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    The Mind Of Christ © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Mind Of Christ
    The Mind Of Christ
    Lambert, Lance

    A mente de Cristo

    É um verdadeiro prazer poder ver todos vocês novamente, e não numa época muito quente do ano, como de costume. É muito bom vê-los neste dia tão tipicamente inglês.

    Leitura bíblica: Filipenses 2:1-11

    Vou ler uma passagem que acredito ser bastante conhecida pela maioria de vocês, se não por todos: Filipenses 2:1-11.

    Se há, portanto, alguma exortação em Cristo,
    se alguma consolação de amor,
    se alguma comunhão do Espírito,
    se entranhados afetos e compaixões,
    completai a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar,
    tendo o mesmo amor,
    sendo unidos de alma, de um só pensamento;
    nada fazendo por rivalidade ou vanglória,
    mas, em humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo;
    não olhando cada um para os seus próprios interesses,
    mas também para os interesses dos outros.

    Tende em vós esta mente, que também houve em Cristo Jesus:
    o Qual, existindo em forma de Deus,
    não considerou a igualdade com Deus algo a que Se apegar,
    mas esvaziou-Se a Si mesmo,
    tomando a forma de servo,
    sendo feito em semelhança de homens;
    e, sendo encontrado em figura humana,
    humilhou-Se a Si mesmo,
    tornando-Se obediente até à morte,
    sim, à morte de cruz.

    Por isso também Deus O exaltou sobremaneira,
    e Lhe deu o nome que está acima de todo nome;
    para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho,
    dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra,
    e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor,
    para a glória de Deus Pai.

    Oração inicial

    Vamos nos inclinar juntos em oração.

    Pai celestial, somos tão gratos porque estivemos juntos na Tua presença nesta manhã e, pelo Teu Espírito, fomos capacitados a Te adorar e a Te glorificar.

    Ó Pai celestial, ao nos achegarmos agora à Tua Palavra, pedimos que nos concedas toda a graça e o poder de que precisamos para que tanto o falar quanto o ouvir sejam no Espírito. Oramos, Pai, para que possamos ouvir a Tua voz e para que me capacites a falar a Tua Palavra — a comunicar aquilo que está no Teu coração.

    Precisamos de Ti, Senhor. Queremos reconhecer com toda a simplicidade que, quando se trata do ministério da Tua Palavra, nada podemos realizar por nós mesmos. Seja no meu falar, seja no nosso ouvir, nada realizamos.

    Mas, Senhor, se Tu fores o poder e a energia, a revelação e a iluminação deste momento, então, Senhor, nos lembraremos desta manhã com louvor e gratidão, porque não apenas fomos capacitados a Te adorar, mas recebemos de Ti algo que, por assim dizer, nos formará até alcançarmos a maturidade plena no Senhor Jesus.

    Ajuda-nos, então, Senhor, enquanto juntos nos entregamos a Ti pelo restante do nosso tempo nesta manhã, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    O coração e a mente

    É nesta pequena frase, tão conhecida, de Filipenses 2:5 que quero me deter por algum tempo nesta manhã:

    Tende em vós esta mente, que também houve em Cristo Jesus.

    Há duas coisas das quais a Bíblia fala muitíssimo. Vocês as encontram por toda parte — às vezes sob termos diferentes, especialmente no Antigo Testamento —, mas elas aparecem em toda a Bíblia, do começo ao fim. No que diz respeito à Palavra de Deus, esses dois componentes da nossa personalidade ou do nosso ser são os mais significativos e importantes: o coração e a mente.

    Não foi sem motivo que, quando o Senhor apareceu a Salomão, Ele disse:

    Dá-Me o teu coração.

    Era como se Deus estivesse dizendo: “Se Eu tiver o seu coração, tenho tudo”.

    Nós, os crentes, especialmente os evangélicos, temos muito o costume de falar em dar o coração ao Senhor Jesus. Mas como são poucos os que realmente deram o coração ao Senhor Jesus. Isso se tornou uma expressão muito banal: dar o nosso coração ao Senhor. O que queremos dizer com isso é que recebemos a salvação. É isso que realmente queremos dizer. Estamos recebendo o céu; estamos recebendo felicidade e alegria eternas.

    Esquecemos que Deus quer o seu coração. Quando uma pessoa entrega o coração, Deus passa a ter o ponto central da personalidade dela. Ele tem, por assim dizer, o centro do seu ser.

    Uma vez que Deus tenha o seu coração, Ele começará a Se comprometer com você. Começará a revelar os Seus segredos a você. Começará a desvendar algo de Si mesmo a você de maneira cada vez maior. Afinal, no fim das contas, é o coração que importa.

    Mas a outra parte do nosso ser sobre a qual a Bíblia tem muitíssimo a dizer é a mente. A mente é de importância vital. Na verdade, acho que ela tem importância estratégica.

    Como um homem pensa, assim ele é.

    Em última análise, é a maneira como você pensa que determina o seu caráter. Ela determina o seu comportamento. Determina a sua conduta. Determina o seu modo de vida.

    Conceitos e conduta

    Pensar é muito importante. Tenho usado com frequência uma pequena frase que, acredito, resume tudo isso:

    O conceito governa o comportamento.

    Se você tem determinado conceito, quer goste ou não, o seu comportamento será a consequência. O seu comportamento decorre do conceito.

    Se você pensa que certas pessoas são inferiores, vai tratá-las como inferiores. Se pensa que certas regiões do mundo são insalubres, não irá até lá. Se considera que determinado alimento, por mais rico em vitaminas que seja, faz mal de alguma maneira, nunca tocará nele. Os seus conceitos governam o seu comportamento.

    Portanto, a sua mente tem enorme importância. Estamos vivendo numa geração em que a batalha pela mente é primordial. Pela televisão, pelo rádio, pelo cinema, pelos jornais, livros e revistas, está em curso uma batalha pelas mentes das nações.

    Estamos sendo influenciados o tempo todo por coisas que mal conhecemos e mal compreendemos. Tomem uma ilustração simples: a teoria darwinista da evolução.

    Estamos sendo bombardeados, de todos os lados, com a ideia de que o homem evoluiu. Alguns crentes sempre acharam que a Bíblia precisa ser explicada à luz de qualquer teoria científica contemporânea que esteja predominando.

    Há um comentário maravilhoso atribuído a Charles Spurgeon sobre a Palavra de Deus: ela é um leão. Você não precisa defender o leão; basta abrir a jaula e deixá-lo sair. Mas, infelizmente, muitos crentes acham que precisam defender a Palavra de Deus e explicá-la.

    Então há aqueles que dizem: “Bem, pode haver uma forma de evolução. Talvez tenhamos vindo do lodo no princípio, ou de alguma outra coisa, ou tenhamos evoluído lentamente. De algum modo, podemos conciliar isso com Gênesis 1. Afinal, cada um dos seis dias corresponde a mil anos”.

    Mas eles se esquecem completamente de que, se cada um daqueles seis dias de Gênesis 1 correspondesse a mil anos, tudo o que foi criado e viveu durante quinhentos anos de luz teria morrido durante quinhentos anos de escuridão. É uma teoria que as pessoas não examinam até as últimas consequências.

    Há muitas teorias assim, pelas quais tentamos explicar a Palavra porque sentimos que foram descobertos fósseis que, segundo dizem, têm milhões e milhões de anos. Pessoalmente, creio que o milagre desaparece se você não crê de verdade que Deus existe. Se você crê que Deus existe, então tudo é possível.

    Ele poderia ter criado tudo, completo, em seis dias. Não acho que estivesse além do Seu poder criar tudo em um segundo. Ele nem precisava de seis dias. Poderia ter feito isso com uma única palavra, e tudo estaria ali.

    Não sei se Ele fez dessa maneira, mas observo que agora há uma nova teoria chamada teoria do Big Bang. Tudo começou com uma grande explosão. Pelo menos está um pouco mais perto de Gênesis 1.

    Mas estou usando isso apenas como ilustração. A teoria darwinista da evolução nunca foi de fato comprovada. É especulativa, uma tese que, no entanto, se tornou parte tão integrante da nossa vida que tudo o mais decorre dela.

    Afinal, se evoluímos de alguma coisa, então, naturalmente, as pessoas concluem que o aborto é permissível. Mais adiante, podem chegar à eutanásia — matar qualquer pessoa que esteja doente. Depois, podem achar que certos grupos étnicos devem ser exterminados como baratas.

    Não foi sem motivo que os nazistas começaram legalizando o aborto em meados da década de 1930. Passaram à eutanásia — a “morte por misericórdia” dos doentes mentais — e depois ao genocídio. Vocês precisam se lembrar de que não apenas judeus, mas mais de um milhão e meio de ciganos foram exterminados porque eram considerados um grupo étnico indesejado. O plano nazista era, por fim, tomar os povos eslavos e exterminar dois terços deles.

    Uma vez que você adota determinada teoria, determinado conceito, tudo o mais começa a decorrer disso. Vocês entendem o que estou tentando dizer? Mesmo que haja mistérios acerca da origem ou do desenvolvimento da vida, o fato é que os nossos conceitos governam o nosso comportamento.

    A mente de Cristo e a mente da carne

    É por isso que é tão importante prestarmos atenção a esta palavra do apóstolo, pelo Espírito Santo, em Filipenses 2:5:

    Tende em vós esta mente, que também houve em Cristo Jesus.

    Há uma mente que conduz à vida, à saúde e à glória. Há uma mente que conduz à corrupção, à esterilidade e à morte. Você e eu precisamos compreender que essas duas mentes estão em guerra uma com a outra. São diametralmente opostas. Não há coexistência entre a mente da carne e a mente de Cristo.

    Pois a mente da carne é inimiga da mente do Espírito. A maioria de nós, depois de ser salva, passa pelo menos alguns anos tentando conciliar a mente da carne com a mente do Espírito. Nós nos desgastamos. Não é de admirar que os cristãos, dentre todas as pessoas, sejam muitas vezes os mais infelizes.

    Eles passam o tempo tentando, de alguma maneira, viver segundo os princípios deste mundo e os princípios da carne, enquanto tentam, ao mesmo tempo, crescer no Senhor, compartilhar com os irmãos e ver o Corpo de Cristo ser edificado. É impossível. São dois mundos diferentes.

    O princípio do eu

    O que é a mente da carne? Aqui tenho uma grande ajuda, porque cada um de nós nasceu com a mente da carne. Em certo sentido, todos conhecemos isso por dentro, mesmo que nunca tenhamos conseguido defini-lo.

    Vivemos espontaneamente segundo a mente da carne. Ninguém precisa nos ensinar a viver segundo a mente da carne, porque, desde bebês, todos vivemos de acordo com ela.

    A mente da carne é simplesmente isto:

    Eu em primeiro lugar, eu em segundo lugar e eu por último.

    É algo muito simples. Não precisamos de inteligência acadêmica para compreender esse princípio: eu em primeiro lugar, eu em segundo lugar e eu por último. Se os outros entram em cena, é apenas enquanto não me incomodam — enquanto podem servir de degraus para o lucro, o sucesso, a popularidade ou a glória.

    Muitos casamentos seguem adiante, aos trancos e barrancos, segundo esse princípio. Às vezes, as esposas veem os maridos simplesmente como um meio de ter uma família, construir um ninho e alcançar um objetivo. Os maridos, às vezes, veem as esposas simplesmente como um meio de satisfação — alguém para cozinhar, alguém para servir e, de vez em quando, alguém para exibir.

    Não há sacrifício de si mesmo nisso. Isso não brota espontaneamente do interior. A mente da carne é simplesmente glorificar a si mesmo, à própria família e aos próprios filhos.

    É por isso que há tanta delinquência juvenil: alguns pais usam os filhos. Seus filhos se tornam pequenos símbolos de status. Os pais querem que os filhos ingressem em determinadas áreas nas quais acreditam que eles alcançarão não apenas fama, mas glória para a família.

    É a velha mente da carne: o eu em primeiro lugar, o eu em segundo lugar, o eu por último. Os outros só entram nisso na medida em que ajudam o progresso e a glória do eu.

    A mente da carne — todos nós a conhecemos. Se há alguém aqui que não sabe do que estou falando, eu adoraria conversar com você. Todos aqui devem conhecer, por experiência própria, alguma coisa desse princípio.

    É o princípio natural desde o momento em que nascemos. É: “Me dá, me dá, me dá”. Tudo gira em torno de mim. Todos estão ali por minha causa: para me alimentar, me abraçar, me consolar, suprir minhas necessidades e me fazer progredir.

    O eu, o eu, o eu e o eu: a mente da carne. Tudo começou num mistério que talvez nunca compreendamos plenamente, quem sabe até mesmo na glória. Começou naquele ser criado que a Bíblia chama de Lúcifer, que disse:

    Exaltarei o meu trono acima do trono de Deus.

    Foi aí que tudo começou, e o veneno está em todos nós.

    O princípio de Cristo

    A mente de Cristo é algo muito diferente. Vejam aqui em Filipenses 2:6-7:

    O Qual, existindo em forma de Deus,
    não considerou a igualdade com Deus algo a que Se apegar,
    mas esvaziou-Se a Si mesmo,
    tomando a forma de servo.

    Não apenas um servo contratado. Antigamente, havia duas formas de servo: o escravo, que não tinha direitos, e o servo contratado, que tinha certos direitos. A palavra aqui é “escravo”, não “servo contratado”.

    Em outras palavras, o Senhor Jesus esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de um escravo sem direitos. Então a passagem vai um passo além, em Filipenses 2:7-8:

    Sendo feito em semelhança de homens;
    e, sendo encontrado em figura humana,
    humilhou-Se a Si mesmo,
    tornando-Se obediente até à morte,
    sim, à morte de cruz.

    Essa é outra mente. Por que Ele fez isso? É uma boa pergunta.

    Alguém diz que Ele fez isso pela glória que Lhe estava proposta. Isso não está correto. Se você pensa que Jesus passou por tudo isso simplesmente pela glória que haveria de vir, Ele já tinha glória. Não precisava passar por isso.

    Não, meus queridos amigos. Ele suportou tudo pela alegria que Lhe estava proposta, porque essa alegria era conduzir muitos filhos à glória. Em outras palavras, obter um tipo inteiramente novo de homem, formado sobre um novo princípio — o mesmo princípio segundo o qual Ele agia.

    O princípio é este:

    Deus em primeiro lugar, Deus em segundo lugar e Deus por último.

    Dizendo de outra maneira:

    Os outros, os outros, os outros.

    Abençoarei, em nome do Senhor, cada pessoa que puder me ajudar a alcançar isso. Isso não transformaria toda a nossa maneira de ver as coisas? Se cada pessoa que pisa nos nossos calos, passa por cima de nós ou nos causa dor fosse vista como um meio de nos ajudar a colocar os outros em primeiro lugar, os outros em segundo lugar e os outros por último, que diferença isso faria!

    Direitos e justiça

    Todo o nosso problema nessa questão são os direitos. Todos nós temos direitos. Vivemos numa era de direitos: direitos humanos, direitos dos homens, direitos das mulheres, direitos deste grupo étnico e daquele grupo étnico. Tudo é direitos, direitos, direitos.

    Desde a primeira infância, pensamos em como defender os nossos direitos, lutar pelos nossos direitos e conquistar os nossos direitos — direitos e mais direitos. O problema é que esses direitos nunca produzem justiça.

    Acho muito interessante o que está no Evangelho de Marcos e no Evangelho de Mateus, em Marcos 8:34 e Mateus 16:24:

    Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    As palavras “negue-se a si mesmo” também poderiam ser traduzidas assim:

    Se alguém quiser vir após Mim, renuncie a todo direito sobre si mesmo.

    O cerne de toda essa questão é se você e eu estamos preparados para sacrificar os nossos direitos por Deus e pelos outros.

    A lei do Espírito da vida

    Em Romanos 8:1-9, temos um comentário muito interessante sobre essa questão.

    Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
    Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me libertou da lei do pecado e da morte.
    Pois o que a lei não podia fazer, por estar enfraquecida pela carne,
    Deus, enviando o Seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e por causa do pecado, condenou o pecado na carne:
    para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós,
    que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.
    Porque os que são segundo a carne pensam nas coisas da carne;
    mas os que são segundo o Espírito, nas coisas do Espírito.
    Porque a mente da carne é morte;
    mas a mente do Espírito é vida e paz.
    Porque a mente da carne é inimizade contra Deus;
    pois não está sujeita à lei de Deus, nem, de fato, pode estar.
    E os que estão na carne não podem agradar a Deus.
    Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vós.

    A guerra civil interior

    É por isso que os cristãos são tão infelizes. Viajo por toda parte, e é sempre uma alegria imensa encontrar cristãos que são alegres. É tão raro.

    Os cristãos, dentre todas as pessoas, deveriam ser as pessoas mais alegres do mundo. Afinal, o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Em tempos de dificuldade, quando tudo está contra você, pode haver alegria indizível e cheia de glória.

    Mas os cristãos raramente chegam a esse ponto, porque estão no Espírito, mas vivem segundo a carne. Têm uma espécie de guerra civil.

    Não há nada mais trágico do que uma nação em guerra civil, quando irmãos lutam contra irmãos e toda a economia e a segurança da nação são destruídas. Como você pode estar alegre numa guerra civil? No entanto, a maioria dos crentes tem uma guerra civil acontecendo dentro de si. Eles realmente estão no Espírito, e não na carne, mas, na prática, estão andando segundo a carne.

    Romanos 8:6 diz:

    A mente do Espírito é vida e paz.

    Como é importante, para o nosso bem-estar integral, termos paz, além de vida. Nós, os crentes, estamos sujeitos a conflitos enormes e a grandes batalhas — não apenas interiores, mas também exteriores. Como é tremendamente importante termos vida e paz.

    Os peixes vivos e a correnteza

    Mas Deus fez provisão para nós. Acho que já disse a alguns de vocês: somente peixes mortos se deixam levar pela correnteza.

    Um peixe vivo tem a capacidade, pela própria vida que há dentro dele, de usar a correnteza para nadar contra ela. Ele usa a correnteza para subir o rio. Tudo está contra ele, mas ele tem uma vida que o capacita a subir, subir e subir, e alcançar o objetivo apesar da força da correnteza.

    No entanto, dizemos: “Tudo é tão difícil. É tão difícil ser cristão. Tudo está contra nós. Você precisava ver a minha faculdade, o meu trabalho, a minha família. Tudo está contra nós. É uma luta sem fim”.

    Tudo vai puxá-lo para baixo se você estiver tentando viver segundo a mente da carne. Mas, se viver segundo a mente do Espírito, descobrirá que foi constituído para enfrentar justamente a correnteza que flui contra você.

    Aquilo mesmo que está contra você na faculdade, no trabalho, nos negócios ou em casa é o meio que Deus está usando para que você vença, vença e vença, até finalmente chegar ao trono de Deus.

    Você tem uma vida constituída pelo Espírito de Deus para ir contra a correnteza. Não dê mais desculpas dizendo que a correnteza está contra você. Pobrezinho de você. Como se Deus não soubesse, quando o salvou, que estava colocando você numa situação em que tudo estaria contra você.

    Os crentes têm sido assim desde o princípio. Não houve um único crente que não tivesse sido constituído para ir contra a correnteza e, por fim, vencer pela graça de Deus. Essa é a natureza do mundo em que vivemos.

    Não somos do mundo, embora estejamos no mundo. Graças a Deus, somos do céu. Fomos constituídos de tal maneira que podemos vencer justamente aquilo que está contra nós. De fato, essas coisas são usadas para nos fazer avançar, a fim de que o propósito de Deus se cumpra em nossa vida.

    O falso equilíbrio

    Que tragédia é tornar-se um filho de Deus e não viver segundo a mente do Espírito. Algo sussurra no seu ouvido: “Não seja radical. Você não quer se tornar um daqueles santinhos velhos e mirrados — sem vida, sem alegria e vestidos de cores sombrias —, quer?”

    Algo dentro de nós diz: “Não, Senhor, não quero me tornar um daqueles santinhos velhos e mirrados”. Agora, para que não haja mal-entendido, há alguns santos idosos aqui nesta manhã, e quero dizer que não estou me referindo a ninguém neste prédio.

    Você pode envelhecer, e a vida de Deus continuar em você. Quando a vida de Deus está em você, você se torna alguém que atrai os outros. Conheço santos idosos que estão entre as pessoas mais cativantes do mundo. Conheço outros de quem eu preferiria fugir e atravessar três continentes de avião para ficar longe, se fosse possível.

    Mas, quando alguém realmente tem essa vida dentro de si, que alegria é ver que, à medida que o corpo envelhece, a mente do Espírito se renova dia após dia. Essas pessoas sabem do que estão falando. Passaram por isso e podem nos ajudar. Sabem o que se levantou contra elas e como, pela graça de Deus, quando já não sabiam o que fazer, venceram.

    É maravilhoso conhecer a mente do Espírito. A tragédia é que, se você ceder à voz que diz que seguir o Senhor até o fim vai torná-lo artificial, pouco natural, anormal, estranho e alienado, tentará encontrar um equilíbrio.

    Esse equilíbrio consiste em brincar com a mente da carne e, ao mesmo tempo, reconhecer a mente do Espírito. Isso não funciona. Não há coexistência entre esses dois mundos. Um conduz à corrupção e à morte; o outro conduz à justiça e à vida.

    É melhor resolver isso desde o início: entregue-se inteiramente a um só caminho. O que você acha que vai acontecer? Descobrirá que tem vida, paz e alegria. Às vezes, ficará surpreso por ter vida, paz e alegria. Dirá: “Por que estou me sentindo tão bem? Tudo está contra mim”. Mas conhecer o Senhor é a coisa mais maravilhosa.

    Uma lei superior

    Alguém pode dizer: “Tudo isso é muito maravilhoso, mas como funciona?” Já lemos em Romanos 8:2:

    A lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me libertou da lei do pecado e da morte.

    Você nunca se liberta lutando contra a lei do pecado e da morte. Alguns crentes acham que combater o bom combate significa lutar contra a lei do pecado e da morte em seus membros e em suas circunstâncias. É claro que ela os derrota todas as vezes. Ele nunca lhe disse para travar esse tipo de combate. Você combate o bom combate da fé.

    A ilustração do voo

    Deixem-me dar uma ilustração. Às vezes, quando viajo, estou sentado num Boeing 747 — um jumbo — com quinhentas e oitenta pessoas a bordo. Algumas delas muito grandes.

    Não suporto os jumbos quando estão lotados. Adoro quando estão meio vazios, quando há dois ou três assentos desocupados de um lado e espaço para se movimentar e respirar. Mas, hoje em dia, por causa da concorrência de preços, os aviões estão lotados.

    Olho as pessoas entrando — algumas delas enormes — e me pergunto como aquele jumbo vai sair do chão. Lembro-me dos pequenos aviões a hélice de antigamente, quando eu era mais jovem. Eram aviõezinhos com cerca de trinta pessoas a bordo.

    Mas lá estamos nós, sentados na cabeceira da pista, num Boeing 747 com quinhentas e oitenta pessoas a bordo, várias delas acima do peso, e toda a bagagem embaixo. Você pensa: “Esse negócio nunca vai sair do chão. É impossível”.

    Lembro-me de que, quando eu estava na escola, havia uma lei chamada lei da gravidade. A lei da gravidade, quando você está sentado num avião carregado daquele jeito, assustaria qualquer um. Você pensa: “A lei da gravidade não vai permitir que este avião saia do chão”.

    Se você levar um balde de areia até a beira de um penhasco e o deixar cair, sabe exatamente o que vai acontecer. Ele não vai flutuar. Vai cair direto.

    Como, então, um 747 com quinhentas e oitenta pessoas a bordo e carga completa sai do chão? Muito simplesmente: isso tem alguma coisa a ver com o empuxo dos motores. Não sou especialista, mas sei disso porque já presenciei esse fenômeno repetidas vezes.

    O avião entra na pista, a força dos motores entra em ação e aquele negócio sobe aos céus. Uma lei superior assumiu o controle.

    Queridos amigos, voltando à lei do pecado e da morte: não há como escapar dela lutando contra ela. É como a lei da gravidade. Você pode lutar contra ela, fazer mil e uma coisas, mas nunca conseguirá vencê-la.

    A única maneira de vencer a lei da gravidade é por meio de uma lei superior. Graças a Deus, se você é filho de Deus, deve viver segundo uma lei superior, como lemos em Romanos 8:2:

    A lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, me libertou da lei do pecado e da morte.

    É como se o grande impulso daquela poderosa vida de ressurreição do Senhor Jesus nos erguesse acima daquilo que a nossa velha natureza ordenaria e determinaria. Não há outro caminho, queridos amigos.

    Do contrário, você se torna um crente artificial, e a comunhão é formada por pessoas artificiais — todas tentando parecer bons crentes, todas tentando crer na coisa certa, quando, na realidade, por dentro a história é muito diferente.

    A única maneira de você e eu vivermos essa vida gloriosa, que é nossa no Espírito de Deus, é obedecendo aos seus princípios. Em outras palavras, precisamos viver pela fé, e não pelo que vemos ou sentimos.

    Há momentos em que tudo vai gritar que a lei da gravidade vai vencê-lo; a lei do pecado e da morte vai dominá-lo naquela situação. Mas você pode permanecer firme e dizer: “Eu pertenço ao Senhor Jesus, e a vida do Espírito dentro de mim é capaz de vencer a lei do pecado e da morte nesta situação. Vou confiar no Senhor e louvá-Lo”.

    Então a sua adoração se torna um ato de fé. Torna-se uma confissão de confiança. Torna-se a palavra do seu testemunho.

    A mente de Cristo e a vontade de Deus

    Vou dizer mais algumas coisas sobre a mente de Cristo. E quanto à mente de Cristo e à vontade de Deus?

    O que há de errado conosco, os crentes? Temos uma ideia muito estranha sobre a vontade de Deus, não temos? Se fôssemos realmente honestos e alguém nos perguntasse: “O que você acha que é a vontade de Deus para você?”, provavelmente escolheríamos aquilo que menos queremos fazer e diríamos: “Creio que essa é a vontade de Deus para mim”.

    É estranho. Algumas pessoas foram servir ao Senhor em regiões da terra onde não deveriam estar, porque acreditavam que, se escolhessem a coisa mais difícil e mais terrível, aquilo certamente seria a vontade de Deus para elas.

    É a ideia de que Deus é uma espécie de avarento — um velho mestre-escola sem compaixão nem sensibilidade, que gosta de fazer o Seu povo passar por maus momentos. Mas para que Ele os salvou? Salvou-os simplesmente para que passassem por maus momentos?

    Nenhum pai ou mãe verdadeiramente amoroso se alegra quando o filho é disciplinado ou precisa aprender da maneira mais difícil, embora saiba que isso pode ser necessário. O maravilhoso sobre a vontade de Deus é que, deixando de lado os pequenos detalhes transitórios — e prestem atenção a essa palavra, transitórios —, a vontade de Deus para você é vida, paz e alegria. Nada menos.

    Você acha que o Senhor Se deu a todo aquele trabalho de enviar o Seu Filho a este mundo para salvá-lo, a fim de que você fosse um pobre espectador infeliz, sempre aflito e sempre abatido? Que testemunho!

    Deus não Se deu a todo aquele trabalho para que você fosse uma pessoa infeliz, quebrada e despedaçada. Deus Se deu a todo aquele trabalho para que você fosse restaurado por inteiro. Essa é a expressão: restaurado por inteiro.

    Muitas vezes, chegamos a esse ponto por meio de aflições e tribulações; isso é outra questão. Mas o fato é que a vontade de Deus para você não é a infelicidade.

    No entanto, há algo em nós que desconfia do Senhor. Sentimos que, se estivermos no controle do nosso próprio caminho e destino, saberemos o que é bom para nós.

    Se fôssemos honestos, muitos de nós não diriam: “Senhor, sei que Tu tens o universo e o reino para cuidar, mas, se não Te importas, eu preferiria ficar no controle dos detalhes da minha vida. Sinto que, nas minhas mãos, a minha preservação e o meu desenvolvimento estarão seguros”?

    Não diríamos isso em voz alta, porque não pareceria piedoso. Mas o interessante é que fazemos uma confusão da nossa vida. Se isso é confiar no Senhor, há algo errado em algum lugar.

    Pouquíssimos de nós — nenhum de nós, a menos que Deus tenha tratado conosco — chegamos ao ponto em que podemos realmente nos render ao Senhor.

    O padrão de rendição de Cristo

    A vontade de Deus é vista na mente de Cristo. Primeiro, Ele não considerou a igualdade com Deus algo a que Se apegar. Não Se agarrou a ela.

    Segundo, Ele esvaziou-Se a Si mesmo. Nenhum de nós pode esvaziar a si mesmo, mas há uma mente em nós que pode nos capacitar, pela graça de Deus, a querer ser nada.

    Tendo esvaziado a Si mesmo, Ele tomou a forma de escravo. Quem, em todo o mundo, se tornaria um escravo — alguém sem direitos?

    Sendo encontrado em figura humana, Ele humilhou-Se até à morte, e morte de cruz. Não havia nada mais abominável, para um judeu criado na tradição farisaica, do que ser crucificado.

    Essa é a mente de Cristo. Você não consegue fazer isso, nem eu.

    Creio que o nosso Senhor nos ensinou a orar algo muito simples na oração-modelo, em Mateus 6:13:

    Não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do maligno.

    A palavra não trata apenas de ser tentado. É:

    Não nos conduzas à provação ou ao teste, mas livra-nos do maligno.

    Essa mente de Cristo significa que somente quando eu realmente conhecer o Senhor e viver segundo o princípio da mente do Espírito poderei fazer a vontade de Deus.

    Preciso dizer a vocês: não tenho achado a vontade de Deus tão terrível. Descobri que o Senhor é a Pessoa mais gloriosa a Quem se pode servir. Há momentos em que a vontade de Deus parece terrível, mas, quando você a faz, tem alegria, paz e vida. Há vitória para você em fazer a vontade de Deus.

    Quando, por autopreservação, você se recusa a fazer a vontade de Deus, perde tudo. Torna-se como a mulher de Ló — uma estátua de sal numa peregrinação de uma condição sob juízo para uma condição celestial. Você fica conservado, quase como numa salmoura.

    É isso que o sal faz. Você encontra alguma coisa anos depois, perfeitamente conservada, mas apenas um monumento. Conheço muitos crentes assim. Foram até certo ponto, saíram das cidades da planície e percorreram parte do caminho. Mas algo aconteceu, e eles se tornaram monumentos de algo que Deus havia feito.

    Que Deus preserve você e a mim de sermos monumentos. Queremos ser testemunhas. Uma testemunha é alguém vivo. Você vê alguma coisa, presencia alguma coisa e comunica alguma coisa. Não é apenas uma estátua.

    Se há algo que você sabe ser a vontade de Deus para você, mas está à beira de uma decisão e sente que, se seguir por aquele caminho, tudo dará errado, meu querido amigo, se Deus lhe mostrou algo e você sabe no coração que Ele está lhe dirigindo a fazê-lo, então, pela graça de Deus, faça.

    A mente de Cristo vai ajudá-lo. Se você está lutando por si mesmo, pelos seus direitos, pela sua preservação e pelo seu desenvolvimento, não conseguirá fazer a vontade de Deus. Mas, se entregar tudo isso, descobrirá que, ao fazer a vontade de Deus, Deus protegerá os seus direitos, cuidará do seu desenvolvimento e o conduzirá à plenitude e à glória.

    Na minha experiência, não conheço um único crente que tenha realmente feito a vontade de Deus e não seja uma pessoa feliz. Conheci muitos que vêm em busca de aconselhamento e ajuda porque não fizeram a vontade de Deus, seguiram outro caminho e transformaram a vida numa confusão. Mesmo assim, Deus pode fazer algo quando isso é confessado e nos voltamos para o Senhor.

    A mente de Cristo e o serviço

    Há outra coisa: a mente de Cristo e o serviço. Não há como servirmos uns aos outros, servirmos a Deus ou servirmos ao mundo, a menos que tenhamos a mente de Cristo.

    Muito do serviço cristão é autorrealização. Há muitos no serviço cristão que estão construindo impérios.

    Isso não é anormal quando visto de determinado ponto de vista. O ego masculino é construído sobre o princípio do sucesso, especialmente nos Estados Unidos. Não conheço nenhuma sociedade no mundo mais construída sobre o princípio do sucesso. Se você não é um sucesso, não é ninguém. Seja o que for, você tem de ser um sucesso.

    Há uma pressão enorme, especialmente sobre os homens, para serem bem-sucedidos. Mas não há como servir ao Senhor se isso for apenas uma questão de autorrealização.

    Algumas pessoas entram no trabalho cristão porque não conseguem construir um império de nenhuma outra maneira. Não conseguem construir um império empresarial, científico ou político, então entram na obra do Senhor. Ali constroem um império.

    Não é um fenômeno moderno. Paulo disse que alguns pregam o evangelho por inveja. Nos dias dele, havia pessoas andando por aí e construindo impérios. Isso nos é natural se não temos a mente de Cristo. De alguma maneira, acreditamos que precisamos ter sucesso.

    Se buscamos a autorrealização, é natural sentirmos que, se Deus nos deu dons, talentos e um chamado, esse chamado deve se cumprir. Mas a questão é como esses talentos e dons são usados e como esse chamado se realiza.

    O caminho do mundo é pisar nos outros enquanto se sobe. O caminho de Cristo é sacrificar a Si mesmo pelos outros, para que Deus O exalte.

    É interessante quando você olha para a Bíblia. Ela diz, em 1 Pedro 5:6:

    Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte no devido tempo.

    Que maneira estranha de subir: você sobe descendo. O mundo não diz isso. O mundo diz que, se você descer, ficará lá embaixo. Uma vez que esteja embaixo, vão pisar em você e garantir que nunca mais se levante. Então você precisa lutar para chegar ao topo. Esse é o caminho do mundo.

    A realeza como serviço

    A maneira como o mundo entende o serviço é muito parecida. Pensem em como a maioria das pessoas vê os reis. Elas imaginam reis sentados num trono de ouro, com uma grande coroa, dando ordens enquanto todos correm de um lado para outro para servi-los.

    Mas a Bíblia diz que fomos feitos reis. Isso significa que ficaremos sentados em glória magnífica enquanto santos de posição inferior nos trazem chá e anjos saem correndo às nossas ordens? Queridos, a verdadeira realeza é o trabalho mais difícil do mundo.

    Sempre senti pena da rainha da Grã-Bretanha. Ninguém em toda a Grã-Bretanha trabalhava mais do que a rainha Elizabeth II. Se vocês lerem a agenda dela ou souberem o que ela fazia, é incrível. Por quê? Porque realeza é serviço.

    A verdadeira ideia por trás da realeza é o serviço. Temos a ideia de que nobreza significa ser servido, enquanto ser camponês significa servir. Mas, segundo Deus, o significado da realeza é que você serve a todos e está preparado para dar a vida por todos.

    É algo maravilhoso, na obra de Deus, encontrar servos de Deus que renunciaram a todo direito sobre si mesmos. Então não se trata da glória deles, do sucesso deles, da expansão do ministério deles ou dos direitos ligados ao ministério deles.

    Algumas pessoas se tornam muito espirituais. Não falam de direitos pessoais, mas falam dos direitos da sua posição, do seu ministério ou do seu chamado. No fim das contas, dá no mesmo.

    A mente de Cristo é que você é um escravo. A característica de um escravo é estar à disposição de alguém vinte e quatro horas por dia. Você não tem direitos. Você pertence a alguém.

    Essa foi a posição que o nosso Senhor Jesus tomou para poder conduzir muitos filhos à glória.

    A mente de Cristo e a comunhão

    Por fim, e quanto à comunhão? E quanto à edificação da casa de Deus? O que a mente de Cristo diz sobre essa questão?

    Você nunca terá duas pessoas trabalhando juntas, em equipe, a menos que, idealmente, ambas tenham se sacrificado uma pela outra. Mas, se isso não for possível, nunca haverá trabalho em equipe, a menos que uma tenha se sacrificado pela outra.

    São necessárias duas pessoas para criar uma divisão. São necessárias duas pessoas para criar um atrito. Quando você tem uma pessoa que entregou a vida, renunciou a todo direito sobre si mesma, tomou a sua cruz e seguiu o Senhor, não consegue brigar com ela. Ela não está ali para brigar.

    Paulo disse, em 2 Coríntios 1:9:

    Temos em nós mesmos a sentença de morte.

    Tenho pensado muitas vezes nisso. O que significa? Significa que, se você tem uma sentença de morte, todas as suas pequenas discussões e perguntas sobre direitos, sobre isto e aquilo que o preocupava, desaparecem. Você tem apenas uma ou duas horas e está sob sentença de morte.

    Que coisa extraordinária Paulo disse ao escrever à igreja em Corinto, em 2 Coríntios 1:9:

    Temos em nós mesmos a sentença de morte, para que não confiemos em nós mesmos, mas em Deus, Que ressuscita os mortos.

    Não há como ocorrer uma verdadeira edificação, pedra com pedra, a menos que, um após outro, entreguemos a nossa vida. É a mente de Cristo.

    A individualidade no Corpo

    Agora, quanto a essa mente de Cristo, permitam-me dizer isto: ela não significa que você perde a sua originalidade, a sua personalidade ou a sua individualidade. Isso é muito importante.

    Em muitas seitas que estão surgindo na cristandade, essas são justamente as coisas que desaparecem. As pessoas não são originais; só um homem no topo é original. As pessoas não têm individualidade; só o homem no topo a tem. Isso se torna uma espécie de hierarquia.

    Mas, no Corpo de Cristo, cada um de nós tem algo a oferecer que ninguém mais tem. Cada um de nós foi constituído de tal maneira que tem algo único com que contribuir.

    A mente de Cristo é que sejamos ajustados uns aos outros, edificados juntos e relacionados uns com os outros. Encontramos o nosso lugar no relacionamento uns com os outros.

    Uma coisa é ter um amontoado de pedras; outra é as pedras estarem ligadas umas às outras. Quando as pedras estão ligadas, você tem uma casa. Mas isso ainda não significa que tenha um lar.

    Aqui estamos nós, tantas pedras vivas. Cada um de nós que nasceu de Deus é uma pedra viva. Em que medida estamos ligados uns aos outros, de modo que possamos ser edificados juntos e uma casa de Deus comece a ser construída?

    Mesmo quando encontramos o nosso relacionamento uns com os outros, isso ainda não é um lar. Um lar exige mais do que apenas vínculos; exige amor.

    É somente quando o amor de Deus é derramado em nosso coração e cresce cada vez mais que uma casa se torna um lar. Então aquele lugar se torna um centro de compaixão, um ponto de convergência de amor, de ajuda e de cuidado.

    Todos nós estamos muito longe disso, mas, graças a Deus, Ele conhece o nosso coração.

    O caminho para a glória

    Essa pequena passagem termina com estas palavras maravilhosas, em Filipenses 2:9-11:

    Por isso também Deus O exaltou sobremaneira,
    e Lhe deu o nome que está acima de todo nome;
    para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho,
    e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor,
    para a glória de Deus Pai.

    O Senhor Jesus chegou a essa posição de exaltação suprema descendo até à morte. Esse é o princípio: Ele subiu descendo.

    Se Ele vai conduzir qualquer um de nós, como filhos, à glória, precisamos seguir os Seus passos. Em outras palavras, o caminho para subir é descer. O caminho para a restauração integral é ser quebrantado. O caminho para dar fruto é cair na terra e morrer. O caminho para a glória é conhecer o que significa morrer com Cristo.

    Que Deus ajude cada um de nós nisso. O Senhor quer nos conduzir ao Seu trono. Ele quer que você e eu vençamos, como Ele diz em Apocalipse 3:21:

    Assim como Eu também venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.

    Ele quer nos levar ao Seu trono, e não há como você e eu chegarmos lá, a não ser pela mente de Cristo.

    Que Deus abra os seus olhos para ver esses dois mundos. Se há uma guerra civil na sua vida, que Ele o ajude hoje a resolver essa questão. Você não vai mais viver segundo a lei do pecado e da morte, segundo o princípio da mente da carne. Você será do Senhor e confiará Nele.

    À medida que você abrir mão, Ele o preservará. À medida que você descer, Ele, no Seu tempo, o exaltará. À medida que você conhecer o que é diminuir, Ele poderá conduzi-lo à plenitude. À medida que você for quebrantado, poderá conhecer o que significa tornar-se uma pessoa inteira em Cristo.

    À medida que conhecer a Sua morte, você poderá, por fim, no tempo Dele, chegar à glória.

    Oração final

    Vamos orar?

    Pai celestial, vela sobre a Tua Palavra para cumpri-la. Não há nenhum de nós, Senhor, que, por natureza, jamais viveria segundo a mente de Cristo.

    Mas, Pai, nós Te agradecemos porque Tu dizes na Tua Palavra que não estamos na carne, mas no Espírito, se o Espírito de Cristo habita em nós.

    Senhor, pedimos que ajudes cada um de nós em quem exista alguma espécie de guerra civil, para que deixemos de lutar e vivamos segundo essa lei superior: a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus.

    Abre os nossos olhos, Senhor. Tu és o Único que pode nos dar iluminação. Ajuda-nos, Senhor, para que cada um de nós neste lugar se torne uma testemunha de Ti e vença pela Tua graça.

    Que cada um de nós esteja envolvido no cumprimento do Teu propósito em nossos dias e em nossa geração. Que esta comunhão específica do Teu povo seja edificada e se torne um centro de luz, um centro de amor e um centro de vida em toda esta região.

    Que ela se torne, por assim dizer, aquela casa em que Tu és encontrado, por meio da qual Tu és revelado e na qual os outros veem e experimentam a Tua salvação.

    Ó Senhor, ouve-nos, pois pedimos novamente naquele nome que está acima de todos os outros nomes: o nome do nosso Senhor Jesus. Amém.