Ao que vencer, concederei que se assente Comigo no Meu trono, assim como também Eu venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
E vi na mão direita Daquele que estava assentado no trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.
E vi um anjo forte, proclamando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de romper os seus selos?
E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele.
E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de olhar para ele.
E um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.
E vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes, e no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como havendo sido morto, tendo sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra.
E Ele veio e tomou o livro da mão direita Daquele que estava assentado no trono.
E, quando Ele tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.
E cantam um novo cântico, dizendo: Digno és Tu de tomar o livro e de abrir os seus selos: porque foste morto e, com o Teu sangue, compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação;
E os constituíste reino e sacerdotes para o nosso Deus; e eles reinam sobre a terra.
E olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com Ele cento e quarenta e quatro mil, tendo o Seu nome e o nome de Seu Pai escritos na fronte.
E ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas e como a voz de um grande trovão; e a voz que ouvi era como a de harpistas tocando as suas harpas.
E cantam como que um novo cântico diante do trono, dos quatro seres viventes e dos anciãos; e ninguém podia aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que haviam sido comprados da terra.
Estes são os que não se contaminaram com mulheres, porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá. Estes foram comprados dentre os homens para serem primícias para Deus e para o Cordeiro.
E na sua boca não se achou mentira; são irrepreensíveis.
Senhor, queremos agradecer-Te por nos reunires nesta manhã para Te adorar, para Te dizer quanto apreciamos o Teu amor por nós e por podermos continuar na Tua presença, lendo juntos a Tua Palavra e ouvindo o que o Espírito tem a dizer às igrejas.
Assim, Senhor, desejamos abrir-nos a Ti e deixar que o Teu Espírito fale ao nosso coração. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Minha preocupação nesta manhã é o último chamado às igrejas. É um chamado para vencer. Encontramos isso no segundo e no terceiro capítulos do livro de Apocalipse. Sete vezes o nosso Senhor ressurreto chama por vencedores na igreja.
Vocês sabem, quando ainda éramos pecadores, o Seu primeiro chamado chegou até nós. O Senhor disse:
Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos darei descanso.
Graças a Deus, ouvimos esse chamado. Estávamos cansados e sobrecarregados, fomos a Ele, e Ele nos deu descanso. Graças a Deus por isso.
Depois desse chamado aos pecadores, ouvimos o chamado aos crentes. Ele disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma.
É um chamado ao discipulado. O Senhor nos chama a segui-Lo, a aprender Dele, a ser Seus discípulos e a ser semelhantes a Ele. Graças a Deus, muitos responderam a esse chamado.
Esses chamados são bastante pessoais. Mas então descobrimos que o chamado de Deus é mais do que pessoal. Ele nos chama coletivamente. Ele nos chama para ser o corpo de Cristo. Somos chamados em um só corpo e somos chamados para ser membros uns dos outros.
Mas qual é o último chamado que Deus faria ao Seu povo? Até onde consigo perceber na Palavra de Deus, parece que o último chamado à igreja é o chamado para vencer. É a esse chamado que precisamos responder.
A preocupação do meu coração é esta: o que nos ajudará a responder a esse último chamado? É o último chamado, o chamado presente, urgente e mais importante que podemos ouvir. Como podemos ser ajudados a responder a esse chamado?
Creio que há duas visões no livro de Apocalipse que nos foram dadas para nos ajudar a responder a esse chamado. O rei Salomão disse:
Onde não há visão, o povo se entrega à falta de domínio.
Em algumas versões, lemos:
Onde não há visão, o povo perece.
Ou o povo simplesmente se desintegra; as pessoas se dispersam.
Precisamos de visão. É a visão celestial que nos fortalece, que nos dá propósito, força, perseverança, direção e coesão para prosseguir com o Senhor.
Sinto que o chamado para vencer é um chamado para cada um de nós hoje. Há muito a vencer, e somos chamados para vencer. Mas como podemos vencer? Muitas vezes, percebemos que estamos sendo vencidos pelas circunstâncias.
Creio que essas duas visões nos darão a força para vencer.
A primeira visão se encontra em Apocalipse 5. Há Alguém assentado no trono, e sabemos que é o próprio Deus. Em Sua mão há um livro selado com sete selos.
Então um anjo forte proclama: “Quem é digno de tomar o livro e de abrir os selos?” Sua voz é tão forte que pode ser ouvida no céu, na terra e até debaixo da terra. Em outras palavras, é um clamor que deve ser ouvido por todos os seres do universo, sejam eles anjos, seres humanos ou demônios.
A voz diz: “Quem é digno de tomar o livro da mão Daquele que está assentado no trono, de abrir os selos e de olhar para ele?” Mas não havia ninguém no céu, na terra ou debaixo da terra — nenhum anjo, nenhum homem, nenhum demônio.
João chorava muito. Irmãos e irmãs, isso deve ser de uma importância tremenda. O que é esse livro na mão de Deus? Cremos que seja a escritura de propriedade do universo.
Deus criou os céus e a terra. Ele é o Dono do universo e mantém o direito de propriedade em Sua própria mão. Ele nunca abre mão desse direito.
Deus delegou ao homem o domínio da terra. Mas Satanás enganou o homem e tirou esse domínio das suas mãos. Em outras palavras, Satanás se tornou um usurpador do universo que Deus havia confiado ao homem para governar. Contudo, Satanás não possuía o direito de propriedade. Deus nunca abre mão desse direito.
Agora Deus vai reivindicar o universo para Si. Mas Ele precisa de Alguém capaz, Alguém digno, para exercer o Seu direito. Infelizmente, não havia ninguém. Quando João percebeu isso, chorou muito, porque, se não houvesse ninguém para executar a vontade de Deus, não haveria esperança. Satanás continuaria a usurpar a terra, e todo o universo continuaria em corrupção e vaidade. A vontade de Deus não poderia ser feita.
Mas um dos anciãos o consolou e disse:
Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu.
E Ele é capaz de tomar o livro e de abri-lo.
É uma questão de dignidade. É uma questão de quem vence. Somente Aquele que venceu Satanás é digno de executar a vontade de Deus com respeito ao universo.
Então João levantou os olhos e viu, no meio do trono, no meio dos quatro seres viventes e no meio dos vinte e quatro anciãos, um Cordeiro. Ele esperava um leão, mas viu um Cordeiro.
Não apenas um Cordeiro, mas um Cordeiro que acabara de ser morto. Quando um cordeiro é morto, fica deitado. Mas esse Cordeiro, que acabara de ser morto, está em pé. Isso fala de ressurreição.
Ele Se aproxima, toma o livro da mão Daquele que está assentado no trono e começa a abrir os seus selos. Então os anciãos e os seres viventes cantam um novo cântico:
Digno é o Cordeiro que foi morto.
Aqui vemos uma cena. Na verdade, é uma reapresentação da ascensão do nosso Senhor Jesus. Às vezes, as pessoas podem se perguntar se o nosso Senhor Jesus realmente chegou ao céu. Os discípulos no monte das Oliveiras O viram subir, mas então uma nuvem O recebeu, e eles não puderam mais vê-Lo. Como souberam que o nosso Senhor havia chegado ao céu?
Aqui vocês encontram a prova: uma reapresentação daquela cena. Deus Se agradou em mostrar a João a ascensão do nosso Senhor Jesus. O Cordeiro que foi morto, mas ressuscitou, agora ascendeu ao céu. Segundo o Salmo 2, Ele recebeu do Pai a autoridade sobre o mundo.
Irmãos e irmãs, Ele venceu. Esse é o fato. Esse é o princípio. Porque Ele venceu, Ele é digno.
Mas a pergunta é: como Ele venceu? Pensamos em um leão. Naturalmente, como leão — o rei dos animais —, Ele pareceria capaz de vencer. Mas João vê um Cordeiro.
Em Apocalipse 12, Satanás é descrito como um dragão. Aqui vocês encontram uma batalha entre o dragão e o Cordeiro. Humanamente falando, o dragão engoliria o cordeiro. Mas, espiritualmente, os caminhos de Deus são sempre mais altos que os nossos, e os Seus pensamentos são sempre mais altos que os nossos.
Não é o dragão que engole o Cordeiro; é o Cordeiro que vence o dragão. O nosso Senhor Jesus vence como Cordeiro — manso e humilde.
Não apenas como Cordeiro, mas o nosso Senhor vence como Cordeiro morto. Pensaríamos que ser morto é uma derrota. Quando o nosso Senhor Jesus foi crucificado, o mundo pensaria: “Agora Tu estás acabado”. Satanás riria e diria: “Agora Tu estás derrotado”.
Mas, ao ser morto, o nosso Senhor venceu todas as coisas. Na cruz, Ele venceu o pecado e o poder do pecado. Venceu a morte. Venceu aquele que tem o poder da morte. Venceu Satanás. Venceu todas as coisas, redimiu o mundo e o reconciliou com Deus.
Aqui vemos o segredo de vencer. É tão diferente do nosso entendimento humano. O nosso Senhor Jesus venceu como Cordeiro. Venceu como Cordeiro morto. Com base nisso, Ele é digno de receber o livro e de abrir os seus selos.
O Cordeiro morto está em pé, com sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos enviados por todo o mundo. Os olhos, nas Escrituras, sempre representam entendimento espiritual, percepção espiritual e discernimento.
O nosso Senhor Jesus tem a plenitude do entendimento espiritual. Ele sabe todas as coisas. Tem discernimento sobre todas as coisas. Seu julgamento é verdadeiro. Os chifres, nas Escrituras, sempre representam poder e força. O nosso Senhor Jesus não tem apenas discernimento espiritual; Ele também é todo-poderoso.
Os sete Espíritos são enviados por todo o mundo. Com que propósito? Creio que esse entendimento e esse poder são enviados para trazer aqueles que compartilharão a vitória do Cordeiro — para nos recriar, por assim dizer, à Sua semelhança: mansos e humildes, e até levando a cruz, para que também possamos entrar nessa vitória.
A vitória do nosso Senhor Jesus sobre todas as coisas é o fundamento da nossa vitória. Não podemos vencer se perdermos de vista o nosso Senhor vencedor.
Muitas vezes, a razão de estarmos abatidos, oprimidos, decepcionados, desanimados e dominados pelas coisas que acontecem é que perdemos de vista o nosso Senhor vencedor — o Cordeiro no trono.
Se mantivermos os olhos fixos no Cordeiro no trono, irmãos e irmãs, venceremos. Não há nada que não possamos vencer. Ficaremos por cima, e não continuaremos por baixo.
Isso é o que o Senhor prometeu à igreja. Em Efésios 1:22-23, lemos que Deus fez de Cristo:
Cabeça sobre todas as coisas para a igreja,
Que é o Seu corpo, a plenitude Daquele que enche tudo em todos.
Portanto, irmãos e irmãs, mantenham sempre diante de vocês o Rei vencedor, o Cordeiro no trono. Nunca O percam de vista. Nunca deixem que coisa alguma os distraia de vê-Lo. Se vocês O virem, prevalecerão.
Então encontramos outra visão, a visão registrada em Apocalipse 14. João viu o Cordeiro. O nosso Senhor Jesus é sempre o Cordeiro. Mesmo antes da fundação do mundo, Ele era o Cordeiro. Esse é o Seu caráter.
Desde a fundação do mundo, Ele era o Cordeiro morto. Essa era a obra que Ele iria realizar. Enquanto esteve na terra, Ele era o Cordeiro — manso e humilde. Na cruz, era o Cordeiro morto. Na ressurreição, era o Cordeiro morto que estava em pé. No trono, Ele ainda é o Cordeiro. Por toda a eternidade, Ele ainda é o Cordeiro. Esse é o caráter do nosso Senhor Jesus.
Aqui encontramos o Cordeiro em pé no monte Sião. O monte Sião aqui não é o monte Sião na terra; é o monte Sião no céu. Sião, nas Escrituras, é onde Davi tem o seu trono. Portanto, estar em pé no monte Sião significa que Ele está no trono — o trono de Davi.
Mas Ele não está ali sozinho. Com Ele estão cento e quarenta e quatro mil, que têm o Seu nome e o nome de Seu Pai na fronte.
Irmãos e irmãs, cremos que os cento e quarenta e quatro mil não são apenas um número fixo. É um número que expressa plenitude. A Bíblia fala muitas vezes da plenitude do tempo e da plenitude numérica.
É um múltiplo de doze, e doze é um número de perfeição. Em outras palavras, no propósito de Deus haverá uma plenitude numérica. Haverá um povo que terá o Seu nome e o nome de Seu Pai escritos na fronte.
Creio que esses são os vencedores de todas as eras. Eles representam os vencedores da igreja ao longo das eras. Por quê? Porque têm o nome do Senhor e o nome de Seu Pai escritos na fronte.
Quando vocês têm alguma coisa escrita na fronte, isso é uma declaração. Todos podem ver. Todos podem ler. Se vocês têm esse nome ali, isso significa que pertencem Àquele que tem esse nome.
Quando nos achegamos ao Senhor Jesus, graças a Deus, nossos nomes são escritos no livro da vida. Mas isso também significa que o nome do nosso Senhor Jesus e o nome de Seu Pai podem ser escritos na nossa fronte? Pessoalmente, sinto que há uma diferença.
Graças a Deus, nossos nomes estão escritos no livro da vida. A vida eterna está assegurada. Mas, se negarmos o Seu nome, Ele nos negará diante do Pai e diante dos santos anjos na Sua vinda. Isso não significa que perderemos a salvação, mas significa que perderemos o reino.
Se não negarmos o Seu nome, se realmente nos colocarmos sob a autoridade do Seu nome, se honrarmos o Seu nome em nossa vida e se não trouxermos desonra a esse santo nome, então nos colocamos sob esse nome.
Como o Senhor disse:
Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
Se realmente nos colocarmos sob a realeza e o senhorio de Cristo, então creio que o Senhor escreverá o Seu nome e o nome de Seu Pai na nossa fronte. Em outras palavras, Ele nos reconhecerá. Todos verão isso, até mesmo no mundo invisível.
Em Apocalipse 3, a igreja em Filadélfia foi elogiada porque não havia negado o Seu nome. Isso é mais do que simplesmente dizer o Seu nome. É uma questão de saber se a nossa vida honra o Seu nome ou se, por nossa vida, negamos o Seu nome.
Aqueles que não negam o Seu nome terão o nome do Senhor e de Seu Pai na fronte. Eles são vistos pelo mundo invisível. Portanto, creio que esses são os vencedores da igreja.
Então João ouviu uma voz poderosa, como a voz de muitas águas e de fortes trovões. Essa é a descrição usada nas Escrituras para a voz de Deus. A voz de Deus é como a voz de muitas águas e como um forte trovão.
Em João 12, quando o nosso Senhor Jesus disse:
Pai, glorifica o Teu nome.
Houve uma voz do céu, e as pessoas disseram que havia trovejado. Essa é a descrição da voz de Deus. Mas aqui encontramos a mesma descrição. Que voz é essa que vem do céu? É a voz dos cento e quarenta e quatro mil.
Eles estavam cantando. Eram harpistas, tocando as suas harpas, e cantavam um novo cântico. Irmãos e irmãs, sabemos que a harpa é a música do coração. Quando vocês tocam uma harpa, é como se a abraçassem junto ao peito e tocassem as cordas do coração.
Aqui vocês veem que eles cantam, das cordas do coração, um novo cântico. Há nele um tom majestoso, real. É um cântico que ninguém pode aprender — nem mesmo os anjos. Somente esses cento e quarenta e quatro mil aprendem esse cântico em sua vida.
Eles compõem o cântico e o cantam a Deus, ao Senhor. Como chegam a conhecer esse cântico? Como o aprendem? Aprendem esse cântico por meio do sofrimento, das tribulações, das aflições e de toda espécie de provações.
Assim como Davi, o doce cantor de Israel, que escreveu muitos salmos. Como ele os compôs? A partir de todas as provações pelas quais havia passado.
Em sua família, Davi foi negligenciado pelo pai e desprezado pelos irmãos. Na corte, foi perseguido sem motivo por Saul. Como ele sofreu! Como vagou pelas cavernas! Contudo, de todos esses sofrimentos, ele se tornou um harpista e cantou um novo cântico para a glória de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, vocês acham que a nossa vida cristã é um mar de rosas? Algumas pessoas parecem pensar que seremos levados ao céu em um leito florido de conforto. Quando cremos pela primeira vez, podemos ter essa impressão equivocada, pensando que todos os nossos problemas acabaram e que teremos uma viagem tranquila até o céu.
Mas não é assim. O próprio Senhor disse:
No mundo tendes tribulação; mas tende bom ânimo: Eu venci o mundo.
Quando o nosso Senhor Jesus esteve na terra, como Ele sofreu! Naturalmente, há um sofrimento do nosso Senhor do qual não podemos participar. É o Seu sofrimento vicário, expiatório.
Quando Ele foi crucificado como substituto por causa dos nossos pecados, as trevas vieram sobre o mundo. O nosso Senhor clamou:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
Ali Ele sofreu para expiar o pecado do mundo. Ele pisou sozinho o lagar. Ninguém pode compartilhar esse sofrimento com Ele.
Mas há outro tipo de sofrimento do qual somos chamados a participar: a comunhão dos Seus sofrimentos. Ele sofreu por causa da justiça. Sofreu por amor, por compaixão, por cuidado e pela vontade do Pai.
Ele sofreu a oposição do mundo, os ataques do inimigo e a incompreensão. Nem mesmo os Seus discípulos conseguiam compreendê-Lo. Ele sofreu tanto, mas sofreu de boa vontade, voluntariamente, com paciência e fidelidade.
Irmãos e irmãs, somos chamados a participar dos Seus sofrimentos. Deus permite que tribulações, provações, sofrimentos, incompreensões, pressões e toda espécie de dificuldades venham sobre o Seu povo. Por que Ele permite isso?
Nunca é a vontade de Deus que o homem sofra. Mas, porque o pecado está no mundo, somente por meio do sofrimento podemos ser purificados, libertos, santificados e transformados.
Aqui vocês veem que esses cento e quarenta e quatro mil são capazes de cantar esse novo cântico a partir de muito sofrimento. Mas o novo cântico não fala deles mesmos: “Ah, como sofremos! Como somos incompreendidos! Como estamos sob pressão! Como estamos sobrecarregados!”
Não. Eles cantam a fidelidade de Deus, a bondade amorosa de Deus e as ternas misericórdias de Deus. Cantam para a glória de Deus. Em meio a todos os sofrimentos, Deus nos prova que a Sua graça é suficiente.
Eles cantam um cântico de esperança, de fé e de amor. É um cântico que ninguém pode aprender. Não é uma questão de mera habilidade técnica; é uma questão de experiência de vida.
Vocês passam pelas águas e pelo fogo e descobrem que Ele passa com vocês. Ele os conduz para fora, à vitória.
Queridos irmãos e irmãs, estamos cantando esse novo cântico? Estamos chorando? Sim, podemos cantar com lágrimas, mas há alegria no coração. Eles vencem.
Eles não vencem como dragões ou leões. Vencem como ovelhas que seguem o Cordeiro de Deus. Vencem pela mansidão e pela humildade. Vencem ao serem mortos, caluniados e pisados. Muitas vezes são derrubados, mas nunca ficam fora de combate. Eles se levantam de novo.
Paulo disse que, assim como os sofrimentos abundam, também abundam a consolação e o encorajamento. É assim que eles aprendem o novo cântico. Irmãos e irmãs, eles poderão cantar ao Senhor um novo cântico:
Digno é o Cordeiro que foi morto.
Quem são esses cento e quarenta e quatro mil? Todos são virgens. Paulo diz em 2 Coríntios 11:2-3:
Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só esposo, para vos apresentar como virgem pura a Cristo.
Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, a vossa mente seja corrompida, afastando-se da simplicidade e da pureza que há para com Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, nós, que somos purificados pelo precioso sangue do Cordeiro, somos virgens aos olhos de Deus. Fomos desposados com o nosso Senhor Jesus e estamos aqui esperando que o nosso Noivo Se reúna conosco.
Enquanto estamos na terra, precisamos nos guardar da contaminação do mundo. Todo o nosso amor, todo o nosso ser, deve estar ocupado com Aquele que está ausente, mas que está vindo.
Como podemos ser enganados facilmente! Em vez de pensar no nosso Noivo, pensamos em nós mesmos, em outras pessoas e em coisas que não são o próprio Senhor. Quando fazemos isso, somos contaminados.
Que o Senhor nos mantenha puros. Tornamo-nos tão complicados. O mundo é confusão. Foi nisso que Satanás transformou o mundo, e nós permitimos que essa confusão entre em nossa vida.
A vida moderna é complicada, e permitimos que nós mesmos nos tornemos complicados. Perdemos a simplicidade para com Cristo.
Se os nossos olhos, os nossos pensamentos e todo o nosso ser estiverem ocupados com Aquele que vem, não seremos perturbados por coisa alguma. Nada poderá nos distrair. Nada poderá nos atingir.
Deveria ser como água jogada nas costas de um pato: ela não permanece. Contudo, percebemos que muitas coisas permanecem e nos contaminam. Ah, que guardemos um coração virgem para o nosso Senhor!
Quem são essas pessoas? São aquelas que seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá. São seguidores do Cordeiro, não seguidores de um homem, de um ensino, de uma doutrina, de um sistema ou de uma forma.
Seus olhos estão no Cordeiro. Eles não escolhem o próprio caminho; simplesmente O seguem para onde quer que Ele vá.
Para onde o Cordeiro vai? O Cordeiro vai à manjedoura em Belém. Ele, que era igual a Deus e não considerou essa igualdade algo a que Se apegar, esvaziou-Se e assumiu a forma de servo. Ele nasceu em uma manjedoura.
Ele foi a Nazaré, um lugar desprezado. Trabalhou na Galileia. Foi rejeitado. Agonizou no Getsêmani. Foi crucificado no Calvário. Esse é o caminho do Cordeiro. É para lá que Ele vai — Ele vai descendo cada vez mais.
Mas, graças a Deus, Deus O elevou cada vez mais. Deus Lhe deu um nome que está acima de todo nome, e diante desse nome todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor.
Irmãos e irmãs, é a cruz que conduz ao trono. É para lá que o Cordeiro vai. Aqui vocês veem que os cento e quarenta e quatro mil seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá.
Se Ele vai à manjedoura, eles vão. Se Ele vai a Nazaré, eles vão. Se Ele vai à Galileia, eles vão. Se Ele vai ao Getsêmani, eles vão. Se Ele vai ao Calvário, eles vão. E, por causa disso, quando Ele vai ao trono, eles também vão.
O caminho da cruz é o caminho do Cordeiro. O espírito do Cordeiro deve ser o nosso espírito. Mas muitas vezes percebemos que o nosso espírito é como o espírito de um leão, até mesmo de um dragão — terrível e assustador, não manso e humilde, não disposto a sofrer.
Quem são essas pessoas? São aquelas que foram compradas do mundo como primícias para Deus e para o Cordeiro.
As primícias são sempre os melhores frutos. Quando as primícias do trigo amadureciam, os filhos de Israel deveriam tomá-las e apresentá-las a Deus. Eram as melhores e pertenciam a Deus.
Se vocês têm as primícias, isso garante a colheita. Se não têm as primícias, não terão a colheita. Em outras palavras, as primícias garantem a colheita.
Espiritualmente falando, todos nós que pertencemos ao Senhor somos trigo. Mas haverá alguns que serão primícias. Por que são os primeiros? Porque recebem o sol e recebem todas essas coisas, e assim amadurecem primeiro. São os primeiros a amadurecer e são os melhores.
Irmãos e irmãs, o que o Senhor está procurando são as primícias. Esse é o chamado para vencer. Os vencedores são as primícias. Em outras palavras, eles amadurecem primeiro e são apresentados ao próprio Senhor.
Mas os vencedores são os vencedores da igreja. Eles não se tornam vencedores como um grupo separado. Tornam-se vencedores na igreja e para a igreja.
Os sete chamados para vencer em Apocalipse 2 e 3 dizem: “Ao que vencer”. Quem é aquele que vence? É aquele que está na igreja.
Considerem Éfeso. Ela havia perdido o primeiro amor. Contudo, Deus ainda reconhecia a igreja como o Seu candeeiro. A luz havia enfraquecido, e o primeiro amor havia sido perdido. Deus não chamou as pessoas dali a sair, a ir embora, a se separar ou a se purificar à parte da igreja.
Não. O chamado era: “Você, na igreja em Éfeso, arrependa-se e restaure o primeiro amor”. No ambiente em que o primeiro amor foi perdido, você mantém o seu primeiro amor. Isso é vencer.
Vencer significa vencer alguma coisa. Se você não tem nada para vencer, não há nada em que possa ser um vencedor. Em meio à perda do primeiro amor, você se arrepende e é cheio do primeiro amor. Você não permite que a perda do primeiro amor ao seu redor faça com que perca o seu primeiro amor.
Se permitir, você será derrotado. Mas, apesar da frieza, o seu coração arde pelo Senhor na igreja. Ao fazer isso, você garante a colheita. As pessoas serão ajudadas e também amadurecerão diante de Deus.
À igreja em Esmirna, uma igreja sofredora, a palavra é:
Sê fiel até à morte.
Não é sofrer um pouco e dizer: “Não, isso é demais. Vou procurar um lugar onde não precise sofrer”. O amor tudo sofre e é bondoso.
À igreja em Pérgamo, onde a igreja e o mundo haviam se misturado, de modo que mal se podia distinguir onde a igreja terminava e o mundo começava, o chamado é para ser separado. Quando as pessoas se tornam mundanas, separe-se para o Senhor. Posicione-se pelo Senhor e pelo testemunho de Jesus.
Em Tiatira, onde há complexidade, mistério e o mistério de Satanás, mantenha a simplicidade que há em Cristo. Não permita que todas essas coisas afetem você. Permaneça em simplicidade para com o Senhor.
Se a igreja em Sardes está morta, seja você vivo. Não permita que essa condição de morte afete você e o torne morto também. Seja vivo — vivo para o Senhor —, e a sua vida manterá o testemunho.
À igreja em Filadélfia: não permita que ninguém tire a sua coroa. Continue até o fim.
À igreja em Laodiceia, onde há orgulho, arrogância e falta de autenticidade, seja você humilde, manso, modesto e verdadeiro diante de Deus. Esses são os vencedores.
Irmãos e irmãs, o chamado para nós hoje é vencer. Não permitamos que coisa alguma nos vença; antes, venceremos porque Ele venceu.
Quem são essas pessoas? São aquelas em cuja boca não há mentira. Em outras palavras, são verdadeiras. Guardam a Palavra de Deus e não negam o Seu nome.
Não porque sejam perfeitas. Elas são purificadas pelo sangue do Cordeiro, mas não são perfeitas em si mesmas. Contudo, ao final, são irrepreensíveis.
Esse é o propósito de Deus para a Sua igreja. Todos somos chamados; todos somos predestinados a ser santos e irrepreensíveis diante Dele.
Ele nos santifica pela lavagem da água com a Palavra, para apresentar a igreja a Si mesmo como uma igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e sem defeito.
Queridos irmãos e irmãs, esse é um povo preparado para o Noivo. Isso é vencer.
O chamado foi lançado:
Ao que vencer.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Senhor, há dois mil anos Tu tens chamado por vencedores na igreja. Senhor, abre os nossos ouvidos para que possamos ouvir.
Volta os nossos olhos para Ti, o Vencedor, para que nós, pela Tua graça, também possamos vencer para a glória de Deus.
Senhor, ouve o nosso clamor. Tem misericórdia de nós. Em Teu precioso nome. Amém.