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    Recovery of the Lord's Name, #5 of 6 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Recovery of the Lord's Name, #5 of 6
    Recovery of the Lord's Name, #5 of 6
    Austin-Sparks, T.

    A Provação Divina da Disposição do Coração

    No sétimo capítulo do livro de Juízes.

    Juízes 7:1-7

    Então Jerubaal, que é Gideão, e todo o povo que com ele estava se levantaram de madrugada e acamparam junto à fonte de Harode; e o arraial de Midiã estava ao norte deles, junto ao outeiro de Moré, no vale.

    E disse o Senhor a Gideão: Demais é o povo que está contigo, para Eu dar os midianitas em sua mão; para que Israel se não glorie contra Mim, dizendo: A minha própria mão me livrou.

    Agora, pois, apregoa aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for medroso e tímido, volte e retire-se do monte de Gileade. Então voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram.

    E disse o Senhor a Gideão: Ainda há povo demais; faze-os descer às águas, e ali os provarei para ti; e será que aquele de quem Eu te disser: Este irá contigo, esse contigo irá; porém todo aquele de quem Eu te disser: Este não irá contigo, esse não irá.

    E fez descer o povo às águas. Então o Senhor disse a Gideão: Qualquer que lamber as águas com a sua língua, como as lambe o cão, esse porás à parte; como também todo aquele que se abaixar de joelhos a beber.

    E foi o número dos que lamberam, levando a mão à boca, trezentos homens; e todo o resto do povo se abaixou de joelhos a beber as águas.

    E disse o Senhor a Gideão: Com estes trezentos homens que lamberam as águas vos livrarei, e darei os midianitas na tua mão; portanto, todo o povo se vá, cada um ao seu lugar.

    Abram em mais duas passagens das Escrituras. No primeiro livro de Crônicas, em 1 Crônicas 28:9:

    1 Crônicas 28:9

    E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-O com um coração perfeito e com uma alma voluntária; porque o Senhor esquadrinha todos os corações e entende todas as imaginações dos pensamentos.

    A outra passagem está nas profecias de Jeremias, em Jeremias 17:9-10.

    Jeremias 17:9-10

    Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e é extremamente corrupto; quem o conhecerá?

    Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações.

    Há alguns de vocês presentes nesta noite que ainda não estiveram conosco nesta conferência. Alguns de vocês não conhecem o Senhor Jesus de maneira pessoal.

    Permitam-me dizer que estamos reunidos como um grupo do povo do Senhor, vindo de muitas partes do mundo, para receber Dele alguma luz e instrução a respeito da Sua vontade para nós neste momento.

    Ao dizer isso, creio que todos compreenderão e apreciarão a natureza deste ministério. Mas acredito que a palavra que temos diante de nós nesta noite também pode se aplicar àqueles que não pertencem ao Senhor, e certamente teremos isso em mente à medida que prosseguirmos.

    O Propósito do Senhor para o Seu Povo

    Há duas coisas principais que nos trouxeram aqui neste momento. Uma é o desejo do Senhor — na verdade, o propósito do Senhor — de ter o Seu povo em uma condição e em um estado nos quais a Sua glória seja expressa e manifestada.

    Seu povo deveria realmente desfrutar de tudo o que Ele providenciou. Ele providenciou vida, e vida em abundância. Providenciou riquezas espirituais, tesouros incalculáveis e inesgotáveis. Providenciou uma fonte de suprimento da qual podem tirar continuamente, sem que ela se esgote. Providenciou força — a Sua própria força. Eles deveriam ser um povo forte.

    De fato, o Senhor fez uma provisão grandiosa e abrangente para o Seu povo. Mas a história mostra que o Seu povo nem sempre tem desfrutado das Suas provisões. Há muitos hoje que levam o Seu nome, carregam o Seu nome e são chamados pelo Seu nome — cristãos, pessoas de Cristo — que não desfrutam disso, que não estão nessa condição abençoada.

    E, na medida em que isso não acontece, o Senhor não é glorificado neles. Bem, é isso que o Senhor deseja. Não é algo impossível — não é apenas um pouco de idealismo piedoso, um padrão elevado, o cume de uma montanha impossível de alcançar.

    Neste mesmo lugar, nesta noite, há pessoas que poderiam testemunhar que conhecem algo disso: que Cristo é hoje uma fonte de vida, não apenas um pequeno fio de água. Ele é uma fonte de vida. Elas sabem algo de quão rico é possível ser em Cristo. Conhecem algo da plenitude da Sua maravilhosa provisão, do alimento espiritual inesgotável.

    Alguns de nós conhecemos algo disso, e, para nós, isso é a evidência de que é possível desfrutar de tudo o que nos foi providenciado no Senhor Jesus.

    Essa é uma das coisas que temos em vista. Estou certo de que nenhum de nós chegou ao ponto de não poder conhecer mais nada. Isso seria uma contradição do que acabei de dizer. Se é inesgotável, nunca poderemos chegar a um ponto em que já tenhamos tudo o que podemos ter.

    Nenhum de nós aqui diria que realmente alcançou tudo o que o Senhor deseja e quer nessas questões. De modo algum.

    Mas, de fato, há pessoas aqui — talvez muitas neste grupo — que não desfrutam disso. Estão apenas lutando para manter uma existência espiritual, para fechar as contas, como costumamos dizer. Estão procurando algo de que possam se alimentar para continuar. Vivem com uma alimentação muito pobre. Estão famintas, desejando mais.

    Talvez você não ache muito útil ouvir falar das coisas que estão disponíveis para você. O que você quer saber é como obtê-las e como passar a desfrutar delas. Bem, estamos dizendo algumas coisas a esse respeito, mas esse não é o nosso ponto específico nesta noite. Talvez avancemos nessa direção mais adiante.

    A Necessidade de Instrumentos para a Obra do Senhor

    Mas a outra coisa que temos diante de nós — a outra coisa principal — é a maneira como o Senhor age. Em certos momentos da história do Seu povo, quando este se encontrava em um estado espiritual pobre, em fraqueza e fome, fracasso e derrota, Ele agiu para trazer algum instrumento a um relacionamento especial Consigo mesmo.

    Às vezes foi um indivíduo; às vezes, um grupo que chegou a um conhecimento mais pleno Dele, a uma maior plenitude de Cristo, de modo que pudesse ser um instrumento para levar mais pessoas do povo do Senhor a desfrutar desse bem.

    O Senhor precisa ter instrumentos com os quais realizar a Sua obra, e vasos por meio dos quais revelar a Si mesmo. Ele tem agido dessa maneira.

    E não deveríamos dizer que Ele está procurando ter um instrumento assim em nosso tempo, visto que a necessidade é tão grande e há tão pouco conhecimento e experiência reais dessa plenitude maior que há em Cristo?

    Não haverá Ele de trazer um povo para perto de Si e trabalhar nele de maneira especial, para despertar nas pessoas um desejo intenso — um desejo de possuir o que veem, ao olhar para o alimento desse povo, ao contemplar suas riquezas e ansiar por elas?

    Sim, pela expressão, pelo exemplo, pela manifestação, Ele deseja levar o Seu povo a uma posição melhor e a uma condição melhor. Pois são essas as coisas que nos ocupam nestes dias.

    Agora, nesta noite, dentro desse contexto, tenho uma palavra que será realmente muito simples. Mas simplicidade não significa falta de importância.

    Ela nasce das passagens das Escrituras que acabei de ler para vocês, especialmente conforme ilustradas naquele episódio com Gideão, que foi um instrumento do qual Deus Se apoderou para libertar o Seu povo da condição miserável em que se encontrava.

    O episódio diz respeito à formação de um grupo, de um pequeno contingente, por meio do qual o Senhor pudesse realizar essa libertação e assegurar ao Seu povo os direitos da sua herança Nele.

    A Redução do Contingente de Gideão

    Lembrem-se: Gideão tocou a trombeta, e um grande exército se reuniu a ele. Eram trinta e dois mil homens. É claro que mesmo isso era pouco em comparação com os midianitas e todos os demais; ainda assim, eram trinta e dois mil.

    Então o Senhor disse:

    Demais é o povo que está contigo, para Eu dar os midianitas em sua mão; para que Israel se não glorie contra Mim, dizendo: A minha própria mão me livrou.

    Uma possibilidade terrível, terrível.

    Bem, o primeiro teste foi aplicado: os medrosos e temerosos deveriam voltar. Creio que devemos admirar essas pessoas por uma coisa, mesmo que não possamos admirá-las por tudo. Pelo menos foram honestas, dispostas a admitir que estavam com medo.

    Mas tinham bons motivos para estar com medo. Esses inimigos eram tão numerosos quanto gafanhotos, espalhando-se por toda a terra. Tinham bons motivos para ser cautelosos e sentir medo, e disseram honestamente: “Estamos com medo e agradecemos a oportunidade de voltar para casa. Muito obrigado”.

    E lá se foram. Restaram dez mil.

    Ainda assim, o Senhor continuava com a Sua dificuldade fundamental, e teve de dizer a Gideão:

    Ainda há povo demais; faze-os descer às águas, e ali os provarei para ti.

    Vocês conhecem o restante da história. Os dez mil foram levados às águas, ao rio. E então o Senhor, por assim dizer, sussurrou a Gideão. Ele não deixou o povo saber; isso teria revelado tudo. Manteve tudo Consigo.

    Ele disse a Gideão:

    Dize-lhes que bebam, e observa.

    Os que lamberem a água, levando a mão à boca, como o cão lambe, põe à parte.

    Os que se abaixarem, apoiando-se nas mãos e nos joelhos, separa-os.

    Então Gideão deu a ordem de que todo o exército podia beber. E eles beberam.

    Sem que soubessem, estavam sendo provados.

    Ali os provarei para ti.

    A palavra provar, aqui, significa ser testado por meio de uma provação. Ela é usada em outra passagem:

    Tu nos provaste, como se prova a prata no fogo.

    Uma provação para descobrir algo, trazer algo à luz, fazer algo vir à tona.

    Diz-se que esse tema da água oferece algum apoio à interpretação que se tem dado a esse episódio. O texto não diz isso aqui, mas a interpretação tem sido a de que aqueles que se ajoelharam para beber estavam pensando mais na própria satisfação pessoal do que no interesse do Senhor naquele momento.

    Aqueles que apenas levantaram a água na mão e beberam não estavam pensando tanto nisso quanto na verdadeira tarefa que tinham diante de si. Creio que essa é uma interpretação válida. Isso certamente indicava uma disposição, e é dela que tudo depende: uma disposição.

    Todos estavam com sede, e não havia absolutamente nada de errado em beber daquela água. Não havia nada de errado com a água; nada de errado em tomar um pouco de água ali. Nada de errado nisso.

    A diferença era simplesmente esta: alguns consideravam a água uma necessidade, enquanto os outros — a maioria — faziam dela uma satisfação pessoal.

    Alguns beberam porque era absolutamente necessário. Mas, tendo atendido à necessidade, estavam prontos para a verdadeira tarefa. Os outros estavam aproveitando o momento e simplesmente se entregando àquilo, por assim dizer. Estavam mais ocupados com a ideia de obter dali o máximo de satisfação pessoal possível.

    Não estavam inteiramente, completamente envolvidos com o interesse do Senhor, com a grande questão que estava em jogo naquele momento: a honra e a glória do nome do Senhor em Seu povo.

    E essa é a mensagem simples.

    A Provação para um Serviço de Importância Vital

    Trata-se de um processo de seleção para um serviço de importância vital, de uma provação que tem em vista uma vocação especial.

    É claro que, em um sentido básico, a salvação inclui todo tipo de pessoa. Todo tipo que vocês possam imaginar está incluído na questão da salvação. Não estou falando do conjunto de todos os cristãos, da questão de serem salvos, nem do fundamento sobre o qual são salvos.

    Isso pode ser simplesmente:

    Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo.

    Mas estou falando de algo além disso: da grande vocação para a qual somos chamados como escolhidos de Deus, e da obra específica que Deus precisa que seja realizada em determinado momento, em tempos como este.

    Queridos amigos, nunca seremos úteis ao Senhor além do ponto até o qual nós mesmos O conhecemos. O verdadeiro serviço — ouçam — é limitado pela experiência do servo. Não se pode ir além disso.

    Você não pode conduzir ninguém além do ponto a que você mesmo chegou. Não pode dar a ninguém algo além do que você mesmo possui. Essa é uma verdade real, um teste real. Você pode transmitir muito ensino e simplesmente não levar as pessoas a lugar nenhum.

    E, se você e eu vamos servir ao Senhor em Sua necessidade tão séria e solene de trazer, de conduzir, pessoas do Seu povo às maiores plenitudes de Cristo, precisamos ser um tipo especial de pessoa.

    O tipo dos trinta e dois mil não serve, e o tipo dos dez mil não serve. É o tipo dos trezentos. O tipo dos trezentos.

    Bem, Ele disse:

    Com estes trezentos homens vos livrarei.

    É uma seleção, uma redução, para alcançar a eficácia. É um tipo de limitação que significa expansão e crescimento. Mas ela precisa acontecer. Precisa acontecer.

    E assim Deus aplica testes e introduz Suas provações para obter um vaso especial para um propósito especial. Sinto que essa é a Sua mensagem neste momento. Não se trata apenas de uma convenção ou conferência de caráter geral, ou de um ensino geral para cristãos. É algo com um objetivo específico.

    A situação trágica entre o povo do Senhor hoje exige algo da mesma natureza e do mesmo tipo desses trezentos.

    A Simplicidade dos Testes Divinos

    Bem, como são eles? Como são eles?

    O Senhor tem maneiras e meios muito simples de testar e provar, e muitas vezes são tão simples que não os reconhecemos como testes e provas.

    Isso foi algo muito simples, não foi, para todos os dez mil? Algo muito simples: levá-los às águas e deixá-los beber.

    E, ao que parece, a última coisa que ocorreria a qualquer um deles era que, enquanto desciam às águas e bebiam, estavam sendo submetidos a um teste decisivo. O olhar de Deus estava sobre eles, e esse olhar comunicava a Gideão o que via, entendem?

    Eles não percebiam o que estava acontecendo. Esse grande processo de seleção para esse propósito acontecia de uma maneira muito comum e simples, sem que tivessem consciência disso.

    Sabem, você e eu estaríamos à altura da ocasião se um anjo de Deus viesse até nós e dissesse: “Olhe, você foi chamado para uma grande obra para Deus, e quero que dê alguma prova de que está pronto para ela”. Seríamos muito, muito cuidadosos, observando tudo, para não falhar nem ser postos de lado — ficaríamos em alerta máximo, como costumamos dizer.

    O Senhor não faz assim, amigos. Nunca fez assim com nenhum de vocês. Nunca fez assim comigo. Mas Ele tem aplicado testes igualmente sérios de maneiras muito simples.

    Eu disse, creio que ontem à noite, que um gesto é algo muito, muito revelador e significativo — apenas um gesto. Aqui está o gesto: um homem fica à beira do rio e toma a água na mão, inteiramente alerta. Outro se ajoelha e se entrega ao ato de beber.

    Mas, vejam, ligado a esse teste simples está o coração. Ah, não é apenas um sinal. Não é simplesmente que o Senhor determinou que alguns lambessem a água e outros se ajoelhassem para poder separá-los. É um sinal do coração. É a revelação de uma disposição.

    Esse grupo maior é formado pelas pessoas que querem se divertir, mesmo nas coisas do Senhor — querem se divertir. Digo a vocês que esses outros também desfrutaram daquele momento, mas estavam colocando as coisas mais importantes em primeiro lugar.

    A primeira coisa é esta obra de Deus. Ela vem primeiro, e tudo o mais fica em último lugar ou em segundo lugar. Esta é a tarefa que temos diante de nós. A revelação de uma disposição.

    E sabem, mostramos nossas disposições de maneiras muito simples, tão simples quanto essa, enquanto vivemos nosso dia a dia e fazemos nosso trabalho diário. Sim, o olhar do Senhor está sobre nós ali — no escritório, na oficina, no gabinete de estudos, onde quer que estejamos. O olhar do Senhor está sobre nós, e nosso coração está sendo revelado na maneira como realizamos as coisas comuns da vida.

    Nós separamos essas coisas, entendem: o sagrado e o secular. Na igreja é uma coisa; nos negócios é outra. Mas não é assim. Nossa qualificação está em nossa disposição.

    Não em nossa consciência de estarmos sob o olhar de Deus; antes, quando não temos consciência alguma disso, a disposição que demonstramos é o teste. Esse é o teste.

    Ah, quantas e quão simples são as maneiras pelas quais mostramos nossa disposição — simplesmente nossa inclinação.

    O Coração Inteiramente Voltado para o Senhor

    É claro que isso se aplica a cada etapa da vida cristã. Eu disse que a salvação inclui pessoas de todos os tipos. Mas, se você quer uma experiência de salvação realmente plena, e não uma daquelas experiências insuficientes, tão distantes de tudo o que o Senhor deseja que você tenha, precisa mostrar que está levando isso a sério.

    Que realmente está levando isso a sério. Que, para você, isso é algo muito sério. Você receberá tanto quanto o seu coração estiver decidido a buscar, e não mais. E o Senhor está olhando para o seu coração.

    Lemos aquelas passagens: Davi dizendo a seu filho Salomão:

    Deus esquadrinha todos os corações.

    Serve ao Senhor de todo o teu coração.

    O Senhor esquadrinha todos os corações. E aquelas palavras de Jeremias: o Senhor prova o coração. O coração, o coração.

    E isso é verdadeiro quanto à sua salvação; é verdadeiro quanto à sua utilidade para o Senhor. Nenhum de nós jamais será usado pelo Senhor de uma maneira de importância realmente vital, a menos que nosso coração esteja inteiramente voltado para o Senhor e Seus interesses — não para nos divertir, não para nos divertir.

    Isto é, falando em termos comuns: não para participar de todo piquenique que aparecer, não para aproveitar toda distração da tensão que estiver disponível, não para buscar toda forma possível de escapar da responsabilidade e da dedicação. Não uma disposição assim.

    Mas uma disposição que reconhece a grandeza daquilo em que estamos envolvidos e que somos pessoas inteiramente comprometidas com isso. Não permitimos que nossa própria gratificação e satisfação nos afetem ou influenciem de modo algum. É um coração inteiramente para o Senhor.

    Agora, digo a vocês: o Senhor tem muitas maneiras de descobrir isso. Eu não poderia abranger todas as maneiras pelas quais Ele o faz, mas o que quero dizer é isto: o Senhor apresentará um teste.

    Nem sempre será uma questão de a coisa ser certa ou errada. Muitas vezes, poderá ser uma questão de escolher entre o bom e o melhor.

    Se você tem a disposição da grande maioria, estará sempre fazendo perguntas como estas: “Bem, não posso? Há algum mal nisso? O que há de errado com isso?”.

    Não havia nada de errado em beber água. Não se trata de saber se é errado ou se você pode; trata-se de saber se você é obrigado. Vejam, isso é uma disposição. Se você é assim, só vai até onde é obrigado a ir.

    O que o Senhor procura é sempre uma minoria — aquelas pessoas que nunca falam nem pensam assim: “Posso? Há alguma coisa errada nisso?”. Elas estão sempre dizendo: “Posso fazer mais do que estou fazendo? Posso ir além de onde estou indo?”.

    “Não haverá algo mais pleno que o Senhor deseja, além do que conheço, do que estou vivendo e do que estou fazendo?” Um cristão assim sempre tem no coração: “Será que o Senhor não tem algo além do que tenho conhecido, além do que estou fazendo? Será que o Senhor não tem algo mais?”.

    “Meu coração está decidido a buscar tudo o que o Senhor deseja. Nunca me satisfarei com menos do que isso, por melhor que seja.” Pode haver muitas, muitas coisas boas, mas não haverá algo além disso?

    Essas são as pessoas que o Senhor procura. E Ele, que conhece todos os corações, conhece nossa disposição: se aceitaremos algo menos ou se jamais aceitaremos menos do que tudo o que Deus deseja ter, se puder tê-lo.

    O Senhor permite que surjam oportunidades de satisfação pessoal. Ele apresenta algo que exige trabalho árduo, e então observa a disposição: se nos lançamos sobre aquilo que oferece satisfação pessoal ou se aproveitamos uma oportunidade de contornar o trabalho árduo. A disposição — o que nos governa?

    Às vezes, Ele apresenta algo em Sua Palavra, coloca você diante de algo em Sua Palavra. É como se dissesse: “Agora vou testar esta disposição”. “Preciso mesmo? De fato, preciso? Isso é um mandamento? E, se eu não fizer, estarei transgredindo um mandamento? É realmente necessário?”

    E então começamos a procurar pessoas que consideramos autoridades, que sabem mais do que nós, que conhecem o Senhor melhor do que nós, e dizemos: “Você acha necessário que eu faça isso ou aquilo?”. Quantas vezes até pessoas piedosas disseram: “Ah, não, não acho necessário que você faça isso”.

    Tantas vezes, quando Deus nos apresenta algo, saímos procurando um e outro, procurando um e outro.

    Uma Ilustração de Obediência

    Lembro-me de que, muitos anos atrás — vou lhes dar uma ilustração do que quero dizer —, fui visitar uma determinada casa. Eu não esperava ir lá naquela noite. Não sabia por quê, mas sabia que precisava ir. Disse à minha esposa: “Sinto um forte impulso de ir lá esta noite”.

    Fui com essa pergunta em mente. Quando cheguei, ficamos conversando tranquilamente. Não havia nada de especial. Então bateram à porta, e um homem entrou e foi apresentado a mim.

    Era um homem que havia tido uma conversão muito marcante no exército, nos velhos tempos, no alojamento do quartel. Ele se ajoelhara junto à cama, com todos aqueles soldados perversos, blasfemos e embriagados ao seu redor, e fizera sua oração. Estava levando Deus a sério.

    Naquela ocasião, ele veio a essa casa, e comecei a conversar com ele. Era a primeira vez que o encontrava. Percebi que ele era muito sincero. Enquanto conversávamos, eu me perguntava o tempo todo: “O que significa tudo isso? Para que estou aqui?”.

    Depois de algum tempo, ele me disse: “Sr. Sparks, o que o senhor pensa sobre tal coisa?”. Era um teste da água.

    Assim que ele fez a pergunta, soube no íntimo: esse é o motivo de você estar aqui e de ele estar aqui. Eu disse: “Por que você me pergunta? Importa o que eu penso a respeito? O Senhor lhe disse isso?”.

    Ele disse: “Sim, creio que disse. Creio que disse. Estou quase certo de que disse, mas queria alguma confirmação, por isso estou perguntando ao senhor”.

    E eu disse: “Irmão, se o Senhor lhe disse isso, simplesmente obedeça ao Senhor. Tudo depende da sua resposta ao Senhor”. É um caso real. Conversamos; ele foi embora; eu voltei para casa.

    Algum tempo depois, eu estava em casa, e o mesmo homem apareceu, sem termos combinado nada. Notei que, dessa vez, ele estava um pouco retraído comigo, um pouco constrangido.

    Começamos a conversar, e ele disse: “Lembro-me da nossa conversa da última vez. Depois que fui embora, procurei certo pastor, de certa denominação, que eu sabia não acreditar nessa questão específica, e perguntei o que ele pensava a respeito”.

    “Ele disse: ‘É claro que não, isso não é necessário’.”

    Eu disse: “Não, senhor, se o Senhor falou, não deixe que nada o impeça”. Embora eu não estivesse tentando pressioná-lo a respeito daquela questão, estava insistindo na obediência ao Senhor em tudo o que Ele dissesse.

    E o homem voltou imediatamente ao ponto. Disse: “Sim, entendo, entendo. Não consigo escapar disso. O Senhor me colocou diante dessa questão”. “Muito bem, irmão, você sabe qual é o seu caminho.” E ele foi embora.

    Passaram-se alguns meses antes que nos encontrássemos novamente. De fato, nos encontramos, e dessa vez havia um verdadeiro bloqueio e uma ausência de vida. Não conseguíamos avançar de modo algum. Ele não queria retomar aquele assunto.

    Vejam, ele tinha medo até de mencioná-lo, e não conseguimos ter comunhão alguma. Mas, antes que ele fosse embora, eu disse: “Bem, irmão, você vai prosseguir com o Senhor? Vai obedecer ao Senhor?”.

    “Não sei. Todos com quem converso dizem que isso não é necessário.”

    “Pois bem, aí está. O Senhor falou com você de maneira muito séria.”

    Um ano depois, em outra parte de Londres, bem do outro lado de Londres, eu caminhava pela rua e vi um homem vindo em minha direção de bicicleta. Ao se aproximar, ele me reconheceu. Deu meia-volta e fugiu a toda velocidade na direção oposta.

    O que isso significava? O que ouvi a respeito dele? Ele havia se afastado completamente do Senhor, voltado para o mundo, voltado inteiramente ao seu antigo pecado — um bêbado e blasfemo —, voltado a ser o que era antes de vir ao Senhor.

    Essa é uma história verdadeira. O Senhor apresentou um teste simples, e ele disse: “É necessário?”. Em vez disso, deveríamos dizer: “Ah, qualquer coisa — qualquer coisa que o Senhor queira!”. Graças a Deus por isso.

    Ele fez aquilo que o apóstolo Paulo disse que não fez: consultou carne e sangue, em vez de ser obediente à visão celestial. E quanto depende disso — quanto depende disso.

    O Senhor pode apresentar algo: deixar de lado esta ou aquela coisa. Pode ser um teste da água. Ele pode trazer um teste da água. É orgulho? É independência? É dizer dentro de vocês mesmos:

    Temos por pai a Abraão.

    Aqui está a questão: vocês vão levar Deus a sério? E lamento não poder lhes dizer todas as maneiras — há uma variedade tão grande de maneiras —, mas o ponto é este: Deus está sempre olhando para o coração para ver se realmente estamos falando sério.

    Ele conhece a disposição e está procurando um grupo de pessoas que não se deixará influenciar por nada — absolutamente nada —, associações, vínculos ou qualquer outra coisa que, de alguma maneira, se coloque entre elas e tudo o que o Senhor deseja.

    Ah, é um teste muito profundo. Quantas vezes as pessoas se depararam com uma questão — uma questão que o Senhor talvez não exigisse que levassem até o fim.

    Vejam, Ele nem sempre faz isso, mas está testando se há uma porta dos fundos pela qual escapar. Às vezes, Ele nos coloca diante de algo, mas não pretende levar aquela exigência até o fim.

    Ele fez isso com Abraão e Isaque:

    Toma agora o teu filho.

    Até o último minuto, a última fração de segundo, com a faca erguida — e aquilo bastou. Deus não permitiu que ele consumasse o ato, mas descobriu sua disposição.

    O jovem que possuía grandes riquezas veio ao Senhor Jesus, declarando que queria saber a respeito da vida eterna. Jesus disse:

    Vai, vende tudo quanto tens e segue-Me.

    Não tenho certeza de que o Senhor teria exigido que ele levasse isso a cabo, mas creio que estava testando sua disposição.

    Não sabemos quanto tempo ou espaço há entre as duas coisas — a exigência concreta e o seu cumprimento —, mas é justamente nesse intervalo estreito que chegamos àquele ponto, àquele segundo, por assim dizer, em que, se o Senhor não nos detiver, levaremos a coisa até o fim.

    O Senhor quer saber se estamos levando nosso relacionamento com Ele a sério ou não.

    A Eficácia dos Trezentos

    Agora, vejam, é algo simples, muito direto. Mas observem quanto dependia daqueles trezentos. Que coisa tremenda Deus fez. Como Ele Se comprometeu com eles.

    Que coisa maravilhosa: trezentos homens contra uma multidão como gafanhotos espalhados por toda a terra, e todos aqueles inimigos lançados em confusão e derrotados. O povo os venceu — trezentos homens. Mas que trezentos! Que tipo de homens eram!

    E me parece que a prova de que eram desse tipo estava no fato de que, mesmo sendo apenas trezentos, estavam preparados para prosseguir com a tarefa. Quero dizer, pensem no que era necessário para trezentos homens olharem para aquela grande multidão e dizerem uns aos outros: “Vocês não vão voltar para casa. Vamos prosseguir com esta tarefa que começamos, e vamos levá-la até o fim”.

    Esse era o tipo de homens que eram. Isso provou que tinham aquela disposição, não provou? Ali estavam eles, apenas trezentos diante de dezenas de milhares. Não recuaram. Disseram: “Vamos seguir em frente”.

    Ah, que haja homens e mulheres assim! Somente pessoas desse tipo, com essa disposição e esse coração, podem servi-Lo nesta grande obra de restaurar a Sua glória na terra.