Por favor, abram no livro de Atos, capítulo 19. Apenas um versículo: o versículo 10.
Atos 19:10:
E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos.
Agora, a carta aos Colossenses, capítulo 2. Vamos ler do versículo 6 até a primeira parte do versículo 10.
Colossenses 2:6-10:
Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai Nele;
arraigados e edificados Nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando nela com ações de graças.
Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;
porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade;
e estais perfeitos Nele.
Vamos fazer uma oração.
Querido Mestre, nosso Senhor Jesus, estamos todos aqui esperando ouvir a Tua voz. Pedimos que fales por meio da Tua Palavra ao mais íntimo do nosso coração, para que possamos ouvir-Te e, então, levantar-nos e seguir-Te.
Entregamos este tempo em Tuas mãos e confiamos em Ti. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém.
Temos compartilhado sobre a vida do Corpo de Cristo conforme demonstrada no livro de Atos. Temos compartilhado tanto sobre o lado positivo como sobre o lado negativo dessa vida do Corpo.
Os aspectos negativos são as coisas que precisamos evitar, e o lado positivo consiste nas coisas que precisamos possuir.
Na verdade, a vida do Corpo de Cristo é uma com a vida do próprio Cristo, porque é uma só vida, a mesma vida. É a vida que nosso Senhor Jesus viveu em Seu corpo encarnado, e essa mesma vida é vivida agora em Seu Corpo místico.
Portanto, qualquer coisa que seja contraditória, contrária ou diferente da vida de Cristo, tal como Ele a viveu em Seu corpo encarnado, não pode ser considerada a vida do Corpo de Cristo na terra hoje.
Assim, irmãos e irmãs, há muito que podemos aprender com a vida das igrejas do primeiro século, porque a vida delas é a mesma vida que temos hoje. É exatamente a mesma vida que nosso Senhor Jesus viveu enquanto esteve na terra, porque a igreja é o Corpo de Cristo, e sua vida é a vida de Cristo.
Nesta manhã, vamos considerar a vida da igreja em Colossos.
No livro de Atos, vocês não encontram o nome de Colossos. Mas temos uma carta escrita pelo apóstolo Paulo à igreja em Colossos.
Colossos era uma das três cidades do vale do Lico. As outras duas eram Laodiceia e Hierápolis.
Na carta aos Colossenses, vocês encontram o apóstolo Paulo mencionando Laodiceia e Hierápolis, porque essas três cidades formavam uma espécie de triângulo. Eram próximas umas das outras, a uma distância que se podia percorrer a pé, e, em certo sentido, constituíam uma unidade.
Das três cidades, Laodiceia era a mais proeminente. Era uma importante cidade comercial. Hierápolis vinha em seguida em importância, e Colossos era, na verdade, a menor das três.
Ainda assim, vemos que uma grande carta foi escrita a essa pequena cidade, a essa pequena igreja. Como agradecemos a Deus por essa carta aos Colossenses!
O que faríamos se não tivéssemos essa carta? Nosso conhecimento e nossa compreensão do Senhor Jesus não seriam completos; não seriam plenos. É por meio dessa carta aos Colossenses que chegamos a um conhecimento mais pleno do nosso Senhor Jesus.
Até onde sabemos, quando Paulo escreveu essa carta aos Colossenses, ele nunca havia visitado aquela cidade.
É claro que, mais adiante, como vocês leem na carta a Filemom, ele mencionou que os visitaria. Mas, de qualquer maneira, vemos que seu conhecimento da situação em Colossos veio de Epafras e de outras pessoas.
Ele não tinha um relacionamento direto com a igreja em Colossos. Nunca havia estado lá.
Mas, enquanto esteve em Éfeso, vocês se lembram de Atos 19:10, ele permaneceu ali por dois anos, de modo que toda a Ásia ouviu a Palavra do Senhor, tanto judeus como gentios.
Éfeso era uma capital, por isso as pessoas daquela província romana da Ásia, na Ásia Menor, iam visitar Éfeso. Durante aqueles dois ou três anos, Paulo pregou a Palavra do Senhor com tanta fidelidade que todas as pessoas que chegavam ouviam a Palavra, tanto judeus como gentios.
E é bastante certo que Epafras, por meio da pregação do apóstolo Paulo, ouviu o evangelho e recebeu a fé. Ele era de Colossos. Filemom, também natural de Colossos, ouviu o evangelho por meio de Paulo e creu — não apenas ele, mas toda a sua família.
Assim, por meio desses irmãos e irmãs, a igreja em Colossos foi estabelecida.
Quando vocês leem a carta aos Colossenses, Paulo menciona Epafras e o chama de:
amado conservo.
Sabemos que o apóstolo Paulo era um servo de Jesus Cristo. Ser servo, nesse sentido, significa ser um escravo. Ele era escravo do Senhor Jesus, alguém cuja orelha havia sido furada para sempre, por amor. Ele pertencia ao Senhor Jesus.
Paulo se orgulhava de chamar a si mesmo de escravo de Jesus Cristo. E assim era Epafras. Depois de crer no Senhor Jesus, ele também se tornou escravo de Jesus Cristo.
Ele não apenas creu, mas entregou toda a sua vida ao Senhor. Por assim dizer, teve sua orelha furada para ser escravo de Jesus Cristo.
E não apenas isso: Paulo também o chamou de fiel ministro de Jesus Cristo. Ele era um servo fiel, um ministro fiel. Ministrava a Palavra de Deus às pessoas em Colossos, em Laodiceia e em Hierápolis.
Quando vocês leem a carta a Filemom, Paulo chama Epafras de:
meu companheiro de prisão em Cristo Jesus.
Agora, como Epafras se tornou prisioneiro em Roma? Não sabemos ao certo. Mas uma coisa podemos supor: ele viajou quase mil milhas de Colossos a Roma para encontrar Paulo na prisão. Talvez fosse uma pessoa tão zelosa, tão zelosa pelo Senhor na pregação do evangelho, que também tenha sido preso. Assim, tornou-se companheiro de prisão em Jesus Cristo com o apóstolo Paulo.
E quanto a Filemom? Se vocês lerem a carta a Filemom, verão que Paulo o chama de:
amado e nosso cooperador.
Filemom era um irmão amado, assim como Paulo disse a respeito de Lucas:
o médico amado.
Filemom devia ter uma natureza muito amável. Era uma pessoa hospitaleira e expressava sua fé e seu amor de maneira prática. Todos os santos recebiam dele essa gentileza e hospitalidade.
Ele era chamado de cooperador. Não sabemos qual era sua profissão, mas, evidentemente, era uma pessoa de boas condições financeiras, porque, vocês se lembram, ele tinha escravos. Onésimo era um dos escravos que o roubou e fugiu.
Portanto, ele devia ser uma pessoa de boas condições financeiras, e abriu sua casa para que a igreja se reunisse. Era uma pessoa muito hospitaleira e foi chamado de cooperador de Paulo.
Sabem, Paulo não tinha apenas cooperadores que trabalhavam com ele em tempo integral, por assim dizer. Havia também outros que tinham uma profissão e, ainda assim, trabalhavam com ele, como Priscila e Áquila. Eles eram fabricantes de tendas e cooperadores do apóstolo Paulo. Assim era Filemom.
Depois, havia a irmã Áfia. Provavelmente, e muito possivelmente, Áfia era a esposa de Filemom. Ela era uma irmã querida.
Irmãos e irmãs, se ela não estivesse em concordância com seu marido, teria sido muito difícil para Filemom abrir a casa para que a igreja se reunisse. Na verdade, em uma casa aberta para receber a igreja, as irmãs provavelmente têm maior responsabilidade.
Então, aqui encontramos a irmã Áfia. Ela estava em concordância com seu marido e, juntos, serviam ao Senhor, abrindo seu lar para que a igreja se reunisse.
Depois havia Arquipo, a quem Paulo chamou de:
nosso companheiro de combate.
Quem era Arquipo? Muito provavelmente, era filho de Filemom e Áfia.
Aqui encontramos um jovem que era conservo, companheiro de combate do apóstolo Paulo. Como jovem, ele combatia o bom combate da fé e também estava no ministério, por assim dizer, servindo ao Senhor.
Portanto, temos aqui uma bela família, e a igreja em Colossos se reunia na casa dessa família.
Com Epafras, um ministro tão fiel, e com essa bela família, vocês podem imaginar a condição daquela pequena igreja naquela casa.
Ao lerem a carta aos Colossenses, vocês têm um vislumbre disso. Na carta, Paulo disse que, depois de ele e Timóteo terem ouvido falar deles — porque nunca haviam estado lá, mas tinham ouvido a respeito deles —, não cessavam de orar por eles.
Tinham ouvido falar da fé deles em Jesus Cristo, do amor deles para com todos os santos e da esperança que lhes estava reservada nos céus.
Assim, irmãos e irmãs, vemos que, nessa pequena igreja, eles tinham fé no Senhor Jesus. Tinham amor para com todos os santos — sem discriminação, mas amor por todos os santos. E tinham esperança. Sua esperança estava nos céus, não nesta terra.
Sabemos que esses três elementos são os principais componentes da vida cristã. Vocês se lembram de 1 Coríntios 13:13:
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor.
Esses são os três componentes da vida cristã.
Nessa pequena igreja, eles tinham todos esses três componentes. Portanto, irmãos e irmãs, essa pequena igreja teve um começo maravilhoso.
Isso aconteceu por meio do esforço conjunto de Epafras, Filemom, Áfia e Arquipo. Por meio de seus exemplos, de suas vidas e de seus ministérios, vemos que uma pequena igreja foi estabelecida em Colossos — um começo maravilhoso, um bom começo.
Mas, infelizmente, em poucos anos, a situação em Colossos mudou muito.
Quando Paulo esteve na Ásia, isso foi provavelmente entre os anos 54 e 58 d.C. Mas, quando escreveu essa carta aos Colossenses, era por volta de 62 ou 63 d.C. Portanto, em poucos anos, a condição e a situação em Colossos haviam mudado muito.
Infelizmente, uma heresia começou a entrar naquela igreja. Algumas pessoas introduziram um ensinamento estranho, e esse ensinamento começou a dominar as pessoas ali e a exercer uma influência maléfica.
Que heresia era essa? Hoje, nós a chamamos de heresia colossense.
Se vocês lerem a carta aos Colossenses, verão que era uma estranha combinação de gnosticismo pagão e ritualismo judaico.
Por um lado, havia o misticismo pagão. Era o início do gnosticismo. Havia uma classe de pessoas, um grupo muito pequeno, que afirmava ser formado por aqueles que sabiam. Eles tinham sabedoria. Compreendiam o mistério do universo. Explicavam a criação.
Falavam de anjos e de diferentes níveis de manifestação de Deus. Portanto, era uma espécie de filosofia, misticismo e especulação. Essas coisas começaram a entrar em Colossos.
Ao mesmo tempo, havia o ritualismo judaico. Começaram a observar dias: havia coisas que não podiam tocar, coisas que não podiam comer — todos esses rituais e cerimônias.
Era uma combinação estranha. Pensaríamos que, se alguém se aprofundasse em especulação, metafísica, filosofia e misticismo, ficaria naquele âmbito de pairar no ar; nunca tocaria em nada material ou físico.
Mas, estranhamente, vemos que muitas vezes, por um lado, há esse tipo de pensamento metafísico e, ao mesmo tempo, ele se combina com um ritualismo muito físico e material. É uma coisa estranha, mas essa era a heresia colossense.
Por que ela teve uma influência tão forte sobre aquela pequena igreja? Provavelmente por este motivo: os santos em Colossos tinham ouvido a mensagem da fé e da verdade e, depois de crerem, realmente cresceram bem no Senhor. Mas, em seu desejo de prosseguir, essa heresia apareceu.
Ela lhes dizia que, se quisessem ser perfeitos, se quisessem ser completos, se quisessem ter plenitude, havia um caminho. E esse caminho passava por aquela heresia, por algum tipo de misticismo e ritualismo.
“Se vocês aceitarem isso, tornar-se-ão espirituais. Entrarão na plenitude.”
Irmãos e irmãs, vemos que esse tipo de ensinamento apela ao desejo natural do ser humano. Naturalmente, há no ser humano o desejo de fazer alguma coisa, de alcançar algo pelo próprio esforço, porque isso, em certo sentido, alimenta nosso ego.
Então, essa heresia veio e disse: “Sim, vocês podem obter um conhecimento superior. Se observarem certos rituais, imediatamente serão iniciados no segredo e se tornarão completos. Serão perfeitos. Terão plenitude”.
Vemos que isso apela à carne e atende ao nosso desejo natural.
Se vocês querem crescer até a plenitude, isso leva tempo. No âmbito natural, até fisicamente, crescer leva tempo. É preciso passar por muitas coisas, por provações, e, gradualmente, crescer até a maturidade, até a completude.
Mas aqui encontramos um ensinamento segundo os rudimentos do mundo, segundo o homem, e não segundo Cristo. Ele diz que, se vocês forem iniciados em certos segredos e observarem certas regras, imediatamente entrarão na plenitude. Tornar-se-ão espirituais quase instantaneamente.
Irmãos e irmãs, aquilo começou a dominar os santos em Colossos.
Exerceu tamanha influência sobre eles que Epafras, aquele ministro fiel, viu-se incapaz de lidar com a situação.
Ele decidiu fazer uma viagem longa e perigosa, de quase mil milhas, até Roma, para ver Paulo e tentar obter sua ajuda.
Na carta aos Colossenses, vocês podem ver que, quando Paulo ouviu o que havia acontecido, ficou profundamente preocupado com a situação deles.
Vocês se lembram de que Paulo, em 2 Coríntios 11:28-29, disse que a preocupação com as igrejas pesava sobre ele:
Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça?
Quem se escandaliza, que eu me não abrase?
Esse era o coração do apóstolo. Portanto, quando ele ouviu falar daquela situação infeliz em Colossos, seu coração ardeu dentro dele. Ele lhes escreveu uma carta.
Nessa carta, ele nos mostra por que eles chegaram àquela situação e onde está o remédio.
Irmãos e irmãs, essa igreja em Colossos tinha um fundamento muito sólido. Eles tinham fé, esperança e amor — um bom começo, um bom início.
Mas isso não garante que terminará bem. É algo que deve servir de advertência para nós.
Eles tinham um bom fundamento, lançado por homens e mulheres fiéis, e, ainda assim, o inimigo veio e semeou joio, quase destruindo aquela igreja.
Irmãos e irmãs, o inimigo não fez isso apenas no primeiro século. Ele continua fazendo isso hoje.
Não pensem que, por haver um bom fundamento, não existe perigo de sermos desviados. Irmãos e irmãs, tenham cuidado. O inimigo está tentando semear joio no terreno onde foi semeado bom trigo.
Como eu disse antes, no caso dos crentes de Colossos, não foi por descuido. Não foi porque disseram: “Desde que possamos ir para o céu, isso basta”. Eles realmente tinham o desejo de crescer no Senhor. Tinham o desejo de seguir o Senhor.
Eles não eram como os crentes de Corinto. Os crentes de Colossos eram diferentes. Depois de crerem no Senhor, queriam prosseguir. Queriam entrar na plenitude. Queriam ser espirituais.
Mas, ao seguir o Senhor e buscá-Lo, precisavam negar a si mesmos, tomar a cruz e seguir o Senhor. Isso é difícil. É árduo. É como subir uma montanha.
Então, esse mestre veio e disse: “Vocês não precisam de tudo isso. Existe uma sabedoria. Vocês podem entrar nela e saberão tudo. Basta observar algumas pequenas regras, e serão perfeitos. Estarão prontos”.
Irmãos e irmãs, essa é uma tentação: um atalho para a espiritualidade, um atalho para a plenitude.
Vocês acham que não temos tentações assim hoje?
Irmãos e irmãs, vemos que, no cristianismo de hoje, são oferecidos muitos atalhos. Eles não são segundo Cristo. São segundo os rudimentos do mundo. São segundo o ensinamento dos homens.
Eles nos dizem como podemos ser espirituais instantaneamente: “Vocês não precisam da cruz. Não precisam pagar preço algum. Não precisam negar a si mesmos”.
“Tudo o que precisam fazer é receber alguma sabedoria. Se forem iniciados nela e se evitarem algumas coisas, então serão perfeitos.”
Quantas pessoas caíram nesse tipo de ensinamento? Hoje, não estamos completamente livres de tais ensinamentos.
Por que os crentes de Colossos foram tentados? Porque não tinham o pleno conhecimento da vontade de Deus.
Eles tinham um bom fundamento, mas não tinham o pleno conhecimento da vontade de Deus. Por causa dessa falta, foram tentados e desviados.
Assim, quando Paulo ouviu falar da situação deles, não apenas compartilhou com eles o que é o pleno conhecimento da vontade de Deus, mas também orou por eles.
Se vocês examinarem a carta aos Colossenses, verão como ele orou. Ele disse, em Colossenses 1:9:
que sejais cheios do pleno conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual.
É disso que precisamos. Se tivermos apenas um bom fundamento, irmãos e irmãs, não estaremos protegidos de ser desviados.
Precisamos ser cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, e somente isso nos guardará de ser tentados e desviados.
O que é o pleno conhecimento da vontade de Deus? Isso fica evidente na carta aos Colossenses. Paulo compartilhou com eles o que é o pleno conhecimento da vontade de Deus.
O pleno conhecimento da vontade de Deus está centrado em Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. É a supremacia de Cristo. É a preeminência de Cristo. É Cristo, tudo e em todos.
Aqui vemos Paulo lhes dizendo: “O Cristo que vocês conhecem é muito maior do que perceberam”.
Vocês poderiam pensar que é possível ter plenitude fora de Cristo. Não existe tal coisa, porque, na vontade de Deus, toda a plenitude da divindade habita corporalmente Nele, e vocês estão completos Nele.
Em outras palavras, é a vontade de Deus colocar tudo de Sua sabedoria e de Seu conhecimento em Seu Filho. Seu Filho é a plenitude da sabedoria e do conhecimento de Deus.
Tudo foi criado Nele, por Ele e para Ele. Ele é o princípio. Ele é o primogênito dentre os mortos. Ele é a Cabeça da igreja.
É por meio Dele que todas as coisas são reconciliadas, pacificadas, trazidas de volta e reunidas em Cristo Jesus.
Fora de Cristo, não há conhecimento, nem sabedoria, nem plenitude. Vocês podem encontrar tudo Nele, e fora Dele tudo é vaidade e vazio.
Irmãos e irmãs, esse é o pleno conhecimento da vontade de Deus. Precisamos conhecer Cristo na vontade de Deus.
Qual é o propósito de Deus, o propósito eterno de Deus — um propósito que Deus estabeleceu antes mesmo da fundação do mundo? Qual é essa vontade?
Essa vontade é Cristo, tudo e em todos. Essa é a vontade de Deus.
Irmãos e irmãs, se sabemos que essa é a vontade de Deus, então permaneceremos aqui.
Por isso, Paulo disse: depois de crerem no Senhor Jesus, andem Nele, arraigados e edificados Nele. Não sejam desviados por filosofias e vãs sutilezas, segundo os rudimentos do mundo, segundo o ensinamento dos homens, e não segundo Cristo.
Tudo deve ser segundo Cristo. Em outras palavras: isso é Cristo?
Se é filosofia, isso é Cristo? Se é ritualismo, isso é Cristo? O misticismo nos afastará de Cristo? O cerimonialismo nos afastará de Cristo? A questão é Cristo, tudo e em todos.
Essa é a vontade de Deus. Essa é a vontade de Deus para cada um de nós.
Paulo disse que trabalhava para apresentar cada pessoa completa, perfeita em Cristo Jesus. Como lemos em Colossenses 1:27:
Cristo em vós, esperança da glória.
Isso não é apenas para os indivíduos, mas para toda a igreja. É Cristo, tudo e em todos. Como lemos em Colossenses 3:11:
onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre;
mas Cristo é tudo em todos.
Esse é o pleno conhecimento da vontade de Deus, e é algo em que precisamos entrar.
Irmãos e irmãs, agradecemos ao Senhor porque Ele nos tem exercitado nestes dias a nos aprofundarmos na pessoa e na obra do nosso Senhor Jesus.
Nós dizemos: “Ah, conhecemos a pessoa e a obra do nosso Senhor Jesus”. Sim, conhecemos um pouco disso — o fundamento. Graças a Deus pelo bom fundamento.
Mas, irmãos e irmãs, precisamos do pleno conhecimento da vontade de Deus. Precisamos conhecer Cristo como Deus O conhece. Isso é infinito. Há tanto que precisamos conhecer.
Saber que essa é a vontade de Deus nos manterá afastados do ensinamento dos homens e dos rudimentos deste mundo.
Mas como podemos entrar nesse pleno conhecimento da vontade de Deus? Vemos que ele é mais do que algo que outras pessoas podem nos transmitir.
É verdade: Deus revelou o mistério aos apóstolos e aos profetas. Por meio deles, recebemos o que Deus lhes revelou a respeito do nosso Senhor Jesus.
Isso vem por revelação. Deus revela Seu Filho, e Ele nos deu esse pleno conhecimento. Hoje, é um segredo revelado. Nós o lemos na Palavra de Deus.
Mas apenas lendo, apenas ouvindo, vocês não o alcançarão.
É por isso que vemos Paulo orando. Ele orou pelos crentes de Colossos. Antes de começar a compartilhar com eles, orou por eles.
Ele sabia que, embora haja tal revelação, quando tentamos compartilhá-la, ela não se torna viva a menos que o Espírito de Deus vivifique a Palavra.
Portanto, irmãos e irmãs, quando lemos a Palavra de Deus, precisamos orar e pedir ao Senhor que abra nosso entendimento espiritual.
Precisamos de mais do que uma apreensão ou compreensão mental da Palavra. Precisamos que o Espírito Santo abra a Palavra e a torne viva e operante dentro de nós.
Isso só vem pela revelação do Espírito Santo. Por isso, precisamos orar para que o Senhor abra nosso entendimento espiritual — não apenas para que a recebamos mentalmente, mas para que ela se torne realidade espiritual.
Então, realmente veremos Cristo como tudo e em todos para nós, de modo que, fora Dele, de nada precisaremos e nada buscaremos. Irmãos e irmãs, precisamos de oração.
Portanto, ao percorrermos esta nova série, precisamos de mais oração. É somente por meio da oração que a luz virá até nós.
Além disso, além da oração, precisamos estar dispostos a permitir que Deus trate conosco.
Sabem, quando a revelação de Jesus Cristo vem a nós, invariavelmente ela confronta a vida do nosso ego. Ela confronta a nós mesmos, nossas próprias opiniões, nossas próprias ideias, nossas tradições e todas essas coisas.
Sempre que há uma revelação de Jesus Cristo, ela confronta tudo o que não é de Deus. Quando isso acontece, o Espírito Santo aplica a cruz à nossa vida.
Agora, estamos dispostos a tomar a cruz e seguir o Senhor? Se não estivermos dispostos, então, mesmo que recebamos luz, essa luz acabará desaparecendo.
Ou talvez ainda conservemos o conhecimento, mas a luz terá desaparecido, e a vida também.
Portanto, a revelação e a cruz não podem ser separadas.
Irmãos e irmãs, quando vocês têm uma revelação do Senhor Jesus, são elevados ao terceiro céu. Quem não quer revelação? É tão glorioso!
Mas lembrem-se: se vocês têm tal revelação, precisa haver um espinho em seu corpo. Caso contrário, ficarão orgulhosos. É preciso que haja tratamentos.
Essas coisas caminham juntas.
Assim, queridos irmãos e irmãs, sinto que não estamos falando apenas de história. Sinto que isso é muito vivo entre nós hoje.
Realmente precisamos ser cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, em toda a sabedoria e entendimento espiritual. É disso que precisamos.
Agora, fico pensando: depois que Paulo escreveu aquela carta e a enviou por Tíquico, quando ela chegou a Colossos, o que será que aconteceu?
Aqui temos essa carta, uma carta maravilhosa. Ah, como agradeço a Deus por essa carta! Sabem, uma pequena igreja, nem sequer mencionada no livro de Atos, e, ainda assim, temos aqui uma carta extraordinária. Isso demonstra o amor de Deus, não é?
Uma carta tão importante chegou a Colossos. Fico pensando no que aconteceu quando a leram.
Aqui encontramos Tíquico. Sabem, Tíquico também era conservo de Jesus Cristo e um ministro fiel. Paulo disse que ele não apenas lhes contaria o que havia acontecido com Paulo, mas também os encorajaria.
Em outras palavras, quando Tíquico foi até lá para ajudá-los, Onésimo também estava com ele como exemplo, um exemplo vivo do que Deus pode fazer. Fico pensando no que aconteceu.
Epafras não podia voltar porque era prisioneiro, por isso não pôde retornar. Mas Paulo, na carta, falou de como Epafras se esforçava por eles em oração, para que fossem perfeitos em Cristo Jesus.
Paulo e Epafras trabalhavam em combate. É um combate, irmãos e irmãs. Nas coisas espirituais, há um combate; há uma batalha espiritual em andamento.
O inimigo está tentando nos impedir de chegar a Cristo, tentando nos manter afastados de Cristo. Esse é o propósito do inimigo. Ele usará todo tipo de método para nos impedir de chegar a Cristo e nos manter longe Dele.
Aqui vemos Paulo e Epafras se esforçando. Eles oravam. Lutavam em oração pelos crentes de Colossos.
Agora, fico pensando se, com todas essas orações e com uma carta como essa, os crentes de Colossos foram despertados. Espero que tenham sido. Espero que tenham sido despertados e restaurados a Cristo.
De qualquer maneira, Colossos não é mais mencionada no Novo Testamento. Desapareceu do relato do Novo Testamento.
Cerca de trinta anos depois, em 95 ou 96 d.C., encontramos o apóstolo João na ilha de Patmos. Ele recebeu do Senhor ressurreto a incumbência de escrever uma carta à igreja em Laodiceia.
Já dissemos que Colossos e Laodiceia faziam parte de uma região formada por três cidades. O que acontecia com uma podia acontecer com a outra. Não se pode separá-las.
Até mesmo na carta aos Colossenses, Paulo disse que, depois de lerem a carta, deveriam permitir que a igreja dos laodicenses a lesse, e eles deveriam ler a carta vinda de Laodiceia. Em outras palavras, Laodiceia, Hierápolis e Colossos eram uma unidade; não se podia separá-las.
Assim, na época do apóstolo João, Colossos já não era mencionada, mas Laodiceia estava ali. Podemos imaginar que o que aconteceu em Laodiceia também aconteceu em Colossos.
Se vocês lerem a carta aos Colossenses e a carta à igreja em Laodiceia, verão certas semelhanças.
Na carta aos Colossenses, nosso Senhor é revelado como o primogênito de toda a criação, o que significa que todas as coisas foram criadas Nele, por Ele e para Ele.
Em Colossenses, vemos que Ele é a Cabeça da igreja, Seu Corpo. Ele tem o primeiro lugar em todas as coisas.
Agora, na carta à igreja em Laodiceia, como o Senhor Se revela a eles? Ele diz, em Apocalipse 3:14:
o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.
Portanto, há certas semelhanças na revelação aos colossenses e à igreja em Laodiceia.
Depois, observamos a condição deles. Quanto aos crentes de Colossos, em vez de permanecerem em Cristo, estavam sendo afastados de Cristo.
Em vez de seguirem Cristo, estavam seguindo o mundo e o ensinamento dos homens.
Então, olhamos para a igreja em Laodiceia. O que encontramos ali? Vemos que não eram quentes nem frios, mas haviam se tornado mornos.
Agora, quanto ao juízo, como o Senhor os julgou? Em Colossos, o Senhor disse: “Vocês estão observando essas coisas — não toque, e assim por diante. Isso apenas ensoberbece a carne de vocês. Não trata com a carne de vocês”.
Em outras palavras, vocês estão enganados. Pensam que são espirituais, mas, na verdade, a carne de vocês está crescendo. Vocês estão enganados. Esse é o juízo do Senhor.
Na igreja de Laodiceia, o Senhor disse: “Vocês pensam que são ricos; não lhes falta nada. Mas são miseráveis, pobres, nus e cegos”.
Qual foi o chamado dirigido a eles? Na carta aos Colossenses, o chamado foi: “Voltem para Cristo. Voltem para Cristo”. Na carta à igreja em Laodiceia, o chamado foi: “Arrependam-se”.
Portanto, há certas semelhanças entre essas duas cartas.
Agora, há duas possibilidades.
Uma possibilidade é que, depois de receberem a carta de Paulo, eles tenham voltado para Cristo. Pela graça de Deus, realmente passaram a andar Nele, arraigados e edificados em Cristo.
Eles tinham revelação e entendimento espiritual. Mas, depois de trinta anos, surgiu outra geração.
Essa geração recebeu a revelação como conhecimento, sem vida. Por causa disso, encontramos a situação descrita na igreja em Laodiceia. Pensavam que eram ricos. Pensavam que sabiam tudo. Mas, na verdade, eram pobres, cegos e nus.
Essa é uma possibilidade. É claro, irmãos e irmãs, que isso deve servir de advertência para nós.
Muitas vezes, vemos que a primeira geração tem revelação e, com ela, vida. Mas, quando chega a segunda geração, eles têm o conhecimento, porém não têm vida.
Essa é uma possibilidade.
A outra possibilidade é que, mesmo depois de receberem uma carta como essa, e de tanta oração e amor terem sido derramados sobre eles, não tenham se arrependido. Não tenham voltado para Cristo.
O resultado é que o Senhor diz: “Se vocês não se arrependerem, Eu os vomitarei”.
Portanto, irmãos e irmãs, isso é muito, muito sério.
Acho que precisamos levar isso a sério. Não é porque há um bom começo que podemos nos acomodar e dizer: “Bem, o começo já está feito”.
Mas isso não garante um bom fim.
Precisamos estar em temor e tremor diante do Senhor.
A única proteção é sermos cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, em toda a sabedoria e entendimento espiritual.
Essa é a única segurança. Como precisamos estar diante do Senhor para isso!
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar.
Cremos de todo o coração que Tu tens uma mensagem viva e atual para nós hoje, por meio da Tua Palavra escrita.
Senhor, oramos para que tenhamos ouvidos para ouvir. Guarda-nos em humildade, em temor e tremor, para que não sejamos desviados.
Senhor, oramos para que nos guardes junto a Ti, para que possamos verdadeiramente andar em Ti, arraigados e edificados em Ti.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.