Boa noite.
Nós Te louvamos e Te agradecemos porque estamos em terra santa. Senhor, tiramos as sandálias do nosso coração e nos prostramos diante de Ti. Sim, fala; os Teus servos ouvem. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Agradecemos ao Senhor por nos conceder este tempo. Agradecemos a vocês, queridos irmãos e irmãs, que vieram de diferentes lugares para estar conosco.
Acho que talvez seja necessária uma breve explicação. Quando receberam o comunicado, vocês viram que se tratava de uma conferência local. A razão é que sentimos a necessidade de um tempo como este.
Recebemos com alegria nossos irmãos e irmãs de outros lugares, que vieram estar ao nosso lado e nos ajudar a buscar o Senhor juntos.
Pela graça de Deus, estamos nos reunindo aqui há vinte anos. E, se a história pode nos ensinar alguma coisa, sentimos que vinte anos representam um momento decisivo — talvez vinte, talvez trinta, talvez uma geração. Mas vemos que, muitas vezes, esse período é um tempo para o povo de Deus voltar ao Senhor e refletir diante Dele.
Moisés, no Salmo 90 — uma oração de Moisés —, muito provavelmente olhou para trás, para os quarenta anos de experiência no deserto, e refletiu diante de Deus. Ele declarou que Deus tem sido a nossa morada em todas as gerações.
Ele orou para que Deus nos ensinasse a contar os nossos dias, para que adquiríssemos um coração sábio. E pediu a Deus que voltasse para eles e estabelecesse as Suas obras entre nós.
E, irmãos e irmãs, é assim que nos sentimos. Há vinte anos — na verdade, isso começou há mais de vinte anos —, alguns de nós, depois de esperar diante do Senhor e nos humilhar sinceramente, sentimos que o Senhor queria que nos reuníssemos como um testemunho do Seu nome.
Isso não foi feito às pressas. Depois de muita oração e espera, sentimos o chamado do Senhor. Entendemos que Deus estava nos chamando para nos reunir por causa Dele mesmo.
E, desde então, temos nos reunido durante estes vinte anos. Agora, vinte anos se passaram. Começamos a nos perguntar se somos fiéis àquilo para o qual o Senhor nos chamou; se, de alguma maneira, inconscientemente, nos desviamos; se estamos nos distraindo; se a nossa visão se tornou menos nítida; ou se perdemos a nossa visão.
Sentimos a necessidade de nos retirar por um tempo, esperar Nele e deixar que a Sua luz brilhe sobre nós, para que nos arrependamos e voltemos.
Estamos felizes porque nossos irmãos e irmãs de diferentes lugares vieram nos ajudar. Assim, estamos juntos.
Muitas vezes nos perguntam: “Quem são vocês?” E acreditamos que devemos dar uma resposta. Mas nos perguntamos: conhecemos essa resposta? Temos certeza? Temos clareza?
Conhecer a nós mesmos é muito importante — não apenas individualmente, mas também coletivamente. O conhecimento de nós mesmos é importante para o conhecimento de Deus, e vice-versa. Se não conhecemos a nós mesmos, não somos capazes de conhecer a Deus. Se não conhecemos a Deus, não podemos conhecer a nós mesmos.
É importante que cada um de nós saiba quem é. É importante que todos nós saibamos quem somos.
Não podemos nos basear no que as pessoas dizem que somos. Abram em 1 Coríntios 4:3-4.
Mas, para mim, mui pequena coisa é ser julgado por vós, ou por juízo humano; nem eu tampouco julgo a mim mesmo.
Porque de nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado: mas Quem me julga é o Senhor.
O apóstolo Paulo diz: “É uma coisa muito pequena se sou examinado pelas pessoas”. As pessoas vão subestimar você ou superestimar você. Vão elogiar você ou amaldiçoar você. Não se pode tomar como base o que as pessoas dizem que você é.
Mas será que podemos nos basear no que nós mesmos dizemos que somos — no que pensamos que somos? Abram em Isaías 50:10-11.
Quem há entre vós que tema ao Senhor, que ouça a voz do Seu servo, que ande em trevas e não tenha luz? Confie no nome do Senhor e firme-se sobre o seu Deus.
Eis que todos vós, que acendeis fogo e vos cingis de tições, andai na chama do vosso fogo e entre os tições que acendestes. Isto vos virá da Minha mão: em tormentos vos deitareis.
Se acendermos o nosso próprio fogo e nos cercarmos das faíscas que produzimos — em outras palavras, se tentarmos julgar a nós mesmos pela nossa própria luz —, qual será o resultado? O Senhor diz:
Em tormentos vos deitareis.
A introspecção nunca nos ajuda. Ou nos deprime, ou nos exalta além da medida. É muito perigoso tentar decifrar a nós mesmos, porque o nosso coração é enganoso acima de todas as coisas e incurável. Quem o conhece?
A única maneira de conhecer a nós mesmos não é pelo que as pessoas dizem, nem pelo que nós mesmos pensamos, mas pelo que Deus diz. Salmos 36:9:
Porque em Ti está a fonte da vida:
Na Tua luz veremos a luz.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, a única maneira de saber quem somos é nos colocar na luz de Deus. Deixemos que a Sua Palavra nos examine. Somente quando estamos na Sua luz é que sabemos quem somos, assim como Ele nos conhece. Essa é a única maneira segura de conhecer a nós mesmos.
Vocês sabem, sempre que há um novo mover do Espírito de Deus, ele levanta muitas perguntas — não apenas no mundo, mas especialmente no mundo religioso.
Vamos ler primeiro a passagem: João 1:19-23.
E este é o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu?
E confessou, e não negou; e confessou: Eu não sou o Cristo.
E perguntaram-lhe: Então, quem és? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu o profeta? E respondeu: Não.
Disseram-lhe, pois: Quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?
Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.
Depois que os filhos de Israel voltaram do cativeiro babilônico, reconstruíram o templo. Durante aquele período, foram gradualmente desenvolvendo um sistema de culto. O judaísmo começou a assumir sua forma própria.
Eles tinham não apenas a lei e todos os serviços do templo, mas também as interpretações da lei e as tradições dos pais. Aquilo se tornou judaísmo — um “ismo” —, em vez de uma fé viva.
Foi estabelecida uma hierarquia religiosa, no topo da qual estava o Sinédrio, composto pelos principais sacerdotes, pelos escribas e pelos anciãos. A vida religiosa do povo judeu estava sob controle rigoroso — muito legalista, com pouca ou nenhuma vida.
Mas tudo seguia tranquilamente, em paz. Durante quatrocentos anos, não houve voz do céu; ainda assim, eles continuaram seguindo com muita tranquilidade, em muita paz. Era um vazio espiritual — havia pouca ou nenhuma realidade naquilo, embora houvesse uma forma.
Então, de repente, uma voz veio do deserto. Deus havia falado ao Seu povo. Aquela voz eletrizou toda a nação. As pessoas afluíam ao deserto para ouvir a voz. Ela era poderosa, mas perturbava a paz.
Os judeus em Jerusalém representavam o sistema religioso daquela época. Eles eram a autoridade eclesiástica. Não podiam permitir que aquilo continuasse sem examiná-lo cuidadosamente. Aquilo era um desafio para eles.
Por isso, enviaram emissários — sacerdotes e levitas, profissionais — para investigar e examinar aquela voz não ortodoxa, a voz de João. Disseram: “Então, quem é você? Quem é você?”
Naqueles dias, as pessoas esperavam o Messias. Por isso, alguns pensavam: “Será que este é o Messias?” Lucas 3:15 nos diz isso, embora vocês não precisem abrir nessa passagem.
Portanto, evidentemente perguntaram a João: “Então, quem é você? Você é o Messias, o Cristo?” João confessou e não negou. Confessou:
Eu não sou o Cristo.
Ele não se sentiu, de modo algum, lisonjeado pela pergunta. Não se deixou, de modo algum, enganar pelo próprio sucesso. Ele sabia quem não era. Declarou isso com muita clareza e pôs fim àquele tipo de suposição:
Eu não sou o Cristo.
Graças a Deus.
Então disseram: “Se você não é o Cristo, você é Elias?” Porque a última palavra do Antigo Testamento, em Malaquias 4, nos diz que Deus enviaria Elias antes do grande e terrível dia do Senhor.
Certamente João veio no espírito e no poder de Elias, mas sabia que não era Elias. Por quê? Porque, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor, graças a Deus, há o glorioso e misericordioso dia da graça.
Se Elias viesse naquele sentido específico, aquela seria a última oportunidade do povo antes do juízo. Por isso, João Batista disse: “Não, não. Eu não sou Elias”.
Então continuaram a percorrer a lista e disseram: “Você é o profeta?” Vocês se lembram de que, em Deuteronômio 18:15-19, Moisés disse que um dia Deus levantaria entre eles um profeta semelhante a ele.
Quando Deus falou no Sinai, o povo ficou com medo. Tiveram medo da Sua voz e medo do fogo. Disseram: “Você, Moisés, seja o nosso mediador, porque não podemos suportar isso”. Então Moisés disse que um dia Deus levantaria um profeta semelhante a ele e que, se não O ouvissem, pereceriam.
João disse: “Não, eu não sou o profeta”. Por quê? Porque o profeta anunciado por Moisés — o Mediador — não é outro senão o próprio Cristo. Por isso, ele disse: “Eu não sou o profeta”.
Aqueles emissários, homens práticos, haviam percorrido toda a sua lista teológica. Tinham esgotado a sua teologia sistemática. Então começaram a dizer: “Precisamos dar uma resposta àqueles que nos enviaram. Agora, diga você quem é. Nós não sabemos”.
As autoridades religiosas não sabiam. Ora, não é verdade que isso acontece repetidamente? Fizeram isso até com o nosso próprio Senhor.
Vocês se lembram de quando nosso Senhor foi a Jerusalém e purificou o templo. Ele disse:
Fizestes da casa de Meu Pai uma casa de comércio.
Então as autoridades vieram e disseram: “Mostra-nos um sinal para provar que podes fazer essas coisas”.
No final do ministério do nosso Senhor, Ele teve de purificar o templo uma segunda vez. Novamente vieram e disseram: “Com que autoridade fazes isso?”
No começo, até os fariseus se perguntavam a respeito Dele. Nicodemos veio ao nosso Senhor Jesus à noite e disse: “Sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Tu és diferente”. Eles estavam dispostos a ouvi-Lo.
Eles O seguiam por onde quer que fosse. Examinavam-No com muito cuidado, com uma lupa. Gradualmente descobriram que Ele não se encaixava na teologia deles. Ele não se encaixava na tradição deles nem no conceito que tinham do Messias.
Eles se escandalizaram com Ele. Tornaram-se cada vez mais hostis a Ele. Queriam se livrar Dele, porque, se Ele vivesse, eles morreriam — o sistema morreria.
Pensaram que tinham se livrado Dele. Mas eis que, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre cento e vinte crentes.
O Senhor voltou ao céu, mas um corpo de Cristo nasceu na terra. Eles começaram a dar testemunho do Senhor. Como era poderoso o seu testemunho: “O Senhor ressuscitou. Ele está vivo. Por isso, estamos aqui”.
A hierarquia religiosa pensava que havia se livrado de Cristo e que agora poderia viver em paz. Para sua surpresa, foi novamente desafiada e perturbada.
Então prenderam Pedro e João e disseram: “Com que poder e em que nome vocês fizeram isso?” Um homem coxo havia sido curado.
Pedro e João sabiam quem não eram. Disseram: “Não olhem para nós. Não é pelo nosso poder. Foi o nome do Senhor Jesus que curou aquele homem, porque não há outro nome nesta terra, senão o nome de Jesus, dado pelo qual devamos ser salvos”.
Os apóstolos foram questionados e perseguidos porque não eram ortodoxos. É claro que isso não aconteceu apenas com Pedro e João. Ao ler o livro de Atos, vocês veem que aconteceu também com Paulo.
“Não ortodoxo! Pregando aos gentios! Como você ousa fazer isso?” Mas o testemunho de Paulo foi:
Não fui desobediente à visão celestial.
Vocês sabem, podemos percorrer dois mil anos de história da igreja e ver que isso tem acontecido ao longo de toda a sua história. Não posso percorrer dois mil anos com vocês — se fizéssemos isso, vocês ficariam aqui mil dias.
Mas, na história da igreja, vemos isso acontecer repetidamente. Sempre que há um novo mover do Espírito de Deus, ele desafia o sistema religioso existente. Os envolvidos são questionados e examinados: “Quem são vocês? Como ousam? Em que nome e com que autoridade estão fazendo isso?”
Tomem, por exemplo, a Reforma do século XVI. Depois que Lutero afixou aquelas noventa e cinco teses na porta da catedral, todo o sistema católico ficou perturbado e agitado.
Um dia, Martinho Lutero foi convocado a comparecer diante do imperador e de todas as autoridades seculares e religiosas. Foi chamado à Dieta de Worms e recebeu a ordem de se retratar de seus escritos.
Vou ler para vocês um pouco do que ele disse naquela ocasião. Quando Lutero recebeu a ordem de se retratar de seus escritos, respondeu com humildade:
Contudo, sou apenas um homem, e não Deus. Portanto, defenderei a mim mesmo como Cristo o fez. Se falei mal, dai testemunho do mal.
Quanto mais eu, que sou apenas pó e cinza e que tão facilmente posso me desviar, devo desejar que cada homem apresente sua objeção à minha doutrina?
Por essa razão, sereníssimo imperador, e vós, ilustríssimos príncipes, e todos os homens de qualquer condição, eu vos conjuro, pela misericórdia de Deus, a provar, pelos escritos dos profetas e dos apóstolos, que errei.
Assim que eu estiver convencido disso, retratarei cada erro e serei o primeiro a tomar meus livros e lançá-los ao fogo.
O que acabo de dizer mostra claramente, espero, que pesei e considerei cuidadosamente os perigos aos quais me exponho. Mas, longe de ficar desanimado, alegro-me ao ver que o evangelho é agora, como em tempos passados, causa de perturbação e dissensão. Esse é o caráter e o destino da Palavra de Deus.
Visto que vossa sereníssima majestade e vossas altezas exigem de mim uma resposta clara, simples e precisa, eu a darei, e é esta: não posso submeter minha fé ao papa nem aos concílios, porque é claro como o dia que eles frequentemente erraram e se contradisseram.
Portanto, a menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras e pelo raciocínio mais claro; a menos que eu seja persuadido pelas passagens que citei; e a menos que elas tornem minha consciência cativa da Palavra de Deus, não posso nem quero me retratar. Pois não é seguro nem correto que um cristão fale contra a sua consciência.
Então, olhando ao redor para a assembleia diante da qual estava e que tinha sua vida nas mãos, ele disse:
Aqui estou. Não posso agir de outra maneira. Que Deus me ajude. Amém.
Quem são vocês?
“Vocês não parecem se encaixar no sistema católico. Também não se encaixam em um sistema protestante. Não pertencem ao cristianismo tradicional. O que são vocês? São uma heresia?”
“Bem, vocês pregam Jesus Cristo, e Este crucificado. Vocês são uma seita?” Ora, se seguir somente o Senhor é ser uma seita, então somos uma seita, porque não seguimos homens.
“Vocês são um grupo ocultista, que lida com espíritos malignos?” Não. Obedecemos ao Espírito Santo de Deus.
“Vocês são místicos?” Sim, cremos na união com Deus por meio de Jesus Cristo. Mas não somos contemplativos, nem puramente subjetivos. Cremos na Palavra de Deus. Não somos místicos.
“Vocês são carismáticos?” Sim, cremos nas manifestações do Espírito Santo, mas honramos o próprio Espírito mais do que apenas os dons.
“Vocês pertencem ao movimento dos Irmãos?” Sim, concordamos com eles em muitos ensinamentos e práticas, mas não pertencemos a eles. Na verdade, em algumas ocasiões, em alguns lugares, fomos excomungados.
“Vocês não são isto. Não são aquilo. Quem são vocês?”
Deixem-me dar uma ilustração. Quando o Senhor levantou um novo mover na China, na década de 1920, alguns irmãos e irmãs na China começaram a se reunir.
Isso começou com alguns poucos em Xangai, em 1927. O Senhor lhes deu uma visão, um encargo e um testemunho. Gradualmente, aquilo começou a crescer. O Espírito de Deus Se moveu em outras partes da China, e as pessoas começaram a ver a mesma coisa.
Era tão diferente do cristianismo tradicional que começaram a perguntar: “Quem são vocês?” O mundo religioso na China tentou descobrir quem eles eram, mas não conseguiu.
Por fim, encontraram uma pista. “Vocês não são isto; não são aquilo. Então, quem são vocês? Bem, vocês têm um hinário. Ele se chama Hinos para o Pequeno Rebanho. Ah, vocês são o pequeno rebanho!”
Foi assim que surgiu o nome “pequeno rebanho”. Nós nunca nos chamamos de pequeno rebanho. Não ousávamos fazer isso, porque o pequeno rebanho nas Escrituras aparece em Lucas 12:32. O Senhor Jesus disse:
Não temas, ó pequeno rebanho; porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.
Em comparação com o mundo, a igreja é um pequeno rebanho. Portanto, quando usávamos o hinário e o chamávamos de Hinos para o Pequeno Rebanho, queríamos dizer hinos para a igreja — para toda a igreja.
Mas então nos rotularam de “pequeno rebanho”. Quando ouvimos isso, rapidamente retiramos “pequeno rebanho” do hinário. Assim, nosso hinário passou a se chamar simplesmente Hinos.
Mas, infelizmente, “pequeno rebanho” pegou, e continua até hoje. Mesmo hoje, as pessoas pensam que somos o pequeno rebanho. Não ousamos dizer que somos o pequeno rebanho. Isso seria ousadia demais. Esse nome inclui toda a igreja — todo o povo de Deus.
Eu me pergunto se isso acontece porque, quando Adão e Eva comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal, aquela árvore entrou em nós. Então precisamos saber. Precisamos decifrar tudo. Se não sabemos, nos sentimos inseguros e desconfortáveis. Precisamos saber quem vocês são. Isso é o conhecimento do bem e do mal.
Portanto, espero que as pessoas não digam mais que somos o pequeno rebanho. Se as pessoas na China não podem ser chamadas de pequeno rebanho, certamente vocês não podem nos chamar de pequeno rebanho aqui.
Vieram a João e disseram: “Agora, João, esgotamos a nossa teologia sistemática. Não sabemos quem você é. Agora, diga-nos quem você é”.
Graças a Deus, João sabia quem não era e sabia quem era.
Ele lhes disse imediatamente: “Eu sou a voz no deserto, para preparar o caminho do Senhor”, como disse o profeta Isaías — Isaías 40:3.
Irmãos e irmãs, João sabia quem era pela Palavra de Deus, pelas Escrituras, pela revelação do alto.
Vocês sabem, quando seu pai, Zacarias, estava no templo, queimando incenso no altar de ouro do incenso, ele estava ali para fazer a oração da nação: “Ó Messias, vem”.
O arcanjo Gabriel apareceu a ele e disse: “Você terá um filho. Ele se chamará João”. Em Lucas 1:17, lemos:
E irá adiante da Sua face, no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os desobedientes a andar na sabedoria dos justos; para preparar ao Senhor um povo disposto para Ele.
Então, quando João nasceu, Zacarias, cheio do Espírito Santo, irrompeu em louvores. Em Lucas 1:76, ele disse:
E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo:
Porque hás de ir adiante da face do Senhor, a preparar os Seus caminhos.
Evidentemente, Zacarias compartilhou essa revelação com seu filho João. João passou seus anos de crescimento no deserto, a sós com Deus. Sem dúvida, durante aqueles dias, Deus falou com ele.
O Espírito de Deus falou com ele por meio do profeta Isaías e disse: “Você é a voz no deserto, para preparar o caminho do Senhor, para preparar para Ele um povo disposto”.
Com base na revelação da Palavra de Deus, João disse: “É isso que eu sou. Sou uma voz no deserto”. Mas uma voz para quê? Uma voz.
Como conhecemos a nós mesmos? Quem são vocês? Quem somos nós? Irmãos e irmãs, nossa ênfase não está em quem eu sou ou em quem você é individualmente. É claro que isso é importante. Precisamos saber quem somos individualmente — não pelo que as pessoas dizem, não pelo que você pensa, mas pelo que a Palavra diz e pelo que o Espírito de Deus revela a você. É isso que você é.
Da mesma maneira, cremos que aquilo que somos coletivamente precisa vir das Escrituras e precisa ser revelado pelo Espírito de Deus. Caso contrário, não será verdadeiro.
As Escrituras são a nossa única justificação e a nossa única medida. A revelação do Espírito Santo por meio das Escrituras é o único fundamento sobre o qual nos apoiamos. Quem somos nós?
Para saber quem somos, queridos irmãos e irmãs, precisamos voltar à Palavra de Deus e, assim esperamos, receber revelação do alto.
Abram em Efésios 3:10-11.
Para que agora, pela igreja, seja conhecida dos principados e das potestades nos lugares celestiais a multiforme sabedoria de Deus,
segundo o eterno propósito que Ele estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.
O que fomos destinados a ser? Nosso Deus é um Deus de propósito. Ele nunca faz nada por acaso. Nenhum acidente jamais O surpreende.
Antes mesmo da fundação do mundo, na eternidade passada, Ele estabeleceu um propósito em Seu Filho. Ele é chamado de propósito dos séculos.
Isto é, foi estabelecido antes da fundação do mundo, na eternidade passada; é aperfeiçoado ao longo dos séculos; e será concretizado na eternidade futura. É um propósito eterno — um propósito que permanece para sempre —, que nunca muda e é sempre novo.
Com esse propósito, Deus traçou um plano. Ele é chamado de conselho de Deus. Com esse plano, Ele empregou toda a Sua sabedoria e todo o Seu poder para executá-lo, a fim de que Seu propósito fosse concretizado.
O propósito de Deus nunca muda. Ele pode mudar Seus caminhos, mas nunca muda Seu propósito. O conselho de Deus nunca falha, e o poder de Deus nunca enfraquece.
Esse propósito é chamado de mistério de Deus, de mistério de Cristo. Está oculto no coração de Deus, é preciosíssimo para Ele. E, ainda assim, está oculto.
Ele nunca disse claramente a ninguém qual era o Seu propósito, embora tenha deixado pistas suficientes pelo caminho. Criou os céus e a terra e os tornou habitáveis. Depois, criou o homem.
Criou o homem à Sua própria imagem, conforme a Sua semelhança. Isso era algo que Ele nunca havia feito antes. Os anjos se perguntaram: “Por que Deus criou essa criatura dessa maneira? Deus não nos criou assim. Deus não criou toda a criação assim. Por que o homem?”
“Por que criaste o homem à Tua própria imagem e conforme a Tua própria semelhança?”
Que é o homem, para que Te lembres dele?
E o filho do homem, para que o visites?
Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos e o coroaste de glória e honra.
Puseste todas as coisas debaixo de seus pés e o fizeste governar sobre tudo o que as Tuas mãos fizeram.
“Por quê? Por que o homem?”
A criação ficou sujeita à maldição. Deus desistiu do Seu propósito? Não.
Já no jardim do Éden, um cordeiro foi morto. O homem foi vestido com peles. Depois do dilúvio, vieram o chamado de Abraão e o surgimento da nação de Israel.
Finalmente, na plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho — Seu Filho unigênito — a este mundo, para nascer de uma mulher, nascer sob a lei, libertar as pessoas da maldição da lei e lhes conceder a filiação.
De toda nação, toda tribo, todo povo e toda língua, Deus começou a reunir um povo. Sobre a obra consumada de Cristo, Deus começou a levantar um povo — uma nação — para Si mesmo.
Irmãos e irmãs, quem somos nós, individual e coletivamente? Efésios 2 nos diz.
A primeira parte de Efésios 2, de Efésios 2:1-10, nos descreve individualmente. Individualmente, estávamos mortos em pecados e transgressões, nos quais antes andávamos segundo a era deste mundo — isto é, segundo a corrente deste mundo.
Exteriormente, seguíamos a corrente do mundo, tentando estar na moda e acompanhando a multidão. Mas, na verdade, éramos impelidos secretamente pelas forças malignas das trevas.
Também vivíamos outrora nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos, e éramos, por natureza, filhos da ira, como os demais. Em outras palavras, vivíamos pelos desejos da carne. Éramos filhos da ira. Era isso que éramos.
Longe daquilo para o qual Deus nos havia criado — sem esperança. Mas graças a Deus.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo Seu grande amor com que nos amou,
estando nós ainda mortos em nossas transgressões, nos vivificou juntamente com Cristo — pela graça sois salvos —
e nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar com Ele nos lugares celestiais, em Cristo Jesus:
para mostrar, nos séculos vindouros, as abundantes riquezas da Sua graça, em Sua bondade para conosco em Cristo Jesus.
Graças a Deus, é isso que somos hoje.
Mas isso é individualmente. Não termina aí. De Efésios 2:11 em diante, o texto passa ao aspecto coletivo. Não somos apenas salvos individualmente pela graça, vivificados e recebendo vida, tendo em nós a vida de ressurreição de Cristo e a vida de ascensão, assentados com Cristo nos lugares celestiais. É aí que estamos hoje.
Mas, além disso, Ele trouxe todos aqueles que salvou, vivificou, ressuscitou, elevou e fez assentar — Ele reuniu todos nós em um só novo homem.
Esse é o homem que deve ser conformado à imagem do Filho de Deus. Todas as distinções terrenas desapareceram.
Os judeus e os gentios — essa é a maior separação na humanidade, não apenas racialmente, mas também religiosamente e em todos os aspectos. Ainda assim, Deus uniu judeus e gentios e fez deles um só novo homem em Cristo Jesus.
Esse é o homem que Deus busca. Esse é o propósito de Deus que Ele estabeleceu em Cristo Jesus: um novo homem.
É isso que somos chamados a ser. É isso que fomos designados e destinados a ser.
Não pode haver judeu nem grego, não pode haver escravo nem livre, não pode haver homem e mulher; porque todos vós sois um só homem em Cristo Jesus.
Fora de Cristo, há judeus e gentios. Mas, quando judeus e gentios entram em Cristo, não há judeu nem gentio.
Fora de Cristo, há circuncisão e incircuncisão. Mas, quando entramos em Cristo, não há circuncisão nem incircuncisão.
Fora de Cristo, há bárbaros e, ainda piores que os bárbaros, citas — os bárbaros dos bárbaros. Mas, quando se vem a Cristo, ninguém é mais incivilizado.
Fora de Cristo, há livres e escravos. Mas, quando o livre e o escravo entram em Cristo, somos irmãos.
Em Cristo, não há ninguém nem coisa alguma além de Cristo — tudo e em todos. Essa é a igreja. É isso que todos nós somos chamados a ser. É isso que foi determinado para nós.
Irmãos e irmãs, vocês sabem o que são agora? Vocês são aquilo que são?
Vamos ouvir Pedro. Abram em 1 Pedro 2:9.
Mas vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo de propriedade exclusiva de Deus, para que anuncieis as excelências Daquele Que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
Agora, irmãos e irmãs, quem são vocês? Não o que as pessoas dizem, não o que vocês dizem, mas o que Deus diz. Quem são vocês? Vocês são uma raça eleita.
A velha raça adâmica teve seu fim na cruz do Calvário. Ela não pode ser redimida, reparada, melhorada, refinada ou reformada. Deus disse: “Ponham fim a ela”, e ela chegou ao fim.
Agora vocês são uma raça eleita — uma nova raça, um novo começo, uma nova vida, uma nova origem e um novo destino. Vocês foram escolhidos por Deus. Uma raça eleita: é isso que vocês são.
Um sacerdócio real. Vocês não receberam vida apenas para ser uma raça eleita; essa vida lhes foi dada para servir. Vocês são um sacerdócio real. Cada um é um sacerdote para servir a Deus.
Por que é um sacerdócio real? Porque vocês não servem por obrigação; servem por amor. Isso é real.
Uma nação santa. Vocês são uma nação — uma nação acima de todas as nações, uma nação sob Deus. Cristo é o nosso Rei. Estamos sob o Seu reinado. Ele governa sobre nós.
Uma nação santa, separada de todas as nações do mundo. Era isso que Israel deveria ser, mas eles falharam. Agora a igreja é essa nação santa.
Um povo para ser propriedade. Propriedade de Quem? Propriedade Dele. Estamos aqui para Ele, não para nós mesmos. Ah, que Ele possa nos possuir e encontrar em nós as riquezas da glória da Sua herança nos santos.
O que vamos fazer? Declarar — manifestar — as excelências Daquele Que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
Irmãos e irmãs, estávamos em completas trevas, mas agora Ele nos chamou para essa luz maravilhosa. Não é nosso privilégio declarar as Suas excelências? Estamos aqui para exaltá-Lo e glorificá-Lo. Estamos aqui para dizer ao mundo que Ele é tudo para nós.
É isso que somos. É isso que vocês são. Vocês percebem isso?
Vamos ouvir o que Paulo diz a respeito do que somos. Voltem a Efésios 1:22-23.
E sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés e O deu à igreja como Cabeça sobre todas as coisas,
a qual é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Queridos irmãos e irmãs, somos chamados a ser o corpo de Cristo.
O Filho de Deus veio a este mundo para ser homem. Ele assumiu um corpo em semelhança de carne pecaminosa — não carne pecaminosa, mas semelhança de carne pecaminosa.
Nesse corpo, Ele fez muitas coisas. Ofereceu esse corpo, um corpo puro, sem pecado e puro, a Deus como sacrifício pelos nossos pecados.
Ele ressuscitou dentre os mortos e subiu às alturas. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu.
Nosso glorioso Cabeça que ascendeu, Cristo, assumiu para Si um corpo coletivo na terra. Nesse corpo, Ele continua a fazer e a ensinar até hoje.
Somos o corpo de Cristo — a plenitude Daquele Que enche tudo em todos. Que privilégio!
O Cabeça, Cristo:
Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e vós estais completos Nele.
A igreja se torna a plenitude de Cristo, assim como Cristo é a plenitude de Deus.
Que privilégio é esse! Mas que responsabilidade! Esse corpo deve manifestar o Seu caráter. Esse corpo deve fazer a Sua obra. Esse corpo deve transmitir o Seu ensino. Esse corpo deve glorificá-Lo.
É isso que somos: o corpo de Cristo.
Um novo homem — já mencionamos isso. Todas as distinções desapareceram. Quando vocês vêm à igreja, não há branco nem negro, nem pardo nem vermelho.
Quando vocês vêm à igreja, não há chinês, americano, irlandês nem judeu. Quando vocês vêm à igreja, não há doutores nem analfabetos, nem empregadores nem empregados.
Quando vocês vêm à igreja, todos são um em Cristo — um só novo homem.
Vocês já não são estranhos nem estrangeiros. São concidadãos dos santos. Pertencemos ao mesmo país. Nossa cidadania está no céu. Somos concidadãos.
Isso nos fala de como precisamos receber uns aos outros e ter comunhão uns com os outros.
Somos da família de Deus. Pertencemos a uma só família. Deus é o nosso Pai. Nosso Senhor é o nosso Irmão mais velho. Somos irmãos e irmãs.
Somos a casa de Deus, edificados juntos como uma santa habitação de Deus. Deus deve habitar entre o Seu povo. Pensem nisso. É isso que somos. Somos a morada de Deus. Somos o Seu lar.
Vocês estão em casa? Deus está em casa?
É isso que Paulo diz. Vamos ouvir o que João diz. Em 1 João, lemos que nós, que cremos no Senhor Jesus, pertencemos a uma só família.
Nessa família, pode haver filhinhos, salvos em Cristo. Haverá jovens, espiritualmente falando. E haverá pais, mais maduros no Senhor. Mas é uma família.
Vocês não podem esperar que a igreja seja composta apenas de pessoas de cabelos brancos. Isso seria um lar de idosos. Que fracasso seria!
Vocês não podem esperar que a igreja seja composta apenas de jovens, como os fuzileiros navais. Não podem esperar que a igreja seja como um jardim de infância, com todas as crianças chorando aqui e ali.
Mas, graças a Deus, há filhinhos, há jovens e há pais. Somos uma só família. A lei da família é o amor.
Vocês sabem, o apóstolo João é chamado de apóstolo do amor. “Filhinhos, amem uns aos outros.”
Tanto no Evangelho de João quanto no livro de Apocalipse, João nos diz que nosso Senhor Jesus é o Cordeiro de Deus. Porque Ele morreu por nós, fomos redimidos para estar preparados para Ele como Sua noiva.
Um dia virá o clamor:
Eis o Noivo!
Vamos nos levantar e ir ao Seu encontro com um clamor. É isso que somos.
Irmãos e irmãs, não é o que as pessoas dizem. Deixem que digam o que quiserem. Não se deixem perturbar por elas.
Não é o que pensamos que somos. Se pensamos assim, estamos enganados. Mas, queridos irmãos e irmãs, estejamos diante do Senhor na Sua luz, para que a Sua luz brilhe sobre nós, para que vejamos o que fomos destinados a ser e o que Cristo nos fez ser.
O apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 15:10, diz:
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou: e a Sua graça, que me foi concedida, não foi em vão; antes, trabalhei mais abundantemente do que todos eles: todavia, não eu, mas a graça de Deus que estava comigo.
Queridos irmãos e irmãs, não temos a pretensão de declarar que somos tudo aquilo que fomos destinados a ser. Longe disso.
Nós nos arrependemos no pó e na cinza. Nós nos arrependemos porque não somos o que deveríamos ser. Nosso desejo é ser aquilo que Ele quer que sejamos. Esse é o nosso desejo sincero.
Se é isso que o Senhor fez por nós, se é isso que Ele nos chamou a ser, como podemos ser algo diferente disso?
Qualquer coisa aquém disso entristece o coração do nosso Senhor. Qualquer coisa aquém disso não nos satisfará. Irmãos e irmãs, Deus nos mostrou com muita clareza o que propôs para nós em Cristo Jesus, e tornou isso possível por meio de Cristo Jesus.
Como podemos ser algo diferente daquilo que Ele quer que sejamos?
Não podemos, pois a graça de Deus é suficiente. Portanto, irmãos e irmãs, que possamos dizer: “Somos o que somos pela graça de Deus”. Que possamos dizer isso com humildade e com um espírito arrependido, sabendo que falhamos com Ele.
Mas, graças a Deus, Ele nunca muda o Seu propósito. Seu conselho permanece. Seu poder está presente. Sua graça é suficiente. Que possamos olhar para Ele e deixar que a Sua graça nos faça ser o que devemos ser.
Vamos orar?
Querido Pai celestial, não entendemos por que estabeleceste em Teu Filho amado um propósito assim para o homem. Não entendemos, mas sabemos que Teu Filho veio e realizou o que precisava ser feito.
Ó Pai, não sabemos por que, dentre todas as pessoas, Tu nos chamaste, Tu nos destinaste a ser aquilo que propuseste para nós.
Senhor, nós nos arrependemos no pó e na cinza. Tu sabes, ó Deus; Tu sabes. Somos um testemunho de Ti. Queremos ser aquilo que nos chamaste a ser — nada menos, nada mais.
Ó Senhor, confiamos na Tua graça para nos levar até lá, para que possamos declarar as Tuas excelências. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus e para a Tua glória. Amém.