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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Recovery of the Lord's Name, #4 of 6 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Recovery of the Lord's Name, #4 of 6
    Recovery of the Lord's Name, #4 of 6
    Austin-Sparks, T.

    O fundamento da presença e do poder de Deus

    Para recapitular o que já temos considerado, permitam-me apresentar novamente, muito brevemente, aquilo que entendemos ser o propósito do Senhor, ou aquilo que compreendemos e discernimos como tal, neste momento, nestas reuniões.

    É isto: em todas as coisas, o Senhor tem em vista a glória e a honra do Seu nome.

    Temos visto como a soberania e o poder de Deus são sempre postos em ação em favor do Seu nome, e por nenhuma outra razão.

    A honra do Seu nome está vinculada a um povo. Ele vinculou o Seu nome e a Sua glória a um povo; e essa glória se manifesta em um povo por meio do direito, da riqueza, do alimento e das maravilhas. Essas coisas, interpretadas espiritualmente, são aquilo que manifesta a Sua glória no Seu povo.

    Em terceiro lugar, dissemos que há certos fatores que Deus reconhece como a base da Sua obra para estabelecer essa condição no Seu povo.

    Ontem à noite, dedicamos todo o nosso tempo a observar as características de Gideão, um instrumento típico nas mãos de Deus, inteiramente voltado à glória do Seu nome no Seu povo. Aqueles de vocês que estiveram aqui se lembrarão das características de Gideão que vieram à luz em relação ao propósito de Deus.

    Nesta manhã, estivemos ocupados com o fato de que Deus chama instrumentos especificamente de acordo com o Seu propósito — isto é, tendo a Sua glória como objetivo final.

    Agora, nesta tarde, examinaremos novamente essa questão, por outro ângulo.

    O fundamento da presença e do poder

    Quero apenas recordar as palavras dirigidas a Gideão em Juízes 6:12 e Juízes 6:14. A esta altura, vocês já as conhecem tão bem que quase não precisam procurá-las.

    Então o Anjo do Senhor lhe apareceu e lhe disse:
    O Senhor é contigo, varão valoroso.

    Então o Senhor olhou para ele e disse:
    Vai nesta tua força e livra a Israel.

    Agora quero ler algumas palavras que vocês conhecem bem, na carta aos Filipenses, em Filipenses 2:5-11.

    De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus:
    Que, sendo em forma de Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que Se devesse apegar,
    Mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens;
    E, achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
    Pelo que também Deus O exaltou soberanamente e Lhe deu o nome que é sobre todo o nome;
    Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
    E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

    O assunto que nos ocupa nesta tarde é o fundamento da presença e do poder de Deus.

    Se há uma coisa evidente a respeito de Gideão, é que ele ilustra o poder da fraqueza.

    Na folha de guarda da minha Bíblia, tenho algo que escrevi há muitos anos, em um período de perplexidade e dificuldade na obra do Senhor, quando eu buscava intensamente conhecer o caminho da força, do poder e da sabedoria. Foi então que encontrei estas palavras. Elas estão na biografia de Lilias Trotter, cujo trabalho no norte da África muitos de vocês conhecem.

    O texto diz:

    Tantas perguntas se apresentam acerca da obra. Um grande consolo me veio nesta manhã ao ler o capítulo vinte e oito do livro de Jó, sobre o caminho da sabedoria e o seu lugar. Ele nos diz como Deus encontra um caminho para o vento, para a água e para o relâmpago. E isto me veio com um poder bendito: o caminho do vento é a região do maior vazio; o lugar da água é o lugar de maior profundidade; o caminho do relâmpago, como a ciência demonstra, segue a linha de maior fraqueza. Se alguém tem falta, aí está a condição de Deus para que nele flua o entendimento espiritual. Louvado seja o Seu nome.

    O fundamento da presença e do poder de Deus, naturalmente, de maneira abrangente e suprema, é o zelo pelo Seu nome no coração de qualquer servo Seu.

    Mas o caminho do poder é o caminho da cruz.

    A mente de Cristo e a honra do nome do Pai

    As palavras que lemos na carta aos Filipenses, com as quais talvez estejamos familiarizados demais, revelam-nos o significado da cruz.

    Haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.

    Em outras palavras, que a mentalidade de vocês seja a mentalidade de Cristo; que a disposição interior de vocês seja a disposição de Cristo.

    Ah, temos aqui algo maravilhoso. Nestas palavras, lemos a motivação da encarnação e da cruz.

    Ele contemplou a glória, a presença de Deus, onde está o Pai, e ali tomou a decisão de deixar aquela condição, vir para cá e seguir o caminho da cruz. Houve esse movimento na mente de Cristo.

    A motivação era, evidentemente, o fato de que outro nome havia tomado o lugar do nome do Senhor — o nome de Seu Pai — e não apenas se havia intrometido, mas havia ocupado o lugar do nome do Senhor.

    Sendo assim, conhecemos toda a história: a história daquele que disse: “Eu serei, eu serei semelhante ao Altíssimo”, que procurou fazer para si um nome acima de todo nome.

    Não bastava ao Filho manter a igualdade com Deus no céu enquanto o nome de Seu Pai era desonrado na terra. Ele não podia estar ali confortável, satisfeito. Na verdade, Ele não podia suportar aquilo: estar ali em Sua glória, de posse daquela condição, enquanto, na criação, outro nome era honrado — outro nome havia usurpado o lugar do nome de Seu Pai.

    A motivação era o zelo pelo nome de Deus, o zelo pela honra de Deus. Isso estava por trás de tudo. Ele esvaziou-Se a Si mesmo, e fez todas as outras coisas mencionadas aqui, que examinaremos uma a uma.

    Antes de tudo, a encarnação, a cruz e a exaltação acima de tudo, que veio em resposta, estavam fundamentadas em uma só coisa: o zelo pelo nome de Deus.

    É claro que Deus O exaltou soberanamente. Ah, as etapas desse grande ciclo, da glória de volta à glória, estão todas relacionadas a esse propósito. Tudo isso se deu por zelo pelo nome de Seu Pai.

    Essa mente, esse tipo de disposição interior — se vocês não tiverem uma motivação à altura dela, não farão tudo isso.

    É uma aplicação profundamente equivocada desta passagem dirigir-se aos cristãos e dizer: “Agora, vocês devem ter a mente de Cristo, e a mente de Cristo se manifesta desta e daquela maneira; vocês precisam ter a mesma disposição”. Isso pode impor às pessoas uma enorme pressão e um grande peso, como uma obrigação legal. Eu não sou assim de modo algum. Essa não é, de maneira nenhuma, a minha maneira de proceder.

    Vocês precisam ter uma motivação forte o bastante para levá-los a seguir esse caminho da cruz — forte o bastante para fazer disso algo que vocês precisam fazer, que não podem deixar de fazer. A própria disposição interior de Cristo significava que Ele não podia agir de outra maneira. A força desse zelo pelo nome de Seu Pai era tão grande sobre Ele que não havia outra coisa a fazer. Ele tinha de seguir esse caminho.

    Queridos amigos, creio que, neste exato momento, há uma grande necessidade entre o povo de Deus e no serviço de Deus de mais desse zelo tremendamente ardente pelo nome, pela honra e pela glória do Senhor.

    A avaliação de valores relativos

    Vemos que tudo isso começa com uma motivação. Mas essa motivação levou a uma avaliação.

    Na motivação havia uma ponderação. O texto diz:

    Não considerou a igualdade com Deus algo a que Se devesse apegar.

    Ele considerou. Houve uma avaliação da parte Dele — é isso que está implícito.

    De um lado, Ele tinha uma posição que ocupava junto a Deus. Tinha a glória da qual falou em Sua oração, em João 17:5:

    A glória que Eu tinha Contigo antes que o mundo existisse.

    Ele tinha isso. Ali estava Ele, de posse de tudo isso.

    Mas havia o nome de Seu Pai na terra, e outro nome havia sido colocado em seu lugar.

    Ter essa posição e toda essa glória era mais importante do que o nome de Seu Pai ser glorificado lá embaixo? Ele chegou à conclusão: não.

    Colocando essas duas coisas na balança — de um lado, Sua própria glória e Sua posição pessoal; do outro, o nome de Seu Pai sendo glorificado na terra —, Sua própria glória tinha muito menos importância. A honra do nome do Pai na criação pesava incomparavelmente mais do que Sua própria glória e plenitude pessoal.

    Foi uma avaliação. Ele considerou. Ele ponderou.

    Agora o apóstolo diz:

    Haja em vós o mesmo sentimento.

    Ele vê o resultado, o maravilhoso resultado, de Cristo Se entregar, podemos dizer com razão, de uma maneira mais plena do que nunca, ao propósito de Sua vida. Deus Lhe deu o nome que está acima de todo nome.

    Agora, ao nome de Jesus — o Senhor encarnado —, todo joelho no universo se dobrará, e toda língua O confessará como Senhor de tudo.

    Diante disso, o apóstolo diz:

    Haja em vós o mesmo sentimento.

    Em outras palavras, se Deus há de Se comprometer com vocês, se Deus há de Se manifestar junto de vocês, e se o poder de Deus há de repousar sobre aquilo que vocês fazem, vocês precisam fazer uma avaliação fundamental.

    A natureza essencial do serviço

    Isso é algo que todo servo de Deus precisa enfrentar desde o início, pois, afinal de contas, é isso que constitui o servo de Deus. Essa é a própria essência do serviço.

    O que é serviço? Qual é a essência do serviço? O que faz de alguém um servo de Deus?

    Falamos do serviço do Senhor. Às vezes, usamos em seu lugar a expressão “a obra do Senhor”. Estamos preocupados e ansiosos para estar no serviço do Senhor, e então pensamos no trabalho missionário, no ministério, em uma coisa e outra. É isso, na verdade, que queremos dizer com serviço do Senhor e com estar no serviço do Senhor.

    Mas qual é o cerne e a essência do serviço? O que é um servo do Senhor?

    Não é nada mais, porque não pode haver nada mais; e, na verdade, não é nada menos do que trazer glória e honra ao nome do Senhor. Isso abrange e engloba todo serviço, e é isso que faz o servo do Senhor.

    Podemos fazer mil coisas, mas, se elas não resultarem em honra ao nome do Senhor, não são serviço a Deus.

    Jesus é o grande Servo do Senhor. Nunca houve um servo do Senhor como Ele. Ele serviu ao Pai como nenhum outro jamais serviu, nem poderia servir.

    Como Ele fez isso? Restituiu ao nome do Pai o seu lugar de honra e glória. Ele desceu e entrou na disputa com o outro nome. Agora Ele está acima de todo nome. Ele enfrentou a contestação ao lugar do Pai, e, dessa maneira, é o Servo por excelência, acima de todos.

    Haja em vós o mesmo sentimento.

    Precisamos pesar todas as nossas atividades e esforços pessoais desta maneira: até que ponto o Senhor está recebendo o que Lhe é devido, ocupando o Seu lugar? Não: “Quanto estou fazendo?”, mas: “Quanta glória real para o nome do Senhor está vinculada ao que estou fazendo?”

    Isso se desenvolve na análise mais completa desse grande ensino na carta aos Filipenses. Eu estava dizendo que isso é algo que todo servo de Deus, todo aquele que deseja servir a Deus, precisa resolver desde o início: uma avaliação, uma avaliação de valores relativos.

    Moisés fez essa avaliação. Diz-se, em Hebreus 11:26, que ele considerou o opróbrio de Cristo uma riqueza maior do que os tesouros do Egito. Considerar — essa é a palavra.

    Vejam como eram grandes todos os tesouros do Egito: sua posição, seu conhecimento, tudo o que ele tinha no palácio do Egito. Do outro lado, havia um povo pobre, desprezado, afligido: os israelitas.

    Ele pesou tudo desde o início, e a conclusão foi esta: havia riquezas maiores lá embaixo do que em tudo isso. “Eu peso essas coisas, e o que tem maior importância é que o nome do Senhor está envolvido. O Senhor escolheu aquele povo, a descendência de Abraão, para ser o vaso da glória do Seu nome. Ali é o meu lugar, custe o que custar.”

    Foi uma avaliação.

    Paulo fez o mesmo. Ele pesou tudo. Em Filipenses 3:7-8, diz:

    O que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo.

    E ele enumera essas coisas, e vocês sabem quais eram: tudo aquilo que o coração natural valorizaria.

    Tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.

    Aqui está uma avaliação fundamental. Mas vejam a que essa avaliação levou: todo o sofrimento, toda a aflição, todas as provações, tudo. Ainda assim, Paulo nunca abandonou essa posição.

    Essa é uma das coisas mais maravilhosas. Tudo o que ele teve de sofrer, todas as consequências de sua grande decisão e avaliação — até o fim, Paulo se manteve firme nisto: “É melhor. É melhor estar aqui com Cristo do que ter tudo isso e estar de volta lá, sem Ele”. Ele pesou tudo.

    Ora, esse é um desafio muito, muito sério, não é? Vocês não chegarão a essa conclusão por causa desse nome, nem darão esse passo de abandonar tudo o mais — todas as outras possibilidades e perspectivas —, a menos que tenham essa valorização tremendamente forte e elevada da glória de Deus.

    Mas, se vocês tiverem uma concepção adequada e correta da glória de Deus e do que ela significará neste universo, verão tudo o mais, por maior que seja, como algo muito pequeno em comparação.

    Em Romanos 8:18, lemos:

    Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.

    Tenho por certo. Coloquem isso na balança.

    Envolvemo-nos em muito sofrimento, aflição, provação e dificuldade quando nos posicionamos pelo nome do Senhor, pela glória desse nome. É um passo que custa muito.

    Só conseguiremos manter essa posição se tivermos feito essa avaliação fundamental.

    O Senhor Jesus sempre exigiu uma avaliação fundamental assim, não é? Ele nunca enganou ninguém. Quando chamou pessoas ao discipulado e à comunhão Consigo, deixou perfeitamente claro: “Vocês vão passar por dificuldades; Eu lhes digo isso francamente. Esse caminho será um caminho de grande custo. Não se enganem a respeito disso”.

    O homem que vai à guerra se senta e calcula os seus recursos. “Posso não apenas começar, mas ir até o fim? Tenho recursos que me sustentem até o fim?”

    O homem que vai construir uma torre se senta. “Ora, tenho os meios não apenas para lançar um alicerce e começar, mas para terminar esta construção? Posso levá-la até o fim?”

    Com essas palavras, o Senhor Jesus estava apenas dizendo o que estamos dizendo agora: “Vejam, vocês precisam fazer uma avaliação fundamental a respeito disso. Essa mente que estava em Cristo Jesus precisa estar em vocês, e vocês precisam resolver algo. Isso é algo que precisa ficar resolvido”.

    É uma batalha que parece surgir repetidamente, não é?

    Contudo, é preciso fazer algo a respeito. Quero realmente insistir com vocês, meus amigos mais jovens: vocês vão enfrentar tempos muito difíceis. Todo o inferno se levantará contra vocês se tomarem posição pela honra do nome do Senhor. Vocês passarão por dificuldades, mas precisam fazer a avaliação: “Vale a pena? Esse nome vale a pena? Essa glória vale a pena?”

    O princípio do esvaziamento de si mesmo

    Bem, depois da avaliação veio o esvaziamento.

    Não considerou a igualdade com Deus algo a que Se devesse apegar,
    Mas esvaziou-Se a Si mesmo.

    É claro que há uma diferença tão grande, tanto em natureza quanto em grau, entre Ele e nós, que jamais poderemos nos esvaziar daquilo de que Ele Se esvaziou — nunca o tivemos; não o possuímos. Isso é verdade. Não temos nenhuma glória que corresponda à Sua glória.

    No entanto, embora haja uma diferença tão grande entre Ele e nós, o princípio é o mesmo. O princípio é o mesmo.

    Mesmo em nós existe, por estranho que pareça, aquilo que constitui a nossa glória pessoal. Pobres e miseráveis como somos, e sabemos que somos, de algum modo leva quase uma vida inteira para nos esvaziarmos das coisas que fomos adquirindo pelo caminho, que valorizamos e às quais nos apegamos.

    Ele esvaziou-Se a Si mesmo; e, se o princípio não fosse o mesmo para nós e para Ele, Paulo nunca diria:

    Haja em vós o mesmo sentimento.

    A natureza e a medida fazem diferença, ah, mas o princípio é o mesmo: o esvaziamento.

    Toda a história de Gideão é uma declaração de que um vaso nunca deve ter glória própria. O lápis, a faca que Deus usa não têm glória pessoal. A glória precisa ser do Senhor, e somente do Senhor.

    A história declara isso, não é? Considerem o próprio homem. Considerem os meios que o Senhor usou para a obra. Foi um caso, como veremos mais adiante, de reduzir, reduzir, reduzir — diminuir, cada vez mais —, sem jamais permitir que entrasse nessa questão qualquer coisa que contribuísse para a glória do instrumento.

    Quando aquilo foi feito, todos tiveram de dizer: “Bem, isso é absolutamente maravilhoso: pensar que isso pôde ser realizado com tais instrumentos, dessa maneira”.

    O Senhor estava tomando precauções, não é? Como diz em Juízes 7:2:

    A fim de que Israel se não glorie contra Mim.

    Não há glória para o vaso. Não; é a glória do nome. E essa glória do nome exclui toda outra glória.

    Queridos amigos, de que estou falando? Estou falando do fundamento da presença e do poder de Deus.

    O Senhor é contigo.
    Vai nesta tua força.

    A presença e o poder estão fundamentados nisto: o fim completo de toda glória pessoal e de todo motivo para glória pessoal.

    Ou devemos dizer isso de outra maneira? É proporcionar ao Senhor uma base plena para a Sua própria glória. O Senhor toma infinitos cuidados para assegurar essa base.

    Toda a história de fraqueza e limitação, e todas aquelas coisas das quais falamos, são necessárias simplesmente porque os homens amam os seus nomes, as suas reputações, a atenção voltada para si e as suas próprias honras. Sustentam sua posição por meio de títulos na obra do Senhor. Promovem a si mesmos, ou são promovidos, como o grande instrumento que fará isto ou aquilo. E aí está o estado deplorável das coisas depois de dois mil anos.

    Não, o fundamento da presença e do poder é este. Sem dúvida, isso foi verdadeiro no caso do Senhor Jesus: Ele abriu mão de toda reputação.

    Os homens estão sempre tentando construir reputações para si mesmos na esfera dos interesses de Deus, e Deus não está nisso. Ele não tem nada a ver com isso. Prossigam e façam o que puderem com aquilo que preferirem, mas não podem contar com a presença e o poder de Deus.

    A forma e a função de um servo

    A forma e a função: na semelhança de homem, na função de um servo. Não vou me deter nos aspectos técnicos das diferentes palavras usadas aqui no texto original; isso não seria muito edificante nem útil para vocês neste momento.

    Mas tudo se resume a isto: na forma de homem, na semelhança de homem, a função que Ele aceitou, assumiu e cumpriu foi a função de um servo. É isso que o texto diz.

    Como homem, na semelhança de homem, tudo o que vou dizer aqui a esse respeito, em consonância com toda essa questão da presença e do poder, é isto: Ele não apareceu aqui como algum ser superior, de outra ordem.

    Pelo que o mundo podia perceber ao observá-Lo, não havia diferença entre Ele e os outros homens. Qualquer diferença que houvesse estava inteiramente oculta ao mundo. Podiam olhar para Ele, julgá-Lo, falar com Ele, tocá-Lo e lidar com Ele exatamente como lidariam com qualquer outro homem.

    Ele não era algum ser superior de outra ordem. Vejam, há nisso um princípio de enorme significado e importância no que diz respeito ao Senhor.

    Dissemos que a grande tendência é colocar os homens em um pedestal e transformá-los em uma categoria superior. “Eles são grandes; são maravilhosos; são superiores; estão acima dos homens comuns na obra de Deus.” Ah, o que se escreve nas colunas dos jornais sobre as coisas maravilhosas que esse homem fez, e assim por diante.

    Olhem, se quiserem, para essa pobre condição: a forma de homem. Forma de homem; não forma de anjo, não alguma ordem superior da criação, apenas forma de homem.

    Buscamos os nossos adornos para causar impressão. Acrescentamos coisas para transmitir às pessoas que aqui há algo diferente, distinto, a fim de conseguir acesso, aceitação, e assim por diante.

    Nada disso estava na mentalidade, na disposição interior do Senhor Jesus. Se não temos influência espiritual, que Deus nos livre de tentar produzi-la artificialmente. Vocês a estão obtendo por meios artificiais. Ah, não, nada disso.

    O nome que Deus dá não é artificial, não é promovido pela própria pessoa, não é um nome de fabricação própria. Basta dizer isso a esse respeito.

    A forma de servo — de um servo. Ele disse em Lucas 22:27:

    Eu, porém, entre vós sou como Aquele que serve.

    E em Mateus 20:28:

    O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.

    Que desafio, que desafio a tanta coisa que existe no cristianismo.

    Não veio para ser servido, mas para servir.

    Um servo, não um ditador; não um autocrata; não um senhor; um servo.

    Certamente Ele era o Senhor, mas este é o fundamento da presença e do poder. Esse é o ponto. Deus estava com Ele porque Ele era assim.

    A obediência até a morte

    E então, a obediência. Ele Se tornou obediente.

    Antes da encarnação, Ele podia dar ordens, e os anjos se apressavam em cumpri-las. Ao menor gesto ou indicação, eles se moviam em obediência.

    Mas agora Ele era Aquele que precisava receber instruções, ordens, ser colocado sob direção: obediente até a morte.

    Essa pequena palavra “até” tem um duplo significado. Significa até chegar à morte — a fase final, o ponto final, a expressão final da obediência, sem que reste nada a fazer além disso.

    Mas, ah, ela também indica a profundidade à qual Ele desceu: até a morte, e morte de cruz.

    Como foi absoluto esse exercício da função de servo. Como foi absoluto esse esvaziamento de Si mesmo. A cruz é apresentada aqui como a expressão máxima da vontade de Deus, a plenitude e a consumação da vontade de Deus: até o último grau e até a mais profunda profundidade.

    Haja em vós o mesmo sentimento.

    A partir desse ponto, Deus O exaltou soberanamente e Lhe deu o nome que está acima de todo nome. Esse é o propósito.

    A força da fraqueza

    Bem, essas coisas constituem, como nos propusemos a dizer, o fundamento da presença e do poder:

    O Senhor é contigo, varão valoroso.

    A força da fraqueza, a força do esvaziamento — qual é a força dessa fraqueza, desse esvaziamento? Qual é a força de tudo isso que não confere honra alguma ao homem?

    É simplesmente o fato de que o Senhor está conosco. Isso é tudo.

    O que mais vocês desejariam? O que mais poderíamos ter? Se o Senhor está conosco — se Deus é por nós, quem será contra nós? Isso é força. Isso é poder. Isso é segurança. Isso é certeza.

    Está tudo bem porque o Senhor está conosco, por mais fracos e vazios que sejamos, por mais escassos que sejam os recursos de que dispomos. Não importa que não tenhamos nome, reputação, título ou méritos — qualquer outra coisa para exibir e anunciar. Se o Senhor está conosco, isso basta.

    Curiosamente, isso não basta para muitos hoje. Eles precisam da publicidade e de todas essas coisas. Não consideram suficiente ter o Senhor com eles. O Senhor lhes parece insuficiente; por isso, dependem de anúncios nos jornais e de proclamações acerca dos seus próprios dons, de suas pessoas e de suas obras maravilhosas.

    De modo algum. Basta, basta que o Senhor esteja conosco. Isso será todo o poder necessário.

    Vocês querem conhecer a presença do Senhor? Querem conhecer o poder de Deus repousando sobre vocês?

    Bem, é a força da fraqueza, a força da fraqueza. O vento, a água e o relâmpago encontram o seu caminho onde há fraqueza.

    Que o Senhor nos conceda essa graça, essa mente que também estava em Cristo Jesus. Precisamos Dele, e precisamos da Sua mente.