Vamos ler aquela passagem da Palavra de Deus em que se baseia o hino que acabamos de cantar. Ela se encontra no Salmo 87.
O Seu fundamento está nos montes santos.
O Senhor ama as portas de Sião
Mais do que todas as habitações de Jacó.
Coisas gloriosas se dizem de ti,
Ó cidade de Deus. Selá.Farei menção de Raabe e de Babilônia entre os que Me conhecem:
Eis a Filístia e Tiro, com a Etiópia:
Este nasceu ali.Sim, de Sião se dirá:
Este e aquele nasceram nela;
E o próprio Altíssimo a estabelecerá.
O Senhor contará, ao registrar os povos:
Este nasceu ali. Selá.Tanto os que cantam como os que dançam dirão:
Todas as minhas fontes estão em ti.
E, na Carta aos Hebreus, em Hebreus 12:22:
Chegastes ao monte Sião.
É sempre algo muito feliz e proveitoso ter um ambiente adequado para uma reunião. Nesta noite, poderíamos falar sobre as bênçãos da vida cristã e dizer àqueles que não as conhecem nem desfrutam delas como é bom pertencer ao Senhor.
Isso poderia se resumir a dizer muitas coisas, apresentar argumentos a respeito delas ou tentar persuadir. Mas seria difícil se não houvesse um ambiente que desse respaldo a tudo isso. Creio que o melhor argumento e a melhor expressão dessa realidade se encontram na própria atmosfera desta reunião.
Enquanto vocês cantavam, eu estava pensando: se eu fosse uma pessoa não salva, que não conhecesse o Senhor nem desfrutasse realmente dessas coisas, e tivesse entrado enquanto vocês estavam cantando, seria obrigado, se fosse honesto, a dizer: “Essas pessoas estão muito felizes. Elas têm algo”.
E essa é, de fato, a melhor pregação, não é? Portanto, digo a vocês que tudo o que eu disser é confirmado e ganha força pela situação em que nos encontramos nesta noite. Se vocês não conseguem aceitar o argumento — se o argumento das palavras não lhes convence —, então simplesmente olhem para essas pessoas, ouçam essas pessoas. Se vocês não estão convencidos de que o povo de Deus tem algo que vale a pena ter, então são mesmo muito insensíveis.
Bem, essa é a pequena introdução: o momento certo, o ambiente e a introdução, ou meditação. Este Salmo 87, com sua aplicação presente, trata exatamente disso.
Tudo o que ali se diz sobre Sião e seus cidadãos é trazido para o Novo Testamento nesta declaração:
Chegastes a Sião.
Isso não é algo do Antigo Testamento, de muito tempo atrás e de um lugar distante. Há algo aqui para vocês agora. É algo presente, para vocês conhecerem e possuírem. Nós chegamos a Sião.
Agora, vamos examinar este Salmo 87 e extrair dele algumas dessas coisas que nos são dadas no Senhor Jesus neste exato momento.
O Seu fundamento está nos montes santos.
O Senhor ama as portas de Sião
Mais do que todas as habitações de Jacó.
Coisas gloriosas se dizem de ti,
Ó cidade de Deus.
Esse é o primeiro contraste. Ele é representado por dois termos de cada lado: Jacó de um lado, em contraste com Sião do outro; as tendas de Jacó de um lado, as portas de Sião do outro. É um contraste duplo.
A declaração é que o Senhor prefere muito mais uma à outra. De fato, isso é expresso em linguagem enfática:
O Senhor ama as portas de Sião
Mais do que todas as habitações de Jacó.
Naturalmente, nossa pergunta é: qual é o fundamento, a base, dessa distinção e dessa preferência? O que é que o Senhor ama tanto mais?
Não se está dizendo que o Senhor não ama Jacó — não, as tendas de Jacó. Ele as ama; mas ama Sião, as portas de Sião, muito mais.
Jacó representa a misericórdia soberana de Deus. Sempre que encontramos Jacó, seja o próprio homem, seja todo o povo que leva seu nome, aquilo que seu nome representa, invariavelmente nos vemos diante daquilo que requer e exige a misericórdia de Deus.
O próprio nome Jacó — o suplantador — representa aquilo para o qual, à parte da misericórdia de Deus, não há esperança nem defesa possível. E, no entanto, quanta misericórdia divina é demonstrada em relação a Jacó!
Quantas vezes, nos profetas, o nome dado a Israel é Jacó! E isso é significativo, porque, nos profetas, Israel havia descido novamente à condição de Jacó: de Israel, o príncipe com Deus, para a condição da velha natureza governada por interesses carnais. Contudo, quanto há nos profetas sobre a grande misericórdia de Deus para com Jacó:
Ele terá misericórdia de Jacó.
Isso é maravilhoso. É simplesmente maravilhoso, quando pensamos em tudo o que esse nome significa, ver como Deus Se voltou para Jacó: a paciência de Deus, a longanimidade e a tolerância de Deus, Deus nunca desistindo. Jacó dava trabalho, sim; Jacó sempre simboliza aquilo que faz manifestar a misericórdia de Deus.
Bem, o Senhor amava Jacó, e assim Jacó fala de grande misericórdia em termos de paciência, longanimidade, tolerância e amor cheio de anseio. Sim, Ele o amava. Mas vocês acham que isso é tudo o que o Senhor deseja? Aquilo que apenas exige Sua misericórdia, misericórdia, misericórdia o tempo todo; aquilo com que Ele precisa ser paciente e longânimo?
Vocês acham que isso corresponde inteiramente ao coração do Senhor? Certamente não. O que é que o Senhor procura, pelo que anseia e em que Se deleita mais do que nisso?
Graças a Deus por Ele ser um Deus de misericórdia. Ele é misericordioso conosco em nossa condição de Jacó. Mas não concluamos que, porque Deus é tão gracioso para conosco, como pecadores, em tudo o que somos em nossa fraqueza, fragilidade e fracasso humanos — por maior que seja Sua misericórdia —, isso seja o que O satisfaz plenamente: apenas nos ter como objetos de Sua misericórdia.
E assim Ele contrasta Jacó, as tendas, com Sião. Sião representa algo mais do que a misericórdia de Deus; representa a resposta plena à misericórdia de Deus.
Quando vocês entram naquilo que Sião representa, encontram aquilo que responde à misericórdia de Deus — algo que diz: “Sua misericórdia não foi em vão”. Se quiserem trocar a palavra misericórdia por graça, podem fazê-lo: a graça de Deus não foi em vão.
Não se trata de Deus simplesmente ter de continuar sendo misericordioso, misericordioso, misericordioso, e tudo terminar aí. Não: Sua graça gerou algo. Sua graça produziu algo. Sua graça despertou algo.
Sião é sempre representada como o lugar de louvor. Era ali, em Sião, que os filhos de Corá se dedicavam ao canto. Sião é um lugar de cântico. Se nosso canto e nosso louvor são genuínos, são uma expressão de gratidão pela graça de Deus.
Essa é a verdadeira nota do cristianismo, não é? O cristianismo é a única religião do mundo que verdadeiramente canta. Pode haver cantos fúnebres em outras religiões e ruídos terríveis, mas cantar, louvar, regozijar-se — vocês não encontram isso em nenhuma outra religião. Somente no cristianismo. Ele é constituído, em grande medida, de hinos, não é? Tantos dos nossos hinos são simplesmente a resposta do coração à graça de Deus.
Deus habita nos louvores de Israel.
Assim, Sião representa algo mais do que misericórdia. Representa aquilo que retorna a Deus por causa de Sua graça. Significa que tudo o que o Senhor Jesus fez surtiu efeito e está realmente produzindo algo em nós.
O Senhor ama as portas de Sião
Mais do que todas as habitações de Jacó.
O Senhor ama Sião. Embora ame Jacó, ama Sião infinitamente mais. Ele ama as pessoas que compreenderam de tal maneira Sua misericórdia e Sua graça que agora não têm outra razão para viver senão devolver ao Senhor aquilo que é uma resposta à Sua graça.
As tendas de Jacó e as portas de Sião apresentam outro aspecto do contraste. Isso apenas dá continuidade ao que acabei de dizer, porque esses pares caminham juntos; pertencem um ao outro. As habitações, ou tendas, são contrastadas com as portas de Sião.
Há aqui duas imagens distintas, se prestarmos atenção. É uma transição; é uma mudança completa de posição e de tempo. Quando vocês contemplam as tendas de Jacó, estão contemplando-as no deserto.
No Antigo Testamento, Jacó está em tendas no deserto. Depois, o povo está em Sião; já não está no deserto, está na cidade. É uma posição diferente, um tempo inteiramente diferente, uma dispensação diferente. Eles saíram do deserto e entraram na terra; chegaram à cidade. Sião tornou-se realidade. Durante a travessia do deserto, eles olhavam em direção a Sião; agora chegaram.
Tendas e portas — mas o que isso significa? No deserto, em suas tendas, eles estavam aprendendo, pela disciplina e pela experiência, a conhecer o Senhor, adquirindo uma história espiritual.
O deserto foi um tempo de educação espiritual sob a mão de Deus. Que lições difíceis tiveram de aprender; que golpes amargos sofreram! Sim, foi um tempo de teste, de provação. Foram quarenta anos, o que sempre implica um período de prova: um tempo de teste, para descobrir, provar e conduzir a uma determinada condição nesse sentido.
É isso que está implícito nas tendas de Jacó: tudo pelo que eles estavam passando para aprender na escola do deserto.
Mas o que acontece nas portas da cidade? Ali os anciãos se reúnem: pessoas maduras, em conselho, possuindo o conhecimento adquirido pela experiência, que está sendo empregado em benefício do povo de Deus.
Na Bíblia, as portas são os lugares de conselho — uma reunião das pessoas que têm conhecimento. Os juízes se assentam nas portas. Pessoas de discernimento espiritual estão ali, deliberando juntas e tomando decisões no interesse do povo de Deus. São pessoas que aprenderam e trouxeram o proveito de seu aprendizado, de sua educação e de seu treinamento para a aplicação prática em favor da nação.
Vocês percebem o ponto? Sim, o Senhor os amava em suas tendas no deserto; não há dúvida quanto a isso. Mas quanta paciência e tolerância durante os quarenta anos! Aqui, nas portas da cidade, todo o proveito de sua disciplina, de seu treinamento e de sua educação é reunido e empregado para o bem dos outros.
O Senhor não quer que passemos a vida inteira no deserto — aprendendo, aprendendo, aprendendo; sendo testados, sendo provados, sendo levados à compreensão. Ele aguarda o momento em que vocês e eu estaremos em condições de empregar o que Ele nos ensinou em benefício de outros. Isso Lhe dá maior prazer.
Agora, vocês estão no deserto ou na porta? Ainda estão lá fora, vagando, aprendendo lentamente por meio da disciplina e da adversidade? Ou são pessoas responsáveis na porta?
Os que conhecem sua Bíblia têm vantagem sobre os que não a conhecem nessa questão das portas e dos conselhos que se reuniam nelas. Na Bíblia, os conselhos da cidade aconteciam ali, para decidir questões e julgar causas para o bem do povo. O Senhor quer pessoas assim.
Era disso que o apóstolo estava falando aos coríntios. Ele teve de lhes dizer: “Ouço que há dificuldades entre vocês e que estão levando suas questões aos tribunais deste mundo. Vocês estão recorrendo aos injustos para julgar suas questões”. Isso é uma marca de imaturidade, um sinal de que vocês não avançaram muito no caminho.
Vocês deveriam ser capazes de julgar uns aos outros e de julgar suas próprias questões. Se julgassem a si mesmos, não seriam julgados pelo Senhor. Deveriam estar em condições de decidir essas questões, e não levá-las à sabedoria do mundo.
O que o Senhor ama é esse tipo de maturidade que significa que, pela maneira como Ele nos ensinou e disciplinou, sabemos o que devemos fazer e somos capazes de ajudar os outros. Essa é a diferença entre as tendas e as portas.
Sim, Ele será muito paciente com vocês enquanto estiverem no deserto, mas não pensem que Ele quer que isso seja o começo e o fim de tudo. Ele espera pelo dia — e esse será o dia de Sua maior alegria — em que vocês e eu estaremos nas portas de Sião.
O Senhor ama as portas de Sião
Mais do que todas as tendas de Jacó.
Então o salmista passa a outro conjunto de contrastes:
Farei menção de Raabe e de Babilônia entre os que Me conhecem:
Eis a Filístia e Tiro, com a Etiópia:
Este nasceu ali.
Não é cada uma isoladamente, mas todas juntas que são colocadas em contraste com Sião. Vocês podem reunir todos os maiores nomes deste mundo, colocá-los todos juntos, e há um nome que é maior do que todos eles juntos: Sião, a cidade de Deus.
Não precisamos nos deter para falar longamente sobre essas várias coisas. Sabemos o que o Egito representa: o poder deste mundo. Babilônia: o orgulho deste mundo. A Filístia: a presunção deste mundo. Tiro: a glória comercial deste mundo. A Etiópia: as trevas do coração humano neste mundo.
Em contraste com tudo isso, o salmista está dizendo que há pessoas ansiosas por dizer que nasceram no Egito, que pertencem ao Egito. Outras se vangloriam de que Babilônia era sua terra e sua cidade natal: “Oh, maravilhosa Babilônia! Eu nasci em Babilônia”. Outra diz que nasceu na Filístia; outra, em Tiro.
Leiam Ezequiel 27, e verão aquilo de que os homens se vangloriavam a respeito de Tiro. Tiro foi elevada até os céus, exaltada pela glória de seu comércio. Leiam tudo, com toda a sua ostentação e vanglória: “Essa é a sua herança”.
Essas coisas não são pequenas. Em Hebreus 11:26, Moisés é descrito como alguém que:
Teve por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito.
Isso não significa que os tesouros do Egito não fossem nada; coloca o opróbrio de Cristo em um nível muito mais elevado, porque os tesouros do Egito eram, sem dúvida, muito grandes.
Se vocês sabem alguma coisa sobre as glórias do Egito em seus grandes dias, sabem que não era pouca coisa. Nem as outras nações eram insignificantes. Mas, quando vocês lhes dão o devido valor e dizem tudo o que se pode corretamente dizer sobre sua glória e sua posição, algo supera todas elas.
Sim, de Sião se dirá:
Este e aquele nasceram nela.
Os cidadãos de Sião avaliaram o Egito. Moisés era um verdadeiro cidadão espiritual de Sião, embora nunca tenha chegado literalmente a Sião. Em espírito, era um verdadeiro cidadão de Sião. Ele avaliou o Egito.
Durante quarenta anos, ele conheceu a dimensão do Egito. Por uma avaliação deliberada, considerou melhor participar dos opróbrios de Cristo do que ter tudo o que o Egito podia oferecer. Observem: não as glórias finais de Cristo, mas o opróbrio de Cristo.
O nível mais baixo de união com Cristo é melhor do que o nível mais elevado de união com este mundo. Isso não é exagero. Se as palavras significam alguma coisa, é isso que significam. É melhor estar com Cristo em Seus sofrimentos do que ter tudo o que este mundo pode oferecer fora de Cristo.
Esse é o testemunho do cristão. É isso, de fato, que significa compreender corretamente que aquilo que Cristo fez e ofereceu é maior do que tudo.
Afinal, o cristão simples que verdadeiramente conhece seu Senhor olha com compaixão para essas grandes pessoas do mundo. “Você tem tudo isso, mas eu lamento. Você pensa que está desfrutando de tudo isso, mas eu realmente tenho pena de você. Você não sabe nada sobre aquilo que permanece.”
O cidadão de Sião avaliou o Egito, Babilônia, a Filístia, Tiro e a Etiópia, e escreveu sobre todos eles: “É um mau negócio se você perder Cristo”.
Paulo era assim. Ele olhou para toda a sua herança natural, seu nascimento, sua posição:
Hebreu de hebreus;
Da tribo de Benjamim;
Quanto à lei, fariseu.
Antes, ele dava a tudo isso a maior importância. Era sua vida, sua glória, sua ambição, seu principal interesse.
Então ele encontrou Cristo. Olhou para todas essas coisas e disse:
Considero-as como refugo, em comparação com Cristo.
Mas vocês nunca fazem isso até terem algo com que compará-las. É uma questão de comparação. É algo muito maravilhoso para aqueles que têm Cristo.
Se vocês têm Cristo, se são cidadãos de Sião, então todo o restante é, afinal, muito pobre — alimento pobre, por mais abundante que seja.
Entre esses contrastes, o salmista diz:
Coisas gloriosas se dizem de ti,
Ó Sião, cidade de Deus.
Coisas gloriosas se dizem de ti.
O que vocês considerariam a coisa mais gloriosa que poderia ser verdadeira a respeito de sua vida? Se, ao final, algo pudesse ser dito para resumir sua vida, expressando de maneira real e verdadeira o valor dela, o que seria?
Não sei exatamente qual é a melhor maneira de expressar isso, mas creio que seria algo assim: ter trazido satisfação ao coração de Deus. Se ao menos minha vida pudesse significar que o beneplácito de Deus repousou sobre ela, que Deus pudesse dizer: “Muito bem. Muito bem”.
Bem, então, queridos, eu não desejaria nada além disso. Nada além disso. Vocês desejariam algo mais? O que poderiam pedir? Aquilo que dá satisfação a Deus é a coisa mais gloriosa que jamais pode ser dita a respeito de qualquer coisa.
Isso apenas confirma tudo o que temos dito ao longo desta meditação: o que Sião significa para Deus, respondendo a Ele para Seu prazer. Ele Se deleita em Sião, em suas pedras e em seus muros. Sião é preciosa para Ele.
Aqui está o Senhor Jesus, que satisfez de modo pleno, definitivo e absoluto o coração de Seu Pai. Por causa de Sua vida e de Sua obra, o Pai diz:
Este é o Meu Filho amado,
Em Quem Me comprazo.
Se Deus pudesse dizer isso a vocês e a mim, como nos sentiríamos? Certamente cantaríamos de alegria. E, em Efésios 1:6, Ele:
Nos fez aceitos no Amado.
Vocês chegaram a Sião.
Somos aceitos Naquele que tem a perfeita aprovação de Deus. Como é difícil para nós crer nisso e aceitar essa realidade em união com Ele! Contudo, esse é um refúgio para o qual precisamos fugir constantemente quando somos atormentados e perseguidos pelo acusador, que quer nos lembrar de nós mesmos, de nossa pecaminosidade e de nossos fracassos, e nos castigar continuamente com o peso de uma consciência culpada.
Nosso refúgio é entrar em Cristo e dizer: “Nele, Deus cobre tudo”.
Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
Tirem a própria arma da mão do inimigo e usem-na contra ele: justificação pela fé, aceitação no Amado. A Palavra fala repetidamente de nós como “amados de Deus” — e isso é dito a criaturas tão miseráveis quanto vocês e eu.
Coisas gloriosas, coisas gloriosas se dizem de Sião. Sião, como dissemos, não é apenas um lugar e um conjunto de coisas; é um povo. É um povo em união com o Filho de Deus.
Qual é a perspectiva de Sião, a perspectiva desse povo? Contemplem as coisas que são ditas sobre a igreja nas eras vindouras. A igreja nas eras vindouras — que posição, que vocação!
A Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus,
Por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.
A igreja é o equivalente de Sião no Novo Testamento.
Coisas gloriosas se dizem de ti.
Não podemos nos deter na glória que Deus preparou e concedeu, e para a qual chamou Sua igreja nas eras vindouras. Coisas gloriosas!
Meu querido amigo, se você está fora de Cristo, está perdendo algo. Está realmente perdendo algo; está perdendo tudo. Seja o que for que esteja ganhando agora, você perderá tudo e ficará sem nada. Mas coisas gloriosas se dizem de Sião, o povo de Deus.
Seja o que for que não tenhamos aqui, temos algo que é maior do que tudo.
O Senhor contará, ao registrar os povos:
Este nasceu ali.
Isso me leva a uma pergunta: vocês nasceram em Sião? Nasceram de novo, do alto? Nasceram novamente pelo Espírito de Deus? Vocês têm outro lugar onde seu nome está inscrito — no livro da vida do Cordeiro? Estão registrados no céu?
Vocês podem apresentar sua certidão de novo nascimento? Têm as credenciais dessa pátria celestial em seu coração e em sua vida? Quais são elas?
Com absoluta certeza, vocês sabem que têm algo. Sabem que têm paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Não estão em conflito com o céu; estão em uma relação feliz com o céu. Vocês têm paz. Essas são as credenciais do novo nascimento, e há muitas outras coisas.
Vocês sabem alguma coisa sobre isso? Sabem do que estou falando. A maioria de vocês sabe, tenho certeza, mas pode ser que alguém não saiba.
Permitam-me dizer-lhes que, se o Senhor Jesus, quando esteve neste mundo, disse a alguém:
Necessário vos é nascer de novo.
Ele quis dizer que vocês podem nascer de novo. Se precisam, podem. E vocês podem. Eu sei disso.
O Senhor contará, ao registrar os povos:
Este nasceu ali. Selá.
Pensem nisso. Pensem nisso.
Tanto os que cantam como os que dançam dirão:
Todas as minhas fontes estão em ti.
Os cidadãos de Sião têm recursos aos quais recorrer, dos quais os outros nada sabem. Eles têm meios invisíveis de sustento.
As pessoas falam de não ter meios visíveis de sustento. Bem, não há problema nisso. É uma condição gloriosa, se vocês são cidadãos de Sião. Não há dificuldade quanto ao sustento; há muitos meios invisíveis de provisão, e nem por isso são menos reais.
O Senhor Jesus viveu nessa base. No deserto, Satanás veio e disse:
Manda que estas pedras se tornem pães.
Mas o Senhor tinha recursos dos quais Satanás nada sabia.
Os discípulos vieram a Ele junto ao poço e disseram:
Mestre, come.
Ele disse:
Eu tenho uma comida para comer que vós não conheceis.
Sim, recursos espirituais. Esses recursos são para os cidadãos de Sião.
Todas as minhas fontes estão em ti.
Nós sabemos alguma coisa sobre isso: recorrer ao Senhor para nossa vida, nossa subsistência e mais do que isso. Recorrer a uma abundância tão grande que não vivemos em um estado de semiesfome. Temos o suficiente.
Não importa quantas pessoas venham; temos algo para dar. É bom estar nessa condição. Cem pessoas: que venham, que formem fila, se vocês têm algo para dar.
Sim, esse é, o tempo todo, o testemunho de um cidadão de Sião, não é? Nada nos falta. Temos abundância, sempre com uma reserva para os outros. Temos fartura. Somos pessoas ricas.
Todas as minhas fontes estão em ti.
Isso é testemunho. É isso que nos é oferecido, entendem? É assim que deveria ser. Nós chegamos a Sião. Tudo isso é apresentado à fé.
Que o Senhor nos dê um novo coração para nos apropriarmos dessa herança dos filhos de Sião. Amém.