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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Recovery of the Lord's Name, #6 of 6 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Recovery of the Lord's Name, #6 of 6
    Recovery of the Lord's Name, #6 of 6
    Austin-Sparks, T.

    A Cruz e o Nome do Senhor Jesus

    Estamos agora voltando ao ponto de onde começamos no sábado à tarde, quando dissemos que tudo o que iríamos considerar estaria reunido na cruz e no nome do Senhor.

    Naquela ocasião, indicamos muito brevemente que essas duas coisas se encontram juntas em toda a Palavra de Deus. Mencionamos várias passagens em que elas aparecem juntas. Basta dizer novamente aqui que é assim, e vocês poderão comprovar isso se examinarem a questão.

    No Antigo Testamento, naturalmente, a cruz é representada pelo altar. Ali, trata-se da união entre o altar e o nome do Senhor — o nome do Senhor ligado ao altar.

    No Novo Testamento, como seria de esperar, o altar é substituído pela cruz, mas o nome continua associado a ela.

    A Cruz e o Nome no Novo Testamento

    Vou levá-los novamente a algumas passagens que indicam isso de maneira muito definida e clara, embora já as tenhamos considerado. Vamos abreviar bastante a exposição para o nosso propósito neste momento.

    Abram a carta aos Filipenses, no capítulo 2. Ao final daquela passagem, temos as palavras “a cruz”; e então vem o nome:

    Pelo que também Deus O exaltou soberanamente e Lhe deu o nome que é sobre todo nome.

    — Filipenses 2:9

    A cruz — o nome. Tudo o que está ali se reúne nisso.

    Voltem à carta aos Efésios. Vocês encontram a mesma coisa indicada: Ele O ressuscitou dentre os mortos e O fez assentar-Se acima de todo nome que se nomeia. Ele O elevou acima de todo nome que se nomeia.

    Naturalmente, se vocês dedicarem tempo ao contexto dessas duas passagens, verão que tudo diz respeito ao que Deus fez por meio da cruz do Senhor Jesus como fundamento para glorificar o Seu próprio nome, ou para trazer a Sua própria glória à plena manifestação.

    Com isso, temos nossa posição fundamental: a união entre a cruz e o nome — o nome e a cruz. Vamos prosseguir.

    O Nome no Livro de Atos

    O livro de Atos, que é um livro muito amplo e rico, como vocês sabem, está inteiramente fundamentado na cruz. Esse livro é simplesmente o resultado da cruz, o resultado espontâneo da cruz. Ele jamais teria sido escrito; nada do que está ali teria acontecido se não fosse pela cruz. Ele se apoia na cruz.

    E, nesse livro de Atos, o termo ou a expressão “o nome” é mencionado mais de trinta vezes, aproximadamente, o que tem sua própria importância. O nome ocupa o lugar principal e predomina em todo esse maravilhoso livro chamado Atos — sobre o fundamento da cruz.

    E então, no Novo Testamento como um todo, tudo está no nome, no nome do Senhor Jesus. As pessoas são exortadas a crer no nome.

    Em resposta à pergunta sobre o que deveriam fazer, recebem a orientação de serem batizadas no nome. Quando se reuniam como povo do Senhor, reuniam-se no nome. Toda a sua oração era no nome. Eram libertas no nome. Pregavam e ensinavam no nome.

    E a obra que realizavam — curar os enfermos e tudo o mais — era toda feita no nome. Foi isso que causou os problemas. As autoridades vieram contra eles, proibindo-os de falar ou ensinar novamente nesse nome.

    Tudo isso constitui um estudo muito inspirador, útil e instrutivo: basta examiná-lo no Novo Testamento. Tudo se apoia na cruz e está inseparavelmente ligado a ela.

    O Significado do Nome

    O nome do Senhor Jesus veio antes do cristianismo. O cristianismo recebeu, desde o início, seu caráter a partir do nome. Foi o nome que deu ao cristianismo sua natureza.

    Penso que, desde então, essa ordem talvez tenha sido invertida, embora não necessariamente de maneira deliberada, intencional ou cuidadosamente planejada. Mas parece, de fato, que o cristianismo passou a vir antes do nome, a se interpor no caminho do nome e, em grande medida, a contradizer o nome.

    Portanto, o que temos de compreender, e o que precisa ser recuperado — se houver de existir algo semelhante ao poder, à eficácia e à autenticidade que havia no princípio —, é o que o nome significa e implica.

    Porque não se trata apenas de um título, uma designação, uma expressão, uma etiqueta acrescentada: “Em nome de Jesus”. Usar a expressão “em nome de Jesus” se torna algo tão corriqueiro, mas parece que nada acontece com tudo isso. Tão pouco resulta; tão pouco se faz presente, mesmo quando essa terminologia é usada habitualmente.

    Não, não é apenas um título. Não é apenas uma designação, apenas o nome de alguém, embora esse Alguém seja o próprio Senhor Jesus. É algo muito maior.

    É impossível considerar essa questão do nome do Senhor no Antigo Testamento sem reconhecer que não se trata apenas de uma diferença de títulos em relação a outros deuses e outros senhores. Trata-se de um Ser de natureza inteiramente diferente.

    E há mais do que isso. O que é verdadeiro no Antigo Testamento também é verdadeiro, sim, de maneira infinitamente maior e transcendente, no Novo Testamento. Permitam-me repetir: o que temos de compreender, e o que precisa ser recuperado, é o significado e as implicações do nome, conforme os apóstolos o compreendiam e conforme o Espírito Santo lhe conferia significado.

    Por isso, quando diziam: “Em nome de Jesus Cristo”, algo acontecia. Quando oravam em nome de Jesus Cristo, algo acontecia. Quando pregavam no nome, algo acontecia.

    Há aí algo que temos de conhecer e recuperar. O nome e sua glória precisam voltar ao seu devido lugar.

    A Cruz como Fundamento do Nome

    Bem, já dissemos, e repetimos, que o nome se apoia na cruz e procede dela. Portanto, todo o significado da cruz está contido no nome. Isso é simples; isso é muito importante.

    Todo o significado da cruz está contido no nome, e separar essas duas coisas é separar o que Deus uniu. Quando vocês fazem isso, destroem um testemunho verdadeiro.

    O nome jamais poderá ser eficaz sem que o significado da cruz esteja por trás dele, ou presente com ele. Para que o nome manifeste todo o seu poder e sua plenitude divinos, ele precisa permanecer vitalmente ligado à cruz. Precisa apoiar-se o tempo todo naquilo que lhe conferiu esses valores. Vocês não podem dividir essas duas coisas; elas permanecem juntas.

    Assim, torna-se necessário, queridos amigos, reconsiderarmos alguns dos grandes significados da cruz que estão reunidos no nome do Senhor Jesus e que dão a esse nome seu verdadeiro significado e valor.

    Vou partir do pressuposto de que nós, que estamos aqui hoje, nesta manhã, somos filhos do Senhor. Portanto, não é necessário que eu dedique tempo a falar daqueles valores da cruz que nos tornaram o povo do Senhor: a expiação, a justificação pela fé e a união inicial com Cristo pelo novo nascimento.

    Esses são valores da cruz, significados da cruz, que estão reunidos no nome. Naturalmente, nada mais pode acontecer até que isso seja uma realidade. Mas estou supondo que vocês aqui conhecem e compreendem o que o nome do Senhor Jesus significa para vocês: seus pecados perdoados, sua união com Cristo, sua justificação diante de Deus.

    Assim, posso deixar essa questão com os que estão aqui e avançar para esses outros valores e significados da cruz que estão reunidos no nome.

    A Derrota do Reino de Satanás

    Certamente, então, a cruz foi o lugar, o meio e a ocasião da derrota desse reino e de seu príncipe.

    Precisamos estar muito seguros disso. Naturalmente, todos cremos na expressão comum “a vitória do Calvário”, e pensamos saber muito a esse respeito. Mas precisamos estar muito seguros disso, porque nem sempre parece que essa vitória está se manifestando.

    Se o Novo Testamento tem algum significado, a cruz foi, de maneira definida e positiva, a ocasião da derrota desse reino e de seu príncipe.

    Esse reino é uma natureza e um sistema neste mundo, governados por Satanás. Toda natureza produz seu próprio sistema, e todo sistema é o produto de uma natureza particular. Quando uso a palavra sistema, estou apenas usando outra palavra para reino.

    Em cada reino distinto, predomina uma determinada natureza. Não é preciso desenvolver isso; é evidente. No reino deste mundo há uma natureza, e esse reino recebe sua força e sua forma dessa natureza. É por meio desse sistema que Satanás governa.

    E o princípio desse governo de Satanás é o afastamento do homem de Deus. Isso resume tudo.

    Todas as astúcias e estratégias de Satanás têm um único objetivo. Seus caminhos e suas obras talvez sejam incontáveis, tão variados que muitas vezes são difíceis de identificar. Mas, por mais numerosos que sejam e por maior que seja sua variedade, todos se reúnem em um único objetivo: afastar o homem de Deus.

    Isso pode ser feito exaltando muito o homem — fazendo dele seu próprio deus, sua própria lei; a própria divinização da humanidade, a entronização do homem em sua própria glória. Ou pode acontecer, por outro lado, por meio do abatimento, da miséria, do sofrimento e da degradação.

    Tudo o que há entre esses dois extremos serve apenas para tornar o homem, de um lado, independente de Deus e, de outro, amargurado contra Deus. O objetivo é um só: o afastamento de Deus.

    Levar o homem a romper com Deus, a ser independente de Deus, a seguir o caminho da vontade própria, cegá-lo, mantê-lo na ignorância — tudo para se interpor entre o homem e Deus. Essa é a natureza que está no reino deste mundo, não é?

    Em grande parte, vocês podem dividir o mundo inteiro nesses dois grupos. De um lado, o homem é levado a sentir que não precisa de Deus, que pode viver muito bem sem Deus — independente de Deus, sem Deus. Além disso, há muitas ocupações e aquilo que ele chama de prazeres, enchendo sua vida de tal maneira que não há lugar para Deus.

    Ou, por outro lado, há aquela atitude mais ativa de amargura, rebelião e inimizade. Em maior ou menor grau, o mundo inteiro se resume nessas duas coisas, e isso está em todo coração humano em seu estado natural.

    Esse é o reino de Satanás. Esse é o reino deste mundo, do qual ele é príncipe. Mantenham o foco no ponto central: aquilo que se interpõe entre Deus e o homem, entre o homem e Deus, é o objetivo e a atividade supremos de Satanás.

    A Vitória de Cristo sobre a Separação

    A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo significou a destruição disso. Foi a ocasião em que o príncipe deste mundo foi expulso. Ali, esse reino recebeu seu golpe mortal. Quando essa obra de Satanás foi dominada e vencida, o Senhor Jesus, por meio de Sua cruz, teve essa vitória em Suas mãos.

    Isso ainda não se tornou, efetivamente, um fato consumado no mundo — chegaremos a essa questão em um momento —, mas o fato permanece: o Senhor Jesus realizou essa obra, e aqueles que são libertos e introduzidos no nome do Senhor Jesus sabem disso e desfrutam de seus benefícios.

    Portanto, o nome contém isto: esse reino e esse governante foram expulsos. A cruz significou sua destruição. O nome é o nome dAquele que fez precisamente isso.

    Como Ele fez isso? Em primeiro lugar, não havia nEle nada desse reino, dessa natureza.

    Como Satanás agiu? Em todas as direções, por todos os meios, para se interpor entre o Filho e o Pai — entre Cristo e Deus. Não temos, de fato, o registro de todas as batalhas secretas de Sua vida, mas temos o suficiente para saber que houve uma batalha durante toda a Sua vida.

    De alguma maneira, Satanás procurou se interpor entre Ele e o Pai.

    Se Tu és o Filho de Deus…

    “Se Tu és o Filho” — tentando suscitar uma pergunta, uma dúvida, para abrir caminho para uma ruptura.

    Não vou percorrer a Sua vida com vocês, mostrando como, aqui e ali, neste lugar e naquele, o inimigo agia por meio de pressão e opressão, de amigos e adversários, trabalhando o tempo todo para encontrar uma brecha pela qual pudesse se insinuar. Então, aprofundaria essa brecha e faria com o último Adão o que fez com o primeiro.

    Mas:

    Vem o príncipe do mundo; e ele nada tem em Mim.

    — João 14:30

    Observem a expressão: não “o diabo vem”, nem “o grande adversário”, mas “o príncipe deste mundo”. E ele nada tinha nEle. Não conseguia se interpor entre Ele e o Pai. Não conseguia produzir esse afastamento, essa divisão, essa separação. Simplesmente não conseguia fazer isso.

    Mas, para o nosso Senhor, isso foi uma questão de vitória constante e conflito constante. Não era automático. O mistério de Sua humanidade — a humanidade de Deus, Deus encarnado — é que Ele teve de travar a nossa batalha.

    Sei que há um problema teológico quanto a como um Ser perfeito pode ser tentado. O fato, amados, nas palavras das Escrituras, é que isso foi real. Foi real. Foi uma batalha até o sangue para manter essa união até o fim.

    Portanto, não é pouca coisa que, imediatamente depois de ressuscitar dentre os mortos, Ele tenha dito:

    Subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus.

    — João 20:17

    Essa é uma tremenda vitória sobre a obra e o poder divisores do inimigo. Ainda em união, em vez de divisão. Ah, o que isso significou no momento em que Ele foi abandonado pelo Pai!

    Não, aquele clamor de abandono não foi o último clamor. O último clamor foi:

    Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.

    — Lucas 23:46

    Em meio a tudo, o relacionamento permaneceu intacto. Ele triunfou em Si mesmo. Foi assim que Ele fez isso.

    O Custo da Comunhão com Deus

    Todo o inferno se mobilizou contra Ele por essa única razão. Tudo estava concentrado nisso. O reino de Satanás estava voltado para essa única coisa: todas as suas forças, todos os seus anjos, toda a sua atividade foram mobilizados contra esse único Homem.

    O eixo de tudo era esse relacionamento com Deus. O inferno se mobilizou contra Ele por essa única razão, por essa única questão: a comunhão com Deus.

    Isso custou tudo. Aqui neste mundo, custou tudo. Satanás cuidou para que Ele não tivesse nada aqui. “Se Tu não entrares no meu reino, não Te submeteres à minha lei, não Te prostrares e me adorares, colocando-me no lugar de Deus, não terás nada.”

    Pensem nisso. E Ele não tinha nada — nem sequer um lugar onde reclinar a cabeça. Ele foi muito além disso, até o fim.

    Então, da parte de Satanás e por meio dos instrumentos de Satanás, Ele foi assassinado. Sabemos que Deus tinha outro propósito nisso; mas, visto daquele lado, Ele foi literalmente morto por Satanás e pelos agentes de Satanás. Foi morto apenas por essa razão: a batalha que Ele viera travar até alcançar a vitória na questão desse relacionamento com Deus.

    Mas aí está o milagre de Deus. Aquilo que esse reino maligno havia planejado e calculado para ser a destruição dEle tornou-se a destruição do próprio reino. O diabo planejou tudo aquilo, pensando que seria seu triunfo supremo, e descobriu que era sua derrota suprema, de uma maneira que não havia previsto — a ruína desse reino e de seu príncipe.

    Isso, queridos amigos, é a cruz.

    O Fundamento da Vitória da Igreja

    Agora, vejam: o livro de Atos, que apresenta a igreja, e tudo o que está ali se apoiavam nesse fundamento. A igreja se apoiava nesse fundamento. Pelo Espírito Santo, ela se apropriou desse valor da cruz.

    Ela foi levada a se firmar naquela tremenda vitória que Cristo havia conquistado. Pelo próprio Espírito Santo, a igreja, no princípio, foi introduzida em uma maravilhosa união e comunhão com Deus. Ah, como essa comunhão era forte!

    O inferno se enfureceu contra a igreja assim como se enfureceu contra Ele, e levou seus membros à morte e ao martírio. Mas não conseguiu se interpor entre eles e seu Senhor. Eles haviam passado a desfrutar dos benefícios de Sua tremenda vitória sobre esse reino e seu príncipe. A igreja se apoiava nesse fundamento.

    E, visto que esse era o conteúdo do nome, podemos compreender o poder do nome na igreja, por meio dela e sobre ela naqueles dias. Firmados nesse fundamento, quando empregavam o nome, empregavam a poderosa vitória que estava reunida nesse nome — aquilo que Cristo havia realizado em Sua cruz —, e as coisas aconteciam.

    A Vigilância contra o Sistema do Mundo

    Satanás não desistiu. Ainda há necessidade de a igreja permanecer no fundamento que legitimamente lhe pertence: a cruz e o nome, o nome da cruz.

    A igreja precisa ser tão vigilante quanto sempre foi, e estar atenta o tempo todo, porque o mundo — como espírito, como natureza, como sistema espiritual — está continuamente procurando algum ponto pelo qual possa se insinuar e se interpor entre a igreja e o Senhor.

    Ele procura tornar necessário que o Senhor Se afaste, impossibilitado de prosseguir com Seu povo, porque essa outra coisa, de alguma maneira, tomou lugar ali. Essa é a obra que está em andamento. Sim, como tudo isso é sutil!

    Voltem a percorrer o Antigo Testamento com esse pensamento. Vejam: nem sempre foi por um ataque aberto que o inimigo trouxe os povos do mundo contra o povo de Deus, para dominá-lo e sujeitá-lo às suas divindades. Nem sempre foi por meio de sofrimento e aflição manifestos.

    Ah, quantas vezes vocês encontram no Antigo Testamento a infiltração muito sutil e silenciosa de alguma coisa, agindo assim, quase secretamente. As pessoas mal percebiam o que estava acontecendo; então, um dia, despertavam e descobriam que o Senhor já não estava com elas.

    Observem as ocasiões em que perderam sua lei, perderam seu poder e perderam sua posição. Então vinham os profetas, que enxergavam — os homens que conheciam a razão, vendo o que o povo não via —, para interpretar sua condição e sua situação. Sempre, invariavelmente, apontavam alguma coisa oculta daquele outro reino que havia entrado.

    Essa é uma questão de enorme importância, queridos amigos, para o povo de Deus. É assim que acontece. Por que a perda de poder? Por que a perda da presença do Senhor? Por que a perda daquela condição que existia no princípio, nos dias do livro de Atos? Por que as coisas são tão diferentes?

    Por que todo esse testemunho e essa fé, e, ainda assim, a pobreza e a fome entre o povo do Senhor? Por quê? Porque aquilo com que o Senhor não Se aliará entrou entre Ele e Seu povo. Vocês podem chamar isso de mundo, se quiserem.

    Pensamos no mundo e na igreja, e no mundo como uma pessoa. Bem, o que vocês querem dizer com isso? Nem sempre se trata de algo grosseiro. Lamentavelmente, em muitos cristãos e em inúmeras reuniões cristãs — aquilo que se chama de igrejas —, há um mundanismo flagrante, grosseiro. Mas isso não é tudo.

    Tantos métodos empregados, tantas maneiras de fazer as coisas, tanta energia e tanto entusiasmo introduzidos ali são simplesmente expressão daquele outro reino. Não é o Espírito Santo. De onde isso veio?

    Às vezes penso — e digo isso com bastante seriedade —, às vezes penso que Satanás pode fornecer energia para fazer aquilo que parece ser a obra de Deus. Satanás está sempre se disfarçando, e pode promover um movimento falso em nome do Senhor: um movimento falso que aparentemente é cristão, mas que é falso e depende de outros recursos, não do Espírito Santo de Deus.

    Ele vê com muita clareza que chegará um momento em que será muito mais difícil tocar nas coisas nessa área do que antes. A situação terá se endurecido — tão endurecida que será quase impenetrável.

    Vocês poderão falar do Senhor ali, e eles dirão: “Ah, não, já tivemos isso. Já vimos no que isso dá. Isso não dura. Não queremos mais nada disso”. É uma atitude consolidada.

    Bem, se vocês não me compreendem ou não concordam com isso, deixem de lado. Mas aí está. Há uma obra sutil que coloca o reino de Satanás no lugar do reino de Deus, e ele fará isso por qualquer meio.

    A Igreja Governada pela Cruz

    A cruz representa, de fato, a ruína desse reino e, portanto, a igreja precisa ser uma igreja governada pela cruz. A cruz precisa ser seu fundamento e sua base, não apenas em termos de doutrina.

    Vocês podem ter toda a doutrina; ela pode ser correta e sólida quanto à expiação, à cruz, à vida e à ressurreição do Senhor Jesus. Ainda assim, isso pode não ter valor algum espiritualmente. Podemos ser fundamentalistas convictos, e a verdadeira vida e o verdadeiro poder espirituais podem estar completamente ausentes.

    Não é isso; não é isso. A questão é que a cruz esteja presente como um fato efetivo, uma realidade, cortando pela raiz todo o reino de Satanás e sua natureza.

    Vocês nada conhecerão daquele poder inicial a menos que seja assim — ou, devo dizer, só o conhecerão na medida em que for assim.

    Esse é o significado do nome. Quando usamos o nome, devemos ter em nosso próprio coração a intenção de trazer todo o poder da cruz do Senhor Jesus contra o reino de Satanás, sua natureza e seu objetivo.

    A Comunhão Restaurada por Meio da Cruz

    Vocês sabem muito bem que, mesmo sem compreender tudo isso, sem que isso lhes tenha sido explicado e interpretado, quando realmente chegam, como costumamos dizer, à cruz — isto é, estendendo a mão e recebendo pela fé os benefícios da morte e da ressurreição de Cristo —, a primeira coisa de que tomam consciência é esta: “De alguma maneira, não consigo explicar, mas me sinto mais perto de Deus, e sinto que Deus está mais perto de mim”.

    Essa é a maneira mais elementar de expressar isso, não é? É a linguagem de uma criancinha: “Sinto que Deus está mais perto de mim, e eu estou mais perto de Deus. De alguma maneira, Deus e eu fomos unidos”.

    Há comunhão com Deus, já não há inimizade. Há uma consciência de união, já não de separação. Ah, já não há uma consciência de amargura, ódio ou independência. Tudo se resume nisto: “Esta é a minha vida, e, se eu perder isso, perco tudo”. Deus Se tornou, em Cristo, tudo.

    É essa a consciência, não é? Bem, aí está: essa é a obra da cruz. Essa é a prova, a prova simples e elementar, de que o Senhor Jesus, em Sua cruz, foi diretamente ao centro de toda essa questão — essa separação entre Deus e o homem. Ele foi exatamente até ali e travou essa batalha até vencê-la.

    E assim, nEle ressuscitado, somos levados a Deus e unidos a Ele. Se isso parece simples demais, elementar demais para vocês, cristãos maravilhosos e avançados, não o deixem de lado. É a coisa mais bela, mas também a mais custosa. Ah, quanto custou! Quanto custou ao nosso Senhor travar essa batalha até o fim!

    Bem, se é assim, é algo tremendo Satanás se interpor entre Deus e o homem. Mas Ele travou essa batalha e prevaleceu.

    A Honra do Nome

    Vocês percebem? Esse é o significado do nome. Esse é o efeito do nome. Se isso é verdade, se estamos desfrutando desse benefício, ah, como o nome é maravilhoso! Como o nome é poderoso! É uma grande vitória.

    Vocês não percebem que o objetivo do inimigo durante todo o tempo — e continua sendo seu objetivo, continua sendo seu objetivo — é recuperar esse terreno? Ele persiste em tentar, não mais nos manter longe de Deus, mas se interpor novamente entre nós e o Senhor, por qualquer meio que seja.

    É terrível alguém que realmente conheceu essa comunhão com Deus perder a consciência dela. É o terror da cruz novamente, não é? O terror daquele momento de abandono lança sua sombra sobre nós. É quase como se alguém dissesse: “Ele não conquistou essa vitória”. É como se tudo o que Ele fez estivesse sendo anulado, se a comunhão se perdeu.

    Por isso, todo o nosso Novo Testamento está estruturado, para os crentes, em torno desta única coisa: o caminho para manter a união com Deus. É apenas outra maneira de expressar o caminho da vida no Espírito. É uma batalha; exige vigilância.

    Lembrem-se, queridos amigos, de que o príncipe deste mundo ainda está em seu próprio reino, ao qual, graças a Deus, não pertencemos, porque fomos transportados da autoridade das trevas para o reino do Filho do Seu amor. Ele nos ataca de fora, tentando se interpor entre nós e o Senhor.

    Se isso acontecer, vocês sabem de onde vem. Vocês sabem de onde vem. Não vem do Senhor. Qualquer que seja a interpretação que deem às sombras entre vocês e o Senhor, vocês sabem de onde elas vêm, e sabem qual é o remédio.

    É Cristo e aquilo que Ele fez em Sua cruz. Mas vocês percebem o que está em jogo nisso? Ah, a desonra de Seu nome. Sempre voltamos a isso, não é?

    Qual é a motivação da nossa vigilância? Qual é a única motivação adequada para lidar com tudo o que se interpõe entre nós e o Senhor? Tem de ser a honra de Seu nome.

    Ao travar essa batalha na vida e na morte, o que estava em jogo era o nome do Pai. É o nome do Pai. Ah, quanto precisamos compreender de fato aquilo que já sabemos!

    Aquela oração que é chamada de Sua oração sacerdotal, quando Ele estava, por assim dizer, indo para o altar — estava indo para a cruz —, está voltada para o nome, o nome, o nome. É o nome que está em jogo nesse grupo de pessoas.

    Ele está derramando Seu coração em Seu cuidado por aqueles que o Pai Lhe havia dado:

    Eu lhes dei o Teu nome. Guarda-os em Teu nome.

    — João 17:6, 11

    A honra do nome do Pai é a paixão de Sua alma. Ele travou a batalha por essa honra até o fim, passando pela cruz. Vocês e eu precisamos ser batizados nessa mesma preocupação pela honra de Seu nome em Seu povo — não algo exterior e abstrato, mas algo verdadeiro em Seu povo: a honra de Seu nome.

    Continuaremos mais tarde. Talvez nesta tarde vejamos isso de algumas maneiras muito práticas. Sinto que isso é suficiente para nos desafiar e ocupar nossa atenção nesta manhã.

    Ah, que possamos enxergar uma coisa: quando dizemos “Em nome do Senhor Jesus”, não estamos apenas repetindo alguma atitude formal, alguma maneira habitual de falar como cristãos.

    Deveríamos realmente estar querendo dizer: “Pela cruz do Senhor Jesus”. Vocês podem expressar assim, se quiserem: isto, aquilo e aquilo outro, pela cruz do Senhor Jesus — o fundamento que Deus tem em vista.

    Essa cruz, em todo o seu significado, está contida no nome, e o nome significa precisamente isso. Sem a cruz, ele nada significa.

    Senhor, concede-nos ver e compreender o significado do nome e coloca-nos no caminho de recuperar o que ele tem de mais precioso. Nós Te pedimos.