no testemunho de Jesus Cristo.
Um testemunho é uma declaração e uma afirmação de um fato, de uma verdade, de uma realidade. O testemunho de Jesus é uma declaração acerca de Jesus; é uma afirmação de Quem Jesus é e do que Ele é.
Esse testemunho de Jesus Cristo está confiado hoje à Sua igreja. É por isso que, na ilha de Patmos, quando João se voltou para ver a voz, viu sete candeeiros de ouro; e, no meio dos sete candeeiros de ouro, Um semelhante a um Filho do Homem.
Ontem à noite, mencionamos a visão do Filho do Homem no meio dos sete candeeiros de ouro. Aqui está o testemunho de Jesus: as palavras que Ele disse a João:
Eu sou o primeiro e o último,
e Aquele que vive;
e estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos,
e tenho as chaves da morte e do Hades.
Essas palavras constituem o testemunho de Jesus. Irmãos e irmãs, não há nada maior nem mais importante do que Quem Jesus é e o que Ele é. É nisso que Deus está interessado, e é isso que Deus deseja revelar ao Seu povo.
A revelação de Jesus Cristo foi dada ao apóstolo João, mas não apenas para ele. Foi-lhe dada para que a transmitisse às sete igrejas da Ásia. Por meio dessas sete igrejas, podemos ouvi-la e vê-la. Em outras palavras, o testemunho de Jesus é dado à igreja.
A visão do Filho do Homem está em primeiro plano, mas, ao fundo, estão as sete igrejas. Você não pode ver a igreja antes de ver Cristo. Não pode ver o corpo antes de ver a Cabeça.
Mas, depois de ver Cristo, depois de ver a Cabeça, você deve ver o corpo. Deve ver a igreja, porque isso constitui uma única visão.
É verdade que você nunca deve elevar a igreja acima de Cristo. Mas como Cristo pode ser elevado se não houver igreja? Como a luz pode ser elevada se não houver candeeiro? Os dois caminham juntos.
Irmãos e irmãs, se o Senhor lhes deu uma visão de Quem Cristo é e do que Ele é, creio que vocês verão a igreja como ela é no propósito de Deus.
Nesta noite, gostaríamos de ter comunhão juntos a respeito do vaso do testemunho de Jesus. A igreja é o vaso e o instrumento do testemunho de Jesus.
Assim como, nos tempos do Antigo Testamento, o testemunho de Deus foi depositado na nação de Israel, hoje o testemunho de Jesus é dado à igreja. Foi um privilégio tremendo para Israel, entre todas as nações, tornar-se, por assim dizer, o guardião do testemunho de Deus.
Eles tinham os oráculos de Deus. Tinham a lei de Deus. Conheciam o único Deus vivo e deveriam ser uma nação que desse testemunho dessa realidade tremenda. Era um grande privilégio, mas, ao mesmo tempo, sabemos que era uma responsabilidade muito grande.
Hoje, o testemunho de Jesus é dado à igreja. É um grande privilégio, mas também uma responsabilidade tremenda.
Por que a Bíblia usa o candeeiro para representar a igreja? Os sete candeeiros de ouro representam as sete igrejas da Ásia. Por quê?
O candeeiro serve para elevar a luz. Vocês se lembram do que o nosso Senhor Jesus disse em Mateus 5:15:
Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro;
e ela ilumina todos os que estão na casa.
A finalidade do candeeiro é elevar a luz. Hoje, as pessoas podem fazer um candeeiro muito refinado, muito artístico, e colocá-lo em casa como enfeite. Mas Deus é prático demais para isso.
Quando Deus menciona o candeeiro, Ele tem em mente uma finalidade muito específica. Essa finalidade é sustentar a luz. É dar testemunho do Senhor Jesus. Essa é a única finalidade de um candeeiro.
O candeeiro não é uma finalidade em si mesmo. O candeeiro não é um fim em si mesmo. É apenas um instrumento, um vaso, para ser usado por Deus com uma finalidade específica.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, a igreja de Deus não é um fim em si mesma. Nunca foi propósito de Deus que a igreja se tornasse um fim em si mesma. Ela é um meio para um fim, e esse fim é Cristo.
O candeeiro não existe para si mesmo; existe para a luz. A igreja não existe para si mesma; existe para Cristo. Por essa razão, a Bíblia usa o candeeiro para representar a igreja.
Se você acende uma lâmpada e a coloca debaixo de um alqueire, a luz fica encoberta. Se a coloca debaixo de um leito, a luz fica limitada. Mas, quando a coloca sobre o candeeiro, a luz se espalha.
O alqueire é usado para medir trigo, farinha, arroz e outras coisas. Em certo sentido, representa as coisas deste mundo. Se buscamos as coisas deste mundo, os cuidados desta vida ou as riquezas deste mundo, encobrimos a luz.
O leito é o lugar onde ficamos à vontade, descansamos e relaxamos. Em outras palavras, representa a busca de conforto e comodidade na vida. Mais uma vez, limitamos a luz de Cristo.
Mas, irmãos e irmãs, quando há um candeeiro, a luz não fica limitada e brilha por toda parte. Creio que há um significado muito profundo no fato de a Bíblia usar o candeeiro para representar a igreja.
Não há uma descrição dos candeeiros em Apocalipse. João simplesmente viu sete candeeiros de ouro. Mas João, sendo judeu e conhecendo bem o Antigo Testamento e o serviço do templo, não precisava de uma descrição, porque o candeeiro do templo já havia sido descrito no Antigo Testamento.
Nas Escrituras, às vezes encontramos diferentes maneiras de apresentar a mesma coisa. Às vezes, a Bíblia diz que temos um tesouro em vasos de barro.
Somos vasos de barro. Quer consideremos isso individualmente, quer coletivamente, não passamos de vasos de barro. Em nós mesmos, não somos nada — de pouco valor, comuns, sem nada de especial. É isso que somos por natureza.
Mas, graças a Deus, Ele colocou um tesouro no vaso de barro. Se você tivesse um tesouro, colocaria esse tesouro em um vaso de barro? Provavelmente, se tivesse um tesouro, você o colocaria em um cofre de ouro ou em algo mais apropriado. Não parece adequado colocar um tesouro em um vaso de barro.
Mas esta é a maravilha de Deus: Ele colocar o tesouro no vaso de barro. É claro que o tesouro fala de Cristo. Ele é o tesouro. No entanto, Deus colocou Cristo em nós, que não passamos de vasos de barro.
Espero que nunca nos passe pela cabeça pensar que, por termos crido no Senhor Jesus, por termos sido salvos pela Sua graça e por Ele nos ter abençoado tanto, somos alguma coisa em nós mesmos. Isso é insensatez.
É a misericórdia de Deus. É a graça de Deus. Quanto a nós, não passamos de pó e cinza. Somos vasos de barro — muito frágeis e fáceis de quebrar.
Pensamos que somos fortes. Pensamos que já chegamos a algum lugar. Mas então acontece uma pequena coisa, e ficamos assustados. Não, não passamos de vasos de barro. Mas, graças a Deus, há um tesouro.
Quando pensamos na graça de Deus, é assim que nos sentimos, e continuaremos a nos sentir assim para sempre. Mas, por outro lado, há outra maneira de apresentar essa realidade: a perspectiva da responsabilidade.
Quando você olha do ponto de vista da responsabilidade, e não da graça, é preciso haver adequação. Deus não confiará Sua luz a um alqueire. Deus não confiará Sua luz a um leito. Deus confia Sua luz a nós; portanto, é preciso haver adequação, uma semelhança espiritual.
Essas duas coisas não são contraditórias; elas se complementam. Quando olhamos para nós mesmos, somos sempre indignos, como vasos de barro. Mas, graças a Deus, há um tesouro no vaso de barro, e isso faz brotar de nós adoração e louvor.
Mas, quando olhamos para o propósito de Deus e para a responsabilidade, há uma exigência tremenda sobre nós. Deus exige que sejamos adequados a Ele. Ele não pode confiar a Si mesmo a algo que não seja adequado a Ele.
João, no dia do Senhor, provavelmente estava sentado sobre uma rocha na ilha de Patmos, olhando para o leste, em direção à província romana da Ásia, onde se encontravam as sete igrejas.
Não sei qual era o seu sentimento interior ao pensar nas sete igrejas da Ásia. Quando Paulo escreveu aos filipenses, pôde dizer que cada lembrança deles trazia ações de graças e louvor a Deus.
Irmãos e irmãs, se vocês trabalham entre os crentes e dedicam a vida a eles, qual é o seu sentimento interior quando se lembram deles diante de Deus? Isso traz doces lembranças, encorajamento e alegria? Ou traz dor e tristeza porque eles não são o que deveriam ser?
Fico imaginando o que se passava pela mente de João quando se lembrava de Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. Elas lhe davam muita alegria ou muita preocupação? Não sei.
Então ele ouviu a voz:
O que vês, escreve em um livro e envia-o às sete igrejas.
A voz vinha de trás dele; então ele se voltou e viu os sete candeeiros de ouro, que representavam as sete igrejas da Ásia.
Vocês conseguem visualizar a cena? João estava olhando para o leste, e sua mente estava voltada para as sete igrejas da Ásia. Mas o Senhor o fez voltar-se para ver sete candeeiros de ouro na presença do Senhor.
Em outras palavras, se olharmos apenas para as igrejas que conhecemos, nunca nos elevaremos acima da situação. Irmãos e irmãs, vocês nunca verão o que é a igreja se tudo o que estiverem olhando forem as igrejas que conhecem.
A razão pela qual vocês não têm a visão do candeeiro de ouro é que veem apenas as igrejas ao seu redor. Nunca conseguimos nos elevar acima daquilo que vemos.
Esse é o problema de muitos crentes. Quanto mais você ama o Senhor e quanto mais anseia pela plenitude, mais percebe que a condição real é diferente. E você se pergunta: “Será que existe algo mais?”
O Senhor desviou João daquilo que era temporário, terreno e imediato — não para que ele se tornasse cego a essa situação. Mas o Senhor queria que João tivesse uma visão do vaso do testemunho conforme Deus o havia determinado.
Se tudo o que você vê de Cristo é Jesus de Nazaré, o Homem que andou na terra, fez o bem e realizou maravilhas, você ainda pode se escandalizar com Ele. Saulo chegou à conclusão de que Jesus de Nazaré precisava ser eliminado.
Mas, no caminho de Damasco, Saulo viu Cristo em glória, e essa visão o libertou. Irmãos e irmãs, se o que vemos é apenas o físico — apenas aquilo que podemos tocar com as mãos, ver com nossos olhos naturais e ouvir com nossos ouvidos naturais —, somos as pessoas mais sem esperança deste mundo.
Graças a Deus, Ele nos desvia da perspectiva terrena e nos volta para Si mesmo, para vermos o vaso que Deus determinou para o testemunho de Jesus. Se você puder vê-lo, não importa o que aconteça na terra, haverá algo pelo qual você poderá viver.
O Senhor fez João voltar-se. O segundo olhar é o correto, mas não o primeiro. Quando João se voltou, viu os sete candeeiros de ouro, com o Filho do Homem no meio deles. Irmãos e irmãs, essa é uma bela imagem.
O vaso do testemunho de Deus, conforme Deus o determinou, é perfeitamente adequado ao testemunho. Se vocês leem o Antigo Testamento, sabem que os sete candeeiros de ouro que apareceram diante de João correspondiam ao candeeiro de ouro no lugar santo.
Se queremos ver como é o candeeiro de ouro, precisamos voltar a Êxodo 37. Ali encontramos Deus ordenando a Moisés que fizesse um candelabro de ouro, um candeeiro de ouro, e a Bíblia diz que ele era de ouro puro.
Não era uma liga metálica. Nenhuma mistura. Nada impuro. Era ouro puro.
O ouro nas Escrituras sempre representa a natureza de Deus, a glória de Deus. Ele nunca muda. O ouro puro fala de Deus, e somente de Deus.
O que é, então, a igreja de Deus? É verdade que a igreja de Deus é constituída de pessoas. Todos sabemos que a igreja de Deus não é constituída de edifícios. Chamamos um edifício de “igreja”, mas ele é apenas um edifício onde a igreja se reúne.
Pedro diz que, ao nos aproximarmos do Senhor, somos como pedras vivas sendo edificadas juntas para formar uma casa espiritual. A igreja de Deus é constituída de pedras vivas, todas provenientes daquela única peça: Cristo.
Que tipo de vaso é a igreja para o testemunho de Jesus? Lembrem-se de uma coisa: não podemos dar testemunho de Jesus a menos que o vaso seja puramente de Deus.
A igreja de Deus é constituída de pessoas que Deus chamou de toda nação, tribo, povo e língua, e reuniu em Cristo. Graças a Deus, de toda nação, de toda tribo, de todo povo e de toda língua, Deus nos chamou e nos reuniu em Cristo.
Mas lembrem-se: depois que somos chamados e reunidos a Ele, algo acontece. Deus atrai os gentios e atrai os judeus, fazendo dos gentios e dos judeus um só corpo. Mas, quando esse único corpo aparece, ele não é judeu nem gentio.
Algo aconteceu. Tudo o que não é ouro puro é eliminado pela cruz. Somente aquilo que pode passar pelo fogo e sair em ressurreição constitui o vaso.
Não pensem que você e eu podemos fazer a igreja. Se você e eu, e todos nós aqui, fizermos a igreja, ela será um campo de batalha. Se não for um campo de batalha, será um tribunal.
O candeeiro de ouro é feito de ouro puro. É Cristo em você. É Cristo em mim. É Deus em você e Deus em mim. Ouro puro — esse é o candeeiro.
Isso exige que sejamos eliminados pela cruz. Sempre que tentamos introduzir a nós mesmos na igreja, ou introduzir qualquer mistura na igreja, trazemos uma sombra. Isso afeta o testemunho.
A igreja, no pensamento de Deus, é um candeeiro de ouro puro. Há uma perfeita adequação em sua substância.
Isso não é mera imaginação. De Gênesis a Apocalipse, vocês encontram essa verdade. Na figura de Adão e Eva, Adão representa Cristo, e Eva representa a igreja. Como Eva veio a existir? Ela foi edificada por Deus a partir daquilo que foi tirado de Adão. Havia uma perfeita adequação.
Irmãos e irmãs, somente aquilo que é Cristo e somente aquilo que é Deus em nós pode ser usado como material para a edificação do vaso. Nada mais. Quanto entulho nós temos!
Esse ouro puro foi transformado no candeeiro de ouro por meio de trabalho a martelo. Ali estava um talento de ouro, uma peça maciça, e então o ourives começou a martelá-la. Não sei quanto tempo isso levou, mas ela foi martelada, martelada e martelada.
Era um trabalho lento e minucioso. No entanto, aos poucos, a forma de um candeeiro começou a aparecer. Era uma obra batida.
Muitas vezes pensamos que é a nossa carne que precisa ser martelada. Certamente, a carne, a vida humana e o mundo precisam ser eliminados. Eles não são moldados a martelo; são eliminados.
Mas vocês sabem que até mesmo o Cristo que recebemos em nós — a nova vida de Cristo em nós — precisa ser trabalhado a martelo para tomar forma? A finalidade das marteladas é dar forma.
Quantas vezes precisamos receber esses tratamentos! Um cristão que nunca foi martelado nunca poderá ser ajustado aos outros irmãos e irmãs.
A razão pela qual precisamos da disciplina, da correção e das marteladas do Senhor não é que Ele esteja nos punindo. De modo nenhum. Muitas vezes pensamos que, quando Deus nos trata, Ele está nos punindo. Mas não é assim.
Ele está nos moldando de acordo com o Seu propósito. É por isso que aceitamos as marteladas. Irmãos e irmãs, é porque temos Cristo em nós, porque temos a Sua vida em nós, que podemos suportar as marteladas. Há algo em nós que pode tomar forma.
As Escrituras dizem que, se não fôssemos filhos, Deus não nos corrigiria. Mas, porque somos filhos, Ele nos trata como filhos. Ele quer nos amadurecer, nos formar e nos moldar.
Uma igreja nunca pode ser edificada em um dia. Quantas vezes Deus reúne o Seu povo, por assim dizer, em uma única peça e começa a martelar! Você não pode escapar, porque está unido aos outros.
Mas, aos poucos, vocês são formados juntos e ajustados uns aos outros, e o candeeiro começa a tomar forma. Ele deve ser um candeeiro — nada mais —, apenas um candeeiro para elevar a luz.
Quando você olha para o candeeiro de ouro, descobre que ele tem uma base, uma haste e sete braços. Cada braço é trabalhado a martelo em uma bela obra: um cálice, um botão e uma flor; um cálice, um botão e uma flor.
Os cálices tinham a forma de amêndoas. O que é um cálice? Um cálice é um recipiente. Um cálice é feito para receber algo e ser preenchido.
Um cálice é um vaso vazio, pronto para receber as riquezas do céu. Irmãos e irmãs, se queremos ser um vaso do testemunho de Jesus, precisamos ser moldados a martelo na forma de um cálice.
Precisamos ser aqueles que recebem. Precisamos ser capacitados a receber Cristo em toda a Sua plenitude.
O cálice tinha a forma de uma amêndoa. A amêndoa nas Escrituras fala de ressurreição, porque a amendoeira é a primeira a florescer depois do inverno. Ela fala da vida de ressurreição.
Vocês acham que podemos receber Cristo na carne? O homem natural não conhece as coisas de Deus; elas são loucura para ele. Até mesmo receber Cristo precisa acontecer no terreno da ressurreição.
Você não pode receber Cristo apenas com a sua mente natural ou com a sua capacidade natural. Não, você não será capaz. O Cristo de Deus está além da capacidade natural de recebê-Lo. É por isso que você precisa de revelação.
É no terreno da ressurreição que O recebemos como nossa porção, até que o nosso cálice transborde.
Quando o cálice transborda, ele se torna um botão. O que é um botão? Um botão é uma concentração, uma solidificação de tudo o que foi recebido.
O Senhor derrama Suas riquezas em nosso cálice, e somos cheios Dele. Então, aos poucos, Ele estabelece e solidifica aquilo que recebemos, tornando-o uma força concreta em nós — não apenas beleza, mas força.
Muitas vezes o Senhor Se derrama sobre nós, e nosso cálice transborda. Como ficamos felizes! Então, justamente nesse momento, vem a prova.
Você pode pensar que, se está cheio de bênçãos, deve estar sempre alegre. Sim, você está alegre; seu cálice transborda. Mas, quando ele começa a transbordar, você percebe que aquilo começa a se solidificar. Vem a correção. Vem o teste. Vêm as provações.
Você pode estar cheio do amor de Cristo e dizer: “Ah, vejam como amamos uns aos outros.” Então acontece alguma coisa. Você começa a enxergar aquilo que não é amável em seus irmãos e irmãs, e eles se tornam insuportáveis.
Mas, sob pressão, você se solidifica. Há força, até que você seja estabelecido no Senhor. Quando você é estabelecido, a beleza do Senhor desabrocha em flores.
Ao longo dos braços, você encontra cálice, botão, flor; cálice, botão, flor; cálice, botão, flor. Você encontra o crescimento de Cristo na igreja.
Tudo isso vem por meio do trabalho a martelo. Nada é barato. Nada é fácil. Tudo vem por meio dos tratamentos.
Você pode perguntar: “Por que tanto trabalho? Afinal, o candeeiro não existe para si mesmo; serve apenas para elevar a luz. Por que não ter uma simples haste erguida? Isso não seria suficiente?”
Mas, quando você entra no templo, descobre que o sacerdote acende as lâmpadas, e a luz se reflete sobre o trabalho elaborado do candeeiro.
Em outras palavras, é verdade que a igreja é um candeeiro para elevar Cristo. Mas, quando Cristo é elevado, Ele é refletido na igreja. Ele não é visto de maneira abstrata.
O testemunho de Jesus deve ser manifestado de maneira prática na igreja. A igreja não é a finalidade, e a igreja não é o objeto; Cristo é o objeto. Mas como o testemunho de Jesus será visto, ouvido e manifestado a este mundo? Por meio da igreja.
Por essa razão, todos esses tratamentos são absolutamente necessários. Deus Se empenha profundamente em preparar o Seu vaso para o testemunho de Jesus, para que o Seu testemunho não seja distorcido.
No Antigo Testamento, na tenda da congregação, havia um candeeiro de ouro com sete braços. Mas, em Apocalipse 1, em vez de um candeeiro de ouro com sete braços, há sete candeeiros separados. Há uma mudança.
Por um lado, os sete candeeiros de ouro são, em princípio, o mesmo que o único candeeiro de ouro com sete braços. No entanto, há uma variação, porque o Espírito Santo está nos ensinando lições diferentes.
Não tentem separar essas visões como se fossem duas coisas inteiramente diferentes. Não, elas são uma só, mas nos mostram ênfases diferentes.
Na tenda da congregação, o candeeiro de ouro era um só, com sete braços. Nas Escrituras, o número sete fala de perfeição. Aqui, essa perfeição é a perfeição da unidade, de serem um só.
Há uma unidade ali, e essa unidade está em sua perfeição no candeeiro de ouro com sete braços. Mas, quando vocês chegam a Apocalipse, encontram sete candeeiros de ouro separados. Por quê? Porque isso fala de responsabilidade.
Quando se trata de responsabilidade, cada igreja local precisa ser responsável pelo testemunho de Jesus.
Vocês acham que, por haver sete igrejas na Ásia, não havia unidade? Havia unidade, mas não era uma unidade física. Os sete candeeiros de ouro eram unidos pelo Filho do Homem que estava no meio deles. Ele os unia.
Quando você passa a ver a igreja como o vaso e o instrumento de Deus para o testemunho de Jesus, vê dois aspectos da igreja.
Por um lado, a igreja é uma só universalmente: um candeeiro de ouro com sete braços. Não importa quantas pessoas constituam o povo de Deus, nem onde estejam espalhadas no tempo e no espaço, o povo de Deus é um só. A igreja é uma só.
Foi isso que nosso Senhor Jesus disse em Mateus 16. Quando Pedro confessou o Senhor Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Senhor disse:
Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas:
porque não foi carne e sangue que te revelaram isso, mas Meu Pai, que está nos céus.
E também Eu te digo que tu és Pedro,
e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja;
e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Edificarei a Minha igreja.
O próprio Senhor é o Edificador. A igreja é uma só — “Minha igreja”. Ela pertence a Ele.
A igreja é edificada sobre esta rocha: a revelação e a confissão de Jesus Cristo. Porque Pedro recebeu a revelação e confessou Cristo, ele se tornou uma pedra viva para ser edificada sobre o fundamento com outras pedras vivas.
As portas do Hades não prevalecerão contra ela. Não importa o quanto a igreja seja combatida, as chaves da morte e do Hades estão na mão do Senhor.
Toda essa questão é espiritual: revelação, confissão e o próprio Senhor realizando a edificação. A igreja é uma só.
Precisamos ver a igreja universalmente. Todos os que pertencem ao Senhor são edificados sobre a única rocha para formar a Sua igreja. Ao longo dos séculos, as portas do Hades tentaram engoli-la, mas a igreja continua aqui.
Mas, quando vocês chegam a Mateus 18, veem outro aspecto. Nosso Senhor Jesus mencionou a palavra “igreja” apenas duas vezes nos Evangelhos: uma vez em Mateus 16 e outra em Mateus 18.
Em Mateus 18, Ele disse que, se o seu irmão pecar contra você, vá até ele em amor — não em acusação — e procure restaurá-lo. Se ele não ouvir, leve com você um ou dois irmãos como testemunhas. Se ainda assim não ouvir, diga-o à igreja.
Se ele não ouvir a igreja, considere-o, então, como gentio e publicano.
Se o seu irmão pecar contra você, naturalmente esse irmão deve estar perto de você. Se um irmão mora na África do Sul e você mora aqui, é difícil que ele peque contra você de maneira direta e pessoal.
Nós temos um problema. Dizemos que amamos todos os irmãos e irmãs da Inglaterra, mas muitas vezes achamos difícil amar os irmãos e irmãs que estão conosco. Deus os colocou perto de nós, e é aí que começamos a ter problemas.
Aprenda a amar o seu irmão. O amor fará com que você esteja disposto a enfrentar todas as dificuldades necessárias para restaurá-lo.
Se ele não quiser ouvir, diga-o à igreja. Mas onde está a igreja? A igreja universal ocupa toda a terra. Como você pode dizer isso a toda a igreja universal? Ela é grande demais.
Portanto, “igreja” aqui deve significar a assembleia local, onde o povo de Deus se reúne no mesmo lugar: a igreja local.
Na igreja universal, o conflito é espiritual. Mas, quando se trata da igreja local, o seu problema é com o seu irmão ou a sua irmã.
O candeeiro de ouro com sete braços enfatiza a igreja universal. Os sete candeeiros de ouro separados, unidos pelo Filho do Homem, representam as assembleias locais.
No tempo do apóstolo João, havia mais de sete assembleias locais na Ásia. Mas o Espírito Santo usou essas sete assembleias locais para representar esse aspecto da igreja.
O vaso do testemunho de Jesus é a igreja universal: uma só igreja. Todos os que pertencem ao Senhor são edificados sobre a rocha.
Mas, porque ainda estamos no corpo e ainda somos limitados pelo tempo e pelo espaço, a expressão prática desses princípios se dá no aspecto local.
Deus, soberanamente, coloca o Seu povo em determinado lugar. Ali, eles se tornam aquele candeeiro de ouro, para elevar a luz e brilhar nas trevas, a fim de que o testemunho de Jesus seja conhecido.
Assim como a igreja universal é uma só, a igreja local é uma só. Não havia dois candeeiros em Éfeso — apenas um. Um candeeiro em Éfeso, um em Esmirna, um em Pérgamo, um em Tiatira, um em Sardes, um em Filadélfia e um em Laodiceia.
Ah, como o povo de Deus deve manifestar a unidade em Cristo nesse testemunho de Jesus!
Como Deus está edificando a Sua igreja? Será que Ele edifica a igreja enviando materiais para o céu e construindo-a lá? Não. Ele está edificando a igreja bem aqui — bem aqui.
É por isso que, nos três primeiros capítulos de Apocalipse, recebemos a visão dos sete candeeiros de ouro. Este é o tempo em que o Espírito de Deus está trabalhando, edificando e aperfeiçoando o vaso para o testemunho de Jesus.
Mas, quando vocês chegam aos dois últimos capítulos de Apocalipse, o que veem? Não veem sete cidades; veem apenas uma cidade.
Se você tentar visualizar a descrição que está ali, essa cidade é um candeeiro gigantesco. Os doze fundamentos servem de base, e a muralha serve de haste.
Ali vocês encontram Deus e Cristo. Por fim, há um único candeeiro gigantesco — apenas um.
Deus está trabalhando por meio das assembleias locais, porque essa é a única maneira prática de realizar essa obra. Se vocês permitirem que Ele a realize, por fim a verão concluída e consolidada na única cidade santa, o gigantesco candeeiro de ouro.
A luz brilhará pelos séculos dos séculos.
Irmãos e irmãs, precisamos ter uma visão do Filho do Homem, e precisamos ver o Filho do Homem no meio dos sete candeeiros de ouro.
Creio que Deus quer que nos voltemos para longe de tudo e de qualquer coisa, para que tenhamos a oportunidade de contemplar uma visão de Cristo no meio das Suas igrejas.
Não somos visionários, mas precisamos ter visão. Se não há visão, o povo se dispersa e se desintegra.
Irmãos e irmãs, é isso que está acontecendo hoje. O problema do povo de Deus é a falta de visão.
Não falta atividade. Não falta zelo. Mas a única coisa que falta entre o povo de Deus é a visão que João teve na ilha de Patmos: o Filho do Homem no meio dos sete candeeiros de ouro.
Irmãos e irmãs, uma vez que vocês são tomados por Ele e por essa visão, já não há outra alternativa.
A visão nos une a Deus e nos une uns aos outros.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, reconhecendo a importância do vaso, que a luz seja elevada. Por essa razão, precisamos nos entregar ao Senhor e permitir que Ele realize essa obra. Vamos fazer algumas orações diante do Senhor.