Por favor, abram no Evangelho segundo João, capítulo 13. Vamos ler João 13:1-17.
Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.
E, durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que O traísse,
Jesus, sabendo que o Pai entregara todas as coisas em Suas mãos, e que viera de Deus e para Deus voltava,
levantou-Se da ceia, tirou as Suas vestes e, tomando uma toalha, cingiu-Se.
Depois, deitou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido.
Chegou, então, a Simão Pedro. Este Lhe disse: Senhor, Tu me lavas os pés?
Jesus respondeu e disse-lhe: O que Eu faço, tu não o sabes agora; mas depois o entenderás.
Disse-Lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se Eu não te lavar, não tens parte Comigo.
Disse-Lhe Simão Pedro: Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.
Disse-lhe Jesus: Aquele que se banhou não necessita de lavar senão os pés, pois está inteiramente limpo; e vós estais limpos, mas não todos.
Porque Ele sabia quem O havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais limpos.
Depois de lhes ter lavado os pés, tomou as Suas vestes e, assentando-Se outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito?
Vós Me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque Eu o sou.
Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.
Porque Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também.
Em verdade, em verdade vos digo: O servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que Aquele que o enviou.
Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.
No mesmo capítulo, João 13:34-35:
Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei, que também vós vos ameis uns aos outros.
Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.
Por favor, abram também em 1 João 3:16.
Nisto conhecemos o amor: que Ele deu a Sua vida por nós; e nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos.
Vamos orar.
Querido Senhor, acabamos de ler a Tua Palavra, a Tua Palavra que é vida e espírito. Por isso, voltamo-nos a Ti e pedimos que o Teu Espírito Santo sopre novamente sobre a Tua Palavra escrita e a torne viva e operante na vida de cada um de nós.
Senhor, estamos diante de Ti e diante da Tua Palavra. Fala conosco, pedimos em Teu precioso nome. Amém.
A Páscoa estava chegando. Aquela seria a última Páscoa que o nosso Senhor celebraria com os Seus próprios discípulos. Na verdade, foi a primeira celebração da Páscoa que o nosso Senhor preparou pessoalmente.
Antes, Ele nunca havia assumido o papel de chefe de família. Mas, nessa última celebração da Páscoa, Ele agiu como o chefe da Sua própria família. Naturalmente, Sua família era formada pelos Seus doze discípulos.
Portanto, foi o próprio Senhor quem preparou essa celebração da Páscoa. Ele não apenas preparou o lugar — vocês se lembram de como enviou dois dos Seus discípulos e eles encontraram o lugar pronto —, mas também, pela primeira vez, ofereceu o cordeiro como sacrifício. Na verdade, Ele próprio é o Cordeiro.
Quando os discípulos chegaram àquele cenáculo para a última ceia, entraram e, para sua surpresa, não encontraram nenhuma serva ali para lavar os seus pés.
Vocês sabem, era costume naquela época que, sempre que houvesse um banquete, quando os convidados chegassem, a primeira coisa que encontrariam seria uma serva à porta, lavando os seus pés. Naquele tempo, não havia estradas pavimentadas; as estradas eram empoeiradas, e eles não usavam sapatos como nós. Usavam sandálias.
Assim, depois de caminhar, seus pés ficavam cobertos de sujeira, e isso era muito desconfortável. Quando comiam, eles se reclinavam. Em outras palavras, seus pés ficavam estendidos, e isso causava muito desconforto. Os convidados não desfrutariam tanto do banquete.
Por isso, a primeira coisa que o anfitrião fazia era providenciar uma serva para lavar os pés dos convidados, de modo que pudessem desfrutar do banquete que se seguiria. Mas, para sua surpresa, não havia nenhuma serva ali.
Agora, lembrem-se: foi o Senhor quem preparou essa refeição. Ele preparou tudo. A água estava ali, a bacia estava ali, a toalha estava ali, mas não havia serva alguma. Isso deve ter sido planejado de antemão pelo nosso Senhor Jesus.
Quando entraram na sala, vocês sabem o que fizeram? Como de costume, quando as pessoas chegavam a um banquete, provavelmente procuravam os lugares de maior honra. Todos queriam ocupar o lugar mais elevado, e isso era comum entre o povo judeu.
Vocês se lembram de que, certa vez, o nosso Senhor lhes disse que, quando fossem a um banquete, não procurassem ocupar o lugar de maior honra, porque talvez tivesse sido convidada uma pessoa mais honrada do que eles. O anfitrião viria e diria: “Por favor, dê o seu lugar a essa pessoa mais honrada”. Então, envergonhados, teriam de ir para o último lugar.
Mas isso não acontecia apenas entre os judeus; acontecia também entre os discípulos. Em Lucas 22:24, lemos que houve uma discussão entre os discípulos sobre quem deveria ocupar o lugar mais elevado.
Assim, de certo modo, vemos que, quando entraram — se vocês puderem imaginar a cena —, todos estavam tentando ocupar o lugar de maior honra. Com essa disposição, naturalmente ninguém pensaria em lavar os pés de outra pessoa, porque todos queriam ocupar o lugar mais elevado.
E, ao que parece, Judas conseguiu esse lugar. Segundo Edersheim, Judas estava sentado à esquerda do nosso Senhor Jesus, e aquele era o lugar de maior honra no banquete.
Creio que o nosso Senhor apenas observava, achando aquilo curioso. Depois que se assentaram, muito provavelmente Ele começou a lhes ensinar uma lição.
O Senhor disse que, entre as nações, os reis dominam sobre o povo, e aqueles que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas entre vocês não deve ser assim. Se vocês querem ser os maiores, precisam ser os mais jovens. Se querem ser os mais elevados, precisam ser os mais baixos.
Quem é maior: aquele que está à mesa ou aquele que serve? O Senhor disse:
Eu estou entre vós como Aquele que serve.
Então o banquete começou. Normalmente, segundo o costume, o anfitrião erguia o primeiro cálice, chamado cálice de ação de graças, e dava graças a Deus. Esse cálice passava de pessoa em pessoa.
Depois, cantavam dois cânticos de louvor do Hallel, muito provavelmente o Salmo 113 e o Salmo 114. Depois de cantarem esses dois cânticos, a refeição começava.
Normalmente, no início da refeição, o anfitrião se levantava e lavava as mãos. Mas, de maneira surpreendente, vemos que, quando o nosso Senhor Se levantou, foi derramar água na bacia, cingiu-Se com uma toalha e começou a lavar os pés dos Seus discípulos.
Muito provavelmente, Simão Pedro foi o primeiro de quem o nosso Senhor Se aproximou para lavar os pés. Segundo Edersheim, pela disposição da mesa, o nosso Senhor estava sentado no meio de um dos lados; à Sua esquerda estava Judas, e à Sua direita, João. Do lado oposto estava Simão Pedro.
Assim, provavelmente Simão Pedro havia ocupado o último lugar. Aquele era o último lugar, e o nosso Senhor Jesus começou pelo último lugar. Quando Ele Se aproximou de Simão Pedro para lavar os seus pés, Simão viu aquilo e ficou realmente assustado.
Ele disse: “Senhor, Tu jamais podes fazer isso”, porque aquele era o trabalho de uma escrava — o serviço mais humilde. Como o Senhor poderia lavar os seus pés?
Mas o Senhor disse:
O que Eu faço agora, tu não o entendes; mas depois o entenderás.
Pedro disse:
Não, nunca me lavarás os pés.
O Senhor disse:
Se Eu não te lavar os pés, não tens parte Comigo.
Então Pedro disse:
Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.
O Senhor disse:
Não precisas disso. Já foste inteiramente lavado, e só precisas lavar os pés.
O nosso Senhor começou a lavar os pés de cada um deles, inclusive os de Judas.
Depois que terminou de lavá-los, Ele vestiu novamente as Suas roupas, assentou-Se e começou a ensiná-los. Na verdade, Ele já os havia ensinado no início. Mas o ensino por palavras precisava ser acompanhado do ensino por ações. Ele lhes deu uma lição prática.
Então começou a lhes dizer:
Vós Me chamais Mestre e Senhor, e Eu o sou.
Sou o vosso Mestre. Sou o vosso Senhor. Mas lavei os vossos pés.
Dei-vos o exemplo, e, se fizerdes isso, sereis bem-aventurados.
Depois disso, durante a refeição, Ele lhes deu um novo mandamento. Disse:
Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei.
Nisto sereis reconhecidos como Meus discípulos: se tiverdes amor entre vós.
Irmãos e irmãs, nesta manhã não vamos falar sobre o lava-pés. Mas queremos usar esse acontecimento para aprender algo muito importante para nós, como discípulos do nosso Senhor Jesus.
Vocês sabem, o Senhor nos dá um novo mandamento. Outro dia, eu estava lendo Spurgeon, e ele contou uma história. Houve um arcebispo chamado Ussher. Sabemos que o arcebispo Ussher foi um grande homem de Deus. Na verdade, boa parte da nossa cronologia se baseia no trabalho dele.
Ele ouviu falar de Samuel Rutherford, um homem de grande santidade, e de sua família — de como sua família era admirável e bem ordenada. Então quis descobrir se aquilo que havia ouvido era verdade.
Certa vez, ele se disfarçou de viajante, de homem pobre, e foi até a casa de Samuel Rutherford. Aquela casa estava sempre aberta aos desconhecidos. Ele chegou à porta, e a senhora Rutherford a abriu.
Ela disse: “Entre. Seja bem-vindo”. Então ele foi levado à cozinha, onde lhe serviram uma refeição quente. Depois da refeição, tiveram uma espécie de reunião familiar com os empregados e a família, e, naturalmente, o visitante permaneceu ali.
Samuel não estava presente, por isso a senhora Rutherford dirigia a reunião. Eles costumavam fazer algumas perguntas aos empregados sobre os fundamentos da fé. Ela se voltou para o visitante e disse: “Você sabe quantos mandamentos há na Bíblia?”
O visitante respondeu: “Onze mandamentos”. A senhora Rutherford disse: “Onze mandamentos? Até um menino de seis anos da minha família sabe quantos mandamentos existem. Você é muito ignorante”.
O visitante não disse nada e depois foi dormir. À meia-noite, Samuel Rutherford costumava fazer sua oração noturna. O visitante se levantou e ouviu Samuel orar. Depois de ouvi-lo orando, revelou a Samuel quem era: o arcebispo Ussher.
No dia seguinte, Samuel convidou Ussher para pregar, e o tema do seu ensino foi o décimo primeiro mandamento. Acho que essa foi uma história muito boa.
Assim, aqui vemos o Senhor Jesus dizendo:
Um novo mandamento vos dou.
Naturalmente, sabemos que, certo dia, um escriba veio pôr o nosso Senhor Jesus à prova. Perguntou-Lhe qual era o maior dos mandamentos. O nosso Senhor disse:
Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.
Este é o primeiro e maior de todos os mandamentos.
E o segundo é:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. Portanto, sabemos que há dez mandamentos, e, no entanto, o Senhor disse:
Um novo mandamento vos dou.
Se vocês abrirem em 1 João 2:7-8, verão o apóstolo João escrevendo naquela carta:
Não vos dou um novo mandamento. É o mandamento antigo, a palavra que ouvistes desde o princípio.
No entanto, ele disse:
Escrevo-vos um novo mandamento. Isto é verdadeiro Nele e em vós, porque as trevas estão passando, e a verdadeira luz já brilha.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, esse novo mandamento é, ao mesmo tempo, antigo e novo. Em certo sentido, é antigo porque é o mandamento, a Palavra de Deus, que nos foi dado desde o princípio. O que Deus deseja de nós é amor: que O amemos de todo o coração e que amemos o próximo como a nós mesmos.
No entanto, o Senhor diz:
Um novo mandamento vos dou.
Em que sentido ele é novo?
Quando o mandamento antigo foi dado, foi dado sob a lei. A lei diz:
Amarás a Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.
O Senhor exige isso porque o nosso Deus é digno de ser amado, e devemos amá-Lo. É nosso dever, como seres humanos, amá-Lo de todo o coração.
Mas, infelizmente, por causa da fraqueza da nossa carne, não somos capazes de obedecer a essa lei. Quem é capaz de amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento? Todos nós transgredimos essa lei.
A lei é santa e espiritual, mas nós somos carnais, dominados pela carne. Então, aqui vemos o Senhor dizendo:
Um novo mandamento vos dou.
O novo mandamento também é amor, mas há uma diferença: ele é dado na graça.
Em outras palavras, o próprio Senhor cumprirá esse mandamento. Ele nos deu a Sua vida, e a Sua vida é uma vida de amor. Ele nos mostrou que tipo de vida ela é. Ele nos amou e Se entregou por nós.
Depois que recebemos a Sua vida em nós, por meio dessa vida somos capazes de amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. Isso torna o mandamento novo.
Em segundo lugar, ele é novo porque o mandamento antigo diz:
Amarás o teu próximo.
Agora, quem é o seu próximo?
Voltando àquela história: o escriba, aquele intérprete da lei, queria demonstrar o quanto sabia. Então perguntou ao Senhor: “Mas quem é o meu próximo? É aquele que está à minha esquerda ou à minha direita? Até onde se estende o conceito de próximo?”
Provavelmente, para um judeu, o próximo incluía todos os judeus. Mas, ainda assim, era algo restrito e seletivo. No novo mandamento, o Senhor diz: “Amem os irmãos”, e isso é universal.
Não apenas quem está ao seu lado, não apenas alguém da sua própria raça, mas todos os que pertencem à grande família de Deus, espalhada pelo mundo inteiro. Assim, vemos que o alcance é diferente. Devemos amar os irmãos — amá-los porque pertencem à mesma família de Deus.
Em terceiro lugar, ele é novo porque, no mandamento antigo, Ele disse:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Em outras palavras, você é o padrão. Você os ama como ama a si mesmo. Naturalmente, esse é um padrão muito elevado, porque, em geral, amamos a nós mesmos muito mais do que amamos qualquer outra pessoa.
Mas aqui vemos que o nosso Senhor Jesus elevou o padrão. Ele disse:
Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei.
Já não se trata de amor natural. Já não é um amor limitado à medida do amor que temos por nós mesmos. É o amor de Deus, o amor do nosso Senhor Jesus. É ilimitado.
Portanto, irmãos e irmãs, aqui temos um novo mandamento. O novo mandamento é:
Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei.
Essa é a palavra do nosso Senhor aos Seus próprios discípulos, e essa é a palavra que o Senhor dirige a cada um de nós.
O Senhor usou o lavar dos pés para nos ensinar a lição de amar uns aos outros. Por quê? Antes de tudo, vemos que lavar os pés era o trabalho mais humilde que se podia fazer. Normalmente, uma escrava fazia esse serviço.
Mas aqui vem o nosso Senhor Jesus, e Ele diz: “Eu sou o Senhor de vocês. Sou o Mestre de vocês”. O Senhor sabe Quem Ele é e, ainda assim, humilhou-Se para lavar os pés dos Seus discípulos.
Vocês sabem, para lavar os pés de alguém, é preciso ficar numa posição mais baixa do que essa pessoa. É preciso ficar mais baixo, aos pés dela. É uma posição de muita humilhação. Não é possível descer mais do que isso.
No entanto, vemos a humildade do nosso Senhor Jesus. Ele, que era igual a Deus e não considerou essa igualdade algo a que devesse Se apegar, esvaziou-Se para tomar a forma de escravo.
Ele estava na forma de Deus, com todo o caráter, a natureza e a essência de Deus, porque Ele era Deus. No entanto, tomou a forma de escravo. Em outras palavras, em Seu coração, humilhou-Se para assumir o lugar de um escravo.
Tendo assumido esse lugar, sendo encontrado em figura humana, humilhou-Se, tornando-Se obediente ao Pai até a morte — sim, a morte de cruz. Não há morte mais cruel do que a morte de cruz, e o nosso Senhor a aceitou.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, quando pensamos no nosso Senhor Jesus, o que mais se destaca em Sua vida é a Sua humildade. Seu próprio caráter, aquilo que O revela a nós, é a Sua humildade.
Aqui Ele demonstrou aos Seus próprios discípulos que, embora fosse o mais elevado, dignou-Se a assumir uma posição inferior à deles, a fim de servi-los e lavar os seus pés.
Irmãos e irmãs, isso não está em nós por natureza. Por natureza, cada um de nós é orgulhoso e arrogante. Não pensem que vocês são humildes, mansos, gentis ou modestos.
É verdade que, entre os filhos de Adão, alguns herdam mais do seu orgulho, e outros talvez herdem um pouco menos. Mas, de qualquer modo, o orgulho é o próprio caráter de Adão, da raça adâmica. Por natureza, todos nós somos orgulhosos. Não diga que você é humilde.
Você engana a si mesmo se pensa que é humilde. Nenhum filho de Adão é humilde. É natural buscarmos o lugar mais elevado. Queremos ser os maiores. Isso é natural em cada um de nós.
Queremos ser servidos em vez de servir, porque servir é assumir uma posição inferior, e ser servido é ocupar uma posição mais elevada. Isso é natural em cada um de nós.
Aqui o Senhor está nos ensinando uma lição muito importante. Ele nos mostra o Seu próprio caráter, que é exatamente o oposto do caráter de Adão. Para nós, que temos a Sua vida, a primeira coisa que precisamos aprender é a Sua humildade.
Precisamos aprender como a Sua vida opera em nós. À medida que a Sua vida realmente opera em nós, irmãos e irmãs, a primeira lição é aprendermos a nos humilhar — e não apenas diante de Deus.
É estranho que as pessoas consigam ser orgulhosas e arrogantes até mesmo diante de Deus. Mas aqui vemos que precisamos ser humildes diante dos nossos irmãos e irmãs. A Palavra de Deus ensina que devemos considerar os outros mais honrados do que nós mesmos.
Não se trata de uma falsa humildade. Se a vida de Cristo realmente governa em nós, isso se torna sobrenaturalmente natural para nós. Consideraremos nossos irmãos e irmãs mais honrados do que nós mesmos.
Com esse espírito de humildade, teremos prazer em servir em vez de sermos servidos. Não consideraremos nenhum serviço humilde demais para nós, como se perdêssemos a nossa dignidade ao realizá-lo.
Irmãos e irmãs, somos caracterizados pela vida de Cristo? Como demonstramos a vida de Cristo, se não for pela humildade? Creio que isso é algo fundamental que cada um de nós precisa levar diante do Senhor, pedindo que Ele nos examine e nos mostre onde estamos nessa questão da humildade.
Então vemos que essa questão da humildade é muito prática. Não é uma teoria. Ela se expressa em ações, de maneiras práticas, e isso acontece no lavar dos pés.
Agora, irmãos e irmãs, sabemos que, nos tempos do Antigo Testamento, no tabernáculo, depois do altar de bronze havia a pia, a pia de bronze.
Em outras palavras, depois de passarmos pelo altar, recebendo a morte expiatória do nosso Senhor Jesus e tendo os nossos pecados perdoados, todos nós somos feitos sacerdotes para Deus e devemos começar a servir. Mas, antes de servir, precisamos lavar as mãos e os pés na pia de bronze.
Por quê? Porque, mesmo sendo batizados, lavados e limpos, em nosso caminhar nesta terra, em nossa vida diária e em nosso contato com o mundo, talvez não cometamos nenhum pecado, mas, de alguma forma, a poeira e a sujeira do mundo começam a se acumular sobre nós.
Assim, não estamos tão renovados diante do Senhor, tão vivos diante Dele, quanto deveríamos. Vocês sabem, a questão é que, quando nos levantamos pela manhã e temos um bom tempo com o Senhor, sentimo-nos muito próximos Dele. Estamos realmente vivendo em Sua presença, e sentimos o nosso espírito elevado.
Depois, saímos para trabalhar. No trabalho, naturalmente, pela graça de Deus, somos guardados de pecar. No entanto, de alguma forma, em nosso contato com o mundo, uma nuvem, alguma sujeira ou alguma poeira se acumula sobre a nossa consciência e sobre o nosso coração.
Quando o dia termina, sentimos que a nossa comunhão com o Senhor já não está tão renovada e viva. Há uma espécie de sujeira nos cobrindo, e talvez leve algum tempo para nos livrarmos dela.
Quando chegamos a uma reunião, acontece a mesma coisa. Depois de um dia de trabalho, percebemos que estamos sobrecarregados e que, de alguma maneira, o nosso espírito não está tão renovado e vivo. Mas, se algum irmão ou alguma irmã faz uma oração ou canta um hino, de alguma forma sentimos que somos elevados. Somos renovados. Os nossos pés são lavados.
Como precisamos disso! Irmãos e irmãs, o nosso Senhor ainda está lavando os nossos pés hoje.
Isso não aconteceu apenas há dois mil anos, com os doze. O nosso Senhor ainda está lavando os nossos pés.
Vocês se lembram de que, em Efésios 5:25-27, está escrito:
Ele amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela,
para a santificar, tendo-a purificado pela lavagem da água com a Palavra,
para a apresentar a Si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e sem defeito.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, o nosso Senhor Jesus, ainda hoje, continua lavando os nossos pés. Em nosso caminhar diário, de alguma maneira, o mundo vem e cria uma distância entre nós e o Senhor. Não nos sentimos vivos e renovados como deveríamos.
É nesse momento que o nosso Senhor Jesus nos lava pela Palavra e pela água.
Agora, o que é a água em Efésios 5:26? A água ali não é a Palavra. Às vezes, dizemos que a Palavra é como água: quando a Palavra de Deus chega a nós, ela nos lava e nos deixa limpos. Mas aqui encontramos “a lavagem da água com a Palavra”; portanto, a água ali não pode ser a Palavra.
O que é a água, então? Se vocês voltarem a João 19:34-35, verão que, quando o soldado perfurou o nosso Senhor Jesus, do Seu lado saíram sangue e água. João testemunhou isso e afirmou enfaticamente que o seu testemunho era verdadeiro.
Por que isso é tão importante? Porque, em 1 João 5:8, ele diz que a água, o sangue e o Espírito dão testemunho. Portanto, irmãos e irmãs, o sangue é para o perdão dos nossos pecados. Então, o que é a água? É a vida.
A vida do nosso Senhor Jesus. Ele derramou a Sua alma como água. Portanto, queridos irmãos e irmãs, ainda hoje, diariamente, o nosso Senhor Se humilha e lava os nossos pés. Ele usa a Sua vida para lavar os nossos pés.
Sua vida nos purificará. Sua vida nos mostrará o que contamina, o que é impuro, e Sua Palavra nos lembrará do que é puro. Pela operação da Sua vida e da Sua Palavra, irmãos e irmãs, somos purificados todos os dias, para que sejamos aptos a ser sacerdotes, servindo a Ele e aos nossos irmãos e irmãs.
Como agradeço ao Senhor por isso! Se Ele não estivesse lavando os meus pés, a sujeira se acumularia. Eu me tornaria tão insensível espiritualmente. Ficaria tão distante Dele. Minha comunhão com Ele provavelmente seria interrompida e prejudicada.
Onde eu estaria depois de um mês, depois de um ano? Irmãos e irmãs, o nosso Senhor, mesmo à direita do Seu Pai, no trono, como o nosso grande Sumo Sacerdote, ainda Se humilha e lava os nossos pés.
Ele lava os seus pés todos os dias. Você precisa disso. Se você se recusar a permitir que Ele lave os seus pés, não terá parte com Ele. Mas hoje você continua tendo parte com Ele porque permite que Ele lave os seus pés.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, não se recusem a permitir que o nosso Senhor lave os seus pés. Pelo contrário, recebam esse serviço de bom grado. Peçam ao Senhor: “Lava os meus pés todos os dias, a cada momento do dia, para que eu possa andar diante de Ti em santidade e justiça”.
Precisamos muito disso.
Enquanto o nosso Senhor continua lavando os nossos pés, Ele nos dá o exemplo e diz:
Lavai os pés uns dos outros.
O que Ele quer dizer?
Quer dizer que, se os seus pés são lavados, então você, por sua vez, deve lavar os pés dos seus irmãos e irmãs. Antes de tudo, naturalmente, precisamos ter os nossos próprios pés lavados. Se os nossos pés não forem lavados, como poderemos lavar os pés dos outros? Em outras palavras, nem sequer perceberemos a necessidade.
Mas, se nos mantivermos renovados e vivos diante do Senhor, então, irmãos e irmãs, perceberemos quais dos nossos irmãos e irmãs precisam ter os pés lavados.
Exteriormente, um irmão ou uma irmã pode parecer bem. Mas, quando você se aproxima e entra em contato com essa pessoa, percebe em seu espírito que não há vida nem renovação ali.
Talvez ela não tenha abandonado o Senhor, mas, de alguma maneira, você sabe que ela não está naquele relacionamento vivo e renovado com Ele. Há algo que lançou uma nuvem sobre a sua vida. É nesse ponto que você precisa lavar os pés dela com amor.
É um serviço humilde, mas é um trabalho muito necessário.
Vocês sabem, essa questão de lavar os pés uns dos outros é uma questão de família. Falamos muito sobre comunhão. Agora, o que queremos dizer com comunhão? Comunhão é compartilhar a mesma vida. É compartilhar a vida de Cristo.
A melhor comunhão não é a convivência social. Comunhão é transmitir Cristo, dar Cristo, receber Cristo. Isso é comunhão.
O apóstolo João diz:
A nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho.
Com base nessa comunhão, temos comunhão com vocês. Em outras palavras, transmitimos a vocês o Pai e o Filho, a Quem conhecemos e de Quem temos experiência. Isso é comunhão.
Comunhão é mais do que uma questão de palavras. Naturalmente, temos comunhão por meio de palavras. Como vemos em 1 Coríntios 14:26, quando a igreja se reúne, cada um pode ter um salmo, um ensino, uma revelação, uma língua ou uma interpretação. Por meio dessas palavras, compartilhamos Cristo uns com os outros. Isso é comunhão.
Mas, às vezes, a comunhão não precisa acontecer por palavras; pode acontecer por ações. Se você ama o seu irmão, se lava os pés do seu irmão, está transmitindo Cristo a ele, e isso é comunhão.
Creio que isso é algo que precisamos aprender mais: aprender a compartilhar Cristo uns com os outros por meio de atos de amor. Talvez você não precise dizer nenhuma palavra, mas, pelo próprio ato, o irmão ou a irmã é renovado.
Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei.
Vocês sabem, o alcance desse amor é ilimitado. “Assim como Eu vos amei.” Pensem no amor do nosso Senhor Jesus por nós. Ele Se entregou por nós — entregou tudo. Ele não retém nada de nós.
É dessa maneira que o Senhor diz que devemos amar uns aos outros. Naturalmente, não conseguimos fazer isso. Isso não está em nós. Mas está Nele, e Ele está em nós. Porque Sua vida está em nós, se cultivarmos nossa vida com o Senhor, então Sua vida será expressa para com todos os irmãos e irmãs.
Assim, nessa questão de lavar os pés, o nosso Senhor deu aos discípulos uma lição que eles jamais poderiam esquecer. Irmãos e irmãs, precisamos aprender essa lição.
O Senhor disse:
Se vos amardes uns aos outros, assim como Eu vos amei, então o mundo saberá que sois Meus discípulos.
Eles saberão quando houver amor.
Queridos irmãos e irmãs, como o mundo saberá que somos discípulos do nosso Senhor Jesus? Pelo nosso ensino? Pela verdade que conhecemos?
Graças a Deus pelo ensino. Graças a Deus pela verdade que Ele nos deu. Mas, irmãos e irmãs, vocês sabem, onde quer que haja verdade, ela separa. Ela repele. Ela provoca oposição. Esse é o próprio caráter e a própria natureza da verdade.
Como devemos ser reconhecidos como discípulos do nosso Senhor? Não por afirmarmos que temos o ensino, que temos a verdade. Não. Pelo amor.
Se amarmos, as pessoas saberão. Esse é o testemunho da igreja primitiva. Quando o mundo olhava para a igreja primitiva, dizia: “Vejam, vejam essas pessoas, como elas amam umas às outras”.
É disso que precisamos. Que o Senhor tenha misericórdia de nós, para que, pela Sua graça, aprendamos a amar como Ele nos amou.
Vamos orar.
Querido Senhor, Tu amas e nos amas até o fim. Como Te louvamos e Te agradecemos! Tu não apenas nos ensinas o amor; Tu o demonstras lavando os nossos pés.
Senhor, que o Teu amor encha os nossos corações, para que possamos amar a Ti e amar uns aos outros como Tu nos amaste.
Senhor, o nosso desejo é que, pela Tua graça, sejamos conhecidos como um povo que ama — não como um povo que sabe muito e, no entanto, não tem amor.
Tem misericórdia de nós. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.