Não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, e viveremos?
Pois eles, na verdade, por poucos dias nos corrigiam como bem lhes parecia; Ele, porém, para nosso proveito, para que sejamos participantes da Sua santidade.
Toda correção, no momento, não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; depois, porém, produz fruto pacífico naqueles que por ela têm sido exercitados, o fruto de justiça.
Não sabeis vós que os que correm numa corrida, todos correm, mas um só recebe o prêmio? Assim correi; para que o alcanceis.
E todo aquele que compete nos jogos exerce domínio próprio em todas as coisas. Eles o fazem para receber uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.
Eu, portanto, assim corro, não como sem direção; assim combato, não como quem golpeia o ar:
Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à servidão; para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha, de modo algum, a ser rejeitado.
De fato, se ouve que há fornicação entre vós, e fornicação tal que nem mesmo há entre os gentios: haver alguém que possui a mulher de seu pai.
E vós estais ensoberbecidos, e não vos entristecestes antes, para que aquele que praticou tal ato fosse tirado do vosso meio.
Pois eu, na verdade, ausente em corpo, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim procedeu,
Em nome de nosso Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de nosso Senhor Jesus,
Que tal pessoa seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.
Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa?
Limpai o fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como sois sem fermento. Pois também a nossa Páscoa foi sacrificada, o próprio Cristo:
Portanto, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da maldade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade.
Vamos fazer mais uma oração.
Querido Senhor, enquanto continuamos reunidos em Tua presença, nossos corações são profundamente tocados pelo Teu amor eterno por nós. Como Te louvamos e agradecemos porque perdoaste todos os nossos pecados e até mesmo Te esqueceste deles.
Nós Te louvamos e agradecemos porque Teu amor por nós nunca muda. É por causa desse amor que estamos aqui nesta manhã. Nós nos achegamos a Ti e Te pedimos que abras Tua Palavra aos nossos corações, para que possamos realmente compreender Teu coração e aprender a nos submeter a Ti de uma maneira que Te seja agradável.
Entregamos este tempo em Tuas mãos. Confiamos que Teu Espírito Santo fará a obra para o louvor da Tua glória. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Vocês talvez estejam se perguntando sobre o que vamos compartilhar nesta manhã. Parece que o Senhor colocou em meu coração um encargo de compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs, sobre essa questão da disciplina.
Ora, quando vocês ouvem a palavra disciplina, provavelmente reagem contra ela. Não gostamos de ser disciplinados. Para nós, há uma espécie de sentimento negativo em relação à disciplina, como se fosse algo horrível, terrível — algo diante do qual recuamos.
Mas, queridos irmãos e irmãs, se realmente compreendermos o que é disciplina, espero que nossa atitude mude. Curiosamente, quando vocês leem a Bíblia, descobrem que, em toda a Bíblia, há apenas um lugar em que essa palavra, disciplina, aparece. Estou falando de acordo com o hebraico e com o grego.
A palavra que hoje conhecemos como disciplina aparece em um único lugar em toda a Bíblia: Jó 36:10.
Ele lhes abre os ouvidos à instrução,
E ordena que se convertam da iniquidade.
Mesmo nesse lugar, a palavra disciplina, no hebraico original, significa correção ou instrução. Em nossa tradução chinesa, usamos a palavra instrução, porque esse é o significado original da palavra.
A palavra que frequentemente encontramos na Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, é castigo, correção ou corrigir. Se vocês lerem o contexto, verão que ela significa convencer do erro, repreender, instruir e treinar.
Em outras palavras, seja a palavra hebraica traduzida como disciplina, seja a palavra correção, elas significam, na verdade, a mesma coisa. Basicamente, trata-se de treinar. É uma espécie de treinamento — a formação de uma criança — com o propósito definido de desenvolver determinado caráter e determinada conduta, resultando em aperfeiçoamento moral e mental.
Disciplinar, ou corrigir, é instruir, educar e treinar, para que haja crescimento e progresso em direção a um objetivo. Até mesmo nossa palavra inglesa discipline, disciplina, vem da palavra disciple, discípulo. Ela também significa instrução, conhecimento ou a condição de aluno — de discípulo.
Assim, ao longo de tudo isso, vocês descobrirão que esse é o verdadeiro significado da disciplina. Disciplina não é aquela palavra terrível. Na verdade, é uma boa palavra, porque é pela disciplina que somos treinados, amadurecidos e conduzidos àquilo que agrada a Deus.
Quando vocês leem a Palavra de Deus, descobrem que a disciplina é necessária para nós. Mesmo quando Deus criou o homem e o colocou no jardim do Éden, Ele o colocou sob disciplina.
Deus providenciou tudo para o homem. Deus disse ao homem que ele poderia comer do fruto de todas as árvores, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Por que Deus providenciou todas essas coisas para o homem e, ainda assim, lhe impôs uma limitação?
Ele o colocou sob disciplina porque queria formar aquele homem, para que pudesse crescer até a maturidade. Todos sabemos que, quando o homem foi criado, fisicamente ele já era plenamente maduro. No entanto, no que diz respeito ao significado de ser homem, ainda era um bebê. Precisava crescer.
A única maneira de crescer é ser colocado sob disciplina. Se obedecesse a Deus e se submetesse à autoridade de Deus, então cresceria e se tornaria aquilo que Deus havia determinado que o homem fosse.
Mas, infelizmente, ele se rebelou contra Deus. Rebelou-se contra a disciplina sob a qual Deus o havia colocado. Por causa disso, o homem caiu em pecado.
Quando o homem caiu em pecado, a mão disciplinadora de Deus veio sobre ele. Vocês podem pensar que o homem estava sendo punido por ter desobedecido a Deus. O salário do pecado é a morte, e a morte veio imediatamente sobre Adão. Seu espírito estava morto para Deus, e a morte começou a operar em sua vida até que, depois de mais de novecentos anos, ele morreu fisicamente.
Contudo, irmãos e irmãs, até mesmo a mão disciplinadora de Deus tem como propósito a restauração e a recuperação. Juntamente com a medida disciplinar, Deus deu ao homem uma promessa: a descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente. A salvação do homem viria por meio da descendência da mulher.
Se o homem se submetesse à poderosa mão de Deus, esperando a vinda da descendência da mulher e confiando nEle, seria salvo. Não apenas seus pecados seriam perdoados, mas ele receberia a vida da árvore da vida, que havia deixado de receber no princípio. Seria plenamente restaurado ao propósito de Deus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, a disciplina é algo bom. Por meio da disciplina, crescemos e somos conduzidos à plenitude do propósito de Deus.
Depois que cremos no Senhor Jesus, nossos pecados são perdoados, recebemos a vida eterna e nos tornamos filhos de Deus. Como filhos de Deus, precisamos de disciplina, porque é somente por meio dela que alcançamos a maturidade em nossa vida espiritual.
Espero que nosso conceito de disciplina e nossa reação a ela sejam transformados. Em vez de temermos a disciplina, se somos bons filhos de Deus, acolheremos Sua disciplina. Sabemos que somente por meio dela podemos crescer até a plena maturidade.
Na Palavra de Deus, pelo que consigo perceber, há três dimensões da disciplina:
Quando chegamos a Hebreus 12, o livro de Hebreus nos mostra que nós, como filhos de Deus, estamos numa pista de corrida. Estamos correndo, mas corremos contra a corrente do mundo. Corremos para cima, em direção ao céu, em direção a Deus e ao nosso Senhor Jesus. Devemos ganhar a Ele e toda a Sua plenitude.
Como peregrinos nesta terra, lembrem-se de que estamos correndo contra a corrente do mundo. Por corrermos contra essa corrente, não podemos escapar de toda espécie de contradições, tribulações, sofrimentos, dores, oposição e hostilidade — coisas que aparentemente estão contra nós.
O mundo está tentando nos puxar para baixo, bem para baixo, para a terra, a fim de nos conformar ao padrão deste mundo. Contudo, a vida dentro de nós nos impele a prosseguir em direção ao alvo, ao alvo celestial.
Ao vivermos diariamente nessas circunstâncias, é fácil desfalecer, cansar-se e desistir. Mas o escritor de Hebreus nos exorta a não desfalecer nem nos cansar quando estamos nesse tipo de luta e batalha. Pensem em nosso Senhor Jesus.
Desviem os olhos de tudo e olhem para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé. Pensem em nosso Senhor Jesus — em como Ele lutou contra o pecado até a morte, até o derramamento de sangue. Ainda não chegamos a esse ponto.
Nunca permitam que aquilo que lhes aconteceu nesta vida os derrube. No meio da batalha, olhem para Jesus, e descobrirão que Sua graça nos basta.
Isso é o que aparece — o que pode ser visto. Mas, por trás de tudo o que parece se opor a nós e nos afligir, lembrem-se de que está nosso Pai celestial. Porque Ele nos ama como Seus filhos, Ele nos corrige. Usa toda espécie de forças contrárias para nos treinar, a fim de que cresçamos em nossa vida espiritual.
Muitas vezes, quando nossos olhos estão voltados apenas para as circunstâncias, desfalecemos e nos cansamos. Mas precisamos saber que, por trás de tudo, está nosso Pai celestial. Ele sabe de tudo. Sabe o que está acontecendo.
Em certo sentido, nossas circunstâncias são organizadas por nosso Pai celestial. Às vezes, chamamos isso de disciplina do Espírito Santo, porque o Espírito Santo organiza e ordena nossas circunstâncias. Nada nos acontece sem o conhecimento de nosso Pai celestial.
Nosso Senhor Jesus nos disse que até os cabelos de nossa cabeça estão contados. Nosso Pai celestial nos ama tanto. Até mesmo nossos pais terrenos, embora nos amem muito, não contaram nossos cabelos e não conseguem contá-los. Isso está além de sua capacidade.
Mas pensem em nosso Pai celestial. Seu amor é tão delicado; Seu amor é tão profundo. Ele não sabe apenas quantos cabelos vocês têm na cabeça, mas atribui um número a cada um deles. Todas as manhãs, quando penteio meus cabelos, lembro que talvez um ou dois tenham caído, e o Pai sabe quais são os números deles.
Para nós, como filhos de Deus, nada acontece por acaso. A família em que vocês estão, os irmãos e irmãs com quem convivem, os colegas de trabalho no escritório, os outros estudantes e colegas de classe — tudo é ordenado pelo Espírito de Deus com amor.
É o amor do Pai celestial que ordena tudo. Ele nos treina. Ele nos instrui. Ele nos cria para que alcancemos a plena maturidade.
Portanto, a exortação é esta: quando estiverem sob a disciplina do Pai, não desprezem Sua disciplina.
O que significa não desprezar a correção do Pai celestial? Quando seu Pai os estiver corrigindo, quando Ele os estiver treinando, não negligenciem isso. Não rejeitem isso. Levem isso a sério. Levem isso a Ele. Trat em dessas questões com seu Pai celestial enquanto Ele trata com vocês.
Nosso Pai celestial está nos treinando todos os dias, a cada momento do dia. Não há um dia que passe sem Sua disciplina. Vocês têm medo da disciplina? Não podem escapar de Sua disciplina, porque são Seus filhos e Ele os ama.
Infelizmente, nós a desprezamos. Não vemos Sua mão; vemos apenas os problemas, as dificuldades, as pessoas e os acontecimentos que nos sobrevêm. Não vemos a mão de nosso Pai. Por causa disso, não aprendemos a lição. Murmuramos, nos rebelamos e ficamos irados.
Nossa atenção está nas pessoas, nas coisas e nos acontecimentos. Ao fazermos isso, desprezamos a correção de nosso Pai celestial; isto é, não aprendemos. Se não aprendermos, como Ele nos ama tanto, organizará outra circunstância semelhante e nos fará passar pela mesma situação outra vez.
Se vocês ainda não aprenderem, terão de passar por isso novamente. Irmãos e irmãs, vocês se perguntam por que essas coisas lhes acontecem com tanta frequência? É porque desprezam a correção de seu Pai celestial.
Sempre que algo acontecer, levem isso a sério. Levem isso ao Senhor. Orem a respeito. Busquem o Senhor. Perguntem: “Por que isso está acontecendo? Há alguma lição que meu Pai celestial está tentando me ensinar?” Humilhem-se sob a poderosa mão de Deus.
É somente dessa maneira, irmãos e irmãs, que crescemos em nossa vida espiritual. Não há outro caminho. O verdadeiro crescimento espiritual não é um aumento do conhecimento na cabeça; é um aumento do conhecimento no coração. Vocês precisam aprender isso no coração.
Não desprezem a correção de seu Pai celestial, nem desfaleçam sob Sua mão disciplinadora. Às vezes, pensamos que é demais e que não aguentamos mais. Falhamos porque vemos apenas a pressão.
Não vemos que a pressão deve ampliar nossa capacidade. Não vemos que, quando chegamos ao fim de nossa força, então a força dEle começa. Sua graça nos basta. Se apenas olharmos para Ele, nada será difícil demais nem pesado demais.
Não é a vontade de seu Pai celestial que vocês sejam pressionados e esmagados. Sua vontade é que sejam ampliados e desenvolvidos. Portanto, queridos irmãos e irmãs, agradecemos ao nosso Pai celestial.
Quando vocês realmente enxergarem isso, espero que toda a sua atitude em relação à disciplina seja transformada. Em vez de murmurar, rebelar-se e perguntar por quê, vocês se submeterão humildemente à Sua poderosa mão, para aprender as lições que Ele quer lhes ensinar.
Até mesmo nossos pais terrenos nos amam e nos disciplinam de acordo com aquilo que consideram útil para nós. Eles nos disciplinam apenas por algum tempo. Mas, quando nosso Pai celestial nos disciplina, é para a eternidade, segundo Seu conhecimento e Sua sabedoria. Ele nunca pode estar errado.
No momento em que estamos sob Sua disciplina, isso não é motivo de alegria. Seria falso dizer que nos alegramos e estamos felizes quando estamos sob Sua disciplina. Não. No momento da disciplina, não se trata de alegria, mas de tristeza. Sentimos dor.
Depois, porém, ela produz o fruto pacífico de justiça para aqueles que por ela são exercitados. Em outras palavras, vocês precisam ser exercitados. Se desprezarem a correção do Senhor, ou se desfalecerem sob ela, não serão exercitados por ela e não produzirão fruto.
Esse é o primeiro nível de disciplina e, graças a Deus, ninguém pode escapar dele. Se vocês pudessem escapar, não seriam filhos, mas filhos ilegítimos. Creio que não somos. Graças a Deus por isso.
Juntamente com a disciplina de Deus, há a autodisciplina. Em Gálatas 5:23, o último fruto do Espírito mencionado é o domínio próprio. Se é domínio próprio, como vocês podem dizer que é fruto do Espírito?
Isso mostra a relação entre o domínio próprio e o domínio do Espírito. O domínio próprio é uma cooperação de nossa parte. Cooperamos com o Espírito em Seu domínio. Ele está nos governando, e, quando procura nos governar, respondemos e cooperamos com Ele. Isso é chamado de domínio próprio.
Em 1 Timóteo 4, o apóstolo Paulo diz que o exercício corporal é proveitoso por pouco tempo, mas que devemos nos exercitar para a piedade. Exercitem-se para se tornarem semelhantes a Deus. Esse exercício espiritual é proveitoso não apenas nesta era, mas também na era vindoura.
Precisamos de exercício físico. O exercício físico nos ajuda a crescer — não basta comer, beber e dormir. Se não nos exercitarmos, não podemos crescer. É por isso que as crianças são tão ativas: elas estão crescendo.
Se vocês mantiverem uma criança presa, sem exercício, apenas alimentando-a e alimentando-a, ela morrerá. Ela precisa de exercício. À medida que vocês crescem, percebem a necessidade de se exercitar. Se eu não me exercitar por um ou dois dias, de alguma maneira minhas pernas ficam fracas. Preciso me exercitar. Isso é bom, mas é temporário.
O exercício espiritual — o exercício para a piedade — é proveitoso não apenas nesta era, mas também na era vindoura. O que queremos dizer com exercício espiritual? Nós nos exercitamos espiritualmente todos os dias? Nosso espírito coopera com o Espírito Santo nesse exercício para a piedade?
Quando o Espírito Santo toca a consciência em nosso coração, como respondemos? Nosso espírito está tão exercitado que responde à voz do Espírito em nossa consciência? Então ouvimos e obedecemos.
Nossa consciência nos acusa ou nos absolve. Às vezes, nossa consciência nos acusa: somos culpados de algo que fizemos. Muito raramente, nossa consciência nos absolve e diz: “Você está certo”. À medida que vocês crescem no Senhor, sua consciência os absolverá mais do que os acusará. Esse é um sinal de crescimento.
Quando o Espírito Santo toca nossa consciência, e quando nossa consciência está funcionando, ela nos acusa ou nos absolve. Vocês se exercitam para ouvir a voz do Espírito? Se o fazem, andam no caminho da justiça.
Essa é a única maneira de andarmos em justiça. Como podemos andar em justiça diante de Deus em nossa vida diária? Como sabemos que isto é certo ou aquilo é errado? Não pelos padrões humanos, nem pelos costumes, mas pelo Espírito Santo, Que toca nossa consciência.
Ao seguirmos a voz de nossa consciência, andamos no caminho da justiça. Em outras palavras, estamos em condição correta diante de Deus. Nossa consciência estará em paz e não nos acusará. Como precisamos do sangue de nosso Senhor Jesus todos os dias, a cada momento.
O Espírito de Deus é a unção Que habita em nosso espírito. Em 1 João 2, vemos que Ele nos ensina a respeito de todas as coisas. Tudo o que Ele ensina é correto, verdadeiro e não é falso. A Palavra diz:
Ouvi. Obedecei ao ensino da unção.
Então vocês permanecem em Cristo.
Como andamos no caminho da santidade, no caminho de sermos separados? É pela intuição interior. Sabemos intuitivamente qual é a vontade de Deus, porque Ele nos ensina em nosso espírito. Não é um ensino reunido a partir de informações externas; é o ensino direto do Espírito Santo dentro de nós.
Quando Ele nos ensina, Seu ensino é verdadeiro. Ao obedecermos à unção, andamos no caminho da santidade. Isso é exercer autodisciplina.
A glória de Deus nos é manifestada, e Sua presença está conosco. Ao termos comunhão com Ele, Sua glória é refletida em nossa vida. Somos mudados de glória em glória e transformados à imagem de Cristo. É dessa maneira que crescemos e desenvolvemos Seu caráter.
Mas, se negligenciarmos nossa consciência e o que ela nos diz, continuaremos no pecado e nas trevas. Se não ouvirmos o ensino da unção, seremos conformados ao mundo, em vez de sermos santificados. Se negligenciarmos a comunhão contínua com Deus, não seremos transformados de glória em glória.
Portanto, precisamos nos exercitar. Nosso espírito está apenas adormecido, ou está em comunhão ativa com Deus? Vemos Sua glória dia após dia? Ouvimos Sua voz e Seu ensino? Esse tipo de disciplina e exercício precisa continuar dentro de nosso espírito.
Segundo Efésios 3, o Espírito Santo fortalecerá nosso homem interior, Cristo habitará em nosso coração, e seremos arraigados e alicerçados em amor. Somente quando estivermos, em nosso espírito, em união prática com o Espírito de Deus, a autodisciplina prosseguirá em nossa alma.
Nega-te a ti mesmo, toma a tua cruz e segue-Me.
Se nosso espírito não for exercitado, não saberemos como negar a nós mesmos. Não seremos capazes nem mesmo de reconhecer o que é o eu. Mas, quando vocês estiverem realmente vivendo em comunhão com Deus, em cooperação com o Espírito de Deus, perceberão que, mesmo na vida diária, sua alma está sendo tratada.
Seus afetos serão tratados. Sua mente será tratada. Sua volição, sua vontade e suas opiniões serão tratadas. Negar a nós mesmos, tomar a cruz e seguir o Senhor nos liberta do pecado, do mundo, da morte, de nós mesmos, de nossa carne e de nosso inimigo.
Esse exercício se estende até ao corpo. Paulo diz:
Esmurro o meu corpo.
A palavra esmurrar é forte. Ele diz: “Bato em meu corpo até deixá-lo todo marcado”. Por quê? Porque nosso corpo físico, com suas cobiças e paixões, tenta nos controlar e nos impedir de seguir o Senhor e fazer a vontade de Deus.
Paulo diz: “Eu o coloco sob meu domínio. Não permitirei que meu corpo seja meu senhor. O corpo é meu escravo, não meu senhor”. Temos essa autodisciplina? De manhã, a que horas vocês se levantam? Levantam-se cedo para poder ter comunhão com Deus, ou amam mais sua cama e seu corpo do que o Senhor?
A disciplina é necessária quando vamos à reunião. Irmãos e irmãs, se a reunião começa às dez horas, não cheguem às dez e meia. Precisamos de disciplina. Precisamos ser pontuais. Isso faz parte da autodisciplina.
Infelizmente, não conhecemos a autodisciplina. A vida cristã é uma vida disciplinada. Se não nos disciplinarmos sob o Espírito Santo, em cooperação com o Espírito Santo, não estaremos andando como cristãos.
Considerem como Paulo se disciplinava e como nós negligenciamos a autodisciplina. A disciplina é tão importante. Não pensem que a vida cristã é simplesmente uma vida despreocupada. Não pode ser, porque o mundo não permitirá isso.
A vida cristã é uma vida disciplinada. Estamos sob a disciplina de Deus e nos disciplinamos em resposta a Deus, nosso Pai. A autodisciplina é necessária ao nosso crescimento espiritual.
Em terceiro lugar, há a disciplina no corpo. Não apenas a disciplina de Deus e a autodisciplina, mas a disciplina no corpo.
Nós, que cremos no Senhor Jesus, não somos meramente indivíduos. Nossa individualidade nunca desaparece. Por toda a eternidade, ainda teremos nossa individualidade. Pedro continua sendo Pedro, e João continua sendo João. Até mesmo na Jerusalém celestial, os doze fundamentos são doze pedras preciosas diferentes.
Nossa individualidade nunca desaparece, mas nosso individualismo precisa ser tratado. Depois de sermos salvos, somos colocados no corpo de Cristo. Somos membros uns dos outros.
Vocês não estão sozinhos. Vocês não são um corpo; são apenas membros. Não podem permanecer sozinhos. Precisam estar com os outros membros do corpo. No corpo, irmãos e irmãs, a disciplina está em ação.
Todos os membros de meu corpo físico estão sob disciplina. Se algum membro se tornar independente, virá a doença; virá a morte. A disciplina é necessária para que o corpo cresça.
A lei do corpo é o amor. Porque há amor, há disciplina. Não olhem para a disciplina apenas em sua aparência exterior. Olhem além dela e vejam o amor que está por trás.
Nosso Pai celestial nos disciplina porque nos ama tanto. Como membros do corpo, amamos uns aos outros. Porque amamos uns aos outros, disciplinamos uns aos outros. A disciplina nunca vem do ódio; ela vem do amor.
Se vocês amam, podem disciplinar. Se não amam, ousariam disciplinar? Cada membro de meu corpo ama tanto os outros que eles procuram ajudar e cuidar uns dos outros. Instruem uns aos outros, convencem uns aos outros de seus erros, treinam e encorajam uns aos outros. Essa é a disciplina no corpo.
Se vocês estão no corpo, devem esperar disciplina. É para o bem de vocês.
J. N. Darby classificou a disciplina no corpo em três áreas. Não usarei exatamente sua terminologia, mas usarei sua classificação:
Em Mateus 18, sobre o qual compartilhamos no último Dia do Senhor, se seu irmão pecar contra você, o que você faz? Guarda rancor dele? Naturalmente, essa seria sua tendência. Mas vocês são membros uns dos outros: você perdoa.
Quando vocês comem depressa demais e seus dentes mordem sua língua, o que a língua faz? Ela perdoa. Eles continuam trabalhando juntos. O amor está por trás disso.
Não há pecado que seu irmão possa cometer contra você que seja maior do que os pecados que você cometeu contra Deus. Ele lhe perdoou tudo. Como podemos deixar de perdoar nosso irmão ou nossa irmã?
Nós Lhe devíamos dez mil talentos — milhões de dólares — e Ele nos perdoou. Nosso irmão talvez nos deva apenas alguns dólares, cem denários, e, ainda assim, não perdoamos. Se não perdoarmos, nosso Pai celestial não nos perdoará.
Portanto, se um irmão pecar contra você, perdoe. Mas isso é tudo? Não. O amor anda uma segunda milha. Você ama tanto seu irmão que percebe que ele está nas trevas. Você está na luz, mas ele está nas trevas. Por isso, procura restaurá-lo.
Você vai até ele. Mostra-lhe seu erro, repreende-o e lhe mostra o que é destrutivo. Você o ajuda a enxergar. Em amor, fale a verdade em amor — não com um espírito de vingança. Esperamos que você ganhe seu irmão e o restaure à comunhão.
Isso é disciplina. A disciplina visa à restauração, não à destruição. Se ele não ouvir você, o amor tem uma responsabilidade adicional. Leve uma ou duas pessoas que ele respeite e vá até ele novamente. Suplique-lhe.
Essa é a disciplina fraterna. Se nós, como irmãos e irmãs no corpo de Cristo, realmente exercêssemos disciplina fraterna uns para com os outros, a maioria dos problemas na igreja seria resolvida.
A razão de termos tantos problemas na igreja é que falhamos em nossa responsabilidade de amor. Não cumprimos nossa responsabilidade de amor. Se você vê um irmão ou uma irmã nas trevas, se ele peca contra você, não deve apenas perdoá-lo, mas também procurar restaurá-lo.
Essa responsabilidade é sua, porque você está em condições de ajudar. Ele não está em condições de ajudar a si mesmo, pois está nas trevas. Você está em condições de ajudar, e o amor o impele a fazer isso.
A igreja hoje não está fazendo isso. Como a igreja não está fazendo isso, os problemas se acumulam, a animosidade aumenta e vem a separação. Essa é a responsabilidade de cada irmão e irmã.
Há outro nível. Gálatas 6:1 diz:
Irmãos, ainda que um homem seja surpreendido em alguma transgressão, vós, que sois espirituais, restaurai tal pessoa com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado.
Essa é a disciplina paterna. Segundo 1 João, na família de Deus há filhinhos, jovens e pais. Há aqueles que são espiritualmente mais maduros — aqueles que conhecem a Deus de maneira mais profunda.
Como você conhece a Deus de maneira mais profunda, enxerga as coisas com mais clareza. Você mesmo já passou por mais tratamentos. Passou por muitas coisas e aprendeu suas lições. Por isso, seus olhos estão abertos.
Quando você vê um irmão ou uma irmã caindo em alguma falta, talvez essa pessoa não perceba. Mas você já passou por isso. Já percorreu esse caminho. Sabe o que é e como sair dele. É sua responsabilidade, em amor, restaurar esse irmão.
Você não pode simplesmente ficar olhando e deixar esse irmão cair. Precisa ir até ele para restaurá-lo, mas com espírito de mansidão. Não vá com uma atitude arrogante: “Eu sei mais. Você está errado. Arrependa-se”. Não aja como se fosse o juiz.
Você não é melhor do que ele. É a graça de Deus. Deus não colocou você como juiz sobre seu irmão. Vá com espírito de mansidão. Humilhe-se diante de seu irmão. Conte-lhe que você percorreu o mesmo caminho e o que o Senhor lhe ensinou. Procure restaurá-lo.
Ao mesmo tempo, tenha temor de que você também possa cair em tentação. Às vezes, ao lidar com outro irmão ou irmã, você procura resgatá-lo e acaba caindo na armadilha. Fica irado, arrogante ou começa a desprezar seu irmão ou sua irmã. Então você também cai.
Tenha cuidado. Essa é a disciplina paterna. Como precisamos, na casa de Deus, de pais e mães capazes de cuidar daqueles que são mais fracos e mais novos no Senhor.
Se a disciplina fraterna e a disciplina paterna forem exercidas na igreja, quase não haverá necessidade de exercer a disciplina da igreja. Tudo será cuidado. É assim que deveria ser.
A disciplina da igreja é o último recurso. Não se deve recorrer à disciplina da igreja de maneira leviana. Quem somos nós, pecadores perdoados pela graça, para nos colocarmos como juízes sobre nossos irmãos e irmãs? Que esse espírito nunca entre em nossa mente.
Somos tão pecadores quanto qualquer outra pessoa. Quando a igreja exerce disciplina, ela não é exercida apenas sobre determinado irmão ou irmã. Ao mesmo tempo, toda a igreja está sob disciplina.
Toda a igreja deve estar em arrependimento, tristeza, dor e com espírito contrito. Quando um membro cai, todo o corpo sofre. Esse é o espírito que deve prevalecer.
Não é que um irmão esteja sob disciplina enquanto você fica ali como se fosse justo. Não, você está na mesma posição. Humilhe-se diante do Senhor. O fracasso desse irmão é o meu fracasso. Toda a igreja deve estar nesse espírito. Somente nesse espírito a disciplina pode ser exercida.
Foi por isso que Paulo precisou despertar a consciência da igreja para disciplinar o irmão que havia pecado tão gravemente em 1 Coríntios 5 — algo que nem mesmo o mundo tolerava.
A igreja pensava que estava tudo bem. Eles tinham a mente aberta e eram tolerantes; não se importavam. Mas toda a igreja precisava ser convencida de seu erro, reconhecendo que aquilo era sua negligência e seu pecado. Se um irmão peca, no mínimo todos nós pecamos. Todos choramos diante do Senhor.
Nesse espírito, o homem que não se arrepende é excomungado — excluído da igreja. Até mesmo isso visa à restauração, para que seu espírito seja salvo e para que ele se arrependa. Se ele se arrepender, recebam-no de volta com amor.
Essa é toda a atmosfera da verdadeira disciplina.
Quando chegamos à disciplina da igreja, encontramos apenas alguns casos no Novo Testamento. Em 1 Coríntios 5, um irmão havia cometido um pecado horrendo. Não era simplesmente o caso de um irmão pecar contra você, situação em que você perdoa. Era um pecado tão terrível que afetava toda a assembleia e seu testemunho, e o irmão permanecia sem arrependimento.
O que fazer num caso assim? A consciência de toda a igreja deve ser despertada. A igreja deve se arrepender e, então, exercer disciplina para excluí-lo. Esse é um caso extremo, porque, do contrário, ele levedará toda a massa.
A igreja é como uma oferta de farinha pura a ser oferecida a Deus. Se houver algum fermento nela, ele levedará toda a massa e afetará toda a assembleia. Portanto, isso precisa ser tratado, para que possamos celebrar a festa dos pães sem fermento com pureza e sinceridade.
Outro caso se encontra em 2 João. Há pessoas que não creem que Jesus é Deus. Algumas não creem na divindade de Jesus; outras não creem em Sua humanidade. Quando se chega a uma heresia assim, ela atinge a própria raiz de nossa fé.
Há pessoas que talvez estejam nesse tipo de ensino porque nunca conheceram algo melhor. Isso é diferente. Mas há pessoas que deveriam saber e, ainda assim, não creem na divindade e na humanidade de nosso Senhor Jesus. O que fazer? Vocês nem sequer as cumprimentam ou as recebem em sua casa. Em outras palavras, vocês as mantêm de fora.
Esses são dois casos extremos. Além deles, há alguns outros casos. Em Romanos 16, se alguém causa divisão e procura espalhar divisão entre o povo de Deus, vocês devem se afastar dele.
Em 2 Tessalonicenses 3, se um irmão ou uma irmã anda desordenadamente — por exemplo, recusando-se a trabalhar e se intrometendo na vida dos outros —, o que vocês fazem? A Palavra diz:
Se alguém não quer trabalhar, também não coma.
Se ele não ouvir, não mantenham companhia com essa pessoa; contudo, admoestem-no como irmão.
Em Tito 3, se há uma pessoa facciosa, isso não se refere a uma heresia grave, como negar a divindade ou a humanidade de Cristo. Refere-se a alguém que se apega obstinadamente à própria opinião. Vocês o admoestam uma ou duas vezes; se ele continuar apegado àquela opinião firme, deixem-no ir. Deixem-no manter sua própria opinião.
Esses são casos que vocês encontram na igreja, mas não se trata de excomunhão. Mesmo em 1 Timóteo 5, se um presbítero peca, o que vocês fazem? Paulo diz que ele deve ser repreendido publicamente. É um caso sério, porque o pecado de um presbítero afeta toda a igreja.
Se ele não estiver arrependido, deve haver duas ou três testemunhas. Isso não deve ser escondido. Deve ser trazido à luz. Se for verdade, ele precisa ser repreendido publicamente. Irmãos e irmãs, é isso que a Escritura diz. É muito sério e não é algo com que se deva brincar.
A disciplina da igreja é o último recurso. Hesitamos em exercê-la. Precisamos ter muito cuidado e nos humilhar diante do Senhor. Toda a igreja precisa ser humilhada antes que isso possa ser feito.
Porque a vida da igreja é o amor, que o Senhor nos ajude.
Reconheçamos o quanto precisamos de disciplina. Precisamos que o Pai, nosso Pai celestial, nos discipline; caso contrário, quem nos disciplinará? Vocês pedirão a Ele que os corrija?
Como precisamos de autodisciplina. Somos relaxados demais e, por causa disso, deixamos de crescer. Como precisamos tremer e ter temor ao chegarmos a essa questão da disciplina da igreja — a disciplina no corpo. Se houver amor suficiente, ela poderá ser exercida.
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar.
Senhor, estamos tocando em algo tão necessário, mas que está quase além de nossa capacidade. Nós nos humilhamos diante de Ti e dizemos: “Senhor, mostra-nos o que realmente é a disciplina, para que possamos nos colocar sob Tua disciplina”.
Que possamos nos exercitar na disciplina e, por meio do amor, aprender como disciplinar uns aos outros. Ó Senhor, ajuda-nos, nós Te pedimos, em Teu precioso nome. Amém.