Por favor, abram no Evangelho segundo João.
Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.
Ora, um de Seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado à mesa, junto ao peito de Jesus.
Se vós permanecerdes em Mim, e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.
Nisto é glorificado Meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis Meus discípulos.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, queremos agradecer-Te por nos reunires aqui nesta manhã. Agradecemos-Te especialmente por nos convidares à Tua mesa, à Tua festa de amor.
Tu nos amas, e nos amas até o fim. Agradecemos-Te porque, ao nos reunirmos aqui, estamos reunidos em Tua presença. Cremos que Tu estás aqui conosco pelo Teu Espírito.
Senhor, oramos para que nossos olhos sejam abertos para Te ver, nossos ouvidos sejam abertos para Te ouvir e nossos corações sejam abertos para Te receber. Fala, Senhor, mais uma vez conosco. Precisamos muito disso. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Certo dia, enquanto eu meditava diante do Senhor, uma expressão me veio à mente: “o discípulo a quem Jesus amava”. Ela tocou profundamente meu coração.
Sabemos que se trata de João. No entanto, em seu Evangelho, ele não se apresenta dizendo seu nome. Em vez disso, descreve a si mesmo como “o discípulo a quem Jesus amava”.
Isso acontece cinco vezes no Evangelho de João. Aqui, em João 13:23, na Última Ceia, João estava reclinado sobre o peito de nosso Senhor Jesus. A Bíblia diz que ele era o discípulo a quem Jesus amava. Foi ele quem perguntou ao Senhor:
Quem é aquele que Te há de trair?
E o Senhor lhe disse.
Depois, em João 19:26, ao pé da cruz, nosso Senhor Jesus viu o discípulo a quem Ele amava e confiou Sua mãe aos cuidados dele.
Novamente, em João 20:2, Maria Madalena foi contar aos discípulos que alguém havia levado nosso Senhor. A Bíblia diz que ela foi contar a Pedro e ao discípulo a quem Jesus amava.
E outra vez, em João 21:7, os discípulos estavam pescando no mar de Tiberíades. Era de manhã cedo. Provavelmente havia uma névoa ou neblina, e o Senhor estava na praia. Ele falou aos discípulos que estavam no barco e lhes perguntou:
Tendes alguma coisa para comer?
Então lhes disse que lançassem a rede.
Eles não conseguiam ver o Senhor, mas o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro:
É o Senhor.
Finalmente, no mesmo capítulo, em João 21:20, nosso Senhor disse a Pedro que O seguisse. Pedro olhou para trás, viu o discípulo a quem Jesus amava seguindo-os e disse:
Que acontecerá a este?
O Senhor disse:
Se Eu quero que ele permaneça até que Eu venha, que te importa a ti?
Assim, encontramos cinco ocasiões em que João, em vez de nos dizer seu nome, usa esta designação: “o discípulo a quem Jesus amava”.
Agora, eu me pergunto: por que ele fez isso? Por que simplesmente não nos disse quem era — João, filho de Zebedeu? Em vez disso, procurou ocultar-se sob essa designação tão especial.
Seria porque ele apenas queria se esconder? Ou porque queria exaltar o Senhor? Ou porque o Senhor era tudo para ele, de modo que não desejava ser conhecido independentemente Dele? Ele queria ser conhecido como alguém à sombra do Senhor: “o discípulo a quem Jesus amava”.
Agora pergunto a mim mesmo: quero ser o discípulo a quem Jesus amava? Penso que provavelmente todos nós gostaríamos de ser conhecidos como o discípulo a quem Jesus amava. Creio que não há descrição melhor que gostaríamos de receber do que esta: “o discípulo a quem Jesus amava”.
Mas, se vocês olharem para o início de João 13, verão que nosso Senhor Jesus sabia que Sua hora havia chegado, e que Ele amou os Seus e os amou até o fim.
Em certo sentido, sabemos que nosso Senhor Jesus ama a todos nós. Ele nos ama igualmente. Nosso Senhor não faz acepção de pessoas de maneira alguma. Ele não ama você mais do que me ama. Ele diz que ama todos os que são Seus e que os ama até o fim.
No entanto, vocês encontram na Palavra de Deus algo que parece indicar que há algumas pessoas às quais o Senhor demonstra um amor muito especial. Por exemplo, entre os doze, vocês de fato veem uma diferença.
Em três ocasiões, nosso Senhor Jesus levou Consigo apenas três de Seus discípulos — não todos. Ele os levou quando trouxe a filha de Jairo de volta à vida, quando esteve no monte da Transfiguração e no jardim do Getsêmani. Deixou os oito para trás e levou os três mais adiante.
Assim, embora o Senhor ame a todos igualmente, parece haver uma diferença. Especialmente quando chegamos a João, percebemos que havia algo especial nele, algo especial no amor que nosso Senhor lhe demonstrava.
Como explicar essa aparente contradição? Por um lado, o Senhor ama a todos nós igualmente; por outro, vocês descobrem que existe alguma diferença. Por quê? Será porque nosso Senhor Jesus faz acepção de pessoas, ou será por alguma outra razão?
Em nossa casa, havia uma senhora da Virgínia a quem chamávamos de Vovó. Ela havia saído da Virgínia e ido para a China muitos anos antes. Era missionária e abriu uma escola. Meu pai estudou nessa escola e foi levado ao Senhor por meio dela.
Depois que se aposentou, ela ficou conosco na China e passou a fazer parte da família. Nós a chamávamos de Vovó.
Meu pai tinha sete filhos, e ela amava mais o meu irmão caçula. Às vezes, tentávamos provocá-la. Íamos até ela e dizíamos: “A senhora tem preferência. Ama mais o nosso irmão caçula”.
Quando ouvia isso, ela ficava muito indignada. Sempre nos dizia: “Eu amo todos vocês igualmente”. E nós respondíamos: “Não, não ama. A senhora ama mais o nosso irmão caçula”.
Ela tentava nos explicar. Dizia: “Eu amo todos vocês igualmente. A razão pela qual parece que amo mais o irmão de vocês é que ele fica perto de mim. Ele corresponde mais ao meu amor, e essa é a razão”.
Agora, irmãos e irmãs, será essa a razão pela qual encontramos alguns discípulos a quem Jesus amava de maneira muito especial? Nosso Senhor Jesus não faz acepção de pessoas de maneira alguma. Ele nos ama igualmente. Mas aqueles que estão perto Dele, que O ouvem, que Lhe correspondem, são aqueles a quem Jesus ama de maneira especial.
Gostaríamos de olhar para esse discípulo a quem Jesus amava. Sabemos que ele era filho de Zebedeu. Zebedeu tinha pelo menos dois filhos: Tiago e João.
Zebedeu era pescador, um pescador de boas condições financeiras, porque não tinha apenas seus filhos pescando com ele; tinha também empregados. Portanto, sabemos que ele era bastante próspero.
Ao observarmos João, que tipo de pessoa ele era por natureza? Era reservado, quieto, meditativo, talvez um pouco místico em sua maneira de pensar.
Seu irmão Tiago provavelmente era exatamente o contrário. A Bíblia não nos diz muita coisa sobre Tiago, mas imagino que fosse corajoso, franco e uma pessoa que se destacava.
Penso assim porque, dos doze apóstolos, ele foi o primeiro a ser preso por Herodes e morto. Provavelmente estava sempre à frente, e talvez essa tenha sido a razão pela qual foi o primeiro mártir entre os doze apóstolos.
De qualquer modo, vemos como o Senhor age de maneira admirável. O Senhor costuma colocar dois temperamentos diferentes juntos para que se equilibrem e se complementem.
Esses dois irmãos eram discípulos de João Batista. Especialmente o irmão mais novo, João, era do tipo que se apegava às pessoas. João era muito apegado a João Batista.
Mas, quando João Batista anunciou o Senhor e disse:
Eis o Cordeiro de Deus.
João e André deixaram João Batista e seguiram o Senhor Jesus.
Quando nosso Senhor escolheu os doze discípulos, como encontramos em Marcos 3:17, Ele deu a Tiago e João um apelido, um novo nome: Boanerges, “filhos do trovão”.
Esses dois irmãos tinham temperamentos diferentes, mas o Senhor lhes deu o nome de “filhos do trovão”.
Agora, queridos irmãos e irmãs, todos nós fomos feitos de maneira diferente. Não apenas nossas características físicas são diferentes; entre todos os bilhões e bilhões de pessoas, não há duas exatamente iguais fisicamente ou na aparência. Até os gêmeos podem enganar desconhecidos, mas não podem enganar seus pais. Existem diferenças até mesmo entre eles.
Fisicamente, somos todos diferentes porque nosso Deus ama a variedade. E creio que o mesmo acontece com nosso temperamento. Não há duas pessoas com temperamentos exatamente iguais. Somos todos diferentes; nossa constituição é diferente.
Pessoalmente, creio que o temperamento é a forma de nossa alma. Nosso corpo tem uma forma, e nossa alma também tem uma forma. Deus nos fez assim. Nossas almas têm formas diferentes. Alguns são rápidos, outros são lentos; alguns são mais reservados, outros mais comunicativos; alguns são extrovertidos, outros introvertidos. Somos todos diferentes.
Às vezes, pensamos que há uma diferença de valor entre nossos temperamentos. Achamos que os rápidos são rápidos demais e gostariam de ser um pouco mais lentos; os lentos são lentos demais e gostariam de ser um pouco mais rápidos. Assim, não ficamos muito satisfeitos com nosso temperamento.
Às vezes, pensamos que um temperamento é melhor do que outro. Mas a verdade é que não é assim. Da mesma forma que temos características físicas diferentes, e cada uma é bela porque Deus nos criou e Ele é um Deus de beleza, assim também acontece com o temperamento.
Não há feiura. Todos são belos. Quando um bebê nasce, todo bebê é belo. Não importa sua aparência, ele é belo. Foi criado por Deus, maravilhosamente criado.
O mesmo acontece com o temperamento. Cada temperamento, cada forma da alma, foi feito por Deus e é belo. Em si mesmo, é neutro. Não há nada de errado com o lento nem com o rápido; nada de errado com o extrovertido nem com o introvertido. É simplesmente variedade, e Deus ama a variedade. Devemos enxergar dessa maneira.
Mas aqui vemos que nosso Senhor chamou esses dois irmãos de filhos do trovão. Quando éramos crianças, geralmente tínhamos medo do trovão. Na verdade, o trovão em si não faz mal a ninguém; o relâmpago é que é perigoso. Mesmo assim, temos medo dele.
Aqui vemos que nosso Senhor Jesus chamou esses dois irmãos de filhos do trovão. Em outras palavras, creio que, apesar de seus temperamentos diferentes, por natureza ambos eram tempestuosos.
Se nos expressarmos por meio de nosso temperamento natural, mais cedo ou mais tarde veremos o trovão. Em alguns, ele pode surgir um pouco mais devagar; pode levar algum tempo para ganhar força. Em outros, pode surgir um pouco mais depressa. Mas, seja você rápido ou lento, ele virá. Chegará um momento em que se ouvirá o trovão — um trovão assustador.
Encontramos na Palavra de Deus como esses dois irmãos trovejaram. Quando nosso Senhor Jesus estava a caminho de Jerusalém, passando por Samaria, os samaritanos não quiseram recebê-Lo, porque Ele Se dirigia a Jerusalém. Os samaritanos tinham tanto preconceito contra os judeus quanto os judeus contra os samaritanos.
Esses dois irmãos vieram ao Senhor e disseram:
Senhor, eles não Te recebem. Queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?
O Senhor disse:
Vós não sabeis de que espírito sois.
Quando nosso Senhor caminhava para Jerusalém, Ele ia no espírito do Cordeiro. Estava indo para ser sacrificado. Mas esses dois discípulos tinham um espírito muito diferente: o espírito natural, o espírito da vida do ego. Aqui encontramos trovão em vez de amor que perdoa.
Outra vez, João encontrou alguém expulsando demônios em nome do Senhor. Os demônios estavam sendo expulsos, mas João não estava satisfeito. Ele veio ao Senhor e disse:
Nós o proibimos.
Por quê? Porque aquele homem não os acompanhava.
Eles pensavam: “Nós somos os ortodoxos, os que estão certos. Se alguém quiser usar o nome do Senhor, esse direito é exclusivamente nosso”. Mas o Senhor disse:
Quem não é contra nós é por nós.
Não o proibais.
Novamente, quando se aproximavam de Jerusalém, os discípulos pensavam que nosso Senhor seria coroado rei. Entre os doze discípulos, havia o tempo todo manobras para superar uns aos outros: quem era o maior?
Então vemos esses dois irmãos levando sua mãe e vindo ao Senhor para pedir:
Senhor, promete que nos darás tudo o que Te pedirmos.
Eles não queriam dizer a Ele o que estavam pedindo, porque sabiam que era um pouco vergonhoso.
Mas o Senhor nunca assina um cheque em branco. O Senhor disse:
Que quereis?
Eles responderam:
Um à Tua direita e outro à Tua esquerda.
Nosso Senhor Jesus disse:
Não Me compete concedê-lo, mas é para aqueles a quem está preparado por Meu Pai.
Podeis vós beber o cálice que Eu estou para beber e ser batizados com o batismo com que Eu sou batizado?
É claro que os outros dez discípulos ficaram indignados, porque os dois haviam passado à frente deles. Irmãos e irmãs, aqui vemos que o temperamento em si é neutro, mas, quando é usado pela vida do ego, torna-se terrível — como o trovão.
Por outro lado, quando nosso Senhor Jesus dava um apelido, Sua intenção era sempre boa. Como quando disse a Simão:
Tu és Pedro.
Você deve ser uma pedra. Isso deveria ser algo bom.
Se olharmos pelo lado positivo, provavelmente o Senhor estava predizendo que, apesar do que eram em si mesmos, eles se tornariam filhos do trovão. Aqui, o trovão representa a voz de Deus.
Vocês se lembram de João 12. Quando alguns gregos quiseram ver Jesus, humanamente falando, esse era um momento glorioso para nosso Senhor. Ele havia entrado triunfalmente em Jerusalém, e agora até os gregos queriam vê-Lo.
No entanto, nosso Senhor Jesus disse:
É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado.
Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.
Então Ele disse:
Pai, salva-Me desta hora; mas para isto vim a esta hora.
E veio uma voz do céu:
Já o tenho glorificado e outra vez o glorificarei.
As pessoas ao redor do Senhor Jesus disseram que havia trovejado.
Irmãos e irmãs, aqui vemos que a voz de Deus é como o trovão. Se vocês lerem o Salmo 29, também encontrarão que o Deus da glória troveja.
Esses dois irmãos se tornaram filhos do trovão. Eu me pergunto se Tiago não foi o apóstolo do amor que morre. Ele amava tanto o Senhor que estava disposto a morrer, a dar sua vida por Aquele que o redimiu. Foi o primeiro mártir entre os apóstolos.
Quanto a João, sabemos que ele é o apóstolo do amor — um apóstolo do amor que não morre. Ele amou o Senhor por toda a sua vida. Nunca deixou de amá-Lo.
Irmãos e irmãs, que testemunho esses dois irmãos nos deixaram! Será que somos tão constrangidos pelo amor de Deus que estamos dispostos a morrer? Será que somos tão constrangidos por Seu amor que nosso amor por Ele nunca morre?
Vamos voltar um pouco. Sabemos que, depois de ser tentado, nosso Senhor Jesus voltou do deserto. Quando Ele Se aproximava de João Batista, a Bíblia diz que João Batista declarou:
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
No dia seguinte, João Batista estava ali com dois de seus discípulos. Viu o Senhor passando e disse:
Eis o Cordeiro.
Quando os dois discípulos ouviram isso, deixaram seu mestre e seguiram o Senhor. O Senhor Se voltou e perguntou:
Que buscais?
O que vocês querem?
Irmãos e irmãs, é impressionante o que eles disseram ao Senhor:
Rabi, onde permaneces?
Onde Tu moras? Em outras palavras: “Queremos morar Contigo”. Era isso que eles queriam.
Assim, naquele dia, permaneceram com o Senhor. O resultado dessa permanência foi que André foi procurar seu irmão Pedro e disse:
Achamos o Messias.
E levou seu irmão ao Senhor.
Irmãos e irmãs, eu me pergunto por que esse homem, João, era o discípulo a quem Jesus amava. Qual era seu segredo? Sabemos que o Senhor nos ama igualmente, mas, de alguma forma, há alguns que parecem ser especialmente amados pelo Senhor. Qual é o segredo?
Como podemos ser como João, ser o discípulo a quem Jesus ama? Eu me pergunto se esse segredo não é permanecer. Se vocês examinarem a vida de João, verão que, do início ao fim, tudo se resume a permanecer.
Na primeira vez que seguiu o Senhor, seu desejo era permanecer com Ele — morar com Ele. Irmãos e irmãs, quantas vezes desejamos conhecer o Senhor e vê-Lo, mas queremos estar com Ele apenas por um pouco de tempo e depois seguir nosso próprio caminho.
Não continuamos a habitar com Ele. Não fazemos continuamente Dele o nosso lar, e é isso que significa permanecer. Permanecer significa fazer um lar. Fazemos Dele o nosso lar.
Visitamos nosso Senhor de vez em quando. Talvez você O visite no Dia do Senhor por uma hora e, no restante do dia, fique fora de Sua presença. Mas aqui está uma pessoa cujo desejo em relação ao Senhor é permanecer. Ele quer habitar, estar sempre em Sua presença.
Isso marca o início de sua vida. Depois, quando chegamos ao fim, encontramos a mesma coisa. Quando Pedro perguntou ao Senhor: “E quanto a este homem?”, nosso Senhor disse:
Se Eu quero que ele permaneça até que Eu venha, que te importa a ti?
Eu me pergunto se esse não é o segredo do discípulo a quem Jesus amava.
Se vocês lerem João 15, verão que nosso Senhor Jesus nos fala de um novo relacionamento que temos com Ele, em virtude de Sua obra consumada na cruz. Um novo relacionamento seria formado entre Ele e nós.
Quando os discípulos estiveram com Ele durante aqueles três anos, Ele estava com eles e eles estavam com Ele, mas, em certo sentido, isso era externo. Porém, uma mudança estava por vir.
Depois que nosso Senhor morreu e ressuscitou, e o Espírito Santo veio, vemos um novo relacionamento formado entre Ele e os discípulos. É um relacionamento novo e bom. O Senhor disse:
Eu sou a videira; vós sois os ramos.
Eu em vós, e vós em Mim.
Queridos irmãos e irmãs, nosso relacionamento com o Senhor hoje já não é externo. Nosso relacionamento com o Senhor é profundamente interior. Ele está em nós, e nós estamos Nele.
Esse é nosso relacionamento, assim como o da videira com os ramos. Ele é a videira; nós somos os ramos. Somos parte Dele. Essa é nossa posição, nossa união com Cristo. Essa é a base sobre a qual estamos firmados.
Mas, com base nessa posição, nesse relacionamento que Deus nos deu, existe uma responsabilidade, uma resposta. Precisamos corresponder a esse relacionamento e à posição que nos foi dada.
Nossa resposta é aquilo que o Senhor disse:
Permanecei em Mim, e Eu em vós.
Graças a Deus, já temos esse relacionamento. Mas estamos fazendo uso dele? Existe uma união, mas existe comunhão?
Ele está em nós, e nós estamos Nele. Mas permanecemos Nele? Continuamos Nele? Fazemos Dele o nosso lar? Habitamos com Ele? Vivemos em Sua presença, mantendo comunhão, uma comunhão ininterrupta com Ele?
Se mantivermos esse relacionamento, o resultado é o que Ele diz:
E Eu em vós.
Ele fará Seu lar conosco, e Suas palavras permanecerão em nós.
As palavras aqui não são apenas as palavras que encontramos impressas, as palavras da Bíblia. A letra se torna palavra viva para nós. Suas palavras estarão em nós. Ele falará conosco por meio de Sua Palavra.
Por meio da Palavra que Ele já falou, Ele voltará a falar conosco de maneira íntima e pessoal. Seu amor se tornará real para nós e encherá nossos corações. Então poderemos dar muito fruto, o Pai será glorificado e seremos verdadeiramente Seus discípulos.
Portanto, irmãos e irmãs, provavelmente o segredo do discípulo a quem Jesus amava está nessa questão de permanecer.
Sabemos que João foi um dos primeiros a seguir o Senhor e que, entre os apóstolos, foi o último a permanecer vivo. Ele esteve entre os primeiros a seguir o Senhor, e vemos como permaneceu com Ele.
Ao pé da cruz, ele era o único dos doze que estava ali. É claro que sabemos que ele também viveu mais tempo, quase cem anos.
Assim, tudo se resume a permanecer. Irmãos e irmãs, cada vez mais percebo a importância de permanecer. Isso é fundamental para nossa vida cristã.
Recebemos o privilégio desse relacionamento interior com o Senhor. Estamos fazendo pleno uso dele em nossa vida diária? Permanecemos no Senhor? Se permanecermos, então Ele permanecerá em nós, Suas palavras permanecerão em nós e permaneceremos em Seu amor. Então Ele nos amará.
Esse é o segredo.
Por ser de temperamento mais reservado e quieto, quando lemos o relato bíblico, vemos que João normalmente não estava à frente das coisas. Mas sabemos como o Senhor o usou de maneira especial.
Vocês se lembram de Pedro. Depois de negar o Senhor três vezes, ele saiu chorando. Percebeu o que havia feito. Já não conseguia encarar ninguém.
Eu me pergunto se ele não ficou andando sem rumo, vagando, sem ter para onde ir. Não tinha vontade de ver nenhum de seus companheiros apóstolos. Estava profundamente envergonhado de si mesmo.
Quem o trouxe de volta? Quando Maria Madalena contou a Pedro que o Senhor havia desaparecido, a Bíblia diz que Pedro estava com o discípulo a quem Jesus amava.
João tinha uma casa em Jerusalém. Nosso Senhor confiou Sua mãe a ele. Eu me pergunto se não foi João quem saiu à procura de Pedro. Pedro nunca teria voltado se alguém não tivesse saído para encontrá-lo.
O amor restaura.
Depois do Pentecostes, vemos que o Senhor colocou João e Pedro juntos. Havia ali um relacionamento especial.
Pedro, pela graça de Deus, era sempre o porta-voz. No dia de Pentecostes, ele foi o porta-voz; os outros discípulos estavam de pé com ele. Quando Pedro e João foram ao templo para orar, foi Pedro quem disse ao homem paralítico:
Levanta-te.
João sempre parecia ser um companheiro silencioso, mas estava fielmente ao lado de Pedro. Não era alguém que procurava se colocar em evidência. Estava disposto a ajudar onde fosse necessário.
No livro de Atos, dos capítulos 1 a 12, entre os apóstolos vemos principalmente Pedro. Do capítulo 13 em diante, vemos Paulo. Onde estava João?
Sabemos que ele estava em Jerusalém, porque, quando Paulo foi a Jerusalém para aquele concílio, João estava lá. Ele era uma das três colunas da igreja em Jerusalém. Paulo disse que eles lhe deram a destra de comunhão.
Sabemos que ele estava ali, mas não havia relato de suas atividades. Parecia estar oculto ali.
Mas esperem. Depois que Paulo e Pedro foram martirizados, a igreja sofreu perseguição. As coisas começaram a se deteriorar. A maioria dos apóstolos já havia partido.
Mas aqui encontramos João. Ele se mudou para a Ásia, para Éfeso, e começou seu ministério ali. Era um ministério de amor, procurando chamar os santos de volta e restaurá-los.
O fundamento da fé foi abalado naquela época. Era perto do fim do primeiro século. O gnosticismo começou a se manifestar, questionando a filiação divina de nosso Senhor Jesus.
Apesar de já terem sido escritos três relatos da vida do Senhor — Mateus, Marcos e Lucas —, João foi movido pelo Espírito de Deus a nos dar outro Evangelho.
O propósito era fortalecer o fundamento. Ele escreveu para que soubéssemos que Jesus é o Filho de Deus e para que, crendo Nele, tivéssemos a vida eterna.
O amor fortalece o fundamento. Era um tempo de perseguição. A fé das pessoas estava abalada. O amor havia esfriado.
Então encontramos João escrevendo as epístolas: amor e verdade, restaurando com amor e verdade. Esse é o ministério de João.
Irmãos e irmãs, creio que estamos vivendo no fim dos últimos tempos. Como diz a Bíblia, não apenas a terra é abalada; até os céus são abalados. Tudo o que pode ser abalado está sendo abalado, porque o reino inabalável está chegando.
Neste tempo, vemos que a fé, a esperança e o amor estão sendo desafiados. A igreja parece ter perdido seu primeiro amor. Estamos numa situação semelhante à de Laodiceia.
O que o Senhor está procurando hoje? Quem Ele pode usar para restaurar aquilo que se perdeu?
Creio que o Senhor está procurando pessoas como João — o discípulo a quem Jesus amava.
Irmãos e irmãs, hoje sinto que não se trata de ensino. Trata-se de amor. Somente o amor pode restaurar.
Mas, se não conhecemos o amor de Deus, se não conhecemos o amor de Cristo de maneira íntima, como podemos demonstrar Seu amor? Como podemos ministrar Seu amor àqueles que estão em necessidade tão desesperadora?
Creio que o Senhor hoje está procurando um discípulo a quem Ele ama. Ele quer encontrar algumas pessoas que O amem de maneira muito especial, que gostem de estar com Ele, que gostem de permanecer perto Dele, que gostem de se reclinar sobre Seu peito.
Ele quer aqueles que desejam conhecê-Lo — conhecê-Lo profundamente, não de maneira superficial.
Se fizermos isso, descobriremos que somos essas pessoas — os discípulos a quem Jesus amava.
Mais do que qualquer outra coisa, quem dera o Senhor pudesse nos dizer: “Vocês são os discípulos a quem Eu amo” — não apenas discípulos, mas discípulos a quem Ele ama.
Creio que essas pessoas serão os vasos por meio dos quais o Senhor realizará a obra de restauração em nosso tempo.
Portanto, irmãos e irmãs, o encargo que trago no coração é simplesmente este: não se contentem apenas em ser discípulos de Jesus Cristo. Mas que, de fato, pessoalmente, por Sua graça, sejamos os discípulos a quem Jesus ama.
Vamos orar?
Querido Senhor, reconhecemos que estamos vivendo num tempo muito incomum. Encontramos ruína ao nosso redor e até dentro de nós.
Senhor, reconhecemos que nosso amor esfriou. Tu não estás procurando outra coisa, mas aquele primeiro amor. Ó Senhor, restaura-nos àquele primeiro amor.
Atrai-nos como um ímã, para que sejamos tão apegados a Ti, para que estejamos tão perto de Ti e nunca Te deixemos.
Que o Teu amor encha de tal maneira nosso ser que possamos expressá-lo aos outros. Senhor, que o Teu amor encha a Tua igreja e restaure a Tua igreja àquela condição gloriosa, pronta para Ti.
Senhor, aqui estamos. Queremos nos humilhar diante de Ti. Não permitas que fiquemos acomodados, pensando que estamos bem. Senhor, não estamos bem. Precisamos de Ti.
Tem misericórdia de nós. Toca-nos profundamente com o Teu amor, para que Tu possas ter caminho em Tua igreja.
Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus e para Sua glória. Amém.